quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Poema sem título - por Sónia M


És sepulcro
de mais uma das minhas mortes.
Morri tantas vezes,
como as que pensei renascer.
Mortes que duram instantes...
que os relógios não marcam.

Quantas vezes terei ainda que morrer?

De todas,
trago comigo os fantasmas,
sobrevoam a cidade
e os meus passos,
em gritos estridentes...

Apenas eu lembro essas vidas que foram...

Há a pressa em esquecer os abraços,
o cheiro e os sorrisos.
Ainda que esqueças os meus beijos
e as carícias ao fim da tarde,
será este mais um dos vultos
que me assustam e perseguem,
para me lembrar do que é e não foi.
Fora de mim,
apenas o ar que respiro,
o meu e o teu, se lembrará de nós.
Sónia M

Poema oferecido pela autora ao Alpendre da Lua.