Mostrar mensagens com a etiqueta País Grécia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta País Grécia. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Grécia Governo tenta conciliar promessas eleitorais com realidade europeia


O aguardado braço de ferro entre Atenas e as instituições europeias definiu os primeiros 30 dias do Governo do primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, líder do partido da esquerda radical Syriza que venceu destacado as legislativas de 25 de janeiro.
o rescaldo de três semanas de grande tensão negocial, Tsipras considerou ainda no sábado que o Governo da esquerda radical garantiu "muito sucesso" mas que tem perante si "uma estrada longa e difícil".

***«»***
Depois da reviravolta eleitoral da Grécia, na Europa, já nada será igual ao passado. Nesta guerra entre a Grécia e as instâncias da UE houve, nitidamente, um derrotado: a austeridade. Mais nenhum ministro dos governos europeus se atreverá a pronunciar tal palavra, a não ser para afirmar que a austeridade deve acabar, embora intimamente todos eles estejam a pensar em perpetuá-la.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Documento oficioso distribuído pelo governo grego no fim da reunião do Eurogrupo

Manifestação na Grécia

Comentário sobre o acordo na reunião de emergência do Eurogrupo

1. O dia de hoje marca uma viragem para a Grécia. Negociações significam dar luta sem recuar no mandato popular recebido. Ficou provado que podia ter acontecido uma negociação ao longo destes anos e que a Grécia não está isolada, não caminha em direção ao precipício e não continuará com o Memorando.

2. O plano para encurralar o governo Grego até 28 de fevereiro foi derrubado. O plano estratégico fundamental para este período temporal (4 meses), no quadro de um acordo intermédio que nos dará a possibilidade de negociar, foi bem sucedido.

3. As tentativas de chantagem das últimas 24 horas deram em nada. O pedido para uma extensão do acordo de empréstimo acabou por ser aceite em princípio, e constitui a base para as próximas decisões e para o que aconteça a seguir.

4. As medidas de recessão a que o anterior governo estava vinculado foram derrubadas (o email de Hardouvelis sobre os cortes nas pensões, aumentos de impostos, etc.), bem como os acordos sobre os excedentes primários exorbitantes.

5. O edifício extra-institucional da TROIKA, que estava a dar ordens e se tornou num superpoder, acabou.

6. O novo governo Grego apresentará a sua própria lista de reformas para a próxima fase intermédia, propondo aquelas que constituam um ponto de encontro.

7. O governo Grego e a Europa irão tomar o tempo necessário para que comece a negociação tendo em vista a transição final, de políticas de recessão, desemprego e insegurança social para políticas de crescimento, emprego e justiça social.

8. O governo Grego prosseguirá com lucidez a sua governação, tendo ao seu lado a sociedade Grega, e continuará a negociação até ao acordo final no verão.

***«»***
Em dois textos anteriores, assinalei que Grécia não saiu derrotada neste duro embate com a Alemanha e com as instâncias da União Europeia. Pelo contrário, conseguiu impor a aceitação do princípio de que o governo não irá implementar mais nenhuma medida de austeridade, o que irá refletir-se na queda do saldo orçamental primário, em 2015. As medidas de austeridade, que o governo anterior já tinha programado, ficam, assim, sem efeito É certo que a Grécia abdicou de algumas exigências iniciais, mas isso não é motivo para alimentar as críticas, que já começaram a surgir dentro do próprio Syrisa. Este não é o momento da divisão. Tem de ser um momento de grande unidade, à volta do governo de Alexis Tsipras, para lhe dar força e confiança para os novos embates com a UE, nos próximos quatro meses.
A uma amiga que me interpelou sobre este asunto, respondi: “Eu também fiquei desiludido, assim como todos os portugueses que estão solidários com o martirizado povo grego. Mas os governantes têm de assumir o realismo das situações. E, na Grécia, a situação seria dramática se o governo, em Março, não tivesse dinheiro para pagar aos funcionários públicos. Foi uma negociação muito dura, de um contra todos e de todos contra um, mas o ministro das Finanças grego, além da sua tenacidade e determinação, revelou qualidades ímpares de negociador. Perante a opinião pública europeia, ele ficou bem visto. O Eurogrupo e a Merkel, é que não”.
Pela primeira vez, acontece uma rebelião dentro da União Europeia. Pela primeira vez, um pequeno país, inferiorizado e humilhado por uma crise dramática, aparece a desafiar a toda  poderosa Alemanha e a sua chanceler. Pela primeira vez, foi possível ver, à vista desarmada, que a União Europeia não é um espaço de solidariedade, mas um meio de negócio encapotado, destinado a favorecer os seus países mais ricos, principalmente a Alemanha, à custa dos países mais pobres, através do traiçoeiro processo de endividamento induzido. E este glorioso feito foi protagonizado pelo governo grego.
Para encontrarmos algo de semelhante, será necessário recuar até à década de sessenta, do século passado, quando o General De Gaule, num gesto patriótico, para marcar a dignidade da França, bateu estrondosamente com a porta aos americanos, decretando a saída da França da estrutura militar da NATO.
Eu só espero que, a breve prazo, Portugal também se levante em peso, para também poder dizer-se que recuperámos a dignidade e a plena soberania. 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Grécia Governo envia carta a Bruxelas com as reformas que pretende


O Ministério das Finanças grego vai enviar hoje uma carta de três páginas a Bruxelas com as reformas que pretende realizar para que as instituições façam uma avaliação inicial, segundo a agência Efe.
… Segundo os meios de comunicação locais, as medidas não incluem um custo concreto das reformas, mas são semelhantes às propostas políticas, ou seja, o Governo explica os seus métodos para combater a evasão fiscal, a corrupção, a reforma da administração pública e combater a crise humanitária.

***«»***
O governo grego, ao enviar para as instâncias europeias as propostas das reformas políticas, que se compromete a fazer, a fim de poder obter a dilatação do atual programa de apoio da troika, por mais quatro meses, adverte, implicitamente, ao afirmar que algumas dessas propostas não são negociáveis, por serem do foro da soberania nacional da Grécia, que chegou ao fim a sua disponibilidade em fazer mais cedências. 
Amanhã, segunda-feira, será o dia do tudo ou nada. A bola está agora nas mãos das instâncias das três entidades que constituem a troika, e que, caso rejeitem as propostas, ficarão com o ónus da culpa, de não quererem facilitar a vida a um governo, que se propõe arrecadar receitas para o Estado, através de programas orientados para a luta contra a corrupção e contra a evasão fiscal, objetivos estes que são muito mais justos e equitativos, do que, como os tecnocratas da troika gostam, aumentar impostos e cortar nos salários e nas pensões. A imagem das instâncias europeias também ficará afetada, dando de si uma péssima imagem, perante a opinião pública, se, com o seu veto, impedirem o governo grego de acudir ao seu povo - a passar por um doloroso sofrimento - lançando um programa para lutar contra a grave crise humanitária, que é também uma das suas propostas.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Notas do meu rodapé: A Grécia não perdeu a guerra. Perdeu apenas uma batalha (2)


Tsipras diz que acordo com o Eurogrupo “deixa para trás a austeridade"
“Ganhámos uma batalha mas não a guerra. As dificuldades reais estão à nossa frente”, afirmou o primeiro-ministro grego numa declaração televisiva em que prometeu que os despedimentos e os cortes não vão voltar.

***«»***
Deixem-me manifestar uma ponta de vaidade. Ontem, por volta da meia-noite, e muitas horas antes de Alexis Tsipras prestar as primeiras declarações sobre o "promissor" entendimento entre o Eurogrupo e o governo grego, eu escrevi aqui e na minha página do Facebook uma análise sucinta àquele entendimento, subordinada ao título " A Grécia não perdeu a guerra. Perdeu apenas uma batalha", metáfora que o primeiro-ministro grego também veio a utilizar, para demonstrar que a Grécia conseguiu marcar pontos na sua trajetória para estancar o ciclo evolutivo da espiral austeritária. Esta coincidência, a nível da formulação verbal, deu-me a certeza de que a minha avaliação do resultado da reunião do Eurogrupo com o ministro das Finanças grego estava correta.
E está correta. Se o governo grego mostrou flexibilidade negocial, ao retirar algumas das exigências iniciais, também o Eurogrupo, até ali arrogante e intransigente, teve de ceder. E cedeu precisamente no aspeto mais importante exigido aos países intervencionados pelas três instituições da troika: o equilíbrio orçamental, que é objetivo central que inspira todas as medidas de austeridade assumidas pelos governos intervencionadas, mesmo aquelas que parecem desligadas da prossecução daquele objetivo, como foi o caso, entre nós, da realização dos exames aos professores, para poderem dar aulas e, mais recentemente, os acordos com algumas autarquias, para as quais vão ser transferidas algumas competências do poder central, nas áreas da Saúde e da Educação. Estas duas medidas têm marcadamente fins financeiros, embora dissimulados e encobertos, pois destinam-se a aliviar a despesa do Estado. A primeira tem efeitos imediatos, através da redução de efetivos, na área da docência das escolas. E a segunda tem efeitos dilatórios, pois no futuro os governos vão progressivamente reduzindo, sem alarme social, as verbas orçamentais a transferir para os municípios.
Quando eu, ontem, dizia, que o governo grego conseguiu anular as medidas de austeridade futuras, que já estavam programadas pelo governo anterior, é porque o Eurogrupo deixou cair a cláusula imposta à Grécia, pela troika, de alcançar um saldo primário orçamental de três por cento, no corrente ano.
Agora, apenas falta que, na segunda feira, os representantes das três instituições da troika concordem com o plano de reformas, a apresentar pelo governo grego, para garantir que o balanço financeiro da Grécia não comprometa a sustentabilidade de situações já adquiridas anteriormente (e foi deste lado da questão que o governo grego perdeu a batalha). No entanto, a guerra não está perdida.
AC

Notas do meu rodapé: A Grécia não perdeu a guerra. Perdeu apenas uma batalha


À primeira vista, lendo as notícias sobre o acordo a que chegaram os ministros das Finanças do Eurogrupo, em relação à Grécia, fica a amarga sensação que o governo grego sofreu uma derrota. Mas não é bem assim. Apertado pelas necessidades de financiamento a curto-prazo, o que retirava espaço de manobra ao ministro das Finanças grego, a Grécia conseguiu obter o prolongamento, por mais quatro meses, do atual programa da troika, que terminaria em finais deste mês, período durante o qual nenhuma imposição austeritária poderá ser feita pelo Eurogrupo, ao mesmo tempo que o governo de Atenas renuncia a tomar medidas que aumentem a despesa do Estado. Isto quer dizer que o povo grego não vai, para já, beneficiar da prometida redução da austeridade, através, entre outras medidas, do aumento do salário mínimo, mas, em contrapartida, essa austeridade não irá agravar-se, o que inevitavelmente aconteceria se um governo de direita continuasse no poder. E isto, porque, para a Grécia cumprir o objetivo, estabelecido com a troika, de atingir um saldo primário orçamental de mais três por cento, este ano, e mais quatro por cento em 2016, seria necessário decretar mais austeridade, quase da mesma amplitude do que aquela que já foi imposta.
Por outro lado, o governo de Atenas espera ganhar tempo, para que, daqui a quatro meses, reúna condições mais favoráveis para obter mais cedências da Europa.
Por sua vez, os governos mais fundamentalistas, com o governo alemão à cabeça, seguido caninamente pelos governos de Portugal e Espanha, esperam a desmobilização dos apoiantes gregos e europeus, em relação ao seu apoio ao Syrisa, para depois meterem a Grécia num colete de forças e impor mais austeridade no futuro.
Por isto tudo, pode-se dizer que a Grécia não perdeu a guerra. Ela apenas perdeu uma batalha.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A humilhação não paga dívidas


A carta, que mostra já uma grande boa vontade do Syriza em negociar, mal tinha saído de Atenas e já um porta-voz do Ministério das Finanças da Alemanha lia um comunicado a dizer que o pedido da Grécia não cumpria os requisitos mínimos do Eurogrupo. Uma posição de inflexibilidade que parece fechar portas à discussão e que só serve para humilhar os gregos e os seus representantes. E assim não há negociação que aguente. Pelo menos uma que seja feita com alguma dignidade.

***«»***
Tudo o que está a acontecer, em relação ao atual problema da Grécia, mostra uma coisa, que eu já assinalei várias vezes: a deriva totalitária e arrogante da Alemanha, na liderança da Europa. 
Ainda irá chegar o dia, em que a França tenha também de se ajoelhar, de forma humilhante, perante o seu histórico rival, num ajuste das velhas contas do século passado.
Deixo novamente uma minha afirmação, que já é recorrente: A Hitler de saias está a fazer com o garrote do euro e da dívida, aquilo que o Hitler do bigodinho e da guedelha não conseguiu fazer com os tanques e os canhões.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tsipras deixa cair promessas para negociar com Europa


Governo de Alexis Tsipras deverá deixar cair aumento faseado do salário mínimo e perdão parcial da dívida. Segundo uma fonte à Reuters, a Grécia vai ficar sem dinheiro se não receber fundos adicionais até ao final de Março. 
Em menos de 24 horas, a postura do executivo de Alexis Tsipras perante os credores e os parceiros da União Europeia e do euro mudou de forma drástica. Fontes de Bruxelas e do executivo de Tsipras avançavam sob anonimato à Reuters que o governo helénico ia ceder em alguns pontos e pedir uma extensão de quatro meses do empréstimo sem, contudo, manter as reformas previstas no pacote inicial de resgate do Banco Central Europeu, Comissão e Fundo Monetário Internacional.

***«»***
Se Portugal e a Grécia tivessem recusado, no início da crise, as condições impostas pelas instituições europeias e pelo FMI, e tivessem exigido, brandindo a ameaça da saída unilateral do euro, um programa sustentável que se baseasse, não na austeridade, mas no apoio financeiro a projetos de desenvolvimento nos dois países, a senhora Merkel, e tal como escrevi na altura, até se "mijava toda pelas pernas abaixo". Há três ou quatro anos, a saída do euro de Portugal e da Grécia, isoladamente ou em conjunto, significava o fim da moeda única, pois os bancos alemães ficariam a descoberto, devido aos produtos tóxicos acumulados durante a década anterior, e respeitantes aos Títulos da Dívida Pública dos dois países, o que obrigaria ou à sua recapitalização, pelo governo alemão, e ao consequente aumento de impostas, ou à sua insolvência. Com a institucionalização da troika e a posterior aceitação das condições exigidas pelas instâncias europeias, o governo alemão conseguiu pôr os gregos e os portugueses, através de uma dura austeridade, a salvar os seus bancos e a reforçar a posição da Alemanha na liderança da Europa. Esta capitulação só foi possível com a cumplicidade ativa dos partidos que, nos dois países, têm assegurado, em regime de alternância, a governação. A essa capitulação, eu já chamei traição.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

“Povo europeu luta unido contra a austeridade e solidário com a Grécia”


Este domingo foi dia de sair à rua em solidariedade com a Grécia. Em muitas capitais e cidades europeias houve manifestações contra a austeridade e de apoio à Grécia, contra a chantagem que a União Europeia exerce sobre o novo governo eleito. Veja as fotos das mobilizações (em atualização).

***«»***
"Eppur si muove!", dissera Galileu, depois de ouvir a sentença, em que fora condenado pelo Tribunal do Santo Ofício, por heresia, ao defender e propor cientificamente a teoria heliocêntrica. Nós também podemos dizer em relação à Europa: "e, no entanto, ela move-se"... A Europa começou a acordar e a recuperar a herança libertária e solidária, que parecia perdida, depois de mais de cinco décadas de franca prosperidade material, que viveu. Mas esse tempo acabou, devido aos desmandos do capital financeiro, que gastou dinheiro e energias, em benefício dos agiotas, dos bancos e dos políticos oportunistas, na aventura do jogo da especulação, e que, agora, queria que fossem os povos, através da dura austeridade imposta, a salvar o barco da tenebrosa tempestade.
A Grécia foi o primeiro país a demonstrar que o modelo europeu estava esgotado, assim como foram os gregos os primeiros a levantar-se contra a criminosa opressão. A Europa dos povos, ao contrário da Europa dos políticos do sistema, compreendeu o que estava em jogo. E começou a mexer. Já escolheu.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Discurso endurece. "A Grécia não é um protetorado" e "têm de saber com quem se estão a meter"


Declarações surgem numa fase em que o Eurogrupo se prepara para se reunir. Encontro está marcado para esta quarta-feira.
Apesar dos alertas europeus, o Governo grego continua sem papas na língua, mostrando-se duro e incisivo no seu discurso. Durante a apresentação do programa do novo Executivo, o ministro da Reconstrução, Ambiente e Energia, Panagiotis Lafazanis, deixou esta terça-feira no Parlamento um aviso à União Europeia: 
"O memorando e a troika terminaram. A eleição do programa do Syriza não será cortado em pedaços. A Grécia não é um protetorado", afirmou o governante, citado pelos jornais locais.
"Os maiores protagonistas da União Europeia pensam que nos podem chantagear, mas eles têm que saber com quem se estão a meter", sublinhou.

***«»***
Ninguém de boa fé, verdadeiramente patriótico e politicamente empenhado na defesa da independência, da dignidade e dos direitos dos povos, pode deixar de se emocionar com a firmeza evidenciada pelos membros do "revolucionário" governo grego, perante os políticos e os tecnocratas empedernidos de uma Europa, já velha e decadente, que pretende escravizar, através do embuste da dívida, os países europeus mais fragilizados nas suas economias. Atenas, a grande cidade, onde nasceu a democracia, ressurgiu em todo o seu esplendor, para nos iluminar o caminho que todos nós devemos seguir. E a nossa primeira grande tarefa será apoiar a organização de um grande movimento popular de solidariedade para com o povo grego. E será aos partidos da esquerda parlamentar, o PCP, Verdes, Intervenção Democrática e Bloco de Esquerda, que competirá tomar a iniciativa, que deve ser extensível a todos os movimentos de esquerda que têm lutado contra a austeridade. Chegou a hora de quebrarmos as algemas e de vergar a soberba e a arrogância dos donos da Europa, que também querem ser donos do nosso destino coletivo.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Manifestantes vão sair à rua em “solidariedade com a Grécia”


Está marcada uma manifestação para este sábado, 7 de fevereiro, de apoio à Grécia e a sua situação financeira. O ponto de encontro é nos Restauradores, em Lisboa, pelas 19h00.

***«»***
UMA MANIFESTAÇÂO SUSPEITA

Esta manifestação começa a cheirar-me a esturro. Tanto pode ser uma boa intenção de um pequeno grupo ou de uma só pessoa, como ser uma provocação de quem terá um interesse oculto em provocar, à partida, uma iniciativa falhada, a fim de desacreditar o genuíno descontentamento da maioria dos portugueses em relação às políticas de austeridade que afogam a Grécia e Portugal. A minha dúvida inicial, que eu estava disponível para secundarizar, adensou-se, ao reparar que a imprensa ignorou a respetiva convocatória, que aparece na net sem a identificação da sua paternidade, o que é estranho, além de não ser curial. Apenas o pasquim do ex-diretor do jornal PÚBLICO a refere, e com grande destaque, na edição online, o que não deixa também de ser estranho, sabendo-se que a personagem referida foi, nos tempos da revolução, um ativo militante do MRPP, quando este partido era uma emanação da CIA.
Por outro lado, a convocação de uma manifestação desta natureza deve ser concebida, planeada e executada por uma organização estruturada e conhecida pela opinião pública, uma organização que lhe garanta consistência e credibilidade. O tempo das doenças infantis da política já passou, além de que a política, nos tempos atuais, é um osso duro de roer e não se compadece com os arrufos do amadorismo.
Por tudo isto, volto com a palavra atrás (**). Talvez até me disponha a ir até ao Rossio, e vá tomar um café ao Nicola e, dali, dê uma olhadela pelo que se passa na praça. Talvez tope algum agente das secretas portuguesas ou da CIA a dar vivas à Grécia e a gritar contra a austeridade.

(**) Ontem escrevera isto: “A notícia não me informa quem são os promotores da manifestação, mas isso não me importa. Estarei lá, em solidariedade com o povo da Grécia, que está a seu humilhado pela arrogante Europa, esta Europa do nosso descontentamento”.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Debate PS não trai a Grécia mas recusa sofrer do 'efeito Syriza'

A nova sigla do PS

A posição do Partido Socialista (PS) quanto à vitória e ideais do Syriza tem sido muito discutida, mas em Portugal a certeza é uma: não haverá “traição”, mas o PS não deixará de ser PS nem tão pouco está confuso com o ‘efeito Syriza’, escreve, esta quinta-feira, o Diário de Notícias (DN).

***«»***
Na realidade, "o PS irá ser o que sempre foi", um "anexo vagamente de esquerda dos partidos no poder mais à direita", como diz Pacheco Pereira. 
Nunca ouvi nem li, da parte dos dirigentes políticos do PS, qualquer alusão à exigência, perante as entidades europeias, da imperiosa necessidade de renegociar a dívida portuguesa. Nem António Costa nem o seu antecessor pronunciaram qualquer palavra sobre o assunto, assim como não existe nenhum documento programático do PS a conceder prioridade a esta matéria. É com surpresa que vejo um dirigente do PS vir agora, manhosamente, erguer a bandeira da renegociação da dívida, por simples oportunismo, e sob o efeito da influência explosiva do Syrisa
O atual governo grego até pode estar condenado ao insucesso, não resistindo às manobras chantagistas da UE. Mas uma coisa é certa: teve o mérito de desmascarar a hipocrisia das políticas europeias, que estão desenhadas para defender o capitalismo financeiro, e, em consequência, virar muitos cidadãos dos países do sul da Europa para a causa da luta contra a austeridade.
E a luta continua, mas sem este PS!...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Notas do meu rodapé: Uma vitória de Pirro?


Para já, neste primeiro round  desta guerra financeira da dívida, entre a Grécia e  Europa, Alexis Tsipras arquivou uma meia vitória e uma meia derrota. Meia vitória, porque conseguiu impor a sua intenção de não negociar diretamente com os representantes da troika, mas sim com os representantes políticos das instituições europeias e com os governantes dos países com maior peso na UE. Meia derrota, porque abdicou da proposta da Grécia poder vir a obter o perdão de metade da dívida, de cerca de 200 mil milhões, aos países europeus, e que faziam parte do bolo das várias tranches da troika, propondo, em alternativa, um criativo modelo para alterar indiretamente as atuais maturidades, assim como os juros e as amortizações, cujos valores ficariam indexados ao crescimento nominal da economia grega, modelo este que foi utilizado, em 1953, em relação à dívida da Alemanha.
Agora, resta saber se os dirigentes europeus irão aceitar este modelo, e, se o aceitarem, quais as condições que irão impor, para salvaguardarem os interesses do sistema.
Politicamente, a Europa já esvaziou a  força a do primeiro impulso de Tsipras e do seu ministro da Finanças, um economista prestigiado, e vai tentar tudo por tudo para que, qualquer que seja a modalidade a acordar, ela não altere muito o que atualmente está em vigor. Mas, Alexis Tsipras não pode chegar a Atenas de mãos a abanar. Ele tem de levar um acordo credível e que tenha reflexos positivos na vida dos gregos. Tem de ser um acordo que seja percecionado pela opinião pública grega como um meio seguro para acabar com a austeridade, ou, pelo menos, para aliviá-la substancialmente. Se não for assim, Alexis Tsipras pode arrumar as botas, pois o seu aliado da extrema-direita, no governo, que é um feroz anti-troika e anti-austeridade, depressa lhe faz a cama, denunciando a coligação, fazendo automaticamente cair o governo e provocando novas eleições, que irão ter um novo partido vencedor, o partido da abstenção, tal será o sentimento de frustração e de desilusão dos gregos. E neste caso, perdemos todos. Perdem todos aqueles que, na Europa e, principalmente, em Espanha e em Portugal, andam a lutar contra a austeridade.
Oxalá que não seja assim…

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Grécia. Três cenários para a dívida [Pode aparecer um quarto cenário]

Tsipras e uma das sombras que o perseguem, 
a do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem

As eleições gregas baralharam o xadrez político europeu. O braço de ferro só agora vai começar e há várias saídas possíveis. O Expresso deixa algumas pistas.
Vai a Grécia a caminho da bancarrota? Muitos investidores dão sinais de acreditar que sim mas nos mercados as coisas mudam de um dia para o outro. Tudo se joga na abertura negocial que Alexis Tsipras conquistar na cimeira europeia informal de 12 de fevereiro e na negociação que o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, fechar na reunião do Eurogrupo de 16 de fevereiro. A ronda que Varoufakis vai realizar a Londres, Paris e Roma para a semana poderá dar um primeiro sinal.

***«»***
Pode aparecer um quarto cenário

Perante a obstinada intransigência dos principais governos da zona euro de bloquearem a iniciativa do Syrisa, pelo menos, deveria ser reconhecido à Grécia o direito de ser reembolsada, a preços atuais e com os respetivos juros, da dívida que, juntamente com outros países credores, perdoou à Alemanha, em 1953, na Conferência de Londres, e que  permitiu a este país poder apostar no seu desenvolvimento industrial. A Alemanha não seria o que é hoje, se a sua colossal dívida, constituída pelas indemnizações devidas pelas duas guerras mundiais, que desencadeou na Europa, não tivesse sido perdoada.
A arrogante intransigência das instituições europeias, assim como qualquer retaliação a nível financeiro, em relação à Grécia, podem levar este país a suspender definitivamente o pagamento da sua dívida à Europa e a ter de pedir auxílio à Rússia, para um generoso financiamento posterior, e, concomitantemente, a tomar a histórica decisão de sair do euro, da UE e da NATO. Abria-se, assim, uma oportunidade para a Rússia de vingar as provocações perpetradas pelos países ocidentais no leste da Ucrânia. Seria um autêntico terramoto político e uma viragem surpreendente do rumo da História.
Não esquecer que a Grécia e a Rússia têm uma grande afinidade cultural, através da religião. Embora com ritos diferentes, ambos os países seguem o cristianismo ortodoxo. Isto ajudaria muito.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

UE decide por "unanimidade" alargar por seis meses sanções à Rússia

O novo ministro dos Negócios Estrangeiros grego, Nikos Kotzias (à direita)

Apesar de declarações que davam conta de alguma discrepância entre Bruxelas e o novo Governo grego quanto ao alargamento do prazo e eventual aplicação de novas sanções à Rússia, os ministros dos Negócios Estrangeiros da União acordaram, "por unanimidade", estender até Setembro medidas como o congelamento de bens e a revogação de vistos de circulação a cidadãos russos.
Afinal o novo ministro dos Negócios Estrangeiros grego, Nikos Kotzias (na foto à direita), não colocou em causa uma posição conjunta da União Europeia (UE) face à Rússia. Bruxelas acabou mesmo por decidir, "por unanimidade" o prolongamento até Setembro das sanções aplicadas à Rússia e ainda acrescentar um conjunto de nomes de indivíduos e entidades à lista de alvos sobre quem já pendem as referidas penalizações económicas.

***«»***
Se Alexis Tsipras começa a habituar-nos a desmentir-se no dia seguinte, a sua credibilidade também começa a ficar em causa. A sua determinação em opor-se, ontem, ao teor de um comunicado da comissão europeia, em que se condenava a Rússia, em relação ao conflito no leste da Ucrânia, contrasta flagrantemente com a aprovação, hoje, do prolongamento e do alargamento das sanções à Rússia, por parte dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE. 
A metáfora da ferradura, da pata do animal e do ferrador esteve perto de se soltar neste texto. Por outro lado, começo a perceber que é mais fácil e mais rápido aprender os vícios (do sistema) do que as suas virtudes, que são poucas.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Alexis Tsipras: o revolucionário sexy vai mudar alguma coisa na Europa?


Quem sonha com uma revolução na Europa depois da eleição de Tsipras na Grécia pode começar a desiludir-se. Alexis escreveu esta semana no Financial Times que vai cumprir todos os compromissos europeus da Grécia e manter o orçamento equilibrado. Tsipras é um prodígio de “sex power” mas não chega para enfrentar Merkel

***«»***
Os voluntarismos pagam-se caro. Em política, a primeira medida, adotada por um líder vencedor, transmite logo o sinal da orientação do vento da sua posterior governação. No caso da Grécia, ainda não sei se poderemos já falar de um cadáver adiado ou se de um alçapão traiçoeiro escondido. É que a aliança de um partido da esquerda radical (!) com um partido da extrema-direita, nacionalista e xenófobo, não cabe nos carris do meu pensamento. Talvez me engane, e oxalá que sim…

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Grécia/Eleições: PSD felicita gregos e espera que continuem no «caminho comum»


O PSD felicitou o povo grego pela forma como decorreram as eleições de hoje [ontem] e fez votos para que o "caminho comum" na União Europeia continue a ser "um projeto partilhado" e com futuro.
O PSD, ... nunca refere o nome do partido …  o Syriza, 

***«»***
Falta dizer que o comunicado de felicitações foi assinado pelo porteiro da sede do partido.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Syriza ganhou as eleições e pode chegar à maioria absoluta. Neonazis prestes a assumir-se como 3.ª força


A coligação da Esquerda Radical (Syriza), que esteve sempre à frente das sondagens, é a vencedora das eleições de hoje. O Aurora Dourada (extrema-direita) está em terceiro lugar quando estão 52,59% dos votos apurados.

***«»***
A agressiva política de austeridade, concebida pela Alemanha e servilmente executada pela UE, sofreu uma clamorosa derrota. E logo, pela via eleitoral, o que não deixa margem de manobra aos austeritários do costume, que já não podem diabolizar quem não se perfila, em rigoroso respeitinho, perante o seu totalitário pensamento único. É certo que nós ainda não sabemos se Alexis Tsipras será capaz de manter a firmeza necessária para, sem tibiezas e manobrismos, dar a cara pelos desafios que as suas promessas eleitorais exigem, e que são difíceis. O povo grego vai querer resultados palpáveis, ao nível das questões centrais, a renegociação da dívida e o fim da penosa austeridade, uma austeridade selvagem e humilhante, que levou ao enriquecimento dos mais ricos e ao empobrecimento dos segmentos populacionais mais vulneráveis, incluindo as classes médias, que já vivem no limiar da pobreza. A fome, na Grécia, não é uma metáfora. É uma realidade brutal, em expansão. Os jornais já noticiaram os casos de mulheres grávidas sub-alimentadas e crianças que vão em jejum para a escola.
O fracasso ou o êxito de Alexis Tsipiras será também o fracasso ou o êxito daquela parte da Europa que está a lutar contra as políticas da austeridade, o que quer dizer que o futuro primeiro-ministro grego tem uma dupla responsabilidade. Perante o povo grego, que o elegeu, e perante os europeus da verdadeira esquerda (sem rebuços, excluo da definição de esquerda o PS e todos os partidos filiados na Internacional Socialista, pela simples razão de que fazem parte do problema e não da sua solução), que nele depositaram muitas expectativas.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Grécia sem um governo de maioria absoluta à vista


Nem o partido do Primeiro-Ministro, Nova Democracia, nem a principal força da oposição, Syriza, deverão conseguir maioria absoluta.

***«»***
O PASOK, o Partido Socialista grego, outrora poderoso, desapareceu da liderança, nas sondagens, perdendo milhares de eleitores para o Syriza. Transformou-se numa sombra de si mesmo. Encontra-se completamente desacreditado, pois foi pela mão dos seus dirigentes que a troika entrou na Grécia, e também foi por essas mesmas mãos, em aliança com o partido da direita, que a draconiana política de austeridade foi imposta ao povo grego. O PASOK já anda a vaguear pelas ruínas da Acrópole e melhor seria que fosse para o Egito, para se juntar às múmias dos faraós.
É o que irá acontecer ao PS, se António Costa ceder à tentação de se aliar ao PSD, para formar um governo maioritário do Bloco Central, correspondendo assim às inúmeras solicitações e pressões, implícitas ou explícitas, exercidas nesse sentido, internamente e externamente. A verificar-se este cenário, espero que, daqui a dois anos, estejamos a dizer adeus ao PS, tal como os gregos já disseram adeus ao PASOK

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Bruxelas em campanha eleitoral na Grécia


Primeira ronda das eleições presidenciais é quarta-feira. Pierre Moscovici está hoje em Atenas.
A Comissão Europeia entrou em campanha eleitoral na Grécia, ainda que de forma disfarçada. Numa altura em que a Europa receia o desfecho das eleições presidenciais - antecipadas pelo primeiro-ministro Antonis Samaras para este mês -, Bruxelas esforça-se por passar mensagens de apoio ao candidato do governo, Stavros Dimas, que já foi comissário europeu.

***«»***
Trata-se de uma execrável ingerência da comissão europeia na política interna de um país membro, no sentido de influenciar, a favor do candidato seu preferido, os resultados das eleições presidenciais gregas, o que claramente viola as normas do Direito Comunitário. Perfila-se assim no horizonte a tendência totalitária e ditatorial do diretório político de Bruxelas, apoiado pela Alemanha e pelos países ricos da Europa, que não hesitará em cercear a liberdade e a independência dos povos europeus, quando estes descarrilem do pensamento único instituído e deixem de alinhar com as políticas castradoras, que estão ser-lhes impostas. 
O silêncio cúmplice dos restantes países membros, perante esta grave ingerência, prova até que ponto os partidos conservadores e os partidos sociais-democratas e socialistas, agregados na Internacional Socialista, e que são dominantes no quadro da governação, se encontram ao serviço do capitalismo financeiro europeu.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Governo grego remodelado após derrota nas eleições europeias


O primeiro-ministro conservador grego Antonis Samaras remodelou hoje o seu governo de coligação, com a pasta das Finanças a ser atribuída ao professor e economista Gikas Hardouvelis, informou um porta-voz do executivo.
A decisão surge a meio do mandato de quatro anos da atual coligação, liderada pela Nova Democracia (ND) de Samaras e que também integra o Partido Socialista Pan-Helénico (Pasok), do vice-primeiro-ministro e chefe da diplomacia Evangelos Venizelos, que reforça o seu peso no executivo.
Nas eleições europeias de maio, e pela primeira vez, a ND foi derrotada pelo partido da esquerda radical Syriza, que obteve mais três por cento de votos e exigiu de imediato legislativas antecipadas.

***«»***
Na Grécia, tal como em Portugal, na Espanha e na França, o poder político perdeu a base social de apoio, não retirando, todavia, desta clara evidência, as respetivas conclusões, que seriam, naturalmente, a demissão do governo e a convocação de eleições legislativas. Perante a hecatombe das eleições europeias, os governos destes quatro países, invocando formalismos falaciosos, que lhes justifiquem a legitimidade governativa, não se demitem, dando assim continuidade à sua servil fidelidade ao diretório de Berlim/Bruxelas, com quem firmaram compromissos, que um dia, para o espanto das gentes, virão à à luz do dia. 
Mas não é apenas através da perspetiva política que a realidade deve ser avaliada. O que se passa na Grécia, onde está a ser aplicada uma política criminosa de terrorismo financeiro, que está a provocar fraturas sociais gravíssimas, que os órgãos de comunicação social omitem, é a prova provada de que a intenção inicial proclamada não é salvar a Grécia, mas sim salvar o capitalismo financeiro europeu, salvando o euro e os bancos. Os índices macroeconómicos da Grécia são aterradores. Desde a intervenção da troika, o país já perdeu vinte e cinco por cento da sua riqueza e a dívida soberana já atinge um valor astronómico (176% do PIB). Nos arrabaldes das grandes cidades e nas cidades do interior, as populações vivem num cenário dantesto de miséria e de degradação, com a fome a vitimar crianças e idosos, e onde os serviços de saúde entraram em rutura.
É para a Grécia e não para a Irlanda, que Portugal deverá olhar, pois é no que está a acontecer naquele país que poderemos antecipar o cenário do que está reservado para o povo português.