quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

 


Talvez ainda tenha tempo…

 Dizem que o fogo tudo purifica

e que limpa a alma quando se consome

mas eu tenho fogueiras a arder dentro de mim

que abrem feridas antigas que ainda sangram

já não sou o que fui nem serei o que sou

nem os hálitos dos céus abrem os caminhos

que sempre quis viver.

Tudo se dispersa nos ventos do deserto

quando fico sozinho.

Nada me liberta e me sossega

nem a memória dos sonhos, de quando era criança

ainda tenho as roupas do cavaleiro andante

e nas botas as esporas da esperança

jaz morto e arrefece o menino de sua mãe, disse um poeta

e eu sinto um frio imenso

mas talvez ainda tenha tempo…

                                                                       Alexandre de Castro

 Lisboa, Novembro de 2015


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