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domingo, 7 de abril de 2013

Bagão Félix: "Ainda esta semana soubemos que Chipre negociou uma taxa de juro de 2,5%"...


O economista disse também que Portugal tem que fazer valer a sua posição junto da troika quanto às condições de aplicação do memorando, frisando que o país tem um TC que tem que ser respeitado, porque "não há TC de pequenos países que não interessam, e TC de grandes países que importam"; e exigindo condições de pagamento da dívida em condições de igualdade com outros países, como o Chipre.
"Ainda esta semana soubemos que Chipre negociou uma taxa de juro de 2,5%. A nossa taxa de juro anda à volta de 3,6%, em média, portanto aqui estamos a falar de mil milhões de euros. Não estou a dizer que é fácil, mas o que me parece é que Portugal, sobretudo através do ministro das Finanças, tem sido pouco pró-activo. Às vezes é preciso também, na difícil qualidade de devedor, bater o pé e aproveitar as oportunidades que são dadas", reiterou.
Bagão Félix (antigo ministro do Trabalho)
Notícias ao Minuto
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Temos aqui denunciado, desde a assinatura do memorando da troika, a postura passiva dos responsáveis políticos portugueses em relação às imposições draconianas, impostas pelas instâncias europeias, o que até poderá levar a pensar que o governo de Passos Coelho é apenas uma sua mera extensão administrativa e executiva e não um governo soberano eleito pelos portugueses. Todos nos recordamos daquela imagem humilhante de ver Vítor Gaspar, em postura submissa, a mendigar “migalhas” ao ministro das Finanças do governo da Alemanha, no intervalo de uma reunião em Bruxelas. Bruxelas manda, Lisboa obedece sem pestanejar, parece ser este o lema.
A condição de devedor não obriga à submissão ao credor, nem à obediência da sua vontade discricionária. O contaste entre as diferentes formas de tratamento, dispensada pelos dirigentes europeus, em relação aos países com problemas de endividamento, é de veras chocante. Os juros impostos a Portugal pelos faseados empréstimos concedidos pelas entidades da troika, e eufemisticamente alcunhados de ajuda, são de tal maneira elevados, que mais parecem ser o resultado de um muito bem calculado negócio.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sequestro da TROIKA - para garantir o pagamento dos empréstimos bancários (fraudulentos)

Amabilidade de Olímpio Alegre Pinto
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Paulo Morais tem vindo a destacar-se na firme denúncia da grande armadilha da dívida.
Nesta apresentação, a primeira desmistificação centra-se na clarificação dos conceitos entre o resgate de uma dívida e o sequestro de um Estado. Em princípio, um resgate de uma dívida ocorre quando existe incumprimento, o que não foi o caso de Portugal.
Depois, e isto é muito importante, detém-se na explicação da organização do sistema bancário internacional, com os bancos nacionais das economias das periferias a subordinarem-se, para se alcançar o mesmo objetivo comum, aos grandes bancos dos países centrais, os mais ricos.
Por fim, Paulo Morais interroga-se sobre os motivos que levaram os partidos, que aqui temos vindo a qualificar de partidos do arco da traição, a submeterem-se a um sequestro, acionado por três instituições internacionais - que, indesmentivelmente, defendem os interesses do capitalismo financeiro, e que atuaram no sentido de reforçar, por este processo, a garantia de que Portugal iria desenvolver políticas restritivas, inimigas da economia e da população, para arranjar dinheiro para pagar as dívidas e os seus juros - quando, na realidade, havia alternativas mais favoráveis para a economia portuguesa e menos dolorosas para  a população.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Notas do meu rodapé: As causas remotas da crise financeira internacional...


As causas remotas da crise financeira internacional

Qualquer acontecimento (na vida, na política, na economia e em tudo) tem causas e consequências. E a atual crise económica e financeira internacional também teve causas, as próximas (mais conhecidas) e as remotas (pouco divulgadas e pensadas), embora os corifeus do sistema tentem apresentá-la como se de um fatalismo se tratasse, imprevisível e inevitável, sem culpados e sem tratantes. E o excesso de liquidez, ocorrido a partir dos finais dos anos setenta, é uma das causas remotas da crise. Aquele aumento de liquidez resultou de vários fatores: da enorme acumulação de capitais nos bancos dos EUA, proporcionada pela remessa de avultados lucros proporcionados pela deslocalização das indústrias para a Ásia; da então recente formação dos off shore financeiros, em diversas partes do mundo, a fim de captar poupanças dos países menos desenvolvidos; da decisão unilateral da desvinculação do dólar do padrão ouro, para poder valorizar especulativamente aquela moeda; e, também, pelo facto dos pagamentos do petróleo a nível internacional começarem a ser feitos em dólares, por imposição dos EUA (houve, nesse sentido, uma negociação do governo dos EUA com a Arábia Saudita e com outros países árabes do Golfo).
Neste novo quadro, concebido pelos arquitetos do neoliberalismo, os EUA, cujo Tesouro saiu depauperado da guerra do Vietname, reforçaram a liderança económica e financeira a nível planetário, liderança essa que agora está a ser seriamente ameaçada pela ascensão meteórica e sustentada da fulgurante economia chinesa.
Para rentabilizar rapidamente o dinheiro, e uma vez que a economia, já amputada pelo efeito da deslocalização, não podia absorvê-lo na forma de créditos às empresas, os bancos americanos conceberam então a máquina financeira de multiplicar o dinheiro: o subprime. Iniciou-se um processo gigantesco de crédito fácil e de risco, às famílias, para a compra de casa própria. Os respetivos títulos, sem que os operadores se questionassem sobre o seu valor real, entraram no jogo da roleta da Bolsa de Valores, dando origem à economia de casino. Parecia que o mundo nunca iria acabar, pois todos ganhavam dinheiro a rodos, com destaque para os bancos e os seus acionistas, que trataram de colocar os seus dividendos em lugares seguros, não fosse o céu desabar. E tinha que desabar, pois toda aquela sumptuosa riqueza era falsa, uma vez que não tinha sustentabilidade na economia real.
E o que se seguiu, já é conhecido. Falência em cadeia do sistema financeiro americano, que foi salvo pelos impostos dos cidadãos, num processo injusto e escandaloso da socialização dos prejuízos. Os acionistas dos bancos, os verdadeiros donos do mundo, ganharam mais uma vez.
Como esta crise era estrutural e não conjuntural, e como a globalização aumentou a interdependência das economias mundiais, a Europa não poderia passar incólume ao seu efeito sistémico, principalmente os países periféricos, onde o subprime foi incrementado. No entanto, existe uma diferença entre o que aconteceu nos EUA e na Europa. Por um lado, a liquidez dos bancos europeus não atingiu o nível dos seus congéneres norte-americanos, que muito beneficiaram com a internacionalização do dólar. Por outro lado, a economia europeia começou a viver um processo económico autofágico, a viver para si própria (e este é o seu verdadeiro problema). Basta dizer que a Alemanha só exporta para o exterior do espaço europeu trinta por cento do total das suas exportações. Por outro lado, na Europa, a Alemanha e a França exportaram o subprime para os países periféricos, promovendo o endividamento agressivo desses países. Tal como aqui denunciámos (ver esta hiperligação), a Alemanha, num processo inédito de engenharia financeira, e violando o Tratado de Maastricht, emitiu uma quantidade enorme de dinheiro (marcos, depois convertidos em euros), que escondeu em depósitos bancários, tendo-o utilizado, posteriormente, para forçar subtilmente o endividamento de Portugal, Espanha e Grécia (a Itália defronta-se, principalmente, com o problema da dívida interna), países que agora se encontram submetidos, por imposição da Alemanha e de alguns países ricos da UE, a uma dura, penosa e asfixiante austeridade, cujo obejetivo declarado será a promoção da redução dos seus défices orçamentais, num horizonte temporal muito curto.

Adenda: Recebi do meu sobrinho, João de Castro Mota, a seguinte observação, que acrescento aqui:
"Deixe-me só acrescentar um elemento à sua análise: para além da criação das offshores, da queda do padrão ouro, e de todos os factores que menciona, tomei conhecimento de outro elemento no excelente livro http://www.webofdebt.com/. A reserva federal americana tem andado a suportar as bolsas de valores nos EUA. De todas as vezes que parece que vai haver um "crash" na bolsa de valores, isso nunca acontece (seriamente). Por exemplo, não aconteceu com os atentados de Londres ou das torres gémeas. Nessas alturas, a Reserva Federal cria dinheiro e envia-o para fora do país (de modo a parecer um investidor exterior) e compra acções nas bolsas, de modo a parecer que a confiança está em alta".

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Notas do meu rodapé: A Alemanha emitiu “moeda falsa"


Amabilidade do João Grazina, (vídeo publicado no ARROIOS).
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A Alemanha emitiu “moeda falsa”
Faltava esta informação crucial, a da emissão de moeda falsa por parte da Alemanha e a sua posterior utilização em empréstimos internacionais, bem focalizados e bem calculados, em relação à garantia da sua rápida rentabilização, para compreender, na sua totalidade, o puzzle da armadilha da dívida, montada aos países periféricos da Europa, o que justificaria, só por si, como resposta, o seu não pagamento.
Com este hábil e manhoso estratagema, a Alemanha não cumpriu as normas estabelecidas no Tratado de Maastricht, que impedia os países signatários da adesão à moeda única de emitir mais moeda nacional, obrigando as respetivas economias a funcionar apenas com a massa monetária que já estava em circulação. O controlo destas normas, a cargo das instituições europeias, seria feito através do indicador da taxa de inflação, que aumentaria, caso houvesse emissão de mais moeda. Para esconder a fraude, e para evitar o efeito inflacionário induzido pela emissão de mais moeda, o banco central alemão fazia seguir diretamente o dinheiro da rotativa para os bancos comerciais, onde ficava sob a forma de depósitos, em nome do Estado, não o libertando para a economia real. Tratava-se, pois, de dinheiro falso, feito do nada, sem ter o seu valor facial ligado ao valor da economia, e que iria ser utilizado posteriormente na especulação monetária e imobiliária, através da formação das dívidas soberanas e das dívidas dos bancos dos países do sul da Europa.
Nunca foi tão fácil obter tanto dinheiro a tão baixo preço. Prometia-se o eldorado, à medida que os cogumelos imobiliários iam crescendo a granel, por toda a parte. A União Europeia, dominada pela Alemanha, fazia o seu papel, concebendo projetos nos seus programas de financiamento, o que obrigava os estados a recorrer aos empréstimos internacionais, para poderem suportar a comparticipação financeira, que lhes competia, das obras realizadas, umas úteis e necessárias, outra faraónicas e inúteis. É certo que as diferentes atividades ligadas à construção geraram a montante muitas indústrias e muitos postos de trabalho. Mas também é certo que, com a crise, todas essas atividades faliram, provocando desemprego e contribuindo para a diminuição do consumo interno, que por sua vez, em ondas sistémicas, foram contaminar outras atividades, o que prova que as políticas de crescimento têm de apostar em várias frentes da economia, o que não foi o caso. E a contaminação galgou fronteiras, com os países fornecedores de bens e serviços a Portugal a ressentirem-se, embora em pequena escala, com a diminuição das compras das empresas portuguesas.
Esse dinheiro, o dos empréstimos, que não teve suporte na economia real, gerou lucros fabulosos, em forma de juros, em toda a cadeia operacional por onde passava, enriquecendo, em primeiro lugar, a economia alemã, à custa da dívida dos países do sul.
A falta de prudência, nuns casos, e uma estreita conivência, noutros, levou os governos desses países a uma estreita cumplicidade colaboracionista com o capital financeiro, a fim de facilitar, ao nível das opções políticas, a aplicação desses empréstimos no setor produtivo de mais rápida reprodução do capital – a construção civil, que apenas gera bens finais não transacionáveis (*) (casas, obras públicas, etc.). Paralelamente, os bancos nacionais promoviam agressivamente o crédito às famílias, que se endividaram para a compra de casa própria para habitação. Em Portugal, os sucessivos governos, pressionados pelo capital financeiro, atuaram em consonância, aumentado a legião de devedores, ao não tomarem medidas de estímulo ao mercado de arrendamento, que só agora, esgotadas as fontes de crédito, irá ser implementado, com a aprovação da lei das rendas, lei esta que, injustamente, vai agravar dramaticamente, no que concerne às rendas antigas, a situação de milhares inquilinos idosos, a maioria deles a receber pensões inferiores ao salário mínimo nacional.
Com tal política e com tal negócio, montaram-se verdadeiros clusters financeiros, cuja matéria-prima foi a dívida, e que segue uma rota descendente, na escala de valor acrescentado, a começar no Estado alemão e a acabar no cliente final, que é quem acaba por pagar a fatura toda com os rendimentos do seu trabalho. Os bancos alemães, os governos e os bancos nacionais, as câmaras municipais, os donos dos terrenos urbanizáveis, as empresas imobiliárias e de construção civil e as empresas de bens intermédios obtiveram rendimentos desproporcionados com dinheiro artificial, obrigando agora as famílias a pagar esse desvario financeiro com dinheiro obtido na economia real, com o dinheiro proveniente dos salários, ou seja, o resultante do trabalho produtivo, que não é especulativo.
Como todos estes significativos recursos foram principalmente canalizados para estes setores, faltaram em muitos outros, nomeadamente no setor exportador de bens e serviços, desequilibrando assim a estrutura do produto (PIB) das economias dos países do sul, em que o consumo interno, intencionalmente induzido, se valorizou em relação aos outros fatores.
Durante uma dezena anos, o capitalismo financeiro alemão, com o dinheiro da rotativa, enriquecia à custa da bolha imobiliária que se foi formando em Portugal, na Grécia, na Irlanda e, principalmente, em Espanha. O esgotamento da capacidade de endividamento e o aumento do crédito mal parado ditou o fim do sistema baseado na dívida, com pesados custos para os devedores, que assim estão a pagar o risco que pertenceria aos credores, política esta só possível de executar com a cumplicidade existente entre os governos e o capital financeiro.

(*) Bens transaccionáveis são os bens e serviços que são passíveis de ser vendidos economicamente nos mercados internacionais.
Alexandre de Castro
2013 01 16


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Schäuble: "Comparação com a Grécia não me parece adequada”

O amigo alemão e a voz do dono

Vítor Gaspar considera que foi alimentada “uma considerável confusão no debate público em Portugal”, a propósito da possibilidade de o pacote de medidas negociadas para a Grécia serem extensíveis a outros países sob programa de ajustamento, no qual se inseria o programa português.
O ministro das Finanças fez estas declarações no final da reunião do Eurogrupo, onde se encontrou com Wolfgang Schäuble, o responsável pelo tesouro alemão que, horas antes, tinha “aconselhado” o governo português a “não dar o passo” no sentido de pedir a equiparação das medidas.
Recorde-se que o ministro Vítor Gaspar adiantou na Assembleia da República que “Portugal e Irlanda, de acordo com o princípio de igualdade de tratamento, serão beneficiados pelas condições abertas no quadro do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira”.
Mas, ontem, o ministro alemão trouxe Gaspar à realidade colocando um ponto final no assunto, ao afirmar no Parlamento Europeu que “seria um sinal terrível” que Portugal pedisse condições equiparadas às do programa grego. O ministro francês das Finanças, que também estava presente concordou.
O ministro alemão das Finanças colocou ontem um ponto final na expectativa criada em torno da possibilidade de Portugal vir a beneficiar de condições idênticas às decididas na última reunião do Eurogrupo, a propósito do futuro da dívida grega. Antes da reunião do Eurogrupo, os Gaspar e Schäuble encerraram o assunto.
“Eu não aconselharia Portugal a dar esse passo porque a comparação com a Grécia não me parece adequada”, afirmou Wolfgang Schäuble, no Parlamento Europeu
Dinheiro Vivo
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Com amigos destes, eu prefiro ter inimigos...
Em relação a este lamentável incidente, em que Portugal foi duplamente humilhado, impõe-se tirar a seguinte conclusõão:
Portugal é um pau mandado da Alemanha. Nunca, na nossa longa História de mais de oito séculos, existiu um governo como o atual, totalmente disponível para ser teleguiado por uma potência estrangeira, neste caso, a Alemanha. Salazar levantou a bandeira do "orgulhosamente sós", a sinalizar a independência do país, com a arrogância de um ditador, cego e surdo à luz e ao ruído de um mundo que estava a mudar. Vítor Gaspar ergue o cartaz do "orgulhosamente sós" da mais execrável subserviência. Vítor Gaspar, que não passa de uma metáfora do Excel, parece um menino de coro a papaguear o discurso encomendado por Angela Merkel e por Wolfgang Schäuble. E a primeira vez que ele se atreveu a reproduzir a voz de um outro dirigente da Europa, de segunda categoria, o luxemburguês Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, levou logo um puxão de orelhas de Wolfgang Schäuble, que o desautorizou no Parlamento Europeu, humilhando-o. Vítor Gaspar, que quer continuar a ser considerado o melhor aluno do clube do euro (um cargo europeu espera por ele, certamente), prometeu cumprir o castigo, que lhe foi imposto, e que consiste em dizer vinte vezes que foram os jornalistas a interpretar mal as suas palavras. Será desmentido.
Uma nota para a França. Afinal, Hollande, quer na política interna, quer na política externa, e, particularmente, em relação a Portugal neste caso específico, o da extensão a Portugal das condições mais favoráveis dadas à Grécia, aliviando-lhe um pouco a carga dos juros da dívida pública e, ao mesmo tempo, prolongando a respetiva maturidade, desmente nas ações concretas as promessas que fez na campanha eleitoral das presidenciais francesas. A sua solidariedade, em relação à Grécia e Portugal, esfumou-se. Não se diferencia nada do seu antecessor. Exceto num aspeto: Sarkozy beijava melhor Angela Merkel, nos grotescos espetáculos do circo das conferências europeias.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

GEORGE SOROS - O EURO CRIOU DIVERGÊNCIA EM VEZ DE CONVERGÊNCIA


Verdade seja dita que a Alemanha tem vindo a resgatar os países altamente endividados para proteger o seu próprio sistema bancário. Estas medidas fazem lembrar as da crise bancária internacional de 1982, quando as instituições financeiras emprestaram aos países endividados dinheiro suficiente para o serviço das suas dívidas até que os bancos conseguissem reunir reservas suficientes para trocarem as suas «dívidas más» por títulos (Brady Bonds) em 1989. Isto gerou uma década perdida para a América Latina. Efetivamente as medidas atuais penalizam os países endividados ainda mais do que nos anos 80, porque estes terão que pagar prémios de risco significativos depois de 2013. Como resultado a União Europeia vai sofrer algo pior do que uma década perdida; vai enfrentar uma divergência crónica na qual os países com excedentes avançam enquanto os países com défice são arrastados para o fundo com o fardo das dívidas acumuladas, Os requisitos de competitividade serão impostos num campo de jogo desequilibrado, colocando os países com défice numa posição insustentável.
George Soros
In Democracia Participativa 
Nota do editor: Para quem não saiba, informa-se que George Soros não é marxista. É um multimilionário. Formou-se em Economia na London School of Economics.

domingo, 8 de abril de 2012

Admitir o não regresso aos mercados em 2013 mostra "rumo de desastre" das políticas do Governo

O PCP disse hoje que ao admitir que Portugal poderá não regressar aos mercados em 2013, o primeiro-ministro está a mostrar "o rumo de desastre" para o país das medidas de austeridade impostas aos portugueses.
Jorge Cordeiro salientou ainda que a entrevista do primeiro-ministro a um jornal alemão torna ainda mais atual a proposta que o PCP apresentou na quinta-feira para a renegociação urgente da dívida, pois só dessa forma será possível criar condições para "libertar o país do colete de forças que só traz mais e mais dificuldades".
Diário de Notícias
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Nã há volta a dar. A realidade está a andar a uma velocidade muito superior à dos cenários traçados pelo governo. Se as previsões do Orçamento de Estado ficaram rapidamente ultrapassadas, as do Orçamento Retificativo são surrealistas. Ninguém acredita naqueles números. Dentro do quadro do regime (e refiro quadro do regime, porque pode vir por aí a caminho qualquer surpresa que ponha o país de pernas para o ar), além da renegociação e reestruturação da dívida, e tal como aqui temos defendido várias vezes, impõe-se o regresso a uma moeda nacional e a consequente saída da UE. Se, pelo contrário, a UE não estiver de acordo, terá de, pelo menos, dilatar o prazo para a consolidação orçamental. É impossível recuperar a economia (e não há finanças sem economia), continuando a aplicar compulsivamente um programa político altamente recessivo, como é o do memorando da troika. Só um asno não percebe que, cortando a variável do consumo interno, o PIB e as receitas fiscais não diminuiriam.  

sábado, 3 de março de 2012

Notas do meu rodapé: O mal está no Euro...


Desde o 25 de Abril, os défices orçamentais foram sempre negativos.
O saldo orçamental apresentou o seu pico mais negativo em 1981, atingindo 12 por cento do PIB. O outro valor mais negativo ocorreu em 2010, representando 10 por cento do PIB.
A Dívida Pública, que em 1974 representava 14 por cento do PIB, começou também a crescer, plafonando entre os 50 e os 58 por cento do PIB, no período compreendido entre 1985 e 2000, e disparando exponencialmente na primeira década do atual século. Em 2010, o valor da Dívida Pública já era 102 por cento do PIB.
O agravamento do saldo orçamental e da Dívida Publica ocorre, numa correlação significativa, após a adesão ao Euro. Desprovido do poder cambial e do pode monetário sobre a moeda, o que impediu os governos de recorrer à desvalorização, a economia portuguesa perdeu competitividade externa.
A arquitetura do Euro foi desenhada para corresponder às necessidades das economias mais desenvolvidas do Eurogrupo, prejudicando as economias de menor valor acrescentado, como é a economia portuguesa. Eu costumo dizer que o euro é um casaco demasiado grande para o meu corpo.
Nota: Escrevi este pequeno texto, como comentário, para o blogue Ponte Europa. Uma vez que me pareceu muito objetivo e sintético, resolvi transportá-lo para aqui.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Notas do meu rodapé: A falsidade do paradigma neoliberal

O dinheiro à grande e à portuguesa [Inteiro]

Vídeo retirado do blogue Democracia Participativa
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Um filme incontornável, extremamente didático e apoiado numa argumentação coesa e insofismável. Compreender a composição do dinheiro, que, da sua original função utilitária, como medida de valor e como meio de troca, se transformou numa perversa mercadoria virtual, a sustentar um poder fático totalitário, é essencial para perceber a atual desordem financeira, provocada pela dívida, e a natureza fascista do capitalismo financeiro internacional, que tem como objetivo único, a nível planetário, promover a transferência da riqueza dos países pobres ou menos ricos para os centros financeiros dos países mais ricos, e, em cada país, através de governos cúmplices e servis, transferir os rendimentos do trabalho para os rendimentos do capital.
Do texto do filme, destaco aquela parte que se refere à natureza do atual paradigma da ordem financeira mundial, que, devido, ao seu exorbitante poder, acaba por ser determinante na formatação do modelo político e económico:
"Eis o poder de alguns paradigmas: O pior efeito de alguns paradigmas é quando um modelo de um comportamento, aparentemente inquestionável nos limita a maneira de pensar e de viver. E de todos os paradigmas que hoje nos formatam o quotidiano, o que está associado ao dinheiro é talvez aquele que mais nos molda e, ao mesmo tempo, aquele que mais nos torna alienados".
E, na realidade, o homem contemporâneo, que se julgava livre, como a democracia exige, transformou-se num escravo, como qualquer totalitarismo impõe. Vive-se um tempo de pensamento único, que até permitiu o atrevimento de alguém proclamar "o fim da História", como se, para além deste pensamento, todas as ideias não concordantes não passassem de afloramentos estéreis de alguns mentecaptos. O paradigma posto em prática a partir do último quartel do século passado transformou-se numa nova religião, endeusando o mercado, o lucro especulativo, o consumo desmedido e o dinheiro. Todas as máquinas de propaganda, que os novos meios técnicos proporcionam, quer direta ou indiretamente, quer objetivamente ou subliminarmente, quer através de uma informação distorcida ou das mensagens veiculadas pelo entretenimento alienante, trabalharam para esse fim, tentando transformar o cidadão num agente passivo, que apenas reagisse pavloviamente aos estímulos, constantemente produzidos.
Mas como o paradigma está errado, o sistema começa a abrir brechas, que os seus engenheiros não conseguem reparar. O sistema está no fim, mas na sua lenta agonia vai arrastar milhões de pessoas para  tragédia. Como ensina a História, dos escombros nascerá uma Nova Ordem. Esperamos que mais justa.
AC

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Portugal vai pagar 34.400 milhões de juros à troika

O cavalo da troika
Portugal vai pagar à troika, composta pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, um montante em juros que equivale a quase metade do dinheiro que o país pode receber ao abrigo dos empréstimos do programa de assistência financeira.
Segundo dados do Governo, se Portugal utilizar a totalidade dos 78.000 milhões de euros disponibilizados pela troika, o Estado terá de desembolsar 34.400 milhões em juros, ou seja, cerca de 44% do montante do empréstimo. Este valor foi apresentado pelo Ministério das Finanças em resposta a uma questão de um deputado do PCP, Honório Novo.
PÚBLICO
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O governo e todos aqueles que apoiam as medidas de austeridade continuam a referir eufemisticamente que  a intervenção da troika (FMI-BCE-UE) se traduziu numa ajuda altruísta à economia portuguesa. Afinal, trata-se de um negócio ruinoso para Portugal, com todas as vantagens a sobrar para os respectivos credores. Se Portugal vier a contrair a totalidade do empréstimo contratado, o valor dos juros e do capital desta dívida corresponde a oito meses do PIB. Se considerarmos toda a restante dívida externa acumulada e os seus juros, parte deles com exorbitantes taxas especulativas, poderemos dizer que Portugal, para pagar tudo o que deve ao exterior, teria de entregar aos credores toda a riqueza gerada pelos portugueses durante cerca de dois anos. O que quer dizer que Portugal não vai ter capacidade económica, durante a presente década, de reduzir a dívida para o nível imposto pela Pacto de Estabilidade e Crescimento da UE (60% do PIB). À dívida vai somar-se mais dívida, para pagar as anteriores, e assim sucessivamente. Com este horizonte sombrio, e depois de privatizar a preço de saldo tudo aquilo que é privatizável, Portugal passará a ser o quintal das traseiras da Europa, reduzido ao estatuto de um disfarçado protectorado da Alemanha. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O perdão de 50 por cento da dívida soberana grega é uma enorme fraude

Polícia grega carregando sobre os manifestantes
Os dirigentes europeus e a imprensa ocidental lançaram foguetes de satisfação com a notícia de que teria sido decidido  uma redução de 50 por cento da dívida soberana grega aos credores particulares (bancos),  que totaliza o valor de 100 mil milhões de euros. Por outro lado, pretendeu-se dar um sinal para o exterior, para consumo das opiniões públicas, de que do principal centro de decisão da União Europeia, o Conselho Europeu, também saíam orientações solidárias para com a Grécia, que tão massacrada está a ser com as brutais medidas de austeridade.
No entanto, as coisas não são bem assim. No acordo que saiu da cimeira da UE, verifica-se que se  procedeu à transferência dos créditos dos bancos para a troika (FMI-BCE-UE), através de uma manobra de engenharia financeira. Foi o Financial Times, citado pelo blogue Ladrões de bicicletas, que descobriu esta manobra. Segundo aquele jornal, o acordo firmado prevê que a troika concederá um empréstimo adicional ao estado grego no valor de 60 mil milhões de euros, a somar a todos os outros já concedidos através do memorando de entendimento, acordado em Maio de 2011, sendo que, dessa verba, são retirados 30 mil milhões de euros para entregar aos bancos credores e outros 30  milhões de euros destinam-se a recapitalizar os brancos gregos, a título de compensação de perdas, devido a este a este procedimento. Feitas as contas, o perdão da dívida soberana grega é apenas de 40 por cento. Os sortudos dos bancos privados é que ficaram a ganhar, recebendo antecipadamente o reembolso da amortização da dívida, embora, para a opinião pública, tivessem deixado passar uma falsa imagem filantrópica Os bancos credores não perderam nada com o negócio. 
http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2011/11/do-perdao-grego-ou-de-algumas-razoes.html