quinta-feira, 19 de abril de 2018

Neurocirurgia do Hospital de S. João: Onze anos a funcionar em contentores.


Contentores do Serviço de Neurocirurgia d0 H. S João


Neurocirurgia do Hospital de S. João: Onze anos a funcionar em contentores

É obra! Esta situação, vivida no Serviço de Neurocirurgia do Hospital de S. João, no Porto, e que é verdadeiramente chocante. É um bom exemplo da capacidade de resposta governativa que os partidos do Bloco Central, coligação esta que, agora, parece estar numa outra gestação, são capazes de dar aos problemas concretos do país real.

Deixemos-nos de ilusões: PS e PSD são farinha do mesmo saco. A diferença apenas está na moagem.

É de estarrecer, quando nos defrontamos com este pedaço de prosa, desta reportagem do PÚBLICO.

"A enfermeira veio chefiar o serviço há dois anos e viu parte do hospital onde trabalhava há 30 anos com novos olhos. "Quando me mostraram as casas de banho, a primeira lembrança que tive foi de um campo de concentração". O dia-a-dia trouxe-lhe outras dificuldades: "No Inverno os familiares têm que trazer cobertores. O frio é imenso e ainda há sítios onde chove, nomeadamente numa enfermaria. Há buracos, frequentes pragas de formigas. As sanitas entopem quase diariamente" e Isabel Dias não pode conter a ironia quando olha para o chão colorido dos corredores, símbolo das reparações mais ou menos antigas do piso. Da última vez que este cedeu, uma enfermeira ficou com o pé preso. "Os profissionais estão exaustos", afirma".

Mas o Costa virou mais uma página. Uma página amarelecida pelo tempo, o tempo de onze anos, e, página essa, que foi "virada a ferros".

Entretanto as crianças com cancro, deste hospital, continuam no corredores, a fazer os tratamentos de quimioterapia. E o Marcelo ainda não apareceu por lá, para os habituais beijinhos e abracinhos. Claro, o homem não pode ir a todas.
Alexandre de Castro
2018 04 19

domingo, 15 de abril de 2018

EUA: Um Presidente, que não faça uma guerra, não é um bom presidente...


Checkpoint Asia

Desde meados da década de sessenta, do século passado, todos os presidentes dos EUA tinham de engrandecer o seu currículo, desencadeando uma guerra. Trump já tem a sua, mas que não passou de uma vitória de Pirro.
Alexandre de Castro
2018 04 15

Milagres, há muitos… Oh, palerma…


Primeira página do Correio da Manhã

Milagres, há muitos… Oh, palerma…

Por enquanto, apenas são sinais anunciadores, dos milagres que hão-de vir, e que serão enviados pela chancelaria divina, mas, como de costume, sem a indicação dos respectivos prazos de validade.
Eu sempre disse que Fátima é a fábrica da cera e dos milagres, dois produtos de elevado valor acrescentado, mas que estão isentos do pagamento do IVA., o que, só por si, já é um autêntico milagre da santa, assim como é, também,   milagre o facto das esmolas dos peregrinos não pagarem aquele imposto. Isto, num país onde a caça aos impostos, ao nível da classe média, é particularmente tenaz e incisiva, não deixando espaço para o cidadão respirar.
Alexandre de Castro
2018 04 15

Rússia: “Tais acções vão ter consequências”




Rússia: “Tais acções vão ter consequências”

Numa primeira reacção, o embaixador russo nos EUA, Anatoly Antonov, publicou um comunicado no Facebook, afirmando que os EUA e os seus aliados sabem "que tais acções terão consequências". E acrescentou: “Insultar o Presidente da Rússia é inaceitável e inadmissível”, além de que os EUA “não têm moral para criticar os outros países”, uma vez que tem um grande arsenal de armas químicas, argumentou.

Os alvos dos bombardeamentos dos EUA já tinham sido evacuados há vários dias, disse à Reuters uma fonte de uma aliança regional que apoia o regime de Assad. “Tivemos um aviso dos russos sobre o ataque e todas as bases militares foram evacuadas há alguns dias”, disse a mesma fonte. “Cerca de 30 mísseis foram disparados no ataque e um terço deles foi interceptado”.
PÚBLICO

***«»***

No ponto de vista militar, a operação desencadeada pelos predadores Trump, May e Macron foi um fracasso.

A operação destinava-se mais para consumo interno da opinião pública americana e europeia do que para assustar a Rússia e a Síria, que suportam bem estas arranhadelas.

No entanto, não deixou de ser um grave acto de guerra e uma agressão a um país independente, que o Direito Internacional proíbe e sanciona.

A Carta das Nações Unidas apenas consente o uso da força militar, contra um país soberano, no caso de legítima defesa ou actuando, através de um mandado do Conselho de Segurança da ONU, o que não foi o caso, permitindo assim que possamos considerar delinquentes paranóicos os três dirigentes políticos acima citados, e que, com esta iniciativa criminosa, deslustraram os valores da chamada civilização ocidental, que dizem defender.

Em relação às armas químicas, cito o PÚBLICO:
“A Convenção sobre o Uso de Armas Químicas diz que o Conselho de Segurança pode impor 'medidas' contra quem voltar a usar armas químicas na Síria, mas não autoriza directamente o uso da força. O tratado não tem um mecanismo de imposição que autorize outras partes a atacarem ou a punirem quem o violar”, explica Sofia Olofsson, na revista online Cornell Policy Review".

O crime está provado. E a apatia e a condescendência do secretário geral da ONU também.

Uma nota a preceito:
Parece que, agora, é moda chamar políticos portugueses para cargos internacionais importantes. Pudera!... São os melhores lacaios.
Eu, por mim, continuo a preferir os cães de guarda. São mais fiéis.

Alexandre de Castro
2018 04 15

sábado, 14 de abril de 2018

De falácia em falácia até ao desastre final…



De falácia em falácia até ao desastre final…

À enorme falácia de Bush, sobre a existência de armas de destruição massiva, no Iraque, e que nunca foram encontradas, segue-se, agora - como argumento para os EUA desencadearem uma guerra contra a Síria - a falácia das armas químicas (que ninguém provou existirem).

A Síria e o Irão são os únicos países do Médio Oriente que o imperialismo americano ainda não conseguiu vergar, impedindo-se assim o seu desígnio de pretender assegurar o seu domínio total sobre a zona onde se encontram as maiores reservas de petróleo do mundo. Trata-se, pois, de uma guerra de rapina, que o mundo inteiro deve condenar.

Mas, esta guerra contra a Síria poderá ter consequências dramáticas, a nível global, despoletando uma espiral de violência, nunca vista, através do recurso às armas nucleares, pois a Rússia reagirá imediatamente, para proteger o seu aliado histórico, que é um país independente, reconhecido pela comunidade internacional, que tem assento na ONU e que tem todo o direito de defender a sua soberania e a sua integridade territorial.

Alexandre de Castro
2018 04 12

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Resposta a uma pergunta sobre o texto “A bivalência da coisa”


Resposta a uma pergunta sobre
o texto “A bivalência da coisa”


Num Grupo do facebook, um leitor interessado, reagiu ao meu texto, A bivalência da coisa, também aqui publicado, deixando a seguinte pergunta: Qual a solução?

Respondi assim:

Há várias soluções, A T:

1ª - Se eu tivesse uma bomba atómica, lançava-a no edifício da sede da UE. Cortava-se o mal pela raiz.

2ª - Forçar, da parte do governo português, a renegociação da dívida e a sua reestruturação, perdoando-se parte do seu montante e alongando o prazo da sua total liquidação, para dar folga a Portugal, que assim poderia aumentar o investimento público, de forma a fazer crescer a economia para os quatro e cinco por cento, o que não está a ser conseguido, nem pode estar, porque a dívida contraída às entidades da troika, tal como está estruturada, constitui um verdadeiro garrote para a economia portuguesa.

Não está a pedir-se nada que a então Alemanha Ocidental não tenha pedido aos países vencedores da Segunda Guerra Mundial, em relação ao pagamento das indemnizações de guerra, entretanto transformadas em dívida

Recorde-se que, quando o governo da nossa desgraça assinou o acordo com a troika, o cálculo então feito - para que Portugal conseguisse pagar a dívida até ao prazo estabelecido (2035 para a dívida do FMI e 2036 para a dívida ao BCE e à Comissão Europeia) - apontava para a necessidade da economia portuguesa crescer os tais quatro a cinco por cento, ao ano. Ora, nos últimos três exercícios anuais, o crescimento da economia nem sequer chegou a metade dessa percentagem, nem nunca vai chegar, se não houver dinheiro para mais investimento público.

A não se negociar nada, o esforço orçamental do Estado português terá de ser muito maior, em prejuízo dos salários, das pensões e do Serviço Nacional de Saúde, como, aliás, já está a acontecer com o Orçamento de Estado deste ano. E, com excepção dos anos eleitorais, os orçamentos serão cada vez mais apertados, o que se vai repercutir na descida gradual do nível de vida dos portugueses, no aumento da pobreza e na degradação do Estado Social.

Pergunto: É isto que os portugueses querem? É desta forma cruel que a Europa é amiga de Portugal? É a isto que se chama virar a página, como António Costa anda sempre a dizer?

3ª– Se a primeira hipótese é inviável, impraticável e impossível e a segunda é rejeitada pelos partidos europeístas nacionais, então o melhor é ir à bruxa.
É o que eu também vou fazer.

Alexandre de Castro
2018 04 12

quarta-feira, 11 de abril de 2018

A bivalência da coisa




A bivalência da coisa

Era de prever este golpe. Na altura em que Centeno tomou posse, como presidente do Eurogrupo, eu escrevi uma coisa, mais ou menos assim:

"Como é que Centeno vai conciliar o seu discurso em Bruxelas com o discurso do Terreiro do Paço"? Passados uns dias, cheguei à conclusão que o próprio António Costa estava na mesma onda, a jogar na mesma ambiguidade. E, na realidade, nesta metade do mandato, Centeno e Costa entregaram-se à tarefa de fazer um número de ilusionismo, dando por um lado e tirando por outro lado. Designei o governo, como o governo do “tira e põe”.

Só que, os profissionais da Saúde resolveram partir a loiça, fazendo um grande estardalhaço, e ponde a nu as carências e os graves problemas do sector, que só poderão ser resolvidos com uma inversão da política que o governo está a seguir, de inteira submissão a Bruxelas, e, política esta, que não vai mudar, como já se percebeu, limitando-se apenas, e mais uma vez, a ir tapar buracos com provisórios remendos, a fim de calar as vozes dissonantes.

Com o PCP a afirmar que vai ser crítico, mas que não quer a ruptura e um BE, que anda um pouco desorientado para encontrar uma estratégia para resolver este dilema, e, também, com um PSD fragilizado (e que fique muitos anos assim), António Costa pode fazer a política que Bruxelas e Berlim apoiam e pretendem. Com as próximas eleições no papo, o próximo mandato governamental será cada vez mais europeísta, continuando a governar-se à volta da centralidade do défice, e da dívida, dívida que nunca poderemos pagar, a não ser que Portugal venha a ser o Benim da Europa, depois de perder a maior parte de tudo que ganhou no passado.

Já me chamaram “pessimista doentio”, mas eu julgo que tenho razão. Armadilhado com o euro e com a dívida, Portugal não vai ter o futuro, mil vezes prometido. E não sei, até, se poderá continuar a ser um país viável.

E na minha avenida, em Lisboa, vejo cada vez mais pedintes e pessoas a dormir, debaixo dos alpendres, o que, à semelhança do que aconteceu no passado, é, para mim, um sinal premonitório da crise, que vem aí.

Nem a santa de Fátima nos salvará.

Alexandre de Castro
2018 04 10

domingo, 8 de abril de 2018

Prisão de Lula da Silva: quando a verdade é uma agulha num palheiro


Prisão de Lula da Silva: quando a verdade é uma agulha num palheiro


Léo Pinheiro, à altura presidente da OAS, começou por ser interrogado pelas autoridades no âmbito da Operação Lava Jato em 2014, tendo sido logo preso. Negociou um acordo de delação premiada com os investigadores mas, em 2016, o acordo caiu por terra. Tudo porque a Procuradoria acusou-o de quebra de confidencialidade, depois de ter surgido uma notícia sobre o acordo na revista Veja. Apesar disso, Pinheiro quis colaborar na mesma com a investigação, na esperança de que tal ajudasse a reduzir a sua pena, o que veio a acontecer: Sérgio Moro, no final do julgamento, reduziu a pena que lhe aplicou de 10 anos e oito meses de prisão para uma pena de apenas 2 anos e seis meses em regime fechado, passando o resto da pena a regime aberto. Léo Pinheiro está ainda condenado a outros 42 anos de prisão, por outras duas sentenças também aplicadas por Moro, relacionadas com a Lava Jato.


****«»****

Lendo o artigo do OBSERVADOR, que segue a linha de pensamento da narrativa do juiz Sérgio Moro, até parece que, na realidade, Lula da Silva foi corrompido, tal é a força das provas trazidas para o processo.

No entanto, na narrativa da acusação, há uma nebulosa opaca, como são todas nebulosas, e, ao mesmo tempo, intrigante, que não deixa ver toda a verdade, escondida que está no meio de tantas assumidas certezas. Refiro-me a Léo Pinheiro, director, à altura dos factos, da OAS, a dona do célebre Triplex, e que começou a ser investigado pelas autoridades, ainda no âmbito da Operação Lava Jato, em 2014, tendo sido imediatamente preso. E é na prisão que ele propõe (ou aceita?) um acordo de delação premiada, uma figura jurídica controversa, que muitos juristas contestam e condenam, pois, a partir desse momento, o arguido diz, afirma, subscreve (e põe-se de joelhos, se necessário for) tudo o que os investigadores quiserem, caso o objectivo da investigação esteja inquinado (por motivos políticos ou por motivos de outra natureza) pela tentação de atribuir a culpa a quem a não tem e, noutros casos, de absolver quem a tem.

E, no final do julgamento de Lula da Silva, o juiz Sérgio Moro foi magnânimo para com Léo Pinheiro. A generosidade da clemência fala por si, e levanta alguma suspeição, embora eu, da minha parte, não queira promover nenhum processo de intenções. Sérgio Moro, que condenou Léo Pinheiro a dez anos e oito meses de prisão, premiou a delação, reduzindo-lhe a pena para, apenas, “dois anos e seis meses, em regime fechado, passando o resto da pena a regime aberto”, o que prova que a delação compensa, mesmo que seja comprada pela investigação, em muitos casos.

Entretanto, eu, por mim, neste texto, consegui dizer tudo o que tinha a dizer, sem me comprometer com nada, uma vez que a verdade nem sempre vem à tona da água.

Alexandre de Castro
2018 04 08

sábado, 31 de março de 2018

A política também é feita de humor…


A política também é feita de humor…

Por vezes, os dirigentes comunistas são criticados por terem um discurso político rígido, hirto e muito formal, como se fosse desenhado a régua e esquadro e talhado e moldado pela foice e pelo martelo, e em que faltam as subtilezas da linguagem, que, uma vez bem enquadradas, podem ter um efeito corrosivo enorme.
Foi esse efeito corrosivo, engalanado por uma subtil e oportuna ironia, que Jerónimo de Sousa conseguiu desmontar a gratuitidade (e, também, alguma hipocrisia) daquelas frases chavão, sonoras e grandiloquentes, que exprimem pensamentos sublimes e sedutores. mas que apenas valem pela sua amplitude metafórica, não tendo nenhuma repercussão na realidade vivida e sentida.
E com esta frase de antologia, "PCP defende aumentos salariais para que Marcelo deixe de ter vergonha da pobreza" Jerónimo de Sousa, sem deixar de fora o que politicamente exigia, arrasa, de uma penada, a vacuidade do pomposo discurso político, em que o disfarce, a demagogia e até a mentira andam de mãos dadas.

Alexandre de Castro
2018 03 31

sexta-feira, 30 de março de 2018

Um combate de boxe viciado à partida



Um combate de boxe viciado à partida

A Coreia do Norte há muito que diz estar aberta a abandonar o seu arsenal nuclear se os Estados Unidos retirarem as suas tropas da Coreia do Sul e cessarem a sua aliança de segurança do “guarda-chuva nuclear” com Seul, entre outras condições.
Os Estados Unidos, por seu lado, têm insistido num desmantelamento completo, verificável e irreversível do armamento nuclear da Coreia do Norte e de todas as infra-estruturas necessárias para a sua produção
PÚBLICO
 ***
Ronald Trump quer entrar num combate de boxe com o líder norte-coreano Kim Jong-un, mas com a condição de ser declarado vencedor, à partida, pelo que exige ao adversário que baixe os braços, para não se defender dos golpes desferidos.
Kim Jong-un já declarou, alto e em bom som, que está disposto a destruir o arsenal nuclear do seu país, desde que os Estados Unidos retirem as suas tropas da Coreia do Sul e cessem a sua aliança de segurança do “guarda-chuva nuclear” com Seul, entre outras condições, declaração esta que não teve retorno por parte dos Estados Unidos nem da Coreia do Sul, o que leva a concluir que as intenções destes dois países não são honestas e enformam de má-fé.
Alexandre de Castro
2018 03 30

quarta-feira, 28 de março de 2018

Cuidado com as cabalas do imperialismo…

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Cuidado com as cabalas do imperialismo…


Andou bem o governo português em não alinhar com a histeria colectiva da expulsão de embaixadores russos nos países ocidentais, com base no argumento da tentativa de assassinato, por envenenamento, de um ex-espião russo, no Reino Unido, tentativa essa rapidamente atribuída, com uma grande ligeireza, à maldade de Putin, mas sem que fosse apresentada uma qualquer prova material e objectiva. Quem me diz a mim, que o antigo espião não foi vítima de uma operação levada a cabo pelos serviços secretos britânicos, num esquema combinado pelo governo britânico e pelo governo dos EUA, para assim, através deste incidente mediático, explorado até ao limite da infâmia, dar o pontapé de saída a uma nova guerra fria, que, nos tempos actuais, poderá transformar-se numa guerra quente?
Não tenho nenhuma prova para fazer esta presunção de culpa, é certo. Mas também a primeira-ministra britânica não possui nenhuma prova (pelo menos não a publicitou) de que aquela tentativa de assassinato tenha o dedo de Putin.
Por outro lado, uma campanha destas, mediaticamente bem programada e também bem executada e ampliada pela comunicação social do sistema, serve perfeitamente para desviar as atenções da opinião pública, em relação aos crimes de guerra que os EUA, através da CIA, e a França e o Reino Unido, através de destacamentos militares especializados, andam impunemente a cometer no território da Síria, repetindo o modelo que os EUA e a França aplicaram na Líbia, com os resultados que se conhecem: metade do mundo árabe, em vinte anos, foi devastado por guerras sanguinárias, levadas a cabo pelos EUA, como foi o caso da invasão do Iraque, ou com o seu apoio e patrocínio, como foi nos restantes casos. E disto ninguém fala, porque tudo foi feito em nome dos supremos valores da civilização ocidental.

Alexandre de Castro
2018 03 28
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MEU COMENTÁRIO NO FACEBOOK

Percorri alguns blogues progressistas da minha preferência e verifiquei uma grande sintonia de posições em relação a este caso do antigo espião russo.

No entanto, em alguns desses blogues também se refere a necessidade que a primeira-ministra-ministra, Theresa May, teria tido para construir uma narrativa empolgante, à maneira das tragédias gregas, para desviar a atenção da opinião pública britânica da discussão sobre o Brexit, que está a aquecer, como é natural.

Ao mesmo tempo, e isto já é da minha lavra, os países ocidentais aproveitaram a ocasião para mostrar ao mundo que estão unidos, o que é uma outra narrativa para tentar esconder as profundas divisões que estão a minar o bloco euro-americano.

A situação começa a ficar preocupante. A tentação do Trump de querer carregar o botão nuclear é enorme. Isto remete-me para os períodos antes das duas guerras mundiais, do século passado, em que os futuros beligerantes alternavam nas provocações, a fim de medir forças e intenções.

Os EUA chegaram a uma situação desesperada. Perderam a hegemonia militar, em relação à Rússia, e estão também a perder a posição dominante, a nível económico, em relação à China. Estes dois motivos ponderosos são suficientes para levar Trump a carregar no botão, antes que seja tarde, a fim de eliminar de vez os dois adversários. E é disto que eu tenho medo, pois as consequências para a Humanidade (aquela que viesse a sobreviver), seriam incalculáveis e nem sequer temos capacidade para as imaginarmos.

O Hitler não soube ponderar os riscos de uma guerra... E basta um doido, para fazer deflagrar a guerra, que todos nós tememos.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Défice orçamental armadilhado…





Défice orçamental armadilhado…


O ministro das Finanças, Mário Centeno, atacou o Eurostat
por ter "preconizado uma decisão errada" ao incluir
o custo com a capitalização da Caixa Geral de
Depósitos (CGD) no défice público de
2017 (em contabilidade nacional), fazendo-o
subir para 3% do produto interno
bruto (PIB). Se o Eurostat não
o tivesse feito, a operação
da CGD iria apenas à dívida
e o défice final seria
de 0,9%.


Tecnicamente o Eurostat tem razão. A injecção, feita pelo accionista Estado, na Caixa Geral de Depósitos, em 2017, no valor de 3.944 milhões de euros, a fim de evitar a sua insolvência, deve ser registada como despesa no Orçamento de Estado daquele ano. E isto, por uma razão muito simples, que nenhum artifício político pode desmentir. É que, desde sempre, quando a Caixa Gera de Depósitos obtinha lucros, os respectivos dividendos, entregues ao accionista Estado, eram contabilizados, em termos orçamentais, como receita. Não se pode, ao mesmo tempo, ter sol na eira e chuva no nabal, nem mudar as regras, ao sabor das conveniências do momento.
No entanto, falta saber se não houve veneno político nesta decisão do Eurostat, destinada a obrigar Portugal a ir mais além na política de austeridade, uma vez que, com esta manobra contabilística, o défice orçamental de 2017 trepa dos 0,9% (já andavam por aí a lançar foguetes) para os três por cento, que é o que vai valer, no futuro, para os burocratas de Bruxelas , que mandam no país - situação que muitos portugueses ainda não perceberam, porque teimam em não querer perceber - poderem impor rígidas barreiras aos gastos do Estado Português, principalmente ao nível da Saúde e da Educação, dois pilares exemplares do nosso Estado Social, que eles e os seus patrões (leia-se Alemanha e França) ainda não conseguiram engolir.

Alexandre de Castro
2018 03 26

domingo, 25 de março de 2018

Catalunha: A Europa com dois pesos e duas medidas…

Fotografia SAPO


Milhares de pessoas estão hoje a protestar nas ruas de Barcelona contra a detenção do ex-presidente do Governo Regional da Catalunha Carles Puigdemont e a prisão de cinco políticos independentistas, o que já levou à intervenção da polícia.
SAPO


Catalunha: A Europa com dois pesos e duas medidas…

Se o Putin prendesse um seu opositor, na Rússia, caía o Carmo e a Trindade, e a chinfrineira na comunicação social domesticada seria infernal e ensurdecedora, até á náusea.
Prender um líder político, eleito pelo povo, parece não causar nenhum prurido nem nenhum sobressalto, nos círculos políticos dos civilizados países europeus.
Dois pesos e duas medidas.
O encapotado franquismo de Madrid pode prender os dirigentes políticos independentistas da Catalunha, mas não pode prender um povo inteiro.
E, mais tarde ou mais cedo, a Catalunha será LIVRE E INDEPENDENTE, por direito histórico inalienável.

Alexandre de Castro
2018 03 25

quinta-feira, 22 de março de 2018

Relembrando de memória…



Negligência da EDP pode ter causado
o maior incêndio de sempre

Tal como em Pedrógão Grande, há fortes suspeitas de que o maior incêndio da história de Portugal, que queimou 45 mil hectares e atingiu nove concelhos a meio de outubro de 2017, começou devido a uma linha elétrica da EDP.
TSF


Relembrando de memória

Todos aqueles que há trinta anos apoiaram convictamente as desnacionalizações das empresas, (incluindo a EDP), que o governo de Vasco Gonçalves tinha nacionalizado, devem agora estar a remoer a sua consciência, da sua parte na culpa colectiva, induzida, na altura, pela acção contra-revolucionária dos partidos do arco do poder (PS, PSD e CDS).  
Nesses tempos, já recuados, esses fanáticos apoiantes das desnacionalizações não deram ouvidos aos apelos do PCP, que considerava mais vantajoso para a vida dos portugueses e para o desenvolvimento do país a gestão estatal das empresas estratégicas.
Actualmente, a EDP é uma empresa majestática, que tem, face ao Estado, privilégios escandalosos, ao nível de impostos e ao nível do seu posicionamento no mercado da electricidade, onde goza de «amplas liberdades», sendo pois necessário eliminar esse estado de favor, que é humilhante para o país.

Alexandre de Castro
2018 03 22

quarta-feira, 21 de março de 2018

Os portugueses não podem contar com o ministro das Finanças, Mário Centeno.

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A forte restrição orçamental, quer pela via do
financiamento operacional, quer pela via
do investimento, tem condicionado
a capacidade do Hospital Público em melhorar
os seus índices de desempenho qualitativo.
Sejamos claros, as transferências do Orçamento
do Estado para o Serviço Nacional de
Saúde (SNS) em percentagem do PIB têm
 vindo em queda desde pelo menos 2010,
sendo o ano de 2018 o mais baixo do período.
Sim, mais baixo que durante o programa de
ajustamento económico e financeiro (PAEF).
Sendo o orçamento o instrumento por excelência
de aplicação de políticas públicas, esta é a
prioridade dada ao SNS — o menor
investimento em percentagem do
PIB desde 2010.


Dois terços dos hospitais pagam dívidas com atraso.
O problema pôs a Comissão Europeia em alerta e
levou o ministro das Finanças a pôr o sector sob
vigilância de um grupo de trabalho: os hospitais
mais demorados chegam a levar ano e meio
para saldar dívidas, um problema que
os representantes dos médicos e dos
enfermeiros dizem sentir-se
em todo o país.
PÚBLICO


Respondendo à pergunta do Presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, pergunta com que termina o seu assertivo texto, eu respondo: Não... Não, não podem. Os portugueses não podem contar com o actual ministro das Finanças, Mário Centeno. E isto, além de outras razões de âmbito ideológico e político, pelo simples facto de ele ser também, simultaneamente, Presidente do Euro Grupo, o que o obriga a ter de obedecer mais à Comissão Europeia do que defender os verdadeiros interesses de Portugal. Aliás, a sua eleição para aquele alto cargo, cozinhada pela Comissão Europeia, teve precisamente esse objectivo, o de retirar a Portugal a capacidade de regatear qualquer medida mais musculada, que venha a ser proposta e aplicada. E não é por acaso que Centeno se apressou a fazer cativações de verbas já consignadas no Orçamento de Estado do corrente ano, de várias áreas da governação, incluindo, muitas delas, as destinadas ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), que, neste momento, já está a passar por grandes dificuldades financeiras, de subfinanciamento e de pessoal, e que estão a ameaçar a sua sustentabilidade e o seu funcionamento pleno, e, acima de tudo, o seu futuro.

É no palco de Bruxelas que Centeno quer brilhar, e isso limita a sua capacidade de defender os interesses de Portugal, por mais que os socialistas possam dizer o contrário. E isso interessa ao Presidente da Comissão Europeia, que assim evita fazer o papel do mau da fita, quando for necessário apertar o garrote à despesa nas áreas sociais, cuja previsível degradação e disfuncionamento nada  interessam aos donos da Europa e aos seus representantes, em Bruxelas.
Alexandre de Castro
2018 03 21

segunda-feira, 19 de março de 2018

Floresta Amazónia ameaçada…


Com um clik, amplie a imagem do vídeo.

Isto diz-nos respeito. Aliás, isto diz respeito a toda a Humanidade. E não podemos ficar calados, perante a tentativa do actual governo do Brasil de querer vender a investidores estrangeiros, e para fins industriais, uma área significativa da maior floresta do mundo, a Amazónia, o que conduziria à sua lenta e progressiva destruição.

Sem a Amazónia, a grande fábrica natural de oxigénio, os desequilíbrios ambientais, em todo mundo, seriam dramáticos, quer para a saúde humana, quer para a agricultura, da qual dependemos para viver.

E a melhor maneira de participares nesta luta é divulgares este vídeo pelos teus amigos, pedindo-lhes que façam o mesmo. É o que eu estou a fazer.

Alexandre de Castro.
2018 03 18

Vídeo enviado pela minha amiga, a "poeta" Maria Gomes.

domingo, 18 de março de 2018

Bloco Central informal...


PCP afirma estar em curso no país um "Bloco Central informal" PSD/PS


O secretário-geral do PCP afirmou hoje que está em curso no país um "Bloco Central informal" entre PSD e PS, convergência em que os sociais-democratas já preparam uma revisão constitucional a pretexto de uma reforma na justiça.
Jerónimo de Sousa [In NOTÍCIAS AO MINUTO]


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Vai ser um Bloco Central informalmente formal

O Partido Socialista fez um casamento, com separação bens, com os partidos de esquerda, mas, agora, quer continuar a ir dormir à casa da amante, com quem, aliás, sempre andou a dormir. E este adultério é apadrinhado pelos seus primos políticos de Bruxelas e de Berlim, que sempre torceram o nariz a este casamento, considerado politicamente contra natura.

O doutor Costa, em breve, vai começar a dizer que não se tratou de um casamento, mas sim de um arranjinho de ocasião, para satisfazer as necessidades do poder, e já começou a construir a metáfora adequada às suas ambições, (as partidárias e as pessoais), em que o Partido Socialista será o árbitro de um combate de boxe, entre a esquerda e a direita, quando afirmou que é necessário fazer consensos alargados com todo o espectro político, uma vez que estão em causa grandes opções, ligadas à UE, e que vão repercutir-se nas várias legislaturas futuras, o que é uma grande falácia, pois é na cozinha de Bruxelas que se escolhem as ementas e se cozinham os pratos, dispensando-se os temperos que o doutor Costa julga (ou finge que julga) poder acrescentar.

Alexandre de Castro
2018 03 18

sexta-feira, 16 de março de 2018

Adeus, Stephen Hawking…





Adeus, Stephen Hawking…


Foste habitar aquela estrela, que descobriste,
e pela qual te apaixonaste,
depois de teres encontrado Deus
num buraco negro, onde ELE se escondia,
para o obrigares a renegar tudo o que ELE dizia
sobre a criação do Universo e da vida humana…

Do teu corpo morto fizeste uma nova vida
para o nosso espanto,
pois não temos a tua força nem a tua inteligência
nem sabemos devorar as insónias
das galáxias, das estrelas, dos planetas e dos cometas
e tudo aquilo que a Física Quântica
provoca nas nossas cabeças
com as suas insondáveis incógnitas…

Nasceste no dia em que Galileu, há trezentos anos, morreu,
e morreste no dia em que Einstein nasceu,
na ponta final de dois séculos atrás,
e eu não sei se isto não foi uma partida de Deus,
para vos catalogar à entrada do céu…

O que eu sei é que vais levar os seus corações na tua mão
para que a Física vença a ignorância
e triunfe no meio das trevas e da escuridão…

Adeus, Stephen Hawking…

Alexandre de Castro

Lisboa, Março de 2018

segunda-feira, 12 de março de 2018

O escândalo Novartis que está a abalar a Grécia

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O escândalo Novartis que está a abalar a Grécia

Os dez políticos gregos, alegadamente envolvidos no esquema de corrupção da Novartis (uma multinacional farmacêutica suíça), já fizeram saber que pretendem ser julgados em Portugal.
(Nota de humor, claro)

Alexandre de Castro
2018 03 12

Soberbio Dali




Depois de Dali e de Picasso, nada passou a ser igual no universo da Pintura.
A transgressão do cânone é o motor das revoluções, sejam elas artísticas, políticas, sociais, económicas, tecnológicas ou de outra natureza. Por isso, não aceitemos nada como definitivo, nem nos acomodemos à inércia da nossa mente, que nos convida preguiçosamente a ofuscar a nossa clarividência.

Alexandre de Castro
2018 03 11

quinta-feira, 8 de março de 2018

CARTA PARA O FUTURO...



Desemprego real atingiu os 17,5%
no final de 2017, o dobro do oficial

Entre os “desencorajados” que desistiram
de procurar emprego, os indisponíveis
para trabalhar, os trabalhadores em part-time
à força e os chamados “ocupados”
do IEFP, o desemprego real fixava-se
nos 17,5%, no final de 2017,
calculam investigadores.

CARTA PARA O FUTURO...

O problema está na raiz da árvore e não nas suas folhas, que já estão a amarelecer. O que quer dizer que o problema é estrutural e não de conjuntura, o que amplia a sua gravidade.

Não queiram tapar o sol com a peneira, escondendo a negra realidade do momento, com os jogos florais dos discursos dos políticos, que são enganadores, quer os do governo, quer os da anquilosada direita, nem se escondam atrás das estatísticas que não reflectem a realidade.

Portugal está a caminhar para o abismo e a iniciar um percurso de uma crise profunda, que só terá paralelo com a crise de 1580, em que perdeu a sua independência política. Se Portugal já é o "Trás-os- Montes" da Europa do Euro, arrisca-se, também, a vir a ser uma uma região de Espanha, depois de ser decretada a sua insolvência. pelos donos da Europa. E o sinal desta secreta intenção veio de Mario Drague, o presidente do BCE, que advogou, perante a crise financeira, a absorção dos bancos portugueses pelos bancos espanhóis, plano este que não foi para a frente, porque a czarina do Novo Império estava com medo da ascensão dos partidos populistas da extrema-direita, nas eleições que iriam decorrer em vários países europeus, incluindo na Alemanha. E a hipótese de criar o Euro B, para Portugal e para os países de leste ainda não foi descartada.

E um dos pilares que poderá conduzir Portugal para o abismo é precisamente o desemprego da actual geração de jovens, que vai persistir, e que vai ter reflexos na demografia, devido à quebra da natalidade, que já está verificar-se. E venha lá um qualquer político, chame-se ele Costa, Coelho, Rio ou até Marcelo, e que venha indicar-me o país que conseguiu crescer economicamente, com a sua taxa de natalidade persistentemente a cair.
Alexandre de Castro
2018 03 08