quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

LENDA - poema de Olímpio Alegre Pinto

LENDA

Há muito, muito, muitíssimo mais que mil anos,
a loba, farejando caça, cheirou o homem...
recém nascido, abandonado, inerte.
Abocanhou-o com cuidado, e para a toca o levou
e a seus filhos o juntou, lambeu e aconchegou.

Alta noite, luar de prata, o lobo chegou...
e o novo filho também cheirou...
e muito lambeu! ... Correu, lesto, à colina,
e, no meio da noite, com muita força, uivou!
O homem sobreviveu! ...
E sempre comeu o que o lobo lhe deu.
A caçar não aprendeu!
Mas um pecado cometeu!
a seu pai, não agradeceu...
a sua mãe, olvidou...
a seu irmão enganou! Chamando-lhe cão,
dele se aproveitou!
À lealdade faltou!!
E, muitas vezes,maltratou!!! ... ...

Há muito mais que mil anos que dizem
que os medos, as lendas, os mitos,
os licantropos, as fantasias...
(até Rómulo e Remo)!
não são mais do que aquilo que ficou
de um uivo de alegria que começou, e que
em uivo de tristeza se transformou!
O.A.A.P.
Julho 2011