quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A extrema leveza da unidade da esquerda...


Como pode ler-se abaixo, a aventura 3D terminou tal como começou, por iniciativa dos próprios. Não há convergência possível quando uma das partes, ainda por cima aquela que formalmente não existe, propõe à outra que prescinda da sua existência a seu favor. A impossibilidade completa-se quando, a juntar ao primeiro absurdo, se verifica que à frente de uma convergência que servisse o objectivo de unir as esquerdas está a carreira política de alguém que comprovadamente tem facilidade em rasgar o contrato eleitoral que se estabelece pelo voto entre eleitos e eleitores. Entre o 3D e o Livre, o 3D escolheu o Livre. A direcção do Bloco limitou-se a recusar o inaceitável. E saíram todos, saímos todos a perder.
***«»***
Há vida política para além dos partidos, mas não pode haver política sem os partidos. Os mentores do do Movimento 3D queriam, ao mesmo tempo, sol na eira e chuva no nabal. Queriam, em igualdade de condições e de circunstâncias, pendurar-se num partido já constituído e que tem compromissos estabelecidos com os seus militantes e simpatizantes, e, ao mesmo tempo, não queriam assumir os riscos de serem um partido político, a vir a ser testado pelo eleitorado. Se essa coligação viesse a ter êxito eleitoral, poderiam sempre reclamá-lo para si. Se a coligação falhasse, a culpa seria do Bloco de Esquerda.
Por outro lado, todas estas movimentações de uma certa esquerda esquecem um elemento estruturante essencial. Não pode haver unidade de esquerda sem a participação do PCP, um partido que pauta a sua credibilidade pela coerência das suas posições políticas e pelo facto de reunir em si as três condições básicas para ser um verdadeiro partido político de alternativa, pois tem uma ideologia definida, um programa claro e transparente e uma forte organização, assente numa dedicada militância. O resto da esquerda anda à deriva, a procurar pouso.
AC

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Meco : as provas que apontam para ritual de praxe

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É a verdade o que esta corajosa mãe pretende, já que não podem restituir-lhe a vida da filha. É a verdade o que todos nós queremos, para que a ignomínia e a tragédia não se repitam. Queremos saber quais os poderes ocultos que se escondem por detrás desta sofisticada máquina das praxes académicas das universidades privadas, que procuram alienar e manietar, para fins pouco claros, os jovens universitários. Começam a surgir muitas dúvidas e muitas perguntas inquietantes, ainda sem resposta, sobre a natureza e os objetivos destas práticas iniciáticas, que têm na base organizações secretas e obscuras e, pelos vistos, tenebrosas.
AC

sábado, 25 de janeiro de 2014

Professor da Universidade do Minho 'praxado' por alunos


Professor da Universidade do Minho 'praxado' por alunos
Numa abordagem a uma turma que se encontrava em praxe, na Universidade do Minho, um docente ouviu a pergunta “O que é o caralho?” ser-lhe colocada por um ‘doutor’. Como conta o Diário de Notícias, a ‘praxe’ ao professor só terminou quando o mesmo chamou os seguranças.

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A praxe académica está a transformar-se numa paranóia coletiva, cruel, boçal e animalesca. Fruto de uma demência monstruosa e delirante, que se apoderou dos nossos jovens universitários, a praxe está a ser assumida como uma cultura de rituais satânicos e bárbaros, emoldurados num quadro de extrema violência física e psicológica. Com a imaginação à solta, cada jovem veterano dá largas à sua criatividade, inventando cenários de tortura originais, nem que, para conseguir o orgasmo sádico, se recorra a práticas atentatórias da dignidade das suas vítimas, e pondo em perigo a sua saúde e até a própria vida.
Enganou-se quem falou de uma Geração à Rasca. A atual geração universitária é a geração da cerveja e da praxe.
Que tipo de sociedade está a ser formada?
AC

"Quando o governo ataca as funções sociais do Estado, ataca a democracia e a Constituição" - João Oliveira (PCP)

*
Ver aqui a versão escrita do discurso

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A pensar no II Congresso Internacional Marx


«Há 170 anos, Marx escrevia os famosos Manuscritos Económico-Filosóficos de 1844. No quadro de um materialismo novo em elaboração, era o arranque de uma longa investigação da estrutura económica da sociedade que viria a resultar, em 1867, na publicação do Livro Primeiro da sua obra magna, O Capital. Há 100 anos, começava a I Guerra Mundial, guerra conduzida em nome do lucro e de uma nova partilha do mundo pelas potências imperialistas. No dia 18 de Janeiro de 1934, há 80 anos, os operários da Marinha Grande, opondo-se à fascização dos sindicatos, tornaram-se senhores do poder, ainda que apenas por algumas horas. A 25 de Abril de 1974, faz agora 40 anos, tombava em Portugal a ditadura fascista e os trabalhadores davam início a um processo revolucionário apontado ao socialismo.
Depois do assinalável sucesso do I Congresso, em 2012, é este conjunto de efemérides, assim como a violenta crise cíclica de acumulação do capitalismo e a consequente intensificação das lutas dos trabalhadores, que, em 2014, formam o contexto do II Congresso Internacional Marx em Maio. Assinalamos estas datas e os acontecimentos por elas evocados não com a intenção de nos encerrarmos no passado, à procura de uma fórmula mágica para os combates de hoje e do futuro, mas com o triplo objectivo da compreensão do mundo actual, da comemoração e do alerta.
A obra de Marx e o marxismo continuam a ser, do nosso ponto de vista, os mais penetrantes instrumentos de análise do real. O caminho percorrido por Marx até ao desvendamento da lei da mais-valia, âmago do capitalismo, ofereceu às ciências particulares novas perspectivas de fundo e novos campos de pesquisa. A própria filosofia ganhou novas pernas e outros trilhos para andar.
Por tudo isto, no II Congresso Internacional Marx em Maio voltaremos a contar com a participação de filósofos, de historiadores, de economistas, de sociólogos, de físicos, de geógrafos, de sindicalistas, de militantes e activistas sociais e políticos. Estes quadrantes de investigação e intervenção não se justapõem extrinsecamente, a sua razão de ser reside na própria envergadura e amplitude do trabalho de Karl Marx, na unidade multifacetada do marxismo.
Face aos ataques à racionalidade, à ciência e à cultura que acompanham, como complemento, as políticas de regressão social acelerada dos últimos anos, continuaremos a procurar cultivar um pensar ancorado numa racionalidade crítica e dialéctica».

II Congresso Internacional Marx em Maio 8, 9 e 10 de Maio de 2014
Anfiteatro I da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
ENTRADA LIVRE
Mais informações muito em breve.

Notas à margem: A vitória de Pirro


Escreveu o jornal i: Apesar de alguns indicadores económicos positivos [o défice orçamamental de 2013, a ultrapassar ligeiramente os objetivos da troika], Freitas do Amaral considerou que "as melhorias são muito pequenas" e comparou: "É como se uma pessoa estivesse com 40 de febre e se fizesse uma festa por passar para 39,8". Pediu, por isso, aos portugueses que nas próximas eleições saibam "aplicar o castigo justo" ao atual Governo.
E eu acrescento: se deixar de dar de comer ao meu filho, daqui por dois anos até posso comprar um Mercedes.
Não houve da parte do governo nenhum mérito neste resultado das contas públicas, que não assentou em medidas sustentáveis para o futuro. Ele foi conseguido à custa do aumento das receitas do IRS, não porque em 2013 tivesse havido um aumento dos rendimentos dos trabalhadores e dos pensionistas, mas sim, porque o governo, acentuando a austeridade, aumentou as taxas de incidência daquele imposto. E este cenário, um novo aumento das taxas de IRS, não vai ser possível no futuro, o que leva o governo a querer transformar em definitivos os cortes provisórios das pensões, para assim consolidar as contas públicas, pelo lado da diminuição da despesa.
Os reformados, a classe mais vulnerável e indefesa, juntamente com a dos desempregados, continua a ser uma presa fácil para este governo, que apenas se preocupa com os mercados e com os compromissos com os credores internacionais, ignorando o contrato social do Estado com os pensionistas.
AC

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Opinião: O dia em que acabou a crise! – por Concha Caballero (*)


Quando terminar a recessão teremos perdido 30 anos de direitos e salários…
Um dia no ano 2014 vamos acordar e vão anunciar-nos que a crise terminou. Correrão rios de tinta escrita com as nossas dores, celebrarão o fim do pesadelo, vão fazer-nos crer que o perigo passou embora nos advirtam que continua a haver sintomas de debilidade e que é necessário ser muito prudente para evitar recaídas. Conseguirão que respiremos aliviados, que celebremos o acontecimento, que dispamos a atitude critica contra os poderes e prometerão que, pouco a pouco, a tranquilidade voltará à nossas vidas.
Um dia no ano 2014, a crise terminará oficialmente  e ficaremos com cara de tolos agradecidos, darão por boas as politicas de ajuste e voltarão a dar corda ao carrocel da economia. Obviamente a crise ecológica, a crise da distribuição desigual, a crise da impossibilidade de crescimento infinito permanecerá intacta mas essa ameaça nunca foi publicada nem difundida e os que de verdade  dominam o mundo terão posto um ponto final a esta crise fraudulenta (metade realidade, metade ficção), cuja origem é difícil de decifrar mas cujos objectivos foram claros e contundentes:
Fazer-nos retroceder 30 anos em direitos e em salários
Um dia no ano 2014, quando os salários tiverem descido a níveis terceiro-mundistas; quando o trabalho for tão barato que deixe de ser o factor determinante do produto; quando tiverem ajoelhado todas as profissões para que os seus saberes caibam numa folha de pagamento miserável; quando tiverem amestrado a juventude na arte de trabalhar quase de graça; quando dispuserem de uma reserva de uns milhões de pessoas desempregadas dispostas a ser polivalentes, descartáveis e maliáveis para fugir ao inferno do desespero, ENTÃO A CRISE TERÁ TERMINADO.
Um dia do ano 2014, quando os alunos chegarem às aulas e se tenha conseguido expulsar do sistema educativo 30% dos estudantes sem deixar rastro visível da façanha; quando a saúde se compre e não se ofereça; quando o estado da nossa saúde se pareça com o da nossa conta bancária; quando nos cobrarem por cada serviço, por cada direito, por cada benefício; quando as pensões forem tardias e raquíticas; quando nos convençam que necessitamos de seguros privados para garantir as nossas vidas, ENTÃO TERÁ ACABADO A CRISE.
Um dia do ano 2014, quando tiverem conseguido nivelar por baixo todos e toda a estrutura social (excepto a cúpula posta cuidadosamente a salvo em cada sector), pisemos os charcos da escassez ou sintamos o respirar do medo nas nossas costas; quando nos tivermos cansado de nos confrontarmos uns aos outros e se tenha destruído todas as pontes de solidariedade. ENTÃO ANUNCIARÃO QUE A CRISE TERMINOU.
Nunca em tão pouco tempo se conseguiu tanto. Somente cinco anos bastaram para reduzir a cinzas direitos que demoraram séculos a ser conquistados e a estenderem-se. Uma devastação tão brutal da paisagem social só se tinha conseguido na Europa através da guerra.
Ainda que, pensando bem, também neste caso foi o inimigo que ditou as regras, a duração dos combates, a estratégia a seguir e as condições do armistício.
Por isso, não só me preocupa quando sairemos da crise, mas como sairemos dela. O seu grande triunfo será não só fazer-nos mais pobres e desiguais, mas também mais cobardes e resignados já que sem estes últimos ingredientes o terreno que tão facilmente ganharam entraria novamente em disputa.
Neste momento puseram o relógio da história a andar para trás e ganharam 30 anos para os seus interesses. Agora faltam os últimos retoques ao novo marco social: um pouco mais de privatizações por aqui, um pouco menos de gasto público por ali e “voila”: A sua obra estará concluída.
Quando o calendário marque um qualquer dia do ano 2014, mas as nossas vidas tiverem retrocedido até finais dos anos setenta, decretarão o fim da crise e escutaremos na rádio as condições da nossa rendição.”
*
(*) Concha Caballero é licenciada em filosofia e letras e professora de línguas e literatura. Entre 1993 e 2008, ocupou um lugar no parlamento da Andaluzia, onde chegou a ser porta voz do grupo esquerda unida.
Deputada autonómica entre 1994 e 2008, foi uma das deputadas chave na aprovação da Reforma do Estatuto Autonómico da Andaluzia, a que imprimiu um caráter mais social e humano do que aquele que, no principio, os grupos maioritários do parlamento pretendiam.
Actualmente, colabora em diferentes meios de comunicação. Escreve sobre actualidade politica. Em 2009, publicou o livro “Sevilha cidade das palavras”.
Texto recebido por email

Agradecimento


Agradeço à Maria Eu a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua, como amiga/seguidora.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Pintura: Os 85 Mirós do BPN que vão a leilão em Londres - Expresso


A Christie's, escolhida pelo Estado para leiloar os Mirós, que pertenceram ao BPN, em Londres, no mês de fevereiro, atribuiu à coleção um valor de 35,9 milhões. O leilão poderá render 80 milhões de euros. [Das 85 pinturas], 68 vieram de offshores com dívidas ao banco.
Expresso 
Veja aqui

domingo, 19 de janeiro de 2014

Uma arrochada a preceito...


A historiadora e investigadora, Raquel Varela, publicou na página do Grupo “Que se Lixe a Troika” um cartaz a anunciar uma manifestação de protesto de bolseiros, investigadores e professores universitários, junto à sede da Fundação para a Ciência e Tecnologia, a exigir melhores condições de trabalho. Um jovem leitor, formado em Engenharia, no Instituto Superior Técnico, apresentou-se com um comentário, a questionar Raquel Varela, de uma forma capciosa, e utilizando argumentos falaciosos e retorcidos. Resolvi sair-lhe à frente, para lhe dar uma arrochada, que, certamente, lhe deveria ter doído muito, pois o meliante, que aqui irei designar por César Carvalhal, não tugiu nem mugiu, tendo desaparecido, sem deixar rasto.

Eis as mensagens trocadas:

César Carvalhal: A Raquel Varela é contra os mercados de manhã e à tarde, quer subsídios, bolsas, serviços públicos, etc. e tal. Já se lembrou de responder à principal pergunta? Ou de sequer a fazer? De onde vem o dinheiro para tudo isso?

EU: César Carvalhal: O seu comentário à publicação de um cartaz, por iniciativa da historiadora e investigadora Raquel Varela, a anunciar uma manifestação de protesto de bolseiros, investigadores e professores universitários, é de um primarismo chocante, o que só é desculpável, quando assumido por ignorantes e por néscios.
Devolvo-lhe a pergunta. Possivelmente, o César Carvalhal nasceu numa maternidade pública, sustentada exclusivamente pelos dinheiros dos impostos, e os seus pais começaram a receber imediatamente o respetivo abono de família, através da Segurança Social, para onde eu andei a descontar durante 35 anos. Depois, entrou na escola pública, que frequentou até ao 12º ano, que completou, sem pagar um tostão, a não ser o dispêndio para os livros escolares. Ingressou numa escola superior, para frequentar um curso, o de engenharia, um dos mais dispendiosos para o erário público. O que os seus pais despenderam em propinas não dava para pagar o vencimento de um ano a uma empregada de limpeza dessa escola superior. Pergunto-lhe: de onde veio esse dinheiro todo, que andou a gastar ao Estado? Porque não ficou, desde que nasceu, na incubadora da maternidade, onde seria alimentado a leite e a soro, situação essa que teria ficado mais barata para a comunidade, que agora tem de aturar o seu azedo egoísmo geracional?
E, depois de ler este meu comentário, não me apareça aqui, novamente, com respostas e argumentos idiotas e demagógicos, pois, se assim acontecer, farei tudo o que estiver ao meu alcance para que a sua família não venha a receber o subsídio do seu funeral.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Os enigmas do Ministério da Saúde ou o comissariado político em todo o seu esplendor - por Mário Jorge Neves (*)


A acção política do actual Ministro da Saúde, ao longo destes dois anos e meio em que está no Governo, tem apresentado quatro eixos caracterizadores fundamentais: a preocupação principal em gerir a sua imagem e carreira política fugindo aos problemas mais polémicos; o recurso sistemático a acções de mera propaganda política na comunicação social; a adopção de uma política “silenciosa” e dissimulada de crescente asfixia financeira e de desmembramento progressivo do SNS; e o incremento empenhado do comissariado político.
Naturalmente que uma acção política deste tipo tem sempre os dias contados e esta não irá fugir à regra.
Apesar das pesadas condições impostas pela Troika nos mais variados sectores, o Ministério da Saúde desenvolveu, desde logo, um amplo programa de cortes indiscriminados que as suplantaram amplamente.
Procurou criar a ideia na opinião pública que os cortes se dirigiam quase exclusivamente a nível das despesas com os medicamentos, tendo desenvolvido esta encenação política até à exaustão como “cortina de fumo” para dissimular os restantes cortes indiscriminados nas áreas nevrálgicas do SNS.
A exuberância política do Ministério da Saúde na abordagem desta importante matéria atingiu aspectos argumentativos tão radicais que até parecia estarmos perante um activista ultra revolucionário.
Simultaneamente, tem feito múltiplas declarações sobre o seu apego à defesa do SNS e dos serviços públicos de saúde, ao mesmo tempo que vai encerrando um crescente número de serviços, criando super agrupamentos de centros de saúde cada vez mais distantes das populações carenciadas e impondo orçamentos que sabe, à partida, conduzirem à falência funcional das instituições de saúde.
A sua preocupação com o futuro SNS pode ser avaliada por um simples facto, apesar de existirem infelizmente muitos outros: assumiu o compromisso de desencadear uma reforma hospitalar e nomeou para dirigir a respectiva comissão a mesma pessoa que durante o anterior governo de coligação PSD/CDS presidiu à entidade que dirigiu a implementação do modelo de hospitais SA, cujo objectivo era proceder à privatização integral dos hospitais públicos.
A reforma dos Cuidados de Saúde Primários está bloqueada e se ainda não foi objecto de uma ofensiva destruidora é porque no primeiro documento emitido pela Troika as USF foram referidas como uma experiência inovadora e a preservar.
Mesmo assim, ainda recentemente foi efectuada a tentativa de não proceder ao pagamento da componente variável do salário em função dos objectivos atingidos, precisamente dois ou três dias depois de o Ministério da Saúde ter assinado um compromisso negocial com os Sindicatos Médicos sobre esta matéria.
A propaganda política tem sido gerida no anúncio de medidas pontuais sempre que se verifica a deslocação do ministro à Assembleia da República para qualquer interpelação ou quando vêm a público aspectos lesivos da política governamental na área da saúde.
Mas se no início esta acção foi gerida com alguma habilidade na sua apresentação pública, nos últimos tempos o Ministério da Saúde tem revelado grande desorientação.
Para tentar desviar as atenções da opinião pública dos resultados concretos e brutais da sua política de cortes que já começam a fazer-se sentir para um número cada vez maior de cidadãos e famílias, o Ministro da Saúde lançou uma grande campanha de publicidade política sobre acções de investigação relativas a situações de conflitos de interesses a nível dos profissionais de saúde.
Não está em causa o cumprimento integral da legislação em vigor, mas esse cumprimento tem de ser igual para todos.
Ora, tendo sido denunciada uma iniciativa de uma multinacional farmacêutica em que o programa contou com intervenções de destacados dirigentes do Ministério da Saúde, o Ministro nada fez e todos continuam em funções impunemente.
Importa acrescentar que a discussão dessa iniciativa incidiu sobre matérias da exclusiva responsabilidade ministerial: externalização de consultas hospitalares e contratualização das USF para 2014.
Pelos vistos, as investigações são só para os profissionais de saúde, porque para os seus nomeados políticos tudo é permitido e a “legislação” é outra.
Mais recentemente, o desnorte político ministerial foi ao ponto de anunciar uma “nova” medida sobre a mobilidade geográfica dos médicos quando se trata de matéria consignada, em termos gerais, na legislação laboral da Administração Pública desde 2008 e que foi objecto de nova abordagem no acordo assinado entre o Governo e os Sindicatos Médicos em Outubro de 2012.
Entretanto, a questão do comissariado político e das clientelas dos aparelhos partidários do Governo assume uma importância relevante na análise sobre a delicada situação no sector da saúde.
Existem sectores de opinião que consideram estarmos perante uma situação em que o ministro se encontra politicamente “aprisionado” pelos membros da clientela partidária por si nomeados para os vários níveis das administrações dos serviços públicos de saúde.
Mas, por outro lado, também se evidenciaram fatos que apontam em sentido contrário, ou seja, que os nomeados políticos são obedientes executores das estratégias ministeriais e têm de desempenhar o papel de “polícias maus”.
Em diversas ocasiões, têm sido divulgadas medidas gravosas ou sem sustentação legal e logo que se desencadeia a contestação surge o ministro a “esclarecer” que se trata de um mal-entendido, que as pessoas não entenderam a essência da medida e que houve deturpação do seu real sentido.
Um aspecto “curioso” nestas situações é que essas medidas gravosas nunca são anunciadas pelo ministro, mas pelos seus secretários de estado ou por algum presidente de ARS mais empenhado na sua militância partidária.
O ministro aparece sempre depois para fazer o papel político do “polícia bom” e para “dar dito pelo não dito”.
As medidas de perseguição política a três dirigentes sindicais da FNAM por três administrações hospitalares e a arrogância política do seu comportamento posterior, revelam que usufruem de uma chocante impunidade da tutela ministerial.
Algumas medidas protagonizadas pelas administrações da ARS do Norte e da ARS de Lisboa e Vale do Tejo revelam igualmente, pela sua gravidade política, que só se mantêm em funções porque dispõem da clara complacência ministerial e que estão a cumprir as suas ordens hierárquicas.
Neste contexto clientelar e dos nomeados partidários, a eclosão da contestação aberta dos médicos do Hospital de Faro ao presidente da respectiva administração, e ex-bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, não sendo surpreendente merece particular registo.
Enquanto no desempenho das suas funções de bastonário escreveu um editorial da revista da Ordem dos Médicos (número de Julho/Agosto de 2009), com o
título “o preço da nossa liberdade”, onde me dirigiu graves ofensas pessoais por eu ter participado numa iniciativa partidária em plena campanha eleitoral, onde apresentei uma comunicação em defesa do SNS.
Fazendo grosseiras comparações com duas conhecidas figuras públicas de ex-deputados, afirmou sobre essa minha participação “…sem que se saiba se e qual o cargo que lhe terá sido prometido”.
Já nessa altura, era conhecido o frenesim de movimentos desse então bastonário que num dia participava em reuniões do PSD para discutir a elaboração do respectivo programa eleitoral e noutro dia aparecia no CCB em sessões do PS.
E acabou por ser compensado politicamente pelo actual ministro, que o nomeou para o cargo onde está a fazer o tipo de gestão que é agora denunciado num abaixo-assinado.
A grande diferença de princípios e de valores, é que tenho participado em iniciativas políticas para exercer os meus direitos cívicos e de cidadania na defesa de causas humanistas, continuando a desempenhar as funções sindicais, sem nunca me misturar com cargos de comissariado político.
Segundo diz o ditado, a família não se escolhe, mas no que se refere aos comissários e aos executores das políticas ministeriais as escolhas são já claras e elucidativas.
Se alguns dos nomeados, que têm protagonizado episódios políticos controversos, estivessem com isso a prejudicar o rumo da política do Governo e do Ministro da Saúde alguém tem dúvidas de que seriam imediatamente demitidos ou convidados a pedirem a demissão?
Não existem quaisquer enigmas na acção do Ministério da Saúde porque o objectivo é, como disse há algum tempo o Prof. Sobrinho Simões: rebentar com tudo!
A situação de ruptura a que temos assistido na grande maioria dos serviços de urgência é o resultado directo e inevitável da política de cortes e de desmembramento do SNS em curso pelo actual governo. É, dramaticamente, ainda só a “ponta do iceberg”, porque outras consequências graves irão acontecer a curto prazo.
Mas esta política não passará, porque há sempre alguém que diz “não” e já existem muitos a dizerem: NÃO!!!

Mário Jorge Neves,
Médico e Presidente do Sindicato dos Médicos da Zona Sul/FNAM

(*) Publicado na revista no site/jornal Tempo Medicina

Amabilidade do autor.

***«»***
Nota do editor: E eu pertenço ao grupo de portugueses, e que já são muitos, que dizem NÃO a esta política de austeridade, que, além de se centrar no aumento de impostos e no corte dos salários e das pensões, também ambiciona (velho sonho da direita) destruir o Estado Social (Saúde, Educação e Segurança Social), para entregar a parte mais lucrativa aos poderosos grupos económicos.
Quando, no final deste ano, o Serviço Nacional de Saúde estiver descaracterizado e disfuncional, ou simplesmente destruído, a maioria dos portugueses ficará muito limitada no acesso aos tratamentos médicos e de enfermagem, o que se traduzirá no agravamento das desigualdades sociais e económicas e na rutura da coesão social.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Petição pela Manutenção em Portugal das obras de Miró (do património BPN)


Governo não vê a colecção Miró do BPN
como “prioridade” para o Estado

A venda de 85 obras do artista catalão, agendada para Fevereiro na Christie’s de Londres, está a ser alvo de contestação através de uma petição e chega ao Parlamento na sexta-feira. Secretaria de Estado diz que a sua aquisição “não é considerada uma prioridade” ( ver artigo de ontem no Público)

***«»***
Além dos graves danos patrimoniais, artísticos, culturais e financeiros, que a decisão comporta, temos de considerar também a ignóbil leviandade ou a grosseira ignorância dos respetivos decisores, que assim, desta forma, também ofendem, insultam e a desconsideram a memória do grande pintor Miró. O povo português não pode consentir tamanha afronta à sua dignidade!.
AC

Assine a Petição aqui

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Agradecimento


Agradeço a Maria Angelica Mesquita e Figueiredo a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua, como amiga/seguidora.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Pintura: Almada Negreiros [3]

Clicar na imagem para a ampliar








Morais Sarmento: "Segundo semestre pode ser o último de vida deste Governo"

Passe a publicidade ao livro

O ex-ministro Morais Sarmento afirmou na antena da Rádio Renascença que “o segundo semestre” deste ano “pode ser o último deste Governo”, porque será nessa altura que “os portugueses vão perceber que afinal não muda nada” com a saída da troika. Além disso, considerou Morais Sarmento, “o País deve exigir que haja um entendimento" entre os "partidos do arco de governação”, até porque aí o Presidente da República perde “o argumento da estabilidade política” para não convocar eleições.

***«»***
Até eles, os gurus da direita, já admitem a “inevitabilidade” do desastre e também, embora indiretamente, a inutilidade da atual política de austeridade. Só ainda não assumiram que tudo isto não constitui nenhuma surpresa para os mentores destas políticas, pois o que interessava era promover muito rapidamente a transferência da riqueza do país (rendimentos do trabalho) para os centros financeiros da Europa, a fim de ancorar a dívida dos bancos de retalho portugueses. Trata-se de uma política assassina e predadora, que foi assumida conscientemente pelos partidos do arco da traição, quando assinaram o Memorando da Troika, e ao qual ainda se encontram amarrados, o que os impede de, no futuro, poderem vir a reclamar inocência.
AC

Fotografia: Foz do Douro, sob o temporal...

Amabilidade do João Fráguas

Eleita foto do dia (5/12/2013) pela National Geographic.
Blogue Aventar

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Pantera Negra...


Foi do grande jornalista desportivo, Fernando Correia, que ouvi o mais digno e empolgante elogio a Eusébio, a sobressair das muitas banalidades e baboseiras, vertidas para os ecrãs televisivos. Disse Fernando Correia: "Esta homenagem no Estádio da Luz não é para chorar a morte de Eusébio. É para celebrar a sua imortalidade!". E foi, digo eu. Foi um cenário de "festa", que só a morte dos grandes HOMENS merece. E Eusébio, a Pérola Negra, como eu lhe chamo, já é uma lenda do Futebol. Até sempre, Eusébio!...
...
A propósito da morte do Pantera Negra, escrevi a uma amiga o seguinte:  E julgo, Silvia Fontes, que ocorreu em Portugal um fenómeno de catarse coletiva, com as pessoas, mesmo as indiferentes ao fenómeno futebolístico, a projetarem na morte de Eusébio os recalcamentos e as angústias que esta crise avassaladora está a provocar em Portugal.

Papa 'brinca' com irmãs em clausura


“O que estão a fazer as irmãs que não podem atender? Sou o Papa Francisco e queria saudar-vos neste fim de ano. Vou ver se consigo ligar mais tarde. Que Deus vos abençoe”, disse o Papa Francisco numa mensagem de voz que deixou às irmãs do Convento de Carmelitas Descalças de Lucenda, conta o jornal ABC.

O Papa Francisco ligou esta semana para o Convento de Carmelitas Descalças de Lucenda, para desejar às irmãs em clausura um bom ano novo. Mas, não tendo ninguém atendido o telefone, Bergolio deixou uma mensagem de voz, em que o tom de brincadeira é bem evidente.
“O que estão a fazer as irmãs que não podem atender? Sou o Papa Francisco e queria saudar-vos neste fim de ano. Vou ver se consigo ligar mais tarde. Que Deus vos abençoe”, disse Francisco, citado pela Renascença, no tom descontraído que o caracteriza.
No convento vivem, actualmente, cinco freiras, três delas argentinas, que o Papa Francisco conhece pessoalmente.
Notícias ao Minuto
***«»***
As freiras estavam a atender outros clientes... 

domingo, 5 de janeiro de 2014

O problema do PS é este: tem muitos telhados de vidro


Portas diz que Seguro não tem autoridade para criticar Governo

Paulo Portas disse que José Seguro não tem "nem razão, nem autoridade" para criticar o alargamento da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), decidida pelo Governo como uma das medidas alternativas ao "chumbo" da convergência de pensões.
" Portas salientou também que "a TSU das pensões aplicava-se a reformas de 400 euros, o que é socialmente inaceitável" enquanto a medida do governo é o alargamento da base da CES "para reformas entre os 900 e os mil euros".
Para Paulo Portas, o líder do PS também não tem autoridade para as críticas que fez, dado que "a última medida que o Partido Socialista tomou sobre pensões foi congelar pensões mínimas, pensões sociais e pensões rurais, que tinham um valor mensal entre 200 euros e 250 euros".

***«»***
O problema do PS é este: tem muitos telhados de vidro. Tal como Passos Coelho, também José Sócrates aumentou os impostos, depois de  ter prometido o contrário, na campanha eleitoral que o elegeu. Tal como Passos Coelho, também José Sócrates fez incidir, através dos PEC, sobre os reformados e sobre os desempregados, as primeiras medidas de austeridade. Tal como Passos Coelho, também José Sócrates considerou ricos todos os trabalhadores que auferissem salários a partir dos mil e quinhentos euros. Durante estes quarenta anos de democracia, estes dois partidos, o PSD e o PS, rivalizaram no jogo de alterne com os portugueses, utilizando duas narrativas, uma para ser utilizada enquanto força política na oposição e outra destinada a ser difundida, enquanto governo.
E é esta verosimilhança de propósitos e de comportamentos, que nos tem levado a afirmar que se tratam de dois partidos que são as faces da mesma moeda, apenas com algumas diferenças em relação ao acessório.
AC

Agradecimento


Agradeço a Ana Loureiro  a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua, como amiga/seguidora.

sábado, 4 de janeiro de 2014