sexta-feira, 30 de novembro de 2012

GAROTO DE PROGRAMA DA 3ª IDADE

Clicar na imagem para a ampliar
São só vantagens!...
Adenda: No Facebook, e em minha defesa, tive de acrescentar o seguinte:
"Também podemos ver isto como um caso de escandaloso oportunismo, o que me levou a escrever o seguinte a uma amiga, que pôs em causa a minha virilidade, num comentário que acabei por eliminar: "O velhinho da história está a fazer concorrência desleal. Com Alzheimar e Parkinson também eu fazia figura".

XIX Congresso do PCP: Jerónimo exige demissão do Governo e eleições antecipadas


Jerónimo de Sousa exigiu esta sexta-feira, na abertura do XIX Congresso do PCP, em Almada, a “derrota definitiva” do actual Governo com a sua demissão e a realização de eleições antecipadas.
... Jerónimo de Sousa defendeu a rejeição do “pacto de agressão”, como qualifica o memorando da troika, e a consequente renegociação da dívida, a valorização do emprego e da produção nacional, a alteração radical da política fiscal, a garantia das funções sociais do Estado, a recuperação do Estado no comando da economia e a libertação do país das imposições externas como alicerces fundamentais da actuação dos comunistas.
... “Uma política ao serviço do povo e do país que exige desde logo a derrota definitiva deste Governo e sua demissão”, disse. Mas acrescentou que dessa ruptura terá que resultar forçosamente uma nova política, até porque o país “não está condenado ao ciclo vicioso do rotativismo de alternância e não se limita nem se esgota no actual quadro partidário e, muito menos, se confina aos partidos da troika”.
... não contam com o PCP os que pretendem fazer da Constituição “um texto sem valor” ou “rasgá-la definitivamente”. A Constituição, disse, consagra um projecto que corresponde "nos seus traços essenciais aos objectivos da luta" comunista.
PÚBLICO
***«»***
Com uma clareza cristalina, Jerónimo de Sousa definiu assim as condições mínimas do PCP para aceitar uma política de convergência da oposição ao atual governo. Compete às outras forças da oposição, aos partidos institucionais e aos atomizados grupos políticos, entretanto surgidos, mas cuja importância não pode ser menorizada, pronunciarem-se. É que, muitas coisas podem ser feitas contra o PCP, mas, para inverter a situação política atual, nada poderá ser feito sem o PCP. Tem objetivos políticos claros, sem armadilhas de linguagem e sem subterfúgios. Tem uma organização invejável. Tem uma influência decisiva no mundo sindical. E, acima de tudo, tem História.

Carta aberta a Passos Coelho


Carta aberta a Passos Coelho

Exmo. Senhor Primeiro-Ministro,

Os signatários estão muito preocupados com as consequências da política seguida pelo Governo.
À data das últimas eleições legislativas já estava em vigor o Memorando de Entendimento com a Troika, de que foram também outorgantes os líderes dos dois Partidos que hoje fazem parte da Coligação governamental.
O País foi então inventariado à exaustão. Nenhum candidato à liderança do Governo podia invocar desconhecimento sobre a situação existente. O Programa eleitoral sufragado pelos Portugueses e o Programa de Governo aprovado na Assembleia da República, foram em muito excedidos com a política que se passou a aplicar. As consequências das medidas não anunciadas têm um impacto gravíssimo sobre os Portugueses e há uma contradição, nunca antes vista, entre o que foi prometido e o que está a ser levado à prática.
Os eleitores foram intencionalmente defraudados. Nenhuma circunstância conjuntural pode justificar o embuste.
Daí também a rejeição que de norte a sul do País existe contra o Governo. O caso não é para menos. Este clamor é fundamentado no interesse nacional e na necessidade imperiosa de se recriar a esperança no futuro. O Governo não hesita porém em afirmar, contra ventos e marés, que prosseguirá esta política - custe o que custar - e até recusa qualquer ideia da renegociação do Memorando.
Ao embuste, sustentado no cumprimento cego da austeridade que empobrece o País e é levado a efeito a qualquer preço, soma-se o desmantelamento de funções essenciais do Estado e a alienação imponderada de empresas estratégicas, os cortes impiedosos nas pensões e nas reformas dos que descontaram para a Segurança Social uma vida inteira, confiando no Estado, as reduções dos salários que não poupam sequer os mais baixos, o incentivo à emigração, o crescimento do desemprego com níveis incomportáveis e a postura de seguidismo e capitulação à lógica neoliberal dos mercados.
Perdeu-se toda e qualquer esperança.
No meio deste vendaval, as previsões que o Governo tem apresentado quanto ao PIB, ao emprego, ao consumo, ao investimento, ao défice, à dívida pública e ao mais que se sabe, têm sido, porque erróneas, reiteradamente revistas em baixa.
O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo.
A recente aprovação de um Orçamento de Estado iníquo, injusto, socialmente condenável, que não será cumprido e que aprofundará em 2013 a recessão, é de uma enorme gravidade, para além de conter disposições de duvidosa constitucionalidade. O agravamento incomportável da situação social, económica, financeira e política, será uma realidade se não se puser termo à política seguida.
Perante estes factos, os signatários interpretam – e justamente – o crescente clamor que contra o Governo se ergue, como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem seguindo, sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências.
É indispensável mudar de política para que os Portugueses retomem confiança e esperança no futuro.
PS: da presente os signatários darão conhecimento ao Senhor Presidente da República.
Lisboa, 29 de Novembro de 2012

MÁRIO SOARES
ADELINO MALTEZ (Professor Universitário-Lisboa)
ALFREDO BRUTO DA COSTA (Sociólogo)
ALICE VIEIRA (Escritora)
ÁLVARO SIZA VIEIRA (Arquiteto)
AMÉRICO FIGUEIREDO (Médico)
ANA PAULA ARNAUT (Professora Universitária-Coimbra)
ANA SOUSA DIAS (Jornalista)
ANDRÉ LETRIA(Ilustrador)
ANTERO RIBEIRO DA SILVA (Militar Reformado)
ANTÓNIO ARNAUT (Advogado)
ANTÓNIO BAPTISTA BASTOS (Jornalista e Escritor)
ANTÓNIO DIAS DA CUNHA (Empresário)
ANTÓNIO PIRES VELOSO (Militar Reformado)
ANTÓNIO REIS (Professor Universitário-Lisboa)
ARTUR PITA ALVES (Militar reformado)
BOAVENTURA SOUSA SANTOS (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS ANDRÉ (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS SÁ FURTADO (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS TRINDADE (Sindicalista)
CESÁRIO BORGA (Jornalista)
CIPRIANO JUSTO (Médico)
CLARA FERREIRA ALVES (Jornalista e Escritora)
CONSTANTINO ALVES (Sacerdote)
CORÁLIA VICENTE (Professora Universitária-Porto)
DANIEL OLIVEIRA (Jornalista)
DUARTE CORDEIRO (Deputado)
EDUARDO FERRO RODRIGUES (Deputado)
EDUARDO LOURENÇO (Professor Universitário)
EUGÉNIO FERREIRA ALVES (Jornalista)
FERNANDO GOMES (Sindicalista)
FERNANDO ROSAS (Professor Universitário-Lisboa)
FERNANDO TORDO (Músico)
FRANCISCO SIMÕES (Escultor)
FREI BENTO DOMINGUES (Teólogo)
HELENA PINTO (Deputada)
HENRIQUE BOTELHO (Médico)
INES DE MEDEIROS (Deputada)
INÊS PEDROSA (Escritora)
JAIME RAMOS (Médico)
JOANA AMARAL DIAS (Professora Universitária-Lisboa)
JOÃO CUTILEIRO (Escultor)
JOÃO FERREIRA DO AMARAL (Professor Universitário-Lisboa)
JOÃO GALAMBA (Deputado)
JOÃO TORRES (Secretário-Geral da Juventude Socialista)
JOSÉ BARATA-MOURA (Professor Universitário-Lisboa)
JOSÉ DE FARIA COSTA (Professor Universitário-Coimbra)
JOSÉ JORGE LETRIA (Escritor)
JOSÉ LEMOS FERREIRA (Militar Reformado)
JOSÉ MEDEIROS FERREIRA (Professor Universitário-Lisboa)
JÚLIO POMAR (Pintor)
LÍDIA JORGE (Escritora)
LUÍS REIS TORGAL (Professor Universitário-Coimbra)
MANUEL CARVALHO DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa)
MANUEL DA SILVA (Sindicalista)
MANUEL MARIA CARRILHO (Professor Universitário)
MANUEL MONGE (Militar Reformado)
MANUELA MORGADO (Economista)
MARGARIDA LAGARTO (Pintora)
MARIA BELO (Psicanalista)
MARIA DE MEDEIROS (Realizadora de Cinema e Atriz)
MARIA TERESA HORTA (Escritora)
MÁRIO JORGE NEVES (Médico)
MIGUEL OLIVEIRA DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa)
NUNO ARTUR SILVA (Autor e Produtor)
ÓSCAR ANTUNES (Sindicalista)
PAULO MORAIS (Professor Universitário-Porto)
PEDRO ABRUNHOSA (Músico)
PEDRO BACELAR VASCONCELOS (Professor Universitário-Braga)
PEDRO DELGADO ALVES (Deputado)
PEDRO NUNO SANTOS (Deputado)
PILAR DEL RIO SARAMAGO(Jornalista)
SÉRGIO MONTE (Sindicalista)
TERESA PIZARRO BELEZA (Professora Universitária-Lisboa)
TERESA VILLAVERDE (Realizadora de Cinema)
VALTER HUGO MÃE (Escritor)
VITOR HUGO SEQUEIRA (Sindicalista)
VITOR RAMALHO (Jurista) -que assina por si e em representação de todos os signatários)
***«»»***
Perante a iminência do desastre a que Potugal foi conduzido, eu chego a pensar que Portugal necessita mais da honestidade dos políticos do que da sua competência, uma associação rara, que apenas alguns exibiram no passado. Mas, em Passos Coelho e Vitor Gaspar, as duas vertentes completam-se: são perigosamente desonestos e intrinsecamente incompetentes. Não são os interesses dos portugueses que eles perseguem. Estão a mais. Devem demitir-se para ir ocupar os lugares que ambicionam nas instituições europeias.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Poema sem título - por Sónia M


És sepulcro
de mais uma das minhas mortes.
Morri tantas vezes,
como as que pensei renascer.
Mortes que duram instantes...
que os relógios não marcam.

Quantas vezes terei ainda que morrer?

De todas,
trago comigo os fantasmas,
sobrevoam a cidade
e os meus passos,
em gritos estridentes...

Apenas eu lembro essas vidas que foram...

Há a pressa em esquecer os abraços,
o cheiro e os sorrisos.
Ainda que esqueças os meus beijos
e as carícias ao fim da tarde,
será este mais um dos vultos
que me assustam e perseguem,
para me lembrar do que é e não foi.
Fora de mim,
apenas o ar que respiro,
o meu e o teu, se lembrará de nós.
Sónia M

Poema oferecido pela autora ao Alpendre da Lua.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

MANIF 14NOV12: Carta/requerimento de Garcia Pereira ao director nacional da PSP.


Carta/requerimento de Garcia Pereira ao director nacional da PSP.

Exmº Senhor
Director Nacional da PSP
Largo da Penha de França, nº 1
1199-010 Lisboa – Fax 21 814 77 05

Lisboa, 23 de Novembro de 2012

Exmº Senhor Director Nacional

Na dupla qualidade de Cidadão e de Advogado, e com vista a instruir queixas de natureza criminal, cível e disciplinar contra os responsáveis que se venha a apurar terem tido alguma espécie de intervenção em factos susceptíveis de consubstanciar ilícitos, quer de natureza penal, quer de natureza civil, quer de natureza disciplinar, venho por este meio requerer a Vª Exª, ao abrigo do artº 61º e segs. do Código do Procedimento Administrativo me sejam fornecidas as seguintes informações.
a) Quem deu ordem para a carga dos elementos do Corpo de Intervenção no passado dia 14 de Novembro e qual foi a ordem específica que lhes foi dada ?
b) Em particular, tal ordem era no sentido de afastar e/ou deter os manifestantes suspeitos de atirarem objectos à polícia e que se encontravam mesmo em frente aos elementos do Corpo de Intervenção ou a de atacar e ferir todos os manifestantes presentes no Largo de S. Bento e zonas adjacentes ? E isso, mesmo após tais manifestantes estarem a dispersar ou não poderem reagir por estarem encurralados contra um fosso de mais de 2 metros de altura ?
c) Existiram ou não entre os manifestantes agentes da PSP à paisana, e em caso afirmativo com que instruções ? Por que razão se deslocaram os mesmos para trás dos elementos do Corpo de Intervenção escassos segundos antes da carga destes ?
d) Quem deu a ordem para que fossem efectuadas cargas à bastonada, ao pontapé e com utilização de cães sobre os cidadãos que, depois da primeira carga em frente à escadaria, se encontravam em, ou dispersavam para, outros locais, como por exemplo pela Av. D. Carlos abaixo e artérias adjacentes ?
e) Quem deu instruções e com que objectivos para que agentes à paisana em toda a zona entre a Av. D. Carlos I e a Estação do Cais do Sodré atacassem à bastonada e matracada vários cidadãos ?
f) Quem deu ordens e instruções para que tais agentes não se identificassem e para que os que se encontravam fardados não tivessem as respectivas placas identificativas ?
g) Quem deu a ordem para a detenção das dezenas de cidadãos que foram detidos na Estação do Cais do Sodré ? Quem é o responsável pela sua condução às esquadras para que foram levados, e em especial à do Monsanto ?
h) Quem deu ordens para que não fosse permitida a tais detidos efectuarem telefonemas para os seus familiares ou para os seus Advogados ?
i) Quem deu ordens para que, de tais cidadãos, os que necessitavam de assistência não a tivessem tido, tendo ficado com feridas na cabeça a escorrer sangue ?
j) Quem deu ordens para que alguns dos detidos e detidas fossem forçados a despir-se por completo e/ou a sujeitar-se a revistas absolutamente humilhatórias como as de os obrigar a, todos nus, se dobrarem para a frente e a exibir o ânus ?
k) Quem deu ordens para que o cidadão João Lopes Barros Mouro, detido pelo Chefe Américo Nunes pelas 18H30 tivesse ficado sob detenção durante 13 horas, primeiro nas imediações do Parlamento e, depois, no Hospital de S. José ? E de quem é a responsabilidade da ordem de impedimento de entrada na Esquadra do Calvário aos 4 Advogados que ali compareceram pelas 03H00 da madrugada de 15/11, entre os quais o signatário e o Presidente do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados, Sr. Dr. Vasco Marques Correia ? Quem deu instruções aos agentes que nessa noite atendiam o telefone do número geral da PSP bem como os das diversas esquadras da PSP para que não informassem os familiares e Advogados dos detidos (que por eles perguntavam) da localização destes ? E para invocar, designadamente perante a Comunicação Social, o completo desconhecimento da detenção das dezenas de cidadãos, referir apenas 7 detenções, mais tarde apenas 8 e depois apenas 9 detenções (ou seja, somente os que foram a Tribunal de Pequena Instância Criminal no dia seguinte) ? Quem autorizou e/ou ordenou que os agentes da PSP que procederam aos espancamentos e às detenções proferissem, dirigindo-se aos cidadãos, expressões como “Vocês são uns portugueses de merda !”, “Filhos da puta”, “Cabrões”, “Vão para o caralho !”, “Olha para o chão, caralho, não levantes a cabeça !” ? Quem autorizou e/ou ordenou que agentes da PSP, sem autorização da respectiva Presidência, tivessem invadido as instalações do Instituto Superior de Economia e Gestão e aí insultassem e agredissem manifestantes e estudantes do Instituto ?Quem autorizou e/ou ordenou que agentes da PSP algemassem cidadãos apertando-lhes brutalmente os polegares com abraçadeiras plásticas, como sucedeu com uma das detenções efectuadas pelo Chefe Américo Nunes ?
p) Qual a identificação dos outros elementos da PSP que integravam a brigada chefiada pelo referido Chefe Américo Nunes quando a mesma actuou na zona da Av. D. Carlos I ?
q) Quem autorizou que agentes policiais fardados mas sem placas identificativas, e envergando passa-montanhas escuros agredissem cidadãos em vias de serem detidos e mesmo depois de detidos ?
r) Qual a identificação dos agentes da PSP que procederam à filmagem dos manifestantes ? Quando se iniciaram tais filmagens e por ordem de quem ? Pediu e obteve antecipadamente a PSP autorização da Comissão Nacional de Protecção de Dados para efectuar tais filmagens (que, como foi tornado público, já por duas vezes foram consideradas ilícitas pela referida Comissão) ?
s) Por ordem de quem, e com que objectivo, foram recolhidos elementos de identificação (e outros não exigidos por lei, como por exemplo os telemóveis) das dezenas e dezenas de detidos que não foram levados a Tribunal de Pequena Instância Criminal ? E em que “expediente” ou “processos” ou ficheiros foram tais elementos incorporados e com que suporte legal ?
Fico, pois, aguardando o fornecimento no prazo máximo legal de 10 dias – artº 61º, nº 3 do supra-citado CPA – dos elementos ora solicitados.
Mais informo que cópia deste requerimento será nesta data remetida ao Sr. Provedor de Justiça, à Srª Procuradora Geral da República, ao Sr. Inspector-Geral da Administração Interna, ao Sr. Bastonário da Ordem dos Advogados, ao Sr. Presidente do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados e ao Sr. Presidente da Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República.
E, dada a enorme gravidade das indiciadas violações de direitos, liberdades e garantias a que se reporta o presente pedido de informações, Vª Exª compreenderá que me reserve o direito de dar ao mesmo a divulgação que considerar mais adequada à completa dilucidação da verdade dos factos
Com os melhores cumprimentos,
António Garcia Pereira
***«»***
Com esta série de perguntas, bem objetivas e convenientemente estruturadas, o advogado Garcia Pereira acabou por fazer uma excelente narrativa da bárbara e ilegal carga policial sobre a multidão que se manifestava no Largo da Assembleia da República, em 14 de Novembro último, e cujo objetivo não era anular a ação de um pequeno grupo, que lançou pedras e outros objetos (consta que eram polícias à paisana infiltrados) sobre as forças da ordem, mas sim executar um plano prévio de terror, com efeitos desmobilizadores para o futuro. Não se compreende que, no local, nenhum dos indivíduos mascarados tivesse sido preso, sendo estranho, por outro lado, que inúmeras prisões (algumas delas de jovens que nem sequer estiveram na manifestação) tivessem ocorrido na estação de caminho de ferro do Cais de Sodré.
O que, depois, se passou nas esquadras é simplesmente vergonhoso e indigno de um Estado democrático.
Mas eu acrescentaria uma outra pergunta ao diretor nacional da Polícia da (In)Segurança Pública: Já está elaborada uma proposta de louvor ou de condecoração do chefe Américo Nunes, ou, quiçá, uma proposta de promoção ao posto imediato pelos altos serviços prestados à Pátria, por abnegada e estoicamente ter suportado aquela violenta carga de pedregulhos? Louve-se, condecore-se e promova-se o homem!...

Inquilinos denunciam Lei dos Despejos!...


MOÇÃO

Exmo Senhor Presidente da República

Inquilinos concentrados na Praça de Alvalade em 26 de Novembro de 2012 vêm expressar a V. Ex.ª a sua profunda indignação perante os valores de renda que os proprietários estão a apresentar aos seus inquilinos. Esses valores chegam a ultrapassar os 900 euros em prédios com mais de 50 anos. Os inquilinos em questão têm idade superior a 70 anos, na generalidade. .
Mesmo que alguns desses inquilinos venham a poder beneficiar de taxas de esforço durante o período de transição de 5 anos, a certeza de um despejo a prazo constitui uma ameaça que não mais os vai abandonar e que envenenará o resto dos seus dias.
Os inquilinos solicitam a V. Exª uma intervenção junto do Governo a fim de que sejam prontamente criados mecanismos que ponham termo a esta escalada galopante das rendas, que não só não restituirá o dinamismo ao mercado da habitação como acentuará o nível especulativo em que as referidas rendas se situam, completamente desadequadas dos salários e pensões que se pagam em Portugal e do rendimento disponível das famílias.
Lisboa, 26 de Novembro de 2012
Aprovada por unanimidade e aclamação
***«»***

Moção

Inquilinos de Lisboa, concentrados na Praça de Alvalade em 26 de Novembro, considerando

1) Que as taxas de esforço previstas na nova lei para a fixação das rendas durante o período de transição de cinco anos são aplicadas sobre os rendimentos brutos dos agregados familiares, representando uma fatia cada vez maior do rendimento disponível dada a pesadíssima carga fiscal a que os contribuintes estão sujeitos;

2) Que os inquilinos com um rendimento bruto do agregado superior a 2425 euros mensais não dispõem de uma taxa de esforço que atenue o aumento durante o período de transição, passando de imediato a renda a ser calculada em função dos valores actualizados dos fogos;

3) Que os inquilinos sempre denunciaram que a taxa prevista de 6.7 % sobre esses valores, usada para o cálculo da renda, vai conduzir a rendas elevadíssimas, como já se está a constatar;

4). Que, por conseguinte, se vai assistir a um crescimento exponencial das situações em que os inquilinos não vão conseguir suportar as novas rendas, ficando na iminência, no período da sua vida em que estão mais vulneráveis, de ter de abandonar as casas em que vivem há décadas

Exigem à AR e ao Governo:

1.Que, à semelhança do que vai ser feito para o IMI, seja estabelecida uma cláusula de salvaguarda para os anos de 2013 e 2014 relativamente à taxa que incide sobre o valor actualizado do fogo, fixando-a em 4% de forma a obterem-se rendas mais acessíveis aos inquilinos.

2. Que o RABC, para além de ser corrigido com a suspensão dos subsídios de férias e de Natal, ou equivalentes, verificada este ano (ponto 4 do artº 11 da lei 31/2012) tenha também em conta as reduções resultantes de impostos que venham, excepcionalmente, a incidir sobre os rendimentos do agregado em 2013.

3. Que seja dada a possibilidade a todos os inquilinos, independentemente dos seus rendimentos, de fazerem prova anual dos mesmos, para que as rendas possam justificadamente reflectir reduções em determinados casos, como por exemplo devido ao falecimento de um dos cônjuges.

Lisboa, 26 de Novembro de 2012
Aprovada por unanimidade e aclamação.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

I HAVE A DREAM...

Clique para amplar a imagem
Amabilidade do Carlos Campos de Sousa

Três momentos de humor...

Clicar para ampliar as imagens
O Zé.jpg .jpg
Amabilidade de Mário Jorge Neves
Um problema de incompatibilidade poderá afetar
a visualização da primeira imagem

Amabilidade de Olímpio António Alegre Pinto
 
Amabilidade de Jorge Manuel Magalhães Ribeiro
***«»***
Três situações "caricatas" que nos levam aos confins do "absurdo" de vida: um povo que, depois de um longo percurso histórico, caminha para o desastre; o desastre provocado pela falência do processo comunicacional; e, como remate, a apoteose da recuperação do expressivo jargão popular, para traduzir o desalento. Em todas elas, o humor arrasador e demolidor. É esta a força da eloquência da caricatura, que, ao condensar a sua abrangente mensagem humorística numa simples imagem e num curto texto, se substitui com eficácia a um qualquer discurso verbal ou escrito, que pretendesse afirmar a mesma coisa. Seriam necessárias resmas de papel ou muitas horas de oratória para se chegar à triste conclusão que a vida é mesmo filha da puta! E que há um grande filho da puta a provocar isto tudo! 
***«»***
Discurso do filho da puta

O pequeno filho da puta
é sempre
um pequeno filho da puta;
mas não há filho da puta,
por pequeno que seja,
que não tenha
a sua própria
grandeza,
diz o pequeno filho da puta.

no entanto, há
filhos-da-puta que nascem
grandes e filhos da puta
que nascem pequenos,
diz o pequeno filho da puta.
de resto,
os filhos da puta
não se medem aos
palmos,diz ainda
o pequeno filho da puta.

o pequeno
filho da puta
tem uma pequena
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o pequeno
filho da puta.

no entanto,
o pequeno filho da puta
tem orgulho
em ser
o pequeno filho da puta.
todos os grandes
filhos da puta
são reproduções em
ponto grande
do pequeno
filho da puta,
diz o pequeno filho da puta.

dentro do
pequeno filho da puta
estão em ideia
todos os grandes filhos da puta,
diz o
pequeno filho da puta.
tudo o que é mau
para o pequeno
é mau
para o grande filho da puta,
diz o pequeno filho da puta.

o pequeno filho da puta
foi concebido
pelo pequeno senhor
à sua imagem
e semelhança,
diz o pequeno filho da puta.

é o pequeno filho da puta
que dá ao grande
tudo aquilo de que
ele precisa
para ser o grande filho da puta,
diz o
pequeno filho da puta.
de resto,
o pequeno filho da puta vê
com bons olhos
o engrandecimento
do grande filho da puta:
o pequeno filho da puta
o pequeno senhor
Sujeito Serviçal
Simples Sobejo
ou seja,
o pequeno filho da puta.

II
o grande filho da puta
também em certos casos começa
por ser
um pequeno filho da puta,
e não há filho da puta,
por pequeno que seja,
que não possa
vir a ser
um grande filho da puta,
diz o grande filho da puta.

no entanto,
há filhos da puta
que já nascem grandes
e filhos da puta
que nascem pequenos,
diz o grande filho da puta.

de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos
palmos, diz ainda
o grande filho-da-puta.

o grande filho da puta
tem uma grande
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o grande filho da puta.

por isso
o grande filho da puta
tem orgulho em ser
o grande filho da puta.

todos
os pequenos filhos da puta
são reproduções em
ponto pequeno
do grande filho da puta,
diz o grande filho da puta.
dentro do
grande filho da puta
estão em ideia
todos os
pequenos filhos da puta,
diz o
grande filho da puta.
tudo o que é bom
para o grande
não pode
deixar de ser igualmente bom
para os pequenos filhos da puta,
diz
o grande filho da puta.

o grande filho da puta
foi concebido
pelo grande senhor
à sua imagem e
semelhança,
diz o grande filho da puta.

é o grande filho da puta
que dá ao pequeno
tudo aquilo de que ele
precisa para ser
o pequeno filho da puta,
diz o
grande filho da puta.
de resto,
o grande filho da puta
vê com bons olhos
a multiplicação
do pequeno filho da puta:
o grande filho da puta
o grande senhor
Santo e Senha
Símbolo Supremo
ou seja,
o grande filho da puta.
Alberto Pimenta

sábado, 24 de novembro de 2012

Gasóleo: É tudo igual ao litro e a diferença apenas está no preço

A Deco diz que há uma “acção enganosa” e “prática comercial desleal”

Deco diz que gasóleo premium ou low cost é todo igual
Associação de Defesa do Consumidor testou quatro marcas de gasóleo em quatro automóveis. Os consumos foram “muito idênticos”.
O gasóleo vendido em Portugal é todo igual. Não há diferença entre as gamas premium e as mais baratas. A conclusão é da Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, que anunciou que vai denunciar o caso às autoridades e enviar um abaixo-assinado ao Ministério da Economia.
PÚBLICO
***«»***
Esta indecorosa história, reveladora da mentalidade cleptocrata e cleptomaníaca dos grandes capitalistas portugueses, faz-me lembrar uma outra, posta em prática nos anos seguintes ao da privatização da banca, e que, embora não possa ser considerada formalmente ilegal, evidencia bem a imoralidade de certas práticas comerciais, destinadas, à custa dos clientes, a engordar as receitas e os lucros das empresas que as concebem e põem em prática.
Os bancos, a troco de um insignificante prémio anual, começaram, a partir de um determinado momento, a vulgarizar os seguros de acidentes pessoais, associados à abertura de contas por particulares, e aos quais os clientes facilmente aderiam, por, nessa altura, ainda ingenuamente, acreditarem na bondade daquelas instituições. Distraído como sou, dei-me conta que já tinha uns cinco seguros de acidentes pessoais, dois associados às minhas duas magras contas bancárias, e os outros três agregadas à minha condição de membro de três associações. Resolvi acabar com todos aqueles seguros, acreditando que a divina providência me protegeria dos riscos associados à minha própria existência. Só que a divina providência não conseguiu proteger-me da manhosice do banco, que teimou em não abdicar daquela módica receita anual, a que já estava habituado. Para minha surpresa, no ano seguinte, num extrato bancário, apareceu-me debitada, sob a designação de uma comissão qualquer, uma importância do mesmo valor da do prémio do seguro, do qual já desistira, e que estava prefigurada para ser cobrada anualmente. Reclamei, puxando pelos meus galões de cliente modesto. Ameacei, dizendo que ia mudar de banco. Aquela importância foi-me creditada, embora saiba que ela acabou por vir a ser integrada em posteriores comissões criadas, sob várias designações (recentemente descobri que o banco onde tenho domiciliada a minha conta ordenado começou a cobrar-me trimestralmente trinta euros por despesas de manutenção).
Lembro-me de, na altura, ter feito um pequeno exercício. Multipliquei o valor daquela comissão, abusivamente cobrada, por um milhão de contas de clientes particulares, abertas naquele banco. Sem dúvida, uma pequena fortuna para o banco, mas que, para mim, seria grande, pois poderia vir a fazer a minha felicidade vitalícia, se é que é verdade que o dinheiro traz felicidade.
Aproveite o leitor o exemplo, se consome gasóleo para a sua viatura, e faça as contas. Eu não as vou fazer porque o empresário da oficina, que presta assistência à viatura em que ando montado, a uma pergunta minha, aconselhou-me a consumir gasóleo normal. E acrescentou, "anormais são eles", referindo-se aos donos e administradores das empresas petrolíferas nacionais. E ladrões também, acrescento eu, agora.   

danse_des_heures_Liceu.avi


Amabilidade do João Fráguas

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Notas do meu rodapé: Ninguém pode dizer que não sabia...


Os riscos da redução do défice
Uma vaga de austeridade orçamental varre a Europa e os EUA. A magnitude dos défices orçamentais tomou muita gente de surpresa, no entanto, a maioria dos economistas acredita que foi a despesa pública que evitou uma nova Grande Depressão.
A curteza de vistas da banca ajudou a criar esta crise, porém, não podemos deixar que a curteza de vistas dos governos - incitada pelo sector financeiro - se prolongue no tempo. O crescimento rápido e o retorno sobre o investimento público geram maiores receitas fiscais. Ora, um retorno na ordem dos 5% a 6% é mais do que suficiente para compensar os aumentos temporários na dívida pública. Uma análise custo-benefício social torna essas despesas, ainda que financiadas pela dívida, particularmente atractivas.
Joseph Stiglitz
Diário Económico
13 de Março de 2010 
***«»***
Guardei em arquivo estas palavras do economista nobilizado, Joseph Stiglitz. por, na altura, elas me parecerem premonitórias (quase proféticas) e corresponderem, de certa maneira, ao que eu pensava sobre as causas da grande crise económica e financeira, que se abateu sobre os Estados Unidos e, depois, por contágio, sobre a Europa, assim como em relação às opções políticas que, principamente em Portugal, deveriam ter sido tomadas, para rapidamente a ultrapassar.
A minha discordância com a aceitação do Memorando da Troika baseou-se muito no pensamento deste ilustre economista, assim como de outros autores de referência, que não embarcaram na mistificação das correntes neoliberais, tão do agrado (porquê?) dos agentes do capital financeiro, que, depois de terem procedido à financeirização da economia, acabaram por também procederem à  "financeirização" da política e dos políticos, através da organização sofisticada de uma complexa rede de influências, em que a corrupção (por dinheiro ou por promessas de auspiciosas carreiras), ocupa um lugar destacado, tendo atingido um grau elevado, como nunca antes tinha acontecido. Hoje, é fácil identificar essa promiscuidade entre os dirigentes políticos e os grandes lobies da alta finança e das grandes empresas, quer ao nível internacional, quer ao nível doméstico.
A partir do último quartel do século XIX, não há registo de que as várias crises económicas e financeiras, entretanto ocorridas, tenham sido ultrapassdas com o recurso exclusivo à austeridade e à aplicação de medidas recessivas sobre a economia. As crises foram sempre resolvidas, num período curto de alguns anos, recorrendo à aplicação de políticas de crescimento económico, ancoradas no investimento público, a fim de promover o emprego e aumentar o consumo interno e as receitas fiscais, gerando-se assim meios suficientes para poder pagar os juros e amortizar a dívida pública, entretanto contraída para sustentar aquele investimento inicial. Uma política deste tipo funciona, pois, com dívida elevada e défices orçamentais pronunciados, mas com um horizonte visível a prazo, para a sua resolução, em face das expectativas do aumento da riqueza produzida. Um pequeno comerciante, que fracassou numa determinada área de ngócio, não põe a família a passar fome e não deixa de investir no futuro dos seus filhos, a fim de perseguir o obejetivo de amealhar dinheiro para aplicar noutro negócio com melhores perspetivas de sucesso, tal como preconizam os neoliberais, em relação às opções que apresentam para os endividados países do sul da Europa. Não. Aquele comerciante vai a um banco, apresenta garantias, demonsta a viabilidade e sustentabilidade do novo negócio, e perante as expectativas geradas, pede um empréstimo. No entanto, toma as devidas cautelas para não repetir os erros anteriores, que foram fatais. O negócio, agora bem gerido, floresceu, gerou receitas, com que vai pagando os juros e amortizando a dívida, nos prazos estabelecidos. Passados algns anos, uma vez paga a dívida, a pequena empresa cresceu, dando lucros compensadores.
Não foi isso que ocorreu com a Grécia e com Portugal. A União Europeia, sob a influência totalitária da Alemanha, Holanda e Finlândia, optou por pôr os gregos e os portugueses a passar fome.  
http://economico.sapo.pt/noticias/os-riscos-da-reducao-do-defice_84042.html

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Papa reafirma virgindade de Maria e diz que o burro e a vaca não estavam no presépio


A virgindade da mãe de Jesus Cristo é uma verdade “inequívoca” da fé. Os católicos já o sabiam, mas a doutrina é reafirmada pelo Papa Bento XVI que, num livro posto à venda esta quarta-feira, afirma também que não havia burro nem vaca no presépio de Belém.
... No local do nascimento de Jesus “não havia animais".
PÚBLICO
***«»***
Ah! Assim está bem! Sem burro e sem vaca, também eu já posso converter-me à Fé. Só me resta ainda uma dúvida, que não é metafísica nem celestial, mas que é uma dúvida anátomo-fisiológica. Como é que uma virgem pode parir?! Sim, já sei o que me vão responder! Que deus, com o seu poder infinito, pode alterar as leis da Física, da Química e da Biologia, ao ponto de até ter conseguido fazer de um coelho um primeiro-ministro e de um cavaco, um presidente.

Adenda: Pareceu-me oportuno acrescentar um comentário que deixei no Facebook:
"Virgem é que a senhora não era, pois não há referências à falta de virilidade do marido José, o carpintero. Com um hímen mais elástico ou menos elástico, a pergunta intrigante é como o espermatozóide divino foi parar ao útero da senhora. Eu sei que estas perguntas irritam os católicos. Mas têm que ser feitas, sendo obrigatório dar-lhes resposta, para que as questões da Fé e das crenças não sejam mais irracionais do que já são. E o papa também deve compreender que o ridículo mata, quando reduz as suas preocupaçõs teológicas à presença ou à ausência do burro (ou seria burra?) e da vaca (ou seria boi?)".

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Tolerância religiosa em Veneza...


Como não há mesquitas em Veneza, o governo italiano está a permitir aos mulçumanos orar nas ruas.
Até agora já se afogaram 573...
João Fráguas

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Hoje, senti o fogo a rondar-me a casa...

Incêndio  num prédio na Av. Almirante Reis
**
Um dia acontece-(nos) a nós o que acontece aos outros. Todos os dias nos esquecemos desta verdade elementar. Não fui vítima, mas senti a ameaça do fogo devorador, a quinze metros de distância. Se não fosse a rápida e eficiente intervenção dos bombeiros (ainda há coisas boas no nosso país), o fogo teria alastrado para o prédio onde habito, que, no vídeo, e em contiguidade, se vê à direita do prédio em chamas.
Toda a minha vizinhança entrou em pânico, e é curioso ver a disparidade de comportamentos das pessoas nestas situações aflitivas, em que se faz um apelo dramático ao instinto de sobrevivência. Poucas pessoas mantêm intacta a racionalidade e exibem um sangue frio exemplar. Houve pessoas que gritavam histericamente; pessoas que ficaram paralisadas pelo choro, e que se mostravam incapazes, tal era a inação, de, sozinhas, obedecerem à ordem de retirada. Pessoas houve que entraram novamente em casa para ir salvar anéis, colares de ouro e poupanças, aí amealhadas; outras que fugiram precipitadamente em pijama e descalças. Foi necessário fazer insistentes apelos à calma e ao bom senso. 
No prédio sinistrado, pelo menos uma família ficou sem teto, a que vivia no último andar. Mais uma família que vê somar uma desgraça à desgraça que a crise financeira está a provocar.

O saque da Argentina


Amabilidade do Diamantino Silva
**
Texto que acompanhava o vídeo:
Muito interessante e, ao mesmo tempo, preocupante.Depois do descalabro descrito, a Argentina está agora a tentar sair do enorme buraco em que a meteram, com as dificuldades próprias de quem parte de um país destroçado.O problema é que os crimes se vão repetindo por diversos países e a globalização, neste caso, não ajuda à recuperação.Aqui temos a antevisão do que já está a acontecer em Portugal e o que acontecerá de certeza se não mudarmos de políticas.
João Sequeira
***«»***
Esclarecedor! O imperialismo está a implementar à escala global um colonialismo de novo tipo, que não necessita da ocupação territorial: o colonialismo financeiro. E nós, portugueses, a viver a nossa década mafiosa, iremos passar para a condição de povo colonizado.

domingo, 18 de novembro de 2012

Poema: Nunca, nunca mais acabou ! - por Olímpio A. Alegre Pinto


Nunca, nunca mais acabou !!

Um frio terrível gelou a montanha!

- Não há folha no vale!
- Não há água que corra!
- Não há cova que sirva!
-Não há vida que mova!

O vento não ouve...
- É branco o silêncio!

À entrada da gruta
Hesita há um tempo
Um grupo sedento
Gelado, esfaimado.

Lá dentro outro grupo:
Família dorida
- O macho está ferido
- Um braço comido!
Da luta bravia
C'o a fera vencida!

As crias encostam
Mantendo o calor
A fêmea vigia
Instinto e Amor!

O cheiro é acre e adocicado
Dos restos, bocados
Da carne caçada.

Aqueles que estão fora
Procuram abrigo
- Lá dentro está quente!
- Ainda há comida!

A gruta é pequena
O espaço não chega!
E a fêmea que rosna
Sustem os intrusos!

Mas...
Do grupo faminto
A fome venceu!
- O mais corpulento
- O mais violento
- Os olhos em fogo
- Olhar em cobiça!
Com grito estridente
Irrompe a direito
Vibrando o cacête
- Num golpe certeiro
A fêmea abateu!
Os outros o seguem
Em gritos berrando
Em roncos uivando
De pedras na mão
Batendo com força
Na fêmea já morta!
Nas crias que guincham!
No macho que as cobre
- O corpo enrolando
- Os dentes cerrando
- A boca rasgando
- Os olhos vidrados
- Da força da Dor
- Do medo e pavor
- Do ódio e da raiva
- Do terror e da morte!...

Passado algum tempo
Vincando a ravina
Rolaram os corpos
Moídos, esmagados
Torcidos, vergados
Horrendos, disformes!
- Um já não tem braço
- O outro desfeito
- E três são pequenos!
E ficam, rasgados
Em sangue, em farrapos!

Que signo sinistro!
Que torvo prenúncio!
Que nódoa terrível!
Na neve mais branca!
No branco mais puro!
Da Mãe Natureza!

Mas...
Dos corpos pequenos
Da morte um escapou!
O acaso o roubou!
- Caíu num covil
- A loba o tomou!
- À vida voltou!...

E nunca, nunca mais esqueceu!
E um dia... um dia vingou!

O homem nasceu!
- A guerra vomita!
- Uma guerra d'irmãos!
- Uma guerra maldita!

Que nunca, nunca mais acabou!

Olímpio António Alegre Pinto
Janeiro 1997

sábado, 17 de novembro de 2012

O rosto da violência!


Ministro deu autorização para carga policial
A decisão de avançar sobre os manifestantes que lançaram pedras contra a barreira policial que protegia o Parlamento teve luz verde do ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, escreve o 'Expresso'.
De acordo com o semanário, ao contrário do que aconteceu noutras ações de protesto, o Governo deixou de pedir ao comando policial "contenção" e deu o 'ok' à entrada em ação do corpo de intervenção.
A autorização foi dada depois de informações recolhidas pela PSP no local darem contra da existência de engenhos explosivos entre os manifestantes. Quando rebentou o primeiro cocktail-molotov foi dada a ordem de avançar, escreve o 'Expresso'.
Diário de Notícias
***«»***
... E parece que também havia um canhão, três metralhadoras e um submarino do Paulo Portas.

A radiografia do desastre!...

Clicar na imagem para a ampliar
Imagem retirada do blogue Ladrões de Bicicletas
A equipa está a perder e vai descer de divisão. E não há maneira de mudar de treinador nem de estratégia. E ainda há por aí quem acredite em mlagres!...

CORPORATOCRACIA: UMA TRAGÉDIA GLOBAL...

Amabilidade de Pilar Vicente

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Trinta e sete por cento dos portugueses pedem aos outros para pagarem a crise

Imagem retirada da página do facebook do José Madley

Os resultados das sondagens eleitorais correspondem sempre, numa proporção direta, aos níveis da rigidez do cérebro dos inquiridos, bem como do seu grau de estratificação. Só que, um dia, ao acordármos, ficaremos a saber que já não temos cérebro. Aparecem, então, uns sicários, a dizer-nos que vão pensar por nós.

Bastonário denuncia obstáculos a advogados de detidos


O bastonário da Ordem dos Advogados (OA) disse hoje que os defensores dos nove detidos na manifestação de quarta-feira junto ao parlamento debateram-se com "obstáculos e impedimentos muito graves" no exercício das suas funções.
Lembrando que "isto acontecia noutros tempos de má memória", Marinho e Pinto considerou que "os obstáculos e impedimentos" constituem "um conjunto de irregularidades, algumas delas graves, muito graves mesmo".
Diário de Notícias
***«»***
Já denunciámos no post anterior este grave atropelo ao direito dos cidadãos detidos para interrogatório policial, na sequência dos incidentes ocorridos ontem, junto da Assembleia da República, e a quem um comissário político do governo (um comandante da PSP) dificultou a assistência jurídica, obstaculizando a ação dos advogados constituídos.
Trata-se de um tique fascizante deste governo, que, por se encontrar desnorteado e moribundo, é muito bem capaz de promover um golpe de Estado constitucional, instituindo uma democracia musculada (ditadura disfarçada), com o apoio de militares de direita, a fim de, e uma vez anulada a ação da oposição, levar a cabo a tarefa da destruição do país, que o capital financeiro lhe exige, através da UE e do FMI. O que se passou ontem no Largo da Assembleia da República foi um ensaio geral da tragédia que irá ser representada em próximas manifestações.
Destaca-se aqui a posição corajosa do bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, que contrastou flagrantemente com o silêncio comprometedor de outros agentes políticos.
Já aqui falámos que o governo está a utilizar os ensinamentos da CIA, aplicando a tática de, primeiro, assustar, para, depois, desmoralizar. Assim aconteceu com a imposição das medidas de austeridade, e assim irá acontecer com a aplicação de medidas de repressão e o consequente cerceamento das liberdades.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Amnistia Internacional Portugal condena carga policial


A Amnistia Internacional Portugal condenou hoje o "uso excessivo e desproporcional de força" da polícia na carga policial para dispersar os manifestantes que protestavam "pacificamente" em frente ao parlamento na quarta-feira e pediu um inquérito ao Governo.
"Com base em testemunhos recolhidos pela Amnistia Internacional Portugal e informação obtida junto de meios de Comunicação Social e através das redes sociais, a AI considera que elementos do corpo de intervenção da PSP actuaram de forma desproporcional".
A Aministia Internacional Portugal acusa as forças de segurança de recorrerem "indiscriminadamente ao bastão, não só para dispersar, mas, também, para perseguir manifestantes que protestavam pacificamente, tendo atingido várias pessoas com violência, sobretudo na cabeça, no pescoço e nas costas", salienta-se no documento.
A Amnistia Internacional Portugal não deixa, porém, de assinalar a ocorrência, reprovável, de comportamentos violentos por parte de um pequenos grupo de manifestantes, como o arremesso de pedras e de petardos contra elementos das forças policiais", acrescenta-se, requerendo-se ao Ministro da Administração Interna que ordene a abertura de um inquérito às circunstâncias em que decorreu a actuação policial.
A AI Portugal pretende ainda que sejam apurados "os termos em que foram efectuadas detenções, nomeadamente se foram observados todos os direitos constitucionalmente garantidos dos detidos, como o esclarecimento sobre os motivos da detenção e o acesso imediato a um representante legal".
Diário de Notícias
***«»***
Começou a época do terror. Pressentindo que os próximos tempos vão ser marcados por muitas manifestações espontâneas de protesto e de revolta, devido às políticas assassinas que vai continuar a aplicar, o governo aproveitou bem o incidente das pedradas, que um pequeno grupo de jovens protagonizou ontem, junto ao edifício da Assembleia da República. Tal como vem procedendo em relação à enorme crise financeira, que é incapaz de debelar, o governo, também aqui, no domínio da sublevação social, vai seguir a tática de primeiro amedrontar e, depois, desmoralizar. É de estranhar que os jovens que arremessaram pedras à polícia (sem terem provocado qualquer dano às forças de segurança), tenham vindo a ser presos na estação do Cais do Sodré, como se fosse possível a sua correta identificação, depois de toda aquela grande confusão. A urgência de cumprir imperativas ordens superiores, para que a farsa parecesse credível, a polícia acabou por prender pessoas que não tiveram nada a ver com o que se passou na manifestação e que apenas estavam no Cais do Sodré para apanhar o comboio, como afirmou ao Diário de Notícias a advogada Lúcias Gomes, a quem foi negado por um comandante da polícia, e à revelia da lei, o acesso aos presos, para a correspondente assistência jurídica.
Como se pode ver, é a própria polícia a arremessar pedras à lei. E com total impunidade! 
Nota: Declarações de uma advogada ao DN: Segundo Lúcias Gomes, dos 15 detidos, há pessoas "que não têm nada a ver com o que se passou junto ao Parlamento e apenas estavam no Cais do Sodré para apanharem o comboio". A advogada referiu que "um comandante da PSP já disse aos advogados que teremos acesso aos clientes, mas até agora nada".
Amnistia Internacional condena carga policial - Economia - DN
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2886765

Notas do meu rodapé: A violência dos Hunos...


Ontem, escrevi aqui que esta Greve Geral poderia marcar a viragem para um novo tempo. Parece que não me enganei. Pelo menos, ao nível do perfil da contestação popular. A manifestação de protesto, no Largo da Assembleia da República, transformou-se no cenário dantesco de uma batalha campal, com a violência instalada, entre a polícia e os manifestantes. E houve feridos! E, quanto a mim, isto é apenas o princípio. Em 2013, quando começar a fazer sentir-se o impacto das medidas do Orçamento de Estado, talvez comece a haver mortos, e a violência epidérmica se transforme em violência endémica. É que, quando o impulso detonador do protesto e da revolta passa da cabeça para o estômago, atinge-se aquele perigoso limiar em que não há nada a perder. E depois, chamem-lhes vândalos ou provocadores profissionais, uma vez que, pelo continuado desgaste do infame insulto, já não podem chamar-lhes comunistas.
Não aprovo a violência, mas não me peçam para a condenar, quando os motivos são justos e a razão está do lado dos mais fracos. Não alinho no discurso do politicamente correto. A violência de ontem, junto à Assembleia da República, foi a resposta de jovens desesperados, a quem lhes é negada a esperança no futuro, e que reagiram à violência, esta sim, de cariz criminoso, que está a abater-se sobre o povo português. E entre esses jovens estava o meu filho, com três anos de procura infrutífera de trabalho, a juntar ao seu curriculo, e que ontem foi barbaramente agredido por um gorila, enquanto ajudava uma rapariga, caída ferida, naqula fuga precipitada. E o meu filho não lançou pedras à polícia!
Não me esquecerei disto!...
Nota: É evidente que estas amargas palavras não pretendem ofender os agentes políciais, envolvidos na violência, pois eles estão a executar o seu trabalho, o trabalho de que vivem. A minha indignação visa atingir quem, lá bem no topo, os comanda

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Notas do meu rodapé: Serviço Nacional de Saúde britânico ameaçado depois de meio século de existência

video

O ex-ministro Tony Benn, da ala esquerda do Partido Trabalhista, faz, neste depoimento, uma defesa acalorada e veemente do Serviço Nacional de Saúde da Grã-Bretanha, descrevendo o contexto do pós guerra, em que ele foi instituído, e a sua ligação à força da democracia socializante, aquela democracia que, segundo ele afirma, deposita no cidadão livre a irrenunciável capacidade de escolha.
Perante a impossibilidade, mesmo nos países mais ricos, da maioria dos cidadãos poder suportar, individualmente, os enormes, e sempre crescentes, custos da saúde, compete ao Estado providenciar o acesso de toda a população aos cuidados médicos e aos de enfermagem. A Saúde deixa de ser uma mercadoria, sujeita às leis do mercado, às oscilações da oferta e da procura e às práticas fraudulentas ao nível dos diagnósticos e das terapêuticas (práticas frequentes nos hospitais privados, a fim de aumentarem receitas) para passar a ter o estatuto de um direito e constituir-se num pilar importante de uma sociedade que privilegia a coesão social e o bem comum. 
Atualmente, e tal como em Portugal, o Serviço Nacional de Saúde da Grã-Bretanha encontra-se no centro de uma ofensiva liberalizante do governo conservador, o que está a provocar um grande descontentamento da população, principalmente a da classe média baixa. Os argumentos e os objetivos são sempre os mesmos: maior eficiência operacional e financeira dos privados (ainda não demonstrada em nenhuma parte do mundo), liberdade de escolha por parte do utente (uma falácia, apoiada no efeito sedutor da respetiva palavra), alívio orçamental, o que permitiria baixar impostos (outra falácia, já que, provavelmente, os impostos a reduzir seriam os do capital).
No atual contexto internacional, caracterizado por uma profunda crise económica, financeira, principalmente nos países ocidentais, começam a desenhar-se cenários preocupantes  de aviltramento do Estado Social, tentando denegri-lo aos olhos da opinião pública, para melhor poder esvaziar e destruir os seus pilares, onde a saúde tem um importante lugar. Compete aos povos defender os seus direitos sociais, que fazem parte da sua matriz civilizacional.

Miguel Macedo diz que a polícia vai continuar a gravar imagens dos protestos

O superpolícia
O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, afirmou nesta terça-feira no Parlamento que as forças de segurança vão continuar a utilizar câmaras de vídeo portáteis para monitorizar as manifestações sempre que necessário e repetiu que não irá fundamentar essa utilização junto da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) por isso implicar a quebra de informação sigilosa protegida por lei.
Instado duas vezes por uma deputado do Bloco de Esquerda a precisar qual a norma que o impedia de transmitir informações reservadas à CNPD, que por lei tem que dar um parecer sobre a utilização de câmaras de vídeo portáteis pelas forças de segurança, Miguel Macedo não respondeu.
A PSP utilizou câmaras portáteis para monitorizar a vigília realizada durante o Conselho de Estado, que decorreu em Outubro em frente ao Palácio de Belém, e a manifestação de 29 de Setembro organizada pela CGTP contra as medidas de austeridade, tendo, no entendimento da CNPD, violado a lei que regula a gravação de imagens pelas forças de segurança em locais públicos.
... O ministro precisou que os orçamentos das forças de segurança para 2013 vão ser reforçados, em conjunto, em 10,8% . A verba destinada à PSP é de quase 797 milhões de euros (mais 13,2% que neste ano), enquanto a GNR receberá 938 milhões de euros (mais 9,9%).
PÚBLICO
***«»***
Nem podia responder, o ministro das polícias, à pergunta do deputado bloquista. A aparente bondade do  falacioso argumento, enunciado antes, de querer proteger "a quebra de informação sigilosa protegida por lei", não esconde a intenção danosa, já consumada, de provocar o efeito contrário e de querer continuar a infringir a lei. E um governo que capciosamente infringe a lei é um governo fora de lei. É a própria Comissão Nacional de Protecção de Dados a afirmar que foi violada a lei que regula a gravação de imagens pelas forças de segurança em locais públicos.
O governo sente-se acossado por todos os lados, e já percebeu que o refúgio nos bunkers já não é suficiente, se não tiver uma polícia caninamente domesticada. Daí, aqueles aumentos suspeitos, atribuídos às forças de segurança, e que, certamente, não se destinam a promover o aumento da segurança dos cidadãos.
Esta explicação tortuosa do ministro das polícias, sobre as garantias da preservação da privacidade dos cidadãos em locais públicos, é um típico tique do autoritarismo fascizante das forças políticas de direita, que facilmente deixam cair a máscara de democratas, torpedeando a lei, quando as situações lhe são adversas. 

GREVE GERAL


A Greve Geral de hoje tem todas as condições para marcar um ponto de viragem na estratégia da contestação às políticas do atual governo e à ditadura da troika, em função da ampla convergência de vários movimentos e organizações de protesto à iniciativa da CGTP-Intersindical, que assim se constitui no centro aglutinador das forças de esquerda que pretendem uma radical mudança em relação às violentas políticas de austeridade. Sem se diluirem e sem perderem a sua matriz identitária, esses movimentos aderiram à iniciativa da central sindical, percebendo que só um grande movimento unitário poderá provocar a queda do governo e liquidar as nefastas políticas da direita.
Seria importante e desejável que, a partir de hoje, uma nova dinâmica do movimento de contestação e de protesto, assente num amplo consenso de posições e reforçado pelo estabelecimento de objetivos e processos comuns, pudesse conferir à data a marca da divisória entre dois tempos: O antes e o depois da Greve Geral. O povo português reconheceria aí um obejetivo sinal de mudança, condição necessária para poder continuar a acreditar na existência de alternativas consistentes ao estabelecimento de uma nova política para Portugal.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Metade dos ministros de Passos formou-se no privado


Há uma espécie de coligação entre ensino superior público e privado no seio do Governo: metade dos 12 ministros do Executivo PSD/CDS-PP formou-se em universidades não estatais. E o mesmo aconteceu com quase um terço dos secretários de Estado (12 em 37).
Diário de Notícias
***«»***
Fica assim explicada a "merda" que este governo anda a fazer!...
Com tantos ministros e secretários de Estado com licenciaturas "compradas" nos supermercados das privadas (uma licenciatura fantasma foi obtida com o célebre cartão Relvas), existe o perigo real de o Estado ser totalmente privatizado.
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2880376

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Empresários alemães pedem paciência aos portugueses


O presidente da Confederação da Indústria Alemã (BDI) pediu esta segunda-feira aos portugueses para terem «paciência» porque o crescimento da economia vem do «esforço» e não de «transfusões de sangue».
Hans-Pieter Keitel, que falava na abertura do encontro empresarial Luso-Alemão no âmbito da visita da chanceler Angela Merkel, dirigindo aos empresários do ambos países, solicitou «um pouco de paciência» e acrescentou que Portugal está «no bom caminho do correto crescimento», cita a Lusa.
O representante dos empresários alemães referiu também que a austeridade dará frutos «daqui a cinco anos», altura em que a União Europeia vai estar «num ponto em que haja uma convergência de crescimento».
TVI 24
***«»***
Empresários e políticos alemães apresentaram-se em Portugal muito concertados na capciosa argumentação da austeridade. Nem aquela tirada, badalada há dias, por Angela Merkel, de que seriam necessários mais cinco anos de dura austeridade, passou despercebida ao patrão dos patrões da indústria alemã, que a citou sem que a placa dentária lhe tivesse saltado da boca.. Eles querem fazer-nos acreditar que a melhor maneira de reconstruir uma casa é incendiá-la.
Oxalá que Hans-Pieter Keitel não venha um dia a precisar de uma transfusão de sangue.
http://www.tvi24.iol.pt/151/economia/empresarios-alemanha-paciencia-austeridade-crescimento/1391966-1730.html

Orçamento de 2013 passa no Parlamento grego com maioria confortável


Pensionistas e funcionários públicos são os que mais contribuem para o novo quadro de austeridade de quase 10 mil milhões.
O Parlamento grego aprovou este domingo à noite o Orçamento de Estado para o próximo ano, um documento fundamental para obter um acordo com a troika que permita a libertação de uma nova tranche de ajuda, no valor de 31,5 mil milhões de euros.
PÚBLICO
***«»***
Lá como cá, os pensionistas é que pagam as favas.
Trata-se de um inqualificável esbulho e de um grave atentado ao contrato social. O dinheiro das pensões não é dinheiro do orçamento de Estado. É dinheiro que os pensionistas e as empresas empregadoras confiaram ao Estado, para que este garantisse a sobrevivência dos trabalhadores na velhice. Deste modo, não pode ser desviado para outros fins.
Aos governos sem escrúpulos, como é o caso dos governos de Portugal e da Grécia, é mais fácil atacar os direitos dos reformados e pensionistas, uma vez que se trata do grupo social mais fragilizado. E uma sociedade, que não sabe tratar dos seus idosos e das suas crianças, não merece existir.
http://www.publico.pt/Mundo/orcamento-de-2013-passa-no-parlamento-grego-com-maioria-confortavel--1572041#.UKBAfW3t0Xg.blogger

Poema: A manhã traz sempre o teu nome - por Sónia M


A manhã traz sempre o teu nome

Invade-me as pernas
Instala-se no ventre.
Respiro-o,
como melodia que se aninha
em todos os sentidos
e a cada pensamento.
É pela manhã,
que te sopro o meu corpo despido.
Embrulho-o em papel
e entrego-o ao vento
que o deposita no teu colo,
aos pedaços.
Reconstróis assim, o meu corpo frágil
na urgência de o teres por inteiro
a repousar no teu leito.
No desejo daquele instante,
em que as nossas vidas se cruzam
e se fundem,
longe do son(h)o da noite.
E o dia começa no segundo
em que me contemplas e (quase) tocas.
Com o teu nome a queimar-me a língua
e os lábios que se abrem...já em chamas.

(Sopro-te um beijo com o teu nome)

Sónia M