terça-feira, 15 de dezembro de 2020

 


Percorre-me o silêncio absoluto

Percorre-me o silêncio absoluto
da tua ausência.
Já não nos temos um ao outro
nas horas da madrugada
tecendo as palavras
do encantamento.
Ficou a tua fotografia na parede,
desmaiada,
porque já não sei regar a rosa
que se abre no seu peito,
Talvez ainda me sobre tempo
para a ver chorar
quando tu do outro lado
tiveres saudades.
Talvez lhe humedeça os lábios
com os meus, talvez.
Talvez lhe murmure
as palavras que não te disse
e ela sorria para mim.

 Alexandre de Castro

 Lisboa, Maio de 2007

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