segunda-feira, 28 de maio de 2012

Anotação do Tempo: Dissertação sobre a teoria dos abrigos…


Dissertação sobre a teoria dos abrigos…

Chegas sempre com o orvalho da madrugada
transportas o vento e as palavras que eu quero ouvir
e, nos teus cabelos, a fragrância das essências
com que perfumas os teus poemas.
Também vem a tua voz sofrida, gasta pelos
encontros e desencontros nas esquinas.
Rios que não correm, fogos que não ardem
e as lágrimas dos teus olhos sepultadas no deserto.
E tu que querias agarrar o mar com a concha da tua mão
para deslumbrares o teu olhar,
como se aquele mar fosse o teu único destino
e não existissem outros refúgios para te abrigar!...

3 comentários:

Sónia M. disse...

Voltei a sentar-me no seu Alpendre, com a taça do café na mão...
Sentia-se uma aragem fresca.
Abriguei-me nas suas palavras...

Deixo um beijo e os bons dias!

Sónia M. disse...

Acabei de fazer um pequeno desvio deste seu poema...
Para que não haja mais birras... :)

Maria José Meireles disse...

Notícia do que corre...

Ela perguntou:
se a vida me correr mal
dás-me abrigo?
Ele respondeu:
se a vida te correr mal
abrigar-te-ei.
E morreram
na esperança
de que a vida corresse mal.

Maria José Meireles