sábado, 30 de abril de 2011

Russian Army Choir HD


Amabilidade do Diamantino Silva

PIDE: Para que a memória não esqueça...

Da amiga Drª Pilar Vicente, recebi esta mensagem, que já circula na internet, e que pretende ser um apelo à consciência dos democratas, para que se mobilizem contra as forças ocultas que pretendem branquear a acção da PIDE e do fascismo, através de um espúrio julgamento em que se pretende reabilitar a figura sinistra de Silva Pais, o director da polícia secreta salazarista.
Eis o seu teor:

 Date: Fri, 29 Apr 2011 12:25:51 +0100
Creio ser nosso dever repudiar esta acção e se possível estarmos presentes no julgamento no Dia 3 de Maio, pelas 9h15, Lisboa, no 2º Juízo Criminal, 3ª Secção, Avenida D. João II, 10801 – Edifício B. Parque das Nações.
(convém confirmar)
Cumprimentos
EB
***
Date: 2011/4/28
Subject: Dia 3 de maio - julgamento

Dia 3 de Maio, pelas 9h15, um julgamento que nos remete para os tempos da ditadura…
Os réus: Margarida Fonseca Santos (autora), Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira (ex-directores do Nacional D. Maria II) – somos acusados, pelos sobrinhos de Silva Pais, dos crimes de difamação e ofensa à memória de pessoa falecida. No seu entender, denegrimos a imagem do último director da PIDE com a adaptação para teatro do livro A Filha Rebelde (de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz), feita para o TNDM em 2007, com encenação de Helena Pimenta.
O Ministério Público não acompanhou a queixa.
Conquistámos, no 25 de Abril, a liberdade de expressão, que está agora posta em causa. Mas, mais grave ainda, esta é uma tentativa de branquear a imagem daquele que foi o responsável máximo da PIDE – a polícia política que perseguiu, torturou e matou muitos opositores ao regime, entre eles o General Humberto Delgado.
Pedimos que divulguem isto aos quatro ventos.
Um abraço
Margarida Fonseca Santos

Costa da Caparica (1)

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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Como funciona um motor

video

É uma geringonça complicada, mas que nos facilita a vida...

Sócrates inaugura hoje estação de esgotos que promete tirar o mau cheiro de Lisboa



Depois de cinco anos de obras, a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Alcântara, a maior do país, está finalmente pronta e entra hoje em funcionamento.
Nesta estação vão ser tratados esgotos de mais de 756.000 habitantes de Lisboa, Amadora e Oeiras. "É um sinal de grande modernidade do nosso país", defende a ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, que estará na abertura, com José Sócrates.
PÚBLICO
***
Uma boa oportunidade para Sócrates tomar um bom banho higiénico, embora se saiba que a água não lava tudo.
http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1491837

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Notas do meu rodapé: A História da infâmia

A História da Sua Escravidão (The Story of Your Enslavement in Portuguese)
Amabilidade do meu sobrinho João Castro Mota
*
A História da infâmia!...

A sobrevivência de uma determinada espécie animal não se baseia na acção predadora sobre os animais dessa mesma espécie. Eles apenas guerreiam entre si pela posse do território A sua sobrevivência estabelece-se, ao nível da cadeia alimentar, através do seu domínio sobre os animais de outras espécies, e com menor capacidade competitiva. Apenas o Homem, através do desenvolvimento da sua racionalidade, descobriu que a maneira mais fácil de sobreviver, é dominar e explorar os outros homens. A História da humanidade não é mais do que um quadro do horror da violência dos mais fortes e dos mais aptos sobre os mais fracos e mais inaptos. Os processos desse domínio foram mudando ao longo do tempo, adaptando-se aos novos contextos, que a própria História foi desenvolvendo.
Além das guerras, nos tempos actuais surge uma nova forma de dominação à escala planetária, perpetrada pela oculta ditadura do capital financeiro, que se esconde atrás da democracia formal dos Estados.
O que está a passar-se em Portugal, neste momento, ilustra bem a força dessa enorme ditadura, que tudo subverte em seu proveito. Os agentes nacionais dessa ditadura macrocéfala são os próprios políticos enfeudados ao sistema, acantonados nos partidos que dominam o poder político, e que neste momento têm a tarefa de domesticar o povo, para que aceite a sua imolação com sensata resignação.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O que é demais cansa!...


Aconselho o leitor a não fazer muitas contas, pois é inútil. E também nada adianta querer trabalhar, apenas para a estatística. No entanto, anda por aí muita boa gente a viciar os números para ocultar o dífice.

Conto: A última viagem - por Alexandre de Castro


A última viagem
1
Não sei porquê, mas comecei insidiosamente a pressentir que a viagem naquele comboio não tinha destino nem fim.
O bilhete era uma pequena cartolina branca, de forma rectangular, sem qualquer indicação útil para o revisor, que, à moda antiga, o obliterou com um alicate, dizendo-me obrigado, mecanicamente, ao mesmo tempo que me desejava boa viagem. Mas não me respondeu, quando lhe perguntei qual era a última estação daquela linha de via estreita, percorrida, ora num sentido, ora no outro, por carruagens antigas, de bancos de madeira corridos, puxadas com visível esforço, principalmente nas subidas, por uma locomotiva alimentada a carvão, que um homem de tronco nu, e todo suado, atirava às pazadas para a devoradora fornalha.
No banco, à minha frente, ia uma compenetrada senhora, com um elegante chapéu preto na cabeça e uma renda da mesma cor a descer-lhe pelo rosto. Disse-me que ia visitar o marido, mas começou logo a ler a Bíblia, quando lhe perguntei em que localidade se encontrava o marido. No entanto, reparara que ela trazia duas alianças no dedo anelar da mão esquerda, o que indiciava, seguramente, a manifestação pública do seu estado de viuvez. Não deixei de ficar intrigado.
Adormeci, e, quando acordei, ouvindo o som do matraquear das rodas sobre os carris, que me parecia vir de muito longe, apercebi-me da ausência de árvores na paisagem que desfilava pela janela da carruagem. Era uma paisagem dominada por terra amarela, como nunca vira, e as rochas tinham uma cor avermelhada, como se fossem brasas de uma lareira. Lembrei-me da paisagem de Marte, que já vira em fotografias.
A viúva, afivelando uma postura de dignidade, e antes de sair no apeadeiro, onde o comboio estava agora parado, permitiu-se tirar o chapéu da cabeça e destapar o rosto, para dar um retoque no cabelo, e pude então reparar que se tratava de uma mulher que deveria ter sido muito bonita na sua juventude.
Pela janela da carruagem ainda vi o chefe da estação com a bandeirola debaixo do braço, mas na frontaria do edifício não existia nenhum letreiro a indicar o nome do apeadeiro. Aí, dei-me conta que estava sem referências espaciais para poder orientar-me. Não sabia onde estava. Também já perdera as referências temporais, e o meu medo era poder vir a perder as referências existenciais, e acabar por não ser capaz de responder a esta pergunta tão simples, mas tão fundamental: Quem sou eu?
O meu relógio parara, inexplicavelmente, durante a viagem, e na parede do edifício do apeadeiro também não havia nenhum relógio, que me devolvesse o ordenamento temporal. Apesar do céu não ter nuvens, não era visível a existência do Sol ou de qualquer outro astro luminoso, e assim eu também não podia reencontrar-me com os quatro pontos cardeais. E comecei a interrogar-me de onde vinha aquela claridade constante e uniforme, sem qualquer nuance na mudança de tom e que transmitia uma pesada imobilidade ao dia, que parecia ser perpétuo. Pela primeira vez, experimentei uma estranha sensação de vazio, por sentir-me sem as coordenadas do Tempo, que a alternância dos dias e das noites faculta. Progressivamente, sentia que estava a perder aquela noção íntima do Tempo, que permite situar-nos no antes e no depois e que separa com nitidez o que é passado, presente e o que é futuro.
Entretanto, o lugar deixado vago pela viúva tinha sido ocupado por um senhor gordo, todo esbaforido de calor a arrastar pela coxia uma pesada mala. Deixei que se acomodasse, depois de ter esperado que terminasse a tarefa de limpar o suor da cara e do pescoço com um lenço branco, exageradamente grande, para lhe colocar todas as inquietantes dúvidas a que me conduziram as minhas recentes cogitações sobre o Espaço, o Tempo e a Existência. Respondeu-me amavelmente que essas questões já não o preocupavam, tendo acrescentado que, para ser mais exacto, até já nem conseguia abarcar a extensão e a profundidade desses conceitos e, enigmaticamente, deixou o seguinte conselho:
- Para nos livrarmos de um vício, o melhor é arranjar outro que o substitua, mas, neste caso, é preciso ter cuidado para não ficarmos com os dois.
E sem me dar tempo que lhe pedisse uma clarificação sobre a sua afirmação, tirou do bolso interior do casaco a carteira, que abriu para me mostrar a fotografia de uma mulher ainda jovem, e que eu imediatamente associei à senhora que acabara de sair da carruagem no último apeadeiro:
- É a minha mulher – disse-me, antes que eu fizesse alguma referência.
- Aqui, não podemos regressar ao passado, nem podemos caminhar para o futuro, porque passado e futuro deixaram de existir. Aqui só há presente.
- Como assim? - Perguntei, intrigado.
- Transferiram-me para outro campo, uma vez que ela vinha a chegar. E isso poderia afectar a ordem estabelecida.
- Como assim? – Voltei a insistir, colocando agora na minha voz um tom imperativo, que não admitia mais subterfúgios.
- Vai compreender, quando sairmos da carruagem, no próximo apeadeiro.
- E esse é o último apeadeiro desta linha? – Perguntei, na esperança de obter uma resposta à pergunta que no início da viagem o revisor tinha ignorado.
- Tanto quanto sei, esta linha não tem fim e não há viagem de regresso, uma manobra engenhosa para esvaziar a noção do Espaço. Uma vez que eu tinha obrigatoriamente de fazer esta viagem, pediram-me para o acompanhar e de o informar das novas regras. Já lhe disse que tem de arranjar outro vício, que substitua o vício de pensar, mas deve ter muito cuidado para não ficar com dois vícios.
- Está a dizer-me que tenho de viciar-me em não pensar.
- Não!... Eu não queria dizer isso. O que é necessário é que abdique de todo o tipo de lógica e que não utilize o pensamento dialéctico.
- Mas isso equivale a renunciar ao pensamento autêntico!...
- Como queira, Mas, o meu amigo vai descobrir que esse não é o pensamento autêntico, já que através dele, não se consegue abarcar esta realidade que existe à sua volta, e que é a realidade dominante.
Encolhi-me todo no banco, parecendo um bicho-de-conta a enrolar-se sobre si mesmo. Um frio percorreu-me a espinha, o que me provocou um arrepio, que o meu interlocutor teve a oportunidade de observar.
- Não se preocupe. Vai habituar-se.
Fez-se um pequeno silêncio na carruagem, que, sem eu ter constatado antes, já ia vazia.
- Os outros passageiros? - Indaguei, alarmado.
- Já saíram todos com o comboio em andamento. Já vejo que está surpreendido, mas a lei da Física da gravitação universal não se manifesta aqui. Já vê que tem de viciar-se num outro tipo de pensamento e abandonar o que aprendeu. Não queira ficar com dois vícios. E agora eu também vou sair e nunca mais irá ver-me, embora eu continue a observá-lo, segundo as instruções que recebi. Eu, quando cheguei, também tive de fazer este percurso.
- E a sua mulher? Também vai fazer este percurso?
- Porque faz essa pergunta?
- Por nada … Por nada! Simples curiosidade, nada mais.
- Apaixonou-se por ela, durante a viagem?
- Não, não!... Apenas reparei tratar-se de uma mulher interessante.
- Talvez ela venha fazer-lhe companhia, já que ela, quando me viu, disse-me que se apaixonara por si.
- Oh!.. Não pode ser!... Está a brincar comigo!...
- Estou a falar a sério, meu caro amigo. Percebi que ela já não me aceita. E não vale a pena obrigá-la a passar a eternidade a olhar para mim com desgosto. Mas ela só virá ter consigo, quando ambos aprenderem o novo pensamento.
E o homem estendeu-me a mão, grossa e papuda. E antes de desaparecer misteriosamente, tal como fizeram antes os outros passageiros da carruagem, disse-me:
- Quando o comboio parar no apeadeiro, siga sempre as setas que estão no chão, que o conduzirão à casa do guarda.
- Está a querer dizer-me que eu vou para uma prisão?
- Não. Aqui não há prisões. Mas, agora, peço-lhe para não fazer mais perguntas. Adeus.
2
Recebi esta carta numa tarde de Agosto. Vinha numa embalagem tubular, de um material que se desagregou completamente, depois de a abrir. Não trazia remetente, e a ausência de qualquer carimbo dizia-me que não tinha chegado através do circuito normal dos correios. Não faço a mínima ideia quem seria o seu autor.

Alexandre de Castro

Troika apanhada a roubar carteiras

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Os chefes da troika (UE-FMI-BCE) foram apanhados ontem, numa rua da Baixa Pombalina, a roubar carteiras aos transeuntes que se dirigiam para a manifestação do 25 de Abril, através da utilização de um engenhoso anzol electrónico. À polícia, que os apanhou em flagrante delito, os três dirigentes afirmaram que estavam a dar serventia ao anzol que o engenheiro Sócrates utilizara no PEC4.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

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Esta imagem, enviada pelo meu amigo João Fráguas, é muito elucidativa na sua expressão satírica e na sua expressão didáctica. Através dela, percebe-se como está montado e hierarquizado o gigantesco sistema do capitalismo financeiro mundial, que tem o seu vértice nos EUA e na Grã-Bretanha. A cadeia de dominação estende-se a nível planetário. O seu objectivo é extorquir, com a conivência dos governos e das elites locais, a riqueza dos países dominados, que é produzida pelos seus respectivos trabalhadores.
As outras teorias que procuram ocultar esta realidade são meras fantasias para enganar os cidadãos. 

Notas do meu rodapé: É necessário encontrar novas lideranças para Portugal

Alguns subscritores pertencem ao movimento
Geração à Rasca (Daniel Rocha)

Miguel Cardina: “O património cívico e simbólico do 25 de Abril está em erosão”
Preocupações do presente com uma referência do passado. Um grupo de 74 portugueses nascidos depois de 1974 assinou um Manifesto para que a revolução de Abril não seja esquecida.
É preciso “manter vivo o património cívico e simbólico do 25 de Abril que está em erosão”, justifica Miguel Cardina, historiador, e um dos subscritores do texto intitulado “O inevitável é inviável”.
Na lista (que não se quis compor de notáveis) constam nomes como o dos humoristas Ricardo Araújo Pereira, Jel, Marta Rebelo, ex-deputada do PS, mas também elementos do movimento Geração à Rasca e muitos anónimos – médicos, engenheiros e estudantes.
PÚBLICO
***
Já aqui se escreveu que o actual regime estava moribundo. Morreu com a entrada no país do FMI, a coberto do apoio hipócrita da UE, e vai ser enterrado pelo PS e pelo PSD, sendo José Sócrates o coveiro e Passos Coelho o primeiro ajudante. 
Para aqueles que sublinham os benefícios das anteriores intervenções do FMI em Portugal, nos finais dos anos setenta e no início dos anos oitenta, é necessário dizer-lhes que o contexto internacional era diferente, pois a economia mundial crescia de uma forma acentuada e sustentada. Na actualidade, a volatilidade é a única certeza. A Europa está em crise, a sua moeda única ameaçada e, no horizonte, perfila-se uma outra crise mundial, que, desta vez, não poupará as economias emergentes. As causas que a irão desencadear são as mesmas que provocaram a crise iniciada em 2008. Nenhuma das medidas de fundo, acordadas tacitamente nas reuniões do G20, tiveram sequência prática. O grande capital financeiro não perdeu a sua intocabilidade, continuando, através da economia especulativa, a sua acção predadora sobre a economia produtiva. Os governos, com o argumento da imperiosa necessidade de garantir a estabilidade dos bancos, encarregaram-se de os subsidiar com o dinheiro dos contribuintes, aplicando aquele lema de lhes poder proporcionar a privatização dos lucros e a socialização (nacionalização) dos prejuízos. Países como Portugal, Grécia e Irlanda, sujeitos já à mão dura do FMI, não resistirão à hecatombe, se a nova crise mundial, entretanto, eclodir.
É na perspectiva deste cenário sombrio, que os direitos sociais dos portugueses, conquistados e garantidos depois do 25 de Abril, estão em perigo. Os sacrifícios impostos pelo governo socialista em 2010 foram completamente inúteis, já que o quadro orçamental e o quadro da dívida, em vez de melhorarem em relação a 2009, sofreram uma regressão, em resultado da contabilidade criativa do governo, que queria esconder os compromissos financeiros com o BPN e BPP e também com as Parcerias Público Privadas. Não tenhamos dúvidas. Para garantir a consolidação, até 2013, dos objectivos pretendidos pela UE, em relação ao défice orçamental e em relação à dívida pública, o FMI vai estrangular as políticas sociais no âmbito da Saúde, da Segurança Social e da Educação.
E com o edifício social desmantelado, já não se poderá falar do 25 de Abril. Falar-se-á antes do 24 de Abril. 
Compete à nova geração, a chamada Geração à Rasca, inverter, de uma forma radical, o curso dos acontecimentos, assim como a minha geração o fez antes do 25 de Abril, e que, agora, não regateará o seu apoio à mudança que se impõe. E é de política que eu estou a falar, da mesma política que os capitães de Abril também tiveram de falar, antes de o MFA desencadear o golpe revolucionário vitorioso. Ao movimento da Geração à Rasca exige-se algo mais do que a discussão da oportunidade de um referendo ou da exigência de legislação específica em relação à precariedade. Os barões dos partidos dominantes, já bem treinados por anos e anos de demagogia e de mentiras, adquiriram competências para conseguir inutilizar silenciosamente qualquer ideia generosa, que lhes chegue às mãos. Não é pois com o PS ou o PSD, ou os dois partidos juntos, que a mudança ocorrerá, já que os seus dirigentes são uma cópia grotesca da brigada do reumático marcelista.
É necessário encontrar novas lideranças para Portugal.
http://publico.pt/Política/miguel-cardina-o-patrimonio-civico-e-simbolico-do-25-de-abril-esta-em-erosao_1491159

Grândola, Vila Morena (25 de Abril)

25 de Abril sempre!...


domingo, 24 de abril de 2011

Nana Mouskouri -Je Chante Avec Toi Liberté


Nana Mouskouri encantou o mundo com a sua voz esplendorosa. Nascida em Creta, e tendo ido para Atenas, ainda na sua primeira infância, a sua vida não foi fácil. A muito custo, os seus pais custearam a sua entrada, assim como a da sua irmã, no famoso Conservatório de Atenas. Com a ocupação nazi da Grécia, durante a 2ª Guerra Mundial, as condições económicas deterioraram-se, e Nana Mouskouri só não deixou de ter aulas de canto, porque uma das suas professoras, reconhecendo o enorme talento da sua pupila, se prontificou a fazê-lo gratuitamente.
Aos 16 anos, ingressa naquele conservatório, para frequentar o curso superior de canto.
É pois uma voz trabalhada, a de Nana Mouskouri, o que explica a brilhante modulação musical que imprime às suas interpretações.
Herdando a militância política de seu pai, que enquadrou a resistência à ocupação nazi, Nana Mouskouri pertenceu ao movimento de oposição ao regime dos coronéis, e, após a restauração da democracia, ocupou o cargo de ministra da Cultura, num dos primeiros governos.
No ano passado, perante as duras medidas impostas à população pelo governo da Grécia, em obediência ao plano de intervenção da UE-FMI, Nana  Mouskouri assumiu uma atitude de grande dignidade, renunciando ao seu vencimento de deputada, o que, na altura, me levou a fazer o seguinte comentário:
Nana Mouskouri, uma cantora por quem sempre cultivei um enorme fascínio, ao assumir este gesto altruísta, o da renúncia à sua pensão de eurodeputada, a favor da sua Pátria, transcende a vulgaridade do nosso tempo, marcada pelo egoísmo e pela desmedida ambição pessoal, mesmo a que se obtém a qualquer preço. Que o gesto sirva de lição a todos aqueles que, em todas as partes do mundo, afirmam, muitas vezes em vão, estar ao serviço do seu país e do seu povo.

Fotografia: Um prémio justo para João Grazina


Esta fotografia do João Grazina, que associa, num instantâneo feliz, a beleza de uma jovem ao grande movimento de protesto de 12 de Março, obteve o 1º prémio num concurso fotográfico da Associação Abril.
Parabéns, João Grazina.

sábado, 23 de abril de 2011

A fábula da Ratolândia vista por Tommy Douglas

Amabilidade do João Fráguas, que sugeriu este vídeo
*
Em Portugal, já fomos governados pelos gatos brancos, pelos gatos pretos e pelos gatos malhados. Os gatos destas duas cores até já fizeram uma coligação. Pouco a pouco foram alargando a portinha por onde se podia fugir, dizendo-nos sempre que seria para nosso bem. O que é certo é que eles já podem meter as quatro patas, para nos assaltar a bolsa.
Com esta fábula paradigmática e profundamente didáctica, Thomas (Tommy) Douglas, que exerceu cinco mandatos como primeiro-ministro do Canadá, fez uma arrasadora sátira ao sistema partidário das democracias ocidentais, e que tem a sua máxima expressão no bipartidarismo dos EUA. O poder muda de actores, mas, contudo, não muda de mãos. A sede do poder continua a residir na oligarquia financeira.
Julgo que Tommy Dougalas nem sequer tinha ideologia. Para ele a política era um meio para promover o bem-estar de toda a população. Foi por sua iniciativa que o Canadá instituiu o primeiro sistema de saúde universal e gratuito. Ele pertencia àquela estirpe de políticos que, abnegadamente, serviam o bem público sem se servirem a si próprios, o que nos tempos de hoje já é uma raridade, principalmente em Portugal. 

Um Poema ao Acaso: Improviso para soletrar a vingança… - Ademar


Improviso para soletrar a vingança…

De tanto esperares em vão
desaprendeste de esperar
percebo agora por que nada esperavas
ou esperavas sempre tão pouco
quando tudo parecia tardar
no compromisso da mentira
morreram tantas vidas na tua vida
em tantas esperas cansadas
que só podias mesmo desistir de morrer
eis quando acordaste
para vingar o destino
the best revenge.

Ademar
06.07.2007

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Edite Estrela lamenta exclusão de Teixeira dos Santos das listas do PS


Edite Estrela, do secretariado nacional do PS, lamentou hoje a exclusão do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, das listas do partido nas próximas eleições legislativas.
Em declarações esta manhã à rádio TSF, a socialista comentou que, se Teixeira dos Santos estava interessado em integrar as listas, foi uma pena que tivesse sido excluído. “Se ele estava disponível e não foi convidado, lamento, porque é uma pessoa com valor e representaria uma mais-valia”, disse àquela rádio.
PÚBLICO
***

Foi, sem dúvida, um dos piores ministros das Finanças, depois do 25 de Abril. Falhou todas as tentativas para corrigir a evolução negativa dos défices orçamentais e o aumento da dívida pública. A partir da crise mundial, iniciada em 2008 - e que ele, em 2009, caricatamente, deu por terminada, ao dizer que ela já tinha batido no fundo, o que atesta a sua falta de compreensão dos fenómenos económicos - todas as suas previsões e projecções saíram erradas, sendo desmentidas pela realidade. Também não percebeu que em períodos de recessão económica é impossível corrigir défices orçamentais e pagar dívidas, o que o obrigaria, perante a União Europeia, a denunciar as exorbitantes exigências que estavam a ser impostas a Portugal. Nunca se ouviu da sua boca uma palavra de protesto. Pelo contrário, no seu discurso, apresentava-se sempre com um pensamento concordante e alinhado, em relação a Bruxelas.
Ao não ser convidado para as listas de deputados, leva-me a crer que a máquina gigantesca de propaganda do PS se prepara para, subliminarmente, o apresentar como o grande culpado do fracasso do governo, iludindo assim a responsabilidade do próprio primeiro-ministro, José Sócrates. Já se percebeu que, em Portugal, não há escrúpulos em dar facadas pelas costas aos amigos políticos.

Homens da Luta - "Gosto muito de te ver Coelhinho"

Uma ideia do Pedro Frias, no Facebook

A Última Ceia na pintura, através dos tempos...

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Amabilidade do João Fráguas

The T-Mobile Royal Wedding

Mikis Theodorakis - Strose to stroma sou & Zorba (live,2005)

*
Trata-se de uma música feiticeira, porque nos enfeitiçou a todos no filme Zorba, magnificamente interpretado pelo saudoso Anthony Quinn.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Inédito: Uma muçulmana na capa da Playboy


Pela primeira vez na história da publicação, uma mulher muçulmana posou nua para a Playboy - na sua versão alemã, que chegou ontem, quarta-feira, às bancas.
Diário de Notícias
***
Vou já converter-me ao islão e prometo, desde já, nunca mais comer toucinho.
http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1835442&seccao=Europa

Última ceia de Jesus pode ter sido numa quarta-feira e não na quinta-feira santa


E se a Última Ceia de Jesus Cristo tiver sido numa quarta-feira e não na comemorada quinta-feira? Num estudo publicado esta semana, Colin Humphreys, professor da Universidade de Cambridge, assegura que a última refeição que Jesus partilhou com os seus 12 apóstolos aconteceu um dia antes daquilo que se pensa.
PÚBLICO
***
A ceiazinha foi antecipada para quarta-feira, porque na quinta-feira a televisão de Jerusalém transmitia o encontro de futebol entre o Sporting Clube de Belém e o Futebol Clube de Jericó. O árbitro era um centurião romano.

Ana Jorge quer controlar fraldas nos hospitais que "têm asas e desaparecem"


“Muitas vezes as fraldas têm asas e desaparecem, como outros produtos do hospital. Tem de haver um controlo do número de fraldas fornecidas. É preciso gerir muito bem o número de fraldas que se gastam num serviço, quer para crianças, quer para adultos”, comentou Ana Jorge em entrevista à agência Lusa.
PÚBLICO
***
Decrete-se já a abertura da época da caça às fraldas!...

Passos Coelho já tem o Governo na cabeça


O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje que já tem na cabeça a composição do Governo que pretende formar se ganhar as eleições legislativas de 5 de Junho.
PÚBLICO
***
E o governo cabe lá?

Já há comprador para José Sócrates


Primeiro-ministro posto a leilão por 75 mil milhões de euros
O site leilões.net colocou hoje a leilão José Sócrates, primeiro-ministro de Portugal, com uma base de licitação de 75 mil milhões de euros. Conta a Rádio Renascença que o anúncio, entretanto retirado, apontava como razão da venda a liquidação do país.
PÚBLICO
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A Coreia do Norte mostrou interesse em adquirir José Sócrates. Até ao momento, desde que o leilão foi anunciado na internet, com uma base de licitação de 75 mil milhões de euros, não apareceram mais interessados.

Ministra: Maternidade não deve cobrar pelo sémen


A Maternidade Alfredo da Costa terá de incluir o preço do sémen de dador importado no custo global dos tratamentos para a infertilidade, em vez de o cobrar ao utente, revelou à agência Lusa a ministra da Saúde.
A maior maternidade do país, localizada em Lisboa, avançou hoje que iria iniciar brevemente tratamentos de infertilidade com esperma de dador, mas quem os receberia teria de pagar o sémen, que é importado de Espanha e custa 350 euros.
Diário de Notícias
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Porra! Não sabia que era assim tão valioso! E eu que desperdicei tanto! 

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Conto: O meu mundo subaquático - por Alexandre de Castro


O meu mundo subaquático

Enquanto mastigava, a língua dançava-me na boca a enrolar a comida e, em movimentos mais elásticos, procurava apanhar aqueles resíduos dispersos que teimavam entalar-se nas comissuras e colar-se às gengivas e às bochechas. Foi num desses movimentos que a placa esquelética saltou do lugar e o gancho metálico, que se encontrava solto, por, há dias, se ter partido o dente canino de apoio, foi espetar-se na base da língua, rasando aquele veio azulado, que se vê, proeminente, quando a dobramos com a ponta virada para cima. Foi uma dor aguda, um fio de fogo a queimar-me por dentro, e imediatamente pensei que deveria ser essa a dor que os peixes sentiriam quando mordiam o anzol. E neste acidente, o gancho da placa funcionou, na realidade, como se fosse um autêntico anzol, pois quanto mais procurava libertar a língua, mais ele penetrava naqueles tecidos moles, já todos ensanguentados, o que aumentou o meu pânico. Tive de socorrer-me da mão, mas, por mais manobras que fizesse, o gancho rasgava cada vez mais a carne. Só com um valente e decidido esticão, a fazer estremecer de dor todo o meu corpo, uma dor a ressoar pelas entranhas e quase a provocar-me um desmaio, consegui arrancar o maldito gancho, que trouxe agarrado na ponta um pequeno pedaço de carne. Parecia uma minúscula amostra de um tecido destinado a uma biopsia.
A boca já era uma massa ensanguentada, a formar uma pasta mole, que cuspi com violência para o lavatório, indo, como se tivesse sido um espirro, salpicar o espelho e os azulejos brancos das paredes. O sangue saía aos borbotões daquele veio azul, que pulsava ao ritmo da dor. Fechei a boca, mas ainda tive tempo de ver no espelho os dentes raiados de sangue, como se fosse um drácula. Bochechei com a água fria da torneira, mas, cada vez mais, o sangue saía em maior quantidade. Meti na boca, por baixo da língua, um toalhete molhado, procurando fazer alguma pressão sobre o golpe para conseguir estancar as golfadas de sangue. De nada me valeu. O toalhete ficou encharcado de sangue, parecendo um molusco viscoso. Lembrei-me então de ir buscar uma pedra de gelo ao frigorífico, na esperança, tal como sempre ouvi dizer, que o frio contrai as artérias e as veias, e que é eficaz nas hemorragias.
Olhei para o espelho casualmente e comecei a ver os olhos marejados de lágrimas vermelhas a esconderem o branco da córnea. Entrei em pânico e comecei a pensar na melhor maneira de pedir socorro e ir ao hospital. O medo de morrer ali, sozinho, a esvair-me em sangue, aterrorizava-me. Durante a minha vida pensei várias vezes nas muitas maneiras de poder vir a morrer. Na cama, na rua, com um fulminante ataque de coração, num acidente de automóvel, na enfermaria de um hospital, na mesa de operações... Mas nunca pensei morrer assim, devido a uma hemorragia na língua, provocada por um golpe certeiro da ponta de um gancho de uma placa dentária esquelética.
Olhei novamente para o espelho, que já me devolvia a cor de cera do meu rosto, e meti os dedos nos ouvidos, para me certificar se também por ali perdia sangue. Foi quando eu reparei em duas protuberâncias membranosas, que começaram a crescer por detrás das orelhas. Ao apalpá-las, tive a sensação de sentir a pele escamosa de um peixe. Voltei a tocá-las, ao mesmo tempo que torcia o pescoço, para as ver melhor, e reparei que na sua parte inferior, aquelas duas protuberâncias apresentavam uma abertura, como se ali tivesse sido feito um golpe com uma navalha, tal era a perfeição do seu alinhamento rectilíneo. Fiquei intrigadíssimo com este fenómeno anatómico, de que nunca ouvira falar.
Por uns momentos, pensei que teria entrado num estado alucinatório, mas a evidência do sangue, que já me sujara a camisa de linho, e aquelas duas protuberâncias de uma cor acastanhada, como se fossem dois tumores, confirmavam-me a surpreendente realidade. Belisquei a perna, para ver se tudo aquilo não passava de um pesadelo. Olhei para o relógio, que marcava dez horas da manhã, e a essa hora eu não podia ainda estar a dormir. Aliás, lembro-mo muito bem do despertador tocar e de ter saltado da cama, assim como me lembro de estar a comer as torradas do pequeno-almoço, tendo sido nesse momento que ocorreu o acidente com o gancho da placa esquelética.
Cheguei à conclusão de que meter debaixo da língua um toalhete molhado seria a melhor maneira de evitar a saída do sangue pela boca, embora notasse que a hemorragia continuava, ao ponto de já ter utilizado meia dúzia de toalhetes, que ia deitando na tulha da roupa suja, devidamente embrulhados em tiras de papel higiénico. Depois, passei a embrulhá-los em papel de jornal, por me parecer que os isolava melhor, evitando assim manchar de sangue a outra roupa.
Resolvi também tirar a camisa, a única camisa de linho que possuía, e daí a razão de gostar muito dela e de a vestir mais vezes. E foi nesse momento que comecei a sentir falta de ar. Primeiro, julguei tratar-se de uma somatização dos sintomas da minha ansiedade, o aparecimento de uma anormalidade física, desencadeada pelo medo. Mas, já na rua, à procura de um táxi, que me transportasse ao banco de urgência, sentia que a dificuldade em respirar começava a aumentar. Tentei controlar o meu pensamento, pois sabia que quanto mais pensasse na hemorragia, mais agravava aquela sensação de falta de ar, que me obrigava a fazer inspirações profundas, para resistir melhor. Comecei a concentrar-me na imagem do peixe a morder o anzol, que me tinha surgido na casa de banho, quando tentava retirar da língua o gancho da placa esquelética. Tive de aplicar toda a minha energia mental, adquirida na prática do yoga, para esquecer a dor do ferimento e para superar a ansiedade.
Mas, quando já tinha iniciado o exercício de concentração, alarmei-me com a constatação de que os táxis vinham todos ocupados e que o trânsito fluía lentamente. Um novo alarme fez-me estremecer, ao ponto de sentir as pernas a fraquejar. Fiz as contas. Por este andar arriscava-me a morrer asfixiado, ali, no passeio, ou dentro do táxi, ensarilhado no tumulto do trânsito. Seria o cúmulo do azar, morrer ali, desamparado, com o hospital a uma centena de metros, apenas porque, inicialmente e por cautela, não quis arriscar fazer o respectivo percurso a pé. Mas foi isso que, perante a dificuldade de apanhar um táxi vazio, decidi fazer, confiante na minha capacidade de conseguir domesticar o ciclo respiratório, enquanto impunha um ritmo seguro e regular às minhas passadas. Desci a avenida e cortei para o jardim do Repuxo, para atalhar caminho, e ao olhar para a fonte, no meio do jardim, com uma enorme taça de pedra, na base, cheia de líquenes, fui acometido por uma sede intensa, ao ponto de não resistir a inclinar-me para a carrancona de pedra que deitava água por um cano enfiado na boca. Senti uma sensação agradável ao beber aquela água e receber os seus salpicos na cara. Um impulso mais, e de uma forma irresistível, enfiei a cabeça debaixo do cano. Deixei-me ficar ali, a saborear o prazer provocado pela água a correr-me pela cabeça, embora, assim de repente, aquelas duas protuberâncias, atrás das orelhas, tivessem começado a latejar. Ao incómodo motivado pela falta de hábito, começou a sobrepor-se a doce sensação da quietude do meu corpo, ao ponto de ter esquecido a dor na língua e de a respiração ter retomado o seu ritmo normal. O que me surpreendeu foi aquela sensação de habitar um corpo revigorado por novas forças, que já me vinham faltando, durante a caminhada.
Entretanto, a hemorragia continuava. Enfiei um novo toalhete debaixo da língua, e reiniciei a minha marcha, agora mais apressada, pois uma tão grande perda de sangue começava a preocupar-me. Mal iniciei a caminhada, um relâmpago atravessou-se no pensamento, iluminando um súbito pressentimento. Voltei atrás e olhei para o tanque e, para meu espanto, não vi na superfície da água vestígios de sangue, embora tivesse a certeza de que o toalhete, que tinha atirado, momentos antes, para o caixote do lixo, ali ao lado, parecesse o tal molusco avermelhado e viscoso.
Estranho, disse para mim. Tenho de falar ao médico deste pormenor, que não deverá ser insignificante, pois nunca se viu uma ferida deixar de sangrar subitamente, para depois, passados uns minutos, ser novamente necessário utilizar um toalhete para estancar o sangue. E foi a meio deste solilóquio que as protuberâncias começaram a doer-me, enquanto latejavam com mais intensidade, emitindo um som estranho, muito parecido com o som gutural, provocado pela libertação da expectoração. Estanquei a marcha, e um novo relâmpago atravessou-me a cabeça e o corpo, deixando no seu rasto uma queimadura profunda e inquietante. Uma nebulosa translúcida fixou-se nos olhos e comecei a ver os objectos, as casas e as pessoas a flutuarem no ar, numa realidade etérea, que eu não compreendia. As pessoas, lá nas alturas, em diversos patamares, adquiriam aquela postura repousada de quem vai numa escada rolante. Umas diziam-me adeus, outras faziam-me caretas e algumas insultavam-me. As crianças riam-se e atiravam-me pedras e pedaços de madeira. Até um polícia, lá do alto, que deslizava ao lado de uma velhinha, apoiada numa bengala, me ameaçou com o cassetete em punho. As pessoas já eram tantas, por cima da minha cabeça, vindas de todas as direcções, e cruzando-se umas com as outras, que eu comecei a correr desalmadamente, com o meu pensamento fixado na nebulosa esbranquiçada, que cobria os meus olhos. Pisei os canteiros do jardim, derrubando as plantas à minha passagem. Atravessei-me à frente dos carros, empurrei pessoas num passeio. Vi, finalmente um táxi livre. Filho da puta, que não apareceste, quando eras preciso, gritei, furioso, para o taxista, que travou de repente, ficando a olhar para mim com um ar aparvalhado, enquanto eu continuava aquela correria louca, assustando as pessoas, que faziam alas para me dar passagem.
Eu estava a ser guiado por aquela névoa, que me cobria os olhos, e ao passar por uma montra com vidros espelhados pude ver que eles eram grandes e redondos, cobertos por uma membrana gelatinosa, e era devido a essa membrana que eu via, de dentro de mim, a nebulosa translúcida e esbranquiçada, que me apontava o caminho a seguir. Ainda tive tempo de ver as duas protuberâncias que, entretanto, tinham incorporado as orelhas, dando ao meu rosto um aspecto espalmado.
Já uma multidão vinha no meu encalço, gritando e agitando freneticamente os braços. As pessoas, que flutuavam por cima da minha cabeça, como se fossem transportadas por uma passadeira rolante aérea, olhavam-me com um misto de desprezo e de comiseração.
A névoa já estava a indicar-me que o fim da correria estava a chegar ao fim, e, naquele momento, era o que mais ansiava, pois a respiração começava a claudicar e as pernas falhavam constantemente. Até que cheguei ao cais das colunas, depois de atravessar a grande praça ladrilhada. Veio o cheiro da maresia dilatar-me as narinas. O vento marítimo adoçava-me a cara afogueada. Ao longe, o silvo agudo dos navios, a entrarem no porto.
Parei no muro do cais, e olhei aquele lençol de água do estuário, uma lâmina espelhada a reverberar a luz do sol. Dei um salto e mergulhei na água, até ao fundo. Dejectos e mais dejectos, a carcaça enferrujada de um automóvel, cercado de peixes, muitas garrafas de vidro, botijas de gás e até um caixote escavacado com armamento militar. O rio era o vazadouro do lixo da cidade, pensei, enquanto dei um impulso ao corpo para vir à superfície e olhar pela última vez a cidade, para depois mergulhar definitivamente nas profundezas, pensando que só regressaria a terra, se um outro anzol viesse a prender-se na minha língua ou se ficasse enrolado nas malhas de uma rede de arrasto.
***
Lembro-me de começar a ver um ponto brilhante e um sussurro de vozes à minha volta, enquanto, num lento acordar, ouvia os meus gemidos e sentia fortes dores no corpo, como se um pesadelo se tratasse. Os olhos abriram-se lentamente, e movi os dedos da mão a tentar tactear a realidade, mas rapidamente fechei as pálpebras, agredido pela luz intensa e branca que vinha de um objecto em forma de disco. Julgo que, por breves momentos, voltei a adormecer, como se o corpo se recusasse a sair do limbo inconsciente, e quando voltei a abrir os olhos, vi a cara circunspecta de um homem a aproximar o seu rosto do meu, olhando-me fixamente, através de uns olhos muito azuis, enquadrados por uns óculos de aros metálicos e finos. Com uma pequena lanterna apontou-me um foco de luz para cada uma dos meus olhos, e com os dedos delicados, que eu senti frios, revirou-me as pálpebras. Como se sente, perguntou-me, com uma voz suave, que me pareceu longínqua, vinda como um eco do fundo do tempo.
E foi então que eu lhe disse que a sua cara estava a transfigurar-se lentamente, ficando cada vez mais espalmada, e parecendo-me estar a ver um peixe muito grande, de olhos líquidos esbugalhados. Levantou-se de repente e disse a alguém, que eu do meu lugar não podia ver, para me dar outra injecção e deixar-me amarrado à cama.
Adormeci novamente, julgando que estava no fundo do mar.

Alexandre de Castro

Lisboa, Abril de 2011

Porque será que são sempre os mesmos a pagar as favas?!


O meu amigo Jorge Ribeiro enviou-me por correio electrónico este texto, que anda a correr pela internet, e que não deixa de ser sugestivo e oportuno, a tal ponto que nenhum português honesto recusaria subscrevê-lo. É certo que a medida preconizada revelar-se-ia insuficiente para cobrir o défice orçamental, mas se acrescentássemos ao bolo o corte do subsídio de férias e do subsídio de Natal a todos os administradores das empresas privadas cotadas na bolsa de valores e um imposto adicional de 10 por cento sobre os lucros dessas mesmas empresas no ano fiscal de 2010, então seria possível mandar embora os figurões da troika do FMI-UE-BCE.
Eis o texto:
"Alguém encontrou uma solução...
Suspender os vencimentos por seis meses de todo o Governo, Parlamento e Administradores das Empresas públicas, pois para eles é uma gota no Oceano, diminuir os impostos e favorecer a economia Social aos trabalhadores para aumentar o poder de compra, e assim só assim se levanta a economia em Portugal".

Cultura Africana - Pintura 2 (4)

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