O seu pai, o meu querido amigo e antigo professor, Prof. Girão, foi uma das figuras que marcou muito a minha formação de jovem estudante. Com ele aprendi, e disso me orgulho, o valor e a importância da Educação Física na formação dos jovens e no seu desenvolvimento integral. Tive a oportunidade de lhe dizer isto mesmo, da última vez que falámos, num comovente reencontro, depois de 50 anos de ausências. Penso que ele ficou orgulhoso, e eu fiquei feliz por ainda ter tido tempo de lhe mostrar a minha gratidão e admiração.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Morreu o Dr, José António Macedo Girão
O seu pai, o meu querido amigo e antigo professor, Prof. Girão, foi uma das figuras que marcou muito a minha formação de jovem estudante. Com ele aprendi, e disso me orgulho, o valor e a importância da Educação Física na formação dos jovens e no seu desenvolvimento integral. Tive a oportunidade de lhe dizer isto mesmo, da última vez que falámos, num comovente reencontro, depois de 50 anos de ausências. Penso que ele ficou orgulhoso, e eu fiquei feliz por ainda ter tido tempo de lhe mostrar a minha gratidão e admiração.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Mercedes Sosa, "La Negra": Calou-se a voz mestiça da liberdade!...


Morreu Mercedes Sosa, La Negra, cujas canções emocionaram a América Latina e o mundo. Integrou, no início da década de sessenta, o movimento musical, Nueva Canción, onde desempenhou um papel de relevo, juntamente com o seu primeiro marido. As suas canções eram profundamente marcadas ideologicamente pela constante denúncia do imperialismo norte-americano e pelo protesto contra as desigualdades sociais do seu povo. Criou um estilo musical, onde se cruzavam influências da música africana, cubana, andina e espanhola.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Pina Bausch: Morreu um génio da dança contemporânea
Pina Bausch em Café MullerQuando a arte se desliga da vida, a arte morre. Foi o que Pina Bausch evitou que acontecesse à dança, inventando-lhe novas linguagens e abrindo-a a novas e revolucionárias temáticas. Apesar das dificuldades dos primeiros tempos, com o público e a crítica a fustigá-la, Pina Bausch ainda viveu o tempo suficiente para ser reconhecida e aplaudida no mundo inteiro. Mas foi uma luta difícil, que só a sua determinação e coragem conseguiram vencer.
Lisboa teve a oportunidade de ver os seus espectáculos e de a admirar. Masurca Fogo foi construída em Lisboa e para Lisboa, a partir de uma sua ideia inicial, que depois acabou por incorporar as vivências e experiências dos bailarinos, a residir temporariamente nesta cidade, correspondendo ao convite da direcção da Expo 98. A peça foi apresentada em Maio de 1998 no Centro Cultural de Belém. Esse longo período de permanência em Lisboa, onde já apresentara anteriormente outros espectáculos, deu-lhe a oportunidade de nela fazer amigos e recrutar admiradores.
O seu mérito, marcado por uma genialidade deslumbrante, consistiu em ter conseguido, na linguagem coreográfica, uma renovada relação entre a dança e o teatro, o que lhe permitiu integrar nas suas criações novas expressões artísticas. Com ela, a dança deixou de ser um espaço contemplativo, onde os dançarinos eram apreciados pelo virtuosismo da sua técnica, para passar a ser um campo de reflexão e de emoções, o que exigia novos públicos ou públicos mais antigos, devidamente reciclados. O bailado deixou de ser aquele espectáculo à moda da antiga ópera de S. Carlos, que exigia smoking aos espectadores, para passar a ser um espectáculo para um público culto e interessado, que pensasse a arte como arma de intervenção. E esse público, que se começou a formar no último quartel do século passado, compreendeu a profunda ruptura que Pina Bausch provocou na dança contemporânea, assim como Pina Bausch compreendeu que nenhuma revolução é inócua e pacífica. Para sobreviver, a arte tem de se enriquecer com novas linguagens e novos elementos culturais de vanguarda, pois não é a arte que tem de descer aos infernos, à vulgaridade, mas terão de ser os homens a subir aos céus, às formas superiores dos valores estéticos e artísticos.
A conflitualidade entre o homem e a mulher, a incomunicabilidade e a solidão são temas recorrentes na sua obra, e este alargamento dos horizontes temáticos permitiu a sobrevivência da dança como arte de intervenção. A voz, na representação sobre as tábuas, deixou de ser um monopólio do teatro e da ópera, para passar a ser também um território orgânico da dança. E isso deve-se ao génio criador de Pina Bausch, que morreu ontem, aos 68 anos de idade.
sábado, 23 de maio de 2009
Óbito
O General Lemos Pires (na foto, o segundo a contar da esquerda, a meu lado) morreu na última sexta-feira, vítima de doença prolongada. Concedeu-me a honra de ter sido ele a apresentar o meu livro «O Bando do Liceu», na sessão de lançamento, realizada no Liceu de Lamego, que ambos frequentámos.
Foi um oficial distinto das Forças Armadas, que se notabilizou em Timor, tendo sido o último governador daquela colónia. Perante a invasão indonésia e a negligente indiferença do governo central de Lisboa, apanhado de surpresa pelos acontecimentos na sua última colónia e a braços com uma revolução no país, Lemos Pires conduziu com discernimento e coragem a retirada das tropas portuguesas para a ilha de Ataúro, evitando assim uma humilhação perante o exército invasor, desproporcionadamente muito mais numeroso e muito melhor equipado.
A história dessa conturbada época naquela longínqua ilha do Pacífico recebeu um notável contributo com o livro que publicou, «A descolonização de Timor- Missão», e que é uma obra de referência importante e de consulta obrigatória para os historiadores interessados neste tema específico.
O General Lemos Pires também dedicou um carinho especial pelo renascido movimento dos antigos alunos do Liceu de Lamego, que anualmente realiza um grande encontro naquela cidade, no dia 1º de Dezembro.