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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O consumo mau e o consumo bom...


Voltou o dinheiro fácil
O consumo das famílias está a aumentar e, com ele, o crédito. Taxas de juro mais baixas têm atraído os portugueses, que voltaram a comprar casas, carros e eletrodomésticos. Quais as consequências para a economia?
os primeiros sinais de alívio, as famílias caem de novo nos braços do crédito. Querem comprar casas, carros e eletrodomésticos, computadores e tabletes. Os portugueses não resistem. Mas estarão preparados para estas fúrias consumistas? Os economistas saúdam o crescimento económico alavancado no consumo mas alertam contra o aumento das importações. Eis alguns números que marcam esta nova onda consumista:

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O consumo interno em Portugal tem vindo a aumentar desde meados de 2012, devendo no fim deste ano ficar apenas a cerca de mil milhões de euros do valor atingido em 2010. O fenómeno não seria preocupante se este aumento se ancorasse predominantemente no aumento dos rendimentos das classes médias, o que não aconteceu. O aumento deveu-se essencialmente às baixas taxas de juros praticadas pelos bancos nos créditos às famílias para o consumo, o que é potencialmente perigoso para muitas dessa famílias, na eventualidade das taxas começarem a subir exponencialmente. Este aumento das taxas de juro está muito dependente da evolução das principais economias do mundo e da correspondente decisão da Reserva Federal Americana, em relação à economia dos EUA. Portugal, ao adoptar a moeda única, perdeu a capacidade de estabelecer as suas próprias taxas de juro, pois teve de abdicar do seu poder monetário e cambial. 
Mas, e isto também é preocupante, pois é mau para a economia portuguesa, o aumento do consumo interno foi muito impulsionado pela compra de produtos importados (automóveis, telemóveis, computadores e consumíveis de informática), cujo elevado valor veio diminuir o impacto positivo das exportações na balança comercial, que continua deficitária. É certo que o Estado, por esta via, também aumentou a receita de impostos, principalmente a do IVA, mas esta melhoria, que é acidental e dependente de factores externos à acção governativa (não é, pois, mérito do governo) não compensa a referida fragilidade da balança comercial. Cria-se uma riqueza artificial em Portugal, que não está sustentada no aumento de rendimentos das classes média, para contribuir para a riqueza real dos países fornecedores. Este perfil de consumo é o consumo mau.
O consumo bom seria aquele que se sustentasse nas estruturas de bens e serviços nacionais, já instaladas, e naquelas que viessem a ser criadas para substituir importações de alguns produtos, e, também, para exportar outros, o que, além de aumentar a riqueza nacional, iria impulsionar a criação de empregos. Mas não é este caminho que os partidos que juraram fidelidade à troika estão a seguir, nem prometem vir a seguir. Esta seria a principal vantagem se Portugal tivesse uma moeda própria, pois automaticamente, através de políticas cambiais, as importações subiriam em ritmo rápido e consolidado e as importações diminuíram. É por esta razão que eu sou adepto da saída de Portugal da moeda única.

domingo, 10 de maio de 2015

FMI quer mais cortes nos salários e pensões em Portugal


"É importante racionalizar mais a despesa pública através de uma reforma abrangente dos salários e das pensões e de reformas fiscais". Previsões do FMI são mais pessimistas do que as do Governo.
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O que o FMI pretendeu dizer é que Portugal ainda não conseguiu alcançar os resultados da Grécia. Mas a senhora Lagarde pode ficar descansada: O PS do Costa e o PSD do Coelho tudo farão para que tal aconteça..

sexta-feira, 10 de abril de 2015

O processo de rapina da União Europeia


Ficheiros secretos: Finlândia admite Grexit através da "aprovação silenciosa de outros países"
Nota secreta foi divulgada esta quinta-feira pela imprensa local. No documento, o ministro das Finanças finlandês já se prepara para a saída da Grécia da zona euro. Antti Rinne alerta para o risco de contágio da crise grega aos outros países no sul da Europa.

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Quando a informação - relativa a questões políticas e económicas, que deveria ser aberta e até pública, porque a democracia assim o exige - circula em ficheiros secretos, é porque já não existe a coragem de assumir a verdade. E a verdade, como se pode ver neste caso da Grécia, é que a União Europeia e a moeda única assentam na mentira, uma mentira que apenas serviu para encobrir um gigantesco processo de rapina, que engordou as economias dos países mais ricos, através do engodo das ajudas comunitárias e, posteriormente, da promoção acelerada do endividamento dos países mais pobres do espaço europeu. As ajudas europeias (com os dinheiros de todos os estados membros, que comparticipavam em sessenta por cento o custo dos projetos) tinham por objetivo promover as exportações dos países mais ricos. Eu dou um exemplo. Todo o alcatrão para a pavimentação das auto-estradas e estradas, de Portugal foi importado da Alemanha. O equipamento pesado para a construção civil também veio da Alemanha, na sua maior parte. Com mais auto-estradas e com as facilidades, intencionais e enganadoras, de acesso ao crédito ao consumo, promoveu-se a importação de mais veículos automóveis, fabricados pela Alemanha e por mais três ou quatro países ricos da Europa. É fácil de ver, com este exemplo, que através deste mecanismo o valor acrescentado ficava na Alemanha e nas economias mais desenvolvidas. Com a dívida dos estados dos países da periferia e a dos seus bancos, o esquema de rapina foi o mesmo. Promoveu-se o endividamento para comprar mercadorias e serviços aos países mais ricos e para arrecadar as elevadas mais-valias com os juros.
Isto é a União Europeia. Uma grande multinacional de negócios, que escapa ao escrutínio dos cidadãos, e que tem em Bruxelas o seu conselho de administração. É evidente que a saída da Grécia da zona euro é o sinal mais evidente da desagregação da UE, na qual só alguns ainda acreditam. Os ingénuos e os oportunistas.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Figueira da Foz: Aquacultura e ramo agroalimentar sob interesse estrangeiro


Os setores agroalimentar e a aquacultura, mas também o turismo, têm vindo a concentrar na Figueira da Foz o interesse de embaixadores acreditados em Portugal, no âmbito de um programa de diplomacia económica promovido pelo município, disse fonte da autarquia.

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As câmaras municipais não devem ser apenas máquinas rotineiras da burocracia da gestão institucionalizada. Podem ser centros criativos, geradores de iniciativas promocionais do desenvolvimento das atividades económicas do concelho, naquelas áreas em que as empresas, individualmente consideradas - as já instaladas e aquelas que possam a vir a constituir-se em função da potenciação de novas oportunidades - não tenham capacidade nem meios para desenvolver. A diplomacia económica, através dos municípios, é um desses meios.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Notas do meu rodapé: Anemia da economia portuguesa difícil de curar...


Exportações aumentam apenas 1,7%, importações crescem 3,3%
As exportações de bens aumentaram apenas 1,7% em termos acumulados e nominais no período de janeiro a novembro de 2014 face aos mesmos 11 meses de 2013, indicou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE). As importações engordaram 3,3%.
… Já as importações totais acumuladas até novembro mantiveram o ritmo na casa dos 3%. De janeiro a novembro de 2014 comparado com igual período do ano precedente, o aumento foi de 3,3%.
Assim, até novembro, Portugal exportou no total dos 11 meses em análise 44,4 mil milhões de euros, mas comprou ao estrangeiro 54,1 mil milhões de euros, o que coloca o défice comercial (diferença entre exportações e importações) nos 9,6 mil milhões de euros.
Ora, isto representa uma degradação da posição externa já que o mesmo défice de 11 meses em 2013 foi de 8,6 mil milhões. Há, pois, uma deterioração de mil milhões.

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O programa de ajustamento da troika partiu do enganador pressuposto de que a sustentabilidade da economia portuguesa seria conseguida, a médio prazo, com uma aposta vigorosa no aumento das exportações de bens e serviços e na desvalorização salarial (na altura, não assumida diretamente), através da aplicação musculada de uma apertada política de austeridade, que então foi anunciada como sendo de curta duração. A desvalorização salarial está a fazer o seu percurso, atingindo já os vinte por cento, e sabendo-se também que a ideia é atingir os trinta por cento, para que o respetivo nível salarial, terceiro-mundista, permita obter a competitividade que o nível modesto de desenvolvimento tecnológico não consegue. Mas, por sua vez, as exportações, depois de um período de euforia inicial, que serviu para fazer o festim da glorificação do governo, começaram a derrapar. Sem a Auto Europa e sem a Galp, a economia portuguesa, devido ao seu atraso tecnológico, que impede um aumento do valor acrescentado, não revela capacidade de ser competitiva, face ao exterior, mesmo beneficiando da desvalorização salarial em curso. Por isso, na perspetiva dos gestores, dos economistas neoliberais e dos políticos de direita, será necessário aplicar mais austeridade. Trata-se de impor ao país uma política de baixos salários, em vez de uma política de desenvolvimento, que é o que o país precisa. Asfixia-se o país, em vez de o desenvolver.
No desenho do programa de ajustamento, na avaliação da situação, foram cometidos dois erros. O primeiro diz respeito ao leviano otimismo, por parte da troika e do atual governo, em relação à evolução da economia europeia (principal destino das exportações nacionais), que outros políticos e economistas, não enfeudados ao sistema, contestavam. Hoje, a realidade mostra que a economia europeia está a passar por um período de recessão, ao mesmo que existe a ameaça de entrar num grave e longo período daflacionário, o que será um problema acrescido para Portugal e para a Grécia, países que vão ter, a médio prazo, grandes dificuldades de financiamento externo.
Nesta perspetiva, o horizonte para a próxima década apresenta-se muito sombrio para os portugueses, principalmente, para os trabalhadores,  desempregados e pensionistas.
AC

sábado, 20 de dezembro de 2014

Notas do meu rodapé: Com a verdade me enganas...


A ministra de Estado e das Finanças defendeu hoje [19 de Dezembro] que a dívida pública portuguesa é elevada, em resultado de anos de indisciplina orçamental, mas sustentável, e deve ser reduzida através de excedentes orçamentais.
Durante um debate sobre a dívida pública, na Assembleia da República, Maria Luís Albuquerque argumentou que a sustentabilidade das dívidas se afere caso a caso, tendo em conta o nível da dívida, a situação orçamental, o crescimento económico e as condições de financiamento e fatores subjetivos como a perceção dos mercados.

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A ministra das Finanças não disse nada que não se saiba. Para se pagar a dívida é necessário obter saldos orçamentais primários (sem contabilização dos juros) positivos (no caso presente da situação portuguesa, mesmo muito positivos) e promover o crescimento económico, através da dinamização das três vias possíveis: do aumento do investimento público e privado, das exportações e do consumo interno. Mas o que se critica é a opção ideológica que presidiu à conceção e à aplicação das respetivas políticas orçamentais, apoiadas unicamente nas políticas de austeridade, inspiradas nas orientações ditadas pelo diretório de Bruxelas e pela Alemanha, e que incidiram sobre o fator trabalho, beneficiando o fator capital. E é essa opção ideológica que é extremamente imoral e injusta, já que penalizou trabalhadores, pensionistas e desempregados, grupos sociais que constituem a esmagadora maioria da população portuguesa, e promoveu intencionalmente um maior enriquecimento dos detentores dos grandes grupos económicos e outros grupos sociais ligados ao grande capital. Esta última afirmação é sustentada por estatísticas já publicadas que nos dizem que, nesta crise, os ricos ficaram mais ricos e a classe média remedida começou a atingir o limiar da pobreza. E isto está a acontecer em Portugal, nos países europeus e nos EUA (ver "O Preço da Desigualdade", de Joseph Stiglitz, prémio Nobel da Economia, em 2001).
Também não pode ficar sem resposta a picardia da ministra das Finanças, quando acusa o governo anterior de práticas de desorçamentação (ocultação do défice). A desorçamentação sempre foi uma prática recorrente de todos os governos constitucionais, que se revelaram peritos, extremamente criativos, nesta arte de empurrar os problemas para à frente, com a barriga, seguindo aquela perversa lógica de que quem vem atrás que feche a porta . E a desorçamentação continua com este governo. A recente transferência de competências, nas áreas da Educação e da Saúde, e a que se seguirão provavelmente outras, do âmbito da Segurança Social, é uma forma habilidosa de transferir despesa para os orçamentos municipais, assim como os respetivos ónus políticos de futuros insucessos nas áreas das políticas sociais. 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Economistas discutem sustentabilidade da dívida sem acordo sobre solução

Dados de 2013 (1)

Os deputados da Assembleia da República receberam hoje [ontem] vários economistas para debaterem a sustentabilidade da dívida pública portuguesa: o diagnóstico foi comum, mas as soluções para resolver o problema do endividamento divergiram.
Os especialistas hoje ouvidos na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública concordaram que é preciso que haja crescimento económico para inverter a trajetória da dívida da pública, mas uns defenderam que é também necessário reestruturar a dívida ao passo que outros advertiram para os perigos de tal solução.

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Façam lá os cálculos, se faz favor..

Eu gostava que os economistas neoliberais, aqueles que rejeitam a hipótese da renegociação e reestruturação da dívida pública, como solução para a ultrapassagem desta crise profunda da economia portuguesa, que está para ficar, e que, de forma unilateral, privilegiam a questão orçamental (despesa e défice), demonstrassem matematicamente, socorrendo-se de elementos estatísticos e partindo dos dados macro-económicos de 2013, qual o crescimento anual do PIB, em percentagem, que seria necessário obter para conseguir meios financeiros para pagar os juros da dívida (serviço da dívida) e a sua amortização, nos prazos acordados com os credores internacionais (FMI-UE-BCE). Segundo cálculos já realizados, o PIB nacional teria de crescer anualmente 3,5% a 4%, o que é manifestamente impossível, pois a economia portuguesa não tem arcabouço para tais objetivos ambiciosos. Os aumentos de produtividade conseguidos recentemente foram obtidos pela desvalorização salarial (cerca de 20 por cento), que permitiu ganhar competitividade externa e que se refletiu no aumento das exportações e não no aumento do valor acrescentado, o que não augura nada de promissor para o futuro.
Por outro lado, também não percebo o medo que os economistas neoliberais indígenas manifestam, quando se lhes fala de renegociação e reestruturação da dívida portuguesa. A Argentina, no princípio do século renegociou e reestruturou a sua dívida e saiu da recessão, salvando-se. A Alemanha, em 1953, tinha optado pela mesma solução, e é uma potência económica, embora esteja a perder vigor, atualmente. Eu julgo que estes economistas estão a defender mais as suas posições ideológicas e políticas, e até partidárias, do que as posições ancorados na ciência económica.
Façam lá os cálculos, se faz favor...

(1) Uma estimativa do Deutsche Bank publicada num artigo do Financial Times estima a dívida pública Portuguesa em cerca de 200 mil milhões de euros. [O Inseurgente]

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Notas do meu rodapé: A eurofagia


A eurofagia

O conceito de eurofagia, recentemente introduzido no léxico da economia política, explica, de certa forma, muito do que atualmente está a acontecer na Europa, principalmente nos países da zona da moeda única. A palavra, que não consta ainda no léxico do português,  tem uma etimologia imediata e intuitiva. Significa autofagia da economia da zona euro, que aqui também poderá ser utilizada para compreender o estado da economia de toda a União Europeia. E esta autofagia é uma das principais causas da atual estagnação económica dos países europeus, cujo crescimento do passado recente se baseou maioritariamente nas trocas comerciais intercomunitárias, desperdiçando-se, por uma inércia anunciadora da sua inevitável decadência, as oportunidades oferecidas pela globalização dos últimos vinte anos. E, nessas trocas, tem de haver sempre países que ganham, os que exportam mais, e os que perdem, os que importam mais. Os países do norte ganharam, principalmente a Alemanha, e os países da periferia perderam, como foi o caso de Portugal. Só que essa zona do conforto para os países ricos acabou, tal como as estatísticas e as previsões económicas, principalmente na Alemanha França e Itália e Espanha, estão a demonstrar. A deflação ameaça aqueles quatro países, e uma vez instalada a deflação, e tal como está a acontecer à economia japonesa, torna-se muito difícil sair dela.
Pode pois dizer-se que os países da zona euro foram preguiçosos, porque se acomodaram à facilidade de fazer trocas comerciais entre si, num mercado com pouco risco e altamente garantido, mas que não evitou o avanço da lenta e progressiva invasão das exportações dos países emergentes, que, gradualmente, foram ganhando quota de mercado no espaço europeu. Vejamos só dois casos diferenciados, um país que ganhou e outro que perdeu, nestas trocas intercomunitárias. Na Alemanha, sessenta por cento das suas exportações são para os países europeus, e Portugal tem, como principal destino das suas exportações, a Alemanha, a França e a Espanha. Atualmente, a Alemanha, que no fim do século passado vendia a maquinaria para a China construir as suas fábricas, já está a sofrer a concorrência, nos seus mercados tradicionais, das máquinas construídas e exportadas pelo gigante asático, que são muito mais baratas. Nas lojas dos chineses compra-se uma máquina elétrica de cortar o cabeço por metade do preço da de uma máquina similar, fabricada em Itália. Portugal, que tentou vencer esta dependência das suas exportações em relação aos três países atrás citados, tem tido muitas dificuldades em diversificar as suas exportações para outros espaços, e isto porque falta à maioria dos nossos empresários ousadia, conhecimento e clarividência, e também capital. Foram muitos anos a viverem num espaço protegido, o do Portugal continental e o dos territórios  ultramarinos, Não era necessário inovar, formar e arriscar, porque as vendas e os lucros estavam garantidos. Foi o período da autofagia lusitana, embora o PIB tivesse crescido, mas não acompanhando o crescimento verificado no conjunto dos países europeus. Com a adesão à União Europeia e ao euro, o esforço a fazer também não era muito, porque as fronteiras aduaneiras da Europa foram abertas. Mas essas mesmas fronteiras abriram-se também à exportação do capital, através da especulação financeira, empobrecendo o país, porque esse capital fazia falta para o investimento nacional.
Como as perpetivas dos países europeus, de não conseguirem crescer para o exterior do seu espaço (1), são diminutas, eles vão continuar a comer-se uns aos outros, até os mais fracos serem devorados. É uma consequência natural da economia eurofágica.
Alexandre de Castro


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(1) A Comissão Europeia revê assim em baixa as previsões para estes três países [Espanha, França e Alemanha] e confirma também o modesto crescimento que se espera para a zona euro no próximo ano: no total, os países da moeda única deverão registar um crescimento médio de 1,1%.
Os ‘nuestros hermanos’ são, ainda assim, quem se encontra em melhores condições. Bruxelas baixou a previsão em quatro pontos decimais, para os 1,7%, um crescimento superior ao previsto para a Alemanha (menos nove casas decimais, para os 1,1%) e França (menos oito pontos decimais, para os 0,7%). Já em Portugal, a revisão de Bruxelas foi de dois pontos decimais. O crescimento esperado é agora de 1,3%.
Notícias ao Minuto

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Com o euro, Portugal nunca poderá arrancar para um crescimento sustentado


Importações surpreendem Banco de Portugal e forçam revisão em baixa do PIB

O consumo privado e o investimento até foram mais fortes do que o previsto e as exportações ficaram dentro das expectativas, mas uma aceleração mais rápida das importações do que aquilo que o Banco de Portugal esperava em Junho forçou a uma revisão em baixa da sua estimativa de crescimento em 2014, de 1,1% para 0,9%.
A nova previsão fica ligeiramente abaixo dos 1% estimados pelo Governo e pelo Fundo Monetário Internacional.
No Boletim Económico de Outubro publicado nesta quarta-feira, o Banco de Portugal passou, face ao que tinha feito em Junho, a estimar uma recuperação do consumo e do investimento mais rápida durante este ano. O consumo privado irá aumentar 1,9%, diz o banco central, contra os 1,4% projectados antes. No investimento, aponta-se agora para um crescimento de 1,6% (o primeiro desde o início da crise), em vez de 0,8%.
Ao nível das exportações, que foram afectadas pela interrupção registada na produção de combustíveis na Galp no início do ano, o Banco de Portugal manteve quase inalterada a sua estimativa para 2014. Em Junho, previa um crescimento de 3,8% (face a 6,4% do ano anterior) e agora passou para 3,7%.
Nas importações, pelo contrário, houve surpresas. Em Junho, apontava-se para uma variação de 4,6%, mas agora o banco diz que vão crescer 6,4%. O aumento maior do consumo e do investimento foi um dos factores para esta surpresa, mas a revisão em alta das importações foi mais acentuada, o que provoca um crescimento do PIB mais baixo.
Feitas as contas, o contributo da procura interna para o crescimento será de 1,9 pontos percentuais, contra um contributo negativo da procura externa líquida (exportações menos importações) de um ponto percentual negativo. Em Junho, esperava-se um contributo da procura interna de 1,4 pontos e um contributo da procura externa líquida de -0,3 pontos percentuais.
Para garantir um crescimento mais forte e sustentado no futuro, o Banco de Portugal repete no relatório publicado nesta quarta-feira a sua receita: reduzir o endividamento externo através da desalavancagem dos sectores público e privado, manter a estabilidade do sistema bancário, garantir a sustentabilidade das finanças públicas, cumprindo todas as metas europeias para o défice e a dívida pública, e a realização de reformas estruturais.

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Com uma moeda desajustada à produtividade da economia, como é o caso da economia portuguesa, as importações constituirão sempre um travão ao crescimento económico, ao anularem qualquer contributo positivo do lado do investimento e das exportações. E se o consumo interno subiu ligeiramente, ele ocorreu através dos bens importados, consumidos principalmente pelas empresas e pelas classes sociais de maiores rendimentos (por exemplo. os automóveis de gama alta).
Se o euro foi o responsável pelo nosso endividamento excessivo (endividamento induzido pelos grandes bancos europeus), e, por conseguinte, uma das causas desta gravíssima crise, ele, agora, também se constitui no principal obstáculo para a sua resolução.
Na atual situação, ou seja, a continuarmos presos ao euro, nunca a economia portuguesa conseguirá um crescimento suficiente para pagar a dívida externa, que continua a crescer, ao contrário dos objetivos acordados com a troika, que previam a sua descida.

domingo, 17 de agosto de 2014

Notas do meu rodapé: Para criar ricos é necessário, primeiro, criar os pobres.


Portugal está a ser uma cobaia da Europa, onde se pretende experimentar a funcionalidade de um modelo sócio-económico assente numa política de baixos salários e no atrofiamento do Estado Social. Se a experiência resultar, ela será expandida para os países mais pobres da UE.
Para o capitalismo europeu esta é a forma mágica para a economia europeia recuperar a competitividade perdida ao longo da última década, criando-se uma Europa económica a duas velocidades e até, possivelmente, cada uma delas com a sua moeda. O euro forte para os países ricos e o euro fraco para os países pobres. Com uma mão-de-obra disponível e de baixo custo, as unidades produtivas das grandes multinacionais europeias instalar-se-ão nos países do sul, para poderem competir no mercado global com as economias asiáticas, invertendo assim o ciclo autofágico da economia europeia, que vive essencialmente das exportações para os outros países do bloco da UE. A Alemanha, por exemplo, apenas exporta para fora do espaço europeu 40 por cento do total das suas exportações. O declínio da economia europeia, que não cresce, pode ver-se por este exemplo. Antes, a Alemanha exportava as máquinas para a China montar as suas fábricas. Depois, a China começou a construir essas máquinas, com menos custos, para o seu próprio setor industrial. A seguir, a China iniciou a venda dessas máquinas para os tradicionais mercados externos da Alemanha, fazendo-lhe uma forte concorrência, ao nível de preços. Atualmente, a China já vende essas máquinas à indústria alemã. Mas se a Alemanha deslocalizar as fábricas que produzem essas máquinas para Portugal e para a Grécia recupera a competitividade, através dos salários baixos.
Talvez assim se compreendam melhor os objetivos de longo prazo do ministro das Finanças da Alemanha, ao arquitetar os planos de austeridade para os países do sul da Europa, em que se procurou promover unicamente a desvalorização salarial, isentando de quaisquer cortes os rendimentos do capital.
Para criar ricos é necessário, primeiro, criar os pobres. É o que está a acontecer em Portugal e na Grécia.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A verdade vem sempre ao de cima: FMI sugere reestruturação da dívida


Tardiamente, e depois de ter sujeitado Portugal e a Grécia, juntamente com as duas outras instituições da troika, a severos planos de tortura financeira, que semearam a miséria e destruíram a economia dos dois países, o FMI vem agora dar a mão à palmatória, afirmando que antes de ser aplicado um qualquer plano de ajustamento, dever-se-ia ter promovido o reescalonamento das respetivas dívidas soberanas, dando assim a razão a todos aqueles que, desde o primeiro momento, criticaram com sólidos argumentos da ciência económica, a aceitação passiva e submissa do Memorando de Entendimento assinado por José Sócrates (PS), Passos Coelho (PSD), Paulo Portas (CDS) e Carlos Cota (BdP). Como a culpa não pode morrer solteira, é a estas quatro individualidades que todos nós temos de pedir responsabilidades, exigindo o seu julgamento pelo crime de gestão danosa da coisa pública.

Ver aqui notícia do PÚBLICO

A verdade vem sempre ao de cima: FMI sugere reestruturação da dívida


Tardiamente, e depois de ter sujeitado Portugal e a Grécia, juntamente com as duas outras instituições da troika, a severos planos de tortura financeira, que semearam a miséria e destruíram a economia dos dois países, o FMI vem agora dar a mão à palmatória, afirmando que antes de ser aplicado um qualquer plano de ajustamento, dever-se-ia ter promovido o reescalonamento das respetivas dívidas soberanas, dando assim a razão a todos aqueles que, desde o primeiro momento, criticaram com sólidos argumentos da ciência económica, a aceitação passiva e submissa do Memorando de Entendimento assinado por José Sócrates (PS), Passos Coelho (PSD), Paulo Portas (CDS) e Carlos Cota (BdP). Como a culpa não pode morrer solteira, é a estas quatro individualidades que todos nós temos de pedir responsabilidades, exigindo o seu julgamento pelo crime de gestão danosa da coisa pública.
Alexandre de Castro

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Notícia do PÚBLICO:

Relatório do FMI sugere reestruturação da dívida

No debate do estado da Nação, mensagem do documento motivou discussão entre Catarina Martins e Passos Coelho.
No relatório que motivou discussão acesa entre Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda e o primeiro ministro, o FMI não diz expressamente que Portugal deveria reestruturar a dívida, mas deixa claro que um país sem acesso aos mercados e que não tem a certeza que a sua dívida é sustentável, como era o caso de Portugal em 2011, não deveria ter acedido aos empréstimos do Fundo sem primeiro efectuar pelo menos um reescalonamento da sua dívida.
No documento, publicado em meados do mês passado, os técnicos do FMI revêem as regras seguidas pelo Fundo quando este tem de decidir se empresta dinheiro a um país que atravessa uma crise de dívida soberana. As regras tinham sido definidas em 2002 e não deixavam grande espaço de manobra: se fosse considerado que a dívida do país que pede ajuda não tinha a sua sustentabilidade garantida “com elevada probabilidade”, o empréstimo apenas poderia ser concedido depois de realizada uma reestruturação de dívida.
Em 2010, com os líderes das maiores economias europeias preocupados com o impacto que uma reestruturação da dívida grega teria nos bancos dos seus próprios países, o FMI flexibilizou as regras, admitindo que a regra não fosse aplicada no caso de haver riscos de impactos sistémicos na sequência de uma reestruturação. Foi por isso que o resgate à Grécia foi feito em 2010 sem qualquer reestruturação.
Agora, o FMI assume que cometeu um erro e tenta encontrar uma solução intermédia entre a regra rígida de 2002 e a possibilidade de suspensão da regra de 2010. As novas regras a vigorarem no futuro deverão assim estabelecer, diz o relatório, que “quando um país membro  perde o acesso ao mercado e a sua dívida é considerada sustentável, mas não com elevada probabilidade, o Fundo deve ser capaz de providenciar um acesso excepcional [aos seus empréstimos] com base numa operação de dívida que envolva uma extensão das maturidades (normalmente sem qualquer redução do valor da dívida ou dos juros)”. O FMI faz isto para que o programa associado ao empréstimo possa ser menos severo para a economia.
Isto significa que, para o caso de Portugal em 2011, quando perdeu o acesso aos mercados e existia incerteza em relação à sustentabilidade da dívida, o FMI considera agora que o melhor teria sido reestruturar a dívida que era detida pelo privados e credores oficiais, chegando a acordo com estes para o prolongamento dos prazos de pagamento.
Sérgio Aníbal

sábado, 28 de junho de 2014

O Governo apenas está a gerir a massa falida

Até a ração cortaram à vaca Cornélia

A "impressionante" situação de Portugal

O Presidente alemão, de visita a Portugal, elogiou "as reformas bem-sucedidas", considerando-nos um bom exemplo. Desconhece a realidade portuguesa. Mas quais reformas? Reformas nos cortes das pensões, nos aumentos dos impostos. Bem-sucedidas?! Mais uma vez, ignora os factos reais. A situação do País é, na verdade, "impressionante", tal como ele referiu quanto ao resultado das reformas: falta de crédito nas empresas, fraca recuperação do investimento, risco de deflação (queda contínua dos preços), endividamento público e privado, baixos níveis de crescimento para permitir a sustentabilidade das finanças píblicas. E mais, senhor Gauck, veja bem a situação impressionante do País: encerramento de empresas, de centros de saúde, demissões em massa de direções dos hospitais... (...)
Francisco José Casal Pina

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Na realidade, não ocorreu nenhum Reforma do Estado, neste período tutelado pela troika. A ação do governo centrou-se na política dos cortes nos salários, nas pensões e nos subsídios socais, no aumento dos impostos e no encerramento de serviços públicos (centros de saúde, tribunais, centros da Segurança Social e Repartições de Finanças). 
E para fazer este trabalho, não eram necessários os ministros. Bastava dar o poder aos porteiros dos ministérios. 
O que resta, é um país destroçado, sem expectativas para o futuro. O desemprego é o preço da austeridade e o espelho de uma economia em recessão. O que é bom para a Europa é mau para os portugueses. O Estado deixou de corresponder às necessidades dos cidadãos para satisfazer as ordens emanadas de Bruxelas e de Berlim. O Governo apenas está a gerir a massa falida.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Notas do meu rodapé: Três apontamentos, breves e necessários…

 

1- Ao reduzirem-se as despesas na Saúde e na Segurança Social, procura-se induzir a morte precoce dos idosos (pela ausência de cuidados de saúde e pela sua condenação a uma má nutrição), fenómeno opaco que se dilui na opinião pública e que não provoca alarme social, mas que, pela dimensão trágica que comporta, irá ser certamente ser considerado, no registo futuro da História, como um verdadeiro Holocausto silencioso. Na Educação, a redução das despesas irão cortar as pernas ao futuro, a milhares de jovens.
As políticas sociais são imprescindíveis para o desenvolvimento do país e para a sua coesão social. Sem elas, Portugal descerá as escadas para o inferno do Terceiro Mundo. E este cenário dantesco, de miséria e de desgraça, não comove nada os donos da Europa. Eles saberão conviver com ele, uma vez que já estão a pensar em formar uma gigantesca bolsa de mão de obra, a preços de saldo.

2- A moeda única foi o instrumento ideal para a Alemanha estabelecer o seu domínio, quase absoluto, sobre a Europa, com as instituições da UE totalmente subordinadas à sua hegemónica vontade. Angela Merkel pretendeu fazer com o euro aquilo que Hitler não conseguiu com os tanques e com os canhões. Ao impor o terrorismo político da austeridade, para defender os interesses do capitalismo financeiro alemão, a Hitler de saias (embora ela use sempre calças) lançou o caos sobre as economias que se sujeitaram aos pactos de ajustamento, já que as políticas prosseguidas privilegiaram a vertente financeira, secundarizando a vertente económica. E é a economia que deve caminhar à frente das finanças, e não o contrário.

3- As estatísticas do Eurostat mostram que as despesas totais com a Saúde, Educação e Segurança Social, em Portugal, percentualmente, e em relação ao PIB, alinham pela média da despesa, nestes mesmos setores, de todos os países da UE e também pela média da zona euro, o que desmente aquela ideia de que Portugal tem um Estado Social acima das suas possibilidades.
A dívida soberana não foi contraída para alimentar o Estado Social, porque ele foi pago e é pago pelos impostos e contribuições dos portugueses. As causas do endividamento excessivo devem ser encontradas nos ruinosos negócios do Estado, com as Parcerias Púbico Privadas (PPP) e com os swaps, bem como nas intencionais derrapagens orçamentais nas grandes obras públicas, na construção exagerada de auto estradas, para satisfazer a gula dos lobies da construção civil, nas despesas faraónicas dos sucessivos governos em consultorias e na corrupção da máquina do Estado e das autarquias.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Livro explica os grandes erros do programa da “troika”


Uma equipa mal preparada, com pouco conhecimento da economia portuguesa e que subestimou os efeitos da austeridade, é parte da justificação encontrada por Rui Peres Jorge, jornalista do Jornal de Negócios, para justificar as dificuldades do programa.
O livro "Os 10 erros da troika", da autoria de Rui Peres Jorge, parte da premissa de que o programa de ajustamento falhou praticamente todas as metas a que se propôs, explicando o falhanço através de dez erros que o autor considera cruciais

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A mim, fica-me sempre a dúvida (para não dizer a certeza) se foi um erro de cálculo ou um erro premeditado. O objetivo da troika consistiu em promover, por um lado, a transferência da dívida pública do Estado português, detida pelos grandes bancos e pelos fundos de investimento, para as instituições oficiais (BCE, UE, FMI), defendendo assim as entidades financeiras privadas de um qualquer incumprimento, por parte de Portugal, e, por outro lado, promover a desvalorização salarial do trabalho, para que o respetivo remanescente venha a garantir o pagamento futuro dos juros e das amortizações da nova dívida contraída, junto daquelas três instituições oficiais. O eufemisticamente chamado plano de ajustamento foi desenhado no interesse do governo alemão, pois eram (e ainda são, em parte) os grandes bancos da Alemanha os principais credores da dívida pública portuguesa.
Tentar atribuir aos técnicos do FMI ingenuidade e falta de preparação, é uma tentativa de branquear a atual política do saque, de que os portugueses estão a ser vítimas, através da ativa cumplicidade do governo e do Presidente da República.

sábado, 7 de junho de 2014

Quais são os três problemas da economia nacional? Reinhard Felke e Sven Eide


Dois especialistas na área económica e financeira, em análise à situação portuguesa, apontam os três principais problemas que têm impedido que o país cresça mais.
Num artigo hoje publicado [04 Junho] na revista Intereconomics, Reinhard Felke, economista da Comissão Europeia, e Sven Eide, membro do Ministério das Finanças alemão, analisam em detalhe a situação portuguesa e apontam os três maiores problemas da economia nacional.
Considerando que o processo de ajustamento económico do país está a ser conduzido “pelo crescimento das exportações”, os especialistas acreditam que ainda existem questões estruturais que devem ser melhoradas.
Primeiro, apontam o baixo grau da tecnologia como o responsável pelo fraco crescimento do sector exportador. Neste âmbito, as pequenas empresas “são um obstáculo quando é preciso entrar em mercados externos e promover a inovação".
Segue-se as baixas qualificações da população ativa, que se acredita serem responsáveis “por cerca de um terço da diferença de produtividade entre Portugal e os países mais desenvolvidos da OCDE".
Por fim, estão os elevados custos de financiamento que são "um impedimento significativo ao investimento e à expansão por parte das exportadoras".
Os dois especialistas salientam que os custos médios de financiamento em Portugal (juros de 4,5%) são cerca de um ponto percentual mais elevados do que os praticados em Espanha e na Irlanda, e nota que no caso de financiamentos mais baixos (menos de um milhão de euros) os juros chegam aos 6% para novos empréstimos.

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Destes três problemas estruturais, que o estudo identifica - baixo grau de tecnologia, baixas qualificações da população ativa e elevados custos de financiamento – os dois primeiros não são de agora. Vêm de longe. E isso explica o baixo nível de crescimento da produtividade da economia nacional. Nos ciclos de ouro de crescimento económico, que decorreram entre 1950 e 1974 e entre 1980 e 1990, o PIB da economia portuguesa, embora mais baixo do que o da média dos países da OCDE, cresceu ao mesmo ritmo do verificado nesses países. Contudo, o mesmo não ocorreu com a taxa de produtividade, que crescia mais lentamente, afastando-se progressivamente da média do crescimento das taxas de produtividade daqueles países, do qual resultou, pelo efeito cumulativo considerado, e ao fim desses trinta anos de crescimento económico, uma maior fragilidade da economia portuguesa, perante condicionantes externas adversas. Antes da revolução de Abril, a economia baseava-se numa política salarial restritiva, no protecionismo aduaneiro perante o exterior e numa tímida evolução do valor acrescentado. 
A produtividade foi sempre o calcanhar de Aquiles da economia portuguesa, que não conseguiu, através da inovação tecnológica, da formação profissional e da melhoria da gestão e da organização empresariais, dotar os trabalhadores portugueses de meios e de instrumentos de produção, que promovessem um maior valor acrescentado ao seu trabalho. Nesses dois períodos referidos, o crescimento económico, com base nas exportações, deveu-se essencialmente a fatores externos de conjuntura. No primeiro período pesou a reconstrução da Europa ocidental no pós-guerra, e, no segundo, a abertura das fronteiras aduaneiras às exportações para os países da União Europeia, então designada Comissão Económica Europeia (CEE). Por sua vez, naquele primeiro período referido, pelo menos um fator interno, de âmbito estrutural, e talvez o mais importante, remava contra a maré. Isto é: não favorecia um aumento significativo de produtividade. Referimos-nos à Lei de Condicionamento Industrial, do tempo de Salazar, que era altamente protecionista, quer limitando a importação de produtos, que no país já se fabricavam, quer impedindo o investimento estrangeiro em setores produtivos para exportação, que viessem fazer concorrência às unidades fabris nacionais, já instaladas. Com esta política, Salazar protegia os grupos económicos de meia dúzia de famílias da alta burguesia, que eram o sustentáculo do regime, sendo a inversa também verdadeira, com o regime a ser o sustentáculo daqueles grupos económicos, que ainda beneficiavam, além da repressão violente sobre os trabalhadores, da prática continuada de uma política de baixos salários.
Esta política de baixos salários teve efeitos perversos e muito negativos, que se mantiveram, embora de maneira diferente, depois da revolução de Abril. Sem concorrência e com salários controlados, os lucros estavam à partida garantidos, sem grande esforço e sem rasgos de imaginação. Podemos dizer que Salazar fez empresários preguiçosos. Para quê gastar dinheiro na inovação e na formação profissional de elevado grau, se o negócio, tal como estava organizado, era altamente rentável? Apenas se gastava algum dinheiro para apetrechar as forças policiais de meios eficazes para utilizar na repressão às greves reivindicativas por melhores salários, que foram muitas. Por herança genética, esta cultura empresarial transitou para as gerações seguintes de empresários, e ainda hoje se mantém em vastos setores, tendendo a aprofundar-se na crise atual, com a exploração laboral a entrar em roda livre.
Também o outro fator estrutural – baixas qualificações da população ativa – que o estudo daqueles dois investigadores assinala, e bem, e que também explica a baixa produtividade (e por arrasto a capacidade competitiva, centrada na qualidade e na inovação), tem antecedentes causais bem identificados, e que estão ligados ao caráter errático dos modelos educativos e às políticas centralistas do Ministério da Educação. E, aqui, os problemas são muitos, e que ameaçam perpetuar-se, o que aconselha ao seu tratamento isolado, numa outra ocasião. 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Turismo e restauração criam 25.000 postos de trabalho


O ministro da Economia, António Pires de Lima, disse hoje que o turismo e a restauração criaram 25.000 postos de trabalho no último ano, ajudando à queda do desemprego, que ainda está "em níveis preocupantes".
"O turismo e a restauração criaram, por si só, em termos líquidos, 25.000 postos de trabalho no último ano", disse hoje o ministro, em Lisboa, no lançamento da Nova Estratégia de Comunicação Digital do Turismo em Portugal, e ao relembrar alguns dados recorde que o setor atingiu em 2013.
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O ministro esqueceu-se de dizer que a maioria do emprego criado pelo turismo é sazonal e muito mal pago. Também se esqueceu de dizer que o crescimento significativo deste setor também se deveu, em parte, ao atrofiamento dos mercados no Egito e na África magrebina, mercados estes que, a todo o momento, poderão ressuscitar.
É de saudar o comportamento da nossa indústria turística, que já abandonou as práticas artesanais da sua promoção e melhorou muito a forma da gestão desta atividade, nos seus diversos domínios, tornando-a mais profissional.
Mas a prudência aconselha muitas cautelas nas projeções futuras, pois o turismo é uma das atividades do setor das exportações mais vulnerável aos fatores não controláveis. De um momento para o outro pode morrer a galinha de ovos de ouro das nossas exportações, que, para serem sustentáveis, têm de basear-se em produtos e serviços de um maior valor acrescentado.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

O aumento brutal da Dívida Pública é maior prova do fracasso do governo de Passos Coelho...


Como é possível um governo reclamar sucesso, quando atira a dívida soberana para níveis insuportáveis e agrava dramaticamente o desemprego, principalmente o desemprego jovem?!
Em relação aos objetivos propostos, o governo apenas cumpriu tendencialmente a redução do défice orçamental, através dos cortes nos rendimentos dos trabalhadores e pensionistas e do aumento dos impostos. Mas para fazer cortes e aumentar os impostos, até o porteiro do Ministério das Finanças os fazia. Não era necessário o(a) ministro(a). 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Notas do meu rodapé: De resgate em resgate, até à derrota final!...


Bruxelas ameaça 2.º resgate se falhar défice de 2,5%
O DN revela hoje em manchete como a Europa está preocupada com sinais de abrandamento da reforma do Estado. Economia caiu 0,7% no primeiro trimestre. E o aviso é claro: se o Governo relaxar, por vontade própria, o ritmo de ajustamento orçamental, os mercados vão castigar Portugal. E com taxas de juro mais altas será difícil escapar a um segundo resgate, garantiu ao DN fonte oficial da Comissão Europeia,

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De resgate em resgate, até à derrota final!...
Já se disse aqui que o modelo de reajustamento - numa economia com uma moeda muito valorizada em relação ao nível da produtividade, e baseado unicamente na perspetiva e na expectativa do aumento das exportações - está errado, pois o efeito positivo desse aumento é diminuído pelo concomitante aumento das importações. Foi pela diminuição do saldo entre exportações e importações que a economia portuguesa interrompeu, no 1º trimestre, o magro crescimento económico que se vinha verificando anteriormente, e que deu pretexto para o foguetório exagerado da direita. E assim irá a acontecer no futuro, até com mais intensidade, pois o consumo interno, outro componente da formação do PIB, também vai diminuir, devido a novas medidas de austeridade, que o governo procura esconder, antes das eleições. A tal saída limpa, um slongan atrativo e sedutor para enganar papalvos, irá revelar-se bem suja, a curto prazo. 
Com uma direita servil, a querer manter aquele modelo de ajustamento, até o país ficar completamente dependente da ditadura de Bruxelas, e o PS a exigir apenas uns pequenos e enganadores retoques de fachada, o futuro dos portugueses irá ser muito negro e muito trágico. A referência comparativa passará a ser a Grécia e não a Irlanda, com a qual Portugal nunca deveria ter sido comparado, por exclusiva conveniência da propaganda política.
Aqueles que, por conveniência, por ignorância ou por convicção, votarem na direita ou no PS, não vão favorecer o aparecimento de uma alternativa credível. Vão perpetuar a crise. E no final do ano, veremos quem tem razão.
Os portugueses deveriam desde já (e as próximas eleições para o PE seriam uma belíssima oportunidade) rejeitar categoricamente esta humilhante ameaça de Bruxelas sobre a eventualidade de um segundo resgate, não votando nos partidos que subscreveram o primeiro resgate (o Memorando de Entendimento com a troika).

terça-feira, 6 de maio de 2014

OCDE melhora previsões para Portugal, mas prevê subida da dívida pública


A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê que a economia portuguesa cresça 1,1% em 2014, uma revisão em forte alta face aos 0,4% que previa há seis meses. Mas as previsões da organização para a evolução da dívida pública também são de crescimento até 2015.
…O Economic Outlook de Primavera revela que a dívida pública de Portugal vai continuar a subir até 2015, atingindo os 131,8% do Produto Interno Bruto (PIB). para a organização, o país precisa de adoptar medidas de consolidação orçamental até 2030, de forma a reduzir a dívida pública para o patamar dos 60% do PIB.
…As previsões da OCDE para a evolução da dívida são mais pessimistas do que as do Governo português, que no Documento de Estratégia Orçamental (DEO) prevê que atinja os 130,2% este ano e recue para 128,7% em 2015.

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O doente está muito melhor, mas a febre vai continuar a subir…
Porreiro, pá!...