terça-feira, 24 de julho de 2012

Poema: A meu Pai e a meu Filho - por Olímpio António Alegre Pinto*


A meu Pai e a meu Filho

Era um Pêndulo! ... Ausente de apoio, suspenso no vazio infinito
do inter-estelar. Era atípico - oscilava sem período, por vezes
vibrava, em grandes amplitudes, entre a Sinuosidade da
Filosofia e a Verticalidade da Geometria. Quedava-se,
um quanto, na insondável Música da Poesia. No Espaço sem fim,
não via as estrelas, e a voracidade do Tempo não lhe permitia
o que mais almejava - ser como a Luz... e encontrá-las, por fim...
e para sempre!... mesmo secando a Curva do Espaço
e vencendo o tempo do Tempo.

Sofrido, sublimava o isolamento e a ânsia aproximando-se
do Planeta Azul, tentando uma resposta que iluminasse a escura
vastidão da Existência à sua volta. Era persistente - procurava
com denodo, nunca desistia, mas... jamais encontrara. ...
Até que, um dia, no extremo cansado, quase dormente,
viu o Sol brilhar no horizonte - pensou que mais um dia
despontava... mas não! - o dia acabara e o ocaso
incendiara-se. ...
A custo, pôs-se de pé, e, na vertical, solene, brilho no olhar,
saudou o Sol Poente ... ajoelhou-se devagar, e mais lentamente
se deitou, de lado, e, nos olhos cansados, no Coração tremente,
recebeu a homenagem do último raio de Luz, do Sol Poente.
A última memória mostrou-lhe toda a vida - parando,
em sorriso quente, em seus Amigos e em seus Amores,
a quem afagou...
Fechou os olhos... e adormeceu para Sempre.

Ainda hoje, nas noites mais escuras e solitárias,
aparece por vezes, no Firmamento, uma estranha
Constelação - é como um Falcão - Voa ...
e desaparece para além da imaginação.
Olímpio António Alegre Pinto

Idos de Julho... de 2012.

Escrita à mão, em letra miudinha, apareceu no fim do poema, e sem qualquer identificação, a seguinte anotação:
“Amigo Olímpio:
Quero dizer-te que me apunhalaste com o mais belo punhal da tua coleção - o teu punhal de prata”.

* Poema inédito, oferecido pelo autor ao Alpendre da Lua.