domingo, 29 de junho de 2014

Redação*


“Eu gosto muito da minha escola. As carteiras estão quase todas vazias e a minha escola vai fechar. A professora disse que iam fazer aqui uma casa mortuária porque há mais mortos que meninos. Eu não gosto de mortos, só nos filmes e nos desenhos animados. Eu e os outros três meninos vamos para uma escola nova chamada agrupamento escolar que tem um autocarro que começa a dar volta ao concelho às sete da manhã para apanhar todos os meninos do tal agrupamento. É como quando se recolhiam as cabras para a vezeira ir pr’ó monte, disse a minha avó que só fala tipo antigamente. Eu não me importo. Depois durmo no agrupamento. Quando o agrupamento tiver também só três ou quatro meninos, o autocarro leva-nos para outro agrupamento onde estaremos quatro dias da semana em camaratas porque é muito longe para vir a casa. Quando for grande, o agrupamento já deve ser fora de Portugal como o agrupamento onde estão os meus pais e quase todos os adultos da minha terra. Chamam-se emigrantes e os nossos governantes dizem que é bom emigrar. Porque é que os nossos governantes não saem do agrupamento deles para emigrar? Conheciam terras novas, outras culturas com internet, outros governantes fixes e assim. Pronto.”

In artigo de opinião "Decadência" da autoria do geógrafo Álvaro Domingues

Redação*


“Eu gosto muito da minha escola. As carteiras estão quase todas vazias e a minha escola vai fechar. A professora disse que iam fazer aqui uma casa mortuária porque há mais mortos que meninos. Eu não gosto de mortos, só nos filmes e nos desenhos animados. Eu e os outros três meninos vamos para uma escola nova chamada agrupamento escolar que tem um autocarro que começa a dar volta ao concelho às sete da manhã para apanhar todos os meninos do tal agrupamento. É como quando se recolhiam as cabras para a vezeira ir pr’ó monte, disse a minha avó que só fala tipo antigamente. Eu não me importo. Depois durmo no agrupamento. Quando o agrupamento tiver também só três ou quatro meninos, o autocarro leva-nos para outro agrupamento onde estaremos quatro dias da semana em camaratas porque é muito longe para vir a casa. Quando for grande, o agrupamento já deve ser fora de Portugal como o agrupamento onde estão os meus pais e quase todos os adultos da minha terra. Chamam-se emigrantes e os nossos governantes dizem que é bom emigrar. Porque é que os nossos governantes não saem do agrupamento deles para emigrar? Conheciam terras novas, outras culturas com internet, outros governantes fixes e assim. Pronto.”

* In artigo de opinião "Decadência" da autoria do geógrafo Álvaro Domingues

Educação, precisa-se

José Mujica - Presidente do Uruguai

Foi este fator, a aposta na educação, que operou o milagre económico irlandês, nos anos oitenta e noventa do século passado. Portugal preferiu apostar no cimento, no tijolo, no alcatrão e na banca. Quando acordou, já era tarde. É certo que ainda teve tempo de formar uma pequena elite de universitários, de elevada qualidade, que, entretanto, já emigrou ou está para emigrar. Mas, a grande maioria da população continua mergulhada no obscurantismo da iliteracia funcional.

Educação, precisa-se...

José Mujica é Presidente do Uruguai

Foi este fator, a aposta na educação, que operou o milagre económico irlandês, nos anos oitenta e noventa do século passado. Portugal preferiu apostar no cimento, no tijolo, no alcatrão e na banca. Quando acordou, já era tarde. É certo que ainda teve tempo de formar uma pequena elite de universitários, de elevada qualidade, que, entretanto, já emigrou ou está para emigrar. Mas, a grande maioria da população continua mergulhada no obscurantismo da iliteracia funcional.

sábado, 28 de junho de 2014

O Governo apenas está a gerir a massa falida

Até a ração cortaram à vaca Cornélia

A "impressionante" situação de Portugal

O Presidente alemão, de visita a Portugal, elogiou "as reformas bem-sucedidas", considerando-nos um bom exemplo. Desconhece a realidade portuguesa. Mas quais reformas? Reformas nos cortes das pensões, nos aumentos dos impostos. Bem-sucedidas?! Mais uma vez, ignora os factos reais. A situação do País é, na verdade, "impressionante", tal como ele referiu quanto ao resultado das reformas: falta de crédito nas empresas, fraca recuperação do investimento, risco de deflação (queda contínua dos preços), endividamento público e privado, baixos níveis de crescimento para permitir a sustentabilidade das finanças píblicas. E mais, senhor Gauck, veja bem a situação impressionante do País: encerramento de empresas, de centros de saúde, demissões em massa de direções dos hospitais... (...)
Francisco José Casal Pina

***«»***
Na realidade, não ocorreu nenhum Reforma do Estado, neste período tutelado pela troika. A ação do governo centrou-se na política dos cortes nos salários, nas pensões e nos subsídios socais, no aumento dos impostos e no encerramento de serviços públicos (centros de saúde, tribunais, centros da Segurança Social e Repartições de Finanças). 
E para fazer este trabalho, não eram necessários os ministros. Bastava dar o poder aos porteiros dos ministérios. 
O que resta, é um país destroçado, sem expectativas para o futuro. O desemprego é o preço da austeridade e o espelho de uma economia em recessão. O que é bom para a Europa é mau para os portugueses. O Estado deixou de corresponder às necessidades dos cidadãos para satisfazer as ordens emanadas de Bruxelas e de Berlim. O Governo apenas está a gerir a massa falida.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Notas do meu rodapé: Três apontamentos, breves e necessários…

 

1- Ao reduzirem-se as despesas na Saúde e na Segurança Social, procura-se induzir a morte precoce dos idosos (pela ausência de cuidados de saúde e pela sua condenação a uma má nutrição), fenómeno opaco que se dilui na opinião pública e que não provoca alarme social, mas que, pela dimensão trágica que comporta, irá ser certamente ser considerado, no registo futuro da História, como um verdadeiro Holocausto silencioso. Na Educação, a redução das despesas irão cortar as pernas ao futuro, a milhares de jovens.
As políticas sociais são imprescindíveis para o desenvolvimento do país e para a sua coesão social. Sem elas, Portugal descerá as escadas para o inferno do Terceiro Mundo. E este cenário dantesco, de miséria e de desgraça, não comove nada os donos da Europa. Eles saberão conviver com ele, uma vez que já estão a pensar em formar uma gigantesca bolsa de mão de obra, a preços de saldo.

2- A moeda única foi o instrumento ideal para a Alemanha estabelecer o seu domínio, quase absoluto, sobre a Europa, com as instituições da UE totalmente subordinadas à sua hegemónica vontade. Angela Merkel pretendeu fazer com o euro aquilo que Hitler não conseguiu com os tanques e com os canhões. Ao impor o terrorismo político da austeridade, para defender os interesses do capitalismo financeiro alemão, a Hitler de saias (embora ela use sempre calças) lançou o caos sobre as economias que se sujeitaram aos pactos de ajustamento, já que as políticas prosseguidas privilegiaram a vertente financeira, secundarizando a vertente económica. E é a economia que deve caminhar à frente das finanças, e não o contrário.

3- As estatísticas do Eurostat mostram que as despesas totais com a Saúde, Educação e Segurança Social, em Portugal, percentualmente, e em relação ao PIB, alinham pela média da despesa, nestes mesmos setores, de todos os países da UE e também pela média da zona euro, o que desmente aquela ideia de que Portugal tem um Estado Social acima das suas possibilidades.
A dívida soberana não foi contraída para alimentar o Estado Social, porque ele foi pago e é pago pelos impostos e contribuições dos portugueses. As causas do endividamento excessivo devem ser encontradas nos ruinosos negócios do Estado, com as Parcerias Púbico Privadas (PPP) e com os swaps, bem como nas intencionais derrapagens orçamentais nas grandes obras públicas, na construção exagerada de auto estradas, para satisfazer a gula dos lobies da construção civil, nas despesas faraónicas dos sucessivos governos em consultorias e na corrupção da máquina do Estado e das autarquias.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Cavaco convoca Conselho de Estado para 3 de julho


O Presidente da República convocou um Conselho de Estado para o dia 3 de julho, às 17h30, avança a SIC Notícias.
A Presidência da República anunciou a convocação de um Conselho de Estado para o dia 3 de julho, às 17h30, de acordo com o avançado pela SIC Notícias.
Os temas a discutir serão a situação política, económica e social na sequência do fim do programa de ajustamento e também a relação de parceria entre Portugal e a União Europeia, no Âmbito do programa 2020 da União Europeia.

***«»***
Esperemos que, desta vez, Cavaco não leve as conclusões do conclave, já previamente escritas, tal como aconteceu na última reunião do Conselho de Estado. Isto faz-me lembrar aquele médico que, mal o doente entrou no gabinete de consulta, já tinha o impresso da receita preenchido, antes de lhe ouvir as queixas e de o observar clinicamente.
Para serem coerentes, os conselheiros não podem deixar de reconhecer a progressiva degradação da situação política portuguesa, cujo epicentro se encontra na falta de legitimidade política do atual governo, claramente evidenciada  pelos resultados das eleições europeias, o que exige, como saída limpa, uma proposta para que o Presidente da República provoque a sua imediata demissão e convoque eleições legislativas.
É urgente devolver a voz ao povo, se é que isto ainda é uma democracia.  

terça-feira, 24 de junho de 2014

"NÃO AO FASCISMO! SOLIDARIEDADE COM OS POVOS DA UCRÂNIA!"


Portugueses convidam-vos a participar no debate "Não ao fascismo - Solidariedade com os povos da Ucrânia" a realizar na próxima Sexta-feira, dia 27 de Junho pelas 18h30 no Clube Estefânia, em Lisboa.
O debate contará com a presença de Gustavo Carneiro (CPPC) e de José Pedro Soares (URAP).
Conselho Português para a Paz e Cooperação
Rua Rodrigo da Fonseca, 56 – 2º 1250 -193 Lisboa, Portugal
Tel. 21 386 33 75 / Fax 21 386 32 21 e-mail: conselhopaz@cppc.pt

Livro explica os grandes erros do programa da “troika”


Uma equipa mal preparada, com pouco conhecimento da economia portuguesa e que subestimou os efeitos da austeridade, é parte da justificação encontrada por Rui Peres Jorge, jornalista do Jornal de Negócios, para justificar as dificuldades do programa.
O livro "Os 10 erros da troika", da autoria de Rui Peres Jorge, parte da premissa de que o programa de ajustamento falhou praticamente todas as metas a que se propôs, explicando o falhanço através de dez erros que o autor considera cruciais

***«»»***
A mim, fica-me sempre a dúvida (para não dizer a certeza) se foi um erro de cálculo ou um erro premeditado. O objetivo da troika consistiu em promover, por um lado, a transferência da dívida pública do Estado português, detida pelos grandes bancos e pelos fundos de investimento, para as instituições oficiais (BCE, UE, FMI), defendendo assim as entidades financeiras privadas de um qualquer incumprimento, por parte de Portugal, e, por outro lado, promover a desvalorização salarial do trabalho, para que o respetivo remanescente venha a garantir o pagamento futuro dos juros e das amortizações da nova dívida contraída, junto daquelas três instituições oficiais. O eufemisticamente chamado plano de ajustamento foi desenhado no interesse do governo alemão, pois eram (e ainda são, em parte) os grandes bancos da Alemanha os principais credores da dívida pública portuguesa.
Tentar atribuir aos técnicos do FMI ingenuidade e falta de preparação, é uma tentativa de branquear a atual política do saque, de que os portugueses estão a ser vítimas, através da ativa cumplicidade do governo e do Presidente da República.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

E se o ministro da Saúde colocasse veterinários nos Centros de Saúde?!...


Governo: OM fez "interpretação errada" de portaria sobre cuidados primários
23/06/2014 - 08:04

O Ministério da Saúde diz que a portaria em causa dirige-se a "um universo limitado de utentes que já não frequentam serviços de Medicina do Trabalho e apenas são seguidos em Cuidados Primários", avança a agência Lusa, citada pelo Diário Digital.

Na sexta-feira, a Ordem dos Médicos anunciou que vai dar instruções aos clínicos para se recusarem a realizar consultas de medicina do trabalho, conforme está determinado num diploma que entrou este domingo em vigor.

“A portaria não é cumprível e não vai ser aplicada. É mais uma das várias iniciativas legislativas do Ministério da Saúde que não vão ser aplicadas”, disse então à Lusa o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva. Adiantou que “a Ordem dos Médicos vai dar indicações no sentido de não cumprirem e não se sentirem coagidos a fazê-lo”.

Uma portaria publicada que entrou este domingo em vigor, regula a possibilidade de a promoção e vigilância da saúde a determinados grupos de trabalhadores – independentes, de serviço doméstico, agrícolas sazonais, aprendizes de artesãos, pescadores e funcionários de microempresas – pode ser assegurada através de unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

José Manuel Silva justifica a decisão com o facto de esta não ser uma das competências dos médicos de medicina geral e familiar, considerando que ao cumprir o diploma, os profissionais estão a “extravasar o limite das suas competências”, violando o código deontológico, nos pontos 1 e 2 do artigo 36.

Na resposta, o MS contrapõe que a portaria em causa é a "regulamentação" de um artigo de uma lei de 10 Setembro de 2009 e que "os médicos de família apenas continuarão a fazer o que já fazem, seguindo os utentes da sua lista que não têm médico de trabalho, nem condições para o terem".

"Nada mais do que isto. Não se altera o quadro funcional de nenhuma das especialidades reconhecidas pela OM", diz uma nota do MS enviada à Lusa, observando que a portaria dirige-se a "um universo limitado de utentes que já não frequentam serviços de Medicina do Trabalho e apenas são seguidos em Cuidados Primários".

O MS alega ainda que a portaria dos Cuidados Primários de saúde foi elaborada de acordo com parecer e acompanhamento da Direcção-Geral de Saúde, pelo que se "estranha" as acusações de "desnorte" proferidas pelo bastonário sobre o diploma em causa.

Acentua também que a legislação em vigor segue recomendações da Organização Mundial de Saúde e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), garantindo, agora também, que os médicos de cuidados primários, sem ultrapassarem as suas competências, possam emitir documentos que atestem o estado de saúde de trabalhadores.

Ao insurgir-se contra o diploma, o bastonário lembrou que “a medicina do trabalho é uma carreira específica que não pode, por portaria, passar a ser desempenhada por um profissional de outra carreira", pelo que seria o mesmo que "decidir por portaria que um médico de medicina interna passava a operar doentes”.

Para o bastonário esta é mais uma decisão que vem demonstrar que “o Ministério da Saúde está completamente desnorteado”.

Além disso, argumenta com a falta de tempo dos médicos de família, que “estão cheios de utentes e com problemas gravíssimos no sistema informático”.

José Manuel Silva sublinha que a Ordem é favorável e apoia a existência de medicina do trabalho nos centros de saúde para trabalhadores liberais e de microempresas, mas desempenhada especificamente por esses profissionais.

***«»***
Lá por haver camelos sem bossa, iguais aos camelos com bossa, o ministro da Saúde tem de perceber que os sapateiros fazem sapatos e os alfaiates fazem fatos, embora ambos trabalhem, nos seus respetivos ofícios, com agulhas.
O Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, desmontou numa penada a argumentação falaciosa do Ministério da Saúde, quando afirmou: “a medicina do trabalho é uma carreira específica que não pode, por portaria, passar a ser desempenhada por um profissional de outra carreira, pelo que seria o mesmo que decidir por portaria que um médico de medicina interna passava a operar doentes”…
Perante o caminho tortuoso que este ministro da Saúde está a percorrer, para destruir paulatinamente o Serviço Nacional de Saúde, já não me admirava nada se ele acordasse um dia com a ideia peregrina de colocar veterinários nos Centros de Saúde. É que os veterinários também são médicos e, por outro lado, também nós, os portugueses, já começámos a ser tratados como animais.

Agradecimento


Agradeço ao alexschi a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua.

domingo, 22 de junho de 2014

Costa insultado à saída de Ermesinde

A coisa está tremida

António Costa foi alvo de insultos à saída da Comissão Nacional de Ermesinde. No momento em que falava para as televisões, o presidente da câmara de Lisboa, e candidato a líder do PS, viu as suas palavras serem abafadas por militantes que se juntaram para o acusarem de oportunismo e de dividir os socialistas. Houve mesmo alguns encontrões
“Oportunista”, “Ficas bem é no poleiro de Lisboa”, “devias ter vergonha de dividir os socialistas”, ouviu-se à porta do Fórum Cultural de Ermesinde. Jorge Lacão, apoiante de Costa, também foi vaiado e insultado.
António José Seguro, pelo contrário, foi aplaudido por um grupo maior de pessoas, mas que incluiu alguns dos que depois insultaram Costa.
O secretário-geral do PS pediu que os costistas deixem as questões estatutárias e “deixem os rodriguinhos”. Seguro não deixou sem resposta os que se aproximavam de si para criticar Costa. “Fomos traídos”, dizia um socialista exaltado, ao que Seguro respondeu “Nós ganhámos e a direita perdeu, mas parece que foi tudo ao contrário”. A outro militante que chamou “oportunista”  a Costa por ter tido a oportunidade e não ter avançado , Seguro disse “vamos dizer nas eleições”.
Costa começou por sorrir e acernar para os que o insultavam. Depois, disse aos jornalistas: “vamos deixar o partido serenar, devemos dar um exemplo de serenidade”. Depois das primárias, espera “contar com todos os socialistas”. Ainda assim lamentou que a Comissão Nacional não tenha sequer discutido a proposta de um congresso antecipado.
“O melhor era termos já congresso“, seria “tudo mais claro e mais sólido” mas “mais tarde ou mais cedo os militantes vão poder votar”, afirmou Costa. “Não me vou dedicar a ataques pessoais”.
António Costa viu rejeitada a proposta de um congresso antecipado, não tendo sequer a proposta sido admitida a votação pela presidente Maria de Belém.
Também foi rejeitada uma moção, dos costistas, para adiar para depoisa das primárias as eleições nas federações – um processo que corre em paralelo no PS, por decisão de Seguro. A Comissão Nacional marcou estas eleições para 5 ou 6 de Setembro, três semanas antes das primárias para a escolha do candidato a primeiro-ministro

***«»***
Atualmente, O PS é um partido fraturado. Nem Costa nem Seguro têm o elã para mobilizar os militantes. O problema é que ambos dizem a mesma coisa por outras palavras. Ambos são europeístas, no sentido de que apoiam o que de mais negativo tem a UE, e que se consubstancia na pulsão federadora da Europa, imposta sob a batuta da Alemanha.
Para se diferenciar do PSD, os socialistas têm de encontrar um líder que defenda precisamente o contrário. Caso isto não aconteça, o PS arrisca-se a vir a ser uma muleta do PSD, como está a acontecer ao PSOE, de Espanha, que deixou de ser, a nível eleitoral, uma alternativa credível ao PP, tal foi a deserção dos seus eleitores para os partidos mais à esquerda.

Júlio Meirinhos é o novo grão-mestre da Grande Loja


O socialista Júlio Meirinhos foi hoje eleito com uma "larga margem" o novo grão-mestre da Grande Loja Legal de Portugal, confirmou ao DN fonte da obediência
O atual vice-grão-mestre da Grande Loja Legal de Portugal (GLLP), Júlio Meirinhos, foi escolhido pelos "irmãos" da maçonaria regular para suceder a José Moreno. Fonte da GLLP confirmou ao DN que o advogado e político Júlio Meirinhos venceu confortavelmente (por uma "larga margem") o seu opositor, o arquiteto José Pereira da Silva.
Na maçonaria desde 1992, Júlio Meirinhos tem tido uma vida "profana" ativa na política. Foi durante quatro mandatos presidente da Câmara de Miranda do Douro (onde vive) e deputado do PS.
Nas últimas autárquicas, em outubro de 2013, concorreu pelo PS à Câmara de Bragança, perdendo para Hernâni Dias (do PSD, que é seu "irmão" de Loja na R: L: Rigor).

***«»***
Eu ainda não percebi se a Opus Dei é a maçonaria do Vaticano ou se a maçonaria é a Opus Dei do Bloco Central (PS-PSD). Possivelmente, as duas afirmações são verdadeiras....
Uma coisa, no entanto, é certa: Quer na prezalia pessoal, quer na organização iniciática (ambas secretas), dinheiro é coisa que não falta e a influência política é enorme. São dois grandes trampolins para o salto à vara.
E assim temos um triângulo equilátero, cujos vértices são a política, a religião e os negócios. Antes, odiavam-se uma à outra, hoje, toleram-se, competindo. Amanhã não sei de optarão para uma união de facto, em "part time".

FNAM - GREVE NACIONAL DOS MÉDICOS A 8 E 9|JULHO


FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS

 GREVE NACIONAL DOS MÉDICOS A 8 E 9|JULHO

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM), face às medidas governamentais de destruição do SNS e do direito constitucional à Saúde em curso, bem como ao incumprimento, por parte do Ministério da Saúde, de pontos importantes do acordo celebrado em 14 de Outubro de 2012, tomou hoje a decisão na reunião da sua Comissão Executiva de proceder à emissão do aviso-prévio de greve para os dias 8 e 9 de Julho.
A gravidade da situação actual impõe a adopção de medidas enérgicas e a conjugação de esforços com os cidadãos na defesa de uma das maiores conquistas sociais e humanistas do nosso rgime democrático.
Não seremos cúmplices na destruição do SNS.

Coimbra, 20 de Junho de 2014
A Comissão Executiva da FNAM

***«***
É a existência, a viabilidade e a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde o que esta greve dos médicos pretende defender, perante um governo que o quer destruir.

sábado, 21 de junho de 2014

Hollande junta vários líderes da UE em apoio a Juncker


Nove líderes da União Europeia, hoje reunidos em Paris pelo presidente francês, apoiaram a indigitação do conservador Jean-Claude Juncker para presidir à Comissão Europeia, após a vitória do Partido Popular Europeu (PPE) nas últimas eleições europeias.
Respeitamos as instituições europeias e o espírito das eleições e o partido com mais votos pode propor o seu candidato, neste caso Junker", disse o presidente francês, François Hollande, no final da reunião.
À reunião assistiram, além do presidente francês, os chefes do Governo de Itália, Bélgica, Roménia, Dinamarca, Eslováquia, Malta e República Checa, assim como o chanceler austríaco.

***«»***
Com socialistas destes... nem sei o que deva dizer!...
Um dirigente político de direita não faria melhor. Quem deve estar a rir-se às gargalhadas é a czarina alemã, que já pediu ao seu camareiro-mor o casaquinho branco à Hitler, para, ao espelho, poder dizer: A França já está no papo...
Hollande é a expressão mais eloquente da natureza e da volatilidade dos dirigentes dos partidos filiados na Internacional Socialista: Estão sempre do lado mais conveniente.
Falta-me saber se o camarada Hollande é uma referência inspiradora para António Costa e para António José Seguro.

Meco: MP recusou investigar trajetos de carros dos 'dux'


Os pais pediram para investigar as vias verdes dos carros de quatro ‘dux’ para saber se teriam estado na casa alugada pelos estudantes da Universidade Lusófona, em dezembro passado, mas o Ministério Público negou a investigação, de acordo com o Diário de Notícias.
A investigação que a família pedia junto da Via Verde tinha como objetivo clarificar se haveriam mais ‘dux’ na casa alugada pelos estudantes, além do sobrevivente João Gouveia e das seis vítimas.

***«»***
Paira no ar uma sombra de muitas dúvidas sobre a forma como o Ministério Público e a Polícia Judiciária (PJ) estão a investigar o caso do Meco. As sucessivas denúncias das famílias das vítimas e do seu advogado, que acusam aquelas autoridades de não efetuarem todas as diligências necessárias para o apuramento da verdade, inclusivamente negando avançar com os procedimentos devidos para aquelas que lhes são sugeridas, leva-nos a perguntar que tipo de cavernosos poderes ocultos e sinistros estão por detrás do mundo nebuloso das praxes académicas.
A morte trágica daqueles jovens universitários, em circunstâncias estranhas, que não se enquadram na narrativa daqueles que vieram logo a terreiro defender a tese do acidente fortuito, sem qualquer ligação com exercício de práticas iniciáticas (como é que eles sabiam?!), exige uma investigação séria e profunda. É a credibilidade da Justiça que está em causa.

Morreu Jaime Gralheiro -advogado e dramaturgo (1930 - 2014)

Imagem retirada do blogue CONVERSA AVINAGRADA

Privei com Jaime Gralheiro, em Viseu, no início dos anos sessenta do século passado e interpretei uma das personagens de uma peça de teatro, da sua autoria, que ele encenou, e que marcou o início da aventura (na época muito perigosa, porque incomodava os corifeus do regime) de encontrar um meio libertador, numa cidade amarrada à castradora ideologia dominante.
Foi com muita tristeza que recebi a notícia da sua morte.

Exposição de Pintura de Dacha (Dália Faceira), em Caminha


Quem, neste sábado, passar por Caminha, que não perca a oportunidade de entrar na Galeria de Arte Caminhense, para ver a magia da cor nas obras de pintura de Dália Faceira (Dacha).

quinta-feira, 19 de junho de 2014

66 diretores do Centro Hospitalar S. João demitem-se


A demissão em bloco foi apresentada esta manhã. São 66 diretores, entre chefes de unidades intermédias de gestão, diretores clínicos e não clínicos, que disseram não estar disponíveis para continuar na unidade perante a degradação dos cuidados. Administração está solidária.
Entre as razões apontadas para a decisão tomada em bloco estão "a qualidade na prestação de cuidados de saúde à população estar em risco", a desvalorização do centro hospitalar e da sua missão e a centralização administrativa "no que concerne a políticas de recursos humanos, investimento, manutenção estrutural e infraestruturas e de equipamentos e compras, que afetará gravemente a prossecução da atividade assistencial".

***«»***
O diretores do Centro Hospitalar de S. João já fiizeram o que deviam, demitindo-se em bloco, devido à degradação progressiva da qualidade dos serviços de saúde, prestados à população, iniciativa que o conselho de administração subscreveu.. Falta agora idêntica iniciativa dos responsáveis de todas as outras unidades de saúde do país.
Não se trata de uma reação corporativa, à procura de privilégios, nem de nenhuma reivindicação sindical a exigir aumentos de salários. É apenas o aflorar de um sentimento coletivo de impotência, perante a ofensiva surda de um ministro, apostado em destruir gradualmente o Serviço Nacional de Saúde, para que os privados possam abocanhar a sua parte mais rentável. E as queixas apresentadas pelos profissionais demissionários do Centro Hospitalar de S. João são comuns a todo o universo do Serviço Nacional de Saúde.
O ministro da Saúde que, com o seu ar bonacheirão, tem passado incólume pelos intervalos da chuva, levou, com esta demissão coletiva, uma estocada de morte. Ele até pode não se demitir - pois está vinculado, tal como todos os outros ministros deste governo, ao compromisso de "missão" de instalarem em Portugal um verdadeiro Estado neoliberal e de obedecerem cegamente aos interesses dos agentes do capitalismo financeiro internacional e aos diretórios políticos europeus - mas, a partir de agora, ele ficou a saber que a onda de protesto vai molhá-lo dos da cabeça até aos tornozelos.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Treinador de bancada: Paulo Bento não pode continuar a utilizar as fórmulas do FMI

Imagem do portal do Google

O selecionador Paulo Bento é como os tecnocratas do FMI, que levam no bolso uma série de fórmulas matemáticas, para aplicar nos países em crise, mas que, na maior parte das vezes, essas mágicas fórmulas não permitem obter os objetivos pretendidos. Em Portugal, segundo foi afirmado, enganaram-se na escolha dos multiplicadores
Também foi esse o problema de Paulo Bento. No encontro com a Alemanha, Paulo Bento enganou-se nos multiplicadores, falhando, pois, o objetivo de marcar golos e ganhar a prova. Falta-lhe, como treinador, pensamento dialético, tal como falta aos técnicos do FMI, que querem fazer da economia uma ciência de números e equações, esquecendo-se das pessoas.
Não se chegou a perceber bem qual a tática que Paulo Bento teria adotado no balneário, pois, no campo, os jogadores alemães não lhe deram margem de manobra para a levar à prática, embora se presuma que o seu plano consistisse em pôr a jogar a equipa para Cristiano Ronaldo, esperando que um golpe de génio do avançado português colocasse Portugal em vantagem, logo no início da partida. Optou por uma arriscada tática ofensiva, que esbarrou na muralha de aço da equipa alemã.
Perante uma Alemanha, que é sempre forte, mesmo que a sua equipa seja fraca, Paulo Bento deveria ter sido mais cauteloso, e ter optado pela tática que os alemães aplicaram, mal asseguraram um resultado confortável, começando a prender o jogo a meio campo, em sucessivas triangulações, que obrigaram os jogadores portugueses a correr sem êxito, atrás da bola. Deste modo, os alemães iam queimando tempo e levaram ao esgotamento físico e anímico os jogadores portugueses, que, posteriormente, já não conseguiram resistir às novas e incisivas ofensivas dos avançados alemães, que, com êxito, concretizaram as jogadas, dilatando facilmente o resultado.
Paulo Bento deveria ter começado com o esquema de 4 x 4 x 2, reforçando a defesa e o meio campo e devolvendo aos alemães a iniciativa para o jogo atacante. Na parte inicial da partida, para a equipa portuguesa, não deveria ter havido o desejo imediato de chegar à baliza adversária. A bola deveria correr a meio campo, trocando-a em passes sucessivos, num carrossel contínuo, entre os defesas e os médios, a fim de atrair os jogadores alemães, que assim esgotariam a sua força física e a sua paciência. Neste esquema, a equipa portuguesa exploraria o contra-ataque, de preferência pelos flancos, à procura de Ronaldo, que, no centro, e com a defesa alemã ainda não reconstituída, poderia fazer o milagre de marcar um golo. E este esquema de jogo manter-se-ia atá ao final da partida, levando os alemães ao desespero e à derrota.
Com uma equipa, como a alemã, só esta tática da equipa portuguesa poderia ter tido êxito. E é esta tática que Paulo Bento deverá escolher para os próximos jogos, uma vez que, neste momento, a equipa portuguesa está insegura, quanto à sua capacidade, e desmoralizada, perante a humilhante derrota infligida pela equipa germânica. Também deverá deitar pelo esgoto abaixo as fórmulas do FMI. E se não fizer isto, Paulo Bento arruinará a sua carreira de treinador,  arriscando-se a ter de ir vender copos de vinho, atrás do balcão da taberna.  
Como nota final, também deverá dizer-se que esta humilhante derrota teve origem no rápido esgotamento físico dos jogadores portugueses, que não tiveram tempo de adaptar-se às condições climatéricas do Brasil (a mistura de calor e humidade é altamente desgastante, para quem não está habituado). Na fase de preparação, a seleção portuguesa deveria ter ido estagiar para o Brasil e realizar jogos com equipas locais, dispensando-se a digressão pelos EUA, onde foi amealhar, para a FPF, algumas receitas de bilheteira e de publicidade e recolher as migalhas do patriotismo esfarrapado dos emigrantes portugueses, que anda pelas ruas da amargura, devido a uma outra humilhação, bem mais grave e vergonhosa, a submissão de Portugal à ditadura dos mercados e à política agressiva da troika.
 Alexandre de Castro

Agradecimento


Agradeço ao arquiartur a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua.

Agradecimento


Agradeço ao Carlos Araújo a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Agradecimento


Agradeço ao LP6 a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua.

Agradecimento


Agradeço ao Soares Roque a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua.

Agradecimento


Agradeço ao Joaquim Rodrigues a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua.

Um milhão de nascidos em Portugal vive noutro país europeu


Um milhão de nascidos em Portugal vive noutro país europeu
Após uma análise detalhada aos dados dos Censos de 2011, o Observatório da Emigração concluiu que, em 2011, cerca de um milhão de pessoas nascidas em Portugal estava a residir noutro país da União Europeia.
França, Luxemburgo, Alemanha, Suíça, Reino Unido e Espanha detinham 98% das pessoas que nasceram em Portugal mas que agora residem noutro país da União Europeia (UE). Esta é uma das conclusões do estudo do Observatório da Emigração após análise dos Censos 2011.

***«»***
A Pátria sempre foi madrasta para os seus filhos!... Só é mãe para alguns!... E mãe perdulária para muito poucos!...

domingo, 15 de junho de 2014

“Acusações de Kruschev contra Stálin são falsas”, afirma o historiador Grover Furr


A Verdade entrevistou Grover Furr, professor da Universidade de Montclair, no Estado de Nova Jersey, EUA, e autor do livroAntistalinskaia Podlost (“A infâmia antistalinista”), lançado recentemente em Moscou, na Rússia. Grover Furr é ph.D. em literatura comparada (medieval) pela Universidade de Princeton, e, desde 1970, ensina na Universidade de Montclair, sendo responsável pelos cursos de Guerra do Vietnã e Literatura de Protesto Social, entre outros. Suas principais áreas de pesquisa são o marxismo, a história da URSS e do movimento comunista internacional e os movimentos políticos e sociais. Nesta entrevista, o professor Grover fala de sua pesquisa e afirma que “60 de 61 acusações que  o primeiro-ministro Nikita Kruschev fez contra Stálin são comprovadamente falsas”.

A Verdade – Recentemente, um grande número de livros tem sido publicado atacando a pessoa e a obra de Josef Stálin. Como o senhor explica a intensificação desse antistalinismo nos EUA e no mundo?

Grover Furr – Desde o fim da década de 1920, Stálin tem sido o maior alvo do anticomunismo ideológico e acadêmico. Leon Trótsky atacava Stálin para justificar sua própria incapacidade de ganhar as massas trabalhadoras da União Soviética [URSS]. A verdadeira causa da derrota de Trótsky é que sua interpretação do marxismo – um tipo de determinismo econômico extremado – predizia que a revolução estava fadada ao fracasso a não ser que fosse seguida por outras revoluções nos países industrialmente avançados. Mas a liderança do Partido preferiu o plano de Stálin para primeiro construir o socialismo em um só país. As ideias de Trótsky tiveram (e ainda têm) uma grande influência sobre todos aqueles declaradamente capitalistas e anticomunistas. Os historiadores trotskistas são muito bem acolhidos pelos historiadores capitalistas. Pierre Broué e Vadim Rogovin, os mais proeminentes historiadores trotskistas das últimas décadas, já foram louvados e ainda são frequentemente citados por historiadores abertamente reacionários. Muitos na liderança do Partido em 1930 combateram Stálin quando este lutava por democracia interna no Partido e, especialmente, por eleições democráticas para os sovietes. As grandes conspirações da década de 1930 revelaram a existência de uma ampla corrente de oposição às políticas associadas a Stálin. Essas conspirações de fato existiam: os oposicionistas realmente estavam tentando derrubar o partido soviético e assassinar a liderança do governo, ou tomar o poder liderando uma revolta na retaguarda, em colaboração com os alemães e os japoneses. Nikolai Ezhov, líder da NKVD (o Comissariado do Povo para Assuntos Internos), tinha sua própria conspiração direitista, incluindo colaboração com o Eixo. Visando aos seus próprios fins; ele executou centenas de milhares de cidadãos soviéticos completamente inocentes para minar a confiança e a lealdade ao governo soviético. Quando Stálin morreu, Kruschev e muitos líderes do Partido viram que poderiam jogar a culpa por essas grandes repressões em cima de Stálin. Eles também inventaram muitas outras mentiras escancaradas sobre Stálin, Lavrentii Béria e pessoas próximas aos dois. Quando, bem mais tarde (1985), [Mikhail] Gorbachev assumiu o poder, ele também percebeu que as suas “reformas” capitalistas – o distanciamento do socialismo em direção a relações capitalistas de mercado– poderiam ser justificadas se sua campanha anticomunista fosse descrita como uma tentativa de “corrigir os crimes de Stálin”. Essas mentiras e histórias de horror permanecem como a principal forma de propaganda anticomunista, hoje, no mundo. A tendência é que elas se intensifiquem, pois os capitalistas estão diminuindo os salários e retirando benefícios sociais dos trabalhadores, caminhando em direção a um exacerbado nacionalismo, ao racismo e à guerra.

A Verdade – O que o levou a se interessar pela história da URSS?

Grover Furr – Quando estava na faculdade, de 1965 a 1969, eu fazia protestos contra a guerra dos EUA no Vietnã. Um dia, alguém me disse que os comunistas vietnamitas não poderiam ser “caras legais” porque eram todos “stalinistas”, e “Stálin tinha matado milhões de pessoas inocentes”. Isso ficou na minha cabeça. Foi provavelmente por isso que, no início da década de 1970, li a primeira edição do livro O grande terror, de Robert Conquest. Fiquei impressionado quando o li! Mas eu já tinha um certo domínio do russo e podia ler neste idioma, pois já vinha estudando literatura russa desde o ensino médio. Então examinei o livro de Robert Conquest com muito cuidado. Aparentemente ninguém ainda havia feito isso! Descobri, então. que Conquest fora desonesto no uso de suas fontes. Suas notas de rodapé não davam suporte a nenhuma de suas conclusões “anti-Stálin”. Ele basicamente fez uso de qualquer fonte que fosse hostil a Stálin, independentemente de se era confiável ou não. Decidi, então, escrever alguma coisa sobre o “grande terror”. Demorou um longo tempo, mas finalmente foi publicado em 1988. Durante este tempo estudei as pesquisas que estavam sendo feitas por novos historiadores da URSS, entre os quais Arch Getty, Robert Thurston e vários outros.

A Verdade – Seu livro Antistalinskaia Podlost (“A infâmia anti-stalinista”) foi recentemente publicado em Moscou. Conte um pouco sobre ele.

Grover Furr – Há aproximadamente uma década fiquei sabendo da grande quantidade de documentos que estavam sendo revelados dos antigos arquivos secretos soviéticos, e comecei a estudá-los. Li em algum lugar que uma ou duas das declarações de Kruschev em sua famosa “fala secreta”, de 1956, foram identificadas como falsas do início ao fim. Daí, pensei que poderia fazer algumas pesquisas e escrever um artigo apontando alguns outros erros de seu pronunciamento da “sessão secreta”. Nunca esperei descobrir que tudo o que Kruschev disse – 60 de 61 acusações que ele fez contra Stálin e Béria – eram comprovadamente falsas (não pude encontrar nada que comprovasse a 61ª)! Percebi que este fato mudava tudo, uma vez que praticamente toda a “história” anticomunista desde 1956 se baseia ou em Kruschev ou em escritores de sua época. Verifiquei que a história soviética do período de Stálin que todos aprendemos era completamente falsa. Não apenas “um erro aqui e outro ali”, mas fundamentalmente uma fraude gigantesca, a maior fraude histórica do século! E meus agradecimentos ao colega de Moscou Vladimir L. Bobrov, que foi o primeiro a me mostrar esses documentos, me deu inestimáveis conselhos, várias vezes, e fez um excelente trabalho de tradução de todo o livro. Sem o dedicado trabalho de Vladimir, nada disso teria acontecido.

A Verdade – Em suas pesquisas o senhor teve acesso direto a arquivos soviéticos abertos recentemente.  O que esses documentos revelam sobre os “milhões de mortos” sob o socialismo, especificamente no período de Stálin?

Grover Furr – Considerando que pessoas morrem a todo instante, eu suponho que você esteja falando de mortes “excedentes”. A Rússia e a Ucrânia sempre experimentaram fomes a cada três, quatro anos. A fome de 1932-33 ocorreu durante a coletivização. Sem dúvida, que um número maior de pessoas morreu do que teria morrido naturalmente. No entanto, muito mais pessoas iriam morrer em sucessivas fomes – a cada três, quatro anos, indefinidamente, no futuro – se não fosse feita a coletivização. A coletivização significou que a fome de 1932-33 foi a última, com exceção da grave fome de 1946-1947, que foi muito pior, mas isso devido à guerra. E, como mencionei anteriormente, Nikolai Ezhov deliberadamente matou milhares de pessoas inocentes. É interessante considerar o que poderia ter sucedido se a URSS não houvesse coletivizado a agricultura e não tivesse acelerado seu programa de industrialização, e se as conspirações da oposição nos anos 1930 não tivessem sido esmagadas. Se a URSS não tivesse feito a coletivização, os nazistas e os japoneses a teriam conquistado. Se o governo de Stálin não houvesse contido as conspirações direitistas, trotskistas, nacionalistas e militares, os japoneses e os alemães teriam conquistado o país. Em qualquer um desses casos, as vítimas entre os cidadãos soviéticos teriam sido muito, muito mais numerosas do que os 28 milhões mortos na guerra. Os nazistas teriam matado muito mais  eslavos ou  judeus do que mataram. Com os recursos, e talvez até mesmo com os exércitos da URSS do seu lado, os nazistas teriam sido muito, muito mais fortes contra a Inglaterra, a França e os EUA. Com os recursos soviéticos e o petróleo de Sakhalin, os japoneses teriam matado muito, muito mais americanos do que fizeram. O fato é que a URSS sob Stálin salvou o mundo do fascismo não apenas uma vez, durante a guerra, mas três vezes: pela coletivização; pelo desbaratamento das oposições direitista-trotskista-militares e também na guerra. Quantos milhões isso dá?

A Verdade – Alguns autores vêm tentando encontrar semelhanças entre Stálin e Hitler, e alguns até chegam a afirmar que o suposto “stalinismo” foi “pior” que o nazismo. Existia realmente alguma ligação entre Stálin e Hitler? 

Grover Furr – Os anticomunistas e os pró-capitalistas não discutem a luta de classes e a exploração. De fato, eles ou fingem que essas coisas não existem ou que não são importantes. Mas a luta de classes causada pela exploração é o motor da história. Então omitir isso significa falsificar a história. Hitler era um capitalista, um anticomunista autoritário de um tipo que é comum em vários países capitalistas. Stálin liderou o Partido Bolchevique e a URSS quando os comunistas em todo o mundo estavam lutando contra todo tipo de exploração capitalista. Sempre que dizemos “pior”, devemos sempre nos perguntar: “Pior para quem?” A URSS e o movimento comunista durante o período de Stálin foram definitivamente “piores que o nazismo”, para os capitalistas. Essa é a razão de os capitalistas odiarem tanto Stálin e o comunismo. O movimento comunista durante o período de Lênin e Stálin, e ainda por um bom tempo depois, foi a maior força de libertação humana da história. E novamente devemos nos perguntar: “Libertação de quem? Libertação do quê?” A resposta é: libertação da classe trabalhadora de todo o mundo, da exploração capitalista, da miséria e das guerras.

A Verdade – Um dos ataques mais frequentes a Stálin é que ele seria responsável pela fome na Ucrânia, em 1932-1933, também chamada de Holodomor. Esta versão da história corresponde ao que realmente ocorreu?

Grover Furr – O “Holodomor” é um mito. Nunca aconteceu. Esse mito foi inventado por ucranianos nacionalistas pró-fascistas, junto com os nazistas. Douglas Tottle comprovou isso em seu livro Fraud, Famine and Fascism(1988). Arch Getty, um dos melhores historiadores burgueses (isso é, não marxistas, não comunistas), também tem um bom artigo sobre isso. Até o próprio Robert Conquest deixou de defender sua antiga versão de que os soviéticos deliberadamente causaram a fome na Ucrânia. Nenhuma sombra de prova que poderia confirmar essa visão jamais veio à luz. O mito do “Holodomor” persiste porque ele é o “mito fundacional” do nacionalismo direitista ucraniano. Os nacionalistas ucranianos que invadiram a URSS juntamente com os nazistas mataram milhões de pessoas, incluindo muitos ucranianos. Sua única “desculpa” é propagandear a mentira de que eles “lutaram pela liberdade” contra os comunistas soviéticos, que eram “piores”.

A Verdade – Deixe uma mensagem para os trabalhadores brasileiros.

Grover Furr – Lutem pelo comunismo! Todo o poder à classe trabalhadora de todo o mundo!

***«»***
A linguagem da Propaganda, por vezes, é mais eficaz do que a força dos tanques e dos canhões.
A imagem de um Estaline, sanguinário e sem escrúpulos, foi meticulosamente trabalhada e difundida pelas centrais do imperialismo americano.
E são essas mesmas centrais que, agora, estão a operar mediaticamente na questão ucraniana, limpando a cara dos fascistas que tomaram o poder em Kiev, através da encenação de uma eleição por braço no ar, na Praça da Independência.

Agradecimento


Agradeço ao Manuel Araújo a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua.

sábado, 14 de junho de 2014

Comunicado da FNAM: Em defesa dos interesses dos médicos, da carreira médica e do SNS


A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) na sequência das decisões tomadas pelo seu Conselho Nacional, do diálogo desenvolvido com as restantes organizações médicas e da ausência de quaisquer resultados da reunião efectuada com a equipa ministerial a 6/6/2014, tomou a decisão de desencadear o processo reivindicativo que irá conduzir à realização de uma greve nacional dos médicos.
As questões fundamentais que determinam a convocação da greve são as seguintes:

No último ano tem-se assistido a uma nova ofensiva anti-médico e anti-SNS por parte desta equipa ministerial, criando uma situação que globalmente assume uma gravidade ainda maior do que aquela que determinou a realização da maior greve médica há 2 anos atrás.
Esta ofensiva assenta nos seguintes factos concretos:

Publicação de uma portaria sobre uma suposta categorização dos serviços e estabelecimentos hospitalares que estabelece a eliminação de serviços e de especialidades hospitalares, o encerramento de 27 maternidades e de vários hospitais.

Elaboração de um projecto disfarçado de condutas éticas que visa amordaçar as denúncias de todos os profissionais de saúde e aplicar-lhes processos disciplinares e criminais.

Paralisação integral da actividade da Comissões Paritárias dos ACT.

Paralisação integral da Comissão Tripartida, a quem estão atribuídas legalmente funções de acompanhamento da aplicação do acordo.

Boicote sucessivo aos calendários e cronogramas da avaliação do desempenho, acompanhado de uma campanha de múltiplos órgãos de gestão de estabelecimentos de saúde que afirmam que esta avaliação existe por pressão das organizações sindicais.
A desonestidade política dessa campanha atinge níveis degradantes quando todos sabemos que essa avaliação é uma imposição da legislação geral da Administração Pública e que tem como único objectivo possibilitar a progressão nas posições remuneratórias em cada categoria.

                    f) Bloqueio organizado na quase totalidade dos hospitais à negociação dos respectivos regulamentos internos no que se refere à organização do trabalho médico.

                    g) Ilegalidades em múltiplos Centros de Saúde impondo o aumento das listas de utentes aos médicos que não aderiram ao novo regime de trabalho das 40h.

                    h) Ilegalidades nos recentes concursos de progressão na carreira médica ao tentarem impor o horário das 40 horas a quem não solicitou a respectiva adesão.

                    i) Arbitrariedades e ilegalidades na aplicação da legislação laboral relativa aos regimes de folgas e descansos compensatórios e às formulas de pagamento das horas extraordinárias.

                    j) Ilegalidades na abertura do procedimento de recrutamentos de médicos de família, criando atrasos inadmissíveis na colocação dos recém especialistas em medicina geral e familiar.

                     l) Não realização do concurso aberto para os jovens especialistas até Maio de 2014, conforme compromisso assumido com as organizações sindicais médicas na reunião da Comissão Tripartida de 4 de Abril de 2014.

                     m) Aplicação ilegal a cerca de 300 médicos nos Centros de Saúde, com a categoria de clínicos gerais, do regime das 40 horas, sem qualquer acréscimo salarial e em clara violação do seu estatuto laboral adquirido por via do DL nº 73/90.

                      n) Implementação de programas informáticos (exº PEM) que têm tornado o trabalho médico num caos infernal.

                     o) Indicadores absurdos através de uma contratualização imposta a nível dos ACES, UCSP e das USF.

                     p) Perseguições a dirigentes sindicais e despedimento de uma dirigente sindical da FNAM no Hospital de Leiria que se mantiveram impunes apesar de insistentes denúncias públicas e de solicitações de intervenção do ministro, que desde há largos meses até hoje não quis dar qualquer resposta objectiva como se comprometeu.

                    q) Impedimentos diversos à criação de novas USF modelo A e criação de sucessivos obstáculos à passagem ao modelo B.

                    r) Encomenda, a um grupo de trabalho, de um relatório sobre integração dos cuidados de saúde que visa a destruição da medicina geral e familiar e dos próprios Cuidados de Saúde Primários, além de assumir proporções escandalosas ao propor a criação de mais 7500 lugares para as clientelas partidárias ao abrigo de supostos “gestores dos doentes crónicos”.
 Outro aspecto que não pode ser escamoteado é que nesse grupo de trabalho existem elementos que são funcionários de grupos económicos privados com vultuosos negócios na área da saúde.

                    s) Elaboração de um projecto de revisão do Internato Médico com claros objectivos de destruir a formação médica de qualidade e de criar um amplo universo de médicos indiferenciados sob o pretexto não demonstrado de fortes limitações na capacidade formativa dos serviços.

                     t) Degradação progressiva da formação médica e ausência de qualquer política de investimento do Ministério da Saúde nesta área tão delicada.

                    u) Publicação recente (23/5), sem qualquer negociação com as organizações médicas, de uma nova portaria que viola os conteúdos funcionais das especialidades de medicina geral e familiar, da medicina do trabalho e da saúde pública estabelecidos nos Acordos Colectivos de Trabalho.

                   v) Boicote à contratação colectiva e ao próprio direito de negociação sindical com a publicação de portarias e despachos contendo matérias que exigiam essa negociação e que, por isso, deviam estar inseridos em decretos-lei e em clausulado dos acordos colectivos de trabalho.
                    
                  
Devido à acumulação sucessiva de graves problemas resultantes das ilegalidades cometidas pelas instancias ministeriais e pelas administrações por si nomeadas para os serviços públicos de saúde, realizou-se a 30/4/2014 uma reunião das duas organizações sindicais médicas com o Ministro da Saúde, após múltiplas solicitações durante 5 meses.
Nessa reunião, o Ministro da Saúde não assumiu nenhum compromisso de solução dos diversos problemas suscitados, demonstrando qual a essência da sua postura política efectiva.

Entretanto, colocam-se graves problemas com projectos ministeriais que visam esvaziar as competências legais da Ordem dos Médicos a nível ético, deontológico, técnico e científico, de que a recusa ministerial em negociar um diploma do Acto Médico é o exemplo mais escandaloso.
Sendo matérias de negociação que não cabem às organizações sindicais é forçoso sublinhar que têm delicadas implicações no desempenho, globalmente considerado, da profissão médica.

O Ministério da Saúde é o exclusivo responsável pela preocupante deterioração da situação actual, numa escalada de medidas que impõem uma imediata e enérgica resposta da generalidade dos médicos.

O Ministro da Saúde, confrontado com a agudização dos diversos problemas na reunião de 30/4/2014, não só não tomou qualquer medida de resolução como ainda tomou a iniciativa de publicar mais portarias e despachos à revelia da contratação colectiva e da negociação sindical.
Na reunião efectuada no dia 6/6/2014, voltámos a ouvir as mesmas argumentações indefinidas, remetendo tudo para um futuro sem qualquer data.
Mais uma vez, ali na reunião, não assumiu qualquer compromisso concreto e temporalmente definido.
A emissão posterior de um comunicado do Ministério da Saúde a falar de violações de acordos por decidirmos avançar para a greve constitui um exemplo elucidativo e preocupante de desorientação e de cinismo político.
Quem tem estado sistematicamente a violar as matérias constantes do acordo assinado há cerca de 2 anos tem sido o Ministro da Saúde e os seus nomeados nas várias instâncias ministeriais.
Os factos são muitos e graves e facilmente demonstram esta situação perversa.

       6- A política governamental de desmantelamento progressivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e de negação do direito à saúde para um número crescente de cidadãos exige atitudes enérgicas e de firme oposição.
Chegámos a um nível de deterioração global da situação neste delicado sector da vida nacional que não permite outras saídas senão na base conflitual, situação conflitual essa que procurámos evitar a todo o custo, mas que a equipa ministerial tudo fez para tornar inevitável através de sucessivas medidas de provocação política.
As questões suscitadas e que determinam o actual conflito mostram que a resolução dos problemas que atingem os médicos está intimamente ligada à salvaguarda do direito à saúde da generalidade dos cidadãos.
E nesse sentido também dirigimos um apelo aos cidadãos para mostrarem a sua posição solidária com esta luta, tal como aconteceu há 2 anos com a anterior greve nacional dos médicos.

Porto, 9/ 6/ 2014

                                                                   A Comissão Executiva da FNAM