quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Poema: A filha de pássaros sem nome conhecido na terra - por Sónia M

Imagem selecionada pela autora

A filha de pássaros sem nome conhecido na terra

Se te perguntarem quem sou, diz apenas, 
que sou filha de pássaros sem nome conhecido na terra.
Que sou aquela, que atravessou o mar do tempo,
com umas quantas penas, às quais ousou chamar de asas.

Pede-lhes por mim perdão,
se em algum ou outro momento,
ouviram os gritos desavisados,
que dei desde dentro das chagas.
Em minha defesa digo, que este céu de lonjuras, me cobriu
de cansaço - uma viagem morosa, que não sei onde,
nem quando termina. 
Tenho sede de beber em fontes, que não sei onde ficam.

E em cada poiso que faço, não sei se cresço, se me desfaço.

Se te perguntarem de mim, diz-lhes agora, que parti. 
Como alimento, levo a grandiosidade de um gesto,
quase divino. 
Quando um desconhecido me para,
me mata a sede e a fome e logo em seguida me aponta
um caminho, como se um deus lhe segredasse  ao ouvido,
ser ali, que tudo me espera, para cumprir o meu destino...

Sónia M

Nenhum voo se faz em solidão. 
Parece haver sempre alguém que nos espera, 
para renovar em nós a esperança e a ilusão da chegada...
Obrigada.

Ao Alexandre de Castro

A poeta Sónia M colabora regularmente no Alpendre da Lua.