terça-feira, 23 de abril de 2013

Poema: Sem título - por Sónia M

Mulher com pássaro - óleo sobre tela  50 x 63 cm.

Meu corpo é feito de pássaros feridos
Em voo breve,  agonizam
acabando por me morrer nas mãos.

E não há línguas que cheguem 
para lamber tantas feridas
escondidas sob o vestido de festa
com sorrisos pendurados na fímbria

em segredo
absorvo a lágrima
e o instante
em que amo apenas o Universo
que conspira
e me concede o direito
a estar (ser) triste.

Sónia M

Nota: Trata-se de um dos primeiros poemas de Sónia M, um dos muitos poemas guardados na memória de um caderninho, que ainda não viram a luz do dia. Mas, já aqui, a “poeta” revela o traço inconfundível de assumir a melancolia e a tristeza como “estados de alma”, notando-se já a afirmação daquela extrema sensibilidade poética, que os poemas posteriores aprofundaram de forma notável, o que me levou já a classificar a autora como a “poeta dos sentidos”. Avaliando pelo registo escrito disponível, é aqui que começa o fascínio de Sónia M pelos pássaros, como elemento metafórico, a “ornamentar” o estilismo da sua poesia.

Sónia M colabora neste blogue, publicando-se um poema seu, às terças-feiras.