sexta-feira, 26 de junho de 2015

Poema: Infinita mente _ por Sónia M

Pintura, Alexander Dmitry Sulimov.
Selecionada pela autora

Infinita mente

Há a ilusão no caminho
de que a chegada é um vazio.
Um nada 
elevado ao infinito.
Infinita mente abismo.

A clareza
com que se encara o horizonte
que nos espera
faz-nos perceber
o pouco importantes
são os enredos desta vida.

Infinita mente vã.

Ouve-me.
Como se fosse a minha voz
a faca que corta 
o abandono que te prende.
Nada mais tenho para dar-te
do que este canto...

Sou infinita! 

Infinita mente amor
mente dor
mente pássaro
mente só...
Infinita...

{E tu também és, acredita!}

Um dia
deixarás o peso das penas
e serás a terra
que acama as raízes de uma árvore.
Farás parte da folha que nasce
da folha que cai
e do ninho do pássaro.
Serás o que és
infinitamente em toda a parte
infinito.

Um poeta segredou-me 
que não existe morte.
E eu acredito no poeta.

É este o horizonte de que falas.
Infinita mente início...

Sónia M

***«»***
Existe sempre a esperança de que o eco das palavras do poema não se esgote no precipício de todos os infinitos, mesmo os que se designam por "infinita mente".Há sempre um diálogo entre o espaço e o tempo e entre a vida e a morte. E todos temos uma única e indeclinável oportunidade de viver, até que o tempo se esgote.
***
A "poeta" Sónia M colabora regularmente no Alpendre da Lua.

2 comentários:

Elzinha Coelho disse...

Infinita mente bela poesia!!!!

Beijos!

Sónia M. disse...

Infinitamente grata, Alexandre.

Deixo um beijo.