terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Crónica: Provocação a um benfiquista e o exótico discurso sexual dos patos bravos


Caro Bruno:
Agora não vou falar-lhe do Benfica, para não o atormentar mais. Já basta o que basta.
Hoje, quero felicitá-lo por ter escolhido, para um dos momentos do seu lazer, o maravilhoso parque da Quinta das Conchas e da Quinta dos Lilases, ao Lumiar. É um local paradisíaco. Ali, na parte mais elevada, revestida por uma abundante vegetação selvagem, ainda se podem ver algumas pequenas aves que escolheram aquele espaço para nidificação, o que é um autêntico milagre numa cidade, onde impera a ditadura do cimento e do automóvel. Lembro-me de ter feito algumas reportagens para o nosso saudoso jornal, na altura em que aquele espaço verde esteve ameaçado pela gula dos patos bravos, que andaram a construir, a norte, a urbanização da Alta de Lisboa. Ainda conseguiram destruir o muro da cerca original, para derrubar algumas árvores centenárias e proceder ao esbulho de uma franja de terreno, pertencente ao parque, um crime que ficou impune.
Esses patos bravos e esses promotores imobiliários também tentaram abrir uma rua, para fazer a ligação directa da urbanização à avenida das Linhas de Torres, intento que foi travado, devido à corajosa luta da comissão de  moradores do Lumiar. Evitou-se assim o esquartejamento das duas quintas e, consequentemente, a destruição daquele espaço verde, pois, a partir dali, ficaria aberto o caminho para as árvores serem substituídas pelo tijolo e pelo cimento.
Estes patos bravos são assim. Não podem ver na cidade uma nesga de terreno, que não pensem logo em construir condomínios. Há quem diga até que os patos bravos têm potentes orgasmos quando olham para um arranha-céus, coisa que não lhes acontece quando fodem com as suas mulheres, o que os leva, em desespero de causa, a procurarem as putas nos bares de alterne da Duque de Loulé e da Luciano Cordeiro, o único sítio onde podem fazer crer que a sua potência sexual é equivalente à da potência dos motores dos seus automóveis topo de gama, invariavelmente da marca Mercedes e Audi, e que ficam caoticamente estacionados nos passeios daquelas artérias, numa manifestação pirosa de ostentação.
Só naqueles espaços obscuros da noite de Lisboa é que conseguem satisfazer as suas bizarras fantasias, e não só as de âmbito sexual, constando até, por aí, que, a mais bizarra, é aquela em que um famoso empreiteiro exige das meninas, a troco de uma nota de cem euros por cabeça, que o considerem presidente do glorioso, encenação esta que apenas ocorre, já perto da madrugada, quando ele já está encharcado em whisky.
Um abraço

Alexandre de Castro

Lisboa, Setembro de 2011

domingo, 29 de dezembro de 2013

Conto: A Partida - por Franz Kafka

Franz kafka
(03/07/1883 - 03/06/1924)

A PARTIDA

Ordenei que tirassem meu cavalo da estrebaria. O criado não me entendeu. Fui pessoalmente à estrebaria, selei o cavalo e montei-o. Ouvi soar à distância uma trompa, perguntei-lhe o que aquilo significava. Ele não sabia de nada e não havia escutado nada. Perto do portão ele me deteve e perguntou:
- Para onde cavalga, senhor?
- Não sei direito - eu disse - só sei que é para fora daqui, fora daqui. Fora daqui sem parar: só assim posso atingir meu objetivo.
- Conhece então seu objetivo? - perguntou ele.
- Sim - respondi -. Eu já disse: “fora-daqui", é esse o meu objetivo.
- O senhor não leva provisões - disse ele.
- Não preciso de nenhuma - disse eu -. A viagem é tão longa que tenho de morrer de fome se não receber nada no caminho. Nenhuma provisão me pode salvar. Por sorte esta viagem é realmente imensa.

 Franz Kafka

Deus também decretou a austeridade: É necessário encerrar alguns lugares sagrados (apenas algumas gorduras)!...

**

Santuário espanhol
destruído por raio

No dia de Natal, um santuário em Muxia ficou destruído por um incêndio provocado por um raio.
O presidente da Câmara de Muxia, Feliz Porto, disse que o santuário A Virxe da Barca, construído em 1719, é “irrecuperável” e que ficou “completamente destruído”. Ardeu o tecto e o interior onde estão as pedras base em que assenta o edifício.
O combate às chamas foi dificultado pelo vento.

***«»***
Já nem sequer os lugares sagrados se salvam! E o Papa que se cuide, pois ainda pode vir a ser um sem abrigo, se a austeridade chegar ao Vaticano!... Basta que Deus acorde mal disposto e resolva querer acabar com aquela escandaleira!...

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

FNAM recorda o médico e o cidadão, Albino Aroso, falecido ontem.


O médico Albino Aroso, conhecido
como o "pai"  do planeamento familiar
e eleito um dos 65 clínicos "mais
dedicados a causas  públicas no
campo da saúde", morreu hoje [ontem]
no Porto, segundo fonte do Ministério 
da Saúde. 

Federação Nacional dos Médicos

O Dr. Albino Aroso deixou-nos. Mais sós e com responsabilidades acrescidas.
Perdemos o colega de sorriso franco e disponível, solidário e sempre motivador para novos projectos em prol da saúde de todos e para todos. Perdemos o colega que ousou pensar e tomar partido mesmo quando isso poderia ser incómodo. Tomou partido pelas Carreiras Médicas, pelo SNS, pelo Direito das Mulheres.
Tomou sempre o partido da cidadania e dos valores humanistas mais profundos e assim exerceu Medicina. Com o saber e os afectos.
Portugal perdeu o cidadão, o profissional mas também o político e governante que soube colocar os princípios e valores maiores ao serviço dos seus semelhantes.
Fomos testemunhas e parceiros de alguns episódios relacionados com a sua acção governativa enquanto Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde entre 1987 e 1991. Com ele negociamos com êxito o DL 73/90 que viria a consolidar as Carreiras Médicas enquanto base fundamental para o reforço e
aprofundamento do nosso Serviço Nacional de Saúde, ideia e projecto em que sempre militou. A sua acção nas áreas do Planeamento Familiar e, mais genericamente na Saúde Materno Infantil e Direitos da Mulher, contribuiria como poucas para projectar Portugal para resultados verdadeiramente notáveis realizados nos últimos 30 anos.
Neste momento de consternação a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) mais não pode fazer do que recordar tão extraordinária existência assumindo as suas responsabilidades, enquanto estrutura sindical médica, no prosseguimento dum conceito partilhado que entende o exercício da medicina indissociável do
direito universal do acesso a serviços de saúde de qualidade sem distinção de raça, género, idade ou condição social e económica.
À família do Dr. Albino Aroso endereçamos as nossas condolências sem deixar de realçar o enorme privilégio de com ele termos cruzado e partilhado uma parte inesquecível das nossas histórias.

Porto, 27 de Dezembro de 2013
P’la Federação Nacional dos Médicos

Merlinde Madureira

domingo, 22 de dezembro de 2013

Notas do meu rodapé: Portugal é isto!... Um país imperfeito, mal acabado, falhado e permanentemente adiado.


Oito milhões gastos pela Parque Escolar deixaram escola de Alverca pior do que estava

Edifícios e equipamentos a 
degradarem-se, um processo 
em tribunal por incumprimento 
de contrato, alertas da Protecção
Civil por falta de segurança. 
A ampliação da Escola Secundária 
Gago Coutinho está parada por 
"razões orçamentais" e não tem 
data para recomeçar.

A empresa pública Parque Escolar gastou cerca de oito milhões de euros num projecto de modernização e ampliação da Escola Secundária Gago Coutinho de Alverca, mas a obra parou em 2011, quando ainda estava a meio e, desde então, nunca mais recomeçou, deixando o espaço escolar reduzido a pouco mais de metade.
Alunos e professores nunca tiveram acesso a parte das novas instalações (já concluídas) e o Ministério da Educação, por “razões orçamentais”, não prevê qualquer data para retomar os trabalhos – estimados num total de 14 milhões de euros. O empreiteiro da obra, a firma Alves Ribeiro, colocou a Parque Escolar em tribunal por incumprimento do contrato. E uma avaliação da Protecção Civil local já alertou para a falta de saídas de emergência em dois dos antigos blocos de salas em funcionamento, porque as que existiam estão tapadas por taipais colocados pela Parque Escolar.
Jorge Talixa
PÚBLICO, 21.12.2013

***«»***
Portugal é isto!... Um país imperfeito, mal acabado, falhado e permanentemente adiado. E eu não entendo porquê!...
Dizem-me que é do clima.
Dizem-me que é da sua situação periférica, com grandes dificuldades de acessibilidade ao centro da Europa, o que, secularmente, lhe ditou um crónico atraso, no âmbito do livre trânsito das ideias, na aceleração do progresso e também no desencadeamento das revoluções, que, quando as fez, já estavam ultrapassadas no seu tempo histórico de vida útil.
Dizem-me que é um problema socialmente genético, que a História foi moldando, numa lenta e silenciosa gestação.
Dizem-me que ainda não nos libertámos totalmente de uma certa mentalidade feudal, a assomar antigos vínculos entre os senhores e os servos da gleba e que foi incutida subliminarmente pelos sucessivos herdeiros da bárbara e ignorante aristocracia visigótica e por um astuto e dominante clero, que continua ativo e vigilante.
Dizem-me que é da alma sebastianista, que anda à solta por aí, alojada no subconsciente de cada português, e que o leva a acreditar no milagre das manhãs de nevoeiro.
Dizem-me que é por os portugueses terem apenas uma altura média de um metro e sessenta e oito centímetros e por gostarem de fado e de pataniscas de bacalhau com arroz de feijão.
Dizem-me que estamos condenados a ser pobres, por nunca termos sabido gerir a riqueza, ao mesmo tempo que, dos ricos, apenas lhes imitávamos os seus vícios e a sua ostentação.
Dizem-me, por fim, que somos ignorantes, corruptos, permissivos e oportunistas, incluindo os letrados, por causa de um défice cognitivo, herdado dos Neandertais. 
Eu não sei qual destas razões devo aceitar, se todas elas ou apenas algumas. O que eu sei é que a roda não anda, e que agora até começa a desandar.
AC 

Conto: Notícia de Última Hora...


Notícia de Última Hora

O problema é que estavam a pedir-lhe muito. E tudo ao mesmo tempo!...
Cada vez com mais insistência, pediam-lhe que atingisse os objetivos; que fosse desmesuradamente ambicioso; que ultrapassasse os obstáculos; que aumentasse a autoestima e atingisse o sucesso, exercitando o seu talento; que controlasse e exercesse uma influência decisiva sobre os outros, excitando e surpreendendo, fascinando, chocando, intrigando e divertindo.
Tinha de ser o melhor para ser feliz e sentir-se realizado, diziam-lhe em tom imperativo, e ele, intimamente, punha-se a tentar adivinhar como seria o mundo, se todos começassem a cumprir, ao mesmo tempo, todas aquelas exigências, de que ele começava a ter medo.
Aqui é proibido fracassar, continuavam a dizer-lhe. É obrigatório desafiar a convenção, evitar a dor e a vergonha, reprimir o medo. É necessário dominar tudo e todos, sem qualquer espécie de escrúpulos.
Foi neste momento que resolveu sair da sala e fechar a porta. Uma vez na rua, começou a ver tudo nublado e cinzento.
No dia seguinte, os jornais davam a notícia de que um jovem tinha sido encontrado morto, no quarto onde vivia, no meio de um charco de sangue, com a pistola ainda agarrada à mão direita.

Alexandre de Castro

Lisboa, 22 de Dezembro de 2013

sábado, 21 de dezembro de 2013

FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS: MINISTÉRIO DA SAÚDE ENSAIA O FIM DAS USF


FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS


COMISSÃO EXECUTIVA
COMUNICADO 19. DEZEMBRO.2013

MINISTÉRIO DA SAÚDE ENSAIA O FIM DAS USF

Ministério da Saúde não 
honra compromissos,
coloca-se à margem da lei 
e tenta fragilizar o SNS,
atacando justamente 
uma componente decisiva
da sua base – as Unidades 
de Saúde Familiar.

Desde Setembro de 2005 que a FNAM, através dos seus 3 sindicatos regionais, se envolveu empenhada, crítica e construtivamente no apoio à profunda e meritória reforma dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), cuja componente mais expressiva resultou na criação das Unidades de Saúde Familiar (USF).

Milhares de profissionais (médicos, enfermeiros e secretários clínicos) responderam positivamente ao desafio, lançado em 2006 pelo Ministério da Saúde, constituindo por todo o país unidades que, pelos resultados obtidos e validados, são alvo de atenções e reconhecimento como caso de sucesso obtido no quadro do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

As USF constituem hoje um raro ponto de consenso. Cidadãos, associações profissionais e todos os partidos políticos com assento parlamentar convergem na avaliação positiva do modelo.

A própria Troika, através dos sucessivos memorandos de entendimento, não tem dúvidas de explicitamente recomendar que se continue a aumentar o número destas unidades, com um sistema retributivo que, ao reconhecer e ser sensível ao desempenho, contribui para a redução de custos e a uma prestação mais eficaz.
Ao mesmo tempo são alvo de interesse e estudo da parte do mundo académico e de vários organismos internacionais, independentes e governamentais.

As regras foram estabelecidas através de leis negociadas e publicadas em Diário da República.

Anualmente as USF assinam com as respetivas administrações regionais de saúde (ARS) cartas de compromisso com objetivos, regras e metas explícitas acessíveis a qualquer cidadão nas páginas web das ARS. Do cumprimento ou não desses acordos resultam consequências que, entre vários aspetos, se refletem na remuneração dos profissionais das USF Modelo B. Mais trabalho e melhor trabalho originam remunerações mensais e anuais com discriminação proporcionalmente positiva.

Para surpresa de todos, mesmo após ter chegado recentemente a um acordo com os sindicatos médicos na revisão da Portaria n.º 301/2008 que incluiu a temática dos incentivos financeiros aos enfermeiros e secretários clínicos das USF, surge a notícia de que o Ministério da Saúde decidiu, justificando-se com suposições e “estados de alma” mal disfarçados de eventuais conflitos jurídicos, suspender uma das componentes salariais devidas aos enfermeiros e secretários clínicos.

Mas pelo que se tem vindo a comprovar, para o Ministério da Saúde de pouco valem princípios, acordos e o cumprimento das próprias leis.

Todavia, liquidar as USF num só tempo para mais facilmente entregar os Cuidados de Saúde Primários ao mundo dos negócios privados, traria custos políticos incomportáveis para o Governo.

O objetivo é claro. Numa primeira fase, tentar desmotivar, dividir, abalar a coesão das equipas e assim promover a sua fragmentação. Dirão depois, lavando as mãos, que os responsáveis foram os próprios profissionais. A segunda fase será fácil de adivinhar.

Resumindo:

Através desta comunicação o Ministério da Saúde:

    - Coloca-se fora da Lei (DL 298/2007 de 22 de Agosto);

    - Não honra os compromissos que anualmente assina com grande parte das USF (Mod B);

    - Promove a destabilização dos seus próprios serviços, paradoxalmente daqueles que exibem valor acrescido de custo-efetividade;

    - Fragiliza a base do SNS favorecendo progressivamente a entrega das suas unidades ao mundo dos negócios privados.

O Ministério da Saúde não é pessoa de bem.

A FNAM reafirma o seu completo comprometimento na defesa duma reforma que ajudou a conceptualizar e que considera um modelo a preservar, desenvolver e seguir.

Como tal, apoiaremos ativamente e desde já o estabelecimento de contactos entre todas as organizações da área da saúde para que, em conjunto, sejam adotadas enérgicas formas de luta contra esta nova ofensiva do Governo e do seu Ministério da Saúde dirigida ao SNS e ao direito constitucional à saúde.

Cai definitivamente a máscara a esta equipa ministerial na sua ação dissimulada e silenciosa para desarticular e desmoronar o SNS.

Coimbra, 19 de Dezembro de 2013

A Comissão Executiva da FNAM

O Tribunal Constitucional chumbou diploma da convergência das pensões


O Tribunal Constitucional chumbou todas as normas que previam cortes nas pensões da Caixa Geral de Aposentações (CGA) por violação do princípio da confiança e a decisão foi "unânime".
Jornal de Negócios

***«»***
Uma decisão jurisdicional a derrotar uma proposta política. A unanimidade na votação do acórdão, que declarou a inconstitucionalidade do diploma da convergência das pensões dos funcionários públicos, deu mais força e prestígio ao Tribunal Constitucional, cujos juízes, das diversas sensibilidades políticas, apenas se fundamentaram em critérios jurídico-constitucionais. Por culpa própria, o governo, que desencadeou uma vergonhosa ofensiva chantagista sobre aquele órgão de soberania, perdeu o resto da credibilidade que lhe restava, se é que ainda tinha alguma, o que o coloca numa posição insustentável, a exigir a sua demissão, voluntária ou forçada.
AC

Agradecimento


Agradeço ao António Dias da Costa a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua, como amigo/seguidor.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

FNAM denuncia despedimento de dirigente sindical


MOÇÃO APROVADA PELO CONSELHO NACIONAL
 EM 14 DE DEZEMBRO

O Conselho Nacional da FNAM recentemente eleito no VIII Congresso, na sua primeira reunião efectuada em Coimbra, em 14.12.2013, tendo em conta
as perseguições que estão a ser alvo vários dirigentes e delegados sindicais em diversas instituições, que culminaram com o recente despedimento de uma dirigente do Sindicato dos Médicos da Zona Centro que, não obstante o Senhor Ministro da Saúde ter sido já pessoalmente alertado para as ilegalidades que estão a ser cometidas pelas diversas direcções por si nomeadas, continuam os processos disciplinares e a dirigente do SMZC mantém-se arbitrariamente afastada do seu local de trabalho, a que tinha acedido por concurso público,
o Conselho Nacional da FNAM decide:
Manifestar a sua total solidariedade para com os colegas alvo destas inaceitáveis perseguições de natureza político-sindical;
Encetar de imediato contacto com as administrações envolvidas em tão lamentáveis acontecimentos, que julgávamos pertencerem a um passado já longínquo, no sentido da sua resolução condigna com o Estado de Direito;
Solicitar desde já e com carácter de urgência uma audiência ao senhor Ministro da Saúde para a solução definitiva deste assunto.

Coimbra, 14.12.2013
O Conselho Nacional da FNAM

***«»***
A Federação Nacional dos Médicos e os seus três sindicatos regionais, que federa, são instituições malquistas para o Ministério da Saúde e para o seu atual titular. E isto, porque estas organizações sindicais, a par da sua vocação central, a da defesa dos interesses profissionais da classe médica, se apresentam publicamente como indefetíveis defensoras do Serviço Nacional de Saúde, que este governo pretende desmantelar, para abrir espaços de negócio ao setor privado da Saúde.
Tal como está a proceder com as organizações sindicais dos professores, este governo começa paulatinamente a mostrar as garras, que tinha escondidas, e a ensaiar a manobra repressiva e intimidatória, no sentido de instalar o medo e o desânimo neste importante setor profissional.
Ao solidarizarem-se com os médicos, os portugueses também estão a defender o Serviço Nacional de Saúde, cujas vantagens e benefícios nem os seus detratores conseguem negar em público.
AC

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Pintura: Almada Negreiros [2]

Clicar na imagem para a ampliar








O engenho faz a Arte...

Amabilidade do João Fráguas, que enviou este vídeo.
**
O árbitro nem sequer tinha um apito!...
Extraordinária peça cinematográfica, contada apenas por imagens, que é o que marca a originalidade da forma de expressão da Sétima Arte.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Poema: Marlene Antes de se deitar - por Maria Azenha

NATAL..sem fronteiras - Pintura em acrilico s/tela

Marlene Antes de se deitar

Marlene Antes de se deitar
beija de pé trinta santinhos
que estão na cómoda do quarto

encostados uns aos outros
lado a lado
e a uma boneca de pano
não podem olhar para o espelho

há uma cama muito estreita
e uma mesa de cabeceira
com um candeeiro a fingir de estrela
por cima Do presépio

os livros de Marlene muito magrinhos
vão fazer quase cem anos
estão montados numa estante feita de madeira
com os pãezinhos de Santo António e resmas
de papéis torcidos


o meu pai que já morreu
diz-me que isto é um perfeito Disparate
que um dia vou ser castigada
e obrigada a ler romances de cavalaria


Disparate ou não acredito obviamente
na Ressurreição dos políticos
a confirmar
a televisão de Marlene está sempre no mesmo sítio


Marlene Nunca escreveu uma carta à júlia pinheiro
nem à fátima lopes nem ao sr. aníbal não é o da mercearia
porque em pequena foi obrigada
a fazer cópias e camisolas e outros trabalhos forçados


hoje em dia olha para as pessoas
aos encontrões de santinhos
ela faz muitos cachecóis para o frio
e eu penso que estou a abraçar Marlene
na rua do Crucifixo


depois disto é preciso muito cuidado
passei a usar uma pala lateral nos olhos
faz-me falta esta prótese


Marlene com quem algumas vezes falo
disse-me que as baratas este natal andam muito 
[cabisbaixas
as lojas estão cheias de cócó de pombos
e que nunca mais tinha visto a Branca de neve
só depois percebi a quem se referia


mas para manter o sigilo
- antes ir para a cadeia do que ser reles -
só me vem à memória a assunção esteves
se calhar é uma encarnação do Esteves da Tabacaria
do Álvaro de Campos


Marlene anda muito triste e aborrecida
porque ninguém lhe liga e a santa casa da Misericórdia
manda-lhe comida a mais
a irmã que se chama Carminho
tem muitas vertigens e a mania de partir a cabeça
está quase sempre na prisão do sofá
com o saco de água quente nas mãos
debruado a ponto cruz
vai fazer noventa e nove anos
está cheia de pressa para conhecer s.josé
é por isso que Abel mata Caim que por sua vez ressuscita
[Abel
tenho muita pena de Marlene e do menino Jesus
porque não têm nenhuma doença mental
às vezes penso que devia ter conhecido o Edward Hopper


***«»***
Nota: A “poeta” estilhaçou o Natal, partindo todos espelhos seculares, onde nos mirávamos uma vez por ano, vestidos a preceito, para figurarmos nos presépios de plasticina e olhando para aquela noite, julgando-a diferente das outras, só porque no céu havia um candeeiro a fingir de estrela. A partir deste momento, o melhor será deitar para os caixotes do lixo da Marlene, da irmã da Marlene, que se chama Caminho, da assunção esteves, que não é uma encarnação do Esteves da Tabacaria do Álvaro de Campos, e para a latrina do cavaco as lantejoulas, as luzinhas a piscar e todos os livros com mais de cem anos, que nunca foram lidos.
Aguardemos que a Marlene escreva uma carta à júlia pinheiro e à fátima lopes e que Caim ressuscite Abel, para que as baratas, nos próximos natais, não andem cabisbaixas.

...
Quem foi que disse que a Poesia não era subversão? É na subversão dos temas e das formas que a Poesia se reinventa. Foi o que fez Maria Azenha neste poema, ao desmistificar a festa natalícia e deixando o Natal pelas ruas da amargura, algures, na cidade de Lisboa, num esgoto, entre a Rua da Madalena e a Rua do Crucifixo.
Maria Azenha tem sempre uma forma superior de encher o Verbo, estilhaçando a realidade e encontrando uma nova ordem para os cacos.
Atenção, guardiães da Ordem Pública: a Poesia está viva, porque ela é eminentemente subversiva!...
AC

A "poeta" maria azenha colabora regularmente no Alpendre da Lua.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Jugular - Reis Novais: Direito constitucional para manequins


Será útil ouvir a voz avisada do Professor Reis Novais, em vésperas de uma decisão do Tribunal Constitucional (TC), (que,certamente, será histórica), sobre os pedidos de fiscalização preventiva de normas constantes no Orçamento de Estado de 2014. 
Espera-se que o TC não deixe impressionar-se pela chantagem movida pelo governo de Passos Coelho, pela comissão europeia, através da voz do português Durão Barroso, e pelas quadrilhas de políticos e comentadores, para quem a Constituição da República é um empecilho a impedir a satisfação das suas ambições. 
O veredito do TC poderá ser o virar de uma página ou, pelo contrário, um simples marcador dessa mesma página. Tudo poderá vir a ser diferente, para o melhor ou para o pior.
AC

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Economie de guerre au Portugal - Cristina Semblano *

 

Le Portugal est un pays exsangue. Le chômage officiel, qui approchait les 20%, a diminué ces deux derniers trimestres «à la faveur» d’une baisse de la population active. Celle-ci est le fruit d’une émigration de masse dont les flux atteignent, voire dépassent, ceux des années 60 qui avaient vu un grand exode des Portugais, fuyant la misère, la dictature et la guerre coloniale (1). La moitié des chômeurs ne bénéficie pas d’allocation chômage et on compte par milliers les exclus du revenu minimum d’insertion, des allocations familiales ou du complément social vieillesse. 

(1) On évalue à 120 000 le nombre de Portugais qui ont émigré en 2012, soit un exode de 10 000 personnes en moyenne par mois, sur une population de quelque 10,5 millions d’habitants.
Libération

(Ler aqui texto completo)

* Economiste, Enseigne l' Economie Portugaise à la Université de Paris - IV Sorbone 

***«»***
A ligeira queda da taxa de desemprego, durante este ano, que o governo e os seus acólitos têm utilizado como argumento para anunciar o início da retoma e assim pretenderem demonstrar o sucesso das suas políticas de austeridade, não passa de uma perigosa ilusão estatística, já que, em acumulado, nos dois últimos dois anos, o número de empregos extintos continua a ser muito superior ao número de empregos criados, tal como já foi referido aqui. Esta ligeira queda da taxa de desemrego deve-se à emigração em massa dos jovens (120 mil, em 2012!), grande parte deles, jovens qualificados, em quem a sociedade investiu, para agora irem contribuir para a criação de riqueza dos países de destino. Portugal acaba por ser um grande exportador de mão de obra. Trata-se da única promessa concretizada por Passos Coelho, promessa esta que estava implícita no seu apelo aos jovens para emigrarem. As outras promessas, aquelas que foram anunciadas na campanha eleitoral, já o vento as levou, e já nem ele se recorda de as ter feito.
Portugal está a caminho de completar o período do ajustamento previsto pelo Programa de Estabilidade Económica e Financeira da troika (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu), e nenhum dos objetivos constantes no Memorando de Entendimento, assinado pelos partidos do arco da traição PS/PSD/CDS), vai ser cumprido, o que quer dizer que as políticas prosseguidas estavam erradas, tal como muitos de nós previmos em devido tempo. E esse erro monumental, de quem concebeu, aprovou e aplicou essas malsãs políticas de austeridade, vai ser pago, novamente, pela maioria dos portugueses, continuando os banqueiros, os causadores da crise financeira, a ficar imunes a qualquer sacrifício e a um qualquer castigo.  
Na realidade, Portugal está a viver numa economia de guerra, uma economia de guerra causada por uma guerra financeira, inspirada pelo novo imperialismo alemão e aplicada por um dos seus braços políticos, a União Europeia.
AC

domingo, 15 de dezembro de 2013

País em regressão civilizacional e cultural, diz Jerónimo de Sousa


Líder do PCP citou “desmantelamento da Direcção Geral do Património Cultural” e “as limitações impostas à Direcção Geral das Artes” para dizer que há “uma clara intenção de retirada total do Estado nas áreas da cultura"

A política do atual Governo é de regressão económica e social mas também “civilizacional e cultural”, afirmou hoje em Lisboa o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
“Na cultura a situação é hoje de profunda crise e de abandono de qualquer perspetiva real da sua democratização. Olhe-se para onde se olhar é a política de destruição que impera”, disse o responsável numa sessão evocativa de Álvaro Cunhal, antigo secretário-geral do partido, que morreu em 2005.
No ano em que faria 100 anos se fosse vivo, porque nasceu a 10 de novembro de 1913, o PCP tem organizado iniciativas para o lembrar, uma delas hoje ao juntar intelectuais e artistas para debater precisamente o tema “Álvaro Cunhal, o intelectual e o artista”, no âmbito da qual se falou da sua faceta de escritor, pintor, músico e até tradutor.
Ao falar no encerramento do encontro Jerónimo de Sousa lembrou o artista e pensador e falou da cultura e da forma como é “maltratada pela política da direita”, que teme “o seu imenso potencial de criação, liberdade e transformação”.
É isso, acrescentou, que tem feito o atual Governo, nomeadamente na educação, na informação e comunicação, na ciência, na arte contemporânea, nas culturas artísticas ou no património.
Há, disse Jerónimo de Sousa, “uma ofensiva destruidora” alargada aos serviços públicos da área da cultura, com “cortes brutais” nos Orçamentos de Estado, desmantelando-se e desqualificando-se serviços, que são centralizados e depois requalificados “para o despedimento”. É, acusou, “uma operação de aglomeração para ser mais fácil destruir”.
Jerónimo de Sousa citou depois o “desmantelamento da Direção Geral do Património Cultural” e “as limitações impostas à Direção Geral das Artes” para dizer que há “uma clara intenção de retirada total do Estado nas áreas da cultura, “o que também pode ser entendido como uma censura financeira às artes e à cultura”.
E o resultado desta política está exemplificado nos últimos dados europeus divulgados (Eurobarómetro), disse o responsável: “O que se vê é que estamos a andar para trás e a divergir com outros povos europeu. Estamos no fim da lista”, disse.
“É este o rumo de uma política também de desastre cultural que está em curso. Uma política que não só destrói o que existe como inviabiliza a criação do novo”, disse Jerónimo de Sousa, concluindo que “é tempo de pôr fim” ao “rumo de desastre”, razão que tem levado o partido a pedir com insistência a demissão do Governo e a realização de eleições antecipadas.
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela Agência Lusa

***«»***
A direita sempre se deu mal com a Cultura. Nutre por ela um ódio de morte. Talvez porque a Cultura seja a sua antítese, ao rejeitar o conservadorismo bacoco e provinciano  e tentando, por outro lado, progredir sempre pelo caminho ousado da descoberta da modernidade, em plena liberdade.
Em Portugal, este governo de direita (o governo mais reacionário do regime democrático), não podendo eliminá-la por decreto, nem puxar por uma pistola, quando dela ouve falar, como dizia o ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, procura asfixiá-la financeiramente e desestruturá-la organicamente, ao nível do aparelho de Estado. O que vem dar ao mesmo.
A Cultura é a expressão da alma de um povo, ao qual está intimamente ligada. Querer liquidá-la, é querer matar esse mesmo povo.
AC

sábado, 14 de dezembro de 2013

‘Funcionários’ de supermercado na África do Sul fazem emocionante homenagem a Nelson Mandela

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A mais emocionante homenagem a Mandela veio do local mais inesperado

O coro musical Soweto Gospel Choir, da África do Sul, preparou um flash mob em homenagem ao ex-presidente Nelson Mandela. Vestidos como funcionários de um supermercado em Soweto, os membros do grupo começaram a entoar, um a um, a canção “Asimbonanga”, dedicada ao líder.
Os consumidores param para observar e, emocionados, recebem flores. Ao fim do vídeo, todos do coro erguem o punho direito cerrado, símbolo da luta contra o racismo. No vídeo, aparece a mensagem “Hamba Kakuhle, Tata Madiba” (“Vá bem, pai Madiba”, em tradução livre).
A canção foi composta pelo músico sul-africano Johnny Clagg durante os anos 1970, quando Madiba ainda estava na prisão. A letra diz: “Não vimos ele/ Não vimos Mandela/ No lugar onde ele está/ No lugar onde ele é mantido”.
Retirado da página do Facebook de João Azevedo.

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Nunca um líder foi tão amado pelo seu povo, como o foi (e continuará a ser) Nelson Mandela. Em vida, foi grande! Morto, transformou-se num gigante! Já entrou na mitologia dos grandes heróis da Humanidade.
AC

Pintura: Almada Negreiros [1]

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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Carta enviada de Bruges, pelo Infante D. Pedro a seu irmão, D. Duarte, em 1426

Infante D. Pedro

Carta enviada de Bruges, pelo Infante
D. Pedro a D. Duarte, em 1426,
resumo feito por Robert Ricard 
e constante do seu estudo
«L’Infant D. Pedro de Portugal
et “O Livro da Virtuosa Bemfeitoria”»,
in Bulletin des Études Portugaises,
do Institut Français au Portugal,
Nova série, tomo XVII, 1953, pp. 10-11).

«O governo do Estado deve basear-se nas quatro virtudes cardeais e, sob esse ponto de vista, a situação de Portugal não é satisfatória. A força reside em parte na população; é pois preciso evitar o despovoamento, diminuindo os tributos que pesam sobre o povo. Impõem-se medidas que travem a diminuição do número de cavalos e de armas. É preciso assegurar um salário fixo e decente aos coudéis, a fim de se evitarem os abusos que eles cometem para assegurar a sua subsistência. É necessário igualmente diminuir o número de dias de trabalho gratuito que o povo tem de assegurar, e agir de tal forma que o reino se abasteça suficientemente de víveres e de armas; uma viagem de inspeção, atenta a estes aspetos, deveria na realidade fazer-se de dois em dois anos. A justiça só parece reinar em Portugal no coração do Rei [D. João I] e de D. Duarte; e dá ideia que de lá não sai, porque se assim não fosse aqueles que têm por encargo administrá-la comportar-se-iam mais honestamente. A justiça deve dar a cada qual aquilo que lhe é devido, e dar-lho sem delonga. É principalmente deste último ponto de vista que as coisas deixam a desejar: o grande mal está na lentidão da justiça. Quanto à temperança, devemos confiar sobretudo na ação do clero, mas ele [o Infante D. Pedro] tem a impressão de que a situação em Portugal é melhor do que a dos países estrangeiros que visitou. Enfim, um dos erros que lesam a prudência é o número exagerado das pessoas que fazem parte da casa do Rei e da dos príncipes. De onde decorrem as despesas exageradas que recaem sobre o povo, sob a forma de impostos e de requisições de animais. Acresce que toda a gente ambiciona viver na Corte, sem outra forma de ofício.»

Amabilidade de João Fráguas

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Amigo João:
O Infante D. Pedro foi um dos vultos mais brilhantes da História de Portugal. Os seus ensinamentos, para que Portugal saísse definitivamente do modelo de desenvolvimento da Idade Média, em que dominava a nova e a velha aristocracia, ambas esclerosadas, e se transformasse num Estado moderno, baseado na força do trabalho e na capacidade de iniciativa da nascente burguesia comercial, que reclamava direitos e reformas e uma Justiça mais equitativa, foi, depois, prosseguida com êxito, pelo seu sobrinho-neto, D. João II, outro vulto gigantesco da nossa História - um estadista de uma grande astúcia e possuidor de uma visão política rara.
Um e outro encabeçaram o que hoje se chama de forças progressistas, e que só vieram a ter continuidade efetiva, passados uns séculos, com o Marquês do Pombal (no Iluminismo), com Mouzinho da Silveira (no Liberalismo) e com Afonso Costa (na República).
Os restantes estadistas rastejaram pela vulgar mediania ou pela grosseira e desprezível mediocridade.
Um abraço,
Alexandre

Manuela Ferreira Leite: "Não percebo quando se fala de sucesso"


Manuela Ferreira Leite, a falar na TVI24, diz não perceber “quando se fala de sucesso”. A economista afirma ter uma “divergência profunda com o programa da troika” e acha que “era preciso mais tempo para corrigir o mercado”.
A economista afirmou que o programa de ajuda externa “foi executado num período muito curto” e que “não se conseguiram atingir os objectivos que se pretendiam, ou seja, ficamos só com as más consequências do programa”.

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Eu também não percebo onde está o sucesso do Programa de Estabilidade Económica e Financeira aplicado pela troika a Portugal. O programa não atingiu nenhum dos objetivos pretendidos. Todas as previsões e estimativas estavam erradas e não se confirmaram. E o que é mais grave, é que o país sai mais empobrecido desta agressão, com um nível de desemprego enorme, uma dívida pública agravada, a economia das pequenas e médias empresas destruída, uma mancha de novos pobres a alastrar e um incerto horizonte futuro sem esperança.
Trata-se de uma bárbara guerra financeira, desencadeada contra um povo indefeso, por um inimigo externo poderoso, que contou com a colaboração de um inimigo interno, liderado por traidores.