quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Poema: A Lenda de Vénus. - por Olímpio A. Alegre Pinto


A Lenda de Vénus.

Marte, cansado da Guerra, do Sofrimento e da Morte, desceu a
Montanha... - Crua, Agreste, Seca, Deserta... - a da dureza da
rocha mais dura, da pedra nua...
- a da Crueldade dos homens da Terra!

Na Planície, pousou o Escudo partido, e descansou a fera Lança
de sangue coberta... à sombra suave da Árvore Sagrada...
- a da Luz suplicante, doce, bruxuleante...

Olhou para o Sol, hesitante, quase perdido...
mas sua Mente e seu Corpo seguiram o seu Rumo
- descente, sempre para Ocidente...

Mil dias passaram... até que, seus pés, ensanguentados,
sofridos, marcados pelas agruras do caminho, pisaram e
descansaram, por fim, em areias douradas, macias, cálidas...
- para além do fim
da Terra Deserta, Crua e Fria, - as areias do Início do Mar...
do Princípio da Vida...

Lá! - onde existe o Ar puro, ausente do bafo pútrido da Maldade
do homem... Ali! - onde se sente o aroma fresco, o cheiro
intenso, o sabor, o perfume... a Visão do Horizonte sem fim...
o do Mar Azul, do Mar Transparente - o do Verde Límpido da
Pura Água Marinha... a do Mar Bendito... a do Mar Infinito! ...
o do longínquo Oceano da Paz!

Ele, o deus da Guerra, dorido, querendo memória apagar,
pediu a Júpiter... e... sim! - emprestou ao Sol Poente as cores
mais quentes, as mais íntimas, as permanentes,
- as mais sofridas,
- as do Fogo Fundente...
- as do fundo da sua Alma! - triste, cansada, partida...
a do Espírito sofrente, pungente...

Ele, o Guerreiro Indomável!, pediu, soluçou!, humilde!, ao Sol...
um Raio de Luz, um Sinal de Perdão...
o Condão de um descanso... de uma Bênção, de uma Contrição

A Lua, a Filha dileta do Astro Rei, ouviu e sentiu...
e, por seu Pai agraciada, condoída... por si...
e por mais de mil anos... - em suave carinho, acariciou e sarou,
com seus Raios de Prata, o Sono, os Sonhos, e as Feridas...
do deus Guerreiro... e do seu Destino - o mais Heróico, sim!...
mas... em muito, o mais Fatal!

Um dia, de madrugada, ao Sol nascer, um Raio de Luz,
branquíssimo, fulgentíssimo, fendeu os olhos entreabertos
de Marte... acordou a dormente, a já mais serena,
quase fechada, negra pupila - gravando, num momento,
e para sempre, em seus Olhos e em seu Coração,
- de Leão!, - ainda fero, ainda selvagem...
- a mais Bela miragem!
- a Belíssima Imagem!
- a de Vénus Princesa
- saindo, sorrindo, da espuma alvíssima das ondas...
em seu Corpo molhado, brilhante, dourado...
de Beleza sagrado! ...

Uma Luz intensa - um relâmpago!... e um Vento súbito,
vindo do Mar, em turbilhão, envolveu Marte e Vénus abraçados,
subiu para além das Nuvens,
e... suavemente... pousou-os às Portas do Paraíso.
O.A.A.P.
2012
Amabilidade do autor

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