terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Ele, longe e húmido no olhar, disse : (por Olímpio A. Alegre Pinto)


Ele, longe e húmido no olhar, disse :

Chuva... Não há chuva como na savana!
É quente, é morna, é fresca, é fria...
molha sem molhar, escorre sem parar,
limpa o suar, brilha ao luar, mareja
o olhar... ao nascer do sol faz estrelar
cada folha de capim, cada copa de árvore,
cada dorso de antílope, cada espelho de rio,
cada reflexo de cacimba...
e faz rescender o perfume mais intenso,
o mais agarrante, o mais penetrante,
o mais inebriante...
o da terra molhada... do sol e da sombra,
do dia e da noite, do calor e do frio,
do vapor e do pó,
do cheiro do corpo do homem já sujo,
ao lado do cheiro agreste, ácido, limpo,
das fezes da palanca, do soco, da pacaça
ou do songue...
Chuva na savana, sol no coração !
Olímpio António Alegre Pinto
Fev. 2011