quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Texto: "rua do mundo" - por maria azenha

Fotografia © maria azenha, Agosto, 2013

"rua do mundo"

Nesta rua do mundo estremeço sob o arrepio das palavras que este livro contém.
penso muito baixo para que ninguém me ouça. talvez eu esteja querendo entrar para dentro do Sol, e ele só me serve para eu saber que conheço tudo às escuras. só depois é que vem o medo e eu grito para dentro de um poço tapado. os cavalos brancos correm invisíveis em meus olhos abertos de sono. às vezes sou estranha e misteriosa como debussy. e este homem é o sonho que estou escrevendo para dentro do sangue ... 

maria azenha

Nota: Este texto eleva-nos à quinta-essência da beleza literária, esgotando-nos a sensibilidade dos sentidos. Maravilhoso!

Poema: RELÓGIO DE GRITOS - por maria azenha

pintura de Valdemar Ribeiro

RELÓGIO DE GRITOS

um homem vive às escuras
só um relógio de gritos
o
pode 
puxar

ou seremos amantes de olhos fechados
com lâmpadas nos dedos
para 
poder 
pintar?

in " Symbolos", 2002

A "poeta" Maria Azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema de sua autoria, às quintas-feiras. 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Poema: Segredo escondido – por Sónia M

Imagem selecionada pela autora

Segredo escondido
nas dobras da pele.
Passeio o teu nome
pelos meandros de todos os poemas,
onde te faço matéria,
te toco
e te grito,
no único lugar onde te tenho.

Sónia M

A "poeta" Sónia M colabora neste blogue, publicando-se um poema de sua autoria, às terças-feiras.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Comunicado do Sindicato dos Médicos da Zona Sul sobre o encerramento das urgências nocturnas na zona da Grande Lisboa


SINDICATO DOS MÉDICOS DA ZONA SUL

COMUNICADO

Uma só urgência hospitalar para a zona da Grande Lisboa ou o desmascaramento final de uma política de ódio ao direito constitucional e humano à saúde?

Foi divulgada recentemente na comunicação social a decisão da A.R.S. de Lisboa e Vale do Tejo de colocar em funcionamento, a partir do próximo dia 2 de Setembro, uma única urgência hospitalar em toda a zona da Grande Lisboa durante o período noturno, encerrando todas as outras.
Face à gravidade da situação que irá ser criada e às inevitáveis consequências que daí advirão e que são de fácil previsão, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul/FNAM decidiu tomar a seguinte posição:

1- A decisão agora anunciada revela um profundo desprezo ministerial pelas necessidades assistenciais de um conjunto muito significativo de cidadãos que não se circunscreve à zona geográfica anunciada.
Como sabemos, existem múltiplas situações clínicas que de toda a zona sul do país são enviadas para as urgências dos hospitais centrais de Lisboa.
Ao contrário do que foi sendo apregoado nos últimos meses pela propaganda ministerial sobre uma hipotética reestruturação das urgências da cidade de Lisboa vem agora a revelar-se que o real objetivo se estende a toda a zona da Grande Lisboa, tornando-se claro que não existe qualquer estudo prévio que fundamente tais propósitos nem sequer uma avaliação do impacto que eles terão na população atingida.

2- Os argumentos utilizados pela citada A.R.S. para justificar tal decisão referem-se à escassez de recursos humanos e ao envelhecimento dos respectivos quadros, o que não tem qualquer correspondência com a realidade objetiva dos factos.
Existem médicos mais jovens que continuam a aguardar por concursos públicos e que têm formas precárias de trabalho sem qualquer possibilidade de evolução técnico-científica.
Aquilo que está realmente em causa é uma política ministerial, desde há muito premeditada, para encerrar gradualmente o maior número possível de instituições públicas de saúde.

3- Também recentemente, cerca de meia centena de USF da zona da Grande Lisboa vieram denunciar que essa A.R.S. lhes estava a impor exigências "de redução de custos para níveis que podem colocar em causa a qualidade, a segurança e a equidade dos cuidados prestados".
Ora, todos sabemos que o recurso em maior ou menor grau às urgências hospitalares está diretamente relacionado com a capacidade de resposta dos centros de saúde e, em particular, da medicina geral e familiar.
Com esta redução de custos, é fácil prever que o recurso às urgências hospitalares pode ser a única via de acesso à prestação de cuidados para muitos cidadãos da zona da Grande Lisboa.
E aí, a medida do Ministério da Saúde é encerrar em larga escala a quase totalidade das urgências hospitalares durante o período noturno.

4- A atual equipa do Ministério da Saúde tem desenvolvido um plano dissimulado de amplos cortes cegos na saúde, muito para além dos compromissos assumidos pelo Governo junto da chamada Troika.
Apesar desses cortes indiscriminados, ainda recentemente a auditoria do Tribunal de Contas veio mostrar que o resultado líquido do exercício do SNS relativo a 2011 continuava a apresentar um brutal agravamento de largas dezenas de milhões de euros.
Este facto, por si só, mostra que a gestão ministerial tem pautado a sua ação por meros cortes nas funções assistenciais aos cidadãos.

5- Apesar da referida medida ser apresentada como relativa ao período noturno, não podem subsistir quaisquer dúvidas que isso constitui uma etapa inicial que rapidamente conduzirá à sua integral aplicação durante todo o período diário.

6- Torna-se já escandaloso o sistemático comportamento do Ministro da Saúde que em vez de assumir as medidas iníquas idealizadas por uma política governamental de liquidação das políticas sociais e do Estado Social se esconde atrás dos seus nomeados nos órgãos de gestão dos serviços de saúde reservando-lhes a eles o papel de anunciadores e de supostos decisores perante a opinião pública sempre que estão em causa medidas impopulares.
É fácil prever num contexto desta gravidade que a drástica redução da capacidade de atendimento a nível das urgências irá traduzir-se, inevitavelmente, por situações muito delicadas no plano humano.
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul/FNAM continuará a desenvolver todos os esforços para impedir o desenvolvimento desta ação clara de liquidação do SNS e do direito constitucional à saúde.

Lisboa, 19/8/2013
A Direção

Av. Almirante Reis, 113, piso 5, pt. 501; 1150-014 Lisboa
Telf.: 213194240


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Trata-se de mais de mais um ataque brutal ao Serviço Nacional de Saúde, inserido numa estratégia silenciosa e oculta de proceder ao seu progressivo desmantelamento. Com o falso argumento da reestruturação dos serviços, os objetivos do Ministério da Saúde são claros. Reduzir ao máximo os serviços das unidades de saúde, para diminuir a despesa do Estado e, ao mesmo tempo, abrir o caminho aos privados, que nunca poderão substituir, até pela sua vocação comercial, a universalidade, a equidade e a qualidade de cuidados de saúde, que o SNS presta a todos os portugueses.  

domingo, 18 de agosto de 2013

Kenneth Rogoff: "Grécia e Portugal nunca deviam ter entrado no euro"


O economista norte-americano Kenneth Rogoff afirmou hoje que "Portugal e a Grécia nunca deviam ter sido admitidos na zona euro", considerando inevitável uma reestruturação da dívida grega, e também da portuguesa, em entrevista ao Frankfurter Allgemeine.
"Acho que a Grécia e Portugal nunca deviam ter sido admitidos na zona euro, isso foi um hybris (exagero), tal como foi um exagero admitir a Eslováquia e a Letónia", disse o ex-chefe do gabinete de estudos do FMI.
Rogoff afirmou ainda que os políticos europeus não querem ouvir falar de uma eventual insolvência da Grécia "porque não têm um plano para estancar o incumprimento, mas a posição dos governo europeus não é credível, porque a Grécia não poderá cumprir os seus compromissos".
E se a Grécia cair, na opinião do professor de economia na Universidade de Harvard, "aumentará o receio de não se poder aguentar Portugal e a Irlanda, e as preocupações estender-se-ão à Espanha e à Itália", advertiu Rogoff.
"É preciso um plano para conter o risco de contágio, e de momento não há nenhum plano, se a Grécia amanhã falhar, a primeira coisa que vão fazer é comprar títulos da dívida pública de Portugal, mas isso é absurdo, porque a dívida de Portugal também tem de ser reestruturada", advertiu o economista norte-americano, na entrevista ao matutino alemão.
Outro "guru" das finanças internacionais, George Soros, defendeu, em artigo publicado hoje no Financial Times Deutschland, que para resolver a crise das dívidas soberanas "é preciso considerar a hipótese" de a Grécia, Portugal e a Irlanda já não poderem pagar as suas dívidas e terem de deixar o euro.
dinheirovivo  (23-09-2011)

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Kenneth Rogoff é o economista que, juntamente com Carmen Reinhart, publicou o estudo (onde, posteriormente, um aluno de Economia foi detetar um erro no programa de Excel utilizado pelos autores), que serviu de fundamento doutrinário à conceção das políticas de austeridade, a aplicar nos países com dívidas públicas elevadas.
Kennet Rogoff é um neoliberal e um homem politicamente conservador. Isso, contudo, não o impediu de, em 2011, ter considerado um erro a adesão de Portugal e da Grécia à moeda única, afirmação esta que não teve sequência nem consequências, entre nós, ao nível do discurso dos paladinos da moeda única, que só lhe engrandecem as virtudes, que são poucas, e negando-lhe os defeitos, que são muitos. Tenho aqui recorrido frequentemente àquela minha imagem do casaco: ao aderir ao euro, Portugal fez a figura daquela criança que veste o casaco do pai. Sobram-lhe mangas e o casaco tapa-lhe os joelhos.
A economia portuguesa, devido ao seu fraco desenvolvimento tecnológico, que lhe determina um baixo nível de produtividade, perdeu competitividade externa, o que, como numa correia de transmissão, veio a afetar as exportações, o crescimento do PIB, as receitas fiscais, o défice orçamental e a dívida soberana. A este erro estrutural veio somar-se um outro, que veio complicar mais a situação. Os multiplicadores do FMI, uma das instituições que faz parte da troika, revelaram-se errados. Os técnicos desta instituição internacional consideravam que, por cada euro na redução do défice orçamental, o PIB apenas se reduzia em 0,5 em euros, o que não estava a acontecer, o que os levou a rever o modelo matemático e a concluir que aquela redução do PIB poderia a vir a situar-se entre 0,7 a 1,6 euros, uma diferença que, no seu limite, aponta para um erro em cerca de trezentos por cento, o que desacreditou imediatamente o programa de ajustamento aplicado a Portugal. O PIB caiu, as receitas fiscais desceram, apesar do brutal aumento de impostos, o défice orçamental ficou longe dos objetivos, o consumo privado desceu, a falência de empresas disparou e o desemprego tornou-se um pesadelo. O fracasso desta política de austeridade foi inteiramente assumido pelo homem que a aplicou, o ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar. E, no entanto, o governo de Passos Coelho está a preparar mais austeridade, numa obediência cega aos interesses do capitalismo financeiro europeu. 

Equador anuncia fecho de embaixadas em nove países, incluindo em Portugal


O Presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou neste sábado o encerramento de nove embaixadas em diversos pontos do mundo, entre as quais Portugal, Holanda e Bélgica, “porque não há reciprocidade” e para poupar custos.
“Temos 49 embaixadas no mundo, mas 11 desses países não têm reciprocidade com o Equador, não têm embaixadas aqui”, disse Correa durante o seu relatório semanal de trabalhos, acrescentando que as embaixadas na Holanda e na Bélgica serão encerradas.
O chefe de Estado equatoriano referiu ainda as delegações em Portugal, África do Sul, Áustria, Austrália e Malásia. “Haverá uma redução considerável de gastos e uma poupança para o país”, sublinhou.
Rafael Correa observou, contudo, que se deve ser “realista”, pois apesar de, por exemplo, a Índia não ter embaixada em Quito, o Estado equatoriano precisa de ter a sua em Nova Deli.
E apontou que há países relevantes no sistema internacional em questões estratégicas nos quais o Equador manterá embaixadas embora não tenham representação no país andino.
O Governo equatoriano está imerso num processo de reforma do seu serviço no exterior que inclui alterações também nos consulados e melhoria no sistema de atendimento electrónico.
PÚBLICO

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Os governantes apenas devem preocupar-se com uma coisa: governar bem, ao serviço do bem comum.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Entrevista: D. Renato I. "Vendam-me Portugal, que eu governarei melhor que os portugueses" - por Rosa Ramos

Retrato oficial de D. Renato I, Príncipe da Pontinha

O príncipe da Pontinha, dono de um pequeno ilhéu na baía do Funchal, diz que quer comprar Portugal por um euro
Quer comprar Portugal por um euro e compromete-se a assumir a totalidade da dívida do Estado. Na Madeira há quem garanta que é louco. Outros gabam-lhe a franqueza. Há 13 anos que Renato Barros, professor de EVT, reivindica a independência de um ilhéu na baía do Funchal - um forte em cima de uma rocha que comprou em 2000. Autoproclamou--se príncipe - dá pelo nome de "D. Renato I, o Justo" - porque garante que o Principado da Pontinha foi alienado pelo rei D. Carlos em 1903. Numa entrevista via email, o príncipe da Pontinha gaba- -se de liderar um dos poucos estados do mundo sem dívida pública e revela que procura uma nova primeira-dama. Acusa Cavaco Silva de lhe dever dinheiro, atira-se aos bancos e aos políticos portugueses e nem o bispo do Funchal escapa às suas críticas.

O Principado da Pontinha ainda não é um reino. Porquê?
Por acaso já perguntaram à família Rainier do Mónaco porque são um principado e não um reino? O meu principado será um reino quando estiver em fase expansionista. A esse propósito, reitero a firme proposta de aquisição de Portugal, por um euro, e assumindo o respectivo passivo. Enviei um ofício real ao vosso ex-ministro Vítor Gaspar a dar conta da minha proposta, mas ainda estou a aguardar que o representante da República na Madeira me dê uma resposta. A não ser, claro, que tenham escondido o ofício - como esconderam os swaps.

O D. Renato não reconhece a soberania portuguesa?
Tal qual Portugal se desfez de vários territórios (Macau, Timor, Goa, Moçambique, Guiné, etc.), também a minha ilha - o Principado Ilhéu da Pontinha - foi alienada pelo vosso rei D. Carlos I em Outubro de 1903. É uma realidade que as vossas autoridades pretendem camuflar e daí ser mais fácil mandarem-me chamar louco ou irresponsável. Quando o que estou a fazer é o legítimo exercício de um direito à autodeterminação, face ao qual os vossos governantes não sabem como lidar, tão-pouco conseguem ver esta situação de uma maneira mais positiva e até rentável para todos os lados. Preferem (ilegalmente) cobrar IMI a uma realidade à qual dão (para efeitos fiscais) 74 anos de vida. Isso é ridículo. Não reconheço legitimidade nem soberania a Portugal sobre o meu território independente. Aliás, já em 1973 a Guiné era reconhecida pelas Nações Unidas e Portugal ainda para lá mandava soldados. Vocês não evoluíram nada. Por isso não estou surpreendido.

Quem são os seus súbditos na ilha?
Quer uma "Lista de Schindler" ao contrário? A senhora jornalista já pediu ao seu presidente a lista dos cidadãos nacionais? Tenho súbditos espalhados pelo mundo, tal como os portugueses têm os seus imigrantes. E dou plena liberdade aos meus súbditos para afirmarem, ou não, em público a sua lealdade ao meu principado. Não o farei por eles, por uma questão de princípio.

E como é afinal um dia normal na vida do líder de um principado?
É um dia-a-dia igual ao de qualquer chefe de Estado que esteja verdadeiramente empenhado na bem-estar da sua nação e do seu povo. Mas até neste propósito parece que estou em minoria técnica.

Tem filhos? A educação deles está a ser pensada em função de um dia virem a assumir o governo da ilha?
A minha vontade foi ser príncipe. A vontade dos meus filhos é deles, não interfiro. Eles não são como a gentil Diana de Gales, que, de acordo com uma sua biografia, e para explicar a degradação do seu casamento, terá dito que se achava uma "égua de Windsor", destinada a procriar reizinhos.

O principado apresenta contas publicamente?
O principado não é nenhuma sociedade de responsabilidade limitada que tenha de prestar contas. Até a filial irlandesa do "benemérito" Bill Gates (que manda vacinas, e não comida, para África) passou a ser de responsabilidade ilimitada para não ter de as prestar. Por que razão teria de o fazer? Ele quer ser Dom? Eu já sou.

E a crise? Já chegou ao principado?
Apenas leves ricochetes, vindos daí desses lados, de crises de valores, ignorância, inveja, mesquinhez e falta de sentido de humor.

Também há desemprego aí?
Antes pelo contrário. Mas há um lugar para um sem-abrigo destinado a um tal Ulrich. A ver se ele aguenta...

A ilha é auto-suficiente? E exporta?
Sou um principado global e não faço embargo a nenhum país. Há dois tipos de produtos: os materiais ou (a)palpáveis (o vinho do príncipe, e, em breve, o tomate fortezão, pela falta que parece existir por aí) e os imateriais: criatividade, originalidade e irreverência. Ou seja, também exporto inteligência natural.

Diz a Wikipédia que, até 2010, a economia do principado se resumia ao turismo. Mas consta que está a preparar uma revolução económica, expandindo-se para outras áreas. Quais?
Enquanto andam a assassinar a economia portuguesa, eu dei instruções claras ao meu governo para fomentar e diversificar áreas de negócio que dêem aos portugueses (que pretendam a dupla nacionalidade luso-fortense e a outros cidadãos do mundo) emprego, bem-estar económico e desenvolvimento cultural. Tenho, por exemplo, um Real Centro Internacional de Negócios e as minhas 200 reais milhas marítimas para explorar. Sempre será melhor que vender tudo aos angolanos, como parece que o (Santoro?) país-irmão está a fazer.

Que opinião tem acerca do seu congénere português, D. Duarte?
Para já ele não é Dom, porque não tem o domínio sobre nada. Eu sou D. Renato porque tenho a posse e o domínio sobre o meu principado. Não conheço pessoalmente esse sujeito, não me posso pronunciar com rigor. Se é realmente monárquico? deixará, a meu ver, um pouco a desejar, pois, sinceramente, já teria mais que condições para reunir as tropas e pôr ordem nessa bagunça republicana. Preferia encontrar-me com a duquesa do Cadaval. Teria todo o gosto em recebê-la no meu principado.

Também já convidou Passos Coelho?
Quando Portugal tiver um primeiro- -ministro que não seja uma marioneta dos Bilderberg (do "amigo Balsemão") ou da Maçonaria, do Opus Dei, ou mesmo da recente Opus Gay, então terei todo o gosto em mandar formular um convite real. Até, inclusive, dada a minha dupla cidadania luso-fortense, pois não renego as minhas origens lusas, apenas não me conformo com quem governa (mal) os portugueses. No que toca ao sujeito em questão, um eventual convite teria de ter em conta os períodos anuais de abertura da caça ao dito, para não coincidir e criar um conflito armado desnecessário, pois não ouso cercear a liberdade dos meus súbditos no que a essa prática desportiva diz respeito.

Tem acompanhado a situação política portuguesa?
É uma crise política forjada para distrair os portugueses da má governação, da supressão de direitos sociais, económicos e culturais e, daqui a tempos, dos próprios direitos, liberdades e garantias. Vejam as cidades chinesas isoladas, qual Muro de Berlim, onde só entram os livros que as autoridades querem. Quem fomentou a crise deveria pagar do seu próprio bolso o diferencial agravado da situação financeira que causou ao Estado que diz ("i?rrevogavelmente") servir.

Defenderia eleições antecipadas?
Defendo a imediata intervenção das Forças Armadas portuguesas para que ponham no poder pessoas para quem o interesse colectivo pese mais que os interesses individuais ou corporativos. Eu disponibilizo as minhas forças armadas nesse desígnio conjunto. E até ofereço os calabouços reais.

Aceitaria uma troika no principado?
Se, além da China, sou o único estado do mundo sem dívida pública, não vejo tal necessidade. Quando muito eu próprio aceitaria intervir na troika, a bem dos portugueses e dos europeus.

Como é que a Europa poderá sobreviver à crise económica?
Só há crise económica porque vós estais todos nas mãos da (recapitalizada com o dinheiro dos contribuintes) alta finança internacional e nacional e porque deixaram os vossos governantes gastar mais do que estava orçamentado sem que o Tribunal de Contas exercesse a responsabilidade financeira reintegratória. Nacionalizem os bancos e confisquem os beneficiários das parcerias público- -privadas (beneficiários de um enriquecimento sem causa vergonhoso à luz do vosso direito civil) e das fundações-fantasma que delapidam o Orçamento do Estado e voltarão a ver o desenvolvimento económico em Portugal e na Europa.

Portugal precisaria de um Presidente da República mais incisivo?
A rainha de Inglaterra tem alguma palavra? Cavaco Silva já fez tanta asneira enquanto primeiro-ministro - ao assassinar a agricultura e a indústria - e o prémio foi a presidência. E, já agora, deve- -me 360 mil euros por ter atravessado o meu espaço aéreo (quando foi às Selvagens) sem a minha autorização. Já entreguei a nota real de débito junto do representante da República, que agora tem instruções para não receber cartas minhas, em clara violação ao vosso Código do Procedimento Administrativo.

Sonha conquistar Portugal um dia?
O sonho de qualquer cidadão português preocupado com o futuro do país é ter um príncipe como eu a liderar o seu destino colectivo. E já disse que ofereço um euro e assumo a vossa dívida, incluindo os swaps tóxicos.

Sente-se confortável com o facto de se ter autoproclamado soberano?
Tão confortável como D. Afonso Henriques e os conselheiros da revolução portuguesa de 1974. E, já agora, a evolução (justificada) dos rendimentos desses senhores e dos políticos portugueses antigos e actuais chegou a ser auditada pelo Tribunal de Contas?

Sei que é professor de EVT. Como concilia a sua actividade profissional com a actividade de príncipe?
Sou professor em Portugal e príncipe no meu estado. Ao contrário da maioria dos governantes, não tenho públicas virtudes nem vícios privados, nem chamei o Rumsfeld a Portugal para intimidar as minhas próprias autoridades.

Os seus alunos tratam-no por "professor Renato" ou por "D. Renato"?
Em Portugal sou professor.
Li que tem embaixadores em alguns países. Onde? E quem são?
Tenho representação diplomática em países como o Brasil, a Costa Rica, a Argentina, Timor, o Irão, Espanha, a Austrália, a Venezuela, o Reino Unido e Portugal. O meu primeiro-ministro é que lhe poderia dar informação mais detalhada.

E o que é que os embaixadores fazem, concretamente?
Já fez essa pergunta ao titular do Palácio das (efectivas) Necessidades, homólogo do meu chanceler para os Negócios Exteriores?

Em que ponto está o pedido que enviou à ONU sobre a independência do ilhéu? Já teve uma resposta?
O meu advogado em Nova Iorque está com esse processo em carteira e a prestar contas directamente ao meu embaixador plenipotenciário em Londres, Sir Kevin Almond, que tem a responsabilidade pela coordenação internacionalista, ao nível de uma comissão trilateral (entidade, tal como o C. F. R. do Braga de Macedo, que vocês ocultam aos leitores portugueses).

É Verão. O príncipe D. Renato tira férias? Costuma ir para onde?
Gozo as férias na minha fragata real, ao longo das 200 milhas marítimas adjacentes ao meu principado, à luz do direito internacional público.

Na sua página do Facebook apela a donativos para a causa da independência do principado. Quanto é que já angariou?
Prefiro donativos a ter de cobrar impostos. Sobre montantes, quem trata disso é o meu chanceler para a Economia e a Criatividade, cujo perfil pessoal marcante é não revelar assuntos de Estado.

Em que medida é que esse dinheiro pode ajudar a causa?
A senhora jornalista parece estar equivocada. A independência é um dado adquirido. Por favor leia a Carta Régia do meu colega luso D. Carlos I - cuja inequívoca legalidade foi reconhecida pelo vosso Arquivo Nacional da Torre do Tombo. O reconhecimento da independência é o que está neste momento em causa por Portugal. Este processo, de âmbito internacional, junto de muitos países, tem, naturalmente, os seus custos, pelo que qualquer ajuda é bem-vinda.

O D. Renato escreve com "y" em vez de "i" e com "k" em vez de "q". Isto é a língua do principado? Tem nome?
Falta acrescentar a troca do "m" pelo "w". A língua oficial chama-se "fortense". A raiz da minha língua resulta, por um lado, do legítimo direito à diferença e à autodeterminação (que até está na vossa Constituição - mas não foi Vital Moreira que aconselhou "suspendê-la", em estado de emergência?). Por outro lado, introduzimos os "y" porque aqui não temos necessidade de pôs os pontos nos is. Também é uma tentativa de contrariar a estupidificação do ensino em Portugal (92% dos alunos chumbam num exame de Cultura Geral?), levando as pessoas a exercitar os neurónios. E é ainda uma reacção diplomática junto dos irmãos-PALOP ao novo ("socretino") acordo ortográfico em vigor no país-irmão Portugal. Estou aliás disponível para ajudar à internacionalização do vosso jornal i, obviamente alterando o nome para "Y".

Já recebeu pedidos de asilo político? E tem concedido alguns?
Já recebi. Claro que concedo. E se a Rússia do meu colega Putin se vergar aos americanos, o Snowden pode vir para cá.

A quem nunca concederia asilo?
Aos pedófilos, aos canalhas internacionais dos Bilderberg e aos políticos portugueses que, uma vez irradiados pelo seu povo, rastejarão em frente do meu principado, em vez de pensarem em expropriar o meu forte, como já me disseram que tencionam fazer, contratando uma sociedade de advogados para o efeito. Mas como pode Portugal expropriar um território que já alienou?

E pedidos de asilo fiscal, também concede?
Alguns até são públicos, tendo em conta o torniquete fiscal aos contribuintes portugueses. Basta ir à minha página de Facebook e ler as mensagens de compatriotas seus.

O principado tem algum banco?
Sim. Além do banco real, onde me sento, há também os bancos de jardim, os do miradouro do Forte, etc. Com o reconhecimento internacional, ou até antes, se me apetecer, o principado terá o seu Banco Nacional e mandarei emitir títulos do Tesouro.

O Estado social é um conceito ultrapassado e insustentável?
O que é insustentável são as mordomias de quem "gere" (delapida) o Estado social. A riqueza está mal distribuída em todos os países. E se em vez de recapitalizarem os bancos começarem a recapitalizar as famílias e as pequenas e médias empresas, então o vosso problema estará automaticamente resolvido. Mas vocês, portugueses, infelizmente, são uns cobardes, têm medo de quem está no poder. Não os vêem como meros empregados, que recebem um vencimento à conta dos vossos impostos.

Como se define em termos de estilo de governação?
O poder é meu, mas antes de decidir ouço atentamente os meus chanceleres e reflicto na melhor decisão a tomar. E estou grato pela lealdade dos meus chanceleres, que não precisam de assessores nem de "afrodites", o que desonera substancialmente os cofres reais. Um exemplo a seguir...

Costuma ser convidado para casamentos e eventos das outras casas reais europeias?
Só agora o "manto de encobrimento" a respeito do Principado da Pontinha (graças à acção dos embaixadores e cônsules honorários no estrangeiro) começa a ser desfeito. Mas não sou muito desses eventos sociais, acho até uma fantochada para distrair as populações de assuntos mais sérios e para os políticos continuarem a fazer as suas negociatas na sombra.

O Principado da Pontinha é laico? Qual é a religião oficial?
Sou um príncipe cristão que admite que cada pessoa tenha o seu deus e a sua religião.

É verdade que anda a tentar comprar um papamóvel do Papa João Paulo II?
O meu chanceler para os Assuntos Religiosos tem tido alguma dificuldade em encontrar o bispo do Funchal, que, não tendo favelas para onde ir, parece que gosta muito de estar à mesa do poder. A aquisição do papamóvel permitiria criar um roteiro turístico na ilha-sobrinha Madeira, tal como o Papa aparece semanalmente aos fiéis na Praça de S. Pedro, ou tal e qual a minha colega rainha de Inglaterra na varanda do seu palácio aos súbditos e turistas. Cego é quem não quer ver este potencial. O Vaticano tem o seu banco, a rainha tem os seus negócios e eu não posso ter um príncipemóvel?

Quando morrer quer ser enterrado onde?
No meu principado, é óbvio. Um projecto de vida merece um fim digno e não uma vala comum ou um canto qualquer num condomínio fúnebre.

Ainda é casado? Está a receber candidaturas ao cargo de primeira-dama?
Sou divorciado. A magia da vida decerto irá funcionar para quem não olha essa mesma vida com talas e sob orientação superior.

Que características terá de ter a primeira-dama ideal da Pontinha?
Uma rosa sem espinhas? com pétalas (e não ramos) no regaço.

Qual é a posição do D. Renato em relação a temas como o casamento gay, a co-adopção de crianças por casais do mesmo sexo ou o aborto?
Casamento gay? Nada a opor. Co-adopção? Essa vossa mania de legislarem sobre tudo (e sobre nada) acaba por impedir que façam o que quer que seja de jeito. Não se pode definir por decreto aquilo que é melhor para as crianças, mas olhando para as situações em concreto. Quantos estafermos e estafermas, ditos bem casados com pessoas de sexo oposto, fazem pior às crianças? Não sejam hipócritas. Aborto? Já Gonçalves Zarco usava preservativos de carneiro quando deu a primeira queca da globalização no meu principado. Assim controlou a natalidade a montante. E não era a Simone de Oliveira que cantava que "quem faz um filho fá-lo por gosto"?

Politicamente, define-se como de direita ou de esquerda?
Defino-me como Justo, que, ao contrário de quem vos governa, põe os interesses colectivos acima dos individuais. Desde que a revolução russa de 1917 foi financiada pelo banco americano J. P. Morgan que só não percebe quem é burro: a ideologia é uma treta, apenas serve para dividir e não para fazer as pessoas pensarem em boas ou más gestões dos dinheiros públicos (dos contribuintes). E para os obrigarem a prestar contas e a repor os desvios.

D. Renato vive num apartamento no Funchal.
O meu domicílio fiscal é no Principado Ilhéu da Pontinha. Nada me impede de ter (ou de viver em) apartamentos em Portugal e, por outro lado, as minhas embaixadas fazem parte do principado, à luz do direito internacional.

Que vantagens tem para oferecer aos portugueses que queiram mudar-se para o Principado da Pontinha?
Os meus irmãos portugueses sofrem com o PIB. Eu ofereço-vos a F. I. B. (felicidade interna bruta). Quando os portugueses perceberem que andaram a ser enganados e derem valor ao ser em vez de ao ter, então, mesmo para vós, tudo começará a fazer sentido. Vendam-me Portugal, pois eu governarei melhor os portugueses. Não é o dinheiro nem o poder que me move, ao contrário do que acontece convosco.


***«»***
D. Renato é, sem dúvida, excêntrico e extravagante. Louco é que ele não é. Muito menos, ignorante. A sua análise e as suas opiniões sobre a política nacional e internacional e sobre as questões económicas mostram um homem clarividente e muito bem informado. Se Portugal tivesse um punhado de "loucos" como D. Renato, talvez a crise e o seu tratamento não tivessem vindo a infernizar a vida dos portugueses. 
Neste sentido, eu também sou um "louco", e, depois de ter lido esta hilariante entrevista, talvez me abalance a vir a obter o Principado das Berlengas...

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A Lapidação do Silêncio - Fotografia de maria azenha

A lapidação do Silêncio
arte digital | maria azenha, 2013

A lapidação do Silêncio!... Rendo-me ao "esplendor" destas palavras. Mais uma vez fiquei agarrado à cadeira. Duas palavras apenas para me aproximarem do encantamento absoluto. A fotografia golpeia-nos a memória do futuro, com visões dantescas da decadência. E é a nossa sombra que caminha e nos arrasta lentamente para o inexorável destino.

Poema: COMUNIKAÇÃO - por maria azenha

Óleo - Nguyen Dinh Dang
Imagem selecionada pela autora do poema.

COMUNIKAÇÃO

Ah,não me tragam jornais !
nem discursos, nem notícias !
nem ciências d’empilhar astros !
Sou filha de todo o mundo
e escrevo versos de rastos !
……………………………………..
E do Espaço comuniko ,
no Espaço digo a meu Pai :

Tempo nublado no Mundo !
Buenos Aires ,
nenhuma Consolação 
Rio ,
1992 , Mar de Junho ,
Nova Iorque ,
Ladrão .

Europa!
Sábado!
Domingo !
A Grande e Monumental Prisão
no almofariz-atómico da Terra!

No Espaço comuniko :
digo pobre ,
digo rico ,
a calça negra do PIB
o quark
o IP : ou seja :
o índice de Poluição ,
o Buraco-Negro ,
a crise do Relâmpago ,
a chuva na Jugoslávia ,
IELTSIN ,
os sete países mais ricos ,
milhares de hectares produzidos
por novos escravos
em novo estilo marquês-de-sade ,


Projectado em iates ,
onde cromossomas azuis de fino trato
são exportados diariamente
para a Produção
para a Perfeição-Extrema-do-Corpo ,
para todas as Ideologias de Conforto ,
para os eclipses ,
para o Morto ,
para a Notre-Dame-da-Vida ,
para o Catolicismo-do-Ozono ,
para a Comunicabilidade diária ,
para o Esgoto .

para quem sabe no governo traficar
um Kilo de Cocaína ,
um metro de papoilas ,
um carro ,
uma camioneta de moscas ,
um camião de políticos ,
doze facadas , embriões humanos in vitro ,
uma colecção de narcóticos ,
um tubo de ensaio de Gritos ,
homens e mulheres irreconhecíveis
e ainda
um museu de Presos trucidados
enquanto uma Laranja adormecida
se penteava .

tudo isto participa
dum meti-cu-lo-sí-ssimo Plano !
tudo isto é o Grande Circo da Propriedade Humana !
tudo isto funciona como um Carnaval avariado
pela Esfinge do Caos ,
pelo código das Esculturas da Noite
que em nome da Santa-Fome
em nome de todo o globo ,

vão construindo

milhões de dormitórios para não-haver-sono ,
supermercados para o Consumidor ,
hipermercados para o Hiperconsumidor ,
cartões de Crédito para o Devedor,



Sistemas telefónicos internos
Para
CO
MU-
NI
KAR nenhum fogo
avenidas –sem-ruído para não-ser amor
propfessores para o não-pensador ,
computadores
para CO
MUNI-
KAR

e no centro do globo ,
a Consciência
Cósmica sem ter um lugar !

E ainda ,
num raio de 70 metros aproximadamente
todas as ruas arborizadas milimetricamente
com 
moscas voadoras,
árvores de plástico,
varejeiras,
flores,
e
as montanhas
não vão aumentar de preço !

a cada mugido de uma vaca
é logo separada a Cria !



e tudo isto ,
pela cor-verde-mar
dos pecados de Roma
e
das Flores putrefactas .
Tudo isto como um jogo de Deus e do Diabo
num supermercado vazio !
Tudo isto porque Adão e Eva
não conhecem a Poesia de Vanguarda !


Em minha opinião
os Donos do Mundo e os seus Revendedores
alcançaram a graça recebida
pelo espírito do Lodo
no plano astral da Vida .

mas eu digo :
Nós não somos Gado !
Nós somos Criadores !
e por tal motivo ,
em vez de Pássaros e Ruídos ,
traremos para a Conferência do Mundo
o chão varrido pelos lábios destes Senhores ,
e em nome do Cosmos ,
em nome da essência do Homem ,
da nova Atlântida do mundo ,
semearemos acácias
no
ventre dos meninos !

Folhearemos mais tarde
O
Álbum da Terra
E
os cinco continentes de ouro
serão 
to-
dos
UM !

in " P.I.M.", 1999


Nota crítica: Trago para aqui as palavras de Citoyen du Monde, a propósito deste poema de Maria Azenha: “Este poema reflecte sem dúvida o ADN  poético de Maria Azenha. Gostei muito de reler esta força de intemporalidade e verdade”.
Trata-se, na verdade, de um poema de antologia. Porque é subversivo na forma e no tema. Na forma, porque a autora, mais uma vez, transgride o cânone, apoiando-se na desconstrução das palavras e da sua irregular disposição no texto, como suporte para a construção das suas metáforas, sempre surpreendentes. No tema, porque, de uma forma cáustica e arrasadora, submete ao ridículo, através de uma caricatura (como se o poema fosse panfletário ou um poema denúncia), os atores e os principais responsáveis da trágico-comédia que revolve o mundo, situando-se num tempo, não muito longínquo, de intensa crispação, marcado pela hipocrisia dos poderosos, mas que não perde atualidade nos dias de hoje. Eu diria mesmo que será sempre um “poema atual”, na medida em que o Homem nunca ultrapassará as misérias da existência, aqui denunciadas.
Estamos na presença de um dos melhores poemas da Maria Azenha, já que vem marcado por uma inconfundível e prodigiosa originalidade.

A "poeta" Maria Azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema de sua autoria, às quintas-feiras.