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sábado, 15 de janeiro de 2011

Este é o Portugal português

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Com a devida vénia, transcreve-se um texto do blogue O país do Burro, salvo seja.
Este é o Portugal português

Cavaco não ouve a voz do povo. Apenas ouve os ecos...

Cavaco a ouvir os ecos do povo
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“Eu vim do povo.” E a palavra povo foi mesmo a que repetiu com mais insistência. Num dia de sondagens más, era uma resposta indirecta de Cavaco: “Todos os dias tenho ecos de que o povo está a escutar a minha mensagem.”
PÚBLICO
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São ecos demenciais, senhor presidente!...

Cavaco, candidato “do povo”, critica cortes na função pública

O dia minhoto da campanha presidencial de Cavaco Silva acabou, hoje à noite, com um jantar de apoiantes, em Arcos de Valdevez, que juntou mais de duas mil pessoas. Aí, o Presidente apresentou-se como o “candidato do povo”.
No discurso, Cavaco Silva voltou a atingir o Governo de José Sócrates. Agora, por causa dos cortes salariais na função pública. O Presidente criticou o facto de não terem sido pedidos sacrifícios, nas medidas de austeridade decretadas pelo Executivo. Os trabalhadores da função pública, admitiu, foram atingidos com “alguma injustiça”, quando outros não foram sacrificados.
PÚBLICO
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Com a sua hipocrisia habitual e com aquele ar angélico, muito bem ensaiado, a exibir um aparente desprendimento pelo poder, Cavaco aproveita-se da ingenuidade de alguns e da ignorância de muitos. Como Presidente da República, Cavaco sancionou com convicção todas as medidas orçamentais do governo. Agora, com descarado oportunismo e recorrendo a uma manobra suja, procura tirar dividendos do justificado descontentamento popular.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Notas do meu rodapé: As nefastas políticas de Cavaco Silva

O filho de Boliqueime, principal responsável pelo “afundamento” do país
Dez anos como chefe de Governo, cinco como Presidente e dois como ministro. Francisco Lopes apontou esta quarta-feira o actual Presidente como o maior responsável pela situação do país.
"Foi dois anos ministro das Finanças, foi 10 anos primeiro-ministro e outros cinco Presidente. Pede outros com iguais responsabilidades, mas é difícil encontrar quem tenha mais responsabilidades no afundamento do país e pela injustiça social que vivemos.”
PÚBLICO
Lopes acusa Cavaco de aniquilar uma “geração de indústrias do país”
O dirigente comunista acusou Cavaco de “lançar poeira para os olhos” dos portugueses e de aniquilar com “uma geração de indústrias no nosso país”. “Não esquecemos que foi com ele como primeiro-ministro que foi liquidando grande parte da indústria naval, da indústria química, da indústria metalo-mecânica, da indústria da pesca”, afirmou num jantar com apoiantes, na Moita
PÚBLICO
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E Francisco Lopes tem carradas de razão. A origem da actual situação do país tem o foco da sua origem no período do consulado cavaquista. E é muito difícil passar esta imagem aos portugueses, mais precisamente aos eleitores mais novos, cuja maioria nem sequer saberá que Cavaco Silva governou o país durante 10 anos, apoiado em duas maiorias absolutas. Mas é preciso explicar-lhes, como fez Francisco Lopes, o fundamento de tal acusação.
Em primeiro lugar, Cavaco Silva foi o responsável pela introdução do ideário neoliberal em Portugal, inspirando-se nas teorias do guru Milton Friedman, um economista norte-americano da escola de Chicago, e que tinham começado a ser duramente aplicadas nos EUA, por Ronald Reagan, o presidente cowboy, e, na Grã Bretanha, por Margaret Thatcher, a chamada Dama de Ferro.
Milton Friedman propunha - em contraponto ao pensamento de Keynes, que inspirara a política económica dos países ocidentais desde a Grande Depressão até à crise petrolífera no início da década de setenta do século passado - a não intervenção do Estado na economia, (e que se fazia através da aplicação de políticas anti-cíclicas), ao mesmo tempo que defendia a total desregulamentação dos mercados, já que estes, por si só, acabariam por se auto-regular em função da oferta e da procura. Nos dias de hoje, todos nós sabemos as desastrosas consequências dessa selvagem desregulamentação, que acabou por desencadear uma crise económica e financeira, cujo fim ainda não é perceptível no horizonte. Com esta crise, caiu por terra a apologia da falácia de um Estado não interveniente, já que foi o Estado, com o dinheiro dos contribuintes, que teve de socorrer os bancos e as empresas, para evitar a sua insolvência. Os economistas neoliberais eclipsaram-se perante a hecatombe da falência do sistema financeiro nos Estados Unidos e tiveram de engolir muitos sapos com a evidência do fracasso das suas teorias, que apenas facilitaram a consolidação do capital financeiro e a sua planetária vocação especulativa, bem como deram a base de sustentação teórica para o galopante fenómeno da deslocalização.
Cavaco Silva, cujo formação foi rigidamente formatada pela sebenta dos neoliberais, o que lhe encurtou as vistas e obnubilou o pensamento, engasgar-se-ia se tivesse de voltar a bolçar as suas lições de economia. enquanto se dedicou à docência. O vómito provocar-lhe-ia o mesmo esgar facial, do que o provocado pela mastigação falante do bolo-rei.
O seu primeiro grande erro, enquanto primeiro ministro, situou-se ao nível do planeamento estratégico do desenvolvimento económico do país. Como tecnocrata que é, apenas avaliou os investimentos e os custos operacionais imediatos, esquecendo-se dos efeitos gravosos a longo prazo, e que agora ganham clara evidência na existência de acentuadas assimetrias regionais, pois o interior do país foi completamente ignorado. Pretendeu fazer da Grande Lisboa o principal pólo de desenvolvimento, concentrando aí os grandes investimentos públicos com o dinheiro fácil, que vinha de Bruxelas, a fim de atrair os investimentos privados. Esta falha na coesão territorial, que se mantém ainda hoje, está revelar-se dramática nesta época de crise, já que nas regiões menos desenvolvidas, existem menos ofertas de emprego.
O seu segundo erro, também estratégico, envolve o sector da educação. Ao permitir a abertura e o funcionamento de universidades privadas, que cresceram como cogumelos, Cavaco Silva, acreditando que o mercado saberia escolher as melhores instituições do ensino superior, abriu o caminho para a proliferação de cursos de baixo investimento (Direito, Letras e Economia), que formaram licenciados mal preparados e em número excessivo, em relação às necessidades do país, o que é uma forma irresponsável de gerar desperdício. Com esta política, não se formou a massa crítica, necessária para o desenvolvimento do país.
O total descontrolo da gestão de verbas comunitárias, que permitiram todos os abusos por utilização indevida, a indiferença perante o trabalho infantil, a ausência de políticas sociais estruturantes e coerentes, a passividade perante as ordens de Bruxelas para o abate de barcos de pesca, a ausência de apoio à agricultura portuguesa, o exagerado aumento da despesa do Estado, que não soube reestruturar na devida altura, e a submissão aos grupos económicos, que consolidaram o seu domínio sobre a política, constituíram entorses, cujos efeitos negativos viriam a repercutir-se no futuro. Foi um péssimo primeiro ministro.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Cavaco não se livra da suspeita...

Clicar na imagem, e, uma vez aberto o documento, clicar outra vez

Amabilidade do João Grazina, que enviou este documento
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Cavaco Silva não se sente à vontade quando tenta explicar o duvidoso negócio que manteve com o BPN (Banco Português de Negócios) e a holding que o controla, a SLN (Sociedade Lusa de Negócios). Uma valorização de 140 por cento nas acções que ele a filha compraram à SLN, e que, em dois anos, renderam mais valias no valor de 72 mil euros, abre a porta a justificadas suspeitas de favorecimento pessoal. É certo que o cidadão Cavaco Silva tem todo o direito de valorizar as suas poupanças e que o dinheiro que recebeu em mais valias era de particulares. Mas foi por causa dos muitos casos, iguais ou semelhantes a este e de outras manobras de contabilidade criativa, que o banco do seu amigo Oliveira e Costa foi à falência, o que levou o governo a nacionalizá-lo e a nele injectar milhões de euros. Deste modo, e legitimamente, cada contribuinte pode deduzir que uma parte do dinhero dos seus impostos serviu para pagar os 72 mil euros que Cavaco e a sua filha ganharam naquela transacção.
Como economista que é, ele deveria saber que aquela valorização era escandalosamente exorbitante, e como é um cidadão honesto, como diz ser, deveria ter tomado a prudente atitude de perguntar ao seu amigo se não teria havido engano, pois foi assim que eu, que não sou tão honesto como ele, procedi, quando o meu banco, por engano, creditou na minha conta 500 euros. É de temer que, se vier a ocorrer algum engano no processamento do seu vencimento de Presidente da República, e que lhe seja favorável, ele poderá ficar muito caladinho e dizer para a sua querida Maria, com ar de brincalhão, que lhe saiu a terminação na lotaria, e irem ambos para os copos, para celebrarem, e até comprarem bolo-rei, se aquele engano contabilístico vier a ocorrer na época do Natal.
Mas neste triste episódio, Cavaco Silva não foi transparente nas suas explicações. Da primeira vez que abordou em público o assunto, ele disse apenas uma meia verdade, afirmando que nunca tinha comprado acções ao BPN, ocultando, no entanto, que as comprara à SLN. Para ser ilibado de qualquer suspeita, deveria ter dito logo toda a verdade, indicando a quem comprou as acções e, depois, a quem as vendeu, ao mesmo tempo que deveria também disponibilizar toda a documentação em seu poder sobre este assunto. É assim que deveria ter procedido, em obdiência às boas práticas que se fazem lá fora, que todos os políticos dizem seguir.
Já não bastava termos um primeiro ministro sob suspeita permanente, aparece-nos agora um Presidente da República colado ao mesmo labéu.
É demais para um povo só.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Cavaco Silva: "Para serem mais honestos do que eu têm que nascer duas vezes"

Defensor Moura acusou Cavaco Silva de favorecer, enquanto Presidente da República, as autarquias social-democratas, num debate em que Cavaco Silva afirmou ser alvo de uma "campanha suja" no caso BPN.
O candidato Defensor Moura acusou hoje Cavaco Silva de “falta de isenção” e “favorecimento” de autarquias do PSD enquanto Presidente da República, num debate que Cavaco Silva aproveitou para afirmar que a decisão de nacionalização do BPN lhe foi apresentada como sendo essencial para a estabilidade do sistema financeiro. “Para serem mais honestos do que eu tinham que nascer duas vezes”, afirmou, por duas vezes.
Jornal de Negócios

sábado, 18 de dezembro de 2010

Notas do meu rodapé: O Estado Social está ameaçado!...

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Alegre diz-se descansado com Cavaco em Belém, mas o Estado social pode acabar
Questionado sobre se dormirá descansado caso Cavaco Silva seja reeleito para a Presidência da República – disse que sim em 2006 -, Manuel Alegre mantém a resposta, mas não dá como garantido que Cavaco Silva defenda o Estado social “contra o projecto estratégico da direita que visa a sua destruição”, afirmando que é por isso que a sua vitória é "necessária".
PÚBLICO
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Se Cavaco Silva for reeleito, a direita irá tomar de assalto o poder do Estado, concretizando, deste modo, o almejado objectivo, expresso no antigo slogan "Uma maioria, um presidente", pois é previsível que, perante o doloroso cenário, marcado pela continuada deterioração da situação económica do país e pelo progressivo descontentamento popular, o PSD provoque, em 2011, eleições antecipadas, e obtenha a maioria para ser governo.
O epicentro da vida política transferir-se-ia assim para o palácio de Belém, com Cavaco a governar verdadeiramente o país por uma interposta pessoa, a exercer as funções de primeiro-ministro. Não tenho dúvidas, se esta vier a ser a realidade, que Cavaco Silva irá desmantelar o Estado Social, reduzindo-o ao mínimo.
Formatado pelo pensamento da escola do neoliberalismo, que a sua tacanhez intelectual não consegue ultrapassar (ele não percebe que a origem da crise se encontra precisamente na aplicação cega nos países ocidentais das teorias económicas daquela doutrina), Cavaco Silva promoveria a entrega aos privados dos sectores mais lucrativos dos pilares da Saúde, da Educação e da Segurança Social, o que provocaria a acentuação das desigualdades económicas e sociais e a marginalização das franjas populacionais mais desfavorecidas. Cavaco Silva e o seu cinzento primeiro-ministro acabariam o trabalho que José Sócrates deixou a meio.
É pois necessário que o palácio de Belém seja ocupado por uma pessoa, assumidamente defensora do Estado Social. Não sei se Manuel Alegre, se for eleito numa segunda volta, poderá deter o revanchismo de uma direita, que não gosta de ouvir falar de direitos sociais. Também não sei como é que o eleitorado do BE, na primeira volta, vai digerir um candidato que tem de se abster de criticar a política do seu próprio partido, o PS, cuja prestação política, enquanto governo, tem contribuído para a fragilização desse mesmo Estado Social.
http://publico.pt/Política/alegre-dizse-descansado-com-cavaco-em-belem-mas-o-estado-social-pode-acabar_1471423

domingo, 5 de dezembro de 2010

Jerónimo de Sousa afirma que Cavaco usa presidência para fazer campanha



O líder do Partido Comunista Português (PCP) afirmou hoje que Cavaco Silva está a usar o seu lugar de Presidente da República para fazer campanha para as eleições presidenciais, uma situação de classificou de “inaceitável” no plano ético.
“A crítica de fundo a Cavaco Silva resulta dos graves compromissos que este assume com as políticas de direita e com a sua satisfação pela aprovação do Orçamento do Estado para 2011, com todas as medidas graves que recaem sobre os trabalhadores e os reformados”, disse, em declarações à Agência Lusa.
PÚBLICO
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Cavaco Silva preocupou-se em fazer do seu primeiro mandato, como Presidente da República, uma plataforma segura da sua campanha eleitoral para um segundo mandato. Todas as suas intervenções convergem no desenho camuflado de uma figura apolítica, disposta a servir os superiores interesses da Nação e que, neste momento conturbado, devido à sua experiência governativa anterior, até poderia ser muito útil na procura de soluções ajustadas.
Nunca nenhum dos seus antecessores, por pudor ou por escrúpulos, abusou tanto dos poderes presidenciais para benefício do seu próprio interesse político. É certo que Ramalho Eanes e Mário Soares, embora com mais moderação, também não resistiram a essa tentação, o que não aconteceu com Jorge Sampaio, o presidente que melhor soube exercer e compreender as funções presidenciais.
O mesmo vício também tem corrompido os primeiros mandatos dos primeiro-ministros. Sócrates passou o ano de 2009 em campanha eleitoral, o que o levou a não tomar medidas em tempo útil para combater a crise.
Cavaco Silva e Sócrates são os que mais prevaricaram a este nível. E como normalmente estas manobras eleitoralistas dão os seus frutos para os interessados - uma vez que são concebidas milimétricamente por um grupo de assessores de imagem de gama elevada - e, por outro lado, como elas podem vir a constituírem-se em maus exemplos para o futuro, eu sou de opinião que, na próxima revisão constitucional, esta entorse, que prejudica a boa governação, seja corrigida, determinando-se a impossibilidade do Presidente da República e do primeiro-ministro exercerem dois mandatos consecutivos, aumentado-se, no entanto, a sua duração.
Matava-se a peçonha e acabavam-se com os abusos.

sábado, 30 de outubro de 2010

Notas do meu rodapé: A manhosice do patriarca...


Isabel Soares e Maria Barroso, respectivamente filha
e mulher de Mário Soares, estão a ter um papel activo
na campanha presidencial de Fernando Nobre. As duas
militantes socialistas têm sido presença habitual na sede
de Nobre em Lisboa e têm colaborado tanto em acções
de campanha como nos bastidores.
PÚBLICO
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Esta notícia do PÚBLICO já não surpreende ninguém, de tão evidente se apresentava a cumplicidade militante de Mário Soares no avanço da candidatura de Fernando Nobre às presidenciais de 2011. Eu próprio - que me situo numa galáxia modesta, nada comparada à grandeza das galáxias de alguns blogueiros e facebookeiros encartados, que enxameiam o espaço internáutico com os seus gargarejos e grunhidos - apercebera-me atempadamente da manhosice da velha raposa, que nunca perdoa aos seus inimigos de estimação.
E para poupar os meus fiéis e dedicados leitores a uma das minhas crónicas diarreias neuronais (o termo aqui é da minha autoria), remeto para a leitura atenta do que escrevi na minha Nota de rodapé de 30 de Maio de 2010. Para que conste:
"Em 17 Fevereiro, o Diário Notícias anunciava a candidatura de Fernando Nobre à Presidência da República. Dois dias depois, o próprio Fernando Nobre anunciava-a ao país, em cerimónia pública. Nesse próprio dia, e sem possuir qualquer informação privilegiada, publiquei aqui a minha opinião sobre o significado desta candidatura, que apanhou de surpresa toda a gente. Sinalizei a oculta presença de Mário Soares, como principal inspirador da ideia, e que teria contado com o apoio tácito de Sócrates. Não me enganei no meu prognóstico. E não me enganei, porque sabia que, quer Mário Soares, quer José Sócrates, nunca perdoam aos seus inimigos. E Manuel Alegre é o inimigo de estimação de ambos".
Alpendre da Lua, 30 de Maio de 2010

domingo, 30 de maio de 2010

Notas do meu rodapé: Manuel Alegre recebeu um apoio mitigado do Partido Socialista


Não foi um apoio entusiástico nem inequívoco. Nem sequer foi unânime, com os soaristas a contabilizarem dez votos, que a nível da comissão nacional valeram pouco, mas que vão multiplicar-se por muitos na intriga palaciana subsequente. José Sócrates, percebeu-se, não arriscou uma nova guerra política dentro do seu próprio partido, onde já muitos militantes de base se interrogam sobre o significado político das gravosas medidas para superar a crise, impostas aos trabalhadores. Manuel Alegre é para eles um refúgio compensatório da deriva neo-liberal dos actuais dirigentes. Só que Manuel Alegre está encurralado nesta contradição. Se critica o governo, vai dar razão aos seus adversários. Se assobia para o lado, como se a questão não fosse com ele, afugenta o eleitorado de esquerda do partido e os do Bloco de Esquerda. É este o raciocínio que Francisco Louçã está a fazer. O próprio candidato da direita vão obrigá-lo a definir-se sobre este espinhoso problema, nada oportuno para quem pretende vencer uma eleição presidencial, numa segunda tentativa.
Quando a campanha eleitoral tiver início, as consequências das medidas tomadas pelo governo atingirão o seu ponto máximo, com as falências das empresas e o desemprego a subirem, com a fome a alastrar e os incumprimentos bancários com os créditos da habitação a sucederem-se num ritmo mais intenso. No ambiente de descontentamento e de revolta que se vai gerar, será difícil a tarefa de Manuel Alegre. E Mário Soares não se esquecerá de deitar achas na fogueira.

Notas do meu rodapé: Como se liquida uma candidatura...



A vingança serve-se fria
Aniquilar politicamente Manuel Alegre é um objectivo
comum de Sócrates e de Mário Soares, que não lhe
perdoam a rebeldia e o desalinhamento. Alegre é o
inimigo de estimação de ambos, e ambos já
demonstraram como são terrivelmente cruéis para
com aqueles que se atravessem no seu caminho. A
velha raposa prestou-se a libertar Sócrates do ónus
de rejeitar o candidato natural do PS à Presidência da
República. E foi esse tácito entendimento, que levou
Soares a defender Sócrates no caso das escutas.
Noutras circunstâncias, Soares tê-lo-ia retalhado.
E é nestas cumplicidades contra-natura, a alimentar
projectos pessoais, que se alicerça a política portuguesa,
com claros prejuízos para o interesse nacional.
Alpendre da Lua 19 de Fevereiro de 2010
///
Manuel Alegre quer ser o Américo Tomaz de Sócrates
Depois de se afirmar nas últimas eleições presidenciais
como o candidato da rebeldia e do confronto, Manuel
Alegre, nesta sua segunda candidatura, e na humilhante
condição de mendigo, começa a suplicar insistentemente
pelo apoio de José Sócrates. Ao estilo da grandiloquência
dos discursos do passado e ao apelo constante dos valores
da República, sucede agora a colagem ao recurso das
cabalísticas teses conspirativas, na nova expressão de um
outro inimigo, desta vez externo - as agências de rating.
Sócrates vai esticar a corda até o ver de joelhos, submisso
e discreto, para que toda a gente perceba quem é que
realmente manda .
É penoso ver um grande poeta nesta posição inconfortável.
Alpendre da Lua 1 de Maio de 2010
***
Em 17 Fevereiro, o Diário Notícias anunciava a candidatura de Fernando Nobre à Presidência da República. Dois dias depois, o próprio Fernando Nobre anunciava-a ao país, em cerimónia pública. Nesse próprio dia, e sem possuir qualquer informação privilegiada, publiquei aqui a minha opinião sobre o significado desta candidatura, que apanhou de surpresa toda a gente. Sinalizei a oculta presença de Mário Soares, como principal inspirador da ideia, e que teria contado com o apoio tácito de Sócrates. Não me enganei no meu prognóstico. E não me enganei, porque sabia que, quer Mário Soares, quer José Sócrates, nunca perdoam aos seus inimigos. E Manuel Alegre é o inimigo de estimação de ambos.
Um verdadeiro trabalho de sapa, desenvolvido silenciosamente pela ala soarista, minou irreversivelmente a candidatura de Manuel Alegre, que não se apercebeu a tempo de que aqueles seus dois camaradas são homens de uma ambição desmedida e possuem um espírito terrivelmente vingativo.
José Sócrates, a quem convinha aquele acordo tácito, comprou acessoriamente o silêncio de Soares em relação à governação socialista, governação que, certamente, tal como já acontecera em contextos anteriores, de menor gravidade, lhe teria merecido severas e venenosas críticas, atiradas para o ar com aparente distanciamento, mas que revelam ser alavancas poderosas para os seus aliados no activo, dentro do partido. Soares nunca gostou de Sócrates, e só esta particular circunstância de querer liquidar politicamente Alegre lhe adoçou a postura.
E se Mário Soares armou o laço, foi José Sócrates que apertou o nó da forca. Quando abdicou do secretismo e da necessária confidencialidade, em que ele é mestre em cultivar, ao começar a auscultar as vozes do partido em relação à candidatura a apoiar, permitindo intencionalmente uma ampla cobertura mediática, Sócrates já estava a encaminhar Manuel Alegre para o patíbulo. Com este golpe, o poeta ficou com a sua posição mais fragilizada dentro do seu próprio partido. Uma fragilização a que se soma uma outra, mais silenciosa, e que radica na perda de apoios à esquerda, entre aquela numeroso grupo de cidadãos, que lhe deram os 19 por cento de votos nas anteriores eleições presidenciais, e qua agora se sentem desiludidos perante a subserviência manifestada por Alegre em relação a Sócrates . Mesmo que venha a obter, no conclave de hoje, um apoio mitigado do seu partido, Manuel Alegre já tem a sua eleição gravemente comprometida. A não ser que o seu adversário de direita, Cavaco Silva, venha a ter problemas de percurso, o que parece pouco provável, já que a recente erupção de descontentamento dos representantes dos católicos conservadores, a propósito da promulgação do casamento homossexual, não passou de um fait divers exploratório, sem consequências.

sábado, 1 de maio de 2010

Manuel Alegre quer ser o Américo Tomaz de Sócrates!...


Alegre contra interferência de Cavaco nas opções do Governo
O candidato presidencial Manuel Alegre considerou
hoje incorrecto que perante o ataque especulativo
contra Portugal Cavaco Silva faça afirmações que
possam ser interpretadas como interferência nas
opções do Executivo e como uma oposição ao
investimento público.
PÚBLICO
***
Depois de se afirmar nas últimas eleições presidenciais como o candidato da rebeldia e do confronto, Manuel Alegre, nesta sua segunda candidatura, e na humilhante condição de mendigo, começa a suplicar insistentemente pelo apoio de José Sócrates. Ao estilo da grandiloquência dos discursos do passado e ao apelo constante dos valores da República, sucede agora a colagem ao recurso das cabalísticas teses conspirativas, na nova expressão de um outro inimigo, desta vez externo - as agências de rating.
Sócrates vai esticar a corda até o ver de joelhos, submisso e discreto, para que toda a gente perceba quem é que realmente manda .
É penoso ver um grande poeta nesta posição inconfortável.

sexta-feira, 12 de março de 2010

O melhor, seria ir à bruxa!...



Fernando Nobre defende exames médicos periódicos para titulares de órgãos de soberania
.
O candidato presidencial Fernando
Nobre defendeu quinta-feira à noite,
na Figueira da Foz, que os titulares
de órgãos de soberania sejam sujeitos
a exames médicos para avaliar as
condições que possuem para exercer
o cargo.
PÚBLICO
***
Quando li este título, ainda pensei estar a ler o Inimigo Público. Mas não. A frase foi proferida pelo Dr. Fernando Nobre, candidato às próximas eleições para a Presidência da República.
Se me é permitido opinar, preferiria que fossem os candidatos a titulares aos órgãos de soberania a terem de se submeter aos tais exames médicos.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A vingança serve-se fria!...



Nobre avança, soaristas assobiam
.
Soaristas desmentem ter empurrado o líder da
AMI para enfrentar Alegre. Candidatura avança
amanhã. Os rumores de que era o trunfo dos soaristas
para enfrentar Manuel Alegre tinham semanas. Mas
o presidente da AMI, Fernando Nobre, não esperou
pelo apoio dos que, no PS, pediam uma candidatura
paralela e ontem avançou sozinho com a candidatura
para a Presidência da República.
Diário de Notícias
***
Aniquilar politicamente Manuel Alegre é um objectivo comum de Sócrates e de Mário Soares, que não lhe perdoam a rebeldia e o desalinhamento. Alegre é o inimigo de estimação de ambos, e ambos já demonstraram como são terrivelmente cruéis para com aqueles que se atravessem no seu caminho. A velha raposa prestou-se a libertar Sócrates do ónus de rejeitar o candidato natural do PS à Presidência da República. E foi esse tácito entendimento, que levou Soares a defender Sócrates no caso das escutas. Noutras circunstâncias, Soares tê-lo-ia retalhado.
E é nestas cumplicidades contra-natura, a alimentar projectos pessoais, que se alicerça a política portuguesa, com claros prejuízos para o interesse nacional.
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1497566

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fernando Nobre candidato a Presidente da República

.
O presidente da Assistência Médica Internacional
(AMI), Fernando Nobre, vai candidatar-se à
Presidência da República, confirmou à Lusa fonte
ligada à candidatura. O anúncio será feito sexta-feira,
no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, às 20:00.
Fernando Nobre encontra-se actualmente no Senegal.
Diário de Notícias
***
Sem me comprometer, por desconhecer o posicionamento político e ideológico de Fernando Nobre, atrevo-me, contudo, a afirmar que esta candidatura poderá vir a revelar-se uma verdadeira pedrada no charco. Manuel Alegre que se cuide, pois José Sócrates já encontrou, se é que não a estimulou, uma solução engenhosa para "ele ir tomar conta dos netos", destino a que estaria condenado Cavaco Silva, se, entretanto, as escutas não tivessem revelado o maquievélico plano para o liquidar politicamente.