terça-feira, 2 de abril de 2013

Poema: Deixa que te ame assim - por Sónia M.

Gustav Klimt – O beijo (1907-1908)
Folha, petróleo e ouro sobre tela- 180 cm x 180 cm)
Osterreichische Galerie Belvedere - Viena

Deixa que te ame assim.

Deixa que te ame assim,
despida de corpo.

Que seja apenas
um pedaço do céu que te cobre.
A nuvem
que de súbito passa
e em ti chora.

O murmúrio rouco
que se escapa dos lábios
enquanto dormes.
O antes, o depois
e o agora,
a fazer morada nos teus sonhos.

Sem lugar para inicio, nem fim
num tempo sem tempo,
despida de corpo,
porque nele não cabe 
e transborda
o rio que corre em mim.

Deixa...
Deixa que te ame assim.

Sónia M

2 comentários:

Sónia M. disse...

Bom dia, Alexandre.
Obrigada pela partilha.

Deixo um beijo

Sónia

Alexandre de Castro disse...

É um poema belíssimo, que não podia escapar à minha rigorosa seleção. E o amor é isto: encontrar a "morada dos sonhos", "num tempo sem tempo" e "sem lugar para início, nem fim". Poema muito expressivo e de uma enorme sensibilidade nos diferentes afloramentos emocionais, que a "poeta" descreve.
Procurei uma ilustração expressiva e forte, com esta célebre pintura de Guatav Klimt, onde a exuberância da cor esconde um pouco o significado da forma, com o autor a querer estabelecer uma hierarquia na relação amorosa. O homem, de pé, a tomar a iniciativa, e a mulher, de joelhos, submissa, a entregar-se ao prazer do beijo. E por falar em beijo, um beijo para a Sónia Micaelo, ao expressar os meus parabéns.