terça-feira, 2 de abril de 2013

Poema: Deixa que te ame assim - por Sónia M.

Gustav Klimt – O beijo (1907-1908)
Folha, petróleo e ouro sobre tela- 180 cm x 180 cm)
Osterreichische Galerie Belvedere - Viena

Deixa que te ame assim.

Deixa que te ame assim,
despida de corpo.

Que seja apenas
um pedaço do céu que te cobre.
A nuvem
que de súbito passa
e em ti chora.

O murmúrio rouco
que se escapa dos lábios
enquanto dormes.
O antes, o depois
e o agora,
a fazer morada nos teus sonhos.

Sem lugar para inicio, nem fim
num tempo sem tempo,
despida de corpo,
porque nele não cabe 
e transborda
o rio que corre em mim.

Deixa...
Deixa que te ame assim.

Sónia M