sexta-feira, 17 de junho de 2011

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Futuros magistrados apanhados a copiar tiveram todos dez


Indícios de que 137 auditores que estão no Centro de Estudos Judiciários (CEJ) a formarem-se para serem magistrados copiaram num teste levou à anulação do exame. Face à impossibilidade de encontrar uma data para repetir o teste a direcção da instituição decidiu atribuir nota dez a todos os futuros magistrados.
a direcção do CEJ decidiu, por unanimidade, “anular o teste em causa, atribuindo a todos os auditores de Justiça a classificação final de dez valores” em Investigação Criminal e Gestão do Inquérito. Luís Eloy considera que esta foi a solução mais equilibrada, já que estamos no fim do ano lectivo e já havia outros exames marcados, o que impedia a repetição deste teste.
PÚBLICO
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Pelos menos, eu tenho a certeza que estes futuros magistrados vão ser capazes de resolver os problemas da justiça, começando a copiar, para cada processo judicial, os acordãos dos processos mais antigos. Poupa-se tempo e dinheiro. E ainda dizem que os portugueses não têm capacidade para inovar!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Notas do meu rodapé: A saída do euro é inevitável


Eu costumo chamar ao euro um gigante com pés de barro, já que a entidade que o gere, o BCE, não possui a importante alavanca orçamental, que, na altura da sua fundação, os estados membros negaram ceder-lhe, com receio da potencial reacção nacionalista dos seus respectivos povos, que não querem abdicar da sua identidade nacional. Como banco central emissor, o BCE apenas tem a capacidade de gerir a política cambial e a política monetária. Falta-lhe a competência da política orçamental. Razão tinham Spinelli, Amartya Sen e Padoa-Schioppa, quando afirmavam que a união monetária não poderia fazer-se antes da união política. O tempo está a dar-lhes razão, já que o carro nunca pode andar à frente dos bois.

Pelo menos, em relação a Portugal, e possivelmente também em relação à Grécia, a adesão ao euro foi silenciosamente desastrosa, já que a economia portuguesa começou a trabalhar com uma moeda de elevado valor, que não favorecia as exportações e, por outro lado estimulava as importações, agravando assim a balança de transacções correntes. Foi a partir da adesão que os défices orçamentais e a dívida pública (1) começaram a crescer, disparando descontroladamente a partir de 2008. Nenhum dos dirigentes dos sucessivos governos deste século percebeu que o problema residia na baixa taxa de produtividade da economia em relação aos principais parceiros comerciais. E nada foi feito para corrigir esta fragilidade da economia portuguesa. A governação, sem um plano estratégico consistente, passou a ser errática, caminhando ao lado do oportunismo eleitoralista, envolvendo-se com os interesses instalados, num conúbio vergonhoso, e satisfazendo os apetites vorazes das clientelas partidárias. A atracção pelas obras faraónicas é o exemplo típico da incoerência de toda uma política saloia, que de forma alguma estava ao serviço do bem comum. Os governos de Durão Barroso, de Santana Lopes e, principalmente, o de José Sócrates não fizeram o que deveria ter sido feito. Apenas souberam endividar o país.

Por sua vez, anteriormente, os dirigentes da UE, na altura, cometeram o erro grosseiro de reduzirem ao mínimo as condições de adesão à moeda única. Limitaram-se a impor como condição, e em relação ao PIB, um défice orçamental abaixo dos três por cento e uma dívida pública não superior a 60 por cento. Faltou incluir um patamar para a taxa de produtividade e, eventualmente, para outros indicadores da actividade económica. Portugal não se encontrava em condições de aderir ao euro. Os países do centro e do norte da Europa já se encontravam noutro paradigma, que não era o da prática de baixos salários. Faltou à nossa economia o investimento na educação e formação, na inovação tecnológica e na modernização das práticas de gestão das empresas.

Se Portugal não tinha, na minha modesta opinião, condições para a aderir ao euro, nos dias de hoje, essas condições reduziram-se ainda mais. Mais tarde ou mais cedo a saída do espaço da moeda única vai impor-se. Já aqui o afirmámos várias vezes. A solução é sair, exigindo uma aceitável renegociação da dívida. Por muito mais razões, a Grécia deve seguir o mesmo caminho. E esta solução impõe-se, segundo o meu ponto de vista, porque não entendo que um duro e doloroso plano de austeridade possa alguma vez relançar a economia.

Apenas mais uma achega. Com a saída do euro, o país vai ficar mais pobre, mas não irá ficar menos pobre do que ficará, se prosseguir no suicídio de pôr em prática o memorando da troika. No entanto, com a saída do euro, ficaremos com a vantagem de vir a possuir uma moeda nacional de menor valor, que, através de uma sensata política cambial, poderá relançar rapidamente as exportações e diminuir as importações, não olvidando, contudo, a grande tarefa de proceder, pela acção de governos honestos, às necessárias reformas estruturais. Só a partir daí, e com alguma riqueza acumulada, poderemos pensar em modernizar a economia, melhorando sustentadamente a taxa de produtividade, o que exige a intervenção de um novo tipo de empresários, uma nova classe política, disposta a trabalhar exclusivamente a favor do bem comum, e uma opinião pública mais culta, mais crítica, mais exigente e mais interventiva.

Para concluir: uma coisa é certa. Se a Grécia ou Portugal entrarem em incumprimento, o euro irá à falência, já que os bancos credores da dívida destes dois países não aguentarão o forte impacto nos seus balanços. O problema também é da União Europeia, que não pode andar a brincar, entretendo-se a ler a economia nos livros de banda desenhada, nem muito menos andar a contar histórias aos quadradinhos, como se os cidadãos estivessem todos infantilizados.

(1) Para ser mais exacto, a dívida pública começou a crescer no segundo ciclo de crescimento, depois do 25 de Abril, entre 1995 e 2000, uma vez que a despesa pública aumentava muito mais do que a economia, e os salários cresceram mais do que a produtividade. Isto, porque as exportações deixaram de ser o motor de crescimento, em consequência de o Estado concentrar os apoios no sector dos bens não transacionáveis.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A política dos credores como a negação do liberalismo (Krugman)



A política dos credores como a negação do liberalismo
Krugman aponta o dedo para o rei que vagueia nu nas academias e nos governos dos países europeus e dos EUA, colocando a questão nos termos que me parecem mais correctos: não existe nenhuma teoria sólida que sustente os planos de austeridade, a redução nos gastos e a política monetária restritiva que o BCE e o FED têm levado a cabo, em face à crise económica que se vive. Por outro lado, os únicos beneficários desta estratégia política são os credores. Nem é preciso estabelecer uma relação causal. Não é preciso acusar os governos de serem reféns dos credores, basta perceber que estes são os únicos beneficários para se poder partir para uma Política séria de oposição a estas políticas.
É preciso perceber que as pessoas que nos emprestaram dinheiro, mais do que conscientes dos riscos que estavam a enfrentar, foram devidamente compensadas com taxas de juros que reflectiam precisamente esses riscos. Ignorar esta realidade é desvirtuar as regras do jogo, e é, na sua essência, curiosamente, a negação do liberalismo: primeiro os credores aceitaram uma aposta e colocaram o dinheiro onde ele era mais rentável, sendo mais rentável apenas por haver risco de não pagamento. Depois, quando o risco de não pagamento se ameaça materializar, correm para que o estado mude as regras do jogo, e faça tudo para impossibilitar o não pagamento.
Do blogue elasticidade
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Paul Krumam é outro economista de renome que, embora sob uma outra perspectiva, vem denunciar a irracionalidade económica dos planos de ajuda (empréstimos) aos países da zona euro (Grécia, Portugal e Irlanda) que se debatem com problemas orçamentais, alinhando assim pelas posições de Amartya Sen e Joseph Stiglitz, que aqui, no Alpendre da Lua, temos vindo a citar. Todos eles são unânimes em admitir a impossibilidade de fazer crescer a economia daqueles países (para poderem pagar a dívida), impondo-lhes severos planos de austeridade. Se em períodos de contracção económica, com os privados a retraírem-se por falta de confiança, o Estado se demite de intervir na economia, por imposição do aperto orçamental, o período de recessão prolonga-se indefinidamente. Já a propósito dos sucessivos PEC, lançados pelo governo de José Sócrates, a questão aqui colocada, com frequência, incidia precisamente sobre a incerteza gerada ao nível do necessário crescimento económico do país, que não podia ser obtido apenas com o aumento das exportações.
Quando se cortam as pernas a um homem, ele jamais poderá andar, nem sequer de muletas. Os dirigentes da UE, no meio desta tempestade que ameaça o euro, lançaram uma bóia de salvação aos três países com dificuldades, ao mesmo tempo que lhes mergulham a cabeça para dentro de água, para não poderem respirar. Assim não salvam nada nem ninguém. Assim, talvez seja o grande barco da Europa a afundar-se. 

Um Poema ao Acaso: Deixa-me estudar Inês - Um poema inédito de Ana Nobre de Gusmão


Deixa-me estudar, Inês

Deixa-me estudar, Inês
por favor não me mandes mais mensagens nem voltes
a telefonar, não me obrigues a desligar o computador
e o telemóvel, até parece que não passei a tarde inteira
contigo, quantas vezes mais tenho de te dizer hoje que
ainda gosto de ti, que ainda te amo, que se pudesse
estava sempre, sempre contigo

mas também preciso de fazer pela vida e se não tiver
positiva no teste de amanhã estou feito, percebes,
quero mesmo acabar o liceu e entrar para
a universidade para vir a ser alguém de quem te possas
orgulhar, não te quero perder, não quero que deixes
de gostar de mim porque me tornei um falhado,
um medíocre

e por isso te peço, Inês, pára de enviar mensagens, pára
de telefonar, se não te apetece estudar vê um dvd ou vai
beber um café com uma das tuas amigas, a Tatiana,
por exemplo

pronto, juro que esta mensagem é a última que te escrevo
e se responderes palavra que saio da net e só me volto
a ligar amanhã, a sério, Inês, estou a falar a sério

deixa-me estudar, por favor

olha, veste a camisola que eu te emprestei e que ainda
deve cheirar a mim, ou põe aquela fotografia que te
mandei ontem no écran do computador e pensa em mim,
faz o que quiseres para atenuar a saudade,
mas deixa-me estudar, Inês

caraças, outra mensagem, o que é que se passa contigo,
não achas que estás a ser um bocadinho melga, aviso-te
que leio só mais esta e depois desligo-me

o quê, não te apareceu o período e tens medo
de estar grávida

eh pá, Inês, não me lixes, porque é que não me disseste
isso há mais tempo, estivemos a tarde toda juntos,
como é que eu vou conseguir ter cabeça para estudar
depois de me dizeres uma cena dessas

tens a certeza, fizeste bem as contas, tu és tão
despassarada com datas

não estás a gozar comigo, pois não, isto não é um truque
para monopolizares a minha atenção, pois não,
tu não és perversa

não sei o que dizer, estava à espera de tudo menos disso,
tu garantiste que não havia perigo, lembras-te, tu disseste
que estavas a tomar a pílula

como é que podes afirmar que te esqueceste um dia,
com essa simplicidade toda, como se fosse a coisa
mais natural do mundo, qual é a tua, Inês, desculpa,
mas és uma irresponsável, se queres dar cabo da tua vida
é lá contigo, mas da minha é que não dás, podes crer
que não vou sacrificar o futuro
por causa de um esquecimento teu

sim, eu sei, é de um ser vivo que se trata, é sobre
o nosso filho que estamos a falar, pois é,
mas eu não quero esse filho, Inês, amo-te
mas não estou preparado para ser pai,
ainda sou muito puto

e tu também, de resto,
por isso se estiveres mesmo grávida temos
de arranjar dinheiro para fazeres um desmancho

responde, Inês, por favor responde, eu sei que estás aí

olha, até pode ser que seja só um atraso,
pode acontecer, pelo menos é o que eu oiço
a minha mãe e as minhas irmãs dizerem às vezes

vá lá, Inês, deixa-te de fitas e atende o telemóvel,
não me deixes assim pendurado

Inês, eu sei que estás aí

Inês

caraças, Inês

pronto, ok, ganhaste, dá-me cinco minutos para morfar
qualquer coisa e vai ter comigo ao café
em frente à tua casa.

Ana Nobre de Gusmão
***
Ana Nobre de Gusmão

Nasceu em Dezembro de 1952, em Lisboa.
Estudou Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa e Design no ARCO. Vive em Portugal e na Suíça.
Colabora regularmente na revista Elle Portuguesa e na Storm Magazine.
Livros publicados
Delito sem Corpo - Ed. Presença, 1996 (Prémio Máxima Revelação)
Não É o Fim do Mundo - Ed. Presença, 1996
Aves do Paraíso - Asa Ed., 1997
Onda de Choque - Asa Ed., 1999
Das Tripas Coração - Asa Ed., 2000
Até Que a Vida Nos Separe (contos) - Asa Ed., 2002
O Pintor - Asa Ed., 2004

Citânia - Existir (O Homem e o Universo) – poema de Fernando Pessoa, declamado por Luís Filipe Sarmento

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Lagarde: "Portugal vai não apenas sobreviver mas crescer" com pacote de austeridade


Portugal "vai não apenas sobreviver mas até crescer" com o pacote de austeridade, afirmou hoje em Lisboa a ministra da Economia francesa, Christine Lagarde.
Jornal de Negócios
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Claro que vai crescer, então não vai! Só que ainda não se sabe quando e como!.
Eu julgo que esta mulher ainda não sabe o que é levar no pacote!

Porra! Outra vez o dedo!...


Gestos que marcam a vida de uma mulher de fibra!


Christine Lagarde, no momento em que respondia a um jornalista, que lhe perguntou se, caso fosse eleita presidente do FMI, estaria na disposição de facultar um empréstimo extra a Portugal, com um juro baixo.
O jornalista em questão ainda não se refez do susto, confessando que, naquele momento da entrevista, ele não sabia aonde poderia aquele dedo ir enfiar-se. É que quem tem cu, tem medo, rematou.

domingo, 12 de junho de 2011

Um Poema ao Acaso: trazes um rumor - Miguel Pires Cabral


trazes um rumor


Trazes um rumor escondido entre os lábios.
As palavras ocultas, arrumadas pelo medo
inerte do espaço. Objectos desorientados
pela mesma desrazão dos dias, os olhos
fechados nas sombras dos objectos. Trazes:
um cheiro de amor, um aroma doce de rosas
silvestres e um vestido (que vejo claramente),
como uma espécie de poluição entre a cor e o
aroma campestre de um corpo suado por dentro.

Espalhava-se como um rumor de amor esse teu
vestido, desde o alto dos muros até ao alto dos
sorrisos abertos como flores emprestadas de boca
em boca. Uma espécie de rumor espalhado pela
força dos dedos, as marcas profundas dos anéis.

E agora que regressas, trazes murmúrios:

um rumor frio que esmagas entre os dentes e as águas
profundas do teu pensamento. Um eco calado na boca
como a alta saliva seca pela surdez muda das palavras¬.
Uma porta aberta para um abismo que trazes por dentro.
Um alto mar revolto por nada, ou um todo sal que ficará
......................................................[sempre – por dizer.
Miguel Pires Cabral
http://barbituricodaalma.blogspot.com/2011/05/trazes-um-rumor.html

Alunos abandonam escola obrigatória por dificuldades financeiras


Um pouco por todo o país há alunos a abandonar a escola por causa das dificuldades financeiras da família. Uns fazem-no para ajudar os pais, outros simplesmente porque deixaram de ter dinheiro para estudar.
Actualmente, os alunos só precisam de ter o 9º ano ou 15 anos para poderem abandonar a escola. A partir de Setembro, o ensino obrigatório estende-se a 12 anos. Este domingo comemora-se o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil.
PÚBLICO
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Este é o corolário lógico da crise? Sem dúvida. Mas a crise não é nenhuma entidade abstracta e difusa, que desaba aleatoriamente sobre as sociedades, como, subliminarmente, os políticos pretendem fazer crer. Ela tem rostos e tem culpados, a nível nacional e internacional. O abandono escolar irá aumentar em flecha nos próximos anos, tornando-se um caso banal, que deixará de ser manchete nos jornais. Mas não será por não ser noticiado, que ele não deixará de existir e de agravar o clima de ruptura social. A longo prazo vai ter consequências gravíssimas, ao nível da exclusão social e do desemprego. A curto prazo será a marginalidade a face mais visível deste pesadelo social. É mais uma agressão à cidadania e à sociedade. E a sociedade, tal como ambiente, acaba por vingar-se quando é agredida.

Portugal, século XXI: há escravos levados das Beiras para Espanha


Os novos "negreiros" são famílias que encaminham indigentes para explorações agrícolas espanholas. Dormem acorrentados, passam fome e não recebem.
A imagem de pessoas agrilhoadas, espalhadas pelo chão, espancadas, doentes e famintas remete o imaginário para outros séculos, quando navios sulcavam o Atlântico carregados de negros que, já na América ou na Europa, haveriam de trabalhar como escravos até morrerem. Mas não é aos séculos XVI ou XVII que este relato se refere. Nesta história, não há um oceano pelo meio. Não se salta de continente para continente. Há apenas Portugal e Espanha. Não foi há 300 ou 400 anos. Acontece nos dias de hoje. Há escravos portugueses em Espanha.
PÚBLICO
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Há uns anos atrás, Portugal foi enxovalhado internacionalmente pela denúncia da existência de trabalho infantil. Agora, num retrocesso civilizacional preocupante, surge o espectro da escravatura. O caso denunciado nesta notícia, escrita com muita emoção pelo jornalista José Bento Amaro, não será provavelmente um caso isolado. Fica a suspeita da existência de uma autêntica indústria do esclavagismo, mergulhada na clandestinidade, a proliferar, numa grandeza inversamente proporcional à da pobreza existente no interior do país. O escândalo não pode ser maior. Em pleno século XXI, um país que já foi um bom aluno da União Europeia, e que pretende apresentar-se ao mundo como um país desenvolvido e civilizado, pratica, ainda que marginalmente, a escravatura.
Não vale a pena avançar com a desculpa de que é um fenómeno isolado, marginal ou ocasional, a não merecer a devida atenção das autoridades. Neste tipo de crimes, assim como nos que respeitam ao tráfego de droga e ao tráfego de seres humanos, à justiça apenas chega uma percentagem ínfima de casos. E a condenação dos criminosos, em juízo, já não vem anular o sofrimento, entretanto vivido pelas vítimas.  Compete ao Estado promover medidas pró-activas, quer no domínio da vigilância policial, quer na sinalização dos jovens em risco, numa acção conjugada da Segurança Social com as autarquias. As juntas de freguesia, beneficiando do efeito de proximidade, poderão constituir-se num elemento institucional importante para desenvolver esta tarefa, assim como as ONG e as instituições de solidariedade social. A grave crise económica em que o país está a mergulhar vai promover o aumento desta hedionda prática criminosa, já que a miséria é o terreno fértil para o aparecimento dos negócios marginais. E tal como é preconizado para a prevenção dos incêndios nas florestas, neste caso, também é necessário limpar previamente as matas, antes que chegue o calor do Verão. 

sábado, 11 de junho de 2011

Notas do meu rodapé: Cavaco Silva vai novamente agarrar no leme!...


Cavaco recomenda o exemplo de frugalidade e sacrifícios do interior
O discurso do Presidente da República na sessão solene do 10 de Junho deslocou o eixo das suas preocupações do centro da vida política para o interior do país. Uma metáfora, disse Cavaco Silva no fim.
Depois de discorrer sobre as potencialidades do interior e a necessidade de a ele regressar, promovendo a agricultura, o turismo e alguma indústria, o Chefe de Estado salientou no entanto que a principal potencialidade do interior estão as suas gentes. “A sua frugalidade e o seu espírito de sacrifício são modelos que devemos seguir num tempo em que a fibra e a determinação dos portugueses são postos à prova”, afirmou.
E foi aqui que deixou uma mensagem clara para o país, em particular para o próximo governo, representado na plateia por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, ambos ainda como líderes de partidos da oposição.
“Não podemos falhar. Os custos seriam incalculáveis. Assumimos compromissos perante o exterior e honramo-nos de não faltar à palavra dada”, disse, com grande solenidade.
PÚBLICO
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Curiosamente, fui com Cavaco Silva como primeiro-ministro que a desertificação do interior mais se intensificou, depois do 25 de Abril. Balizando a economia pela cartilha monocolor do neoliberalismo (a única cartilha que aprendeu a ler), os seus dois governos de maioria absoluta, perseguindo unicamente o efeito de escala e a vantagem de proximidade entre produtores (de bens e serviços), distribuidores e consumidores, promoveram a concentração da maioria das ajudas dos fundos comunitários na região da Grande Lisboa, em prejuízo do interior do país, onde a falta de investimentos, geradores de emprego, determinou o êxodo dos mais novos. Como os governos seguintes prosseguiram a aplicação do mesmo guião neoliberal da economia, que apenas se preocupa com as rentabilidades imediatas e ignora os efeitos a longo prazo, a desertificação na maioria dos concelhos do interior foi de tal monta, que se chegou ao ponto de, em alguns deles, serem as câmaras municipais os maiores empregadores locais, o que é uma situação anómala num país, cujos governantes afirmavam apostar no seu pujante desenvolvimento (que não é apenas crescimento económico).
Cavaco Silva, a quem competia desenhar um grande plano estratégico para a economia, limitou-se praticamente a gerir (e mal) os fundos comunitários, revelando aí a sua tacanhez como estadista. Durante os seus dois mandatos, não surgiram nenhumas reformas estruturantes, que mudassem o paradigma do desenvolvimento económico. Quando saiu do governo, odiado pela maioria do povo português, deixou o Estado e a economia com o mesmo perfil existente nos tempos de Salazar, um dirigente político que ele pretendeu canhestramente imitar. Este elogio e este apelo à frugalidade dos portugueses encaixa bem no pensamento político do ditador. Salazar tinha medo de perder o controlo do país, se facilitasse a proletarização intensiva do sector secundário da economia. Por isso,  apenas permitiu uma tímida industrialização do país. 
Quer Salazar quer Cavaco Silva promoveram os dois principais ciclos de crescimento económico do século XX (1950 a 1973 e 1986 a 1990, respectivamente), beneficiando de favoráveis condições externas, mas esqueceram-se de aplicar políticas que aumentassem a taxa de produtividade, que é o indicador económico mais significativo da saúde de uma economia. Naqueles dois períodos, o aumento do PIB per capita acompanhou o evidenciado pelo conjunto dos doze países mais desenvolvidos, mas a taxa de produtividade acusou uma crónica estagnação, que ainda hoje persiste. 
Afirmámos aqui, numa nota sobre o desfecho das eleições presidenciais, com Cavaco Silva a ser eleito por vinte e três por cento dos eleitores inscritos , que o centro político deslocar-se-ia de S. Bento para o palácio de Belém, caso o PSD viesse a ganhar as eleições legislativas seguintes, perante um cenário, já pressentido, da queda do governo do PS, e de que, neste caso, seria Cavaco Silva o verdadeiro primeiro-ministro, através de interposta pessoa. Os avisos públicos já avançados para a acção do próximo governo, a chantagem emocional sobre a hipótese de um fracasso, e, agora, este ungido apelo à frugalidade dos portugueses mostram bem a sua intenção de ser o timoneiro deste barco prestes a naufragar.
Cavaco Silva, ao aceitar sem pestanejar e sem um reparo crítico os ditames da troika (UE-FMI-BCE), juntou-se aos partidos do arco da traição. O seu pendor autoritarista irá emergir, apoiado pela nova maioria parlamentar de direita, o que prefigura para o futuro um regime político autoritário, de perfil ditatorial, ou, se quisermos utilizar o termo do politicamente correcto, de uma democracia musculada.
E será essa ditadura travestida que é urgente começar a denunciar e a combater, tentando contrariar a orquestração da direita, que se prepara para arrasar o país com uma onda de choque brutal.

Españistán, de la Burbuja Inmobiliaria a la Crisis (por Aleix Saló)

*
Por mais que se tente branquear a situação em Espanha, os analistas não deixam de considerar o grande risco a que está exposto o seu sistema financeiro e a sua economia. Os planos da União Europeia para evitar a bancarrota na Grécia e na Irlanda revelaram-se insuficientes, o que obriga a um novo reforço de intervenção, com novos empréstimos e com a exigência de novas medidas de austeridade. Em Portugal, não irá ser diferente, apesar do país passar a ser governado por uma ditadura parlamentar de direita. Se outros motivos de preocupação não houvesse, a situação em Portugal não deixa de alarmar os dirigentes espanhóis. A Espanha mergulhará no abismo se em Portugal as coisas derem para o torto, uma vez que os bancos espanhóis encontram-se entre os principais credores da dívida portuguesa. 

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Conto: A PINTURA DO AUTOMÓVEL- Fernando Pessoa (Ficções)


[A PINTURA DO AUTOMÓVEL]

Eu explico como foi (disse o homem triste que estava com uma cara alegre), eu explico como foi...
Quando tenho um automóvel, limpo-o. Limpo-o por diversas razões: para me divertir, para fazer exercícios, para ele não ficar sujo.
O ano passado comprei um carro muito azul. Também limpava esse carro. Mas, cada vez que o limpava, ele teimava em se ir embora. O azul ia empalidecendo, e eu e a camurça é que ficavamos azuis. Não riam... A camurça ficava realmente azul: o meu carro ia passando para a camurça. Afinal, pensei, não estou limpando este carro: estou-o desfazendo
Antes de acabar um ano, o meu carro estava metal puro: não era um carro, era uma anemia. O azul tinha passado para a camurça. Mas eu não achava graça a essa transfusão de sangue azul.
Vi que tinha que pintar o carro de novo.
Foi então que decidi orientar-me um pouco sobre esta questão dos esmaltes. Um carro pode ser muito bonito, mas, se o esmalte com que está pintado tiver tendências para a emigração, o carro poderá servir, mas a pintura é que não serve. A pintura deve estar pegada, como o cabelo, e não sujeita a uma liberdade repentina, como um chinó. Ora o meu carro tinha um esmalte chinó, que saía quando se empurrava.
Pensei eu: quem será o amigo mais apto a servir-me de empenho para um esmalte respeitável? Lembrei-me que deveria ser o Bastos, lavador de automóveis com uma Caneças de duas portas nas Avenidas Novas. Ele passa a vida a esfregar automóveis, e deve portanto saber o que vale a pena esfregar.
Procurei-o e disse-lhe: «Bastos amigo, quero pintar o meu carro de gente. Quero pintá-lo com um esmalte que fique lá, com um esmalte fiel e indivorciável. Com que esmalte é que o hei-de pintar?»
«Com BARRYLOID», respondeu o Bastos, «e só uma criatura muito ignorante é que tem a necessidade de me vir aqui maçar com uma pergunta a que responderia do mesmo modo o primeiro chauffeur que soubesse a diferença entre um automóvel e uma lata de sardinhas».
«Perfeitamente . . .»
«Com que é que você quer pintar um carro», continuou o Bastos sem me ligar importância, «senão com um esmalte que seja ao mesmo tempo brilhante e permanente? E, ainda por cima fácil de aplicar... Isto do fácil de aplicar é comigo, mas é uma virtude, e as virtudes citam-se... Vá-se embora!...»
«Bom...», disse eu.
«Isto de esmaltes de nitrocelulose», prosseguiu o Bastos, dando-me um encontrão, não é um assunto de mercenaria a retalho. Tem uma coisa maçadora a que se chama ciência. Sabe o que é? Mas é maçadora para quem prepara as coisas; para nós, que as recebemos preparadas para as aplicarmos, é um alívio e uma alegria. Este BARRYLOID é o produto de longos cuidados feitos no primeiro laboratório de tintas, lacas e vernizes. Percebeu? Não é o primeiro produto do género que apareceu, porque o ser primeiro está bem se se trata de estar numa bicha, mas não se trata de tintas ou de coisas que metam estudo e provas. Não: nas tintas e na prática, a última palavra é que é a primeira.»
«Meu caro Bastos...», disse eu.
«Só BARRYLOID», respondeu o Bastos, virando-me as costas.
«Eu queria agradecer...», prossegui.
«Traga o carro», disse o Bastos.
Levei-lhe o carro e ele pintou-o a BARRYLOID. E não há camurça, nem chuva, nem poeira da pior estrada, que consiga envergonhar esse esmalte de aço. Sim: o Bastos tratou-me mal, mas tratou bem a verdade. Não há nada como o BARRYLOID.
... Tanto assim que, quando comprei o meu segundo carro, tratei logo de saber se ele vinha já pintado a BARRYLOID. Ele aí está na base da página e no fim da minha história. Passa-se a camurça, mas é preciso usar óculos fumados: o brilho deslumbra. E, o que é mais, deslumbrará, porque dura.
A minha camurça dura eternamente. O que se tem gasto muito são os óculos fumados; e os elogios dos amigos que vêem os meus carros pintados a BARRYLOID.
Fernando Pessoa

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Cavaco espera que portugueses queiram ser “curados”



O Presidente da República disse hoje esperar que os portugueses queiram ser “curados” e que sejam capazes de responder aos desafios que foram colocados pela comunidade internacional, sublinhando que acredita que o país vai “vencer”.
PÚBLICO
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Os portugueses já foram curados muitas vezes. E de que maneira! Mas foram sempre enganados pelos médicos, que nunca acertaram nas causas da doença e prescreveram os medicamentos errados. Agora, têm de ir para um serviço de urgêncai, que é o serviço hospitalar mais perto da morgue. Ainda ninguém sabe quem vai pagar as despesas do funeral.

Manipulação grosseira!...



Alguém mal intencionado, e aproveitando alarvemente a recente informação sobre a eventual adesão do papa Bento XVI, enquanto adolescente, à Juventude Hitleriana, resolveu fazer, a partir de uma fotografia original - onde se vê, com vestes eclesiásticas, o futuro papa e o seu irmão, a executarem um gesto litúrgico - uma habilidosa montagem de truncagem, apresentando apenas o jovem Ratzinger a fazer a saudação nazi.  
É uma manipulação grosseira e inaceitável, que descredibiliza o seu autor. A amplitude do humor cessa no limite da fronteira entre a verdade e a mentira e quando se recorre à adulteração das fontes. Ao nível da caricatura, é legítimo pôr um preservativo no nariz do papa, pelo significado discursivo que representa, mas é inadmissível transformar um gesto realizado num contexto litúrgico, ligando-o à saudação nazi. Isto, independentemente de Ratzinger ter abraçado ou não a ideologia nazi.

Mudança de Operador


Liguei para as Finanças e ouvi a mensagem:
"Aviso, está a ligar para um cliente que agora pertence ao FMI"

Notas do meu rodapé: Não quero ver a raínha de Inglaterra vestida com a burka

Ao contrário do anunciado na primeira imagem pode clicar em todas para as ampliar














Estas manifestações fundamentalistas, que nada têm de espontaneidade, antes obedecem a um plano difusor altamente organizado e centralizado, fazem-me recordar as manifestações das juventudes hitlerianas dos anos trinta do século passado. A uni-las, um rancoroso ódio de brutalidade animalesca contra o inimigo eleito, assumido numa encenação grotesca e patética, e ao arrepio de todos os avanços civilizacionais baseados na tolerância e no direito pela diferença. Os países muçulmanos podem ter muitas razões de queixa em relação ao colonialismo europeu do passado e às agressões permanentes do sionismo judaico sobre o martirizado povo da Palestina, cuja independência as forças progressistas do ocidente defendem com sincera convicção. Não podem, contudo, através das suas comunidades europeias, alimentar o ódio xenófobo contra os povos que lhe deram acolhimento, nem ameaçar de morte quem não se identifica com a sua satânica religião, idêntica na sua vocação totalitária e exclusivista à matriz original das duas outras religiões monoteístas. 
Sabe-se que os fundamentalistas islâmicos, ensandecidos pela cegueira de ajustar contas com a História, pretendem conquistar através da demografia, aquilo que, na Idade Média, não conseguiram pelas armas. E, neste aspecto, aceito plenamente que se deva aplicar a lei da reciprocidade de tratamento, expulsando do solo europeu aqueles muçulmanos hostis, que nele entraram, utilizando o cavalo de Tróia, e limitando as liberdades a quem não quer respeitar as liberdades dos outros. A Europa não pode transformar-se na cloaca dos fundamentalistas islâmicos, que nela pretenderão impor, quando para isso tiverem a força suficiente, as implacáveis leis corâmicas da sharia, reclamadas na manifestação de Londres, e à qual reportam as imagens publicadas.
Não quero ver a rainha de Inglaterra vestida com a burka nem quero regressar ao tempo da Inquisição, em que apostasia e o ateísmo eram purificados pelo fogo.
Notas:
(1) "Deste modo, tornou-se uma obrigação individual, à qual não há escapatória, de cada Muçulmano preparar o seu equipamento, decidir-se a participar na jihad, e preparar-se para ela até que a oportunidade seja oportuna e Deus decrete uma matéria que é certo que será completada..."
al-Banna, fundador da Irmandade Muçulmana
(2) Sobre a total intolerância pelos costumes não-muçulmanos: "Tudo no Universo é Muçulmano pois tudo obedece a Deus pela submissão às suas leis... Em toda a sua vida, desde o estado embriónico até à dissolução do corpo após a morte, cada tecido dos seus músculos e cada membro do seu corpo segue o curso prescrito pelas leis de Deus. A sua língua, que pela sua ignorância defenda a negação de Deus ou professe divindades múltiplas, é na sua própria natureza "Muçulmana"... Aquele que negar Deus é um Kafir ("escondedor") porque ele esconde pela sua descrença o que é inerente à sua natureza e embalsamado na sua alma. Todo o seu corpo funciona em obediência a esse instinto... A realidade torna-se-lhe alienada e ele tateia na escuridão".
Sayed Abul ala Mawdudi, fundador da  Jamaat-e-Islami 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Os pepinos da Casa Branca são célebres!...

Não, não... pepinos, não!
Fotografia e legenda do iol.pt

Cavaco condecora Manuela Ferreira Leite no Dia de Portugal


José Castelo-Branco

Cavaco Silva vai condecorar no Dia de Portugal a antiga ministra das finanças e antiga líder do PSD Manuela Ferreira Leite com Grã-Cruz da Ordem de Cristo.
A Presidência da República divulgou esta terça-feira a lista das condecorações a serem atribuídas na cerimónia oficial das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, que este ano tem lugar em Castelo Branco, no dia 10 de Junho.
PÚBLICO
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Depois de verificar que o jornal Reconquista, o jornal mais reaccionário da imprensa regional portuguesa, e que é propriedade da paróquia de São Miguel da Sé, de Castelo Branco, vai ser agraciado como Membro Honorário da Ordem de Mérito, eu só passarei a acreditar no apartidarismo e no espírito de imparcialidade de quem estabeleceu os critérios das nomeações, quando o Presidente da República, Cavaco Silva, condecorar o entertainer José Castelo-Branco, pelo seu mérito em prolongar a acção civilizadora de Portugal junto das tribos primitivas de África, ensinando os homens a maquilharem o rosto.

CDS-PP diz que declarações de Ana Gomes são de "baixo nível"


A vice-presidente do CDS-PP Assunção Cristas considerou esta terça-feira “inadmissíveis”, “inqualificáveis” e de “baixo nível” as declarações da eurodeputada socialista Ana Gomes a propósito do líder democrata-cristão, Paulo Portas.
“O CDS entende que as declarações da doutora Ana Gomes são inadmissíveis, inqualificáveis e não merecem da nossa parte qualquer comentário que seja de tal forma são de um baixo nível que não é admissível na política portuguesa”, disse.
PÚBLICO
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Inadmissível e inqualificável é a complacente impunidade perante a justiça dos políticos corruptos. Porque não pode ou porque não quer, a  justiça, através de cumplicidades cruzadas, bloqueia e paralisa todos os processos judiciais, que envolvam altos dirigentes governamentais e partidários. O recurso aos mais variados sofismas, para contornar a aplicação da lei penal, atira os processos para o fundo das gavetas e para os recantos de esconsas prateleiras, até que vençam os prazos de prescrição e a memória colectiva os esqueça. Prevalece uma cultura de castas, sobrevive a pesada herança aristocrática do privilégio diferenciador e da saloia pretensão da superioridade moral de uma classe que se julga acima de qualquer suspeita. Mas todos nós sabemos que os seus armários estão cheios de esqueletos.
Não se pode falar de democracia, quando a justiça não é imparcial e equitativa. Nos últimos anos, o país assistiu com espanto e indignação ao desfile obsceno dos escândalos judiciais, que tinham os políticos como alvos. Nenhum político foi parar à cadeia.
http://publico.pt/Política/ana-gomes-defende-paulo-portas-fora-do-governo-e-da-exemplo-de-dsk_1497884
http://publico.pt/Política/cdspp-diz-que-declaracoes-de-ana-gomes-sao-de-baixo-nivel_1497938

segunda-feira, 6 de junho de 2011

NÃO, NÃO SUBSCREVO - um poema de Jorge de Sena declamado por André Gago

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Um poema premonitório, que o filme adaptou à actualidade.

Notas do meu rodapé: Há outros caminhos para além da via sacra da troika


As condições leoninas, que acompanham os empréstimos (com juros elevados) da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional a Portugal, Grécia e Irlanda, contrariam toda a racionalidade económica, já que, como sustentam os economistas nobelizados,  Joseph Stiglitz e Amartya Sen, além de outros, não comprometidos com o sistema do grande capital, nenhuma economia pode crescer numa situação de aperto orçamental. Em períodos de crise económica, o Estado tem de intervir, directa e indirectamente, na economia, já que os agentes privados, independentemente da sua autonomia, têm de se enquadrar numa mesma estratégia de recuperação geral, previamente assumida, depois de um estudo muito rigoroso do mercado global. Ora, em Portugal, nem o governo de José Sócrates nem a troika se preocuparam com esse estudo. A afirmação muito badalada que, depois de corrigir o défice orçamental, Portugal reconquistaria a confiança do mercado de capitais, e poderia, a partir daí, recuperar a economia, carece de fundamentação científica e não tem, a ancorá-la, nenhum estudo. Genericamente, subentende-se que as exportações subiriam através do aumento da competitividade proporcionada pela diminuição dos salários dos trabalhadores (não os dos gestores nem o dos funcionários superiores do Estado). Esta postura comodista e empobrecedora parte do princípio da continuidade de um aparelho produtivo de trabalho intensivo e de pouco valor acrescentado, como acontece actualmente.
Num estudo recente para o Banco de Portugal, o insuspeito economista e ex-ministro do governo de António Guterres, Augusto Mateus, depois de concluir que vai ser muito difícil para Portugal regressar ao crescimento económico, afirma que "o acento tónico da nossa competitividade está mais em produzir mais valor do nosso produto e não produzir a custo mais baixo". E aponta vários caminhos. Um deles, e obrigatoriamente, é o da diversificação das exportações, um outro é o da valorização dos jovens quadros, saídos das universidades, e que, actualmente, são os únicos trabalhadores portugueses que são competitivos, já que são altamente qualificados e são baratos em relação aos seus congéneres europeus. Disse Augusto Mateus numa entrevista ao PÚBLICO: "Em Portugal há recursos altamente qualificados, temos engenheiros, médicos, gestores, físicos, químicos, gente muito escolarizada, muito competente, pois foi formada em universidades modernas e capazes, mas com salários baixos".
Ora, acontece, que nem o PSD nem o PS escreveram, nos seus programas, uma linha, ou o que quer que fosse sobre este domínio (janela de oportunidade). Entregaram-se ao fundamentalismo monetarista do FMI, que não está a resultar na Grécia nem na Irlanda, e que, em Portugal, também não vai resultar, a não ser que queiram reduzir o país à dimensão económica do Afeganistão.
Pela sua importância, voltaremos a referirmo-nos a este estudo de Augusto Mateus.

Três metáforas eloquentes...

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Cartoon-Rodrigo-Expresso

Fotografia do Diário de Notícias

Fotografia de uma rua de Lisboa tirada por um sem abrigo-Público