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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Notas do meu rodapé: A armadilha da dívida

Imagem enviada por João Fráguas
Pode dizer-se que a dívida pública é tão velha como a moeda, que surgiu revolucionariamente no sec. VI a.c numa ilha jónica e se expandiu rapidamente pelo mundo de então, facilitando e dinamizando as trocas comerciais . Nem os monarcas dos grandes impérios prescindiram de contrair empréstimos para sustentar, na maior parte das vezes, os gastos perdulários a que se entregavam. O imperador Carlos V, da casa dos Hasburgos, soberano de Espanha, dos Países-Baixos e do Novo Mundo, foi largamente financiado pelo alemão Jacob Fugger, o maior banqueiro do séc. XVI.
Para lançar as infra-estruturas de desenvolvimento, os estados necessitaram sempre de contrair dívida, quer internamente, quer no exterior, já que as receitas provenientes dos impostos eram insuficientes. Em Portugal, na segunda metade do sec. XIX, assistiu-se a um dos períodos de maior endividamento, até então contraído, que foi utilizado essencialmente na construção dos caminhos de ferro, obra considerada essencial para desenhar um mercado uniforme, alargado a todo o território nacional, e que sustentasse a base da industrialização do país, que ainda se encontrava praticamente no estado em que a deixou o grande visionário e estadista, o Marquês do Pombal, um dos maiores governantes que Portugal teve na sua longa História. E foi esse endividamento colossal, que os governos da monarquia não conseguiram enquadrar, que precipitou a bancarrota e a suspensão do pagamento da dívida externa, em 1892, no que foi a maior crise financeira do país, nos tempos modernos, mas da qual se saiu, adoptando novas políticas orçamentais, que vieram novamente reanimar a economia. O estado de incumprimento não foi nenhum drama, assim como não seria um drama, tal como o professor de economia, Luciano Amaral, demonstrou recentemente, se na actual crise, que ainda vai ser mais grave do que aquela ocorrida em finais do sec. XIX, Portugal abandonasse a moeda única e exigisse a renegociação da dívida.
A natureza das dívidas soberanas actuais tem uma matriz  diferente da do período da industrialização. Por um lado, deixou de haver uma prudente contenção por parte dos estados, que começaram a recorrer ao endividamento para pagar despesas que deveriam ser suportadas, apenas pelos respectivos orçamentos. Por outro lado, a profunda financeirização das economias do mundo desenvolvido, possibilitada pela globalização e pela aplicação das doutrinas neoliberais, colocou a dívida no patamar das primeiras opções, para os estados, para as empresas e para as famílias, o que só foi possível com a reorganização do capitalismo financeiro internacional, que estruturou em rede os bancos de investimento e os bancos comerciais e promoveu a ascenção de uma classe política amestrada. Os bancos, aproveitando um longo período de taxas de juro baixas, estimularam e forçaram aquele endividamento e derivaram a sua actividade para as operações especulativas. Os resultados estão à vista. O colapso do sistema finaceiro só foi evitado com a recapitalização promovida pelos estados, com o dinheiro de contribuintes. Os accionistas dos bancos, que, anteriormente, já tinham acumulado fortunas, esfregaram as mãos de contentamento, pois alguém iria assumir o ónus, em vez deles.
A criação da moeda única também se inseriu nessa estratégia, cujo resultado final acaba invariavelmente por promover a transferência de riqueza dos países mais pobres para os países mais ricos, e, dentro de cada país, a tranferência de rendimentos oriundos do trabalho para os rendimentos do capital. As próprias ajudas comunitárias, concedidas com aparente altruísmo aos países aderentes, também vieram inculcar o "vício" da dívida, além de alcançarem o objectivo de construir novos mercados para o escoamento da produção dos países europeus mais industrializados. Como essas ajudas não cobriam a totalidade dos custos de cada projecto, os estados recorriam à dívida para o poderem executar. Não é pois, por acaso, que setenta por cento das exportações da Alemanha tem por destino o espaço europeu. Também não é por acaso que são os bancos alemães os grandes financiadores dos bancos e dos estados periféricos. Agora também já se percebe que é a Alemanha a grande beneficiária da crise orçamental dos países mais devedores. Com as taxas de juro a entrarem em estado paranóico, em pouco tempo, os valores cobrados pelos juros irão igualar o capital em dívida. Perante este quadro, atrevo-me a dizer que estamos perante um fascismo europeu de novo tipo, o fascismo financeiro alemão, que pretende subjugar a Europa com a ditadura do euro. Competirá aos povos e aos movimentos revolucionários libertarem-se da canga e da armadilha da dívida, não a pagando, ou, em alternativa, exigir a sua renegociação e o estabelecimento de um alargamento do prazo para a consolidação orçamental.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Uma nova Era já começou...


Está a acontecer na nossa rua e à nossa volta, e ainda não percebemos que a Revolução, uma nova Era já começou!
As pessoas andam um bocado distraídas! Não deram conta que há cerca de 3 meses começou a Revolução! Não! Não me refiro a nenhuma figura de estilo, nem escrevo em sentido figurado! Falo mesmo da Revolução "a sério" e em curso, que estamos a viver, mas da qual andamos distraídos (desprevenidos) e não demos conta do que vai implicar. Mas falo, seguramente, duma Revolução!
De facto, há cerca de 3 ou 4 meses começaram a dar-se alterações profundas, e de nível global, em 10 dos principais factores que sustentam a sociedade actual. Num processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses... E que irá mudar as nossas sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos... tal como ocorreu noutros períodos da história recente: no status político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 68 (além e aquém Atlântico), ou na crise do petróleo de 73.
Estamos a viver uma transformação radical, tanto ou mais profunda do que qualquer uma destas! Está a acontecer na nossa rua e à nossa volta, e ainda não percebemos que a Revolução já começou!
Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer aos "10 factores":

1º- A Crise Financeira Mundial : desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso (leia-se "bancarrota") e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais - a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico - têm injectado (eufemismo que quer dizer: "emprestado virtualmente à taxa zero") montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá acabar esta história !...

2º- A Crise do Petróleo : Desde há 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima ideia/teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China e da Índia que o compram e amealham!) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia, de transportes, de serviços. Por exemplo, quem utiliza frequentemente o avião, assistiu há 2 semanas a uma subida no preço dos bilhetes de... 50% (leu bem: cinquenta por cento). É escusado referir as enormes implicações sociais deste factor: basta lembrar que por exemplo toda a indústria de férias e turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em Portugal ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente desaparecer em 12 meses! Acabaram as viagens de avião baratas (...e as férias  massivas!), a inflação controlada, etc...

3º- A Contracção da Mobilidade : fortemente afectados pelos preços do petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer contracção profunda e as trocas físicas comerciais (que sempre implicam transporte) irão sofrer fortíssima retracção, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e na interpenetração económica mundial.

4º- A Imigração : a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e formação, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rendíveis, mas mudam radicalmente a composição social de países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália). Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos! A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder e melhor estatuto sócio-económico (até agora, vivemos nós em ascensão e com direitos à custa das matérias-primas e da pobreza deles)!

5º- A Destruição da Classe Média : quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar apenas a acontecer em Portugal e à custa deste governo) está de facto a "varrer" o Velho Continente! Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e (descontados alguns matizes e diferente gradação) as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, a perder força social e capacidade de intervenção.

6º- A Europa Morreu : embora ainda estejam projectar o cerimonial do enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não tem projecto, já não tem razão de ser, que já não tem liderança e que já não consegue definir quaisquer objectivos num "caldo" de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns!... Já nenhum Cidadão Europeu acredita na "Europa", nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro! O "Requiem" pela Europa e dos "seus valores" foi chão que deu uvas: deu-se há dias na Irlanda!

7º- A China ao assalto! Contou-me um profissional do sector: a construção naval ao nível mundial comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios... da China. O gigante asiático vai agora "atacar" o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke...). Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel mundial os novos carros chineses. Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes (eu já os vi!) e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! E quando falamos de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia...helás! Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico,  financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças! (Os chineses estão estrategicamente em todos os cantos do mundo a escoar todo o tipo de produtos da China, que está a qualificá-los cada vez mais).

8º- A Crise do Edifício Social : As sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade baseada na célula familiar! As pessoas já não se casam, as famílias tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não querem laços de projecto comum, os jovens não querem compromissos, dificultando a criação de um espírito de estratégias e actuação comum e as ditas "paneleirices" em voga que pretendem a Adopção Plena...

9º- O Ressurgir da Rússia/Índia : para os menos atentos: a Rússia e a Índia estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante! Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos ultrapassarão a Alemanha!

10º- A Revolução Tecnológica : nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos!

Eis pois, a Revolução!

Tal como numa conta de multiplicar, estes dez factores estão ligados por um sinal de "vezes" e, no fim, têm um sinal de "igual". Mas o resultado é ainda desconhecido e... imprevisível. Uma coisa é certa: as nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 20 anos, forçando-nos a ter carreiras profissionais instáveis, com muito menos promoções e apoios financeiros, a ter estilos de vida mais modestos, recreativos e ecológicos.
Espera-nos o Novo! Como em todas as Revoluções!
Um conselho final: é importante estar aberto e dentro do Novo, visionando e desfrutando das suas potencialidades! Da Revolução! Ir em frente! Sem medo.
Afinal, depois de cada Revolução, o Mundo sempre mudou para melhor!...

***
Nota do editor:  Este texto, de autor desconhecido, foi recebido por email, e a sua data, não assinalada, deve reportar ao início do ano passado. No entanto, este óbice, se assim pode ser considerado, não lhe retira actualidade, bastando para tal ignorar as referências temporais nele contidas.
As alterações, em sequência vertiginosa, que estão a ocorrer, parecem apontar para o início de um outro ciclo longo da História, marcado por uma nova mudança geo-estratégica. Nascendo no longínquo Oriente, com as civilizações milenares da China e da India, o domínio civilizacional regressará a esse mesmo Oriente, durante o século XXI, depois de, durante alguns milénios, ter percorrido uma linha sequencial, que assentou arraiais na Mesoptâmia, no Egipto do faraós, na Finícia, nas colónias jónicas da Ásia Menor, na civilização grega, principalmente na ateniense, no Império Romano, que durou seis séculos, na civilização árabe, para depois iluminar o Ocidente, primeiro a Europa e depois os Estados Unidos, no que se designa por civilização ocidental. O declínio do Ocidente é evidente. Só não o enxerga quem não tem uma visão abrangente e dialéctica da História da Humanidade. Tal como a vida dos seres vivos, cada civilização nasceu com as suas inovações militares e técnicas, estabeleceu os seus valores e a sua cultura, e desenvolveu-se vigorosamente, exercendo um domínio absoluto sobre toda a sua área de influência, até atingir o zénite da sua maturidade, a partir do qual, iniciou a fase descendente até à sua inevitável agonia. E já muitos historiadores balizaram o início do declínio da civilização ocidental na actual crise económica e financeira, que também é uma crise política e social, e que ainda não tem fim à vista, imputando-lhe como causa o seu inevitável esgotamento, como se houvesse um mapa genético a comandar o seu destino histórico. Seleccionemos apenas uma das consequências, apontadas pelo autor do texto, a destruição da classe média. Nestes últimos três anos foi visível a depauperação das classes médias dos EUA e da Europa.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A complexa engrenagem do capitalismo mundial...


Devido à Internet, nos tempos actuais, cada vez existem mais pessoas a tomarem consciência da complexa engrenagem do grande capital financeiro, que actua em rede, a nível planetário, e que condiciona e controla a acção dos governos e gere a economia. 
Uma das estratégias fundamentais para garantir a sobrevivência do sistema consiste em fomentar a alienação do trabalhadores e das classes médias, manietando-lhes a capacidade crítica. É o que este filme denuncia. 

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Notas do meu rodapé: A crise alimentar que vem aí...

Banco Mundial diz que subida de preço de alimentos atinge nível de alerta
A subida do preço dos alimentos está a atingir um nível de alerta e poderá aumentar a instabilidade política, advertiu hoje o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, à margem de uma reunião dos ministros das Finanças do G20.
Segundo o Banco Mundial, a subida do preço dos alimentos fez cair 44 milhões de pessoas em todo o mundo no limiar da pobreza extrema entre Junho e Dezembro.
PÚBLICO
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O alerta não é de agora. Em 2008, o Banco Mundial elaborara um alarmante relatório em que responsabilizava os biocombustíveis pela grande subida dos preços dos alimentos a nível mundial. Os biocombustíveis teriam sido responsáveis por 75 por cento do aumento do preço dos alimentos, verificado desde 2002, enquanto os preços dos fertilizantes e da energia teriam tido apenas influenciado em 15 por cento aquele aumento. Nesse relatório, que esteve congelado durante algum tempo, para não ferir as susceptibilidades do governo americano de George W. Bush, que atribuía o aumento do preço dos alimentos ao aumento da procura por parte da China e da Índia, o Banco Mundial apontava o dedo aos governos dos EUA e da União Europeia, que estariam a promover nos seus países a reconversão da produção cerealífera para os biocombustíveis, responsabilizando-os pelo aumento da pobreza a nível mundial (mais de 100 milhões de pessoas caíram no limiar de pobreza). Dizia-se nesse relatório, elaborado por Don Mitchell, economista sénior do Banco Mundial, que "mais de um terço do milho norte-americano é agora usado na produção de etanol" e que "a União Europeia Europeia tem como meta dez por cento de biocombustíveis nos transportes, até 2020". Por outro lado, e pela primeira vez, é abordada (denunciada) a especulação financeira no sector dos cereais.
Essa crise alimentar teve o seu pico máximo em Março de 2008, o que levou muitos países, grandes produtores de cereais, a limitarem a sua exportação a fim de, por prudência, aumentarem as suas reservas e assegurarem, no caso de uma situação extrema, a alimentação das suas respectivas populações. Foi também por essa altura que a China começou a estabelecer acordos com governos africanos, no sentido de comprar e alugar terrenos para produção agrícola, que satisfizesse a sua crescente procura.
Agora em 2011, o tema ganha nova actualidade (aqui, no Alpendre da Lua, já foi referida várias vezes a iminência de uma nova crise alimentar), e é novamente o Banco Mundial que vem lançar o alerta, pela voz do seu presidente, Robert Zoellick, que confrontou oa países do G20 com esta realidade. Seja qual for a causa que está a inflacionar o preço dos alimentos (os biocombustíveis, o aumento da procura, a subida do preço do petróleo, as alterações climáticas ou a especulação financeira), a resolução do problema encontra-se na mão dos dirigentes desses países, que, no seu conjunto, detêm 85 por cento da riqueza do planeta. Eles são os grandes responsáveis pelos 44 milhões de pessoas que, segundo o Banco Mundial, caíram no limiar de pobreza extrema, entre Junho e Dezembro de 2010. Hitler não chegou a este extremo de crueldade.
Actualmente o mundo defronta-se com a existência de 1,2 mil milhões de seres humanos que sobrevivem apenas com 1,25 dólares por dia e por pessoa. Hitler, se tivesse tido essa possibilidade, era muito bem capaz de os matar a todos nas câmaras de gás. Os dirigentes do G20 condenam-os a uma morte lenta.
E Portugal? O que é que este governo do PS, que alguns já alcunham de (P)artido dos (S)ucateiros, tem feito pela agricultura portuguesa? O PS, e, neste domínio, mais do que o PSD, constituiu-se no coveiro da agricultura portuguesa. Esse atentado contra a economia portuguesa iniciou-se com o seu patrono e fundador, Mário Soares, que abdicou em toda a linha, quando se negociou a adesão à então CEE, na reivindicação para a agricultura portuguesa das mesmas condições dadas a Espanha, e que já eram património dos outros países do clube. José Sócrates, nos seus seis anos como primeiro ministro, não tomou nenhuma medida estrutural que tirasse a agricultura e a floresta do marasmo em que se encontram, nem promoveu políticas activas que invertessem a progressiva desertificação humana e física do interior do país, onde os terrenos com aptidão agrícola se encontram abandonados. O resultado, caso a crise de alimentos, que virá agravar a crise económica e financeira em que o país se encontra, esteja próxima, Portugal vai ter dificuldades em comprar no exterior os bens alimentares de que a população necessita, e aqueles que se comprarem, será por um elevado preço. Passar-se-á com os alimentos o que actualmente se está a passar com a venda de dívida. O futuro prepara-se no presente. A esta falta de visão política junta-se a incúria, o desleixo, a incompetência e, acima de tudo, a falta de honestidade de quem tem governado este país.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Mark Blyth: A austeridade é uma ideia perigosa

Amabilidade do João Fráguas, que enviou este vídeo.
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Imediatamente antes de receber este esclarecedor vídeo, o meu amigo João Fráguas enviara-me de Itália uma mensagem, onde, a certa altura, recorre a uma citação de Karl Marx, em Das Kapital, 1867: "Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que a dívida se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado", para depois acrescentar que "qualquer semelhança com a actualidade não é mera coincidência", concluindo, por fim, que esta afirmação do grande economista e filósofo, Karl Marx, que não está nada desactualizado em relação ao nosso tempo, constitui uma "previsão com quase 150 anos".
Respondi-lhe que, nesta crise, dominada pela cartilha neoliberal, a manobra foi mais sofisticada. Em vez de proceder à nacionalização da banca, medida política que punha em causa as bases do sistema capitalista, os países ocidentais optaram por injectar, sem obrigatoriedade de retorno, somas avultadas de dinheiro (dos contribuintes) no sistema financeiro e, em alguns casos, criaram os bed banks para onde os bancos privados despejaram o lixo tóxico (os activos considerados irrecuperáveis). Para que não houvesse sobressaltos na opinião pública, os governos apresentaram estas medidas como necessárias para o relançamento da economia.
Mas, ao socorrer os bancos, os Estados iriam à falência se, entretanto, não procedessem à sua recapitalização. Pondo de lado o aumento de impostos, devido à sua impopularidade, os governos recorrerm ao estratagema de proceder a cortes gigantescos nas políticas sociais estatais, que, naturalmente, atingiram os sectores mais fragilizados da sociedade (desempregados, idosos com pensões mínimas, jovens à procura do primeiro emprego), e, no sector da saúde, agravaram os custos ao seu acesso e à sua utilização.

sábado, 23 de outubro de 2010

A natureza parasitária do actual sistema monetário - Armanda Morales



Mesmo as pessoas mais educadas, por vezes enganadas pelos media dominantes e os chamados "peritos", deixam de identificar a causa básica da actual retracção económica e tendem a confundir o sintoma (inflação, desemprego, etc) com a causa. Outros factores incorrectos do seu desencadeamento muitas vezes são atribuídos à inerente cobiça humana, à super-população, aos baby boomers [NT 1] , ao abandono do padrão ouro, à reserva bancária fraccionária [NT 2] , às divisas fiduciárias, ao super-consumo e até mesmo à tecnologia.
O sistema monetário tornou-se a jaula global da escravização alimentada pela dívida que hoje conhecemos através de uma série de eventos: invenção da usura (conceder empréstimo em dinheiro a juros compostos), estabelecimento da reserva fraccionária na concessão de crédito, privatização da oferta monetária, criação de bancos centrais, abolição do padrão ouro e imposição legal de divisas fiduciárias.
Actualmente cerca de 96% do dinheiro nos países ocidentais vêm à existência como dívida (dinheiro-crédito) criada por bancos comerciais na forma de promessas de pagamento (IOUs) [NT 3] . Os montantes depositados no banco e emprestados são simples registos na contabilidade, não apoiados por quaisquer activos reais (como o ouro, por exemplo). O que dá valor a estes montes de papéis normalmente sem valor é o trabalho humano. Só quando paramos para pensar acerca disto podemos começar a apreender a natureza profundamente fraudulenta da concessão de empréstimos bancários: o tomador do empréstimo compromete como colateral pelo empréstimo algo que ele ainda não possui (isto é, o carro que ele compra a crédito) em troca do dinheiro que o prestamista realmente não tem nas suas reservas.
Vamos resumidamente examinar como são criadas bolhas especulativas e o efeito que elas têm sobre a economia real. As baixas taxas de juros estabelecidas pelos Bancos Centrais desencadeiam uma farra de crédito que atrai pessoas à dívida. Os bancos criam dinheiro ex-nihilo (a partir do nada) e emprestam-no a juro, inchando bolhas alimentadas pelo crédito (dot-com, habitação, imobiliário comercial, etc) que torna banqueiros e outros especuladores ultrajantemente ricos. Por definição, temos uma bolha quando o preço de um activo eleva-se para além do que o rendimento médio por permitir. Vamos tomar a actual bolha habitacional como um exemplo. Quando a bolha finalmente explode, o valor do activo afunda com desastrosas repercussões nos balanços dos bancos e igualmente dos proprietários das casas: bancos retomam casas cujo valor está em queda rápida e proprietários descobrem-se em situação líquida negativa (o valor de mercado da sua casa é mais baixo do que o que eles estão a pagar ao banco a cada mês). Uma vez que foi permitido aos bancos tornarem-se "demasiado grandes para falirem", através de fusões e aquisições, as elites financeiras instruem seus políticos fantoches a salvarem-nos, a expensas dos contribuintes. Utilizando doses maciças de propaganda nos media e de instilação do medo, as elites lavam o cérebro das massas levando-as a acreditar que a prosperidade dos bancos é vital para a estabilidade social e a prosperidade económica. Por outras palavras, seguir-se-á o caos generalizado se permitirmos os grandes bancos irem à falência. Inicialmente, a maior parte dos cidadãos parece acreditar na mentira e aceitam pagar os custos através de aumentos de impostos e um conjunto de cortes e privatizações de serviços públicos (educação, previdência, infraestrutura, cuidados de saúde, etc).
Depois de garantirem o salvamento, os banqueiros premiavam-se a si próprios com bónus maciços e tentavam reverter aos negócios de sempre. Mas há um problema: o mundo esgotou-se de pessoas com crédito respeitável (o idiota seguinte no esquema de Ponzi). A maior parte dos indivíduos e negócios estão a naufragar em dívidas e a perspectiva é demasiado negra para prever qualquer lucro. Portanto os bancos não concedem empréstimos (credit crunch) e os devedores, quando podem, pagam à vista seu saldo em dívida, drenando dinheiro da economia real. Inicia-se assim uma perigosa espiral de deflação do dinheiro, provocando bancarrotas, desemprego, arrestos, definhamento de receitas fiscais e inquietação social. Enquanto isso o défice do governo dispara, inchando uma dívida pública já enorme e levando à espécie de crise de dívida soberana verificada em países como a Grécia, Islândia e Irlanda, para mencionar uns poucos.
Como chegámos a isto? Vamos dar um passo atrás e ponderar. Um sistema monetário baseado na usura exige crescimento sem fim, pois o juro composto cresce exponencialmente ao longo do tempo. Sob esta nova luz é mais fácil ver porque o establishment está tão obcecado com o aumento do PIB, um crescimento exponencial que simplesmente não é viável num planeta finito. Não há escapatória: se a economia não cresceu, não pode ser emitido novo dinheiro-dívida para estender no futuro os passivos de dívidas existentes. Uma vez que virtualmente toda a oferta monetária é criada pelos próprios bancos como dívida, novo dinheiro deve continuamente ser concedido como empréstimo só para pagar os juros devidos aos banqueiros. Analogamente, um crescimento zero ou negativo assinala o funeral do sistema monetário que estamos a testemunhar exactamente agora.
Considerações éticas acerca do parasitismo inerente à usura certamente seriam apropriadas nesta altura: possuidores de dinheiro emprestam-no àqueles a quem ele falta, os quais por sua vez tornam-se seus escravos. Mas a usura também apresenta um problema matemático prático: os bancos criam só o principal mas não o juro necessário para reembolsar os seus empréstimos. Isto resulta numa escassez de dinheiro crónica que afecta todos os actores do sistema, pois o dinheiro para pagar de volta o juro sobre todos os empréstimos não existe. Em consequência, todos nós devemos competir num jogo de soma zero para ganhar alguma coisa que simplesmente não existe. O dinheiro é ganho por alguns em detrimento de outros que ficam sem, o que se parece cada vez mais como uma competição implacável que amplifica grandemente o conflito social e os desequilíbrios de riqueza.
A constante expansão da oferta monetária necessária para aliviar uma escassez crónica de dinheiro é a causa principal da inflação, um confisco furtivo de riqueza dos possuidores de dinheiro. O sistema monetário poderia ser comparado a um jogo de cadeiras musical: enquanto a música toca (tanto a oferta monetária como a economia expandem-se) aparentemente não há perdedores [1] .
O montante do dinheiro-dívida no sistema deve crescer continuamente para minimizar o risco de uma deflação perigosa. Podemos agora entender como todas as conversas que ouvimos nos media dominantes acerca da necessidade de reduzir dívida são de facto apenas um disfarce enganoso. A dívida está destinada a ser mantida porque todo o sistema está baseado sobre ela. Qualquer redução de dívida (tanto pelo reembolso como pelo cancelamento) aumentaria a escassez de dinheiro, com consequências catastróficas numa economia disfuncional como a nossa.
Apesar de todos os esforços dos banqueiros centrais para manter o jogo em andamento, a oferta de dinheiro em muitas economias ocidentais actualmente está a contrair-se e milhões de pessoas são relegadas ao frio permanente.
Quando dívida é reembolsada, o falso principal é progressivamente destruído e o juro permanece como um lucro para o banco. Se considerarmos que sobre grandes empréstimos reembolsados ao longo de períodos de tempo muito longos (tais como hipotecas) o montante do juro cobrado pode facilmente exceder o principal, podemos começar a apreender a proporção colossal desta fraude bem como a sua natureza intrinsecamente parasitária.
Armados com este conhecimento, torna-se claro que o sistema monetário imposto sobre nós está em bancarrota estrutural. Um sistema de concessão de empréstimos baseado em juro só poderia funcionar se todo o dinheiro ganho através do juro fosse gasto em bens e serviços (de modo a que o tomador do empréstimo pudesse ganhá-lo outra vez), não entesourado ou emprestado outra vez. Entesourar dinheiro ou emprestá-lo a diferentes tomadores ao mesmo tempo (como os bancos fazem hoje) provoca a escassez do mesmo e finalmente leva a incumprimentos em massa.
Penso que a privatização do dinheiro é a principal causa subjacente da pobreza, escravatura económica, sub-financiamento do governo e de uma classe dirigente oligárquica que frustra toda tentativa de arrancá-la das rédeas do poder.
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18/Outubro/2010
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[1] Há realmente um perdedor: é o ambiente destruído pelo desenvolvimento insustentável exigido por uma economia conduzida pelo lucro.
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NT [1] Baby-boomers: pessoas nascidas num período de aumento da naturalidade (em especial os anos 1946-1965)
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[2] Reserva fraccionária: a prática bancária de emitir mais crédito do que o banco possui como reserva, aumentando assim a massa monetária em circulação. [3] IOUs (I owe you): acordo escrito para devolução de uma dívida.
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Texto recebido por email.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Os alçapões do discurso neo-liberal requentado...



Tragam os liberais, privatizem Portugal
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O liberalismo não morreu após a crise financeira. Pelo contrário, ela veio comprovar que mais Estado é mais impostos. O PSD devia estar a discutir esse Plano A para o País, não o Plano B para a sucessão interna.
É preciso resgatar os liberais das catacumbas. Quem se atreve? Os liberais foram excomungados pelos políticos. Atribuiu-se-lhes a culpa da crise financeira, o que não é rigoroso, e prometeu-se que a deriva dos mercados jamais voltaria a respirar. Mas nem todos os que defendem a economia livre e em concorrência, a iniciativa privada e o Estado regulador estavam errados. Aliás: errados estavam os que previram a morte dos mercados. Ei-los pujantes, lucrativos e decisores de futuros como o de Portugal.
A crise medrou na desregulamentação de um ultraliberalismo irresponsável numa geografia específica, a "Anglo-saxónia". Análises erradas concluíram que o ultraliberalismo era o corolário do liberalismo, quando chegou a ser a sua negação: um Estado liberal precisa de regras, de leis, de regulação, de proibições, de cadeias, de punições, de antíteses.
Uma coisa, a crise testou: a consistência ideológica de muitos. Derreteu-se como cera ao sol. Um dia voltarão a sê-lo. Quando for chique. Outros apenas hibernaram, deixando passar o Inverno: durante muito tempo, de nada valia questionar as ajudas às empresas mediáticas e empregadoras, que só adiaram falências e desempregos. Sem procura, não há oferta.
A alma de um Estado não é um estado de alma. A mesma crise que recolocou o Estado no centro da sociedade, pagando as contas do desvario, mostra como ele é caro de mais. Está na hora de os liberais saírem da toca.
Em Portugal, já concluímos que o Estado é caro, insustentável e ineficiente. Não podemos pagar tantos salários, pensões, riscos a privados, filigranas partidárias, subsídios, incentivos, apoios, enlatados sob o chapéu-de-chuva da protecção estatal. Não é uma ideologia, é viabilidade. O País está ao contrário. As empresas entregam dependências ao Estado. E já está a acontecer uma privatização da saúde, do ensino, da segurança, até da justiça que negamos mas que, por ser um escape, e não uma estratégia, privilegia as classes mais altas, discriminando a sociedade pelo dinheiro. Isso não é Estado a mais, é Estado para menos.
As escolas privadas, os hospitais, as empresas de segurança, as arbitragens extrajudiciais reproduzem-se, têm listas de espera. São estradas paralelas às escolas sem autoridade, aos hospitais sem disponibilidade, às polícias sem os polícias, aos tribunais sem calendário. A privatização está a acontecer pelas forças do mercado, não por opção do Estado. As suas funções estão a ser redefinidas por imposição, deixando sob o chapéu-de-chuva minguante os que não têm dinheiro e dando incentivos contrários a quem quer, por mérito e correndo riscos, sair de debaixo dele.
Os políticos perdem. Já se diz que isto, com Democracia, não vai lá, como alvitrou sinistramente Jorge Coelho há dias. Como avisou Silva Lopes. Como não se atreveu a enunciar Vítor Bento. É por isso que o futuro do PSD é importante. Não para que seja uma alternativa de Governo, isso já é. Mas para que seja uma alternativa política, o que desistiu de ser.
A única referência de centro-esquerda hoje é José Sócrates. E de centro-direita também. O que é mau para o País e para ele próprio. Clama-se por acordo político alargado. Antes é preciso que a política alargue. Sim, precisamos de estadistas. Mas também precisamos de políticos. Incluindo os que ousam propor outra via. A do mérito, dos privados, da liberdade económica, do contrário que temos praticado e defendido. Pedimos um Estado lindo, mas ficámos num lindo estado. Repito: quem se atreve?
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Este é um artigo de um director de um jornal diário do nosso país. Como considerei que as premissas do elaborado discurso se encontravam viciadas, resolvi propôr ao distinto director e articulista um exercício simples, tal como explico no texto que lhe enviei por correio electrónico, e que transcrevo a seguir:

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Exmo. Senhor:

Desafio-o a escrever um artigo, sob a mesma óptica, sobre a situação actual dos Estados Unidos, onde os privados controlam todos aqueles serviços que, em Portugal, são geridos pelo Estado, e explique aos seus leitores as razões objectivas do descalabro económico e social daquela grande potência. Acima de tudo deve deter-se no número de desempregados, na percentagem de norte-americanos sem assistência médica condigna (aconselho-o a consultar a OMS, para se confrontar com o lugar humilhante que os serviços de saúde ocupam no rankind mundial). E, já agora, contabilize o número de famílias que passaram a viver em tendas e roullotes, à volta das cidades, por terem perdido as suas casas. E quando chegar ao fim da sua investigação, interrogue-se se a mão invisível do mercado livre resolve os principais problemas sociais das populações ou se os agrava. Espero uma sua resposta, se é que a pode dar!

Cumprimentos

Alexandre de Castro

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Grandes empresas recusam assinar código de boa gestão


O Instituto Português de Corporate
Governance (IPCG) está em guerra.
Um grupo de grandes empresas
portuguesas, que integram o PSI 20,
o Banco Espírito Santo, o Banco
Comercial Português, a EDP, a
Portugal Telecom (PT), a Mota
Engil, a Brisa, a Zon e a Jerónimo
Martins, recusaram-se a assinar a
versão final do Código de Bom
Governo das Sociedades e
auto-excluíram-se do IPCG,
não comparecendo à reunião
magna que hoje se realizou para
aprovar o documento.
... A discórdia rebentou dois dias
antes da data prevista para a
realização da AG do IPCG agendada
para hoje de manhã, para votar a
versão final do Código de Bom
Governo das Sociedades, que entre
os seus objectivos visa criar condições
para que as empresas garantam
uma maior protecção aos accionistas
minoritários, assim como contribuir
para uma maior simplificação dos
modelos de governação das
sociedades. Esperava-se o novo
documento constituísse uma alternativa
às recomendações da CMVM.
O grupo dissidente alegou existirem
discordâncias quanto ao conceito,
metodologia e conteúdo do documento
final, que é complexo demais,
inexequível, pouco transparente,
tem custos elevados para as empresas,
não está concebido de molde a cumprir
os objectivos e não inclui muitos dos
contributos dados pelas instituições
que representava.
PÚBLICO
.
Em Portugal, quando se trata de aplicar as boas práticas de governação, todos se baldam. Aconselho vivamente ao Instituto Português de Corporate Governance que adapte aquele código e o envie a todos os membros do governo, que bem precisam, neste momento de grande aperto.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Notas do meu Rodapé: "Compreender é transformar o que é"...

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Vídeo sugerido pelo meu sobrinho, João Castro Mota, um jovem doutorando de engenharia, interessado pelas questões políticas, sociais e económicas
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"Não é sinal de saúde ser bem
ajustado a uma sociedade
profundamente doente".
J. Krishnamurti
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"Ninguém está mais
desesperadamente escravizado
do que aqueles que falsamente
se acretitam livres".
Gothe (1749-1832)
***
Já aqui foi referida, principalmente nos comentários inseridos nas Notas do meu Rodapé, a natureza predatória do sistema monetário dos Estados Unidos, e que a adopção das políticas monetaristas, defendidas pelas correntes neo-liberais e pelo tentacular poder financeiro, fez repercutir pelo mundo globalizado.
Com a adopção do dólar como moeda de pagamento internacional, através dos acordos de Bretton Woods, após a Segunda Guerra Mundial, e a sua desvinculação do padrão ouro, no início da década de setenta, do século passado, a maior economia do mundo ficou com as mãos livres para, através da sua moeda e da gigantesca maquinaria especulativa bolsista, criar uma economia virtual, desligada do valor da sua economia real, o que lhe permitiu recolher mais-valias exorbitantes.
O segredo, apenas conhecido por alguns, e escondido da maior parte da população, assenta na capacidade de criar dinheiro através da valorização artificial das acções, dos instrumentos do crédito e, também, pela emissão de moeda, cujo contravalor se reproduz em papel (Títulos do Tesoouro), provocando a contínua espiral inflacionista.
Este vídeo, entre outras coisas, explica bem este processo de criar moeda a partir do nada, utilizando a emissão de dívida, através dos Títulos do Tesouro. Por isso, a dívida pública dos Estados Unidos é colossal, e nunca mais irá ser saldada, o que leva os economistas não alinhados a afirmar que são as economias do resto do mundo que pagam a prosperidade imperial, sustentando-lhe os enormes défices.

terça-feira, 23 de junho de 2009

O que o Presidente não disse...

------------- Retirada do Imagens do Kaos
O que o Presidente não disse…

O Presidente da República, após ter sido distinguido com o doutoramento honoris causa por uma obscura universidade escocesa, resolveu perorar sobre a crise, perante os jornalistas, proferindo, em jeito paternal, uma lição de finanças públicas. Não acrescentou nenhuma novidade àquilo que qualquer cidadão, medianamente informado, já sabe intuitivamente, de tão linear que é a explicação da oscilação em espiral das receitas do Estado e do seu efeito de balança. Se há mais desemprego, haverá menos consumo e menos receitas de IVA e menos IRS. Havendo menos consumo, haverá menos encomendas, menos produção de bens e serviços, menores lucros e menos receitas de IRC. Acabada a crise, inverter-se-iam automaticamente os parâmetros, desde que fossem tomadas as decisões políticas correctas, segundo a cartilha neo-liberal que anima o espírito do presidente.
É evidente que este automatismo corrector não se verifica integralmente. Depois desta crise profunda, o xadrez mundial da economia vai alterar-se radicalmente e quem vai sair vencedor serão os países que, durante estes anos difíceis, souberem criar e explorar as suas vantagens competitivas e aproveitar as fragilidades, as dificuldades e os erros dos seus parceiros concorrentes. E olhando para a economia portuguesa e para os seus sectores de liderança, verifica-se que continua a existir um desajustamento estrutural do tecido produtivo, que vai ditar, no futuro imediato, uma perda de competitividade, que outros países mais dinâmicos irão ganhar.
O paradigma que norteia a economia portuguesa continua a basear-se no baixo custo da mão de obra, na insuficiente qualificação profissional, e na extrema dependência das encomendas do Estado, Estado que este que absorve recursos desproporcionadamente elevados em relação à produtividade que desenvolve.
Se os governos e as empresas não começarem a resolver este desajustamento estrutural, não será a retoma internacional que irá retirar-nos do buraco onde estamos a cair.

sábado, 20 de junho de 2009

A Inoportunidade dos grandes projectos



A inoportunidade dos grandes projectos

Em 24 de Maio (clicar na legenda Economia), abordámos aqui a inoportunidade de se avançar com a construção do novo aeroporto de Lisboa e do TGV, argumentando que a actual crise mundial, devido à incerteza da sua duração e à imponderabilidade das suas consequências, aconselharia prudência e ponderação, uma vez que os pressupostos considerados nos estudos de viabilidade económica e financeira, anteriormente efectuados, tinham sido profundamente alterados.
Esta questão ganhou novamente actualidade com a posição assumida por um numeroso grupo de destacados economistas portugueses, abrangendo um alargado espectro político, que aconselham o executivo a não avançar com a construção daqueles projectos, antes de se reformularem novamente as suas vantagens num quadro temporal mais alargado, ao mesmo tempo que denunciam a sua "baixa ou nula rentabilidade" e a sua fraca capacidade em induzir "a criação de emprego em Portugal".
Se o governo de José Sócrates insistir nesta cega aventura, ficará demonstrada a sua extrema dependência em relação aos interesses ocultos dos grandes grupo económicos, e adquirirão uma maior visibilidade as razões da nomeação de dois antigos ministros das Obras Públicas, um do PSD e outro do PS, para presidentes dos conselhos de administração de duas importantes empresas nacionais, a quem convinha indubitavelmente a implementação destes mega-projectos.

sábado, 30 de maio de 2009

2- Questionar os grandes empreendimentos (continuação)


Recuperar o emprego através de investimentos regionais e locais


Insistentemente, tem sido propalado que a construção do novo aeroporto e do TGV teria um impacto muito positivo na criação de postos de trabalho, directos e indirectos, o que é uma verdade elementar. No entanto, aqueles que sustentam esta afirmação, para defender a sua opção, omitem que a maioria dos postos de trabalho directos iriam ser preenchidos por uma nova vaga de emigrantes africanos, de custo mais baixo, estreitando, assim, a margem de manobra aos trabalhadores portugueses disponíveis.
Por outro lado, a grande incidência da incorporação de tecnologia estrangeira, principalmente no que diz respeito ao TGV, iria imediatamente beneficiar os países fornecedores, a França e a Alemanha, ficando Portugal a ter de ficar a aguardar pela ocorrência do efeito benéfico propiciado a estes países, ao nível do crescimento do seu PIB, e pelo deferido e consequente aumento da procura de produtos das indústrias exportadoras tradicionais de Portugal, por parte daqueles países, o que viria a beneficiar a sua balança comercial, através do aumento das exportações. Assim se compreende o aviso das instituições internacionais, quando os seus porta-vozes afirmam que a recuperação económica de Portugal vai ser mais lenta do que a das economias europeias mais importantes.
Para recuperar rapidamente o emprego e, por esta via, dinamizar a economia pela via do aumento do consumo interno, o aconselhável seria dispersar os investimentos públicos pelas várias regiões do país, numa proporcionalidade aproximada ao respectivo nível do desemprego, e vocacionados principalmente para a construção e reparação de escolas, de estradas e de outras infra-estruras públicas, de pequena e média envergadura.
Nesta opção, o endividamento do Estado seria menor, porque menores seriam os investimentos. A contrapartida positiva seria a recuperação rápida do emprego, o que deve constituir uma prioridade para qualquer governo.

domingo, 24 de maio de 2009

1-Questionar os grandes empreendimentos




A importância do novo aeroporto e do TGV

Temos por adquirido que ninguém coloca em questão a importância estratégica para a economia portuguesa da construção de um novo aeroporto e da rede do TGV. Um novo aeroporto, moderno e com grande capacidade de tráfego, responderia a um dos grandes objectivos, traçados há quinze anos para a Região de Lisboa e Vale do Tejo, e que consistia em elevar o centro de Portugal à categoria de porta de entrada da Europa, disputando a Madrid esse estatuto e primazia .


O TGV, ao colocar-nos na rota ferroviária europeia, e tal como já acontece com as auto-estradas, diminuiria os efeitos negativos da condição periférica do país, aumentando o potencial da sua integração no espaço europeu, com visíveis benefícios no domínio económico, social e cultural. E todos sabemos que, para além da herança histórica recebida, o atraso secular de Portugal só poderá ser explicado pelo seu afastamento em relação aos centros mais dinâmicos da Europa. As ideias, as modas, as técnicas, a tecnologia, as novidades culturais, e tudo o mais, aterram em Portugal, quando na Europa desenvolvida já estão em fim de ciclo, num desfazamento temporal que lhes encurta o prazo de validade, e condicionando os seus potenciais benefícios para o progresso e para o desenvolvimento . Para caracterizar bem esta asserção, poder-se-ia dizer que Portugal anda sempre em contra-ciclo, ou, utilizando outra metáfora,compra tudo em segunda mão, embora a situação actul não possa comparar-se à estagnação e ao estiolante isolamento, vivido antes do 25 de Abril.


Mas, com a ruptura provocada pela crise económica e financeira, a que se seguirá, inevitavelmente, uma profunda crise social e política, manda a prudência que a construção dessas duas gigatescas infra-estruturas, a exigirem um grande esforço financeiro, seja reequacionada, até porque todos os estudos de viabilidade económica encontram-se ultrapassados, já que foram realizados sob a expectativa de um quadro expansionista da economia mundial. Os indicadores respeitantes ao tráfego aéreo e ferroviário já não correspondem à realidade previsível, pondo-se assim em causa a rentabilidade do capital investido e o seu retorno. AC