sexta-feira, 31 de maio de 2013

Poema: Mulher Maio - por José Carlos Ary dos Santos

Pintura de Rui Alves

E porque hoje é o último dia de Maio..... 

Mulher Maio

Bom dia minha amiga digo em Maio
és uma rosa à beira dum tractor
neste campo de Abril onde não caio
a nossa sementeira já deu flor.

Bom dia minha amiga eu sou um gaio
um pássaro liberto pela dor
tu és a Companheira donde saio
mais limpo de mim próprio mais amor.

Bom dia meu amor estamos primeiro
neste tempo de Maio a tempo inteiro
contra o o tempo do ódio e do terror.

Se tu és camponesa eu sou mineiro.
Se carregas no ventre um pioneiro
dentro de ti eu fui trabalhador.

José Carlos Ary dos Santos

 Publicado por Isabel Faria, através de Carlos Esperança.

Nota: Ary dos Santos foi o grande poeta de Abril. Mas Abril já morreu. É necessário inventar Maio com a Grândola na boca e um cravo na mão.

Falta de vagas no internato médico é hoje debatida na Assembleia


O parlamento vai hoje debater uma petição na qual os estudantes de medicina contestam a falta de vagas para o internato médico, essencial para exercer a profissão, e por isso defendem a redução das vagas nos cursos.
“Só se é médico com internato. É obrigatório que todos os que terminam o mestrado tenham a hipótese de ingressar no internato. Não podemos abrir vagas para estudantes que depois não podem completar a formação”, indicou à agência Lusa o presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM).
***«»***
Há falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), porque os sucessivos governos tudo têm feito, em surdina, para limitar o seu acesso ao Internato Geral (sem o qual um licenciado em Medicina não pode exercer a respetiva atividade), bem como impedir a sua progressão na carreira, através de sucessivos concursos (que não se realizam), a fim de preencher as vagas dos médicos que vão saindo  do sistema. É pois falaciosa, quando os responsáveis políticos vêm justificar as insuficiências a este nível, aquela tentativa de fazer crer que a falta de médicos é uma causa e não uma consequência. 
A este propósito, vale a pena recordar aqui uma história, que ilustra bem a hipocrisia dos responsáveis governamentais, e que me foi contada, há uns anos, pelo primeiro presidente do Sindicato Independente dos Médicos. À margem de uma cerimónia oficial, aquele médico sindicalista abordara o antigo ministro da Saúde, Arlindo de Carvalho, do segundo governo cavaquista, no sentido de o alertar para a necessidade de ir abrindo concursos para a admissão de mais especialistas de Medicina Geral e Familiar (Médicos de Família), que se encontravam suspensos, a fim de prevenir previamente os hiatos geracionais, que inevitavelmente iriam ocorrer, quando a primeira fornada destes médicos viesse a reformar-se. Em tom informal, o ministro ter-lhe-ia confidenciado: "Oh, doutor! Cale-se com isso! É que, por cada médico introduzido no sistema, a despesa dispara logo, pois, ao respetivo vencimento, tem de somar-se a despesa do seu receituário".  
E foi esta visão redutora, e exclusivamente economicista, que norteou a ação de todos os ministros da Saúde posteriores, e que, depois, também acabou por vir a aplicar-se às especialidades hospitalares. 
Fica assim explicado, porque há falta de médicos. Fica assim explicado por que razão milhares de portugueses não têm Médico de Família, o que os obriga a terem de se sujeitar ao martírio matinal da extensa fila de espera, à porta dos seus respetivos centros de Saúde, para se inscreverem numa consulta avulsa do médico de turno, uma prática médica incorreta, já que, deste modo, não se forma um elo de continuidade na importante relação médico/doente, nem os elementos da história clínica poderão ser totalmente valorizados.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Opinião: «Será o fim do neoliberalismo?» - por Joseph Stiglitz


«Joseph Stiglitz: «Será o fim do neoliberalismo?»

«O mundo não tem poupado o neo-liberalismo, esse amálgama de ideias que tem por base a noção fundamentalista de que os mercados se auto-corrigem, aplicam recursos de forma eficiente e servem devidamente os interesses do público. Foi este fundamentalismo de mercado que esteve na génese do “thatcherismo”, da “reaganomics” e do chamado “Consenso de Washington”, que privilegiou a privatização, a liberalização e os bancos centrais independentes focalizados apenas na inflação.
Os países em desenvolvimento têm-se digladiado entre si nos últimos 25 anos e o resultado dessa luta é hoje claro. Os países que adoptaram políticas neo-liberais são os grandes derrotados. E por duas razões. Primeiro, não souberam tirar partido do crescimento. Segundo, quando cresceram de facto, os benefícios ficaram essencialmente nas mãos dos que ocupam o topo da pirâmide.
Por muito que os neo-liberais não queiram admiti-lo, a verdade é que a sua ideologia chumbou ainda noutro teste. Ninguém pode dizer que os mercados financeiros tenham feito um excelente trabalho no final da década de 90. Mas produziu, apesar de tudo, alguns efeitos positivos, como a descida dos custos de comunicação, que resultou numa maior integração da China e da Índia na economia global.
(...)
Os defensores do fundamentalismo de mercado querem agora que os erros do mercado sejam vistos como erros de governo. Um delegado do governo chinês colocou o dedo na ferida: os EUA deviam ter feito mais para ajudar os norte-americanos com rendimentos mais baixos a gerir melhor o problema do crédito hipotecário à habitação. Estou plenamente de acordo, mas isso não altera os factos: os bancos norte-americanos geriram especialmente mal o risco e essa má gestão tem consequências globais. Mas a injustiça é ainda maior quando se sabe que, apesar dos erros, os gestores dessas instituições saíram airosamente e com indemnizações milionárias.
Actualmente, existe uma grande disparidade entre os retornos sociais e os retornos privados. Se não forem alinhados, o sistema de mercado nunca poderá funcionar bem. O neo-liberalismo foi sempre uma doutrina política ao serviço de certos interesses e nunca se fundamentou em teorias económicas. (...)»
Joseph Stiglitz
Diário Económico  

Poema: para voltar ao princípio do mundo - por maria azenha

óleo-Wladyslan Slewinski (Woman Brushing her Hair, 1897)
Imagem selecionada pela autora

para voltar ao princípio do mundo 

sei de uma mulher
que penteava os cabelos ao sol
porque tinha no pensamento uma flor

sei que os lavava ao luar
porque tinha no coração uma corola
para voltar ao princípio do mundo

com a boca mordia o ar
e prendia os vestidos ao vento

era uma mulher sentada numa pedra
coroada por um lírio salgado na fronte

um dia
cortou os cabelos
atirando-os um a um ao mar

e disse: tece-me

e o mar inclinou-se para dentro
para tecer
o poema

maria azenha (2009)
(contagiada por Daniel Faria )
 .........................
O cabelo e o mar: um poema de Maria Azenha

"Para surgir um poema é necessário se despir de ações que embaçam o modo mais simples de tecer um poema-vida. Despir-se de tais ações é cortar os cabelos, pois estes por si mesmos não tecem o poema. Os fios de cabelo fazem esquecer do que propriamente um poema se faz, do que uma vida se faz. Para esse pensamento que se esquece na flor; para esse pensamento que volta o seu coração para uma corola; para esse pensamento que morde o vento, aprisionando-se a um vestido que se recusa a sentir o vento, preciso é levantar-se e cortar o excedente dessas ações.
...
Libertando-se do cabelo é que o feminino encontra a fertilidade do que pode gerar o poema: o mar. Entregar ao mar esses fios é deixar o poema tecer, dizendo ao oceano: “tece-me”. Confiar no mar a atitude de ser com ele o poema revela a mulher que se liberta dos fios que a prendiam para doar ao mundo os fios que se juntam ao mar. União que a tecerá como verdadeira mulher, porque essa é a ação mais simples “para voltar ao princípio do mundo”. 
Jefferson Bessa

A "poeta" Maria Azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema seu, às quintas-feiras.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Notas do meu rodapé: Será a modernidade uma tragédia?


Num debate em que participei no Facebook, a propósito de uma discussão sobre os efeitos nefastos da nova sociedade de informação/comunicação e das novas tecnologias que a suporta, escrevi este comentário, que achei por bem partilhar com os leitores do Alpendre da Lua:

Estou cada vez mais ligado ao mundo, às pessoas, as que conheço e as que não conheço. No entanto, se morrer, ninguém irá dar conta! Anulamos-nos nas multidões invisíveis, que se escondem para lá dos ecrãs das televisões, dos telemóveis, dos computadores e das redes sociais. A solidariedade das sociedades só funciona por choques emocionais e não existe na sua forma racionalizada e organizada. Vivemos, há mais de vinte anos, no meio do turbilhão de uma revolução, que não é só tecnológica, mas a Humanidade acabará por a absorver positivamente, tal como aconteceu com a outra grande revolução que a antecedeu - a Revolução Industrial. Para compreender alguma coisa, o que será sempre insuficiente, temos de olhar para os ciclos longos da História da Humanidade, que abarcam várias gerações, e que registam o axioma invariável, porque permanente, da lei da mudança, com mais ou menos velocidade e intensidade. E neste nosso tempo, porque atingimos a Idade Global, em que se vive o instantâneo e em que a memória se satura, a mudança é muito intensa e veloz, e mais difícil de compreender, o que explica a dificuldade da respetiva adaptação. Mas existe um perigo. Um perigo que não vem da televisão, dos telemóveis, da Internet e das redes sociais. E esse perigo é a Guerra Global, que poderá levar a Humanidade à estaca zero. A atual crise económica e financeira, cuja gravidade não está a ser percecionada em plenitude (é uma crise que ainda não tem solução à vista) poderá desencadear a maior tragédia do planeta.

O Planeta Terra és Tu

Amabilidade da minha irmã Helena
*
O Homem nega-se a si próprio ao provocar uma desapiedada delapidação do planeta. Os demónios que governam tentacularmente o mundo negligenciam o Ambiente, confiando o seu destino à força cega dos mercados e aos desígnios do lucro fácil. Com a globalização não controlada da economia, perdeu-se o sentido de equilíbrio entre o Homem e a Natureza, equilíbrio este que norteou durante milénios a Humanidade. As futuras gerações irão pagar muito caro os desmandos ambientais que estão a ocorrer no nosso tempo, a que se juntam as trágicas repercussões da atual crise mundial. A uma ferida profunda junta-se outra, para agravar a infeção.      

Colapso Econômico, Fome e Miséria Programados e Iminentes

Amabilidade de Campos de Sousa
*
Impressiona a enormidade da gigantesca burla e assusta a gravidade das suas consequências, que poderão desembocar na eclosão de uma Guerra Global. 

Poema: Nada - por Sónia M


Nada

Não pedia nada...
Tão pouco esperava nada.
Habitava a floresta, esquecida,
onde os dias eram nada.
No peito a dor das saudades
dos dias floridos da primavera.
A pele nua rasgada pelos galhos secos das árvores.
Na boca ressequida pelo vento...
apenas um murmúrio...um doce lamento...
de quem não pede nada...
Vagueava perdida por aquele labirinto...
Sem esperar nada...
Foi então que te vi!
Trazias de mil homens a bravura.
Do aço a resistência.
De uma criança a ternura.
No sorriso a magia
de quem conseguia mudar meu mundo!
Com as mãos, abriste caminho até mim.
Não pedia nada...tão pouco esperava nada...
Mas de repente... num segundo...tinha tudo!
Sónia M
***«»***
Nota: Neste poema, Sónia M atreve-se a resolver “poeticamente” um problema, que a filosofia tem perseguido, sem sucesso, desde o tempo em que Tales de Mileto proclamou, com toda a autoridade do seu pensamento, que “Tudo é uno”. Mas o certo, é que ninguém conseguiu definir exatamente o que é Tudo, como, também, não se conseguiu definir o que é “Nada”. São dois absolutos opostos, inatingíveis, que fazem parte da nossa Razão, mas que escapam à nossa realidade. O melhor que se produziu, a este nível, deve-se  ao filósofo Ortega y Gasset, quando afirmou: Buscamos «tudo»; o que temos é sempre o que não é tudo. Deste «tudo», não sabemos nada…  
Por oposição, digo eu, o “Nada é a total ausência do Tudo”, que eu não consigo imaginar projetado no infinito.
Mas, poeticamente, esta oposição está resolvida, porque a Poesia engana a Filosofia, a Ciência e a própria Realidade. À “poeta” bastou encontrar, como ela diz metaforicamente, quem lhe trouxesse a bravura, a resistência, a ternura e o sorriso de uma criança, ou seja a plenitude do Amor. E a beleza deste poema reside na excelente construção poética da malha desse caminho de palavras, que, ao lê-las,  nos transportam de repente, através da envolvência dos afetos, do «Nada» para o «Tudo». Um trajeto do  “Absoluto” que só cabe na Poesia.

A "poeta" Sónia M colabora neste blogue, publicando-se um poema seu, às terças feiras.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Anotação do Tempo: Para não te sentires nua...

Pablo Picasso - O abraço

Para não te sentires nua...

Ardem-me os braços
e o meu corpo é um braseiro
neste abraço que acordou a noite
e derreteu o gelo
leste o meu silêncio
e tu sabias que o teu apelo
trazia a liberdade
para eu renegar a maldição
Pediste aquilo que já te tinha dado
quando quebrámos outros silêncios fractais
cortando amarras e derrubando muros.
O teu corpo está limpo e és uma mulher bonita
e agora estou na tua frente para não te sentires nua.

Alexandre de Castro

Ponte Europa

domingo, 26 de maio de 2013

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, anunciou nova jornada de luta da central sindical para 30 de Maio.


“Mais do que salvar a coligação do Governo, como pretende o Presidente da República, estamos aqui a manifestar-nos para salvar o país de uma política que inferniza as nossas vidas e hipoteca o futuro colectivo da nação”, afirmou Arménio Carlos durante a sua intervenção. Aproveitou para censurar o líder do CDS-PP, Paulo Portas. “Afirma-se como defensor dos reformados, mas não nos esquecemos que foi o CDS que deu cobertura a medidas que atingem esta camada”, disse, indicando os cortes nos subsídios como exemplo. 
***«»***
Trata-se, na realidade, de salvar o país e de reconquistar a dignidade perdida. Trata-se, na realidade, de uma luta para evitar um desastre social de proporções gigantescas.
A CGTP-Intersindical poderá ser o rio principal de todo o nosso descontentamento, para onde devem confluir todos os afluentes, que queiram fazer chegar ao mar a sua água. As trincheiras da luta, que cada um de nós vai construindo, serão inúteis, se não se integrarem num exército organizado, com meios e estratégia para poder derrotar o inimigo - o inimigo interno e o inimigo externo. 

“Carta Aberta” ao Presidente (Esta é forte!!!)


Meu caro Ilustre Prof. CAVACO SILVA,

Tomo a liberdade de me dirigir a V. Exa., através deste meio [o Facebook], uma vez que o Senhor toma a liberdade de se dirigir a mim da mesma forma. É, aliás, a única maneira que tem utilizado para conversar comigo (ou com qualquer dos outros Portugueses, quer tenham ou não, sido seus eleitores).
Falando de eleitores, começo por recordar a V. Exa., que nunca votei em si, para nenhum dos cargos que o Senhor tem ocupado, praticamente de forma consecutiva, nos últimos 30 anos em Portugal (Ministro das Finanças, Primeiro Ministro, Primeiro Ministro, Primeiro Ministro, Presidente da República, Presidente da República).
No entanto, apesar de nunca ter votado em si, reconheço que o Senhor:
1) Se candidatou de livre e espontânea vontade, não tendo sido para isso coagido de qualquer forma e foi eleito pela maioria dos eleitores que se dignaram a comparecer no acto eleitoral;
2) Tomou posse, uma vez mais, de livre vontade, numa cerimónia que foi PAGA POR MIM (e por todos os outros que AINDA TINHAM, nessa altura, a boa ventura de ter um emprego para pagar os seus impostos);
3) RESIDE NUMA CASA QUE É PAGA POR MIM (e por todos os outros que AINDA TÊM a boa ventura de ter um emprego para pagar os seus impostos);
4) TEM TODAS AS SUAS DESPESAS CORRENTES PAGAS POR MIM (e pelos mesmos);
5) TEM TRÊS REFORMAS CUMULATIVAS (duas suas e uma da Exma. Sra. D. Maria) que são PAGAS por um sistema previdencial que é alimentado POR MIM (e pelos mesmos);
6) Quando, finalmente, resolver retirar-se da vida política activa, vai ter uma QUARTA REFORMA (pomposamente designada por subvenção vitalícia) que será PAGA POR MIM (e por todos os outros que, nessa altura, AINDA TIVEREM a boa ventura de ter um emprego para pagar os seus impostos).
Neste contexto, é uma verdade absoluta que o Senhor VIVE À MINHA CUSTA (bem como toda a sua família directa e indirecta).
Mais: TEM VIVIDO À MINHA CUSTA quase TODA A SUA VIDA.
E, não me conteste já, lembrando que algures na sua vida profissional:
a) Trabalhou no Banco de Portugal;
b) Deu aulas na Universidade; no ISEG e na Católica.
Ambos sabemos que NADA DISSO É VERDADE.
BANCO DE PORTUGAL: O Senhor recebia o ordenado do Banco de Portugal, mas fugia de lá, invariavelmente com gripe, de cada vez que era preciso trabalhar. Principalmente, se bem se lembra (eu lembro-me bem), aquando das primeiras visitas do FMI no início dos anos 80, em que o Senhor se fingiu doente para que a sua imagem como futuro político não ficasse manchada pela associação ao processo de austeridade da época. Ainda hoje a Teresa não percebe como é que o pomposamente designado chefe do gabinete de estudos NUNCA esteve disponível para o FMI (ao longo de MUITOS meses. Grande gripe essa).
Foi aliás esse movimento que lhe permitiu, CONTINUANDO A RECEBER UM ORDENADO PAGO POR MIM (e sem se dignar sequer a passar por lá), preparar o ataque palaciano à Liderança do PSD, que o levou com uma grande dose de intriga e traição aos seus, aos vários lugares que tem vindo a ocupar (GASTANDO O MEU DINHEIRO).
AULAS NA UNIVERSIDADE: O Senhor recebia o ordenado da Universidade (PAGO POR MIM). Isso é verdade. Quanto ao ter sido Professor, a história, como sabe melhor que ninguém, está muito mal contada. O Senhor constava dos quadros da Universidade (hoje ISEG), mas nunca por lá aparecia, excepto para RECEBER O ORDENADO, PAGO POR MIM. O escândalo era de tal forma que até o nosso comum conhecido JOÃO DE DEUS PINHEIRO, como Reitor, já não tinha qualquer hipótese de tapar as suas TRAPALHADAS. É verdade que o Senhor depois acabou por o presentear com um lugar de Ministro dos Negócios Estrangeiros, para o qual o João tinha imensa apetência, mas nenhuma competência ou preparação.
Fica assim claro que o Senhor, de facto, NUNCA trabalhou, poucas vezes se dignou a aparecer nos locais onde recebia o ORDENADO PAGO POR MIM e devotou toda a vida à sua causa pessoal: triunfar na política.
Mas, fica também claro, que o Senhor AINDA VIVE À MINHA CUSTA e, mais ainda, vai, para sempre, CONTINUAR A VIVER À MINHA CUSTA.
Sou, assim, sua ENTIDADE PATRONAL.
Neste contexto, eu e todos os outros que O SUSTENTÁMOS TODA A VIDA, temos o direito de o chamar à responsabilidade:
a) Se não é capaz de mais nada de relevante, então: DEMITA-SE e desapareça;
b) Se se sente capaz de fazer alguma coisa, então: DEMITA O GOVERNO;
c) Se tiver uma réstia de vergonha na cara, então: DEMITA O GOVERNO e, a seguir, DEMITA-SE.
Aproveito para lhe enviar, em nome da sua entidade patronal (eu e os outros
PAGADORES DE IMPOSTOS), votos de um bom fim de semana.
Respeitosamente,
Carlos Paz

Carta publicada no Facebook, por Carlos Paz.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

PGR abre inquérito a Miguel Sousa Tavares por chamar "palhaço" a Cavaco


A Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito às declarações do escritor Miguel Sousa Tavares por ter chamado “palhaço” a Cavaco Silva. Pela lei, trata-se de um crime de ofensa à honra do Presidente da República, punível com pena até três anos.
Em comunicado, a PGR considera que “as expressões proferidas na entrevista [publicada nesta sexta-feira no Jornal de Negócios sob o título ‘Beppe Grillo? “Nós já temos um palhaço. Chama-se Cavaco Silva”’] são susceptíveis de integrar a prática do crime de ofensa à honra do Presidente da República”. Tal crime, previsto no Código Penal, é de natureza pública, daí que o Ministério Público tenha decidido instaurar um inquérito.
PÚBLICO
***«»***
A Procuradoria-Geral da República deveria elaborar uma lista com os nomes que poderão chamar-se a Cavaco Silva, sem incorrer na prática de um crime à honra do Presidente da República. E isto deveria ser feito ainda hoje, para evitar a instauração de milhares de processos judiciais na manifestação de protesto de amanhã, junto ao Palácio de Belém.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Desenhos e Pinturas de Afonso Armada de Castro

Equilíbrio 1997- afonso armada de castro

Indio 1998-afonso armada de castro

Infinito 1996-afonso armada de castro

Quatro Estações 1995-afonso armada de castro
*
Por se tratar de trabalhos artísticos do meu filho, eu deveria abster-me de fazer uma qualquer abordagem crítica. No entanto, julgo que não serei acusado de favoritismo nem de parcialidade, se assinalar aqui a capacidade de estilização das formas e a intensidade policromática, muito bem combinada, que ele, de forma incisiva, conseguiu transmitir aos seus quatro trabalhos. 
"Equilíbrio" foi uma obra premiada num concurso para universitários, organizado pelo Diário de Notícias. Posteriormente, foi ilustração de capa do livro de Psicologia, "O que é o Transpessoal?", de Marc-Alain Descamps  É de uma grande beleza geométrica, com as figuras, delicadamente, a desafiarem o equilíbrio, de uma forma que parece periclitante e instável. Há, no seu traço, uma nítida influência de Salvador Dali.
"Índio", com uma grande carga de expressividade e de um pormenor exaustivo, é a obra onde a policromia e a estilização atingem uma eficaz complementaridade estética e funcional, provocando um grande impacto visual. 
As outras duas obras, não perdendo as características das duas anteriores, mergulham a fundo num abstracionismo eclético, onde qualquer significado se perde no emaranhado das cores e das linhas. Em o "Infinito", a ideia de vertigem atinge o olhar e assoma ao pensamento de quem observa o desenho/pintura. 

Poema: "o amor não é de modo nenhum uma receita veloz" - por maria azenha

Fotografia © maria azenha, Abril,16, 2013

"o amor não é de modo nenhum uma receita veloz"

o amor não é de modo nenhum uma receita veloz.
com um pouco de água
cenouras
batatas e cebolas
não se fazem manjares.
também não é uma sopa instantânea
nem tão pouco caseira,
exige traje a rigor
bordado a pontos de travesseiro.
é absolutamente indispensável
ter uma cozinha no universo.
olhar de vez em quando, com ternura, a terra.
deve-se estar elegantemente preparado 
para chorar quando se descascam as cebolas,
observar com rigor cada lágrima
vertê-la para dentro de uma caixinha
e colocá-la de novo no mar,
chuva entre os intervalos da cozedura.
é indispensável 
para lavar a amargura, algum sol.
para que a receita se possa tornar um manjar
um pouco de mel
e o produto final
possa ser assinado 
não por um homem e uma mulher
mas por duas abelhas. 

não esquecer
uma sinfonia durante o tempo de permeio
fogo
muito fogo
primeiro forte
depois suave
cultivando sempre e com rigor a devoção alheia.
de um ingrediente a outro
devem observar-se as nuvens
a temperatura ambiente
fazer pousio,
só depois recomeçar o movimento
à semelhança da nostalgia das dunas
reparar ainda se há depósito de lodo.
deve haver.
para que mais tarde possa nascer
da invisibilidade da água
a maravilhosa flor

maria azenha

Nota: Maria Azenha é já uma "poeta" consagrada, premiada e reconhecida, com mais de uma dezena de títulos publicados. O que se verifica em toda a sua obra, além da elevada qualidade dos seus poemas, é a sua enorme capacidade em diversificar os seus "estilos poéticos". Este poema, que hoje se publica, é um exemplo típico dessa diversidade de processos literários. Convido o leitor a dar uma espreitadela (etiqueta Poesia de Maria Azenha) aos vinte poemas da autora, publicados neste blogue, onde poderá constatar esta asserção. Cada poema busca o seu próprio estilo.
Assim acontece com esta "receita" de amor. Trata-se de um exercício poético em que Maria Azenha mostra como um texto de prosa pode transformar-se num texto poético. Começa-se a ler, e o discurso não é seguramente poesia, mas sim prosa, a falar-nos de cenouras, batatas e cebolas, como se tratasse de uma vulgar receita culinária. Mas, no final do décimo primeiro verso, aparece a frase metafórica "ter uma cozinha no universo", a remeter imediatamente o leitor para o universo poético. O mesmo acontece ao longo do poema, com as frases metafóricas "e colocá-la de novo no mar"(a lágrima), "mas por duas abelhas", "nostalgia das dunas"e "maravilhosa flor". Só com este processo criativo, a linguagem de uma vulgar receita se transforma num poema, que é também uma receita, mas uma receita de amor, bem elaborada literariamente.
Quero deixar aqui, por ser o espaço próprio para o efeito, o amável comentário que a "poeta" Maria Azenha deixou na minha página do Facebook, a propósito do quarto aniversário do Alpendre da Lua, e que não resisto em transcrever: 
"felicitações e agradecimento ao valioso Alexandre de Castro pelos contributos deste blog ...que ainda me faz crer que é possível pensar, refletir e caminhar pela Arte ..."
Obrigado, Maria Azenha.

A “poeta” Maria Azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema seu, às quintas-feiras.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Cartoon: Pedintes - de Pawla Kuczynskiego

Cartoon de Pawla Kuczynskiego
Amabilidade de Pilar Vicente
Os pedintes estão sempre tramados. Estendem a mão e o chapéu e não conseguem ver que estão com os pernas atadas. 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Reis Novais sobre a "selvajaria" - Jugular

Sugestão de João Fráguas e Joaquim Pereira da Silva
*
As políticas austeritárias começaram a entrar em declínio e encontram-se completamente desacreditadas. Já são muito poucos aqueles que as defendem. E isto por duas razões: por um lado, essas políticas têm vindo a revelar-se  contraproducentes, pois, nos países que as adotaram, os objetivos propostos não estão a ser alcançados, verificando-se o falhanço de todas as previsões. Na Irlanda, na Grécia e em Portugal, o que se constata é que a cura é muito bem pior do que a doença, pois as respetivas economias sucumbiram ao peso das medidas de austeridade sobre o consumo privado e a despesa do Estado. Por outro lado, a nível académico, os economistas neoliberais deixaram de se ouvir, perante a evidência dos erros metodológicos e de análise dos estudos de investigação que sustentavam a tese de que uma dívida excessiva seria um verdadeiro travão para o crescimento económico, tese esta que é desmentida, por exemplo, pelo caso do elevadíssimo endividamento da Alemanha, no pós-guerra, que lhe serviu, juntamente com o da acumulação de défices orçamentais, para iniciar a recuperação da sua economia. 
Restam os políticos ortodoxos e empedernidos, que não querem dar-se por vencidos e pretendem esgotar todos os meios, mesmo os mais absurdos, na esperança de que a situação se inverta.  Uma esperança que será inglória. Entretanto, os povos vão continuar a sofrer todas as nefastas consequências da aplicação cega destas políticas, com algumas das suas respetivas medidas a atingirem as raias do absurdo. É o caso, entre nós, da medida prevista para aplicar aos funcionários públicos do quadro de mobilidade especial, que, ao fim de 18 meses de inatividade, deixarão de receber qualquer remuneração, por parte do Estado, embora continuem com o vínculo laboral inalterado. É uma situação verdadeiramente kafkeana, que não abona, tal é a desorientação e o desnorte dos governantes, a favor da sanidade mental dos seus autores e promotores.

Poema: Sem título – por Sónia M

Imagem selecionada pela autora

Poema sem título 

Pousámos juntos na margem.
Despimos as asas
e decidimos ser árvore.
Antes que a voz te morresse na garganta,
perguntaste - Para sempre?

Percebi assim a importância das estações
e soube ainda,
que não havia outro céu,
a não ser aquele,
que acabáramos de enraizar à terra...

Sónia M

Nota: É o instante, o que Sónia M capta neste poema. O instante do momento de um ato e de uma jura de amor, resolvido em duas ou três metáforas significativas, que transmitem a dimensão do poema, cuja densidade poética é encontrada através do recurso hábil aos elementos da Natureza, "árvore", "estações" e "terra", bem enquadrados literáriamente. 
Uma palavra para a excelente imagem, que é de uma beleza e de uma grandiosidade, e que nos esmaga. A profundidade é definida pelas duas solitárias árvores a aparecerem em atitude de desafio no limite do horizonte e por aquele céu ameaçador, que parece não ter fim.
AC

A “poeta” Sónia M colabora neste blogue, publicando-se um poema seu, às terças-feiras.

4º aniversário do Alpendre da Lua


O Alpendre da Lua completa hoje quatro anos de existência. Tem aproximadamente a idade da crise nacional. Por isso não admira que esse tema tenha aqui sido abordado frequentemente.  
Foi um trabalho árduo e paciente, o de se ter conseguido construir um blogue generalista, que tem abordado diversos temas, e de se ter atingido uma audiência  média razoável, que chegou a ultrapassar, no final do ano passado, as seis mil visitas por mês.
Até hoje, atingiram-se, no total, perto de 150 mil vistas e mais de 250 mil visualizações de páginas , tendo sido publicados 3.355 posts.
Os leitores começaram por ser os residentes no território nacional, logo seguidos por leitores do Brasil, cujo número entretanto diminuiu. Em contrapartida, os leitores dos Estados Unidos, essencialmente da Califórnia  (portugueses emigrados), aumentaram consideravelmente a sua presença, a partir de Novembro do ano passado, igualando o número de leitores do território nacional, e chegando, por vezes, a serem o grupo dominante.
A primeira publicação a surgir no Alpendre da Lua foi o poema “Alba” de Eugénio de Andrade, que se reproduz mais abaixo.
A todos os leitores envio as minhas calorosas saudações, ao mesmo tempo que agradeço a sua presença diária neste espaço, bem como a sua compreensão pelos erros cometidos e pelas lacunas existentes.
Alexandre de Castro

ALBA 

Como se não houvera
bosque mais secreto,
como se as nascentes
fossem só ardor,

como se o teu corpo
fora a vida toda,

o desejo hesita
em ser espada ou flor

Eugénio de Andrade

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Agradecimento


Agradeço à Silvia Maria a gentileza de ter aderido ao Alpendre da Lua, como amiga/seguidora.

Portugal será para a Europa o que a província de Trás-os-Montes é para a região de Lisboa.


Montenegro garante que o país “não mais cairá” na “humilhação” de perder a soberania

O líder do Grupo Parlamentar do PSD, Luís Montenegro, garante que “em Portugal não haverá medo da missão de preparar o país” para “não mais cair na humilhação" de perder a soberania”. Isto porque “tivemos de pedir 78 mil milhões de euros para cumprir as nossas obrigações”.
Ao participar na sessão de apresentação de Diogo Mateus como candidato à Câmara Municipal de Pombal, distrito de Leiria, o deputado respondeu às acusações do secretário-geral do PS, António José Seguro, ao dizer que o governo está a lançar a “incerteza e o medo sobre os portugueses”.
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Já perdeu! Portugal já perdeu parte da sua soberania, ao contrário do que diz o líder do Grupo Parlamentar do PSD, Luís Montenegro. E começou logo a perder parte dessa soberania, a partir do momento em aderiu à moeda única, em que teve de transferir para o Banco Central Europeu (BCE) o poder cambial e o poder monetário sobre a moeda, dois instrumentos reguladores essenciais para utilizar nas políticas económicas e financeiras nacionais. Ficou apenas com o poder orçamental, que é absolutamente insuficiente em época de anemia económica e de dificuldades financeiras. E esse poder, que ainda restava, foi imediatamente perdido, quando os partidos do arco da traição (PSD, CDS e PS) assinaram o Memorando da Troika (BCE, UE, FMI). E se essa perda do poder orçamental foi apresentada como medida transitória, enquanto durasse o tal programa de assistência, inicialmente referido, eufemisticamente, como um plano de ajuda, ela irá transformar-se em perda permanente, caso venha a ser adotado o plano da Alemanha, que prevê a submissão prévia ao  visto da Comissão Europeia de todos os orçamentos de Estado dos países da zona euro, o que irá fragilizar ainda mais os países do sul da Europa.
Sem moeda e sem plena independência para elaborar os seus orçamentos de Estado, Portugal, um país pequeno, será submergido pela onda avassaladora do capitalismo alemão, que não terá nenhuns escrúpulos em proceder sistematicamente ao seu saque.
Portugal será para a Europa o que a província de Trás-os-Montes é para a região de Lisboa.

domingo, 19 de maio de 2013

Raha foi a primeira mulher saudita a alcançar o cume do Evereste


Expedição de Raha Moharrak é um marco para a Arábia Saudita, onde o desporto ainda está interdito à maioria das mulheres.
Raha Moharrak, de 25 anos, foi a primeira mulher saudita a alcançar o cume do Evereste, a mais alta montanha do mundo, no Nepal, informaram as autoridades de turismo nepalesas.
De acordo com a organização não governamental Human Rights Watch, a Arábia Saudita, um reino muçulmano conservador, é o único país do mundo que ainda proíbe a participação de mulheres em actividades desportivas nas escolas públicas.
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Não se tratou apenas de um grande feito desportivo. A sua importância reside no significado do corajoso desafio à tirania dos clérigos muçulmanos da Arábia Saudita, que nega às mulheres os direitos da cidadania e o usufruto pleno da sua liberdade, incluindo o direito à prática do desporto, que, naquele país de mentalidade obscurantista e medieval, apenas está reservado aos homens.
As três religiões do Livro, que marcaram totalitariamente o destino milenar de grande parte da Humanidade, sempre tiveram dificuldade em lidar com o corpo e a sexualidade das mulheres, impondo-lhes regras cruéis ao seu comportamento e obrigando-as a uma obediência cega ao poder masculino. A religião islâmica, em muitos países, é aquela que tem resistido ao avanço imparável da modernidade dos direitos universais, que agora também começam a estar em perigo nos países ocidentais,  não já por causas religiosas, mas por outras frentes totalitárias e não menos obscurantistas e perversas, apoiadas na ditadura do capitalismo financeiro, que escolheu outra divindade, o mercado, e outros instrumentos de tortura, a dívida dos países periféricos. As multinacionais da Fé e as multinacionais do Capital complementam-se assim, na sua determinação de domesticarem o Homem, tentando submetê-lo aos seus desígnios e aos seus interesses egoístas. 

Nota: Na sua forma original, este texto foi publicado, contendo duas frases, na sua parte final, que, por erro de revisão, não foram eliminadas atempadamente, aparecendo, pois, descontextualizadas e incorretamente escritas. As minhas desculpas aos leitores.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Pintura: Dora Mar, a amante de Picasso...


Picasso teve grandes amores e desamores, a sua vida e a arte, estão completamente interligadas. A sua vida pessoal, esteve sempre ligada ao trabalho. Quando tinha um novo amor, constantemente o retratava, em suas telas, quando acabava esse amor, fazia as suas figuras distorcidas . As mulheres  de Picasso, sabiam quando estavam a ser trocadas, bastava observarem os seus trabalhos. Um dia confidenciou com o filho: as mulheres que não gosto estou preso, as que amo desaparecem, disse-lhe isto muito irritado. Agora um desabafo meu: talvez não se lembra-se que apenas devemos amar, o que não tem preço.
Até nos amores e desamores ele foi grande .Uma das suas grandes obras foi o quadro a "Guernica" pintado em aguarela e não em óleo. Esta obra, é uma denuncia do bombardeamento desta povoação pelas tropas fascista  franco, apoiadas pelos nazis alemães. Em 1940 com Paris ocupado pelos nazis, um oficial alemão, entrou no seu atelier, diante da fotografia reproduzindo o painel de "guernica" perguntou-lhe se era ele que tinha feito aquilo, Picasso inteligente,  e anti-nazi  respondeu sabiamente " não foram vocês?"
Mário Jorge Neves