segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2013 - Feliz Ano Novo...


Um Feliz Ano Novo para todos os leitores, amigos e colaboradores do Alpendre da Lua.

D. Manuel Martins: Governantes "não estão à altura do momento"


Entrevista recente de D. Manuel Martins ao Jornal de Notícias
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D. Manuel da Silva Martins, o emérito bispo da diocese de Setúbal, é uma voz desassossegada,  incómoda  para o atual sistema político, que se mostra insensível em relação à pobreza e às desigualdades sociais, posição corajosa e desassombrada, que contrasta com a da maioria do clero católico, que, ou se cala, ou se alia com as forças sociais e políticas, conservadoras e reacionárias. Foi no período do cavaquismo, durante uma grave crise de desemprego no distrito de Setúbal, marcada pelo registo da fome, a atingir milhares de famílias, que a sua voz de indignação e de protesto se fez ouvir, ganhando ressonância nacional, a tal ponto que foi apelidado de bispo vermelho.
Nesta entrevista, e de uma forma elegante e inteligente, D. Manuel Martins arrasa os políticos do atual governo, acusando-os de incompetentes e autistas. A D. Manuel Martins só faltou dizer que eles deveriam ser submetidos a uma Junta Médica, que os declarasse inaptos para o trabalho da governação. 

A diáspora dos ciganos começou há 1500 anos no Noroeste da Índia


Os ciganos representam a maior minoria da Europa. São cerca de 11 milhões - mais do que a população de Portugal. Mas não possuem registos escritos da sua história nem tão-pouco das suas andanças pelo mundo. Isso levou um grupo de geneticistas de 15 países europeus - Portugal, Espanha, Reino Unido, Bélgica, Holanda, Hungria, Croácia, Eslováquia, Sérvia, Grécia, Roménia, Bulgária, Ucrânia, Lituânia e Estónia - a juntar esforços para tentar determinar, através de uma análise ao ADN das várias comunidades ciganas, a origem e o percurso geográfico da diáspora cigana.
Os seus resultados, publicados online esta quinta-feira na revista Current Biology, fornecem o mais pormenorizado "mapa" existente até agora dessa história demográfica - que se revela, escrevem, "rica e complexa".
Por um lado, os resultados vêm confirmar que, apesar das grandes diferenças culturais, religiosas e linguísticas que existem entre as diversas comunidades ciganas que hoje residem nos países europeus, os antepassados de todos os ciganos vieram do mesmo sítio. Por outro, permitem estimar a data em que os ciganos ancestrais saíram do seu "berço" genético, bem como a data em que teve início a sua expansão pela Europa fora.
A partir de amostras biológicas provenientes das comunidades ciganas de 13 países (todos os acima referidos menos a Holanda e a Bélgica), os cientistas realizaram uma análise global de 152 genomas. A seguir, compararam-nos com os genomas de diversas outras populações - nomeadamente de europeus não-ciganos -, para remontar até ao ponto geográfico de origem dos antepassados dos ciganos actuais e seguir-lhes depois o rasto ao longo do tempo.
"Juntámos as populações e fizemos uma análise muito mais intensiva, ao nível de todo o genoma, com um número de marcadores genéticos extremamente elevado", disse ao PÚBLICO Leonor Gusmão, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup) - e co-autora portuguesa do estudo -, em conversa telefónica a partir do Brasil, onde está actualmente a trabalhar no Laboratório de Diagnósticos por DNA da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
Os cientistas puderam assim concluir que tudo começou no Noroeste da Índia, há uns 1500 anos. E que, uma vez chegados à Europa via Balcãs (mais precisamente a Bulgária), os ciganos começaram, há cerca de 900 anos, a espalhar-se por todo o continente, até à Península Ibérica e ao País de Gales, misturando-se, ainda que de forma limitada, com as populações autóctones que iam encontrando.

Bolas brancas, bolas pretas
A Portugal, os primeiros ciganos terão chegado em 1462. "Estão há mais tempo em Portugal do que os portugueses no Brasil", faz notar Leonor Gusmão. No entanto - e apesar de serem "um grupo extremamente interessante" - têm sido esquecidos pelos geneticistas das populações. "A maior parte das pessoas não faz ideia de onde é que vieram os ciganos."
Uma das particularidades que o novo estudo genético revelou é que a diáspora cigana terá sido o resultado de migrações sucessivas de grupos muito pequenos, quase de grupos familiares. Isso fez com que as diversas populações se diferenciassem rapidamente umas das outras do ponto vista genético.
"Como eram poucos indivíduos", explica a cientista, "nunca representavam totalmente a população de onde tinham saído." E utiliza uma analogia para melhor descrever o fenómeno: é como tirar bolas ao acaso de um saco que contém 25 bolas brancas e 25 pretas. Se tirarmos um número substancial de bolas, digamos 20, é provável que mais ou menos metade das bolas escolhidas seja de uma cor e metade da outra. Mas se tirarmos apenas duas bolas, facilmente ficaremos com duas da mesma cor, o que não será representativo do conteúdo do saco.
Com os genes, acontece a mesma coisa. E foi o que se passou durante a diáspora cigana. "Isso é que é realmente interessante: o facto de tantas diferenças terem surgido entre as populações ciganas, a todos os níveis, em tão pouco tempo", diz Leonor Gusmão. O modo de vida nómada dos ciganos não é alheio a esta característica da sua diáspora.
O facto de a ancestralidade ser indiana foi uma surpresa? Não, responde. Os estudos linguísticos já apontavam para a Índia. "Já sabíamos isso, não fomos nós que o descobrimos." Contudo, a genética permitiu descartar algumas hipóteses quanto ao percurso exacto dos grupos ciganos entre a Índia e a Europa. "Uma das hipóteses", diz Leonor Gusmão, "era que os ciganos teriam chegado à Península Ibérica via Norte de África." Mas os cientistas não encontraram agora qualquer indício genético que permita sustentar essa hipótese. Pode ser que alguns grupos tenham por lá passado, mas, se isso aconteceu, "não deixaram descendentes".
Ana Gershenfeld
PÚBLICO
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Seria impensável, há uma vintena de anos, imaginar que a Genética pudesse vir a ser credora da História e da Antropologia, possibilitando o estudo de populações do passado, através do estudo de amostras do DNA. Anteriormente, já aquelas duas ciências sociais receberam o contributo decisivo da Química, que veio possibilitar, através da técnica da marcação com o isótopo do carbono, o Carbono 14, a datação de achados históricos e pré-históricos. A Linguística, através do estudo da estrutura e da evolução, no tempo, de diversas línguas mortas, ajudou os historiadores na sua investigação sobre os fluxos migratórios do passado.
Poderemos concluir que, quanto mais se especializam e autonomizam as ciências experimentais, devido ao seu vertiginoso desenvolvimento, mais se adensa a complementaridade entre as várias ciências, inclusivamente com as ciências sociais.
Nos últimos sessenta anos, as ciências experimentais conseguiram, com a sua imparável dinâmica, um desenvolvimento do conhecimento, muito superior ao adquirido desde o passado remoto. E esse desenvolvimento vai continuar a crescer, de uma forma exponencial.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Pontapés na Gramática!...


Por que se pergunta "és de Braga" a quem deixa a porta aberta? - Jornal de Notícias
São muitos os que atiram de pronto um irritado "és de Braga?" quando alguém deixa a porta aberta, mas raros os que conhecem uma explicação minimamente plausível para a utilização daquela expressão.
A explicação mais conhecida para aquela expressão tem, de facto, a ver com o Arco da Porta Nova, que, como o nome diz, é uma nova porta na muralha de Braga mandada construir no início do século XVI pelo arcebispo Diogo de Sousa.
Como, na altura, já não havia guerras e como a cidade já se estendia para fora dos muros, não foi colocada nenhuma porta naquele arco, assumindo-se assim os bracarenses como pioneiros em deixar as portas das muralhas abertas.
A partir daí, os habitantes de Braga ficaram para sempre conotados como aqueles que não fecham a porta.
Jornal de Notícias
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Mais uma vez, e agora num jornal de referência, como é o Jornal de Notícias, a Gramática foi pontapeada, tal como acontece com os jogadores de futebol, também eles profissionais de referência, quando abrem a boca para falar para um microfone de uma televisão ou de uma rádio. Mas se compreendemos esses jogadores de futebol, porque admitimos que os seus neurónios lhes tenham fugido para os pés, a mesma complacência não pode ser concedida a um jornal que permite deixar passar um erro gramatical nas suas páginas, e, ainda por cima, e para que o erro assuma maior visibilidade, no título de uma notícia.
A confusão que existe, ao nível da linguagem escrita, entre a utilização das expressões "por que" e "porque", é generalizada, e até julgo que a prevalência da ocorrência desta confusão supera aquela outra, já clássica, sobre a utilização da expressão "há", uma forma do verbo haver, e a expressão "à", contração da preposição "a", com o artigo definido "a". 
Numa frase interrogativa, como é a do título desta notícia, a forma correta de a escrever seria: Porque se pergunta "és de Braga" a quem deixa a porta aberta?
"Porque" é um advérbio (antes do verbo), e era este advérbio que,  na frase em questão, deveria ter sido utilizado, a anteceder a forma do verbo "perguntar". Pelo contrário, utilizar-se-ia a expressão "por que", caso se, em vez de um verbo, a frase se iniciasse por um substantivo: Por que razão se pergunta "és de Braga" a quem deixa a porta aberta?
Aqui, não está apenas em causa a distração ou a ignorância do jornalista que escreveu a notícia, mas também as do editor (chefe de secção), que leu o texto, para o poder editar, e as do chefe de redação, que também teve de o ler para lhe hierarquizar a importância, para opções de paginação.
Para compreender melhor a utilização daquelas duas expressões homófonas, em outros tipos de frases, além das frases interrogativas, remeto o leitor, através do link, incluído no final deste texto, para um post deste blogue, onde o assunto é abordado.
Achei interessante a explicação da origem histórica desta frase idiomática, do léxico popular, "és de Braga", origem essa que desconhecia, assim como desconheço a origem daquela outra "vai para baixo de Braga", que tem um sentido civilizadamente insultuoso.
Nota: Há quem me chame carinhosamente picuinhas, por estar sempre (embora com sentido pedagógico e não com acinte crítico) a apontar erros ortográficos, gramaticais e de pontuação. O que sempre digo nestas situações, é que eu também hesito muito em escrever corretamente certas palavras, principalmente no computador, em que deixa de funcionar a memória visual das palavras, ligada à escrita manual. Por isso, tenho sempre junto a mim um dicionário, que, inclusivamente, já utilizei para escrever esta texto. Mesmo assim, não sei se sobrará um qualquer erro gramatical ou ortográfico.
Não tenho a obrigação de saber tudo, em relação à Língua Portuguesa, mas sei que tenho a obrigação de lhe respeitar as regras gramaticais e ortográficas, regras que não são gratuitas nem inúteis, pois têm o objetivo de a disciplinar, para que o discurso escrito seja integralmente entendido, por quem o lê. E é esta filosofia que os jornalistas do Jornal de Notícias devem recuperar.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Citações: Albert Einstein


“Temo o dia em que a tecnologia se sobreponha à nossa humanidade: o mundo terá apenas uma geração de idiotas". 
Albert Einstein
***«»***
A tecnologia, que sempre teve uma característica libertadora, ao vir facilitar, através dos tempos, a vida do Homem, quer no trabalho, quer no entretenimento, arrisca-se, no nosso tempo, a poder vir a ser opressora e alienante. Ao deslumbramento, perante as maravilhas da tecnologia, poder-se-à seguir um tempo de tristeza, perante a pobreza das ideias e a perda de valores civilizacionais. Julgo que esse tempo já começou. O ciclo fechar-se-á, quando o Homem descobrir a maneira de fazer a guerra sem exércitos.

Portugal irá ser um enorme Lar de Idosos, com frente para o mar...


Houve mais 16 mil funerais do que partos só no primeiro semestre
Este ano o défice demográfico terá a maior expressão de que há memória com o número de mortes a ultrapassar largamente a quantidade de nascimentos.
Os que morrem são mais do que os que nascem em Portugal e os que saem também suplantam os que entram. Já não é novidade dizer que a população portuguesa está a encolher, mas em 2012 este fenómeno terá a maior expressão de que há memória.
Aos défices financeiros Portugal soma défices demográficos consecutivos. Se considerarmos apenas os seis primeiros meses de 2012, morreram quase mais 16 mil pessoas do que as que nasceram em Portugal, o que se justifica em parte devido ao pico da mortalidade verificado em Fevereiro e Março. É muito? Para alguns especialistas, é demasiado. A manter-se a tendência, será "preocupante". Em 2011, o número de funerais suplantou em cerca de seis mil o total de partos, e nessa altura já soaram campainhas de alarme.
PÚBLICO
***«»***
A prazo, a taxa de natalidade, a diminuir alarmantemente, será a grande arma assassina da coesão económica e social de Portugal. Os seus efeitos devastadores irão sentir-se a partir da próxima década, se, entretanto, não for encontrada a forma de encontrar uma alternativa, arrojada e credível, que devolva aos portugueses a esperança que, criminosamente, está a ser-lhes negada pelas gravosas e inúteis políticas de austeridade, que irão reproduzir-se ano após ano até a exaustão final. Chegará então o momento em que "Portugal   irá ser um enorme Lar de Idosos, com frente para o mar"...
Nunca foi tão urgente cantar Fernando Lopes Graça.
Acordai, portugueses!...
*
Acordai

acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!

Poema: José Gomes Ferreira (O Poeta Militante)
Música: Fernando Lopes Graça

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Crónica: A guerra não é entre os povos, que não a desejam, mas sim entre os poderosos, que a decretam...

Soldados alemães e briânicos saíram das trincheiras para confraternizar
e jogar futebol, em Dezembro de 1914, celebrando assim o Natal.
Trégua de Natal
É o termo usado para descrever o armistício informal ocorrido ao longo da Frente Ocidental no Natal de 1914, durante a Primeira Guerra Mundial. Durante a semana que antecedeu o Natal, soldados alemães e britânicos entoaram canções e trocaram saudações festivas entre suas trincheiras; na ocasião, a tensão foi reduzida ao ponto dos soldados de ambos os lados trocarem presentes entre si. Na véspera de Natal e no Dia de Natal, aqueles soldados - bem como soldados de unidades francesas, ainda que em menor número - aventuraram-se na "terra de ninguém", onde se encontraram, trocaram alimentos e presentes, e entoaram cantos natalícios ao longo de diversos encontros. As tropas de ambos os lados também foram amigáveis o suficiente para jogarem partidas de futebol.
A trégua é vista como um momento simbólico de paz e de humanidade no meio de um dos eventos mais violentos da história moderna, mas não foi universal: em algumas frentes de combate, a luta continuou durante todo o dia, enquanto em outras foi feito apenas o trabalho de recolher os corpos. No ano seguinte, algumas unidades estavam dispostas ao cessar-fogo durante o Natal, mas a trégua não foi tão divulgada como em 1914, devido em parte às ordens dos altos comandos de ambos os lados que proibiram tal confraternização. Em 1916, após as sangrentas batalhas de Somme e Verdun e com o início do uso generalizado de gás venenoso, os soldados de ambos os lados cada vez menos enxergavam seus adversários como humanos, e a trégua de Natal não voltou a ser realizada.
A história foi contada no filme "Joyeux Noël - Feliz Natal" de 2005.
Texto e imagem da página do Facebook de Imagens Históricas
Amabilidade de Mari Trindade, que o sugeriu e indicou.

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Na Guerra, tal como nas grandes catástrofes, surgem sempre os heróis, a maioria anónimos, que se destacam pela manifestação dos elevados sentimentos da fraternidade, da solidariedade e da humanidade. O caso aqui relatado demonstra bem que a guerra não é entre os povos, que não a desejam, mas sim entre os poderosos, que a decretam. Os jovens soldados alemães, britânicos e franceses, na arriscada confraternazição natalícia a que se entregaram na época do Natal de 1914 (o primeiro ano da Primeira Grande Guerra Mundial) manifestaram os sentimentos dos seus respetivos povos.
Ao ler este texto, recordei-me imediatamente de José Maria Batista, entretanto falecido, que entrevistei para o jornal A Capital, em Outubro de 2001, na sua residência, em Campo de Ourique, Lisboa, com o objetivo de recolher o depoimento do último soldado vivo do Corpo Expedicionário Português da Primeira Grande Guerra Mundial, e que um ano depois me inspirou a nota, que no mesmo jornal escrevi, a propósito de mais um aniversário do armistício, e que em baixo transcrevo. A história que José Maria Batista me contou é emocionante. O soldado alemão ainda manteve a sua arma apontada para o matar, mas, no último momento, num ato de grande generosidade e humanidade, desistiu do seu intento, talvez porque tivesse pensado que estava na presença de um homem igual a ele....

* *
Crónica em A Capital

"José Maria Batista é o último sobrevivente da Grande Guerra 1914-18, tendo participado na célebre batalha de La Lyz, em 9 de Abril de 1917, onde foi feito prisioneiro pelas tropas alemãs, naquela altura ainda confiantes na vitória final.
Numa entrevista a A Capital, em 31 de Outubro de 2001, José Maria Batista descreveu com emoção o momento em que, ferido com um estilhaço de uma granada e sem se poder mexer, um soldado alemão o desarmou e lhe apontou a sua arma para o matar, para depois, num gesto de grande humanidade para com o prisioneiro de guerra e elevando-se acima da barbárie da guerra, compartilhar com ele a água do seu cantil e dividir os seus últimos dois cigarros, que restavam. E foi nesse momento, em que perdeu a liberdade e compreendeu o que eram os sentimentos de humanidade e de fraternidade, que José Maria Batista, segundo disse, "tomou consciência  daquela guerra e daquele inferno", que assombrou o mundo e endoideceu Deus.
Depois do cativeiro, da libertação, e do armistício, que se comemorou ontem, José Maria Batista regressou a Portugal e voltou a abraçar a vida de ferroviário, a sua paixão de sempre.
Pelo caminho, o reconhecimento recente. Em 1998, pelas mãos do embaixador de França em Portugal, foi condecorado com o grau de Cavaleiro da Legião de Honra, condecoração essa que exibe com orgulho".
Alexandre de Castro
Jornal A Capital
11 de Novembro de 2002

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Boas Festas...

Imagem da Google

Os votos de Boas Festas a todos os leitores, amigos e colaboradores do Alpendre da Lua.

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Jeracina Gonçalves, pela sua decisão de se inscrever como amiga/seguidora deste blogue.

Poema: Natal 2012 - de Olímpio Alegre Pinto

Salvador Dali - Tentação de Santo António

Natal 2012

A meu Filho

À minha Família
Aos meus Amigos
Aos meus Camaradas

A meus Amores

Combaterei!!!
E mesmo que me prostre a última exaustão...
Pedirei Forças à Alma de Deus
E levantar-me-ei!
E... ainda mais lutarei!!

Combaterei, sempre!!!
- Para que acabe o ódio!
- Para que não haja egoísmo!
- Para que findem as guerras!
- Para que não corra mais sangue!
- Para que todos sejamos Irmãos!

E, da Maldade... defender-me-ei!!

Combaterei, sempre!!!
- Para que as crianças não chorem!
- Para que as Mães não sofram!
- Para que os velhos não sintam a dor da fome...
E da solidão!

- Combaterei pela Terra...
- Pela nossa Casa...
- Pela Mãe Natureza!

E para que, um dia, longínquo, um Irmão possa, talvez, pensar:
- Não foi neutro, nem imparcial!
- Foi pela Vida, e pela Justiça!

Olímpio A. Alegre Pinto
Natal, 2012

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Anotação do Tempo: Tanto tempo para chegar ao fim do tempo!...


Tanto tempo para chegar ao fim do tempo!...

Tantas sementes lançadas ao vento
nesse mundo novo que se fez Império!...
Tanto mar salgado, rasgado e navegado
e tanta terra gentia descoberta!...
Tanto ferro para tanta cruz,
tantos braços para todas as alfaias e espadas!...
Tanta pedra para os padrões,
erguidos em recônditas praias!...
Tantas igrejas e fortalezas
tantas opulentas grandezas
tantas alegrias coloridas a entronizarem o Destino
e tantas tristezas cinzentas a golpearem o tempo!...
Tanto tempo para ver a árvore nascer
para depois, sem lucro, sem glória e sem poder,
a ver morrer!...
Tanto tempo para as joias e os dedos perder!...
Tanto tempo!...
Tanto tempo para chegar ao fim do tempo!...

Alexandre de Castro
Lisboa, Dezembro de 2012
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Nota do autor: À primeira vista, este poema poderá vir a correr o risco de ser interpretado como uma narrativa saudosista de pendor colonialista, que exprimisse a nostalgia do império. Não! Não é!
No passado, fui um militante anticolonialista, que enfrentou perigos, e hoje sou um militante que assume uma frontal oposição contra um colonialismo de novo tipo, que não necessita de assegurar militar e administrativamente a ocupação territorial dos países, sobre os quais um novo tipo de fascismo - o fascismo financeiro internacional – está a querer exercer o seu domínio, de forma cruel e humilhante. Portugal é um desses países que está a ser vítima da nova barbárie, a dos grandes e farisaicos agiotas - os internacionais e os indígenas - e a dos seus serventuários políticos, que agem sob as suas ordens.
Este poema (pobre na métrica e falido na estrutura e no tema) pretende apenas colocar uma questão de primordial importância, através de uma pergunta muito incómoda: Teria valido a pena construir este país com oito séculos de História, com todas as suas grandezas e todas as suas misérias, e que, agora, está à beira de um descomunal abismo, onde irá suicidáriamente precipitar-se, por culpa da incúria, da incompetência, do nepotismo, da criminosa conivência com interesses contrários ao bem público das elites políticas, económicas, financeiras e culturais? Deixo a pergunta e o poema à reflexão dos leitores.

As marcas que Portugal deixou no mundo!...

Portuguese Empire Heritage
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“Herança Portuguesa
Portugal construiu cerca de 800 fortalezas e fortins fora da sua casa mãe, criando o Mundo Luso, seu Protectorado.
Vejam estas fotos e desistam de considerar Portugal apenas um cantinho à beira da Europa.
Nunca o foi !
A ALMA PORTUGUESA É TÃO GRANDE QUE NÃO CABE NA EUROPA ! Transborda e abraça todo o planeta.”
Amabilidade do Olímpio Alegre Pinto
***«»***
O visionamento das imagens do vídeo inspirou-me o poema que publicarei no post imediatamente a seguir.

Poema: Folha branca - por Sónia M


Folha branca

É esse jeito com que chegas
...de mansinho,
meio a medo, meio a espanto,
ao veres as janelas de mim tão abertas,
para entrar o cheiro que de ti adivinho,
que tanto me enche de encanto.

E toda eu me deslizo para a mão
...que te estendo,
num sorriso rasgado da euforia,
a inundar este triste coração,
por saber que pouco minha já vou sendo,
pelo muito que levas a cada dia.

E é tanto o enleio que fazemos
pelo que levas e deixas em troca,
que somos a teia que tecemos,
à espera dessa noite que ainda falta,
em que eu chego com a folha branca,
e tu com a pena,
para os dois escrevermos
o que vês no fundo dos meus olhos.

Sónia M

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Gabinetes de José Dirceu promoveram a entrada de Efromovich na TAP


Na primeira quinzena de Novembro de 2011, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, sócio e irmão de José Dirceu, veio a Lisboa falar com altos responsáveis. Semanas antes, Miguel Relvas tinha recebido Efromovich, a pedido do empresário.
As consultoras brasileiras e portuguesas ligadas ao antigo chefe da Casa Civil do ex-Presidente da República Lula da Silva, José Dirceu, condenado a mais de 10 anos de prisão pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção activa no caso Mensalão, promoveram a candidatura de Gérman Efromovich à privatização da TAP, a única proposta de compra da companhia aérea nacional que chegou a ser avaliada pelo Governo de Passos Coelho.
As movimentações para o Estado vender a TAP a Gérman Efromovich, dono da companhia aérea colombiana Avianca-Taca (ligada à Avianca Brasil), arrancaram em Setembro/Outubro de 2011 quando o ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares Miguel Relvas recebeu o empresário (a pedido deste) para falar do possível investimento na TAP.
Os encontros foram confirmados ao PÚBLICO por Miguel Relvas: “O ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares recebe pedidos de audiência de vária índole” e “nesse âmbito, confirma que recebeu, em Setembro e Outubro de 2011, pedidos de audiência do empresário mencionado para falar com o Governo português sobre as suas intenções de poder vir a investir em Portugal”.
Os encontros “foram concedidos e decorreram, como é usual, com a maior cordialidade”. Relvas garante que desde que a privatização arrancou nunca mais teve contactos com Efromovich. Este empresário nasceu em 1950, na Bolívia, nacionalidade que recusou para assumir a colombiana (Avianca-Taca), a brasileira (Avianca Brasil) e a polaca/europeia (TAP).
Dias depois de Relvas ter recebido Efromovich começaram os contactos para ajudar Efromovich a entrar na TAP. Assim, na primeira quinzena de Novembro, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, sócio e irmão de José Dirceu de Oliveira e Silva, deslocou-se a Lisboa para desenvolver contactos, ao mais alto nível, financeiros e políticos. O PÚBLICO apurou que as reuniões foram articuladas com o escritório de advocacia português Lima, Serra, Fernandes & Associados (LSF), liderado por Fernando Lima, parceiro dos vários gabinetes de José Dirceu.
Contactado pelo PÚBLICO para comentar o papel que desempenhou na promoção da candidatura de Efromovich à compra da TAP, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva começou por fazer uma confusão o que o levou a declinar pronunciar-se por não conhecer Abramovich [o multimilionário russo dono do clube inglês Chelsea]. Mas, depois dos necessários esclarecimentos, acabou por confirmar que veio a Lisboa, mas “só fui recebido pelo dr. Ricardo Salgado, presidente do BES”.
Para falar de Miguel Relvas aconselhou o PÚBLICO a falar com o advogado João Serra [sócio do Lima, Serra, Fernandes & Associados]: “Fala com o João Abrantes Serra. [...] porque neste momento, estamos a passar aqui por uma situação complicada e estamos a evitar contactos.” Uma menção ao Caso Mensalão que tem no epicentro o irmão, José Dirceu.
Recorde-se que O Globo, na sua edição de 28 de Outubro, publicou uma crónica de Ancelmo Gois onde este escreveu: “Quem está ajudando o empresário Gérman Efromovich a comprar a TAP é o ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares de Portugal, Miguel Relvas” que “tem amigos influentes no Brasil – inclusive, Zé Dirceu.”
Em declarações ao PÚBLICO o jornalista referiu que Relvas possui, no Brasil, “uma rede de amigos” e observou que existe, hoje, “grande articulação entre as autoridades colombianas [a Avianca tem sede em Bogotá] e o Governo português.”
Foi só depois de Luiz Eduardo ter regressado a São Paulo que os nomes de Efromovich/Avianca/Sinergy (empresa através da qual o colombiano concretizou a sua oferta de compra da TAP) começaram a integrar de forma permanente e generalizada as listas dos potenciais candidatos a comprar a TAP, uma das privatizações mais delicadas e polémicas, nomeadamente por estar em causa uma empresa de bandeira emblemática e estratégica para Portugal.
Contactada pelo PÚBLICO, fonte oficial de Efromovich negou conhecer José Dirceu, Luiz Eduardo Oliveira Silva, João Serra ou Fernando Lima, apesar de no Brasil o seu nome ser colocado como estando próximo dos petistas ligados a Lula da Silva e a José Dirceu. Já o BES optou por não comentar as informações, enquanto João Serra alegou dever de sigilo profissional para não responder ao PÚBLICO.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Humor: Despedidos com justa causa...

Amabilidade do Carlos Campos de Sousa
Ao fim de dois mil anos, descobriu-se que o burro e a vaca viviam amancebados, numa relação contranatura.

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao José Luiz Sarmento e ao Tavares, pela sua decisão de se inscreverem como amigos/seguidores deste blogue.

sábado, 15 de dezembro de 2012

DIGNIDADE SIM, ESMOLA NÃO - DEPUTADA ARRASA MINISTRO DA SEGURANÇA SOCIAL


Amabilidade do Diamantino Silva, que enviou o vídeo.
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Quem propõe a caridade como solução para mitigar as situações de extrema pobreza persegue dois objetivos principais: perpetuar o empobrecimento e condicionar os comportamentos de quem a recebe. A caridade humilha. A caridade subverte a dignidade. Ao contrário dos direitos sociais, que têm consagração legal, a caridade repousa no livre arbítrio ocasional e exige, como retorno, um agradecimento implícito. A caridade institucionalizada é uma arma de poder para as organizações que a praticam, embora elas procurem exibir um falso altruísmo de fachada. A caridade não é politicamente neutra, pois aceita o conceito da inevitabilidade da pobreza e orienta-se pelo paradigma da resignação, perante as desigualdades sociais. A caridade ilude os pobres e sossega os ricos. A institucionalização da caridade é uma falsa solução, que só vem estimular o aumento da pobreza.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Portugal divergiu desde a criação do euro e a tendência deverá acentuar-se

Portugal: Variação anual do PIB per capita e do consumo público e privado
per capita em paridade do poder de compra

Dados de 2011 mostram a maior queda do PIB per capita português face à média europeia desde pelo menos 1995.
Ao fim de 14 anos com o euro como divisa, Portugal não conseguiu concretizar a desejada convergência com os seus parceiros da União Europeia. No final do ano passado, o seu nível de bem-estar económico em comparação com a média da UE era já mais baixo do que no ano da criação da moeda única e a tendência, neste ano e nos próximos, é, segundo as últimas previsões, de ainda mais divergência.
PÚBLICO
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Se outros argumentos não existissem, esta manifesta divergência  entre Portugal e os países da UE, de dois dos indicadores macro económicos mais importantes, o produto e o consumo, deixa bem claro que a adesão à moeda única foi um enorme erro estratégico. O outro grande erro foi a aceitação acéfala e acrítica do Memorando de Entendimento, disfarçadamente imposto pelas instâncias europeias. E, tal como aqui insistentemente temos defendido, e como para grandes males, grandes remédios, a única solução de tornar o país viável passará pela denúncia daquele memorando, pela renegociação da dívida (não a qualquer preço) e pela rápida saída do euro, adotando uma moeda nacional que possa, através da desvalorização, ajustar-se melhor ao estado da economia. Portugal deve seguir o exemplo da Argentina que, no início deste século, correu com o FMI, e libertou a sua moeda nacional, o peso, da anteriormente imposta correlação com o valor do dólar. Hoje, a Argentina é um país em franco crescimento, sustentado por um setor exportador dinâmico.

Anotação do Tempo: Quando danças à espera do meu abraço…


Quando danças à espera do meu abraço…

Pluma de uma dança esvoaçante, silhueta de luz
flutuante, na delicadeza dos teus passos
o corpo a desdobrar-se, ganhando formas
e sentidos em constantes movimentos.
Ondulações suaves na busca da harmonia,
cortando o ar ao dardejar dos braços,
em apelos vibrantes ao fogo do meu olhar
e a cavalgar os hinos de sinfonias mitológicas,
que decifras a cada instante.

Sinto o bafo quente que exalas quando falas
desse teu corpo que se eleva, suspenso e tenso,
numa leveza etérea, ausência da gravidade
que a todos amarra à Terra,
e és uma linha firme, o fio de uma lâmina
brilhando no firmamento,
na apoteose final do meu abraço…
Alexandre de Castro
Lisboa, Novembro de 2012
http://soniagmicaelo.blogspot.pt/2012/12/quando-dancas-espera-do-meu-abraco.html#comment-form
http://ponteeuropa.blogspot.pt/2012/12/momento-de-poesia_12.html

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Desempregados fazem de Pai Natal por 43 cêntimos/hora


Quatro desempregados foram contratados pela Associação Empresarial de Penafiel para se vestirem de Pai Natal por 43 cêntimos à hora. Os animadores, operários da construção civil, no final do mês somam 83 euros, mais subsídios de transporte e alimentação.
Os Pais Natal trabalham de segunda-feira a domingo e permanecem seis horas e meia por dia nas casinhas natalícias espalhadas pelas ruas da cidade. O trabalho consiste em distribuir balões e afeto a quem passa, notícia o Jornal de Notícias.
São operários da construção civil, atualmente desempregados, que se sujeitam a receber 83 euros por 30 dias de trabalho. Vários outros desempregados estão revoltados com a maneira como se efetuou o processo de recrutamento, pois esperavam que a notificação fosse "uma proposta séria de trabalho', diz o JN.
Diário de Notícias
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Portugal no seu máximo esplendor! Engasguei-me com a notícia. Não me escandalizei, porque já estou a habituar-me ao horror, ao cheiro nauseabundo do pântano, à perfídia e à maldade.
... A mim, bem me queria parecer que o Pai Natal era um imigrante ilegal, a trabalhar no duro, sem contrato de trabalho.

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Isabel Santos Ribeiro, pela sua decisão de se inscrever como amiga/seguidora deste blogue.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Revolução, precisa-se!...

A Crise aumenta na medida em que a população se Cala!
Amabilidade do Diamantino Silva
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Na Geografia Política de Portugal, quantos rios, ribeiros e regatos não vão desaguar ao mar da corrupção?! E é esse mar que nos vai engolir a todos. Claro, os donos dos iates salvam-se.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Atenção senhor primeiro-ministro! ISTO É CRIME!...


Mães sem dinheiro dão leite de vaca a bebés de poucos meses, com riscos para saúde
Mães sem dinheiro para comprar leite em pó estão a alimentar bebés de poucos meses com leite de vaca, ou juntam mais água às fórmulas artificiais, o que pode prejudicar a saúde das crianças.
Estes casos são do conhecimento dos serviços sociais da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, que cada vez mais atendem mães com "grandes carências", a maior parte devido ao desemprego, como disse à Lusa a assistente social Fátima Xarepe.
"Todos os dias recebemos pedidos de ajuda", disse, explicando que os mais frequentes são para a compra de leite em pó, de medicamentos, como vitaminas ou vacinas que não constam do Plano Nacional de Vacinação, e produtos de higiene.
Estas mães "fazem o melhor que podem", disse Fátima Xarepe, que lamenta nem sempre a maternidade poder ajudar, nomeadamente no fornecimento de leite em pó, apesar de contar com o apoio da Associação de Ajuda ao Recém-Nascido (Banco do Bebé) e outras instituições particulares de solidariedade social.
A pediatra Cristina Matos conhece esta realidade e as consequências da ingestão de leite de vaca antes de um ano de idade, como gastroenterites.
"Estamos a recuar 50 anos", disse à Lusa, acrescentando que são cada vez mais as mães que, para o leite em pó render, juntam mais água do que o devido.
Isso mesmo confirmou a enfermeira Esmeralda, que consegue identificar o acréscimo excessivo de água ao leite em pó, principalmente através do atraso no crescimento do bebé.
Segundo Fátima Xarepe, são mais de mil os pedidos de ajuda que os serviços sociais já receberam este ano, e que não se limitam à alimentação dos recém-nascidos.
"Há grávidas que não vêm às consultas de vigilância por não terem dinheiro para os transportes, o que as coloca em risco, assim como aos bebés", disse esta assistente social, que não tem dúvidas de que estes casos, cada vez mais graves e frequentes, vão aumentar por causa da crise.
Estas profissionais sentem-se impotentes, apesar de tentarem fazer "o melhor" que sabem, pois apesar de o serviço público de saúde ser gratuito para as grávidas, estas muitas vezes não conseguem assumir outras despesas, como é o caso dos transportes.
"Há grávidas que vêm a pé de Chelas [o que pode demorar cerca de uma hora], porque não têm dinheiro para pagar o transporte", disse.
Este ano, o Banco do Bebé recebeu 3.430 pedidos de ajuda, apoiaram 971 crianças e 62 no domicílio.
Dos cerca de 4.000 partos anuais na MAC, perto de 10 por cento resultam em crianças sinalizadas por estarem em risco de serem negligenciados.
A MAC comemora hoje o seu 80.º aniversário, tendo assinalado a efeméride com uma conferência com o psicanalista Coimbra de Matos, durante a qual este falou sobre a importância de cuidar e amar.
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa
iOnline
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Espero que o senhor primeiro-ministro não tenha na manga nenhum plano sinistro para pôr os portugueses pobres e remediados (2/3 da população) a viver e a comer numa pocilga de porcos.
O senhor primeiro-ministro, com o seu discurso reciclado, fotocopiado da cartilha oficial para os bons alunos da UE, preocupa-se muito que Portugal respeite os seus compromissos para com os credores internacionais, mas, por outro lado, ignora ostensivamente os compromissos do Estado português para com os pensionistas e os reformados, a quem rouba o dinheiro que eles descontaram durante uma vida de trabalho honrado. Portugal já não vive em democracia. Portugal vive numa cleptocracia.
Não bastando já os enormes sacrifícios impostos aos idosos, os portugueses são agora confrontados com esta realidade vergonhosa, a de condenar à subnutrição e à fome os lactantes e as crianças em idade escolar, o que permite comparar Portugal a um país africano de um qualquer Bokassa. Ou será que Passos Coelho é já o Bokassa português, em versão light.
Um  primeiro-ministro que, conscientemente, com as suas políticas assassinas, desprotege as crianças e os idosos tem de demitir-se ou ser demitido. É o pior governante de Portugal desde D. Afonso VI. E este aviso vai também direitinho para o Presidente da República,, que, por ação ou omissão, dá total cobertura a este governo.
A História os julgará, se, antes, o povo enfurecido não os julgar e condenar primeiro.
 http://www.ionline.pt/portugal/maes-sem-dinheiro-dao-leite-vaca-bebes-poucos-meses-riscos-saude#.UL-d-mciDsY.blogger

domingo, 9 de dezembro de 2012

Taxar os Ricos (um conto de fadas animado)


Amabilidade do Diamantino Silva e do Joaquim Pereira da Silva
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Uns, poucos, perceberam logo à primeira. Depois, mais uns outros também vieram a perceber o esquema da fraude. Aqueles que continuavam ingenuamente a acreditar na bondade do sistema só perceberam quando a crise lhes bateu em cheio na cabeça. Mas ainda há uma maioria que nunca irá perceber o que está a acontecer-lhe.
A ignorância da maioria é o cimento do poder da minoria.

sábado, 8 de dezembro de 2012

A dívida como arma de agressão...

Imagem retirada da página do Facebook de Sónia Micaelo

"Há duas maneiras de conquistar e escravizar uma nação. Uma é através da espada e outra é através da dívida".
John Adams

Uma grande verdade, que, agora, no nosso tempo, está a ser posta em prática. Há dias escrevi que o imperialismo está construir um novo tipo de colonialismo, que dispensa a ocupação territorial - o colonialismo financeiro. E a dívida é a arma da agressão utilizada.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O segredo de Justiça será uma arma de arremesso? *


A notícia chocou meio mundo (deste pequenino rectângulo). Medina Carreira, foi alvo de buscas pela PJ, no âmbito da operação Monte Branco. Nao é o assunto das buscas que me choca. Num processo desta natureza, haverá certamente muitas mais. Chocam-me duas coisas: a personalidade envolvida e a celeridade com que o segredo de justiça foi mais uma vez violado. E a culpa não é dos jornalistas, que cumprem a sua missão. É da promiscuidade que existe entre o poder judicial e os media, que até leva a que juizes desembargadores sejam comentadores de televisão. Também podem dizer que se assim não acontecesse muitas traquibérnias seriam do desconhecimento público. É verdade. Mas qualquer notícia destas deixa uma marca indelével de suspeição sobre as personalidades visadas. Medina Carreira nunca foi pessoa que me inspirasse qualquer simpatia, nem profissional nem política. No entanto, espero que, dando-lhe o benefício da dúvida, os próximos episódios esclareçam ràpidamente este situação, que já pôs em polvorosa muito boa gente.
Joaquim Pereira da Silva
* Título da responsabilidade do editor do Alpendre da Lua.
Nota do editor:
É na realidade inadmissível que a investigação judicial deixe que um qualquer suspeito seja enxovalhado na praça pública. A liberdade de informar e de ser informado, que eu acerrimamente defendo, cada vez mais está em conflito flagrante com o direito ao bom nome e ao direito à presunção de inocência de um qualquer cidadão.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Uma visão premonitória sobre o futuro...

Amabilidade do João Fráguas
As civilizações não são eternas. Nascem, crescem, atingem o apogeu, entram em declínio e, depois, morrem ou ficam moribundas. Algumas, poucas, passados muitos séculos. ressuscitam. É o caso da China. Em 2050, o mundo será chinês, o conhecimento irradiará da China, e a língua internacional será o mandarim.
Os sinais de degenerescência no mundo ocidental e, particularmente, na Europa são mais que evidentes.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Com uma toponímia destas, o que é que queriam?!...


O governo está com sérias dificuldades em extinguir estas freguesias, no âmbito da reforma administrativa em curso. As respetivas populações não querem abdicar daquilo que consideram ser o seu património toponímico. É certo que os habitantes de algumas freguesias não se importariam de associar-se com freguesias com topónimos afins, mas as respetivas localizações territoriais encontram~se em concelhos diferentes, o que inviabilizou a proposta.
Assim,, os habitantes de Paneleiro de Baixo, da Guarda, gostariam de mudar o topónimo para Paneleiro de Cima e associarem-se aos de Tiracalça, de Castelo Branco. Já os habitantes de Vale da Rata, de Viana do Alentejo, gostariam de receber euforicamente os da Picha, de Pedrogão Grande. Os habitantes de Rego do Azar, de Ponte de Lima, e os de Rego Travesso, de Tábua, abraçaram a bondade da ideia, justificando-a com o benefício de ficarem com dois regos. Quando um rego entupisse, abria-se o outro.
Os mais ambiciosos, foram os habitantes da freguesia de Monte do Coito Grande, que queriam associar-se com as freguesias Catraia do Buraco, Colo do Pito, Fonte da Rata, Entalada e Esfrega. Dizem eles que, com uma fusão destas, até formavam um concelho.

Schäuble: "Comparação com a Grécia não me parece adequada”

O amigo alemão e a voz do dono

Vítor Gaspar considera que foi alimentada “uma considerável confusão no debate público em Portugal”, a propósito da possibilidade de o pacote de medidas negociadas para a Grécia serem extensíveis a outros países sob programa de ajustamento, no qual se inseria o programa português.
O ministro das Finanças fez estas declarações no final da reunião do Eurogrupo, onde se encontrou com Wolfgang Schäuble, o responsável pelo tesouro alemão que, horas antes, tinha “aconselhado” o governo português a “não dar o passo” no sentido de pedir a equiparação das medidas.
Recorde-se que o ministro Vítor Gaspar adiantou na Assembleia da República que “Portugal e Irlanda, de acordo com o princípio de igualdade de tratamento, serão beneficiados pelas condições abertas no quadro do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira”.
Mas, ontem, o ministro alemão trouxe Gaspar à realidade colocando um ponto final no assunto, ao afirmar no Parlamento Europeu que “seria um sinal terrível” que Portugal pedisse condições equiparadas às do programa grego. O ministro francês das Finanças, que também estava presente concordou.
O ministro alemão das Finanças colocou ontem um ponto final na expectativa criada em torno da possibilidade de Portugal vir a beneficiar de condições idênticas às decididas na última reunião do Eurogrupo, a propósito do futuro da dívida grega. Antes da reunião do Eurogrupo, os Gaspar e Schäuble encerraram o assunto.
“Eu não aconselharia Portugal a dar esse passo porque a comparação com a Grécia não me parece adequada”, afirmou Wolfgang Schäuble, no Parlamento Europeu
Dinheiro Vivo
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Com amigos destes, eu prefiro ter inimigos...
Em relação a este lamentável incidente, em que Portugal foi duplamente humilhado, impõe-se tirar a seguinte conclusõão:
Portugal é um pau mandado da Alemanha. Nunca, na nossa longa História de mais de oito séculos, existiu um governo como o atual, totalmente disponível para ser teleguiado por uma potência estrangeira, neste caso, a Alemanha. Salazar levantou a bandeira do "orgulhosamente sós", a sinalizar a independência do país, com a arrogância de um ditador, cego e surdo à luz e ao ruído de um mundo que estava a mudar. Vítor Gaspar ergue o cartaz do "orgulhosamente sós" da mais execrável subserviência. Vítor Gaspar, que não passa de uma metáfora do Excel, parece um menino de coro a papaguear o discurso encomendado por Angela Merkel e por Wolfgang Schäuble. E a primeira vez que ele se atreveu a reproduzir a voz de um outro dirigente da Europa, de segunda categoria, o luxemburguês Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, levou logo um puxão de orelhas de Wolfgang Schäuble, que o desautorizou no Parlamento Europeu, humilhando-o. Vítor Gaspar, que quer continuar a ser considerado o melhor aluno do clube do euro (um cargo europeu espera por ele, certamente), prometeu cumprir o castigo, que lhe foi imposto, e que consiste em dizer vinte vezes que foram os jornalistas a interpretar mal as suas palavras. Será desmentido.
Uma nota para a França. Afinal, Hollande, quer na política interna, quer na política externa, e, particularmente, em relação a Portugal neste caso específico, o da extensão a Portugal das condições mais favoráveis dadas à Grécia, aliviando-lhe um pouco a carga dos juros da dívida pública e, ao mesmo tempo, prolongando a respetiva maturidade, desmente nas ações concretas as promessas que fez na campanha eleitoral das presidenciais francesas. A sua solidariedade, em relação à Grécia e Portugal, esfumou-se. Não se diferencia nada do seu antecessor. Exceto num aspeto: Sarkozy beijava melhor Angela Merkel, nos grotescos espetáculos do circo das conferências europeias.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Ele há cada uma!...


A ser assim puxado por esta trela, não me importava nada de ser cão!...

Slogan político na Roménia: "Roubo menos que os outros"

"Roubo menos que os outros"

O ecologista Gabriel Raduna, candidato a deputado em Iasi, tenta convencer os seus eleitores com o curioso slogan no país onde a imunidade parlamentar é vista como um escudo contra os processos em tribunal.
"Se dissesse que não roubo, as pessoas não acreditavam", afirmou Raduna. Assim, o seu slogan para as eleições de 9 de dezembro é simples: "Eu roubo menos que os outros."
Segundo os números do Instituto para as Políticas Públicas, dez deputados (incluindo ex-ministros) atualmente acusados ou a ser julgados por corrupção são novamente candidatos em lugares elegíveis.
Diário de Notícias
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Palavra de honra!... E eu que cheguei a pensar que era Portugal que já estava em campanha eleitoral!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

"Governo de esquerda deve preparar saída do euro"


O deputado do PCP Agostinho Lopes defendeu hoje que um governo "patriótico e de esquerda deve preparar o país para a saída da zona euro", advertindo que "é uma ilusão" pensar que o federalismo é solução.
"Há duas ilusões a evitar, a que é possível uma política alternativa com a manutenção do euro e mais federalismo como querem o PS e o Bloco de Esquerda e a ideia de que tudo se resolve com uma saída pura e simples do euro, qualquer que seja a forma como se sai e as condições de saída", advertiu Agostinho Lopes.
Diário de Notícias
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Sendo a moeda um instrumento vital para a economia que serve, o seu valor deve adaptar-se às necessidades dessa mesma economia, o que não aconteceu com o euro em relação à economia portuguesa. Já aqui afirmámos que, no dia em que o euro começou a circular em Portugal, a competitividade externa da economia portuguesa desvalorizou-se na mesma proporção da valorização do euro em relação ao escudo. Embora muitos estrangulamentos tivessem ocorrido na década anterior, principalmente ao nível da dívida pública e ao da dívida dos bancos nacionais, que começaram a crescer a partir de 1995, todos os indicadores macroeconómicos sofreram um agravamento a partir da adesão à moeda única. O consumo interno, com o destaque para os bens não transacionáveis, passou a ser o motor da economia, que entretanto estagnava, devido ao fraco crescimento das exportações, que nunca mais atingiram o ritmo de crescimento assinalável da segunda metade da década de oitenta. É pois admissível concluir que a moeda única é uma das causas (não a única) da grave crise do momento atual, e que a submissão à política imposta pela União Europeia veio agravar dramaticamente.
Deixemos-nos de ilusões. Quanto mais tarde Portugal denunciar o memorando da troika, quanto mais tarde exigir condições aceitáveis para uma reestruturação da dívida e quanto mais tarde sair do euro, mais difícil será libertarmos-nos deste ciclo infernal de somarmos constantemente mais austeridade à austeridade já existente. A prosseguir a política assassina do governo do PSD/CDS, que até já pretende hipotecar a qualificação dos jovens, com o seu projeto de acabar com a gratuitidade do ensino, e ao aceitar acriticamente a posição do Partido Socialista, que nem sequer é capaz de querer denunciar a submissão ao memorando da troika, Portugal terá apenas como garantia futura a perpetuação de uma crise profunda e duradoura.
http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2921281