segunda-feira, 30 de março de 2015

O colapso dos partidos socialistas europeus


Resultado eleitoral em França é "rejeição maciça" para Hollande
O Presidente da conservadora União por um Movimento Popular (UMP), Nicolas Sarkozy, considerou hoje que a vitória do centro-direita nas eleições locais francesas é consequência da "maciça rejeição das políticas do Presidente [François] Hollande".
Notícias ao Minuto

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O colapso dos partidos socialistas europeus

Um a um, os partidos socialistas vão sucumbindo na enxurrada da crise europeia. É a prova evidente que o establishment está a mudar. E é muito possível que mudanças de outra natureza venham a ocorrer com o previsível agravamento da crise europeia. O bipartidarismo de circunstância, que tem regido os países da Europa, está a desagregar-se. Os eleitores começaram a perceber que as políticas de alternância no poder entre socialistas e sociais-democratas e os partidos conservadores eram uma farsa do sistema. A diferença entre os dois blocos políticos era igual à da imagem ao espelho, que levantava o braço esquerdo, quando alguém, do outro lado, levantava o braço direito.
A principal consequência desta mudança estrutural vai refletir-se na fratura e no desequilíbrio do sistema político-partidário, pois deixará de existir a almofada de segurança que permitia manter, sem contestação, as políticas do sistema capitalista, que muito se orgulhava da sua democracia de fachada. 
Agora, a pergunta que se coloca consiste em saber para onde irão os votos do descontentamento. Para a direita e extrema-direita ou para os atuais partidos de esquerda, do antissistema? Ou será que a Europa vai entrar em convulsão, com revoltas populares nos países do sul?

Agradecimento


Agradeço ao António Vicente a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua

sexta-feira, 27 de março de 2015

O desafio de ler Herberto Helder


É preciso preparação para entrar na poesia de Herberto Helder. Caso contrário, é como nos atirarmos à piscina sem saber nadar, diz-nos Luís de Almeida Gomes. Para o alfarrabista, Herberto Helder é mais do que um poeta incontornável: era um amigo e um frequentador habitual da sua livraria. A Artes & Letras -  que há alguns meses deixou o Largo da Misericórdia para se instalar na Av. Elias Garcia – está, aliás, na origem da amizade que os uniu durante décadas. Apesar de Luís reconhecer o lado “discreto e recatado” de Herberto, revela que quando se encontravam, quase sempre na livraria, falavam de tudo. Ainda hoje, de cada vez que lê os poemas de Herberto Helder volta a descobrir coisas novas.

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Para ler Herberto Helder é necessário alguma preparação prévia para compreender a profundidade do seu universo poético. Não basta o traquejo da interpretação da escrita linear, onde as palavras têm um único significado, aquele que elas adquiriram com a evolução natural da língua. A poesia de Herberto Helder exige-nos que consigamos abarcar a terceira dimensão das palavras, quando inseridas em contextos metafóricos, que nos aproximam do abismo dos sentidos. Por isso, tinha de ser uma poesia complexa e densa, uma poesia que, ao lê-la em silêncio, nos levasse a ouvir o som das palavras, sem sequer as pronunciar. É todo um mundo onírico que nos deslumbra e nos eleva para uma realidade superior, até ali inatingível e que não fazia parte do nosso imaginário.
Recuso estabelecer hierarquias de valor literário entre poetas e também entre escritores. O século vinte foi o século de ouro da literatura portuguesa, quer na prosa quer na poesia. Para trás, ficaram as brilhantes prestações de Eça, Camilo, Garrett, Vieira e Camões. Juntando a este friso Aquilino Ribeiro, Pessoa, Saramago e Herberto Helder, julgo que nos encontramos perante a galeria dos Príncipes da Língua Portuguesa, à qual falta acrescentar alguns escritores brasileiros.
Alexandre de Castro

quinta-feira, 26 de março de 2015

Notas do meu rodapé: A quem interessa a prisão de Sócrates?


Eu não ponho as mãos no fogo por José Sócrates. Detetei-lhe algumas contradições nas suas explicações públicas sobre o caso do Freeport e o da sua licenciatura. Acredito que não tenha sido honesto, aproveitando-se do seu elevado cargo para interesses pessoais, e nunca compreendi como lhe era possível sustentar a sua vida luxuosa em Paris. Apesar disto, não me atrevo, nem posso, a declará-lo inocente ou culpado. Fico a aguardar o seu julgamento, que quero justo e isento.
No entanto, também acredito que a sua prisão, que parece estar ferida de várias ilegalidades, está a servir outros ocultos interesses, ligados à luta das sociedades secretas, pela conquista do poder político, mais concretamente a luta titânica e silenciosa entre a Maçonaria e a Opus Dei. Com Sócrates preso, e com o programado e continuado processo da "fuga" intencional de informações do processo, algumas delas a roçar o delírio, o PS poderá sair muito enfraquecido das próximas eleições, diminuindo assim a influência da Maçonaria e aumentando a da Opus Dei. O Papa estará por cá, em 2017, para lançar a sua bênção aos novos governantes.

Henrique Neto "é irrelevante para o PS"


Elementos de PS consideram que Henrique Neto “não conta do ponto de vista político dos cidadãos”.
Henrique Neto é até agora o único candidato às eleições presidenciais de 2016 e, apesar do avanço do socialista ter sido recebido com indiferença pelo PS, a verdade é que a candidatura levantou algum desconforto em elementos do partido por ainda não haver uma figura “ganhadora”.
Notícias ao Minuto

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Os sinais de degenerescência e apagamento do PS são evidentes. À sua incapacidade em assumir um consistente programa político, que o diferencie da direita, soma-se também a ausência de um candidato presidencial de peso, que seja o catalisador do descontentamento popular. 
Num quadro destes, não admira que a direita não veja refletido nas sondagens o seu desgaste político. É que aquela parte do eleitorado do centro, que está descontente com a atual situação, formula esta simples premissa: Se é para fazer uma política de direita, então, por uma questão de coerência, é melhor escolher um partido de direita. Os ortodoxos do Partido Socialista não compreendem isto.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Homenagem a Herberto Helder | Poema de maria azenha


MESTRE SEM MORTE
(a Herberto Helder)

Entre as mãos uma acácia
Moedas de silêncio
O sangue de um compasso
E a terra alva
A altura da sombra
Ocupa o negro da página
Desaba
Um verso secreto
Do palácio
O poema
Foi devorado
Pelos olhos de um falcão

maria azenha
(2015-03-24)

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Uma homenagem merecida de uma grande “poeta” para um grande poeta.
Herberto Helder deixou-nos, mas ficou, para o nosso contínuo deslumbramento, a sua poesia, uma poesia talhada a escopro no corpo denso das palavras e trabalhada por uma talentosa engenharia metafórica. Herberto Helder fez na poesia o que Saramago fez na prosa: engravidou as palavras, que nele tinham uma grande sonoridade e densidade poéticas.
Alexandre de Castro

segunda-feira, 23 de março de 2015

Arqueólogos desenterraram três antigos mosaicos gregos numa escavação em Zeugma, na Turquia


Mosaico representando as nove musas em retratos

Mosaico representando Océsno Tetis

Mosaico representando um jovem, sem nenhuma informação
Ver texto aqui.

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A rota da seda

Aquela milenar rota da seda não deixa de nos surpreender com as sucessivas revelações dos seus tesouros arqueológicos, que são imensos, e com muitos ainda por desvendar. Não admira que assim seja. Foi por aquela rota que, até ao século XVI, quando os portugueses "abriram" o caminho marítimo para o Oriente, que a economia euro-asiática circulava. A rota da seda era o veio da transação de mercadorias entre um Oriente opulento e um Ocidente em franco e rápido desenvolvimento civilizacional, e que teve a sua máxima expressão com o império de Alexandre Magno e o império de Roma. Foram as repúblicas do norte de Itália, com a Sereníssima República de Veneza à cabeça, já na ponta final da Idade Média europeia (sec. XV), as últimas beneficiárias do comércio dessa rota. Esse monopólio (o comércio com o Oriente) transferiu-se para Lisboa, que por sua vez o transferiu para o norte da Europa. Por isso, a liderança do mundo, nesse tempo, passou para Portugal, de uma forma efémera, para a Holanda e para a Inglaterra, de uma forma mais persistente, e para a Espanha, que expandiu o seu domínio para as Américas e que "ergueu", no ponto de vista territorial, o maior império de todos os tempos. Dizia-se que no império de Carlos V - que ia da Europa à Ásia (Filipinas) e passava pelas Américas - "o Sol nunca se punha".
Como podemos ver, nesta visão alargada do tempo histórico, as coisas não são imutáveis. Tal como as pessoas, os impérios nascem, crescem, mas acabam por morrer, facto que não é percetível no curto tempo de uma, duas ou três gerações. E no tempo atual, já há sinais evidentes de uma nova mudança do sentido da História, com o centro da liderança a passar para a Ásia, onde a História, na verdade, começou. A Europa entrou em declínio. Apenas resta saber se esse declínio irá ser mais rápido ou mais lento. Mas nenhum de nós o irá testemunhar.
AC

quarta-feira, 18 de março de 2015

Cavaco arquiva petição para demitir Passos


O Presidente da República, Cavaco Silva, decidiu determinar o arquivamento da petição que pede a demissão do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, informou hoje fonte oficial de Belém.
No passado domingo, a petição pela demissão do Passos Coelho, com mais de 19.100 assinaturas, foi entregue nos serviços da Presidência da República.

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Um documento que fica oficialmente registado nos arquivos, para o julgamento futuro da História, em que se prova a cumplicidade política de um "inútil" Presidente da República, que não tem capacidade de se escandalizar (porque o fantasma do imposto da siza o atormenta) com o comportamento de um primeiro-ministro que não cumpriu, em devido tempo, as suas obrigações contributivas para com a Segurança Social. Os historiadores do futuro irão referir-se a este período como "O Tempo Sagrado dos Crápulas".

terça-feira, 17 de março de 2015

Crise afectou direitos fundamentais em Portugal


Relatório do Parlamento Europeu conclui que os efeitos foram especialmente negativos junto das crianças.
A crise teve um impacto acentuado nos direitos fundamentais em Portugal, tendo o direito ao trabalho sido provavelmente o mais afectado, conclui um estudo encomendado pela comissão de Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos do Parlamento Europeu, divulgado nesta terça-feira.

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Ninguém de boa fé e minimamente informado poderá reclamar para si uma atitude de admiração, de surpresa ou de espanto, quando se afirma que a crise afetou direitos fundamentais em Portugal. O objetivo oculto, agora apontado por este estudo, era mesmo esse: a rápida e progressiva desvalorização salarial e o desmantelamento do Estado Social. Todas as medidas de austeridade, assumidas pelo governo PSD/CDS, quer através do aumento de impostos, quer pela política de cortes da despesa do Estado, e, quer também, pela revisão das leis do trabalho, atingiram em cheio os trabalhadores (e os seus filhos) e os reformados e pensionistas, desmentindo-se assim aquela sedutora narrativa dos vendilhões do Templo, que diziam que "os sacrifícios eram para todos".

Estudo: E o político em que os portugueses mais confiam é...


Um estudo realizado pela Seleções do Reader's Digest chegou à conclusão de quais as figuras públicas os portugueses mais têm confiança.
Os portugueses elegeram Marcelo Rebelo de Sousa como o político em quem mais confiam. O estudo Marcas de Confiança realizado pela Seleções do Reader’s Digest mostra que 14% elegeram o comentador da TVI, substituindo Rui Rio, antigo presidente da Câmara Municipal do Portohttp://ad.doubleclick.net/ad/N9166.140075.SAPO/B8528259.115396767;sz=1x1;ord=dc8beacffa?
O estudo dá conta ainda de que a política é uma das áreas em que os portugueses menos confiam. No geral, 96% não confia nos políticos e 83% não confia no atual Governo de Passos Coelho, segundo o Dinheiro Vivo. 
Os Sindicatos (81%), o sistema judicial (73%), os bancos (72%) e a União Europeia (71%), são outras entidades em que os portugueses também não confiam.
Em relação aos que confiam, Cristiano Ronaldo foi o desportista escolhido, com 54%. Rui Veloso foi o músico eleito (19%), Ruy de Carvalho na área da representação, com 47% e o escritor foi José Rodrigues dos Santos (28%).

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Se tivéssemos de levar este estudo a sério, seríamos obrigados a concluir que vivíamos num país de "merda". Mas as coisas não são bem assim. Nestas coisas dos inquéritos, interessa muito a metodologia utilizada, a estrutura da amostra e a forma como as perguntas são colocadas aos inquiridos. Perante a surpresa da pergunta, feita sem qualquer aviso prévio e sem referências aos respetivos contextos, em que seja permitida uma ponderada reflexão, o inquirido é levado, até para não ser considerado um ignorante, a indicar a personalidade mais mediática que, naquele momento, conhece, em cada setor considerado. E foi o mediatismo, o que este estudo mostrou, ao apurar, por exemplo, que Marcelo Ribeiro de Sousa era o político em que os portugueses mais confiam. E não foi nada inocente a realização deste estudo. 
Já a desconfiança manifestada em relação a Passos Coelho (justificada), aos sindicatos (incompreensível e inconcebível), aos bancos, ao sistema judicial e à União Europeia (também justificadas) não se projeta, incompreensivelmente, naqueles inquéritos usados pelas empresas da especialidade, para as sondagens sobre as intenções de voto, o que revela uma grande contradição. Alguém está a manipular as perceções da opinião pública.
Pela minha parte, se eu tivesse sido inquirido, até responderia que o Cristiano Ronaldo deveria ser o próximo Presidente da República, já que estou farto de ser governado por personalidades que têm os neurónios no cérebro.

segunda-feira, 9 de março de 2015

A quadratura do círculo

António Costa a transportar o leite da Alemanha

Os dirigentes do PS não podem apenas culpar António Costa. Têm também de se culpar a si próprios, pois continuam a pensar e a agir como se fosse possível resolver a quadratura do círculo. Ou seja, continuam a pensar que será possível, no plano mediático, e para o eleitor consumir, manter o partido numa posição equidistante, em relação ao PSD, por um lado, e ao PCP e ao BE, por outro. Esse equilibrismo político já não é possível, pois o quadro social eleitoral alterou-se com a crise dos últimos quatro anos. 
O eleitorado tradicional do PS, principalmente o colocado mais à esquerda, e que se integra na classe média, uma classe social que foi severamente castigada com as medidas de austeridade, impostas pelo governo PSD/CDS, já não se contenta com os eloquentes discursos, feitos de lugares comuns, e que de substancial nada dizem, ou dizem pouco. Acusar o governo de ter empobrecido o país e, em contrapartida, não apresentar um projeto credível e objetivo para inverter a situação, não é suficientemente apelativo. Dizer que o PS vai fazer uma política diferente da do governo da coligação de direita, e omitir a questão do Tratado Orçamental e a magna questão da dívida pública, que é necessário e urgente renegociar e reestruturar, é entendido pela opinião pública como mais uma grande mentira. 
Já se percebeu que António Costa não pretende alterar a política atual, em relação às instâncias europeias. Ele é um europeísta convicto, tal como o são António Seguro e Passos Coelho. Percebeu-se que ele não tem nenhuma intenção de contrariar tudo aquilo que seja decidido em Bruxelas e em Berlim. Mas as pessoas também já perceberam, até pelo tratamento arrogante e ditatorial assumido pelos dirigentes europeus, em relação à Grécia, que os donos políticos desta Europa não estão minimamente interessados em alterar a sua política de austeridade e de empobrecimento. Parte do eleitorado está mais informado sobre as questões económicas e políticas da Europa, e, também, alarga-se o número de portugueses que já começam a perceber que estas políticas de austeridade são inimigas do desenvolvimento económico e que não levam a lado nenhum, pois a colossal dívida pública externa  será impossível de pagar. Os eleitores, que já percebem isto, não irão votar em António Costa. Os eleitores que anteriormente votaram no PSD e que agora estão descontentes, não vislumbrarão vantagens em votar no PS, recusando assim o ritual da alternância do voto, o chamado voto flutuante, ao centro. Os eleitores do PS, mais à esquerda, e que pretendem uma efetiva mudança política, que se afirme convictamente anti-austeritária, ou irão exilar-se na abstenção ou votarão em partidos da verdadeira esquerda. E é esta quadratura do círculo que os dirigentes do PS e António Costa não conseguem resolver, a não ser que ocorra uma revolução dentro deste partido, que conduza a uma maior radicalização em relação à Europa e a uma aproximação sincera e transparente ao PCP e ao BE, coisa em que eu não acredito.

domingo, 8 de março de 2015

Decapitações executadas por jihadistas do Estado Islâmico


Um verdadeiro horror! Um estado de demência e crueldade, que nos conduz ao absurdo, antes de nos agitar a repugnância e de nos levar à revolta. É o regresso à barbárie e a assumção da glorificação da Besta. Os vândalos, emergindo da escuridão das trevas, matam homens, como se matam os porcos, num espetáculo degradante, grotesco, sórdido e macabro, exibido intencionalmente, a fim de provocar o medo e espalhar o terror.
Não pode haver lugar neste mundo, para quem promove, apoia e executa estas monstruosidades.

terça-feira, 3 de março de 2015

Cada um de nós tem um Kafka dentro de si


Só, como Franz Kafka
Kafka é o nome de um enigma que o próprio levou a vida inteira a tentar decifrar, tendo encontrado apenas “um mundo tremendo” dentro da sua cabeça, que ele legou como herança ao século que fez do “kafkiano” um lugar-comum.
Proferiu a pergunta a que um exército de exegetas irá tentar responder: “‘Quem sou eu, afinal?’”. Esta pergunta teve respostas diferentes, nunca faltou Kafka para todos os gostos: o santo, o culpado, o funcionário renitente, o homem que tinha “um mundo tremendo na sua cabeça”.
António Guerreiro

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 Cada um de nós tem um Kafka dentro de si

Em Kafka, tal como em Fernando Pessoa, a obra literária, muito densa, profunda e intimista, confunde-se com o seu criador.
Aliás, Kafka e Pessoa percorreram caminhos comuns, nas suas vidas. Ambos viveram a fase adulta, nas duas primeiras décadas do século XX, um período marcado pela Primeira Guerra Mundial e pelo aparecimento do movimento modernista, na literatura e nas artes. Ambos eram indivíduos solitários e tímidos, com uma grande dificuldade de se relacionar com as mulheres. Ambos assumiram uma visão decadentista do Homem, do mundo e da sociedade. Ambos morreram precocemente. Ambos construíram um mundo de pesadelos. Ambos deixaram muitos escritos por publicar ou inacabados. Ambos, sem qualquer premeditação ou intencionalidade, criaram o mito à volta da sua vida e da sua obra literária. Ambos desencadearam, posteriormente à sua morte, grandes polémicas em relação ao seu posicionamento político. Ambos, como mais nenhuns outros escritores, despertaram tanto interesse aos críticos e aos investigadores literários. Ambos alcançaram o estatuto de génios da literatura. 
E, depois disto tudo, chega-se à conclusão de que o mundo Kafkiano e o mundo pessoano ainda têm muito para descobrir.
AC

segunda-feira, 2 de março de 2015

"Primeiro-ministro caloteiro" tem de explicar dívidas


Catarina Martins exigiu hoje explicações ao país por parte de um "primeiro-ministro caloteiro para com a Segurança Social" ainda antes do próximo debate quinzenal, agendado para 11 de março, na Assembleia da República.

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Em qualquer país civilizado, daquela Europa que os políticos portugueses costumam avocar como pertença, qualquer membro de um governo que, tal como o primeiro-ministro português, Passos Coelho, tivesse fugido às suas obrigações fiscais, sentia-se obrigado a pedir imediatamente a sua demissão. Em Portugal não é assim, quer pela falta de carácter e de honorabilidade da maioria dos membros da classe política, quer pela ausência de uma opinião pública civicamente exigente. E isto é uma questão eminentemente cultural, que resulta de um complexo processo de sedimentação social, através da História. Os países da Reforma luterana, porque passaram a valorizar a dignidade do trabalho, fundaram uma moral superior, em comparação com a moral dos países da Contra-Reforma tridentina, nos quais se incluía Portugal, países estes que continuaram agarrados, até à Revolução Francesa e atá a todas as outras revoluções, que nela se inspiraram, aos paradigmas residuais e às arcaicas estruturas mentais e sociais da Idade Média, em que ainda imperava o conceito da servidão, pelo que, aos senhores, tudo era permitido, até a imoralidade.
AC

Agradecimento



Agradeço ao Armando Paulo Costa a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua.