um fio
de demência
que aperta o rosto da noite
um cansaço
sem sono
uma dor
sem clemência
um vazio
sem parede
num peito
sem dono
a porta fechada
um sexo
ofegante
uma leveza sem pássaro
uma nuvem
indiferente
uma garganta
sem choro
uma folha
rasgada
um verso
doído
um sorriso
sem gente
uma boca
um abismo
um poema sem nada...
Sónia Micaelo
***«»***
COMENTÁRIO
Talvez falte - neste belo poema e de um profundo desencanto - o apelo à "nostalgia de futuros". Alguém disse, e com razão, que só se pode viver, amando. E todos os poetas sabem isto, mesmo quando o amor dói...
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