Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens

domingo, 8 de janeiro de 2012

Notas do meu rodapé: A roda da História e a perdição de Portugal...


A roda da História e a perdição de Portugal...

A roda da História é imparável. Existe uma corrente sequencial do nascimento e da queda dos impérios, que, por curioso que pareça, caminhou do Oriente para o Ocidente, acompanhando o movimento aparente do Sol: China, India, Mesopatâmia, Egipto, Finícia, colónias jónicas do mar Egeu, onde nasceu a moeda, Atenas e o império de Alexande, Roma, império árabe, Portugal e Espanha, Países- Baixos e Inglaterra e a França. e, por fim, os EUA. Já deu uma volta à Terra e, agora, vai regressar ao princípio. Novamente à China e à India.

O declínio da civilização ocidental é evidente. Como aconteceu a todas elas, a sua morte vai ser lenta, enquanto a sua sucessora vai crescendo e consolidando a sua posição. Os ciclos desta mudanças históricas não se medem pela tempo de vida médio de um homem. No início dos tempos da História, normalmente, a transição durava séculos. Mas a sua velocidade tem vindo a aumentar ao longo do tempo, e, por isso, os historiadores e os economistas prevêm que em 2050 a China dominará o Mundo. E nada se pode fazer para mudar o curso desta evolução, tal como nada se pode fazer para operar o rejuvenescimento de um idoso, devolvendo-o à sua adolescência. As sociedades têm uma vitalidade endémica limitada, tal com a vida humana. É um paralelismo curioso entre o fenómeno social e  o fenómeno biológico. Já na Pré-História aconteceu o mesmo. o Homem Sapiens, de onde o homem da actualidade descende em linha recta, "engoliu" o Homem de Neeanthartal, de uma forma pacífica, através da misceginação, segundo alguns autores, ou de uma forma violenta, através do extermínio, segundo outros. Nesses tempos pré-históricos, ainda não tinha surgido o fenómeno da escravatura, que só aparecerá mais tarde, acompanhando o lento enquadramento da noção primitiva de Estado soberano, a estruturação rígida da divisão da sociedade em classes e, no processo económico, um aparelho produtivo a gerar excedentes. Descrevendo a situação com os conceitos actuais da ciência económica, poder-se-ia dizer que a civilização dos faraós criou uma vantagem competitiva, em relação aos seus vizinhos, institucionalizando a escravatura em larga escala. A sua outra vantagem teve origem num fenómeno natural. Vinha-lhe das cheias do Nilo. Mas os faraós  repousaram nessas duas mais valias, que eles julgavam eternas, e que lhes garantiriam riqueza e poder. Deixaram que fossem os finícios e os gregos a descobrir que a política do transporte (termo que António Sérgio introduziu no discurso histórico, referindo-se a Portugal) ainda era mais rentável. Mas são os romanos, séculos depois, que, copiando as concepções de Alexandre, descobriram que o império marítimo tinha de ter uma sustenção de base territorial, o que os levou a cercar o mar Mediterrâneo com as suas legiões, com os seus cônsules e a sua cultura. Roma foi o império mais estruturado da antiguidade. A estratégia militar, o Direito e a Engenharia foram as alavancas competitivas da sua superioridade. Mas também não atingiu a eternidade, como os centuriões julgavam. O trabalho escravo, base da sua produção de bens e serviços, acabou por se revelar pouco rentável em valor acrescentado (a taxa de produtividade começou a diminuir, dir-se ia hoje). E, pela primeira vez, nos tempos históricos, uma civilização requintada cai nas mãos de povos primitivos, ainda a viver no regime tribal, os bárbaros (os ascendentes ancestrais da senhora Angela Merkel), que na sua embriaguês da vitória destruiram tudo aquilo a que não sabiam dar uso e entregaram aos clérigos cristãos tudo aquilo que não sabiam fazer, incluindo algumas parcelas da soberania e do governo das gentes. Como eram incultos e alarves, reduziram os povos autóctones à servidão. Encontrava-se a História no início de uma longa noite escura, que só dez séculos depois assistiu ao raiar da manhã, com a luz a aparecer com os iluministas e os revolucionários franceses. Os árabes, não conseguiram ultrapassar os Perinéus e ficaram-se pela Península Ibérica, onde desenvolveram uma civilização de sucesso, nas artes, nas letras, na filosofia, no comércio e na agricultura. Foram prudentes e inteligentes. Não impuseram à força a sua nova religião (apenas exigindo um imposto a quem  a não a abraçasse) e libertaram os produtores da servidão, deixando-os à vontade para produzir nas suas terras e vender os seus produtos nos mercados (medidas estas que aumentaram a taxa de produtividade). Por isso foram recebidos como libertadores.

Entretanto a Europa medieval, dominada pelo braço vigoroso (por vezes cruel) do papado e por uma aristocracia parasita, evolui muito lentamente e, com o progresso do comércio marítimo, criou uma classe social, a burguesia, que se revelou muito dinâmica. A Renascença, esse período que rasgou as trevas da ignorância da Idade Média, é um produto dessa nova classe social. As repúblicas das cidades do norte da penísula itálica eram então o centro da Europa, já que não podiam ser o centro do mundo, porque os árabes faziam a leste e a sul da Europa uma extensa e segura barreira, que impedia o acesso ao mítico Oriente. Foram os portugueses que furaram esse cerco, descobrindo a rota do Cabo. Para a Europa, iniciava-se o caminho da dominação do mundo. Portugueses, espanhós e holandeses globalizaram, à medida da época, a economia. Veio o colonialismo, que estruturou o saque. Mas, em contrapartida, nasceram as ideias iluministas, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, que mudaram a face da Europa. A burguesia começou a ganhar terreno perante a aristocracia parasitária. É a Inglaterra e o seu vastíssimo império que caracterizam esse tempo de progresso intelectual, cultural e tecnológico, e  que constituem as marcas identitárias da civilização europeia, que também legitima a herança greco-romana da Antiguidade Clássica. A Inglaterra, embora hegemónica, depois da queda de Napoleão, não evita a afirmação da França, nem a da Alemanha, que acaba por nascer como estado na segunda metade do séc, XIX, e que tantas dores de cabeça viria a dar no século seguinte (e no actual também). As duas guerras mundiais e o esgotamento do modelo colonial (entretanto substituído pelo difuso modelo neocolonial), já muito dispendioso, deram o golpe mortal ao domínio mundial exercido pelas potências coloniais da Europa. É certo que não morreu, mas ficou muito combalida. A nova potência emergente, os EUA, que lhe herdou a cultura e as gentes, ajudaram-na a recuperar. Mas nunca mais brilhou como no passado. E isto, apesar de ter colocado de pé um projecto político, social e económico original e único, que suscitou muitas expectativas: a construção da União Europeia e a criação da moeda única, cuja viabilidade está actualmente a ser posta em causa.

O aliado do outro lado do mundo, e que ainda detém um poder hegemónico ao nível político, militar e económico, também já não goza de boa saúde. A sua grande preocupação, nunca declarada, é preparar o terreno para poder enfrentar militarmente o avanço imparável do colosso chinês. É que a roda da História não deixa de rodar, e aproxima-se o momento em que essa roda vai iniciar a seguna volta ao planeta Terra.

No meio deste gigantesco movimento de mudança, Portugal parece perdido. Perdeu a África, perdeu a Europa, que também está perdida. e, agora, parece que vai perder-se a si próprio, vítima dos seus erros e dos seus pecados. Não soube aproveitar as vantagens da globalização. Ficou apenas com as respectivas desvantagens. A sua sobrevivência como país independente está em perigo. Portugal foi um país de oportunidades perdidas. E as perspectivas são tão negras, que até o actual primeiro-ministro e o seu ministro da Presidência já pedem aos jovens portugueses, principalmente aos mais qualificados, para emigrarem.

Alexandre de Castro

Janeiro de 2012

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Opinião: Alemanha "rainha das dívidas"


O historiador Albrecht Ritschl evoca hoje em entrevista ao site de Der Spiegel vários momentos na História do século XX em que a Alemanha equilibrou as suas contas à custa de generosas injecções de capital norte-americano ou do cancelamento de dívidas astronómicas, suportadas por grandes e pequenos países credores.
Ritschl começa por lembrar que a República de Weimar viveu entre 1924 e 1929 a pagar com empréstimos norte-americanos as reparações de guerra a que ficara condenada pelo Tratado de Versalhes, após a derrota sofrida na Primeira Grande Guerra. Como a crise de 1931, decorrente do crash bolsista de 1929, impediu o pagamento desses empréstimos, foram os EUA a arcar com os custos das reparações.

A Guerra Fria cancela a dívida alemã
Depois da Segunda Guerra Mundial, os EUA anteciparam-se e impediram que fossem exigidas à Alemanha reparações de guerra tão avultadas como o foram em Versalhes. Quase tudo ficou adiado até ao dia de uma eventual reunificação alemã. E, lembra Ritschl, isso significou que os trabalhadores escravizados pelo nazismo não foram compensados e que a maioria dos países europeus se viu obrigada a renunciar às indemnizações que lhe correspondiam devido à ocupação alemã.
No caso da Grécia, essa renúncia foi imposta por uma sangrenta guerra civil, ganha pelas forças pró-ocidentais já no contexto da Guerra Fria. Por muito que a Alemanha de Konrad Adenauer e Ludwig Ehrard tivesse recusado pagar indemnizações à Grécia, teria sempre à perna a reivindicação desse pagamento se não fosse por a esquerda grega ficar silenciada na sequência da guerra civil.
À pergunta do entrevistador, pressupondo a importância da primeira ajuda à Grécia, no valor de 110 mil milhões de euros, e da segunda, em valor semelhante, contrapõe Ritschl a perspectiva histórica: essas somas são peanuts ao lado do incumprimento alemão dos anos 30, apenas comparável aos custos que teve para os EUA a crise do subprime em 2008. A gravidade da crise grega, acrescenta o especialista em História económica, não reside tanto no volume da ajuda requerida pelo pequeno país, como no risco de contágio a outros países europeus.

Tiram-nos tudo - "até a camisa"
Ritschl lembra também que em 1953 os próprios EUA cancelaram uma parte substancial da dívida alemã - um haircut, segundo a moderna expressão, que reduziu a abundante cabeleira "afro" da potência devedora a uma reluzente careca. E o resultado paradoxal foi exonerar a Alemanha dos custos da guerra que tinha causado, e deixá-los aos países vítimas da ocupação.
E, finalmente, também em 1990 a Alemanha passou um calote aos seus credores, quando o chanceler Helmut Kohl decidiu ignorar o tal acordo que remetia para o dia da reunificação alemã os pagamentos devidos pela guerra. É que isso era fácil de prometer enquanto a reunificação parecia música de um futuro distante, mas difícil de cumprir quando chegasse o dia. E tinha chegado.
Ritschl conclui aconselhando os bancos alemães credores da Grécia a moderarem a sua sofreguidão cobradora, não só porque a Alemanha vive de exportações e uma crise contagiosa a arrastaria igualmente para a ruína, mas também porque o calote da Segunda Guerra Mundial, afirma, vive na memória colectiva do povo grego. Uma atitude de cobrança implacável das dívidas actuais não deixaria, segundo o historiador, de reanimar em retaliação as velhas reivindicações congeladas, da Grécia e doutros países e, nesse caso, "despojar-nos-ão de tudo, até da camisa".
Amabilidade da Dalia Faceira

terça-feira, 20 de setembro de 2011

RUINAS DE CONIMBRIGA



Conimbriga: uma reconstituição virtual


Amabilidade do João Fráguas
***
A cidade romana de Conimbriga, perto de Condeixa-a-Nova, pertencia à província romana da Lusitânia. As suas ruínas são as mais importantes de todo o território português, quer pela informação arqueológica disponibilizada, quer pelo seu tamanho e monumentalidade, e quer, ainda, pelo seu razoável estado de conservação.
A ocupação romana ocorreu no ano 139 a.C., durante as campanhas militares comandadas pelo general e político Décimo Junio Bruto.
Durante o século primeiro da nossa era, construíram-se as grandes termas e o Forum. A muralha perimetral, com uma extensão de um kilómetro e meio, data do século IV, época em começou a verificar-se o declínio do império romano.
Entre os anos 465 e 468, a cidade sofre vários ataques dos povos bárbaros, tendo caído nas mãos dos suevos, que a saquearam.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Uma nova Era já começou...


Está a acontecer na nossa rua e à nossa volta, e ainda não percebemos que a Revolução, uma nova Era já começou!
As pessoas andam um bocado distraídas! Não deram conta que há cerca de 3 meses começou a Revolução! Não! Não me refiro a nenhuma figura de estilo, nem escrevo em sentido figurado! Falo mesmo da Revolução "a sério" e em curso, que estamos a viver, mas da qual andamos distraídos (desprevenidos) e não demos conta do que vai implicar. Mas falo, seguramente, duma Revolução!
De facto, há cerca de 3 ou 4 meses começaram a dar-se alterações profundas, e de nível global, em 10 dos principais factores que sustentam a sociedade actual. Num processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses... E que irá mudar as nossas sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos... tal como ocorreu noutros períodos da história recente: no status político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 68 (além e aquém Atlântico), ou na crise do petróleo de 73.
Estamos a viver uma transformação radical, tanto ou mais profunda do que qualquer uma destas! Está a acontecer na nossa rua e à nossa volta, e ainda não percebemos que a Revolução já começou!
Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer aos "10 factores":

1º- A Crise Financeira Mundial : desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso (leia-se "bancarrota") e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais - a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico - têm injectado (eufemismo que quer dizer: "emprestado virtualmente à taxa zero") montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá acabar esta história !...

2º- A Crise do Petróleo : Desde há 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima ideia/teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China e da Índia que o compram e amealham!) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia, de transportes, de serviços. Por exemplo, quem utiliza frequentemente o avião, assistiu há 2 semanas a uma subida no preço dos bilhetes de... 50% (leu bem: cinquenta por cento). É escusado referir as enormes implicações sociais deste factor: basta lembrar que por exemplo toda a indústria de férias e turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em Portugal ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente desaparecer em 12 meses! Acabaram as viagens de avião baratas (...e as férias  massivas!), a inflação controlada, etc...

3º- A Contracção da Mobilidade : fortemente afectados pelos preços do petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer contracção profunda e as trocas físicas comerciais (que sempre implicam transporte) irão sofrer fortíssima retracção, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e na interpenetração económica mundial.

4º- A Imigração : a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e formação, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rendíveis, mas mudam radicalmente a composição social de países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália). Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos! A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder e melhor estatuto sócio-económico (até agora, vivemos nós em ascensão e com direitos à custa das matérias-primas e da pobreza deles)!

5º- A Destruição da Classe Média : quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar apenas a acontecer em Portugal e à custa deste governo) está de facto a "varrer" o Velho Continente! Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e (descontados alguns matizes e diferente gradação) as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, a perder força social e capacidade de intervenção.

6º- A Europa Morreu : embora ainda estejam projectar o cerimonial do enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não tem projecto, já não tem razão de ser, que já não tem liderança e que já não consegue definir quaisquer objectivos num "caldo" de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns!... Já nenhum Cidadão Europeu acredita na "Europa", nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro! O "Requiem" pela Europa e dos "seus valores" foi chão que deu uvas: deu-se há dias na Irlanda!

7º- A China ao assalto! Contou-me um profissional do sector: a construção naval ao nível mundial comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios... da China. O gigante asiático vai agora "atacar" o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke...). Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel mundial os novos carros chineses. Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes (eu já os vi!) e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! E quando falamos de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia...helás! Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico,  financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças! (Os chineses estão estrategicamente em todos os cantos do mundo a escoar todo o tipo de produtos da China, que está a qualificá-los cada vez mais).

8º- A Crise do Edifício Social : As sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade baseada na célula familiar! As pessoas já não se casam, as famílias tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não querem laços de projecto comum, os jovens não querem compromissos, dificultando a criação de um espírito de estratégias e actuação comum e as ditas "paneleirices" em voga que pretendem a Adopção Plena...

9º- O Ressurgir da Rússia/Índia : para os menos atentos: a Rússia e a Índia estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante! Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos ultrapassarão a Alemanha!

10º- A Revolução Tecnológica : nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos!

Eis pois, a Revolução!

Tal como numa conta de multiplicar, estes dez factores estão ligados por um sinal de "vezes" e, no fim, têm um sinal de "igual". Mas o resultado é ainda desconhecido e... imprevisível. Uma coisa é certa: as nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 20 anos, forçando-nos a ter carreiras profissionais instáveis, com muito menos promoções e apoios financeiros, a ter estilos de vida mais modestos, recreativos e ecológicos.
Espera-nos o Novo! Como em todas as Revoluções!
Um conselho final: é importante estar aberto e dentro do Novo, visionando e desfrutando das suas potencialidades! Da Revolução! Ir em frente! Sem medo.
Afinal, depois de cada Revolução, o Mundo sempre mudou para melhor!...

***
Nota do editor:  Este texto, de autor desconhecido, foi recebido por email, e a sua data, não assinalada, deve reportar ao início do ano passado. No entanto, este óbice, se assim pode ser considerado, não lhe retira actualidade, bastando para tal ignorar as referências temporais nele contidas.
As alterações, em sequência vertiginosa, que estão a ocorrer, parecem apontar para o início de um outro ciclo longo da História, marcado por uma nova mudança geo-estratégica. Nascendo no longínquo Oriente, com as civilizações milenares da China e da India, o domínio civilizacional regressará a esse mesmo Oriente, durante o século XXI, depois de, durante alguns milénios, ter percorrido uma linha sequencial, que assentou arraiais na Mesoptâmia, no Egipto do faraós, na Finícia, nas colónias jónicas da Ásia Menor, na civilização grega, principalmente na ateniense, no Império Romano, que durou seis séculos, na civilização árabe, para depois iluminar o Ocidente, primeiro a Europa e depois os Estados Unidos, no que se designa por civilização ocidental. O declínio do Ocidente é evidente. Só não o enxerga quem não tem uma visão abrangente e dialéctica da História da Humanidade. Tal como a vida dos seres vivos, cada civilização nasceu com as suas inovações militares e técnicas, estabeleceu os seus valores e a sua cultura, e desenvolveu-se vigorosamente, exercendo um domínio absoluto sobre toda a sua área de influência, até atingir o zénite da sua maturidade, a partir do qual, iniciou a fase descendente até à sua inevitável agonia. E já muitos historiadores balizaram o início do declínio da civilização ocidental na actual crise económica e financeira, que também é uma crise política e social, e que ainda não tem fim à vista, imputando-lhe como causa o seu inevitável esgotamento, como se houvesse um mapa genético a comandar o seu destino histórico. Seleccionemos apenas uma das consequências, apontadas pelo autor do texto, a destruição da classe média. Nestes últimos três anos foi visível a depauperação das classes médias dos EUA e da Europa.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Historia geral de Africa em 8 volumes - UNESCO



Resumo: Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Volume I: Metodologia e Pré-História da África (PDF, 8.8 Mb) - ISBN: 978-85-7652-123-5

Volume II: África Antiga (PDF, 11.5 Mb) - ISBN: 978-85-7652-124-2

Volume III: África do século VII ao XI (PDF, 9.6 Mb) - ISBN: 978-85-7652-125-9

Volume IV: África do século XII ao XVI (PDF, 9.3 Mb) - ISBN: 978-85-7652-126-6

Volume V: África do século XVI ao XVIII (PDF, 18.2 Mb) - ISBN: 978-85-7652-127-3

Volume VI: África do século XIX à década de 1880 (PDF, 10.3 Mb) - ISBN: 978-85-7652-128-0

Volume VII: África sob dominação colonial, 1880-1935 (9.6 Mb) - ISBN: 978-85-7652-129-7

Volume VIII: África desde 1935 (9.9 Mb) - ISBN: 978-85-7652-130-3

Amabilidade do João Fráguas

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Notas do meu rodapé: A História da infâmia

A História da Sua Escravidão (The Story of Your Enslavement in Portuguese)
Amabilidade do meu sobrinho João Castro Mota
*
A História da infâmia!...

A sobrevivência de uma determinada espécie animal não se baseia na acção predadora sobre os animais dessa mesma espécie. Eles apenas guerreiam entre si pela posse do território A sua sobrevivência estabelece-se, ao nível da cadeia alimentar, através do seu domínio sobre os animais de outras espécies, e com menor capacidade competitiva. Apenas o Homem, através do desenvolvimento da sua racionalidade, descobriu que a maneira mais fácil de sobreviver, é dominar e explorar os outros homens. A História da humanidade não é mais do que um quadro do horror da violência dos mais fortes e dos mais aptos sobre os mais fracos e mais inaptos. Os processos desse domínio foram mudando ao longo do tempo, adaptando-se aos novos contextos, que a própria História foi desenvolvendo.
Além das guerras, nos tempos actuais surge uma nova forma de dominação à escala planetária, perpetrada pela oculta ditadura do capital financeiro, que se esconde atrás da democracia formal dos Estados.
O que está a passar-se em Portugal, neste momento, ilustra bem a força dessa enorme ditadura, que tudo subverte em seu proveito. Os agentes nacionais dessa ditadura macrocéfala são os próprios políticos enfeudados ao sistema, acantonados nos partidos que dominam o poder político, e que neste momento têm a tarefa de domesticar o povo, para que aceite a sua imolação com sensata resignação.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Última ceia de Jesus pode ter sido numa quarta-feira e não na quinta-feira santa


E se a Última Ceia de Jesus Cristo tiver sido numa quarta-feira e não na comemorada quinta-feira? Num estudo publicado esta semana, Colin Humphreys, professor da Universidade de Cambridge, assegura que a última refeição que Jesus partilhou com os seus 12 apóstolos aconteceu um dia antes daquilo que se pensa.
PÚBLICO
***
A ceiazinha foi antecipada para quarta-feira, porque na quinta-feira a televisão de Jerusalém transmitia o encontro de futebol entre o Sporting Clube de Belém e o Futebol Clube de Jericó. O árbitro era um centurião romano.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Cidades Perdidas: Pompeia (3)

Clicar na imagem para a ampliar

























Amabilidade do João Fráguas, que enviou as imagens.
***
Pompeia foi uma próspera cidade do Império Romano. Situada na Campânia, no sul de Itália, na foz do rio Sarno, que corria ao lado de uma das suas muralhas, servia de porto comercial à cidade de Nola e de outras cidades do interior do fértil vale daquele rio. No primeiro ano da nossa era já era uma estância de veraneio dos romanos mais abastados. Cícero e o imperador Cláudio possuíam vilas nos seus arredores.
Em 24 de Agosto do ano 79, uma erupção do vulcão Vesúvio arruinou-a totalmente, soterrando-a debaixo de uma grande camada de cinzas vulcânicas, solidificadas pelas chuvas, o que permitiu que os seus edifícios se conservassem até aos nossos dias. Mesmo os cadáveres incinerados ficaram num bom estado de conservação, tendo sido possível, através da injecção de uma matéria plástica líquida, reproduzir a forma original dos corpos.
A cidade acabou por ser esquecida. Mais tarde, um violento tremor de terra, que provocou um grande deslocamento de terras e desviou o curso do rio Sarno, ao mesmo tempo que levantou a baía de Nápoles, apagou as referências topográficas da cidade soterrada. Até que, em meados do século XVIII, após terem sido encontrados, por acaso, alguns dos seus vestígios, iniciou-se a escavação do local, o que permitiu descobrir a cidade melhor conservada do império. Foi possível aos arqueólogos confirmarem as características de uma cidade dos tempos do império, já que os edifícios mantinham-se de pé e exibiam a sua traça original, assim como foi possível constatar o tipo de pavimentos das ruas rectilíneas, em quadrícula, e a existência de passeios.
Os murais coloridos no interior das habitações, também bem conservados, permitiram ter uma visão mais correcta da pintura da Roma imperial.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Cidades Perdidas: Palmira (2)

Clicar para ampliar a imagem


















Amabilidade do João Fráguas, que enviou as imagens.
***
A sua condição de cidade situada na fronteira mais oriental do Império Romano e o facto de ter sido um lugar privilegiado do trânsito das caravanas, que transportavam as mercadorias do oriente para o ocidente, ditaram a sorte de Palmira. Foi grande e opulenta, mas esteve sempre à mercê da cobiça dos povos vizinhos. Várias vezes mudou de mãos e várias vezes foi destruída, para, depois, ser reconstruída, até que o barcos do Índico substituíram com vantagem as lentas caravanas de camelos.
Quando António, em 43 a.c, procurou conquistá-la aos Partos, já Palmira era uma cidade secular. Diz-se que teria sido fundada por Salomão, e que Nabucodonosor a teria destruído, mas que, anos depois, devido à sua importância estratégica, foi reconstruída. Coube a Trajano arrebatá-la para o Império Romano, embora, por razões de ordem política e militar, também a tivesse destruído. Adriano reedificou-a e deu-lhe o nome de Adrianópolis. No reinado de Carcala, era uma colónia romana e recebeu o título de Jus Italicum.
Mas é durante o século III da nossa era que Palmira atinge o seu máximo esplendor e grandeza. Beneficiando de uma certa autonomia em relação a Roma, que lhe conferiu o estatuto de República, Zenóbia, a viúva de Ordenato, príncipe de Palmira, além de prosseguir com a obra de engrandecimento da cidade, tentou sacudir o jugo romano, cujo exército derrotou. Para não ser apanhada de surpresa por um contra-ataque das forças imperiais, mandou marchar para o Egipto, no ano 273, um exército de setenta mil homens, bem armados, para se assenhorear de Alexandria, uma cidade estratégica. A empresa não foi bem sucedida, e é o imperador Aureliano, em pessoa, que perseguirá Zenóbia, conquistando Palmira e aprisionando a raínha rebelde. Como os habitantes se revoltaram, Palmira foi mais uma vez destruída. Justiniano manda fortificá-la, dotando-a de uma cerca de muralhas e restaurando o Templo.
Depois desse período áureo, a cidade nunca mais teve paz, tal era a cobiça pela sua posse. Os árabes acabaram por a conquistar, mas deixaram-na muito danificada, devido às guerras religiosas. Em 1157, é sacudida por um grande terramoto. Os Tártaros de Tamerlão saquearam-na em 1401, até que os turcos a destruíram no século XVII. Palmira já perdera a sua importância antiga, uma vez que o comércio com o oriente passou a fazer-se por mar.
Os seus habitantes desertaram, mas ficaram as ruínas, que testemunham bem toda a imponência do seu passado, bem visível ainda no que resta do Templo do Sol, consagrado a Baal, bem como as Torres Sepulcrais e o castelo muçulmano.

domingo, 6 de março de 2011

O Cortejo Histórico de Lisboa em 1947 (CML)

Amabilidade do João Fráguas, que enviou este vídeo
***
Se a Exposição do Mundo Português, realizada sete anos antes, serviu os interesses do regime para impor o seu modelo de arquitectura e de explicitar a sua visão grandiosa sobre o Império, o cortejo histórico para comemorar os 800 anos da conquista de Lisboa, que desfilou com toda a imponência pela avenida da Liberdade, em 1947, perante a "veneranda figura do Presidente da República, o general Carmona, e da do ilustre Presidente do Conselho, Dr. Oliveira Salazar", serviu para prosseguir a tarefa de reescrever a História, tarefa já iniciada e posta em marcha através da adopção dos novos e anacrónicos manuais escolares, onde se fazia sobressair os valores patrioteiros de um nacionalismo exacerbado, ao mesmo tempo que se enaltecia o heroísmo e a grandeza dos feitos de antanho, ignorando as suas misérias, e descontextualizando o discurso histórico. Era como se a história só fosse feita pelos reis e pelos chefes ou por figuras proeminentes das elites, visão interpretativa da História que se encaixava no pensamento político de Salazar, onde uns estavam predestinados para mandar e a maioria tinha de contentar-se em obedecer.