segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

 

um fio 
de demência 
que aperta o rosto da noite
 
um cansaço 
sem sono
uma dor 
sem clemência 
um vazio 
sem parede
num peito 
sem dono
a porta fechada
 
um sexo 
ofegante
uma leveza sem pássaro 
uma nuvem 
indiferente
uma garganta 
sem choro
uma folha 
rasgada
 
um verso 
doído 
um sorriso 
sem gente
uma boca 
um abismo
um poema sem nada...
 

              Sónia Micaelo 

***«»***

                          

COMENTÁRIO
Talvez falte - neste belo poema e de um profundo desencanto - o apelo à  "nostalgia de futuros". Alguém disse, e com razão, que só se pode viver, amando. E todos os poetas sabem isto, mesmo quando o amor dói...


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