domingo, 30 de junho de 2013

Edward Snowden tem opções cada vez mais reduzidas para a sua fuga

Mandala Olho do Mundo, Ana Felix GarjanBrasil-abril 2010

"O tempo está a esgotar-se" para o analista informático acusado de traição nos EUA, dizem especialistas. Posição do Equador e da Venezuela é pouco clara.
Quase um mês depois de Edward Snowden ter revelado os programas ultra-secretos de vigilância dos Estados Unidos, o analista informático que trabalhou para os serviços secretos não parece muito perto de conseguir asilo para escapar às acusações. As suas opções parecem estar a reduzir-se.
À espera de ver resolvido um impasse legal numa área de trânsito de um aeroporto de Moscovo e sem a certeza de que os destinos que tinha contemplado – Equador, Venezuela e Cuba – o acolham, Snowden parece estar à mercê de forças geopolíticas que vão além do seu controlo. Snowden não foi visto desde que chegou a Moscovo no fim-de-semana passado e tudo parece incerto perante as respostas de bastidores.

***«»***
É revoltante que o destino de Edward Snowden esteja submetido ao jogo das forças geopolíticas. Ele, com a sua ousadia e a sua coragem, conquistou a simpatia e a admiração do mundo inteiro, ao desafiar a arrogância da maior potência imperialista, que através de um olho gigante espia as nossas vidas, só lhe faltando vigiar também as nossas consciências.

sábado, 29 de junho de 2013

Contradições de um primeiro-ministro


No discurso do jantar de encerramento do segundo dia da Universidade de Verão do European Ideas Network, que decorre no Porto, Passos Coelho, no seu discurso, começou por referir que “É preciso dizer que não partilho a opinião de que a Europa se limitou a ficar de braços cruzados desde que a crise do euro se fez sentir. Demos passos importantes no aprofundamento da coordenação económica”, para mais à frente, num outro contexto discursivo, se desdizer, afirmando que considera necessário que os europeus reconheçam que foram “demasiado complacentes com as insuficiências da arquitetura institucional do euro e muitos displicentes na preparação das economias e das sociedades para as exigências do novo regime económico e monetário".
Há uma contradição insanável entre as duas afirmações.
Em que ficamos?
Os problemas na União Europeia e, particularmente, em Portugal são tão graves, que os dirigentes políticos já não sabem o que dizer para esconder a verdade.

O Problema em Portugal (e no Mundo)

Amabilidade de Diamantino Silva, que enviou este vídeo.
***
A subordinação dos povos aos donos do mundo é o objetivo da ação de todas as instâncias dos diferentes poderes (o financeiro, o político, o educacional, o comunicacional e o religioso), que funcionam de forma articulada. Essa ação já tem uma dimensão global, o que lhe aumenta a eficácia, ao contrário das instâncias representativas dos trabalhadores e dos cidadãos inconformados, que ainda atuam numa dimensão nacional e, nalguns casos, até numa escala setorial e corporativa, o que lhes limita a força. 
O caminho para a globalização da luta ainda não está a ser percorrido!  

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Poema: O súbdito país - por maria azenha

 óleo – Malevitch
Imagem selecionada pela autora

O súbdito país 

O súbdito país existe em uma longa oscilação 
entre o branco e o negro 

agora, a meio do dia, junto-me a ti, sob o a-pique do sol
em bagos rubros de suplício e voz 

coloco no fim destes versos uma lâmina azul
um relâmpago verde no quadrado de Malevitch

as coisas mais simples dizem-se em conjunto

maria azenha
2013-06-27


Nota: Um belo poema, de intencional oportunidade, porque escrito hoje e para o dia de hoje, 27 de Junho de 2013. A Poesia não é neutra. Está sempre comprometida: ou com os sentimentos e com as emoções, ou estilisticamente, na forma e no tema, ou, também, com as causas políticas e sociais. A Poesia é uma superior plataforma de diálogo e de intervenção, mesmo quando é passivamente contemplativa. E pode ser perigosamente subversiva.
AC

Poema: noite em visita - por maria azenha

Pintura de Victor Panchenko
Imagem selecionada pela autora

noite em visita

(poemas destes da solidão da noite
chamam incessantemente por todos)

ela de cabelos brancos
de corpo insurreto
sentada na cama do quarto
não tem ninguém a seu lado
chama chama
chama e volta a chamar
o som do mar bate na voz das paredes
em seus delírios e clarões assustados
é nossa senhora da água que os guia
em tropelias verbais

e escreve no ar com a ponta dos dedos
no seu teatro desesperado de amor
contra dunas sebes janelas de vogais
no grande livro das nuvens

e há estrondos ventos tempestades
lençóis acesos encostados ao enigma
sombras e clamores de sons iluminados
em retângulos incendiados de futuros

lá dentro o marido vocifera bêbado
com a lua na cabeça e a pulseira na eternidade
em sangue e carne e sol queimado nos pulsos

ela com algodão nos ouvidos
em jogos de luz  no escuro
procura no seu dentro invisível um fio
com a boca cheia de silêncio e comprimidos 

Nota: Uma excelente descrição poética da degradação/desagregação de uma relação conjugal, devorada pela velhice, pela solidão e pelos "estrondos ventos tempestades". Ao ler-se o poema, sente-se toda aquela assustadora fragmentação da vida e dos sentimentos, a saltar aos bocados, entre " sombras e clamores de sons iluminados". 
Trata-se de um poema, que se transforma em pesadelo, porque ainda não sabemos se o único destino, desenhado "em retângulos incendiados de futuro", será, na realidade, o procurar o "invisível fio com a boca cheia de silêncio e comprimidos".
Por cada novo poema de maria azenha, procuro sempre uma classificação para as suas metáforas "delirantes", do género, "lençóis acesos encostados ao enigma", metáfora esta, aqui, bem entrosada na corrente discursiva do poema. Atrevo-me a dizer que maria azenha é "subversiva" poeticamente. É que, historicamente, a inovação na Arte, seja ela a Poesia, o Romance, a Pintura, a Dança ou a Escultura, é sempre uma subversão contra o cânone estabelecido. Na Arte, são sempre as vanguardas que fazem as revoluções. É o caso...

A "poeta" Maria Azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema de sua autoria, às quintas-feiras. 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

TODOS NA GREVE GERAL

Imagem do jornal Avante

Quanto mais tarde este governo for demitido, mais difícil se torna recuperar o que já se perdeu. Nada é mais vergonhoso para um povo, do que permitir que lhe roubem a dignidade a independência. E o objetivo desta greve é precisamente acelerar a queda deste governo e correr com a troika, a mãe de todos os males que afrontam.os portugueses. E quanto mais cedo, melhor!

Licenciatura de Relvas já está em tribunal


O Ministério Público (MP) instaurou um processo no Tribunal Administrativo de Lisboa contra a Universidade Lusófona, por causa da licenciatura do ex-ministro Miguel Relvas, disse à agência Lusa fonte do tribunal.
O processo 1596/13.2BELSB deu entrada e foi distribuído à Unidade Orgânica 3 nesta terça-feira, conforme pode ser confirmado no portal Citius do Ministério da Justiça.
Miguel Relvas não é réu nesta acção administrativa, mas figura como contra-interessado, podendo ser envolvido em função da relação com os factos aludidos na queixa, de acordo com o código administrativo, relata ainda a Lusa.
***«»***
Ou eu me engano muito, ou Miguel Relvas ainda vai sair desta caricatura como Professor Catedrático, com direito a indemnização e a retroativos. 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Agradecimento


Agradeço a Ailime a gentileza de ter aderido ao Alpendre da Lua, como amiga/seguidora.

Poema: Um minuto - por Sónia M.

A "poeta" Sónia M.

Um minuto

Parecia ser tão pouco,
um grão de areia no deserto
- um minuto, só um minuto!
era tudo o que me pedias.
Apenas isso te bastou,
um breve e fugaz instante,
para atravessares tudo o que sou
e levares de mim todas as vidas.

Os teus olhos cegaram-me,
vi-me neles, inteira e nua.
Por onde agora me passeias,
em que cidade, em que rua?
Trago odores nos cabelos
de lugares que nunca vi.
E já não sei contar o tempo.
Um minuto é todo um dia,
ou um dia é o minuto,
em que me encho de ti?

Sónia M.


Nota: A "poeta" Sónia M já nos habituou aos seus poemas sentimentais e mais intimistas. É brilhante neste género poético, o que não é fácil, pois é sempre necessário ultrapassar com inteligência, emoção e génio criativo o risco da banalização e da futilidade, a que este género de literatura poética está permanentemente exposto. Mas Sónia M não se repete, ao nível da expressão poética, nas diferentes abordagens aos temas sentimentais, até porque o seu jogo metafórico se apoia numa linguagem muito fluente, em que o elemento surpresa surge, não pela "transgressão" das palavras, mas pela inversão/distorção da realidade objetiva, como acontece neste trecho: "para atravessares tudo o que sou/e levares de mim todas as vidas". Veja-se também a mesma especificidade metafórica, e aqui, também, a grande amplitude do significado abrangente, em " Por onde agora me passeias,/em que cidade, em que rua?". Linguagem simples, mas de uma grande eficácia poética e muito bem construída no plano literário.
Mas todo este labor na construção das palavras (certas) seria inglório se não trouxesse agarrado, ao mesmo tempo, a grande carga emocional de uma poesia muito sentida e que a "poeta" assume sempre numa posição de sofrimento, de dor e de ausência.
AC

A "poeta" Sónia M colabora neste blogue, publicando-se um poema de sua autoria, às terças-feiras.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Adios Rios, Adios Fontes - Rosalia de Castro / Amancio Prada


ADIOS, RÍOS, ADIOS, FONTES

Adios, ríos; adios, fontes;
adios, regatos pequenos;
adios, vista dos meus ollos:
non sei cando nos veremos.

Miña terra, miña terra,
terra donde me eu criei,
hortiña que quero tanto,
figueiriñas que prantei,

prados, ríos, arboredas,
pinares que move o vento,
paxariños piadores,
casiña do meu contento,

muíño dos castañares,
noites craras de luar,
campaniñas trimbadoras
da igrexiña do lugar,

amoriñas das silveiras
que eu lle daba ó meu amor,
camiñiños antre o millo,
¡adios, para sempre adios!

¡Adios groria! ¡Adios contento!
¡Deixo a casa onde nacín,
deixo a aldea que conozo
por un mundo que non vin!

Deixo amigos por estraños,
deixo a veiga polo mar,
deixo, en fin, canto ben quero...
¡Quen pudera non deixar!...

Mais son probe e, ¡mal pecado!,
a miña terra n'é miña,
que hastra lle dan de prestado
a beira por que camiña
ó que naceu desdichado.

Téñovos, pois, que deixar,
hortiña que tanto amei,
fogueiriña do meu lar,
arboriños que prantei,
fontiña do cabañar.

Adios, adios, que me vou,
herbiñas do camposanto,
donde meu pai se enterrou,
herbiñas que biquei tanto,
terriña que nos criou.

Adios Virxe da Asunción,
branca como un serafín;
lévovos no corazón:
Pedídelle a Dios por min,
miña Virxe da Asunción.

Xa se oien lonxe, moi lonxe,
as campanas do Pomar;
para min, ¡ai!, coitadiño,
nunca máis han de tocar.

Xa se oien lonxe, máis lonxe
Cada balada é un dolor;
voume soio, sin arrimo...
Miña terra, ¡adios!, ¡adios!

¡Adios tamén, queridiña!...
¡Adios por sempre quizais!...
Dígoche este adios chorando
desde a beiriña do mar.

Non me olvides, queridiña,
si morro de soidás...
tantas légoas mar adentro...
¡Miña casiña!,¡meu lar!

Rosalía de Castro

A Segurança Social é Sustentável. Trabalho, Estado e Segurança Social em Portugal - Livro de Raquel Varela

*
«Encontrará também aqui o leitor, para além dos dados extensos, uma reflexão crítica e qualitativa destes dados. Quem trabalha, como trabalha e como se organiza sindicalmente? Qual o papel da segurança social na gestão dos desempregados e precários? Qual o valor do rendimento transferido para o trabalho no 25 de Abril? E para a Segurança Social? Como é que o fundo da segurança social é descapitalizado? Ter desempregados é ou não vantajoso para a competitividade no sistema de produção atual? Há alguém de facto excluído nesta sociedade? Ser pobre em Portugal significa o quê para além dos números? Por exemplo, qual é a esperança média de vida com saúde em Portugal? O que significa, económica, social e politicamente, quase 1 milhão de pessoas a depender de subsídios vários (desemprego, desemprego parcial, RSI, etc.)?
Raquel Varela
Com Eugénio Rosa e Manuel Carlos Silva.

***«»***
Interessante! Nunca tinha pensado nesta questão equacionada por Eugénio Rosa sobre a desigualdade percentual, em relação à riqueza líquida criada, das contribuições das empresas de diversos setores de atividade, para a Segurança Social. Empresas em que, percentualmente, os custos do trabalho sejam muito elevados em relação ao produto final, como acontece, por exemplo, nas indústrias transformadoras, maior será o valor percentual, em relação à riqueza líquida criada, das contribuições dessas empresas para a Segurança Social. Pelo contrário, empresas com custos de trabalho mais baixos, como as empresas de eletricidade, o valor percentual daquelas contribuições, em relação ao mesmo referencial, também será mais baixo, criando-se assim, sob uma aparente igualdade de condições nas contribuições para a Segurança Social, uma real desigualdade. Intencionalmente ou não, o sistema premeia as empresas com maior inovação tecnológica e penaliza as que se apoiam numa mão de obra intensiva, o que em termos de solidariedade social é questionável. Parabéns, Raquel Varela, por mais um livro seu. Julgo que está a proceder a um importante estudo de investigação sobre o Estado Social, numa perspetiva inédita e original, o que permitirá conhecer melhor a sua natureza, a sua importância social, a sua sustentabilidade, a sua estrutura de financiamento e de custos, as suas potencialidades e as suas fragilidades, e cujas conclusões poderão ser importantes para o decisor político.

domingo, 23 de junho de 2013

Autárquicas: Combate PS ao PCP tão ou mais importante que luta à direita - João Ribeiro


O porta-voz do PS defendeu hoje que o combate ao PCP "é tão ou mais importante" que o combate à direita, acusando os comunistas de castrarem a liberdade política e serem exemplos de "atavismo" e de "sectarismo".
João Assunção Ribeiro, candidato socialista a presidente da Câmara de Setúbal fez um cerrado ataque aos comunistas no discurso que proferiu perante a Convenção Nacional Autárquica do PS, em que também usou o humor ao definir os "acordos" locais PCP/PSD como sendo "vodka com laranja".
***«»***
Por mim, estou esclarecido sobre o posicionamento do Partido Socialista no atual momento político. O facto de ter assinado o memorando da traição, juntamente com o PSD e o CDS, e perante a sua recusa em assumir, com uma manifestação de firmeza, a sua denúncia, evidencia bem a sua íntima ligação ao capitalismo financeiro europeu e ao seu braço político, as instituições europeias. As próximas eleições autárquicas não devem servir apenas para mostrar um cartão vermelho ao PSD e ao CDS. O cartão vermelho também tem de ser mostrado ao PS, pela sua responsabilidade na grave situação em que o país se encontra. Foram os três partidos do arco da traição que governaram o país durante estes trinta e oito anos. Não foi o PCP nem o BE. 
A linha divisória já não se situa entre o PS e o PSD, que aparentemente só funciona para o circo político da alternância, que é a melhor maneira de prosseguir sempre na mesma política, em defesa do capital. A linha passa agora à esquerda do PS. E as trincheiras dessa linha têm de começar a ser construídas.

sábado, 22 de junho de 2013

Universidade de Coimbra foi hoje reconhecida como Património Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura),

Fotografia do jornal PÚBLICO

O Comité do Património Mundial, reunido em Phnom Penh, no Camboja, justifica a sua classificação num texto publicado no site da UNESCO que se transcreve:

“Situada numa colina sobranceira à cidade, a Universidade de Coimbra, com as suas faculdades, cresceu e evoluiu no interior da velha cidade durante mais de sete séculos.
Os edifícios ilustres da universidade incluem a Igreja de Santa Cruz, do século XII, e algumas faculdades do século XVI, o Paço Real da Alcáçova, que albergou a Universidade desde 1537, a Biblioteca Joanina com a sua rica decoração barroca, o Jardim Botânico do século XVIII e a Imprensa da Universidade, bem como a ‘Cidade Universitária’ criada durante os anos 1940.
Os edifícios da universidade tornaram-se uma referência no desenvolvimento de outras instituições de estudos superiores no mundo falante de português, no qual exerceu grande influência quer no ensino, quer na literatura.
Coimbra é um exemplo notável de uma cidade universitária integrada com uma tipologia urbana específica, com as suas cerimónias próprias e tradições culturais que foram sendo mantidas vivas ao longo do tempo.”
Ver notícia do jornal PÚBLICO
***«»***
Como português, sinto-me orgulhoso com esta honrosa distinção da UNESCO, ao classificar a Universidade de Coimbra como Património Mundial, destacando-lhe, como atributos, a perspetiva material - o seu histórico e harmoniosos conjunto arquitetónico, bem integrado na malha da cidade - e a perspetiva imaterial - a sua importância na difusão da língua portuguesa e da respetiva cultura, através do mundo, até onde chegou o génio da expansão das Descobertas.
A Universidade de Coimbra, que já fazia parte da nossa identidade coletiva, passa a ser agora um dos seus mais importantes símbolos.
Portugal é um dos países do mundo mais respeitados, como se constatou em Phom Penh, no Cambodja, com os delegados dos países do Comité do Património Mundial a contrariarem o parecer do ICOMOS, órgão consultivo da UNESCO, que aconselhava a adiar a decisão. As palavras do representante da India e o da Tailândia foram comoventes e altamente gratificantes para com Portugal. Saibamos nós, governantes e governados, neste momento difícil, respeitá-lo também.
Pela Universidade de Coimbra passaram sucessivas gerações das elites culturais e políticas de Portugal, que foram moldando a nossa sociedade, no seu melhor e no seu pior. Muito dos que os portugueses são hoje, devem-no à Universidade de Coimbra, que formou aquelas elites. Por isso, esta distinção pertence a todos os portugueses.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Fotografia: Mulheres sem corpo, sem idade e sem sorriso! Só olhos!...

Imagem retirada da página do MR5OUT
*
Por mais que o fotógrafo se esforce, a fotografia sairá sempre a preto e branco.

Sebastião Salgado: O silencioso do drama da FOTOGRAFIA

Amabilidade de Diamantino Silva, que enviou este vídeo.

Ao sacrificar a floresta, a industrialização desenfreada, que a globalização promove intensivamente, está a ameaçar a sobrevivência futura da Humanidade. É esta a mensagem de Sebastião Salgado, que, com o seu exemplo, demonstra que é possível inverter este ciclo de destruição, restituindo ao planeta o equilíbrio ambiental e a sustentabilidade necessária, para o deixar habitável para as gerações futuras. 
Em Portugal, aos crimes ambientais, que o cimento provocou em toda a orla marítima e nas zonas protegidas, soma-se agora outro crime, de efeitos mais imediatos: a desarticulação da própria sociedade, que a austeridade predadora, a contento do capitalismo financeiro, está a provocar, espalhando a miséria, acentuando as desigualdades sociais e colocando em risco, através da queda da taxa da natalidade, o equilíbrio demográfico futuro. 
A consciência coletiva do povo português tem de acordar para o drama deste cenário político, social e económico, se quiser, saudavelmente, sobreviver no futuro, com liberdade, segurança,  e prosperidade.

Uma Justiça comprometida com o poder dominante...

Imagem retirada da página do Facebook de Valdemar Nascimento
*
Apesar de não ser comparável a complexidade e, naturalmente, a morosidade dos dois processos judiciais, o da gigantesca fraude do BPN e o daquele cidadão justiçado por eventuais insultos(?) ao Presidente da República, o que nos choca é a extrema lentidão da Justiça, quando os suspeitos ou os arguidos são políticos ou individualidades ligadas ao sistema económico e financeiro.Nenhum processo chega ao fim e ninguém vai para a cadeia. Oliveira e Costa (BPN) passeia-se calmamente pelas ruas de Lisboa e Rendeiro (BPP) goza calmamente a sua fortuna, sem sequer ser investigado o esquema especulativo da sua atividade como banqueiro, esquema esse, idêntico ao que Bernard Madoff montou nos Estados Unidos, mas de maiores proporções, e que lhe custou uma condenação a 150 anos de prisão. O contraste entre o sistema judicial americano e o português é esclarecedor e chocante.
Mas em Portugal é assim. Abusando da ingenuidade, da complacência e da ignorância dos portugueses, a democracia à portuguesa apoiou-se em mais um pilar, este não não institucional, mas de uma grande eficácia: a impunidade dos poderosos.

Um texto de Gonçalo M. Tavares*


"...Eu, de facto, gostava de querer, simplesmente, não interessa o quê, gostava de ter vontade de algo, mas nada. Entende?
- Entendo, sim senhor.
- Diante do mundo frio ou quente, encolho os ombros. Diante dos baixos e dos altos encolho os ombros, diante dos convites e dos ataques encolho os ombros. Enfim, começo a ter dores musculares.
- Onde?
- Nos ombros.
- Entendo. Mas sabe, o meu problema é diferente do problema de Vossa Excelência. Vossa Excelência, diante de um caminho que vira para a direita e um caminho que vira para a esquerda... não vira para lado nenhum. É isso? Senta-se, por assim dizer, a meio do cruzamento. É assim?
- Mais ou menos.
- Pois, comigo é o inverso: quero ir ao mesmo tempo para os dois lados; tenho duas vontades exactamente opostas exactamente ao mesmo tempo.
- Como? Como?
- Vou repetir: tenho duas vontades exactamente opostas exactamente ao mesmo tempo.
- Agora entendi. Vossa Excelência fala muito rápido.
- Mas é isso. Bem que facilitaria ter agora uma vontade e dois minutos depois a vontade oposta. Se fosse assim, apesar de tudo, resolver-se-ia. Mas assim: ter duas vontades exactamente opostas exactamente ao mesmo tempo... assim, é impossível viver.
- Impossível.
- É que eu viro os meus olhos para um lado e os meus pés para o outro. Tropeço, claro, e acabo por não ir para lado nenhum. No fundo, acabo como Vossa Excelência: no meio do cruzamento, imóvel.
- Eu diria que ter duas vontades opostas ao mesmo tempo é o mesmo que não ter vontade nenhuma. Acaba sempre na imobilidade.
- É isso, excelência. É uma questão de matemática: duas acções com sinal contrário igual a... zero. Mais sete menos sete igual a zero.
- Portanto, como o final é o mesmo eu diria que a minha não acção é mais sensata: não faço força nem para um lado nem para outro, deixo-me estar.
- E está bem assim."
Gonçalo M. Tavares
* Texto e imagem do blogue CONVERSA AVINAGRADA.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Poema: Segunda folha DOS CAMINHOS DOS BOSQUES - POEMA VI - por maria azenha


Segunda folha
DOS CAMINHOS DOS BOSQUES

POEMA VI

Ele voltou a cabeça.
não revelou os gestos que talvez os olhos
fossem cegos
iluminou-se entre pequenas faúlhas de ciprestes
interpelou as árvores dos bosques com poemas de acenos
ao crepúsculo,

estávamos às escuras.
disse: isto é o mundo

temos de o percorrer com vogais nas mãos
e os pés unidos em forma de borboleta
colocar asas na boca porque as imagens não
podem voar para trás respirar nos frutos
de cara voltada para a luz

quando fechei o livro, ele tornou a
voltar a cabeça.
sabia que dançar é a história do Universo
vi-o de costas. era belo
e cego.

maria azenha
in " de amor ardem os bosques "

Nota: Depois de ler este poema, lembrei-me subitamente do romance de Saramago, Ensaio sobre a Cegueira, uma história de assombro que nos faz mergulhar num mundo de uma epidémica cegueira, onde os caminhos são percorridos "com vogais nas mãos" e "asas na boca". Não sei se Maria Azenha se inspirou no livro de Saramago. O que sei, é que ela, e recorrendo ao seu inesgotável imaginário metafórico, conseguiu formular uma exemplar definição poética sobre a cegueira, não só aquela cegueira formada por aquela mácula esbranquiçada que tapa a íris, mas também aquela cegueira que se respira nos "frutos de cara voltada para a luz".
AC

A “poeta” maria azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema de sua autoria, às Quintas-feiras. 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Caos informático nas unidades de saúde, acusa a FNAM em comunicado.



FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS

O caos no sistema de informação das unidades de saúde.
Profissionais e cidadãos “à beira dum ataque de nervos”

Se dúvidas existissem acerca da capacidade do Ministério da Saúde e seus departamentos para as tarefas de desenho, atualização e manutenção das várias aplicações que constituem o Sistema de Informação das Unidades de Cuidados de Saúde Primários, as últimas semanas afastaram todas as dúvidas referentes ao pior dos cenários que qualquer observador avisado já previa há muito.
O caos instalou-se na maioria das unidades e, precisamente, nos aspetos mais sensíveis do atendimento aos cidadãos – acesso aos ficheiros clínicos e registos dos médicos (SAM), ao sistema de apoio à prática de enfermagem (SAPE) e ao módulo de prescrição de medicamentos.
Em todo o país, o panorama caracteriza-se por uma assinalável e comprometedora lentidão no acesso e desempenho das várias aplicações, principalmente quanto à prescrição de medicamentos e MCDT, erros técnicos de escrita, sucessivos e frequentes bloqueios do sistema obrigando a reiniciá-lo, desmultiplicação da maioria das receitas admitindo apenas um medicamento em cada uma, levando assim a um consumo irracional de papel (e tonner) para cada consulta.
Contudo, na área da ARS do Norte o problema agravou-se de forma muito preocupante.
O projeto autónomo desta ARS de concentrar num único data center regional toda a informação dispersa pelos múltiplos servidores existentes nos centros de saúde da região sem que para tal tivessem sido previstos os possíveis imponderáveis e tomadas todas as medidas de segurança que uma decisão como esta aconselhava, ocasionou um completo caos nos serviços onde, para além das perturbações decorrentes da lentidão do sistema, se verifica, em muitas unidades, a impossibilidade de acesso à ficha clínica dos utentes e, quantas vezes, ao desaparecimento de informação relevante.
Trata-se duma situação gravíssima que coloca os médicos a trabalhar em situação de risco, uma vez que tais bloqueios podem comprometer o acesso a informação relevante e, desta forma, a própria segurança dos cidadãos. Já para não falarmos sobre o permanente e prolongado stress a que todos os profissionais estão a ser expostos.
Acontece que a ARS do Norte é uma grande empresa, que tem como missão garantir à população da Região Norte o acesso à prestação de cuidados de saúde, e que envolve a responsabilidade pela gestão dum orçamento de funcionamento superior a mil e duzentos milhões de euros (2012).
Alguma grande empresa com um “volume de negócios” deste nível avançaria para uma operação de manutenção da sua base de dados com semelhante leviandade? Sem se debruçar sobre os cenários possíveis e planos alternativos para minimizar os riscos (prejuízos)? Alguma grande empresa poderia dar-se ao luxo de semelhante desperdício?
E que atitude tomam os seus dirigentes perante semelhante descalabro?
Até agora nem uma palavra de informação, justificação, pedido de desculpas, agradecimento aos seus profissionais médicos e de outras profissões, pela forma quase heroica como diariamente dão a cara e procuram minimizar, à custa dum enorme esforço, os constrangimentos com que a administração os contempla.
Afinal, é a imagem do SNS e a qualidade dos serviços prestados que estão em causa. Uma preocupação dos seus profissionais que, pelos vistos, não é acompanhada pela administração.
Apenas dá respostas aos jornalistas dizendo que o problema estaria resolvido até ao final da semana que terminou no dia 14. Não cumpriram.
A FNAM, através dos três sindicatos que a constituem, alerta os médicos que devem estar atentos às eventuais condições de insegurança no desempenho do seu trabalho, e que reportem por escrito todas as limitações e situações de eventual conflitualidade aos Presidentes dos Conselhos Clínicos e da Saúde e Diretores Executivos dos ACES.
As USF e UCSP deverão ainda fazer uma análise cuidada dos eventuais reflexos que estes constrangimentos poderão ter nas metas contratualizadas e, caso tal se verifique, exigir fundamentadamente uma revisão das mesmas e da Carta de Compromisso assinada para o corrente ano.
Como sempre os gabinetes jurídicos dos nossos sindicatos estarão à disposição dos associados.

Coimbra, 18 de Junho de 2013
                                                                                                 A Comissão Executiva da FNAM

Humor: Quando a França for islamizada...


terça-feira, 18 de junho de 2013

Poema: Alma - por Sónia M

Romano, Alma (2011) - Imagem selecionada pela autora.

Alma

Perdi-me de ti na chegada. Cheguei em pranto, partida.
Um vazio revestido de pele, a isto a que chamam de vida.

Que crueldade construir casas que não habitas,
plantar flores em jardins onde não te passeias!
Vestir os dias de ausências e de silêncios,
desde onde me chega a tua voz aflita
como ecos da angústia de outras vidas.

E nunca de ti estive tão perto...

Será teu o sufoco que às vezes sinto?
Serão teus os passos que à noite oiço?
Ou apenas delírios de uma louca, tudo o que de ti pressinto?

Que idade terão as almas?
Quantos regressos somam na procura?
Quantas vezes se cruzam e reconhecem,
incapazes de soltar amarras...

Perdem-se os ponteiros do tempo,
neste mar profundo que nos separa
deixando a ilusão de ser sempre cedo...sempre cedo...
E é tão tarde, meu amor, é já tão tarde...
Tarde para tudo, menos para a noite, onde sempre te sonho.

Sónia M

Nota: Uma vez, uma "poeta", minha amiga, disse-me que "há poemas que não se comentam, apenas se sentem". É o caso deste poema de Sónia M, que nos envolve na densa teia de uma atmosfera de um "amor dorido, dilacerado por um amor ausente", mas que o poema assume estar sempre presente, tal como assume aquela serenidade,  que emerge de todas as emoções traduzidas, a revelar a extrema sensibilidade da "poeta". Trata-se de um intimismo profundo que se abre para o poema.
Tomei a iniciativa de titular de "Alma" este excelente poema (recebido sem título), pedindo emprestada a expressão ao pintor Romano, que a utilizou para título do seu expressivo trabalho de óleo sobre acrílico.
AC  

A "poeta" Sónia M colabora neste blogue, publicando-se um poema da sua autoria, às terças-feiras.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Nuno Crato: "Há muitos professores que não querem aderir à greve


Questionado por que motivo o Ministério não aceitou a solução proposta pelo Tribunal Arbitral, que sugeriu o adiamento do exame para o dia 20, Nuno Crato respondeu que "era uma solução extremamente difícil, já há outros exames marcados para esse dia”. De resto, considerou, dos sindicatos em geral não houve abertura nenhuma e "a calendarização dos exames é muito apertada”.
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Como é que ele sabe? Fez algum inquérito secreto a todos os professores do país? Recebeu cartas de professores a reafirmar-lhe total lealdade? Contou o número de participantes na grandiosa manifestação de professores, do último Sábado, e subtraiu aquele número ao número total de professores em funções, deduzindo, a seguir, cientificamente, que os que não estiveram presentes seriam contra a greve, não lhe passando pela cabeça, nesta complicada conta de subtrair, que muitos professores, não puderam participar, devido à distância dos seus locais de trabalho em relação à capital?
O que se passou à volta da convocação desta greve lançou muita perplexidade junto dos portugueses, que temem uma escalada agressiva de um governo em desespero contra o direito à greve, da qual nenhum trabalhador prescinde, já que constitui a última arma legal de que dispõe para combater as tentativas usurpadoras do Estado e do patronato.
Na sua estratégia, o ministro tentou desacreditar os professores junto da opinião pública, invocando os eventuais prejuízos provocados aos alunos, se os exames não se realizassem nas datas previstas. Ao manter-se irredutível em não adiar a data dos exames, o que era materialmente possível, é o ministro que está objetivamente a prejudicar os alunos.
A greve dos professores tem de ser um êxito, pois, caso contrário, eles perderão tudo o que estão a defender.

domingo, 16 de junho de 2013

Europa quer controlo de tráfego aéreo em "Céu Único"


Bruxelas está de novo a tentar criar um "céu comum" aos 27 Estados Membros da União Europeia, com vista a eliminar a "fragmentação e as ineficiências" na gestão do espaço aéreo. A proposta não é consensual e já deu origem a movimentos de contestação, com uma greve de vários dias dos controladores aéreos franceses.
O plano assenta em quatro pilares, tendo a questão ambiental e a segurança do tráfego de aviões como bandeiras principais, mas não só. "Precisamos de aumentar a competitividade do sector europeu da aviação e criar mais empregos, nas companhias aéreas e nos aeroportos ", afirmou o comissário Kallas.
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Bem me parecia que a União Europeia tinha o Céu Único como limite, embora eu preveja que, a seguir, irá avançar para a gestão do Mar Único (lá se vai a riqueza potencial de Portugal) e do Deus Único (o Papa que se cuide).
Paulatinamente, passo a passo, para não desencadear fortes movimentos de protesto, a Comissão Europeia, obedecendo aos interesses do grande capital, prossegue a sua cruzada federalista, tentando impor o seu resultado como facto consumado, sem que para tal tenha um mandato claro das populações europeias.
Se os dirigentes da União Europeia vão fazer no Céu o que andam a fazer cá da Terra, não tenhamos dúvidas que o Inferno virá a ser uma amarga realidade.

sábado, 15 de junho de 2013

Cinema: LOVEFIELD (Short Film by Mathieu Ratthe)

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Quanto mais a arte cinematográfica utilizar a sua linguagem específica (as imagens em movimento), prescindindo de outras linguagens, mais expressiva e autêntica é a sua afirmação. Foi isso que fez do cinema mudo uma arte universal, e transversal a todos os grupos sociais.
Lovefield é uma curta metragem que atinge em pleno esse desiderato. A história é contada, de forma magistral, só com imagens, utilizando-se apenas, como exceção, o som do crocitar agoirento de um corvo e o som do ranger enervante de uma ferrugenta placa de sinalética toponímica, a ser batida pelo vento. O final, para onde convergem todos os planos narrativos, é verdadeiramente surpreendente.

Última cena de Les uns et les autres (1980) - le Bolero de Ravel

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A todas as minhas amigas e a todos os meus amigos que fazem da Arte um Destino e uma Ambição.

Se a Arte derivou da racionalidade do Homem, sem a qual não teria sido possível a sua existência e evolução, também é verdade que a Arte serviu para humanizar a racionalidade, evitando a sua robotização biológica. O Homem humanizou-se através da Arte, no sentido em que ela lhe moldou o sentido do Belo e do Sublime, do Sonho e da Sublimação, conceitos que mais tarde a Filosofia racionalizou, e que lhe permitiu ultrapassar a fronteira do real e alcançar o o estado da abstracção. Ao contrário da Política, da Economia, das Religiões e da Guerra, é a Arte que une os homens e fomenta a Paz. E é por isso que nos maravilhamos perante uma obra de Arte. 
E é o que acontece ao assistirmos a esta dança, concebida sobre o Bolero de Ravel, em que as duas manifestações artísticas se harmonizam, através das suas linguagens próprias, num equilíbrio estético sublime e grandioso, que desperta intensas e fortes emoções.