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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Portugal foi país da OCDE com maior quebra do PIB

Portugal foi o país da OCDE que registou a maior quebra no PIB nos últimos três meses de 2011, segundo as contas trimestrais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, hoje divulgadas.
No último trimestre de 2011, o Produto Interno Bruto (PIB) nacional recuou -1,3 por cento, face aos -0,6 por cento dos três meses anteriores, ficando abaixo da média comunitária e da zona euro (-0,3 por cento), desconhecendo-se a evolução na Grécia, cujos dados não foram divulgados.
Diário de Notícias
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Portugal é um bom aluno. Só que chumba sempre nos exames. Os gregos, coitados, já nem sequer vão ao exame.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Notas do meu rodapé: Em Portugal, são os mais pobres que estão a pagar a crise...

Percentagem de mudança no rendimento familiar disponível devido a medidas
de austeridade - Retirado do resistir.info e reportando a um relatório do
Observatório da Situação Social da Comissão Europeia
Já aqui foi denunciado que as medidas de austeridade impostas ao país, quer através dos sucessivos PEC`s do governo de José Sócrates, quer através da aplicação cega do memorando da troika, pelo atual governo, elegeram como vítimas os grupos sociais mais vulneráveis, os desempregados e os pensionistas, precisamente aqueles que, no conjunto da população, têm menores rendimentos e onde se aloja a bolsa da pobreza e a de todos aqueles que se encontram em risco de pobreza. E é isto que a própria União Europeia, no seu estudo, vem confirmar. De todos os países, sujeitos a políticas de austeridade, Portugal foi aquele que mais sacrificou os pobres e protegeu os ricos, o que revela a cruel e abjeta insensibilidade deste governo para com os problemas sociais emergentes. 
Durante o período de tempo da aplicação das medidas de austeridade regressivas, em Portugal, o segmento dos mais pobres e o dos que se encontram em risco de pobreza perdeu entre seis a a quatro por cento dos seus rendimentos, enquanto que os mais ricos apenas perderam dois por cento. Todos os outros países considerados no estudo, Estónia (EE), Irlanda (IE), Grécia (EL), Espanha (ES) e Reino Unido (UK), ou sobrecarregaram mais os maiores rendimentos ou distribuiram equitativamente os sacrifícios por todas as classes sociais. 
Estes números envergonham Portugal. E é esta vergonha que os dirigentes europeus mais ortodoxos, como a senhora Merkel, elogiam hipocritamente, classificando Portugal como um bom aluno da Europa.
http://www.socialsituation.eu/research-notes/SSO2011%20RN2%20Austerity%20measures_final.pdf

domingo, 15 de janeiro de 2012

"Grécia pode voltar ao crescimento se seguir austeridade"

Angela Merkel, chanceler alemã
Fotografia © Thomas Peter - Reuters
A chanceler alemã Angela Merkel insistiu hoje que a Grécia pode voltar ao crescimento económico se seguir um comportamento de austeridade.
Numa entrevista a uma rádio, a Deutschlandfunk, salientou que a redução da despesa "geralmente leva a que a economia não seja capaz de crescer tanto".
Angela Merkel referiu, no entanto, haver muitos exemplos de países onde foram aplicados programas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e "fortes fases de crescimento aconteceram depois de uma fase de recessão".
As reformas estruturais "nunca têm efeitos imediatos e necessitam de algum tempo antes de os seus efeitos serem sentidos e devem ser implementadas com veemência, claro", referiu.
O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Guido Westerwelle, vai encontrar-se hoje com responsáveis gregos.
Diário de Notícias
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A Grécia vai voltar ao crescimento por decreto ou vai ser obrigada a vender a Acrópole, com o seu emblemático Parthenon?
É evidente que a senhora Merkel está a confundir duas realidades distintas, a económica e a financeira, embora ambas se cruzem uma na outra. Não é possível recuperar as finanças, quando se destrói o tecido económico. A própria Alemanha, nos períodos posteriores às duas guerras mundiais do século passado e na resposta à grande depressão de 1929,  teve de viver com elevados défices orçamentais e endividar-se no exterior, para poder investir na sua indústria pesada, que nunca poderia ter alcançado o desenvolvimento desejado, se os seus credores lhe tivessem imposto metas para o equilíbrio das suas finanças, que é o que a União Europeia está a impor, desajustadamente, aos países periféricos, numa autêntica guerra de terra queimada. 
Não há alternativa credível, na resolução da crise, às políticas de desenvovimento económico, que, no futuro, venham a gerar riqueza para pagar parte da dívida, que, previamente, deverá ser reestruturada sem agravamentos penalizadores para os países devedores.
 http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2241763

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Gerald Celente: Acabemos com esta farsa de democracia

Amabilidade de Pilar Vicente
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A globalização é uma farsa, que apenas interessou e interessa ao capitalismo financeiro. Ao instituir como valor sagrado a liberdade de movimentos de capitais, o capitalismo neoliberal promoveu a descapitalização dos países com economias mais débeis, que assim se viram privados de meios para o investimento, para a poupança e para o consumo. Os lucros das empresas e os dividendos dos accionistas, que resultaram do esforço colectivo de cada país, ao migrarem livremente, através dos paraísos fiscais, para as grandes praças financeiras, engordando a economia virtual, promovida pelos bancos, debilitaram as suas respectivas economias, obrigando assim esses países a endividarem-se externamente. Também o euro foi criado para favorecer as economias europeias com excedentes, as mais ricas, em prejuízo das economias deficitárias, para às quais uma moeda muito valorizada não favorecia a sua competitividade externa.
Para garantirem o seu domínio absoluto, os grandes banqueiros globalizaram a sua actividade e, por diversas vias, subverteram a democracia, manietando os governos à sua vontade. Perante a crise instalada, esses mesmos governos implementam políticas, cujo objectivo principal é proteger os interesses desses mesmos banqueiros. Basta estar atento ao circo montado para cada reunião dos dirigentes europeus, onde não se fala de economia nem de desenvolvimento. Os discursos, obsessivamente, apenas referem as finanças e as dívidas soberanas. E, não tenhamos dúvidas: se o capitalismo financeiro europeu, através do seu braço político das instâncias comunitárias, não conseguir manter o sistema, no quadro do modelo da democracia parlamentar, devido à resistência dos povos às severas medidas de austeridade, a provável instauração de um novo tipo de fascismo será a opção. Foi o que aconteceu nas décadas de vinte e trinta do século passado, perante a ameaça que constituía para o sistema a influência crescente do comunismo.

sábado, 5 de novembro de 2011

Cimeira do G20 acaba sem compromisso de apoio ao fundo de resgate europeu


O fundo de resgate europeu não será reforçado com a ajuda dos países emergentes, como chegou a ser discutido pelos representantes das principais economias mundiais. A cimeira do G20 chegou ao fim, ao final da tarde desta sexta-feira, sem acordo para ajudar a resolver a crise das dívidas soberanas.
Em Cannes, os chefes de Estado e de Governo deram conta do seu apoio aos países europeus em dificuldades. Mas recusaram ajudar com dinheiro. “Quase nenhum país aqui disse estar disposto a participar no fundo de resgate da zona euro”, observou a chanceler alemã, Angela Merkel, numa conferência de imprensa.
A China e o Brasil eram vistos como potenciais investidores, mas a resposta destes dois países foi cautelosa. Exigem ambos mais detalhes sobre o plano de resgate. A primeira-ministra australiana, Julia Gillard, foi mais lacónica: “A Europa terá de pôr a própria casa em ordem”. “Não vemos nenhuma razão para que o Canadá – ou, com franqueza, qualquer outro país – contribua para este apoio financeiro”, concordou o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper.
PÚBLICO
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As declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, no final da reunião do G20, traduzem claramente a dimensão do grande fracasso da União Europeia  e, principalmente, da moeda única. Foi a declaração da impotência, perante a tragédia que se avizinha, e que as decisões assumidas nos últimos três anos pelos dirigentes políticos europeus, devido à sua irracionalidade, não vão conseguir evitar. Ninguém quer emprestar dinheiro à Europa, porque já ninguém acredita na Europa. O triunfalismo exibido publicamente, no final de cada reunião dos líderes europeus, em que se declarava sempre ter sido encontrada a solução milagrosa para os problemas financeiros que afectavam o euro, foi sempre desmacarado no dia seguinte pela crua realidade. O folclore não conseguiu iludir a razão e a verdade. 

domingo, 23 de outubro de 2011

Portugal deu contributo positivo para plano de recapitalização dos bancos, diz Passos


O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, esclareceu hoje que Portugal “não apresentou reservas” quanto ao plano para a recapitalização dos bancos, tendo até dado um “contributo bastante positivo” para a fórmula acordada em Bruxelas.
PÚBLICO
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Os bons alunos são assim. Fazem sempre o que o professor manda.
http://economia.publico.pt/Noticia/portugal-deu-contributo-positivo-para-plano-de-recapitalizacao-dos-bancos-diz-passos_1517840

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Grécia e Portugal com novos recordes de risco de bancarrota


Juros continuam subida

A acompanhar este incêndio no mercado dos cds, as yields (juros implícitos) dos títulos do Tesouro dos "periféricos" continuaram a tendência altista no mercado secundário.
Os juros dos títulos gregos a 12 meses estão acima de 117%; no caso dos juros a 2 anos fecharam em 69,55%, segundo dados da Bloomberg.
Os juros das obrigações do Tesouro português estão em alta em todas as maturidades, bem como nos títulos irlandeses.
Os juros das obrigações espanholas (OE) e dos títulos do Tesouro italiano (BTP) a 10 anos continuam a subir acima de 5%: fecharam em 5,33% para as OE e 5,57% para os BTP. A ter havido hoje intervenção do Banco Central Europeu (BCE) no mercado secundário - como alegam muitos analistas -, o seu impacto não obteve a inversão da tendência altista.
De 8 de agosto até 9 de setembro, o BCE já comprou €70,21 mil milhões em títulos soberanos de países membros no mercado secundário.
Em total contraponto, os juros dos Bunds, os títulos alemães, a 10 anos fixaram um novo mínimo histórico, em 1,74%.
EXPRESSO
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A UE já não governa a partir de Bruxelas. Todas as decisões emanam unilateralmente de Berlim. Está a nascer, na Alemanha, um novo tipo de fascismo, o fascismo financeiro. Angela Merkel quer fazer com o compressor do euro aquilo que Hitler não fez com os tanques e canhões.
http://clix.expresso.pt/grecia-e-portugal-com-novos-recordes-de-risco-de-bancarrota=f673345

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Krugman: Portugal dificilmente escapa a uma reestruturação da dívida

PAUL KRUGMAN E VITOR CONSTANCIO 
Paul Krugman e Vítor Constâncio

Nobel da Economia, Paul Krugman, disse hoje, em entrevista à Bloomberg a partir de Estocolmo, que os problemas europeus se dividem em dois níveis e que Grécia, Portugal e Irlanda pertencem ao grupo dos países que "provavelmente estão insolventes" e serão palco de uma reestruturação de dívida. No segundo grupo estão Espanha e Itália que têm algum risco de ter de sair do euro mas apenas se o pânico crescer, enquanto os líderes europeus tentam encontrar forma de conter a crise da dívida soberana na região, explica Krugman. 
"Há países que provavelmente podem sobreviver à crise, mesmo que vivam tempos muito difíceis, desde que não haja pânico; refiro-me a Espanha e a Itália. E depois há aqueles que estão, provavelmente, insolventes e onde terá de haver uma reestruturação da dívida - casos de Grécia, Portugal, Irlanda." 
O colunista do "The New York Times" advertiu ainda que o BCE precisa de uma política monetária "muito mais expansionista" já que o risco de uma recessão global é já "superior a um em três". 
Os líderes europeus têm-se visto e desejado para encontrar uma solução para a crise da dívida. Esta semana, a cimeira franco-alemã deitou mais uma acha para a fogueira, com Angela Merkel, e Nicolas Sarkozy a negar a Bruxelas a expansão do fundo de resgate 440 mil milhões de euros e a querer impor regras mais duras aos países do euro. Paul Krugman defende que os líderes precisam de deixar claro que haverá financiamento disponível para evitar que a crise afecte para além de qualquer remédio Itália e Espanha.
Dinheiro Vivo - Tiago Lourenço
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Há dias, avancei com uma imagem que evidencia o desnorte dos dirigentes da UE, perante a situação financeira de Portugal e da Grécia. Enquanto lançam a bóia de salvação aos dois náufragos, por outro lado, mergulham-lhes a cabeça dentro de água, para os afogarem. Impor brutais medidas de austeridade às populações destes países e pretender que as suas economias venham a crescer, depois de corrigidos os défices orçamentais, é o mesmo que fechar a torneira da água e ficar à espera que a banheira encha. Não se pode curar um doente, prescrevendo-lhe medicamentos que agravam os seus sintomas. As medidas de austeridade não estão a corrigir nada. Estão apenas a desmantelar o Estado e a destruir a economia. Na Grécia, em muitas cidades do interior, o Estado já não funciona na plenitude dos seus poderes. Tal como tenho vindo a dizer há muito tempo - o que era então considerado uma heresia - Portugal, para sair a médio prazo desta grave crise, necessita de, pacificamente, reestruturar a sua dívida externa e sair do euro. O euro é um moeda sobrevalorizada, que nunca serviu os interesses da economia portuguesa, já que ele foi desenhado para responder às necessidades da Alemanha e dos outros países da zona euro, que apresentam significativos saldos positivos nas suas balanças comerciais e de pagamentos. O resto é conversa fiada para enganar o pagode.

domingo, 7 de agosto de 2011

Notas do meu rodapé: O Euro não serve a economia portuguesa


"É inevitável Portugal sair do euro", diz antigo director do FMI

 Desmond Lachman, antigo director-adjunto do Fundo Monetário Internacional (FMI), traça um cenário negro para a economia portuguesa já para os próximos meses.Em entrevista ao Expresso, este responsável diz que é inevitável Portugal sair do euro, acrescentando ainda que o país só tem uma solução para evitar os próximos dois anos de crise: "Saindo do euro", uma opção "inevitável".
O director-adjunto do FMI entre 1994 e 1996 e actualmente professor na Universidade de Georgetown acrescenta que "Portugal não vai aguentar as políticas do FMI sem deixar o euro. Mas, se esse será o fim, porquê esperar dois anos que se avizinham de recessão profunda" Não percebo como é que o país conseguirá, simultaneamente, pagar a dívida e resistir a um programa de austeridade imposto pelo FMI, que resultará em contracção económica e em deflação, o que aumentará o problema da dívida pública".
Lachman considera ainda que o caso português é mais grave que o grego, devido à elevada dívida externa.
Lachman considera ainda que o caso português é mais grave que o grego, devido à elevada dívida externa.
Dinheiro Vivo-06/08/2011 
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Não resisti à tentação de vir a terreiro, socorrendo-me de um computador alheio, já que o meu sistema informático se encontra avariado, para comentar esta notícia de hoje, sobre as declarações do antigo e insuspeito director do FMI,  Desmond Lachman, a evidenciarem a necessidade urgente de Portugal sair do euro, posição esta que eu, neste espaço, tenho repetidamente defendido, a partir do PEC 4. As razões que invocava em defesa desta tese, e que se fundamentavam nas opiniões de vários economistas, entre os quais os nobilizados, Amartya Sen e Joseph Stiglitz, partiam do racional princípio de que o crescimento das exportações portuguesas, a um nível que a economia pudesse suportar o pagamento da dívida e o seu serviço (juros), só poderia ser alcançado com a sua reestruturação, com a dilatação do prazo para a correcção orçamental, e com o regresso a uma moeda nacional. A reestruturação da dívida já começa a ser aceite pela ortodoxia do BCE e da Alemanha, pelo menos para a Grécia. Em relação à dilatação do prazo para corrigir o défice orçamental, ninguém fala, embora, quando essa obtusa exigência foi anunciada, muitos economistas, não ligados ao sistema, se interrogassem sobre a sua razoabilidade e fundamento. Porque não em 2014 ou em 2015? Em relação à saída do euro, era considerada uma perfeita heresia colocar tal hipótese, lançando-se imediatamente o epíteto de ignorante a quem se atrevesse a propalar tal dislate. Foi o que me chamaram a mim. Mas a irracionalidade encontrava-se no campo contrário, naqueles que da economia têm apenas uma visão redutora do processo económico, fingindo esquecer-se de que a economia tem de ser orientada para o bem comum, e não só para as elites sociais e económicas, à quais convinha uma moeda forte para poderem continuar a comprar os bens importados, o que também afectaria o crescimento do PIB.
É completamente absurdo projectar crescimento económico, como também pretendeu o actual e inefável ministro das Finanças, para 20114.  Não há dúvida que haverá um aumento ligeiro do PIB e das exportações, mas não num valor suficiente para liquidar as dívidas. Nesta equação, esquece-se a drástica diminuição do consumo, motivada pelo crescente desemprego e pela suicida política restritiva, apenas orientada para os rendimentos do trabalho, deixando de fora os rendimentos do capital, excepto os juros dos depósitos, porque muitos deles são constituídos pelas poupanças dos trabalhadores, daqueles que dispõem de uma maior folga salarial (os mais ricos não têm o dinheiro nos vulgares depósitos).
Hoje, já começa a ser muito claro para muitos portugueses que, paralelamente à democracia política, que a demagogia dos políticos transforma num carrocel de ilusões e mentiras, existe um verdadeira ditadura do capital, cuja única teologia que se lhe conhece obedece cegamente à divinização do mercado e à subalternização do Estado e das suas políticas sociais, e que o recurso à estratégia do endividamento das famílias e dos estados não passou de uma grande armadilha, que proporcionou inimagináveis e colossais proventos, (mesmo durante a crise), e acentuou, numa desproporção gigantesca, a hegemonia universal do capital. Um milionário, há dias, talvez por condenável distracção, afirmou que a crise não era mais de que uma luta fraticida entre ricos e pobres, e que ela estava a ser ganha pelos ricos. E tem toda a razão. No fundo, e a estratégia é igual nos dois lados do Atlântico. Assistiu-se e assiste-se a uma gigantesca transferência de rendimentos do trabalho para o capital. A pobreza, que vem aí, servirá para reforçar esse enriquecimento.    

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Turbulência pode voltar", diz líder do FMI


Christine Lagarde afirma que apesar da tensão nos mercados ter diminuido com o resgate à Grécia "as turbulências podem voltar facilmente" 
A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, advertiu ontem, segunda-feira, os países da zona euro que, apesar da tensão nos mercados ter diminuído com o novo resgate à Grécia, "as turbulências podem voltar facilmente".
Lagarde, que falava numa conferência em Nova Iorque, afirmou que o acordo alcançado na semana passada, em Bruxelas, "demonstra que os líderes europeus acreditam na zona euro e farão o que for necessário para assegurar o seu futuro".
O acordo, acrescentou, "foi bem-vindo para os mercados, como se pode ver no fortalecimento do euro e na descida do risco dos países periféricos".
No entanto, a ex-ministra francesa disse que os problemas orçamentais nos países europeus periféricos "revelaram riscos decorrentes de uma união económica e monetária incompleta", pelo que exortou os líderes da zona euro a "concretizarem com celeridade" os acordos alcançados na cimeira extraordinária da semana passada.
Os líderes europeus acordaram na quinta-feira, em Bruxelas, um novo pacote de ajuda financeira à Grécia, que inclui 109 mil milhões de euros da zona euro e do Fundo Monetário Internacional (FMI) e mais 50 mil milhões que serão suportados pelos bancos e pelas instituições financeiras detentoras de dívida pública grega.
Diário de Notícias
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O carro da UE está descomandado na descida e ameaça despenhar-se no desfiladeiro. Mais uma vez, os dirigentes da UE demoraram a encontrar uma solução (mesmo que precária) para o problema da dívida grega e, também, mais uma vez, encalharam na resolução de fundo desse problema, a necessária, avançando com meias medidas, que mais não significam do que o seu adiamento.
A Alemanha, que já está a ganhar com a situação (os bancos credores, em pouco anos, e devido à aplicação de taxas de juro especulativas, começam a recuperar grande parte dos seus créditos, ao mesmo tempo que as suas grandes empresas, algumas com participação do Estado, se posicionam em condições de preferência para abocanhar a parte mais apetecível do bolo das privatizações, que o governo grego já pôs em marcha) procura Não perder a liderança do processo a fazer prevalecer os seus pontos de vista. A manobra da senhora Merkel em exigir a participação voluntária dos bancos credores no novo pacote de assistência à Grécia, não passa disso mesmo. Uma manobra eleitoralista, a fim de passar para a opinião pública a ideia de que não são apenas os contribuintes alemães a pagar a factura. Não existem garantias que os bancos alemães embarquem na ideia, já que o seu envolvimento é voluntário e não terá de ser imediato. Se a situação na Grécia começar a deteriorar-se, o que é o mais provável, os bancos acabarão por não avançar.
O que está a acontecer na Grécia é uma antecipação do que irá ocorrer em Portugal nos próximos dois anos, se, entretanto, os dirigentes europeus não mudarem a sua obstinada estratégia em relação aos países do sul da Europa, optando por apoios para o seu desenvolvimento económico, em alternativa à imposição de prazos curtos para a correcção dos défices orçamentais, que se transformaram numa obsessão doentia, que só agrada aos credores (bancos, companhias de seguros e fundos de investimento). A proclamação patriótica de que Portugal não é a Grécia não passa de uma falácia. Cada vez mais a semelhança é mais evidente. Ao contrário do que  vem afirmando o actual ministro das Finanças, não é certo que a partir de 2013, ano em que se prevê a consolidação do défice orçamental (se não houver surpresas pelo caminho), o crescimento da economia venha a ter ganhos substanciais, que  criem os excedentes necessários para pagar a dívida. Uma vez chegados aí, ou mesmo antes, e tal como está a acontecer na Grécia, novas e brutais medidas de austeridade vão ser impostas, mas que já não irão ser recebidas pacificamente por uma população castigada por uma política suicida, que penaliza exclusivamente os rendimentos provenientes do trabalho e das pensões e poupa os rendimentos de capital, situação esta que o ministro da Finanças, com uma grande e descarada desfaçatez, classifica de universal e equitativa.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Notas do meu rodapé: A cabala contra as agências de rating esconde a natureza do sistema e as suas contradições


A vozearia levantada contra a agência de rating Moody's, a propósito da sua notação negativa dada a Portugal, roça o ridículo e ultrapassa o inimaginável. Assistiu-se nos últimos dias a um delirante coro de protestos, grotescos na forma e irracionais no conteúdo, que só tem paralelo, na história recente, com aquelas campanhas orquestradas contra o comunismo e a antiga União Soviética. A última "bacorada", publicada na imprensa de hoje, vem da comissária europeia para a Justiça, Viviane Reding, que propõe o desmantelamento das três principais agências de rating norte-americanas, a Standard and Poor’s, a Moody’s e a Fitch, como se fosse possível, à luz do Direito, extinguir desta forma bizarra uma empresa privada, sendo que, neste caso, tinha como agravante o facto de se tratar de três empresas sediadas num país estrangeiro, por sinal a maior potência do mundo. Mas, já antes, várias personalidades políticas e os comentadores encartados do sistema, alimentando por má fé esta campanha de intoxicação da sempre desprevenida opinião pública, caíram no ridículo bacoco, ao falarem de terrorismo e de uma guerra aberta entre o dólar e o euro, possivelmente desencadeada pelo governo do velho aliado da Europa, os Estados Unidos. Outros, perseguindo o mesmo objectivo de esconderem o sol com a peneira, avançaram com a ideia de que os dirigentes da União Europeia e os dos países periféricos deveriam assobiar para o lado e desvalorizar as notações financeiras daquelas agências.
Nestes últimos dias viveu-se um verdadeiro espírito de cruzada medieval, em que não faltou o apelo ao patriotismo primário dos tempos de Salazar. Procurou-se histericamente encontrar um inimigo externo que escondesse as fragilidades internas, as de Portugal e as da própria União Europeia. Estes patriotas de pacotilha são os mesmos que aplaudiram a aceitação passiva e humilhante, por parte de José Sócrates, Passos Coelho e Paulo Portas, do execrável memorando da troika, formada pela União Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu, e que ameaça o futuro de Portugal. De traidores declarados, pretendem agora alcançar o estatuto de impolutos patriotas. Até o inquilino de Belém entrou na festa e não sei se ele foi ao baú das recordações desenterrar a farda e os galões de alferes miliciano contabilista, do tempo da Guerra Colonial. O novo primeiro-ministro, Passos Coelho, que na demagogia parece não ficar atrás do seu predecessor, declarou que iria governar, ignorando por completo a opinião das agências de rating, como se esta afirmação as fosse beliscar no seu estatuto, levando os mercados financeiros a prescindirem do seu trabalho. É uma afirmação gratuita, uma mera bravata, já que os mercados financeiros é que impõem as regras aos políticos, baseados nas informações daquelas três agências. O próprio BCE não prescinde do seu parecer, também agregando agora o contributo da agência canadiana DBRS, para dar luz verde à compra de títulos de dívida pública dos estados membros, no mercado secundário. E, no entanto, existem no mundo muitas centenas de agências de rating (uma das quais é portuguesa, a Companhia Portuguesa de Rating, da empresa Saer) e que no seu conjunto apenas detêm 5% do negócio. E esta assimetria é fácil de explicar, pois a Standard and Poor's, a Moody's e a Fitch foram escolhidas  como referência, nos EUA, em 1975, pelo órgão regulador do sector, a Securities and Exchange Commission (SEC). Recorde-se que a União Europeia, há cerca de um ano, criou um regulador de agências de rating, a European Securities and Markets Authority (ESMA), cuja actividade parece ser, como os factos parecem demonstrar, totalmente irrelevante, tal como seria irrelevante criar uma agência de rating europeia, na qual os mercados financeiros não acreditariam, por serem demasiado evidentes os conflitos de interesses. Isto seria a mesma coisa de ver as associações empresariais portuguesas, desgostosas com as opiniões desfavoráveis da DECO, em relação a alguns produtos e serviços, a tomar a iniciativa de criarem uma associação independente(?) de consumidores. No mínimo, seria caricato.
Os furibundos ataques dirigidos contra as agências de rating deveriam ter sido canalizados contra o iníquo sistema financeiro internacional, cujos centros nevrálgicos estão sediados em Nova Iorque e em Londres e onde se organizou a gigantesca operação das actividades especulativas, as mais rentáveis fontes de rendimentos, atraindo capitais de todo o mundo, que teriam sido úteis para o desenvolvimento dos países da sua origem. Se os biliões de euros, provenientes dos lucros das grandes empresas, dos dividendos dos grandes accionistas e das mais valias bolsistas, não fossem anualmente exportados, através dos off-shores, para esses centros financeiros, Portugal não teria entrado em crise. Jogando à defesa, para esconder a fragilidade do euro, o tal gigante de pés de barro, que os países ricos da União Europeia pretendem salvar à custa dos países da periferia, os dirigentes políticos e os comentadores afectos ao sistema elegeram as agências de rating como bode expiatório, salvaguardando na sua denúncia as responsabilidades do grande capital financeiro e ocultando-lhe as suas contradições.
As agências de rating são as guardas avançadas do sistema e, naturalmente, estão imbuídas dos mesmos vícios dos clientes a quem prestam os seus serviços (desde a década de setenta, são os países devedores a pagar a factura do seu trabalho), empolando marginalmente as situações a seu favor.  E a sua função principal na vigilância da dívida soberana dos estados consiste em proceder à avaliação da capacidade da economia de cada país em assegurar, no futuro, o seu respectivo pagamento. Quem olhar para a economia portuguesa e para a sua evolução nos próximos anos, então completamente arruinada pelo rolo compressor das medidas de austeridade, perceberá facilmente que a situação de recessão irá prolongar-se por mais de uma década. Tal como os generais franceses e alemães pensavam em 1914, que o conflito iria ser resolvido numa questão de semanas (a I Grande Guerra Mundial durou quatro anos), também os actuais dirigentes europeus e os políticos e economistas neoliberais acreditam (ou simulam acreditar?) que a economia portuguesa, depois do empobrecimento da população, que provocará uma acentuada baixa do nível salarial dos trabalhadores, irá criar excedentes, através do incremento das exportações, gerando riqueza suficiente para pagar as dívidas contraídas e os seus juros exorbitantes. E é neste quadro normativo que as agências de rating elaboram as suas análises. Já em Abril deste ano a Standard and Poor's afirmava, e sem ter sido contestada, tal como foi a Moody nos últimos dias, que a economia terá de recorrer em 1913 ao empréstimos da UE (mais sacrifícios para os portugueses), através do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira, já que a economia irá contrair 3,2 por cento, até 2012. É uma quebra acentuada, que não se recupera de um ano para o outro.  E esta análise pessimista é corroborada por muitos economistas não alinhados, incluindo dois nobilizados, já aqui citados várias vezes.
Perante este quadro, impõe-se questionar quem são os verdadeiros terroristas.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Notas do meu rodapé: A saída do euro é inevitável


Eu costumo chamar ao euro um gigante com pés de barro, já que a entidade que o gere, o BCE, não possui a importante alavanca orçamental, que, na altura da sua fundação, os estados membros negaram ceder-lhe, com receio da potencial reacção nacionalista dos seus respectivos povos, que não querem abdicar da sua identidade nacional. Como banco central emissor, o BCE apenas tem a capacidade de gerir a política cambial e a política monetária. Falta-lhe a competência da política orçamental. Razão tinham Spinelli, Amartya Sen e Padoa-Schioppa, quando afirmavam que a união monetária não poderia fazer-se antes da união política. O tempo está a dar-lhes razão, já que o carro nunca pode andar à frente dos bois.

Pelo menos, em relação a Portugal, e possivelmente também em relação à Grécia, a adesão ao euro foi silenciosamente desastrosa, já que a economia portuguesa começou a trabalhar com uma moeda de elevado valor, que não favorecia as exportações e, por outro lado estimulava as importações, agravando assim a balança de transacções correntes. Foi a partir da adesão que os défices orçamentais e a dívida pública (1) começaram a crescer, disparando descontroladamente a partir de 2008. Nenhum dos dirigentes dos sucessivos governos deste século percebeu que o problema residia na baixa taxa de produtividade da economia em relação aos principais parceiros comerciais. E nada foi feito para corrigir esta fragilidade da economia portuguesa. A governação, sem um plano estratégico consistente, passou a ser errática, caminhando ao lado do oportunismo eleitoralista, envolvendo-se com os interesses instalados, num conúbio vergonhoso, e satisfazendo os apetites vorazes das clientelas partidárias. A atracção pelas obras faraónicas é o exemplo típico da incoerência de toda uma política saloia, que de forma alguma estava ao serviço do bem comum. Os governos de Durão Barroso, de Santana Lopes e, principalmente, o de José Sócrates não fizeram o que deveria ter sido feito. Apenas souberam endividar o país.

Por sua vez, anteriormente, os dirigentes da UE, na altura, cometeram o erro grosseiro de reduzirem ao mínimo as condições de adesão à moeda única. Limitaram-se a impor como condição, e em relação ao PIB, um défice orçamental abaixo dos três por cento e uma dívida pública não superior a 60 por cento. Faltou incluir um patamar para a taxa de produtividade e, eventualmente, para outros indicadores da actividade económica. Portugal não se encontrava em condições de aderir ao euro. Os países do centro e do norte da Europa já se encontravam noutro paradigma, que não era o da prática de baixos salários. Faltou à nossa economia o investimento na educação e formação, na inovação tecnológica e na modernização das práticas de gestão das empresas.

Se Portugal não tinha, na minha modesta opinião, condições para a aderir ao euro, nos dias de hoje, essas condições reduziram-se ainda mais. Mais tarde ou mais cedo a saída do espaço da moeda única vai impor-se. Já aqui o afirmámos várias vezes. A solução é sair, exigindo uma aceitável renegociação da dívida. Por muito mais razões, a Grécia deve seguir o mesmo caminho. E esta solução impõe-se, segundo o meu ponto de vista, porque não entendo que um duro e doloroso plano de austeridade possa alguma vez relançar a economia.

Apenas mais uma achega. Com a saída do euro, o país vai ficar mais pobre, mas não irá ficar menos pobre do que ficará, se prosseguir no suicídio de pôr em prática o memorando da troika. No entanto, com a saída do euro, ficaremos com a vantagem de vir a possuir uma moeda nacional de menor valor, que, através de uma sensata política cambial, poderá relançar rapidamente as exportações e diminuir as importações, não olvidando, contudo, a grande tarefa de proceder, pela acção de governos honestos, às necessárias reformas estruturais. Só a partir daí, e com alguma riqueza acumulada, poderemos pensar em modernizar a economia, melhorando sustentadamente a taxa de produtividade, o que exige a intervenção de um novo tipo de empresários, uma nova classe política, disposta a trabalhar exclusivamente a favor do bem comum, e uma opinião pública mais culta, mais crítica, mais exigente e mais interventiva.

Para concluir: uma coisa é certa. Se a Grécia ou Portugal entrarem em incumprimento, o euro irá à falência, já que os bancos credores da dívida destes dois países não aguentarão o forte impacto nos seus balanços. O problema também é da União Europeia, que não pode andar a brincar, entretendo-se a ler a economia nos livros de banda desenhada, nem muito menos andar a contar histórias aos quadradinhos, como se os cidadãos estivessem todos infantilizados.

(1) Para ser mais exacto, a dívida pública começou a crescer no segundo ciclo de crescimento, depois do 25 de Abril, entre 1995 e 2000, uma vez que a despesa pública aumentava muito mais do que a economia, e os salários cresceram mais do que a produtividade. Isto, porque as exportações deixaram de ser o motor de crescimento, em consequência de o Estado concentrar os apoios no sector dos bens não transacionáveis.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A política dos credores como a negação do liberalismo (Krugman)



A política dos credores como a negação do liberalismo
Krugman aponta o dedo para o rei que vagueia nu nas academias e nos governos dos países europeus e dos EUA, colocando a questão nos termos que me parecem mais correctos: não existe nenhuma teoria sólida que sustente os planos de austeridade, a redução nos gastos e a política monetária restritiva que o BCE e o FED têm levado a cabo, em face à crise económica que se vive. Por outro lado, os únicos beneficários desta estratégia política são os credores. Nem é preciso estabelecer uma relação causal. Não é preciso acusar os governos de serem reféns dos credores, basta perceber que estes são os únicos beneficários para se poder partir para uma Política séria de oposição a estas políticas.
É preciso perceber que as pessoas que nos emprestaram dinheiro, mais do que conscientes dos riscos que estavam a enfrentar, foram devidamente compensadas com taxas de juros que reflectiam precisamente esses riscos. Ignorar esta realidade é desvirtuar as regras do jogo, e é, na sua essência, curiosamente, a negação do liberalismo: primeiro os credores aceitaram uma aposta e colocaram o dinheiro onde ele era mais rentável, sendo mais rentável apenas por haver risco de não pagamento. Depois, quando o risco de não pagamento se ameaça materializar, correm para que o estado mude as regras do jogo, e faça tudo para impossibilitar o não pagamento.
Do blogue elasticidade
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Paul Krumam é outro economista de renome que, embora sob uma outra perspectiva, vem denunciar a irracionalidade económica dos planos de ajuda (empréstimos) aos países da zona euro (Grécia, Portugal e Irlanda) que se debatem com problemas orçamentais, alinhando assim pelas posições de Amartya Sen e Joseph Stiglitz, que aqui, no Alpendre da Lua, temos vindo a citar. Todos eles são unânimes em admitir a impossibilidade de fazer crescer a economia daqueles países (para poderem pagar a dívida), impondo-lhes severos planos de austeridade. Se em períodos de contracção económica, com os privados a retraírem-se por falta de confiança, o Estado se demite de intervir na economia, por imposição do aperto orçamental, o período de recessão prolonga-se indefinidamente. Já a propósito dos sucessivos PEC, lançados pelo governo de José Sócrates, a questão aqui colocada, com frequência, incidia precisamente sobre a incerteza gerada ao nível do necessário crescimento económico do país, que não podia ser obtido apenas com o aumento das exportações.
Quando se cortam as pernas a um homem, ele jamais poderá andar, nem sequer de muletas. Os dirigentes da UE, no meio desta tempestade que ameaça o euro, lançaram uma bóia de salvação aos três países com dificuldades, ao mesmo tempo que lhes mergulham a cabeça para dentro de água, para não poderem respirar. Assim não salvam nada nem ninguém. Assim, talvez seja o grande barco da Europa a afundar-se. 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Mais uma voz crítica à estratégia dos planos de resgaste aplicados a Portugal, Grécia e Irlandal


Exportações são estímulo para resgates financeiros funcionarem, diz economista da ONU
Rob Vos sublinha que o caso dos países do sul da Europa é particular porque “enfrentam imediatamente necessidades imediatas de consolidação fiscal”, mas sublinha que este processo deve ter um horizonte de “médio prazo”, para não tornar a travagem demasiado brusca.
“Esta austeridade está a enfraquecer o crescimento económico, e, se este cai, o problema da dívida aumenta e torna-se mais difícil alcançar o ajustamento orçamental a curto prazo”, disse.
PÚBLICO
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Começam a surgir vozes de peso, a criticar o modelo seguido pela UE na dura e inflexível aplicação dos planos de resgate dos países em dificuldades.
Agora foi a vez de Rob Vos, o economista-chefe da ONU, que, embora de uma forma diplomática, não deixa de considerar ser absolutamente impossível, para aqueles países, desenvolver a sua economia num quadro de recessão, que as medidas de austeridade acabam por agravar ainda mais, o que constituirá, por si só, um entrave ao crescimento. Por outro lado, o necessário aumento das exportções, que os planos ilusoriamente projectam promover, também se encontra comprometido pelas políticas fiscais restritivas dos países mais ricos da UE, que assim diminuem a procura externa. Para Rob Vos, os planos de ajuda, desenhados pela UE, com ajuda do FMI, deveriam também ter contemplado um plano estratégico coerente, que viesse a promover o rápido crescimento das exportações, o que não aconteceu. 

Economista que previu a crise mundial defende reestruturação da dívida grega


O norte-americano Nouriel Roubini diz que a estratégia da zona euro está condenada ao fracasso. Ministro das finanças alemão é contra a reestruturação da dívida da Grécia e pede mais criatividade para enfrentar a recessão.
Nouriel Roubini, um dos economistas que previu a crise financeira mundial, defendeu hoje que a estratégia da zona Euro está condenada ao fracasso e, por isso, a Grécia deve fazer uma “reestruturação ordenada” da sua dívida.
PÚBLICO
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Não há volta a dar. A reestruturação da dívida e, também, a prorrogação do prazo para a correcção dos défice orçamental e a saída do euro impõem-se cada vez mais como a única solução para resolver a crise dos países da periferia. A reanimação da economia não se pode fazer, condenando a maior parte da população à miséria. Ela só poderá operar-se através da adopção de uma moeda nacional de baixo valor em relação ao euro, para poder aumentar as exportações e diminuir as exportações. Claro que esta opção também conduzirá ao empobrecimento, tal como aquele a que conduzirá a aplicação o programa de ajuda da UE e do FMI, mas tem a grande vantagem de abrir oportunidades de crescimento mais acelerado e de distribuir os sacrifícios, que naturalmente se impõem, de uma forma mais equitativa. Só assim, e desde que se elejam governos honestos e competentes, dedicados exclusivamente ao bem público, os países em dificuldades poderão gerar riqueza para poder pagar a dívida, que deverá ser previamente reestruturada.
É necessário recordar que, no caso de Portugal, foi a adesão ao euro (além dos erros próprios dos governos) que obstaculizou a expansão das exportações e que provocou o crescimento do endividamento e dos défices orçamentais. 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Grande Vitória de Portugal! VIVÔ!...


Ministros das Finanças europeus aprovam ajuda a Portugal
Os ministros das Finanças europeus chegaram hoje, em Bruxelas, a acordo sobre o programa de assistência financeira a Portugal de 78 mil milhões de euros.
PÚBLICO
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A forca já está montada. Falta conduzir o condenado.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Notas do meu rodapé: A encruzilhada da União Europeia e o novo Alcácer-Quibir de Portugal


Quando os governantes da França e da Alemanha, de uma forma leviana, resolveram abrir as hostilidades, dando início à carnificina da I Guerra Mundial, os generais de ambos os lados, que mediam o seu potencial militar pela dimensão dos seus exércitos, acreditavam piamente que o conflito seria resolvido numa questão de três ou quatro semanas. A guerra durou quatro longos anos, com milhões de homens mortos em combate, e no meio de um cenário dantesco, que, antes, nenhum militar previra. O mesmo está a acontecer na União Europeia (UE).
A facilidade com que meia dúzia de políticos e de tecnocratas, obnubilados pelas delícias do pensamento único neoliberal, elaboraram os planos de empréstimos à Grécia, Irlanda e Portugal, impondo-lhes, irracionalmente, ao arrepio de toda a razoabilidade da ciência económica, e num período crítico em que as suas respectivas economias atravessam uma forte recessão, condições draconianas para que, rapidamente, diminuíssem os seus défices orçamentais, leva-nos a concluir que caíram no mesmo erro de avaliação, que traiu os generais franceses e alemães da I Guerra Mundial. Se os generais semearam a morte nas trincheiras, onde os soldados viviam como bichos, os principais dirigentes políticos da UE estão a espalhar o desespero e a miséria pelos três países periféricos, cujos governos não estiveram à altura das suas responsabilidades.
O exemplo da Grécia é paradigmático. Decorrido um ano sobre o início da execução do plano de ajuda, desenhado a preceito pela UE, FMI e BCE, a situação do país piorou, o que está a provocar o nervosismo dos credores da dívida grega (principalmente os bancos alemães) e a criar engulhos nos políticos, que julgavam que a receita era milagrosa. O remédio, em vez de curar, está a matar o doente. Os mercados financeiros já estão a praticar a taxa de juro de 15 por cento e a dívida pública, que representava, há um ano, 115 por cento do PIB anual, passará, no fim de 2011, para 150 por cento. A situação é de tal maneira grave, que os principais dirigentes europeus já admitem a necessidade de reforçar a economia grega com um novo empréstimo, ao abrigo do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF), fundo este constituído pelas contribuições, indexadas aos respectivos PIB, dos outros países do Eurogrupo, o que começa a não ser pacífico, já que alguns países (como é o caso da Finlândia e também o da Grã-Bretanha, que, não sendo do Eurogrupo, também tem de contribuir, tal como os outros países da UE, que se encontram nas mesmas condições), começam a questionar-se sobre a eficácia dos planos de resgate aplicados, ao mesmo tempo que adensam o seu receio de poderem vir a perder o dinheiro que já emprestaram.
As notícias que chegaram da Grécia sobre o agravamento dos indicadores económico-financeiros e sobre o ambiente de ruptura social iminente, que as centenas de motins anunciam, podem precipitar a divisão entre os países da UE, com uns a exigirem o escalonamento da dívida dos países periféricos, ou até a sua saída do espaço do euro, e outros, principalmente, a Alemanha, França e Espanha, cujos respectivos bancos estão mais expostos aos países devedores, a pretenderem evitar a suspensão do actual modelo de ajuda. As reuniões dos países do euro e do conselho europeu, na próxima semana, poderão trazer muitas surpresas negativas.
Foi neste jogo que Portugal alinhou, através dos partidos do arco da traição, cujos respectivos dirigentes, desprovidos de uma qualquer visão estratégica, não souberam avaliar correctamente a fragilidade da UE, aceitando passivamente um acordo, que vai cavar o buraco mais fundo, que a nossa História regista, e que só tem paralelo com a perda da independência nacional em 1580.
Este acordo assinado com a troika é um novo Alcácer-Quibir, já que Portugal perdeu parte da sua independência, ao ter de governar com um programa imposto por estrangeiros. Quando o distanciamento temporal o permitir, não tenho dúvidas que os historiadores do futuro irão apelidar estes dirigentes partidários de coveiros da Pátria.

domingo, 17 de abril de 2011

Notas do meu rodapé: Justificação para Portugal sair do euro...


Deixar o euro "lixaria" Portugal por uma década"
Os portugueses devem aceitar o resgate financeiro internacional e o país manter-se na zona euro mas no futuro poderá ter de ser mais responsável perante restantes contribuintes europeus, defende o economista britânico Will Hutton.
O analista político alerta os portugueses que têm pedido uma revolta à imagem dos islandeses, que recusaram em referendo o reembolso ao Reino Unido e Holanda pelos reembolsos dos bancos e se têm manifestado contra a assistência financeira a Portugal.
Diário de Notícias
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Will Hutton, um defensor da entrada da Grã-Bretanha no clube do euro, aconselha os portugueses a manter a moeda única. No entanto, não avança com nenhum argumento da ciência económica para sustentar a sua opinião, o que a torna muito duvidosa. Julgo tratar-se mais de uma opção política, ditada por outros inconfessados interesses, do que de uma reflexão fundamentada na teoria económica. Falou como um político e não como um economista.
E para o contrariar, socorro-me do parecer emitido pelos economistas, seus compatriotas, do Centre for Economics and Business Research (Centro para a Investigação Económica e Empresarial), uma entidade independente, convidada pelo governo da Grécia, em Abril do ano passado, para se pronunciar sobre a crise grega, então no seu auge. Estes economistas, contrariando o pensamento político-económico dominante, que defende o  establishment, recorreram a um argumento simples e objectivo, que não é difícil de entender pelas pessoas que apenas tenham conhecimentos rudimentares de economia, o que é o meu caso.
Perante as duras medidas de austeridade, impostas ao povo grego, centradas na obsessão da correcção do défice orçamental, aumentando as receitas, através do aumento dos impostos, e reduzindo as despesas, forçando a diminuição dos salários, aqueles economistas alertaram que essas medidas iriam estrangular a economia durante muitos anos, por via da redução do poder de compra e do consumo interno, ao mesmo tempo que, com uma moeda muito valorizada, como é o euro, seria difícil expandir as exportações, a um nível que permitisse um saldo positivo na balança de transacções correntes, com que se pagasse as dívidas contraídas.
Desde o ano passado, e a propósito dos constrangimentos impostos pelos sucessivos PEC, eu interrogava-me sempre sobre o que seria a economia portuguesa, depois de destruída a estrutura empresarial de bens e serviços, vocacionada para o consumo interno, quando, em 2013, para a satisfação dos mandantes da União Europeia, o défice orçamental alcançasse os 2,6% do PIB. Também num recente e longo artigo sobre a história recente da economia portuguesa, na sua parte final, eu advogava a hipótese da saída do euro, precisamente baseado no argumento de que, uma vez recuperado o pilar da política monetária e cambial, com a adopção de uma moeda nacional, o governo poderia a todo o momento decretar a sua desvalorização, para promover o aumento das exportações e diminuir as importações, pois os bens produzidos no estrangeiro ficariam, deste modo, mais caros, e que levaria à dinamização da produção de alguns desses produtos em Portugal, com reflexos directos na criação de novos empregos. Nesta perspectiva, também os bens de luxo, só acessíveis às classes mais ricas, deixariam de sobrecarregar negativamente a balança comercial.
É certo que os sacrifícios não seriam evitados, mas com a desvalorização da moeda, eles seriam mais equitativos, do que aqueles que foram impostos pela parelha José Sócrates/Teixeira dos Santos, que a História um dia irá julgar como suicidas (agentes causais da própria ruína). Além disso, os sacrifícios seriam compensados com a perspectiva animadora de um horizonte temporal de recuperação rápida da economia, que permitisse o regresso à normalidade, o que não acontecerá se Portugal mantiver o euro como moeda. Com a ortodoxia do FMI e com as duras medidas que irá terapeuticamente aplicar, Portugal não chegará a ver a luz ao fundo do túnel. Da Grécia e da Irlanda, onde o FMI, pela mão da UE, interveio, já chegam sinais alarmantes, ao ponto de começar a admitir-se a reestruturação das suas dívidas soberanas, hipótese considerada absurda, até há uns dias atrás, pelos dirigentes europeus e pelos papagaios que debitam de cor nas televisões os últimos comentários do The Economist.
O euro, ao ser adoptado, só veio agravar o crescimento do endividamento externo do Estado Português, que se iniciou naquele fugaz período de crescimento económico, entre 1995 e 2000, mais na base do aumento do consumo interno de bens não transacionáveis, do que no aumento das exportações. A partir do início do novo século, o endividamento disparou e os défices orçamentais começaram a crescer, uma vez que a economia não gerava riqueza suficiente para sustentar, através dos impostos, as colossais despesas do Estado, umas plenamente justificadas, como as referentes ao Serviço Nacional da Saúde e às da Educação, cada vez mais a requerem crescentes recursos financeiros, e outras, infelizmente desnecessárias, e que reportam à suicida gestão dos dinheiros públicos, principalmente no período dos governos de José Sócrates. 
O euro foi arquitectado para responder aos interesses das economias dos países mais ricos da Europa, que a ele aderiram, principalmente as da Alemanha e da França. Sem problemas em dinamizar as suas exportações, mesmo com uma moeda forte, já que as suas economias apresentavam elevadas taxas de produtividade, o que não acontece nas economias periféricas, o euro, fortemente valorizado em relação ao dólar, permitia-lhes no mercado bolsista atrair avultados capitais, em benefício das suas balanças de transacções correntes.
Mas o euro, ao nascer, trazia dentro de si duas contradições, que muitos economistas assinalaram na altura, ao preconizarem que não poderia haver uma união monetária, sem, em primeiro lugar, se construir uma união política. E essa união política é muito difícil de alcançar, já que a Europa é um cadinho de exacerbados nacionalismos, que nem pelas armas, Carlos Magno, Napoleão ou Hitler conseguiram dominar. Ingenuamente ou não, os dirigentes europeus julgavam que, com o compressor do euro, a união política seria, no futuro, mais fácil. As crises recentes das dívidas soberanas e dos défices orçamentais gigantescos vieram demonstrar o contrário. 
A segunda contradição, já aqui assinalada, baseia-se na ausência de uma política orçamental comum, peça importante, numa óptica europeísta, para poder administrar correctamente a moeda única. O recurso urgente e precipitado, que a comissão europeia vai tentar, no sentido de controlar os orçamentos nacionais, quer na sua elaboração, quer na sua execução, já é tardia e insuficiente.
Perante este panorama muito sombrio, que os actuais dirigentes europeus tentaram disfarçar, transferindo hipocritamente os problemas para os países da periferia, vão desembocar na hecatombe do euro. No próximo ano, quando a autoridade monetária americana valorizar o dólar (como já está prometido), para suster a fuga de capitais, e perante a iminência da eclosão de uma nova crise, já prevista por alguns economistas, o euro vai mostrar todas as suas fraquezas e demonstrar que a União Europeia é um gigante com pés de barro, como também já aqui assinalámos.
Tivesse Portugal, em conjugação de esforços com a Grécia e a Irlanda, explorado estas fraquezas da União Europeia, cuja sustentabilidade está seriamente ameaçada pelo real e provável incumprimento de alguns daqueles países, e exigido a dilatação dos prazos para a rectificação dos défices orçamentais e a renegociação e reestruturação das dívidas soberanas, e os portugueses não teriam de sofrer aquilo que vão sofrer, durante muitos anos.
Alexandre de Castro

terça-feira, 15 de março de 2011

Notas do meu rodapé: O garrote da dívida

BCE considera insuficientes as medidas para a crise do euro
O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, considerou hoje as medidas já decididas sobre o funcionamento da zona euro, na sequência da cimeira de sexta-feira, insuficientes para resolver os actuais problemas da moeda única e evitar crise futuras.
Os líderes europeus decidiram na sexta-feira que o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) em vigor vai poder comprar dívida pública directamente em emissões dos países do euro, quando os juros de mercado estiveram acima de um determinado nível, não definido para já, considerado “proibitivo”.Esta medida deixou de parte uma das pretensões do BCE: que o FEEF passasse a poder comprar também dívida nos mercados secundários, uma função que tem estado a ser exercida pelo próprio banco central, para não deixar descontrolar as taxas de juro ali registadas, nomeadamente as portuguesas.
PÚBLICO
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Se Jean-Claude Trichet tivesse proferido ontem esta declaração, que o PÚBLICO noticia, José Sócrates não teria feito aquele delirante discurso, ou, até, nem sequer teria feito discurso algum. As palavras de Trichet arrefeceram aquele paranóico optimismo do primeiro-ministro, que vê em cada nova medida, do governo ou da UE, a solução milagrosa para a resolução da crise. Trichet desfez as certezas absolutas de José Sócrates, quando admitiu que as medidas adoptadas pelos líderes dos países do euro, destinadas a ajudar os países em dificuldades, eram insuficientes.
Ontem, neste espaço, quando criticava as declarações de Francisco Assis, escrevi: "por mais PEC's que (o governo) tente implementar, a situação de crise não irá inverter-se...". Sem pôr em causa a necessidade de Portugal recuperar o equilíbrio orçamental, que foi sempre uma exigência da boa governação, o que é verdade é que a UE, se pretende manter a estabilidade do euro, tem de ser mais generosa no apoio aos países com dificuldades orçamentais, que são a causa principal para o aumento dos juros das dívidas soberanas. E Trichet ao reivindicar a possibilidade do BCE também poder comprar no mercado secundário a dívida desses estados, para arrefecer a pressão dos credores (opção a que se opõe a Alemanha), está a apontar o caminho certo. No actual quadro, Portugal, a Grécia e a Irlanda não conseguirão libertar-se da especulação à volta da sua dívida. Se a Alemanha persistir na sua teimosia chauvinista, então, para esses países, o melhor, será saírem do euro e recuperarem a sua moeda nacional, que poderão desvalorizar, para que as respectivas economias ganhem competitividade. E essa desvalorização controlada da moeda nacional, é o equivalente, embora com mais prejuízos para a economia, do imposto adicional progressivo sobre todos os rendimentos, os do trabalho e os do capital, que eu advogada para Portugal no início desta crise financeira, desencadeada pela dívida, e que se me afigurava muito mais justo e equitativo do que as medidas de austeridade posteriores, que incidiram apenas sobre os rendimentos do trabalho e que penalizaram duramente as faixas populacionais mais fragilizadas.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A Europa chegou ao fim?!

*
Resumo das declaração do professor de economia, Kuing Yamang:
1. A sociedade europeia está em vias de se autodestruir. O seu modelo social é muito exigente em meios financeiros. Mas, ao mesmo tempo, os europeus não querem trabalhar. Só três coisas lhes interessam: Lazer/entretenimento, ecologia e futebol na TV! Vivem, portanto, bem acima dos seus meios, porque é preciso pagar estes sonhos de miúdos...
2. Os seus industriais deslocalizam-se porque não estão disponíveis para suportar o custo de trabalho na Europa, os seus impostos e taxas para financiar a sua assistência generalizada.
3. Portanto endividam-se, vivem a crédito. Mas os seus filhos não poderão pagar 'a conta'.
4. Os europeus destruíram, assim, a sua qualidade de vida empobrecendo.Votam orçamentos sempre deficitários. Estão asfixiados pela dívida e não poderão honrá-la.
5. Mas, para além de se endividar, têm outro vício: os seus governos 'sangram' os contribuintes. A Europa detém o recorde mundial da pressão fiscal. É um verdadeiro 'inferno fiscal' para aqueles que criam riqueza.
6. Não compreenderam que não se produz riqueza dividindo e partilhando mas sim trabalhando. Porque quanto mais se reparte esta riqueza limitada menos há para cada um. Aqueles que produzem e criam empregos são punidos por impostos e taxas e aqueles que não trabalham são encorajados por ajudas. É uma inversão de valores.
7. Portanto o seu sistema é perverso e vai implodir por esgotamento e sufocação. A deslocalização da sua capacidade produtiva provoca o abaixamento do seu nível de vida e o aumento do... da China!
8. Dentro de uma ou duas gerações 'nós' (os chineses) iremos ultrapassá-los. Eles tornar-se-ão os nossos pobres. Dar-lhes-emos sacas de arroz...
9. Existe um outro cancro na Europa: existem funcionários a mais, um emprego em cada cinco. Estes funcionários são sedentos de dinheiro público, são de uma grande ineficácia, querem trabalhar o menos possível e apesar das inúmeras vantagens e direitos sociais, estão muitas vezes em greve. Mas os decisores acham que vale mais um funcionário ineficaz do que um desempregado...
10. Vão (os europeus) direitos a um muro e a alta velocidade...
Texto recebido por email
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Não é só este professor chinês que pensa assim. Os historiadores e os sociólogos, mais do que os economistas - habituados a confrontarem-se com o ciclo histórico das civilizações, em que existe um período de ascensão, devido a uma ou mais vantagens competitivas, seguido de um período de maturação e de plafonamento, uma vez esgotada a capacidade de desenvolvimento, para depois se iniciar um difícil período de declínio - já fizeram esse vaticínio. Nenhuma civilização é eterna, poder-se-ia dizer.
A Europa perdeu o seu protagonismo no século XX, embora, devido ao plano Marshall, tivesse curado as feridas das duas guerras mundiais, que a devastaram e lhe roubaram a energia, ao mesmo tempo que perdia as colónias. O período áureo da União Europeia não teria sido mais do que as "melhoras da morte", como diz o povo. Tudo o que objectivamente o professor chinês afirma é verdade. Eu continuo a fazer a analogia entre a ocorrência do declínio da Grécia Clássica, depois de ter atingido a sua maior grandeza com Alexandre Magno e a ascensão impetuosa do Império Romano. A Europa é a Grécia e os EUA são o império. Mas um novo império está a nascer: A China. Lá teremos de nos habituar a receber umas sacas de arroz!