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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A guerra surda do petróleo entre os EUA e a Arábia Saudita...


A guerra surda do petróleo entre os EUA e a Arábia Saudita

A história contada neste vídeo, sobre as causas que estão a pressionar a queda de preços do petróleo, está mal contada. Às justificações apresentadas falta acrescentar uma outra, que é inédita, mas que se perfila, neste momento, como a mais importante, e que vem a ser a guerra surda que se estabeleceu entre os EUA e a Arábia Saudita (velhos aliados), à volta do petróleo.
Os EUA sempre foram o principal cliente da Arábia Saudita, nas compras do petróleo, mas, nos últimos tempos, as encomendas dos americanos têm diminuído na mesma proporção do aumento da sua própria produção de petróleo, proveniente do gás de xisto (um processo altamente poluente). A Arábia Saudita não gostou desta mudança, como é natural, e tudo está fazer para complicar, neste aspecto, a auto suficiência dos EUA, que já produzem todo o petróleo de que necessitam.
Sabendo que a rentabilidade da produção de petróleo, a partir do gás de xisto, só é possível com o preço do barril acima dos cinquenta dólares, aumentaram em força a sua produção para a além da procura, provocando assim uma queda abrupta do preços, que passaram dos cerca de cem euros o barril para os actuais quarenta e cinco euros. E o preço poderá cair muito mais, por vontade da Arábia Saudita, cujo limite mínimo da sua produção, para garantir rentabilidade, poderá ir até aos dez euros o barril, uma vez que os seus poços têm têm pouca profundida, diminuindo assim os custos de produção.
Pressionados pelos EUA, os membros da OPEP pretendiam diminuir a produção, para que os preços subissem, mas a Arábia Saudita vetou esta proposta, que regimentalmente teria de ser aprovada por unanimidade, para que fosse aplicada.
É certo que os outros argumentos, tal como a quebra de produção na China e nos países emergentes (atenção à crise que aí vem) também tem de ser considerada nesta equação, mas a principal é esta, que possivelmente poderá trazer graves problemas futuros. As alianças e as promessas de eterna amizade não são eternas, e não me custa nada a crer que, se o regime sírio cair (os países ocidentais estã a fazer tudo para isso, os EUA transformarão rapidamente o rei da Arábia Saudita num ainda mais perigos Sadam Hussein, do Iraque.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

EUA consideram Rússia e China ameaças à sua segurança


EUA consideram Rússia e China ameaças à sua segurança
A nova estratégia militar dos EUA particularizou países como a China ou a Federação Russa como agressivos e ameaçadores para os interesses de segurança norte-americanos e preveniu para os crescentes desafios tecnológicos e a deterioração da estabilidade global.

***«»***
São precisamente os EUA quem tem desestabilizado a paz mundial. Têm um historial negro no envolvimento direto ou indireto nos mais sangrentos conflitos militares, nos últimos sessenta anos: Vietname, Laos, Cambodja, Afeganistão, Guerra do Golfo, invasão e destruição do Iraque, que nunca mais teve paz, assim como na Líbia, em que o seu apoio logístico à França (transporte de mercenários do Qatar, que se fizeram passar por rebeldes líbios), foi decisivo, e, atualmente, o apoio aos rebeldes sírios, aos quais enviam armamento e munições, através da Turquia. E ainda resta saber que tipo de cumplicidade existe com o Estado Islâmico, através da Arábia Saudita.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

É preciso impedir Moscovo de "redesenhar mapa da Europa", diz Biden


O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de visita hoje a Bruxelas, defendeu que é necessário juntar esforços com Kiev para impedir a Rússia de "redesenhar o mapa da Europa".

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Os dirigentes dos EUA sempre gostaram de fazer o papel de incendiários anónimos. Provocam clandestinamente incêndios, onde lhes convém, para depois fazerem o papel de bombeiros da paz! Foi assim no Vietname e no Iraque e, agora, não desistem de provocar a Rússia, a propósito da Ucrânia, cuja população russófila e russófona, do leste do país, pretende a autonomia em relação ao governo fascizante de Kiev.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Jornal New York Times compara portugueses a... burro mirandês


O jornal norte-americano The New York Times, naquela que é a sua edição internacional, comparou os portugueses ao burro mirandês. Isto porque, de acordo com aquela publicação, esta raça retrata a situação do País: o seu papel foi essencial durante anos, mas agora está em risco de extinção e vive dependente de verbas da União Europeia.
“Não é fácil ser um burro hoje em dia”. É assim que começa o texto publicado na quinta-feira no The New York Times, que se refere à extinção do burro mirandês.
De acordo com aquela publicação norte-americana, a situação vivida em Portugal é semelhante ao destino da raça. Isto porque, apesar de o animal ter sido essencial durante séculos no sector agrícola, está actualmente em vias de extinção devido à desertificação do interior do País, dependendo de apoios externos para evitar o pior.
Segundo está escrito no artigo, “depois de décadas de negligência e mal-entendidos, argumentam alguns, o destino do burro veio a assemelhar-se ao dos seus homólogos humanos no interior da Europa em dificuldades: ameaçados pela população em declínio e dependentes dos subsídios da União Europeia para sobreviverem”.
Além disso, “como os jovens continuam a deixar as áreas rurais e a deslocar-se para as cidades, os burros estão a ser ameaçados também porque os onze agricultores que cuidavam deles estão a ficar velhos demais para o continuar a fazer”.
No texto assinado pelo jornalista Raphael Minder, que se deslocou até à Paradela, lê-se ainda que “o grande e dócil burro mirandês é considerado uma espécie ameaçada desde 2003”, mas isso não impediu que fosse substituído “pelo tractor e equipamento agrícola mais moderno”.
Notícias ao Minuto

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E não é que isto até começa a ser verdade!...
Estas notícias escandalizam-me cada vez menos...

domingo, 12 de agosto de 2012

Desmontar a mentira para combater a alienação e dinamizar a luta - por Miguel Urbano Rodrigues


Desmontar a mentira para combater a alienação e dinamizar a luta
A compreensão pelos povos da estratégia exterminista do imperialismo que os ameaça é extremamente dificultada pela ignorância sobre o funcionamento do sistema de poder dos Estados Unidos e pela imagem falsa que prevalece a respeito da sociedade norte-americana não apenas na Europa mas em muitos países subdesenvolvidos.Repetir evidências passou a ser uma necessidade no combate à alienação das grandes maiorias, confundidas e manipuladas pelos responsáveis da crise de civilização que atinge a humanidade.

Talvez nunca antes a insistência em iluminar o óbvio oculto tenha sido tão importante e urgente porque a falsificação da História e a manipulação das massas empurra a humanidade para o abismo.

Essa tarefa assume um carácter revolucionário porque as forças que controlam o capitalismo utilizam as engrenagens do sistema mediático para criar uma realidade virtual que actua como arma decisiva para a formação de uma consciência social passiva, para a robotização do homem.

A compreensão pelos povos da estratégia exterminista do imperialismo que os ameaça é extremamente dificultada pela ignorância sobre o funcionamento do sistema de poder dos Estados Unidos e a imagem falsa que prevalece a respeito da sociedade norte-americana não apenas na Europa mas em muitos países subdesenvolvidos.UM MITO ROMÂNTICONão obstante serem inocultáveis os crimes cometidos pelos EUA nas últimas décadas em guerras de agressão contra diferentes povos, uma grande parte da humanidade continua a ver na pátria de Jefferson e Lincoln uma terra de liberdade e progresso. O mito romântico dos pioneiros do Mayflower é difundido por uma propaganda perversa que insiste em apresentar o povo e o governo dos EUA como vocacionados para defender e liderar a humanidade. Os males do capitalismo seriam circunstanciais e a grande república, presidida agora por um humanista, estaria prestes a superar a crise que a partir dela alastrou pelo mundo.

Não basta afirmar que estamos perante uma perigosa mentira. Desmontar o mito estadounidense é, repito, uma tarefa prioritária na luta contra a alienação das maiorias. O político negro cuja eleição desencadeou uma vaga de esperança entre oprimidos da Terra engavetou os compromissos assumidos com o povo e ao longo do seu mandato deu continuidade a uma estratégia de dominação mundial, ampliando-a perigosamente.

Diferentemente de Bush junior, Obama soube construir uma mascara de estadista sereno e progressista. A sua reeleição, não tenhamos dúvidas, será facilitada porque o candidato republicano que o enfrentará, Mitt Romney, é um político ultra reaccionario, sem carisma.AS GUERRAS IMPERIAIS No Iraque a violência tornou-se endémica, milhares de mercenários substituíram as tropas de combate e um governo fantoche actua como instrumento das transnacionais do petróleo.

No Afeganistão a guerra está perdida. Após onze anos de ocupação, as forças da NATO e as dos EUA somente controlam Kabul e algumas capitais de província. Todas as ofensivas contra a Resistência (que vai muito alem dos Talibãs) fracassaram e nos quartéis e nos Ministérios os recrutas matam com frequência os instrutores estrangeiros, americanos e europeus.

A retirada antecipada das tropas francesas do país colocou um problema inesperado ao Pentágono. Em Washington poucos acreditam que o presidente cumpra o acordo sobre a evacuação do exército de ocupação antes do final de 1014.

Em declarações recentes, Obama, já em campanha eleitoral, retomou o tema da defesa dos «interesses dos EUA no mundo». Essa política implica a existência de centenas de bases militares em mais de uma dezena de países. Na Colômbia, por exemplo, foram instaladas mais oito.

Numa inflexão estratégica, o presidente informou que está em curso uma deslocação para Oriente do poder militar norte-americano. O secretário da Defesa esclareceu que dois terços da US Navy serão deslocados para o Pacifico. Ficou transparente que o objectivo inconfessado é cercar por terra e mar a Rússia e a China.

Vladimir Putin interpretou correctamente a mensagem. Consciente de que na sua escalada agressiva os EUA teriam de reforçar a sua hegemonia no Médio Oriente, abatendo o Irão, antes de definirem aqueles países como «inimigos» potenciais, o presidente russo num discurso firme advertiu Washington de que está a ultrapassar a linha vermelha.

Contrariamente ao que afirmam alguns analistas que cultivam o sensacionalismo, a iminência de uma terceira guerra mundial é, porém, uma improbabilidade. Mas isso graças à firmeza da Rússia. Putin não esqueceu Munique. Usou palavras duras, recordando a agressão ao povo líbio, para lembrar a Obama que já foi longe demais e que não tolerará uma intervenção militar USA-Uniao Europeia na Síria, qualquer que seja o pretexto invocado. ASSASSINAR À DISTÂNCIAO belicismo de Obama é, alias, tão ostensivo que até um jornal do establishment, o New York Times (que o tem apoiado), sentiu a necessidade de revelar que a lista de «terroristas» e dirigentes políticos a aniquilar pelos aviões sem piloto (os famosos drone) é submetida à aprovação do chefe da Casa Branca. Matar a longa distância, numa guerra electrónica de novo tipo, tornou-se uma rotina graças aos progressos da ciência. Leon Panetta, o actual secretário da Defesa, não somente a aprova como a elogia, assim como o general Petraeus, o director da CIA.

O prémio Nobel Obama aprova previamente os alvos humanos seleccionados cujas biografias lhe são enviadas. A esse nível se situa hoje o seu conceito de ética.

Os homens do presidente chegaram à conclusão de que essa modalidade de assassínio não tem suscitado grandes protestos internacionais e evita a perda de pilotos.

O principal inconveniente é a imprecisão desses ataques. No Paquistão, dezenas de aldeões foram mortos em bombardeamentos dos drones nas áreas tribais da fronteira afegã. O erro (assim lhe chamam no Pentágono) gerou uma crise nas relações com o Paquistão quando 26 soldados daquele país foram abatidos por um avião assassino. O governo de Islamabad proibiu a partir de então a travessia da fronteira pelos caminhões que carregam alimentos e armas para as tropas dos EUA e da NATO.

Não obstante os «inevitáveis danos colaterais», os generais do Pentágono definem como revolucionária a guerra barata na qual basta carregar num botão, por vezes a centenas de quilómetros de distância, para atingir alvos humanos seleccionados em gabinetes nos EUA e aprovados pelo Presidente.

A esmagadora maioria dos estadounidenses tem um conhecimento muito superficial do que se passa nas guerras asiáticas do seu país. Mas no Exército alastra um difuso mal-estar. No ano corrente registou- se um record de suicídios de militares. O FANTASMA DA AL QAEDASão qualificados de especialmente satisfatórios os bombardeamentos frequentes a tribos «terroristas» do Iémen e da Somália. Se a CIA informa que uma tribo perdida nas montanhas da outrora chamada Arábia Feliz é acusada de ligações suspeitas com a Al Qaeda, envia-se um drone da base de Djibuti para liquidar o seu chefe. Obama dá o seu aval à operação.

O New York Times, no editorial citado, reconhece com pesar que o actual poder decisório presidencial de assassinar «terroristas» em regiões remotas «não tem precedentes na história presidencial». Monstruoso, mas real: Obama comporta-se como um ciber-guerreiro.

Nessa estratégia criminosa, a invocação da Al Qaeda como a grande ameaça à segurança dos EUA é permanente, obsessiva.

Somente em Março pp. o Google registou 183 milhões de entradas em busca de informações sobre a organização.

OS EUA planearam e executaram a morte de Ben Laden numa operação obscura de forças especiais, violadora da soberania do Paquistão. Mataram já ou afirmam ter assassinado os principais dirigentes da Al Qaeda. Mas o fantasma da Al Qaeda sobreviveu, e é esse dragão, invisível, medonho, que motiva os bombardeamentos dos drones, a guerra electrónica assassina.

O mito da Al Qaeda, o inimigo número 1, tornou-se um pilar da estratégia «anti-terrorismo» dos EUA.

Quantas pessoas, mundo afora, sabem que Ben Laden foi um aliado íntimo dos EUA durante a guerra contra a Revolução Afegã? Poucas.

E poucas são também as que têm conhecimento das relações estreitas que a CIA e a inteligência militar dos EUA mantiveram e mantêm com organizações fundamentalistas islâmicas.

A necessidade de aniquilar a Al Qaeda foi o argumento básico que Bush filho brandiu para justificar o Patriot Act e a invasão e ocupação do Afeganistão, numa cruzada «antiterrorista» em defesa «da liberdade, da democracia, da paz…»

Obama, usando um discurso diferente, muito mais hábil, aprofundou a estratégia de poder dos EUA.

Ao assinar a lei da Autorização da Segurança Nacional, o presidente dos EUA tripudiou sobre a Constituição, transformando o país num Estado militarizado que exibe uma fachada democrática. Internamente subsistem algumas liberdades e direitos, mas a politica externa é a de um estado terrorista.RUSSIA E CHINA AMEAÇADAS A engrenagem imperial está em movimento. Primeiro foi o Iraque, depois o Afeganistão, depois a Líbia. Agora o alvo é a Síria.

A máquina mediática trituradora das consciências repete o método utilizado na campanha que precedeu o ataque armado à Líbia. A CIA e o Pentágono prepararam e financiaram grupos de mercenários que instalaram o caos nas grandes cidades sírias. O presidente Bachar al Asad foi demonizado e, inventada uma realidade virtual- uma Síria imaginária – uma campanha massacrante tenta persuadir centenas de milhões de pessoas de que intervir militarmente naquele pais seria «uma intervenção humanitária» exigida por aquilo a que chamam «a comunidade internacional». Mas o projecto de repetir a tragédia líbia está a esbarrar com a oposição, até hoje inultrapassável, da Rússia.

Insisto: compreender o funcionamento da monstruosa engrenagem montada pelo imperialismo para anestesiar a consciência social e criar um tipo de homem robotizado é uma exigência no combate dos povos em defesa da liberdade, da própria continuidade da vida.

Não exagero ao definir como tarefa revolucionária essa luta.
Miguel Urbano Rodrigues
Vila Nova de Gaia, 13 de Junho de 2012
In ODiário
Amabilidade do Diamantino Silva

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Crimes financeiros. FBI prende ex-director da Goldman Sachs sob acusações de inside trading

Rajat Gupta era um dis homens mais respeitado no mundo da alta finança
“One down, hundreds to go” (um já está, faltam centenas) foi a reacção de alguns seguidores das páginas de movimentos ligados ao Occupy Wall Street no Facebook assim que a notícia foi publicada: Rajat Gupta, ex-director da instituição financeira norte-americana Goldman Sachs, entregou-se às autoridades federais dos Estados Unidos para ser julgado por crimes financeiros.
Um dos mais respeitados nomes da elite do mundo financeiro foi detido pelo FBI na manhã de ontem, em Nova Iorque, uma hora depois de duas fontes da Goldman Sachs terem avançado sob anonimato à AFP que o ex-CEO pretendia entregar-se às autoridades – depois de ter sido indiciado por uso ilegal de informações privilegiadas para obter lucro nos mercados, o famigerado inside trading.
O FBI emitira um mandado de captura para Gupta por, entre outras coisas, ter alegadamente passado informações sobre o investimento de cinco mil milhões de dólares do multimilionário Warren Buffett na instituição em 2008 ao também multimilionário Raj Rajaratnam, condenado a 11 anos de prisão no dia 13 por um tribunal de Nova Iorque pelo mesmo crime.
Até agora, Gupta é o mais importante detido na lista do procurador-geral norte-americano Preet Bharhara, que lançou uma guerra declarada no início deste ano para deter e condenar todos os responsáveis pela actual crise económica e financeira, que estalou em 2008.
E se provas faltavam de que as instituições financeiras, banqueiros e agências de rating têm responsabilidades no problema, as chamadas registadas nos telefones de Gupta abriram portas aos investigadores.
Suspeita-se que os registos recuperados pelo FBI mostram ligações do norte-americano (nascido no Sri Lanka e ex-director do Galleon Group, um dos fundos de investimento cujo principal objectivo é obter ganhos independentemente do desempenho no mercado) a muitos outros membros da elite financeira. Mas, para já, apenas Gupta foi apanhado na rede. Gary Naftalis, o seu advogado, já referiu que este “está inocente”.
Jornal "i"
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O azar de Rajat Gupta foi não ter escolhido Portugal para desenvolver os seus negócios. Portugal é um autêntico paraíso terrestre, com boa comida, gente simpática e tolerante, com muito sol e, principalmente, com uma justiça muito benevolente para com a gente graúda. Aqui, em Portugal, políticos, banqueiros e quejandos passam impunemente ao lado das leis. E se algum deles é apanhado com a boca na botija ou com as calças na mão, rapidamente são accionadas todas as formalidades "garantísticas", que, por sua vez, conduzem ao protelamento das investigações e dos julgamentos. A parcialidade da justiça portuguesa é escandalosa. Uma certa aristocracia de um novo tipo (já não aquela que injectava no sangue tinta azul) acaba por ficar impune, em relação aos crimes de colarinho branco. Neste aspecto, pouco se evoluiu desde a Idade Média, em que as penas eram diferenciadas para cada uma das três classes em que se estruturava a sociedade.
Nos Estados Unidos não é bem assim. O seu sistema judicial não é permissivo às influências dos diversos poderes. Os últimos casos conhecidos assim o demonstram. A condição social dos suspeitos e dos arguidos não condiciona o salutar exercício de uma justiça equitativa. 
Na realidade, o azar de  Rajat Gupta foi não ter nascido em Portugal. Ficava bem no retrato, ao lado de Jardim Gonçalves, de Oliveira e Costa e de João Rendeiro. E dos políticos, nem se fala!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Trecho - Documentário "Let's make money" - Ex-assassino econômico John Perkins


Amabilidade do Campos de Sousa
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Trata-se de uma repetição, pois este vídeo já foi publicado neste blogue. Mas resolvi reditá-lo, devido à sua oportunidade nos tempos actuais, em que as pessoas já começam a compreender melhor os perversos mecanismos do imperialismo americano, sustentado pelo grande capital financeiro internacional. Por dedução, também se fica a compreender o que se passou recentemente na Líbia. Tal como Hussein Sadam, do Iraque, Kafadi também desafiou os EUA, aceitando euros e outras moedas em troca das vendas do petróleo líbio. Para irritar mais os imperialistas, Kadafi adoptou o padrão ouro para a moeda do seu país, o que constituia um mau exemplo para outros países. Falhados os objectivo do "assassino económico" e com o fracasso dos "chacais", o seu destino ficou traçado. Desta vez coube à França fazer o papel sujo, assumindo o comando militar da invasão da Líbia, depois de se ter encenado a revolta popular, enviando para a zona, onde Kadafi não era bem tolerado, militares do Katar, que se fizeram passar por rebeldes líbios. Foi a estreia da França neste tipo de intervenções, o que nunca teria sido posssível acontecer, durante a vigência dos mandatos dos anteriores presidentes da república francesa, que faziam gala em mostrar ao mundo que a França não era um capacho dos EUA. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

"Indignados" de Nova Iorque levam protesto a Washington

“Parem a máquina. Criem um Mundo Novo”, é o apelo que corre na Internet,
O movimento de protesto em Nova Iorque contra as desigualdades económicas e a ganância dos especuladores financeiros ganhou novo fôlego na quarta-feira, com a entrada em cena dos sindicatos, que também marcharam na zona do coração financeiro da América.
Como um número cada vez maior de pessoas na rua, o movimento Occupy Wall Street também ganhou o apoio de estudantes em várias universidades espalhadas pelo país que abandonaram as aulas em sinal de solidariedade para com os protestos de Nova Iorque.
E agora o movimento prepara-se para levar a sua luta até Washington. Com o objectivo de combater “a máquina corporativa”, os organizadores prometem um concerto ao meio-dia e um comício da Freedom Plaza, junto à Pennsylvania Avenue, a poucos quarteirões da Casa Branca.
“Parem a máquina. Criem um Mundo Novo”, é o apelo que corre desde ontem na Internet, pedindo aos manifestantes para aparecerem com sacos-cama no local da protesto para,"DE FORMA NÃO VIOLENTA, resistir à máquina corporativa ocupando a Freedom Plaza para exigir que os recursos da América sejam investidos nas necessidades humanas e na protecção ambiental em vez da guerra e a da exploração”.
Em Nova Iorque, milhares de pessoas marcharam da Foley Square até ao Zuccotti Park, a sede dos protestos onde dezenas de manifestantes estão acampados desde o dia 17 de Setembro e onde se concentram diariamente cada vez mais “indignados”.
“A classe média está a carregar com o fardo, mas os mais ricos do nosso país não estão”, disse ao jornal Washington Post, Sterling W. Roberson, vice-presidente da Federação de sindicatos de professores.
“O mundo está virado do avesso. Estamos aqui para lutar pelas nossas famílias e pelos nossos filhos”, explicou à Reuters, Michael Mulgrew, outro dirigente da Federação de sindicatos de professores.
PÚBLICO
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Estas manifestações de protesto em Nova Iorque podem ser o inicio de um gigantesco movimento, que poderá vir a abalar a América, nos tempos mais próximos. Foi assim que começaram, na década de sessenta do século passado, os protestos dos movimentos anti-segregacionistas dos afro-americanos e os dos movimentos contra a guerra do Vietname, cuja força e determinação conseguiram mudar a sociedade americana. Os Estados Unidos não são a Grécia nem o apático Portugal. Ali, os movimentos de protesto ganham dinâmicas sociais impetuosas, com uma enorme ressonância internacional, o que obriga o poder político a recuar. Por prudência, e pondo em prática o calculismo eleitoralista, o presidente Obama, na sua reacção aos protestos, veio tentar colar-se, hipocritamente, aos objectivos do movimento Occupy Wall Street, quando afirmou que  “as manifestações reflectem a frustração do povo”, como se ele estivesse isento de culpas em relação ao agravamento das condições económicas da classe média. 
Ao contrário do que aconteceu aos recentes movimentos de protesto, em Portugal e Espanha, o Occupy Wall Street procedeu a uma identificação correcta do poder a contestar, o capitalismo financeiro, e não apenas o poder político, que, como fez Obama, vai tentar passar a imagem de que não é uma correia de transmissão dos interesses desse mesmo capitalismo financeiro, que já actua a uma escala planetária. Foi essa identificação correcta do alvo a contestar que faltou ao movimento da Geração à Rasca e aos indignados das Portas do Sol da cidade de Madrid. 
Sou levado a acreditar que o que está a ocorrer em Nova Iorque possa vir a ter repercussões na Europa, nomeadamente em Portugal, que necessita de um forte estremeção para poder ser capaz de combater a política assassina do governo do PSD/CDS, que se submeteu servilmente aos interesses do capitalismo financeiro europeu. 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

"Parem de acarinhar os super-ricos", pede o milionário Warren Buffett


O norte-americano escreve no "New York Times" um artigo em que indica que é altura de subirem as taxas de impostos sobre os milionários. "Enquanto a maior parte dos americanos luta para fazer face às despesas, nós os mega-ricos continuamos a ter isenções fiscais extraordinárias"
“Os nossos líderes têm pedido ‘sacrifícios partilhados’. Mas quando fazem o pedido, têm misericórdia de mim. Verifiquei com os meus amigos mega-ricos para saber que sacrifícios estavam à espera. Tal como eu, também eles ficaram intactos”.
É assim que Warren Buffett começa um artigo no “New York Times” intitulado “Parem de acarinhar os super-ricos”. No artigo, o conhecido milionário analisa as distintas formas de tratamento fiscal a quem consegue o dinheiro através do capital e a quem consegue através do trabalho.
“Enquanto as classes baixas e médias lutam por nós no Afeganistão, e enquanto a maior parte dos americanos luta para fazer face às despesas, nós os mega-ricos continuamos a ter isenções fiscais extraordinárias”, continua o presidente da Berkshire Hathaway.
No artigo no jornal norte-americano, Buffett escreve vários exemplos de taxas de imposto brandas sobre os que ganham milhões só num dia. “É bom ter amigos em lugares altos”, ironiza o norte-americano.
E dá o seu próprio exemplo. “No último ano, a minha conta fiscal – o imposto sobre rendimento que paguei, tal como os impostos sobre salários pagos por mim e por aqueles sobre o meu cuidado – era de 6.938.744 dólares. Parece muito dinheiro. Mas foi apenas 17,4% dos meus rendimentos tributáveis”, confessa. Além disso, salienta que representa uma diferença face às 20 pessoas que trabalham consigo. “As suas taxas de impostos iam de 33% a 41%”.
“Se fazem dinheiro com dinheiro, como muitos dos meus amigos super-ricos, a vossa percentagem pode ser ainda mais baixa do que a minha. Mas se fazem dinheiro através do emprego, a vossa taxa vai certamente superar a minha – muito provavelmente por muito”, avisa o milionário.

"Eu e os meus amigos temos sido acarinhados durante muito tempo"
Buffett insurge-se contra a teoria que indica que elevados impostos afastam os investidores. “As pessoas investem para ganhar dinheiro, e os possíveis impostos não os assustam”. “E para aqueles que defendem que as taxas mais altas impedem a criação de empregos, eu digo apenas que foram criados 40 milhões de postos entre 1980 e 2000. Sabem o que tem acontecido desde aí: impostos muito mais baixos e muito menor criação de emprego”, acrescenta num artigo bastante crítico à política fiscal de Washington.
Por essa razão, um dos homens mais ricos do mundo conhecido também por participar em várias acções de caridade, salienta que é altura de subir impostos aos milionários, ou seja, a quem tem um rendimento tributável acima de um milhão de dólares, incluindo “é claro”, dividendos e mais-valias.
E conclui: “Eu e os meus amigos temos sido acarinhados durante muito tempo pelos amigos dos milionários no Congresso. Já é tempo de o nosso Governo assumir seriedade no que diz respeito à partilha de sacrifícios”.
Diário de Notícias     
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Foi este milionário, Warren Buffett, que há tempos, num acervo crítico semelhante, classificou a actual crise económica e financeira, como uma guerra planetária entre os ricos e os pobres, guerra essa que os ricos estavam a ganhar. Agora denuncia a escandalosa permissividade fiscal em relação aos detentores do capital.
Em Portugal, assim como na grande maioria dos países, onde o neo-liberalismo triunfou, por um efeito mimético, reproduz-se esta escandalosa situação. A tributação fiscal do capital é tratada pelo Estado com uma cúmplice benevolência. E esta situação é muito evidente na tributação extraordinária, incluída nas medidas de austeridade. O governo do PSD/CDS está a pedir todos os sacrifícios apenas aos trabalhadores, aos reformados e aos desempregados, excluindo os fabulosos rendimentos do capital . E como salienta Warren Buffett, não colhe aquele estafado argumento da fuga dos capitais. Mesmo beneficiando de um tratamento benevolente, o capital formado pelos dividendos e pelos lucros dos bancos e das grandes empresas sai do país para ir procurar maiores rendibilidades nos off shore e nos grandes bancos de investimento internacionais, ao abrigo da sagrada lei, que consagra a trilogia da da livre circulação de capitais, de mercadorias e de pessoas (as pessoas aparecem aqui para enfeitar o ramalhete).
Trata-se de um esbulho dissimulado, que passa ao lado da percepção para a grande maioria da população.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A grande armadilha da dívida

Trecho - Documentário "Let's make money" - Ex-assassino econômico John Perkins

Amabilidade do João Fráguas
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Embora já publicada neste espaço, nunca será demais, nos tempos de hoje, voltar a publicar este testemunho desassombrado de John Perkins. Através dele, percebe-se a grande maquinação, organizada pelo imperialismo americano e pelo grande capital financeiro internacional, para, utilizando a dívida, subjugar os países e os povos. Em Portugal, o assassino económico  já chegou, a famigerada troika, não tendo sido necessário enviar os chacais.

domingo, 22 de maio de 2011

Curiosidades: E a raínha a vê-los passar e ela a ficar...












São os presidentes da minha contemporaneidade, embora não me recorde de Truman. Lembro-me também de que o primeiro filme a cores que vi, foi o documentário da coroação de Isabel II.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Aguarela do Brasil - Walt Disney (1950)

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Dibujo animado de 1950 - Una joya de memoria

Atendiendo a una solicitud del gobierno americano, que buscaba una política de aproximación con Brasil, Walt Disney hizo éste y otros cortos de antología.
Era época del final de la Segunda Guerra Mundial y el Gobierno Americano temía que el Brasil se tornara un país comunista.
Esta maravilla fue creada en los años 50, enteramente a mano, sin computadoras, efectos digitales u otros recursos mágicos del cine de hoy.
Amabilidade do João Fráguas

domingo, 20 de março de 2011

TERRAMOTOS PROVOCADOS?!

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É sempre difícil para um leigo perceber onde acaba a charlatanice e começa a verdade científica. É de presumir que a investigação científica para fins militares, e que por isso mesmo é altamente secreta, teria dado também passos de gigante, tal como a investigação científica para fins pacíficos, que nos mais diferentes ramos veio a penetrar em domínios, há cinquenta anos inimagináveis, e que muito veio a contribuir para a melhoria da qualidade de vida da Humanidade, ou parte dela.
Sempre que acontece uma catástrofe, reconhecidamente natural, somos surpreendidos por depoimentos, cuja idoneidade não é perceptível, a comprometer a política dos EUA. Mesmo o atentado contra as Torres Gémeas não escapou a essa especulação. O mesmo sucedeu com o terramoto no Haiti, que, segundo algumas fontes, não teria tido causas naturais, antes teria sido a consequência de uma experiência bem sucedida da secreta investigação científica militar daquele país.
O meu amigo e antigo condiscípulo do liceu de Lamego, José Camelo, que me fez chegar este vídeo, e que, como engenheiro militar, tem a noção exata da perversa contaminação da ciência, quando usada para fins bélicos, lançou-me, alarmado, o seguinte alerta: "Se isto é totalmente verdade, como os testemunhos fazem crer, então, acredito que o ser humano enlouqueceu de vez, e que, dentro de uma década, digo eu, haverá consequências terríveis para o Mundo!"

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

As malhas que o império tece ou o poder imenso da "corporatocracia"

Como os EUA interferem nos países - parte1 - Entrevista John Perkins
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Como os EUA interferem nos países - parte2 - Entrevista John Perkins

Apesar de já se saber que "isto" funciona assim, ouvir da boca de um norte-americano os pormenores é muito elucidativo. As duas partes da entrevista elucidam de forma muito objectiva e simples como é que funciona a geopolítica mundial actual, nomeadamente a política neoliberal das grandes corporações multinacionais, sobretudo, neste caso, através dos sucessivos governos norte-americanos...

Diamantino Silva

Nota: Estes dois vídeos merecem uma ampla divulgação, tal é a eficácia comunicacional da intervenção de Jonh Perkins, um homem que pertenceu ao sistema, e que consegue, agora, de uma forma simples, desmontar a complexa engenharia do imperialismo sem rosto, que domina e explora o mundo inteiro, através dos assassinos económicos, dos chacais e dos exércitos. Agradeço ao meu amigo, o escritor Diamantino Silva, o envio destes vídeos e do texto que os acompanhou.

sábado, 27 de novembro de 2010

Sarah Palin: A campeã do disparate



A ex-candidata a vice-presidente dos Estados Unidos,
afirmou durante uma entrevista que o seu país devia
apoiar a Coreia do Norte. Mais um sinal da sua
impreparação para voos mais altos na política americana.
Ou talvez não.
Sarah Palin volta a protagonizar uma nova polémica.
Numa entrevista a um programa de rádio na passada
quarta-feira, a ex-candidata a vice-presidente dos
Estados Unidos afirmou que a América devia manter-
se do lado dos "seus aliados da Coreia do Norte".
... Veja os "melhores" momentos de Sarah Palin,
nomeadamente quando deu a perceber que não sabia
que África era um continente.
EXPRESSO
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A política sempre precisou de alguns palhaços para poder ser levada a sério. E em Portugal há muitos!

sábado, 4 de setembro de 2010

Notas do meu rodapé: As gerações falhadas


Americanização intelectualmente frígida
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"Um estudo divulgado nos Estados Unidos revela que a maioria dos norte-americanos que está prestes a entrar na universidade não consegue escrever em letra cursiva. Também de acordo com a "Mindset List" ", uma pesquisa feita anualmente por académicos da Universidade de Beloit , no Wiscosin, os alunos que se vão licenciar em 2014 pensam que a Checoslováquia nunca existiu.
Os resultados da pesquisa são preocupantes: Os estudantes inquiridos, que vão integrar as turmas de 2014, acham que Beethoven , o célebre compositor alemão, é apenas "um cão", enquanto que Michelangelo , o renomado pintor italiano, não passa de "um vírus de computador".
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Conhecimentos de uma geração
De acordo com a "Mindset List", para os estudantes nascidos em 1981, a Jugoslávia nunca existiu. Já os norte-americanos que vieram ao mundo em 1980 acham que João Paulo II foi o único Papa que existiu.
Na área do cinema, os estudantes também não mostraram mais conhecimentos. Por exemplo, o célebre ator, realizador e produtor norte-americano Clint Eastwood , é, segundo os jovens, um "famoso cineasta de Hollywood" e nunca protagonizou o filme "Dirty Harry" ("'Dirty Harry'? O que é isso?", perguntaram).
No desporto, os conhecimentos também não melhoram. Para os estudantes norte-americanos, John McEnroe é um modelo de publicidade que nunca pôs os pés num court de ténis.
A pesquisa revela ainda que, com telemóveis a informarem permanentemente a hora, já nenhum estudante norte-americano usa relógio.
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Referências culturais efémeras
A maioria dos estudantes norte-americanos prestes a entrar na universidade acha que Beethoven é "um cão" e que Michelangelo não passa de "um vírus de computador", revela o estudo "Mindset List".
A "Mindset List" foi elaborada pela primeira vez em 1998 pelo professor de Humanidades, Tom MacBride, e pelo ex-diretor de Relações Públicas, Ron Nief, da Universidade de Beloi. As conclusões surgiram a partir de perguntas feitas à geração que teria um diploma universitário em 2002.
Os professores levaram um ano para compor o estudo, tendo pedido apoio a colaboradores, consultado trabalhos literários e notícias divulgadas pelos meios de comunicação no ano do nascimento das pessoas que entraram na universidade em agosto ou setembro, início do ano escolar os EUA.
O objetivo inicial era chamar a atenção das autoridades na área da Educação para uma realidade: As referências culturais evaporam-se. A pesquisa acabou por ganhar popularidade e passou a ser feita anualmente, tornando-se num género de radiografia dos conhecimentos de uma geração."
Notícia do Expresso, citada pelo Iluminatus Lex
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Esta ausência de referências culturais não é só evidente nos Estados Unidos. Afecta as novas gerações de todos os países desenvolvidos, que iniciaram a massificação do ensino no pós-guerra. Em Portugal. o processo iniciou-se no início da década de setenta, do século passado, com a reforma do ministro caetanista, Veiga Simão.
Conscientemente ou não, o processo não referenciou os modelos educacionais ao princípio do desequilíbrio entre a quantidade/qualidade, não acautelando com medidas correctoras a inevitável deterioração das competências culturais adquiridas.
Existem já inúmeros estudos sociológicos sobre este problema, a maioria a equacionar como causa principal o hiato geracional ao nível da cultura. Inicialmente, com a crescente urbanização das populações rurais, e, actualmente, com o aparecimento das sucessivas gerações dos filhos dos imigrantes, todos os modelos esbarraram com a dificuldade de ultrapassar a falta de cultura dos pais dos alunos, o que leva a sobrelevar, como factor decisivo para a aquisição de cultura (o que é diferente da aquisição de conhecimentos), a influência do meio familiar e social em que os alunos estão inseridos.
Outro factor apontado como limitador da aquisição da capacidade cultural é a influência das novas tecnologias, que não propiciam o saber pensar, que só o método dialéctico atinge na plenitude. E aqui a culpa é dos responsáveis das políticas educacionais, que, progressivamente, têm desvalorizado o tronco das ciências sociais e humanas e menorizado o ensino da Filosofia.
Recordo-me que nos anos oitenta do século passado, um professor universitário norte-americano referia a predominância do pensamento bipolar, desenvolvido no ensino secundário com a iniciação da aprendizagem da informática, nos seus novos alunos do curso de Física, o que dificultava a sua inserção na metodologia do pensamento científico, baseado no binómio da causa/efeito.
Mas, à volta deste fenómeno, o das deficiências culturais, existe uma outra dimensão preocupante, e que não passou despercebida aos ideólogos do actual sistema produtivo, o capitalismo neo-liberal, a quem interessa uma população acéfala culturalmente, apenas apetrechada com os conhecimentos específicos para o desempenho das tarefas que o sistema exige, e, ao mesmo tempo, incapaz de se interrogar sobre a natureza perversa do próprio sistema, que se sustenta através da exploração desenfreada do factor trabalho. Talvez seja por isso que se assiste a uma estranha apatia em relação à teorização sobre a origem da actual crise mundial. As pessoas, mesmo as que possuem estudos superiores, não a entendem, o que sossega as classes possidentes.