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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Quando a obra não sobrevive ao seu autor...

A dança é um gesto efémero e evanescente, que o bailarino vive no momento. O coreógrafo enfrenta a ameaça de o seu processo criativo não ficar registado para a memória futura, pois para o manifestar bastam-lhe as tábuas do palco, como suporte. O recurso às novas tecnologias de captação da imagem é recente, e, mesmo que utilizadas para arquivo, não conseguem traduzir a potencialidade do acto criador, quando apresentado ao vivo. O drama dos coreógrafos centra-se na incapacidade de serem postumamente estudados, o que não acontece aos escritores, pintores e escultores, cujos livros, pinturas e esculturas lhes sobrevivem, materialmente.
A propósito da morte, este ano, de dois grandes vultos da dança e da coreografia, e que o Alpendre da Lua oportunamente registou, e da relativa incapacidade de podermos ver materializada a reprodução original das suas composições, remeto o leitor para para um artigo do jornal PÚBLICO, da autoria de Vanessa Rato.

domingo, 30 de agosto de 2009

Thousand-Hand Guan Yin


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Reproduzo o texto explicativo de Rubem Alves, publicado no abnoxio:


Esta é uma impressionante dança chamada de "Guan Yin das Mil Mãos", que está fazendo um enorme sucesso em vários países.Considerando a exigência de coordenação absoluta, a apresentação já seria de "deixar cair o queixo", mesmo que todos os 21 dançarinos não fossem surdos-mudos.Considerando a sua deficiência, os dançarinos se valem de sinais feitos pelos treinadores nos quatro cantos do palco.. Sua primeira apresentação maior foi em Atenas, na cerimónia de encerramento das paraolimpíadas de 2004. A dançarina-líder é Tai Lihua, de 29 anos.O vídeo foi gravado em Beijing, durante o Festival da Primavera, este ano de 2009.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Morreu Merce Cunningham, um revolucionário da Dança





Merce Cunningham morreu no último domingo, aos 90 anos. Abraçando a dança e a coerografia, desde muito novo, destacou-se pela revolução que introduziu nos seus trabalhos, inovando nos métodos e na linguagem da criação artística. Pela sua parte, deu um contributo pessoal a todo o vanguardismo artísto e cultural que explodiu em Nova Iorque na primeira metade do século XX. Recorde-se que, entre os seus colaboradores, figurou Andy Warhol, o célebre pintor que introduziu a pop art. Merce Cunningham foi pois uma testemunha e um actor importante do apogeu artístico dos Estados Unidos no último século.

Cunningham descomplexou a dança, retirando-lhe a rigidez dos movimento programados para o bailarino, como acontecia no processo da dança clássica. Apontando apenas as direcções dos deslocamentos e os tempos das paradas, Cunningham dava inteira liberdade aos bailarinos para vivenciarem em cada momento o seu estilo e figuração, já que, para este coreógrafo, a dança deveria compor-se de gestos naturais, sem artifícios desnecessários, e que não deveria obedecer a nenhum encadeamento lógico de movimentos. Para ele a dança não tinha uma finalidade narrativa, mas apenas figurativa, princípio este subtraído aos cânones do abstracionismo na pintura.

Em 1968, já com o seu trabalho de vanguarda inteiramente reconhecido, a companhia que dirigia passa a ter o estatuto de companhia residente na Brooklin Academy of Music. No ano seguinte, é nomeado director da Companhia de Dança Moderna de Nova York. A sua fama galga fronteiras, e, em 1970, apresenta no Théâtre de France a sua obra Signalis. Produziu cerca de 200 coreografias, algumas delas, a partir de 1970, recorrendo à programação em computador, o que foi uma inovação..

domingo, 26 de julho de 2009

Pina Bausch Mazurca Fogo

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Mazurca Fogo foi concebida durante o período em que a companhia residiu em Lisboa, a convite da direcção da Expo 98, sendo representada no Centro Cultural de Belém. Nesta coreografia, as referências sexuais são nítidas. Na parte final, os bailarinos prolongam a sua representação no meio dos espectadores, momento este que as imagens não conseguem visualizar convenientemente, por falta de luminosidade.

Le Sacre Du Printemps by Pina Bausch Wuppertal Dance Theater

Uma coreografia de Pina Bausch, falecida recentemente, e a quem dediquei um texto, abordando as carcterísticas inovadoras da sua obra.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Pina Bausch: Morreu um génio da dança contemporânea

Pina Bausch em Café Muller
Pina Bausch: Morreu um génio da dança contemporânea

Quando a arte se desliga da vida, a arte morre. Foi o que Pina Bausch evitou que acontecesse à dança, inventando-lhe novas linguagens e abrindo-a a novas e revolucionárias temáticas. Apesar das dificuldades dos primeiros tempos, com o público e a crítica a fustigá-la, Pina Bausch ainda viveu o tempo suficiente para ser reconhecida e aplaudida no mundo inteiro. Mas foi uma luta difícil, que só a sua determinação e coragem conseguiram vencer.
Lisboa teve a oportunidade de ver os seus espectáculos e de a admirar. Masurca Fogo foi construída em Lisboa e para Lisboa, a partir de uma sua ideia inicial, que depois acabou por incorporar as vivências e experiências dos bailarinos, a residir temporariamente nesta cidade, correspondendo ao convite da direcção da Expo 98. A peça foi apresentada em Maio de 1998 no Centro Cultural de Belém. Esse longo período de permanência em Lisboa, onde já apresentara anteriormente outros espectáculos, deu-lhe a oportunidade de nela fazer amigos e recrutar admiradores.
O seu mérito, marcado por uma genialidade deslumbrante, consistiu em ter conseguido, na linguagem coreográfica, uma renovada relação entre a dança e o teatro, o que lhe permitiu integrar nas suas criações novas expressões artísticas. Com ela, a dança deixou de ser um espaço contemplativo, onde os dançarinos eram apreciados pelo virtuosismo da sua técnica, para passar a ser um campo de reflexão e de emoções, o que exigia novos públicos ou públicos mais antigos, devidamente reciclados. O bailado deixou de ser aquele espectáculo à moda da antiga ópera de S. Carlos, que exigia smoking aos espectadores, para passar a ser um espectáculo para um público culto e interessado, que pensasse a arte como arma de intervenção. E esse público, que se começou a formar no último quartel do século passado, compreendeu a profunda ruptura que Pina Bausch provocou na dança contemporânea, assim como Pina Bausch compreendeu que nenhuma revolução é inócua e pacífica. Para sobreviver, a arte tem de se enriquecer com novas linguagens e novos elementos culturais de vanguarda, pois não é a arte que tem de descer aos infernos, à vulgaridade, mas terão de ser os homens a subir aos céus, às formas superiores dos valores estéticos e artísticos.
A conflitualidade entre o homem e a mulher, a incomunicabilidade e a solidão são temas recorrentes na sua obra, e este alargamento dos horizontes temáticos permitiu a sobrevivência da dança como arte de intervenção. A voz, na representação sobre as tábuas, deixou de ser um monopólio do teatro e da ópera, para passar a ser também um território orgânico da dança. E isso deve-se ao génio criador de Pina Bausch, que morreu ontem, aos 68 anos de idade.