A capa do "Il Giornale" de sexta-feira não precisa de tradução. "Quarto reich", pode ler-se em letras garrafais, em cima de uma fotografia da chanceler Angela Merkel a fazer um gesto com a mão direita, normalmente associado à saudação nazi. O "Il Giornale" é detido por Paolo Berlusconi, irmão de Silvio Berlusconi, ex-primeiro-ministro italiano. O artigo foi publicado na sexta-feira, contribuindo para aquecer ainda mais o tom do debate em torno da crise da zona euro. O jornal argumenta que Berlim colocou Itália e toda a Europa de joelhos. "No Primeiro Reich, a Alemanha também queria o título de Imperador de Roma e nos dois [reichs] seguintes usaram os seus meios contra os outros estados da Europa, duas guerras mundiais e milhões de mortos não foram obviamente suficientes para acalmar o ego alemão", escreve o "Il Giornale", dizendo que, em vez de "usar canhões", desta vez Berlim está a usar o euro. "Desde ontem [quinta-feira] que Itália já não está na Europa, está no Quarto Reich."
Diário de Notícias
***«»***
Por diversas vezes, aqui, no Alpendre da Lua, nos temos referido a Angela Merkel como sendo a Hitler de saias, ao mesmo tempo que, também por diversas vezes, temos afirmado sem rebuços que a Alemanha de Merkel pretende fazer com o euro aquilo que Hitler não conseguiu fazer com os canhões. É confrangedor assistir à impávida passividade dos nossos políticos e comentadores que, por atávico pudor e obedecendo ao exercício da linguagem do politicamente correto, não se atrevem a chamar os bois pelos nomes, ao mesmo tempo que se mostram incapazes de classificar a submissão de Portugal ao memorando da troika como um ato de alta traição à Pátria e de vergonhosa capitulação perante os interesses estrangeiros. Esperemos que o gratificante exemplo do "Il Giornale" os torne mais corajosos e contundentes. Já não existem dúvidas de que está instalada uma guerra financeira na Europa, capitaneada pela Alemanha contra os países do sul, os mais débeis economicamente.


Também me parece não haver dúvidas quanto à "instalada guerra financeira na Europa." Mas tenho fortíssimas dúvidas que seja "capitaneada" pela Alemanha. Demais - julgo que a dita "guerra financeira" não é "capitaneada" por ninguém em especial,mas sim resultado táctico e prático de uma estratégia global definida por um "almirantado internacional" constituído por uns poucos milhares de indivíduos - os que têm, em maior ou menor "dose", o verdadeiro poder. Só uma situação pode, por um lado,continuar a "manter"(?) uma certa "fervura lenta", se, não houver... ; pelo outro lado,desencadear uma verdadeira "vaporização"- se,sim, houver, um desequilíbrio nas cobiças, invejas, gulas,megalomanias...e loucuras dos "compadres" do dito "almirantado.
ResponderEliminar"Si è vero" - "...os países do Sul, os mais débeis economicamente."
ResponderEliminarDeixo a eterna pergunta - PORQUÊ?
A natureza macrocéfala do capitalismo financeiro internacional (assim como a sua organização devidamente hierarquizada, atuando em rede) já foi aqui devidamente referida. Um exército de civis, uns alienados, outros comprados e alguns ainda ingénuos e crédulos, trabalham como as formigas para essa elite muitimilionária, que não tem rosto. À Alemanha, nessa rede, cabe-lhe o papel de organizar o saque da Europa. E a estratégia, como também aqui já foi referido, baseia-se no princípio de criar esquemas que promovam a transferência da riqueza dos países pobres e dos menos ricos para os países mais ricos, e, dentro de cada país, procurar transferir os rendimentos do trabalho para os do capital.
ResponderEliminarA razão por que os países do Sul da Europa são os economicamente mais débeis, entre os países mais desenvolvidos, tem raízes na História e na Cultura. Uma elas, e que cada vez ganha mais consenso entre os historiadores, prende-se com a eclosão da Reforma e da Contra Reforma, que mudou a face da Europa, no se. XVI. Enquanto a igreja de Roma, com o seu enorme poder, pactuava com as aristocracias parasitáris, o protestantismo introduziu na sua praxis a valorização do trabalho e do mérito, a todos os níveis. Na Europa, a divisão entre o Norte, rico e desenvolvido, e o Sul, pobre e desorganizado, passa pela fronteira entre os países predominantemente protestantes e os países católicos. Claro que a História não é linear ao estudar o passado e a sua evolução. Existem muitas outras teses, que se entrecruzam, umas com as outras, para explicar a pobreza e o sub-desenvolvimento.