domingo, 31 de outubro de 2010

OE 2011: Eles, afinal, entendem-se no essencial...

A jarra foi comprada numa loja dos 300 e o copo numa loja de chineses. O acordo sobre o Orçamento de Estado também não merecia mais.

Um Poema ao Acaso: PORTUGAL - Miguel de Unamuno



PORTUGAL

Do mar Atlântico na margem pura
se senta uma matrona desgrenhada
ao pé da serrania coroada
de triste pinheiral. Nos joelhos dura

os cotovelos pousa, e o rosto na mão,
e crava ansiosos olhos de leoa
no sol poente, e o mar em frente entoa
de maravilhas a fatal canção.

Diz-lhe de longes terras e de azares,
enquanto ela os pés banha nas espumas,
sonhando absorta o trágico império.

Miguel de Unamuno
(1864-1936)

Tradução de Jorge de Sena

El último testimonio de Unamuno

***
Este texto de Miguel de Unamuno foi escrito, quando o escritor se encontrava, já doente, em prisão domiciliária, na sequência da sua desassombrada discussão com o fanático e paranóico general franquista, José Millán-Astray y Terreros, na sessão solelene de abertura do ano lectivo de 1936/37 da Universidade de Salamanca, de que era reitor. Desiludido com Franco, que, no início do levantamento militar, que iniciou a sangrenta Guerra Civil de Espanha, chegou timidamente a apoiar, mais como forma de protesto em relação à deriva do regime republicano, de que foi um apoiante convicto, do que por qualquer simpatia em relação a Franco, Unamuno, no seu discurso desassombrado, acusou a ideologia fascista dos franquistas e denunciou os crimes que vinham praticando, pronunciando a célebre frase "Vencereis, mas não convencereis", ao que Millán-Astray, por sua vez, respondeu, pronunciando outra frase, que também ficou célebre, por caracterizar toda a brutalidade do novo regime, dizendo "Abaixo a inteligência e viva a morte". Com uma altiva dignidade, Unamuno abandonou a sala, como forma de protesto, não sem antes lançar o firme repto "Viva a vida".
Destituído, pela terceira vez, das funções de reitor da Universidade de Salamanca, Unamuno, que amava a sua Espanha, veio a morrer aos 72 anos de idade, de doença e de desgosto.
Deixou uma obra de incalculável valor no domínio da filosofia, da poesia, da novela e da filologia. Muitos anos antes, foi um dos grandes impulsionadores do eclético movimento literário Geração 98, onde também pontificava o escritor António Machado, movimento este que, ao nível literário, fez a ruptura com o realismo, procurando restaurar a identidade nacional, completamente arrasada e deprimida com a perda das colónias espanholas da América Central, através da recuperação, nas suas obras ficcionais, do ruralismo e e da respectiva linguagem popular.
Na filosofia, Unamuno foi o introdutor da corrente existencialista, em Espanha, após ter abandonado o pensamento positivista, que abraçara na sua juventude.
Basco de nascença, foi em Salamanca que Unamuno passou a maior parte da sua vida. Foi nomeado, pela primeira vez, reitor da sua universidade em 1901, no culminar de uma brilhante carreira académica. Desde 1891, leccionara ali Literatura Clássica. É destituído destas funções, em 1914, por ter escrito um texto, considerado ofensivo para com o rei Afonso XIII. Conheceu o exílio. Com o advento da República, em 1931, é reconduzido às suas anteriores funções, mas em 1936 é demitido pelos republicanos, por ter manifestado apoio ao levantamento militar de Franco. Descobrindo a verdadeira natureza do novo regime, é novamente demitido, como se disse anteriormente, pelos franquistas, naquela emblemática cerimónia pública, que ficou para a História como símbolo de resistência da inteligência contra a aliança espúria do quartel com a sacristia.

Um Poema ao Acaso: Improviso breve para servir de salvo-conduto - de Ademar

Improviso breve para servir de salvo-conduto

Não tenho chaves
que sirvam nas tuas algemas
nem algemas
que sirvam nos teus pulsos
apenas um anel de memórias
e duas mãos sempre prisioneiras.
Ademar
20.01.2008

sábado, 30 de outubro de 2010

Orçamento de Estado: A montanha pariu um rato...


OE 2011: As cinco medidas do acordo nos impostos e despesas
1. IRS - Manutenção do actual esquema de deduções fiscais para as despesas das famílias com a educação, saúde e habitação com excepção dos dois últimos escalões de rendimentos mais elevados;
2. IVA - Aumento da taxa normal do IVA em dois pontos percentuais, para 23%
3. IVA -Não alteração da composição actual dos vários grupos de produtos a que se aplicam a taxa reduzida, a taxa intermédia e a taxa normal, aos produtos alimentares e aos produtos para alimentação humana constantes das listas I e II dos anexos do Código do IVA;
4. Parcerias Público-Privadas - criação imediata de um grupo de trabalho, constituído por personalidades qualificadas, escolhidas de comum acordo, para a reavaliação de todas as Parcerias Público-Privas.
5. Pagamentos do Estado – “Garantir os mecanismos jurídicos, administrativos e procedimentais para o cumprimento efectivo do prazo de 60 dias no pagamento aos fornecedores
Jornal de Negócios
***
Aparentemente, no ponto de vista político, o PSD ganhou pontos ao governo do PS, nesta encenação sobre a viabilização do Orçamento de Estado de 2011. Mas isto não é nada que o PS não possa vir a reverter ba seu favor.
No entanto, se o orçamento já era mau, na perspectiva de uma maior equidade na repartição dos sacrifícios, ele continua a ser mau por excluir os rendimentos de capital deste esforço suplementar e ignorar por completo os cidadãos que sobrevivem com o salário mínimo, já que aqueles que auferirem um rendimento até seis mil euros anuais passarão a ser tributados em sede de IRS.
A propagandeada manutenção do esquema de deduções fiscais em relação às despesas de saúde e de educação, apenas vai favorecer as classes ricas, que não atinjam o rendimento de 60 mil euros anuais. A maioria da população, porque não tem possibilidades de recorrer às clínicas e aos hospitais privados e aos colégios de luxo (a qualidade da maioria destas instituições privadas é uma miragem), não beneficia da magnanimidade exibida pelo PSD, magnanimidade que vai ao encontro dos interesses dos lobbys dos hospitais privados, que, com a conivência do PS, perseguem o objectivo de se constituirem uma alternativa, com o auxílio do Estado, à rede hospitalar pública.
É evidente que é de aplaudir a proposta para que os produtos alimentares mantenham inalterada a taxa de IVA reduzida, por razões de índole social, pois se esses produtos começassem a ser tributados com a taxa de 23 por cento, o drama da fome seria devastador.
Mas o essencial do projecto inicial do governo manteve-se intacto. Este orçamento foi elaborado para agradar aos mercados financeiros e às instituições internacionais, ignorando por completo a vertente do desenvolvimento da economia e a diminuição do desemprego, as duas maiores debilidades estruturais da economia do país.

Novas Oportunidades: um programa típico do país do faz de conta...

Clicar na imagem para a ampliar
Amabilidade da amiga Pilar Vicente, que enviou esta imagem.
***
Esta imagem desmonta muito bem, e com aquela ironia demolidora, a mentira do projecto Novas Oportunidades, desenhado à medida das ambições do primeiro-ministro, José Sócrates, que, se não tivesse sido chamado para tão alto cargo, já hoje teria na mão o diploma de Doutor em Engenharia, na variante de Inglês Técnico, outorgado pela prestigiada Universidade Independente, entretanto falida.
O projecto Novas Oportunidades é bem a imagem do país do faz de conta, que se construiu nos últimos trinta anos. Um projecto que pretende tratar por igual uma realidade que é desigual. Para o país é um projecto inútil. Para o governo é um projecto que apenas serve para alindar as estatísticas. Para os utilizadores, um desperdício, pois o mercado não lhes reconhece as competências e as equivalências, que o decreto, que instituiu o programa, anunciou com pompa e circunstância. É um programa nado-morto, marcado à nascença pela falta de credibilidade necessária para se impor como uma alternativa autónoma em relação ao currículo escolar normal.
José Sócrates é um dos primeiros espécimens, que marcou o advento da geração rasca. Agora, quer deixar o seu sinal de indigência intelectual e moral na formatação da geração dos grunhidores, aquela geração bem tipificada pela grande maioria dos frequentadores do Facebook, e que, ao nível do pensamento e da escrita, não ultrapassa a fase primária dos grunhidos.

Notas do meu rodapé: A manhosice do patriarca...


Isabel Soares e Maria Barroso, respectivamente filha
e mulher de Mário Soares, estão a ter um papel activo
na campanha presidencial de Fernando Nobre. As duas
militantes socialistas têm sido presença habitual na sede
de Nobre em Lisboa e têm colaborado tanto em acções
de campanha como nos bastidores.
PÚBLICO
***
Esta notícia do PÚBLICO já não surpreende ninguém, de tão evidente se apresentava a cumplicidade militante de Mário Soares no avanço da candidatura de Fernando Nobre às presidenciais de 2011. Eu próprio - que me situo numa galáxia modesta, nada comparada à grandeza das galáxias de alguns blogueiros e facebookeiros encartados, que enxameiam o espaço internáutico com os seus gargarejos e grunhidos - apercebera-me atempadamente da manhosice da velha raposa, que nunca perdoa aos seus inimigos de estimação.
E para poupar os meus fiéis e dedicados leitores a uma das minhas crónicas diarreias neuronais (o termo aqui é da minha autoria), remeto para a leitura atenta do que escrevi na minha Nota de rodapé de 30 de Maio de 2010. Para que conste:
"Em 17 Fevereiro, o Diário Notícias anunciava a candidatura de Fernando Nobre à Presidência da República. Dois dias depois, o próprio Fernando Nobre anunciava-a ao país, em cerimónia pública. Nesse próprio dia, e sem possuir qualquer informação privilegiada, publiquei aqui a minha opinião sobre o significado desta candidatura, que apanhou de surpresa toda a gente. Sinalizei a oculta presença de Mário Soares, como principal inspirador da ideia, e que teria contado com o apoio tácito de Sócrates. Não me enganei no meu prognóstico. E não me enganei, porque sabia que, quer Mário Soares, quer José Sócrates, nunca perdoam aos seus inimigos. E Manuel Alegre é o inimigo de estimação de ambos".
Alpendre da Lua, 30 de Maio de 2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O gesto é tudo!...

DISCUSSÃO DO ORÇAMENTO GERAL DO ESTADO:


Amabilidade do João Fráguas, que enviou este cartoon

Foi uma discussão psicadélica, esta, a do Orçamento de Estado de 2011, com dois actores a sonharem acordados. Um fingia que era primeiro-ministro e o primeiro-ministro fingia ser o líder da oposição. Não sei se já era o ensaio geral da peça que vai estrear brevemente, uma tragédia, à maneira grega, julgo eu. A encenação levada a efeito, acabou por ter dois efeitos essenciais para tentar acalmar a indignação geral. Primeiro, amedrontaram-se as pessoas, neste caso com o caos, criando o ambiente para se aceitar a inevitabilidade das medidas, depois veio a ameaça velada, para as impor. Pelo caminho, aplicou-se a marcação cirúrgica dos sectores a atacar, começando pelos mais fragilizados, aqueles que menos rendimentos têm e menos capacidade de resistência exibem para desafiar a iniquidade.
Parece que já temos Orçamento, segundo me pareceu ouvir. Habemus Papam.

Um Poema ao Acaso: Discurso do filho da puta - Alberto Pimenta (com um comentário do editor)


Discurso do filho da puta

O pequeno filho da puta
é sempre
um pequeno filho da puta;
mas não há filho da puta,
por pequeno que seja,
que não tenha
a sua própria
grandeza,
diz o pequeno filho da puta.

no entanto, há
filhos-da-puta que nascem
grandes e filhos da puta
que nascem pequenos,
diz o pequeno filho da puta.
de resto,
os filhos da puta
não se medem aos
palmos,diz ainda
o pequeno filho da puta.

o pequeno
filho da puta
tem uma pequena
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o pequeno
filho da puta.

no entanto,
o pequeno filho da puta
tem orgulho
em ser
o pequeno filho da puta.
todos os grandes
filhos da puta
são reproduções em
ponto grande
do pequeno
filho da puta,
diz o pequeno filho da puta.

dentro do
pequeno filho da puta
estão em ideia
todos os grandes filhos da puta,
diz o
pequeno filho da puta.
tudo o que é mau
para o pequeno
é mau
para o grande filho da puta,
diz o pequeno filho da puta.

o pequeno filho da puta
foi concebido
pelo pequeno senhor
à sua imagem
e semelhança,
diz o pequeno filho da puta.

é o pequeno filho da puta
que dá ao grande
tudo aquilo de que
ele precisa
para ser o grande filho da puta,
diz o
pequeno filho da puta.
de resto,
o pequeno filho da puta vê
com bons olhos
o engrandecimento
do grande filho da puta:
o pequeno filho da puta
o pequeno senhor
Sujeito Serviçal
Simples Sobejo
ou seja,
o pequeno filho da puta.

II
o grande filho da puta
também em certos casos começa
por ser
um pequeno filho da puta,
e não há filho da puta,
por pequeno que seja,
que não possa
vir a ser
um grande filho da puta,
diz o grande filho da puta.

no entanto,
há filhos da puta
que já nascem grandes
e filhos da puta
que nascem pequenos,
diz o grande filho da puta.

de resto,
os filhos-da-puta
não se medem aos
palmos, diz ainda
o grande filho-da-puta.

o grande filho da puta
tem uma grande
visão das coisas
e mostra em
tudo quanto faz
e diz
que é mesmo
o grande filho da puta.

por isso
o grande filho da puta
tem orgulho em ser
o grande filho da puta.

todos
os pequenos filhos da puta
são reproduções em
ponto pequeno
do grande filho da puta,
diz o grande filho da puta.
dentro do
grande filho da puta
estão em ideia
todos os
pequenos filhos da puta,
diz o
grande filho da puta.

tudo o que é bom
para o grande
não pode
deixar de ser igualmente bom
para os pequenos filhos da puta,
diz
o grande filho da puta.

o grande filho da puta
foi concebido
pelo grande senhor
à sua imagem e
semelhança,
diz o grande filho da puta.

é o grande filho da puta
que dá ao pequeno
tudo aquilo de que ele
precisa para ser
o pequeno filho da puta,
diz o
grande filho da puta.
de resto,
o grande filho da puta
vê com bons olhos
a multiplicação
do pequeno filho da puta:
o grande filho da puta
o grande senhor
Santo e Senha
Símbolo Supremo
ou seja,
o grande filho da puta.

Alberto Pimenta

Nota do editor: Eu não sei se já há ou não o Dia Nacional do Filho da Puta. Mas deveria existir, para não deixar as maiorias de fora. E, nos dias de hoje, cada vez há mais filhos(as) da puta, uns assumidos e declarados, outros, anónimos, deixados perigosamente à solta, sem qualquer controlo, e que andam por aí fazer a vida negra às pessoas.
***
ALBERTO PIMENTA [Porto, 1937]
Poeta, narrador, ensaísta, performer e professor universitário. Licenciou-se em Filologia Germânica na Universidade de Coimbra e, durante alguns anos (1960-1977), exerceu funções de leitor de Português e de Literatura Portuguesa em Heidelberg, na Alemanha. Regressando a Portugal, desenvolveu uma intensa actividade no domínio da criação literária relacionada com os movimentos experimentalistas. Os seus textos, por vezes publicados em livros com uma configuração gráfica original, assumem um sentido polémico, que ocasionalmente os próprios títulos podem evidenciar, e ao mesmo tempo de vanguarda. É autor de O Silêncio dos Poetas (1978), um importante estudo sobre o sentido da criação literária ligada aos movimentos de vanguarda, a qual se caracteriza pelo seu "desvio da norma"; o desenvolvimento dos seus pontos de vista leva-o a estabelecer uma bem fundamentada e sugestiva "fenomenologia da modernidade". Realizou o seu primeiro happening em 1977 no Jardim Zoológico de Lisboa (Homo Sapiens) e a mais recente performance (Uma Tarefa para o Ano Vindouro), dividida em duas partes (31/12/1999 e 01/01/2000), também em Lisboa, na Galeria Ler Devagar. Traduziu, entre outros, Thomas Bernhard (A Força do Hábito, em colaboração com João Barrento, 1991) e Botho Strauss (O Parque). Colaborou com Miguel Vale de Almeida e Rui Simões em Pornex: Textos Teóricos e Documentais de Pornografia Experimental Portuguesa (coord. de Leonor Areal e Rui Zink), 1984. É actualmente professor auxiliar convidado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Fonte: Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. VI, Lisboa, 1999

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

No próximo ano será assim...

PEC 4 - JAN 2011

Amabilidade da Dalia Faceira (Dacha), que hoje comemora
o seu aniversário e a quem Alpendre da Lua felicita.

Imagens inéditas do III Reich (4)

IMPRESSIONANTE A QUALIDADE DAS FOTOS TIRADAS HÁ CERCA DE 7O ANOS. III.REICH, PELA REVISTA LIFE (1939-1940)As fotos foram feitas por um fotógrafo da Revista Life entre 1939 e 1940 em Berlin e ficaram desaparecidas por mais de 50 anos, pois esse fotógrafo americano desapareceu logo no início do conflito, juntamente com a sua máquina fotográfica marca Rolleiflex e esses diapositivos originais (utilizados na época para reprodução em revistas) a maioria em 6 x 9 polegadas (vejam os detalhes das molduras originais dos cromos).Esses cromos foram achados por uma enfermeira alemã de um hospital em Berlin, que os guardou todos esses anos. Após a sua morte, sua filha os achou e devolveu ao atual editor americano que tem os direitos da marca Life Magazine, que não é mais publicada desde o início dos anos 70.Interessante o fusca VW em 1939, um fantástico avanço tecnológico na época.E a Eva Anna Paula Braun. Exatamente como descrito no livro: "O menino do pijama listrado" - (mais bonita que as atrizes escolhidas para o papel nos filmes).











Amabilidade do João Fráguas, que enviou estas imagens

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Um Poema ao Acaso: Estátuas de calor - André Domingues

Estátuas de calor

O calor cala a cena habitual,
inunda de nudez e estátuas
as nossas novas instalações.
Despromove o equilíbrio do corpo.
Instaura uma regra movida a indisciplina,
uma vida de estilo barroco minimal.
Enquanto a ideia da água
veste o vestido de noite
donde sobressaem as suas próteses
insolúveis na sedução.

Cada um com o seu infinito pessoal e muita pele ambígua
atravessa o calor.
Há um anjo na personalidade utópica da ventoinha.
As horas engordam. Algumas mais exageradas,
chegam mesmo a morrer, sem darmos por isso.
Os animais não dormem: derramam
lentamente o seu instinto
amador.

As faces abandonam o seu âmbito
mais ou menos prestável
e pedem pão extemporâneo
às portas das grandes desfigurações.

Eu escrevo numa banheira contígua
histórias de hipertermia maligna
provocada apenas por amor.

André Domingues
http://doamormau.blogspot.com/2010/07/estatuas-de-calor.html#comments

Colete refletor obrigatório para... prostitutas

Para serem mais visíveis aos automobilistas e
assim reduzir o risco de atropelamentos, as
autoridades de uma cidade no Norte de Espanha
ordenou (ordenaram) às prostitutas que trabalham
nas ruas que usem um colete refletor.
A polícia garante que a imposição não tem a ver
com o trabalho específico destas mulheres mas
sim com o perigo que representam para os
condutores.
VISÃO
***
Só não sabe ainda em que parte do corpo o reflector deve ser colocado e espero que não seja naquelas partes anatómicas mais íntimas. A partir de agora, as prostitutas daquela cidade espanhola já não necessitam de fazer curvilíneos meneios de ancas nem retóricos trejeitos eróticos para chamar a atenção dos clientes. Ao reflector só vai faltar falar, para que possa emitir, nos momentos mais oportunos, uns graciosos grunhidos apelativos, idênticos aos que vão aparecendo nos comentários do Facebook.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Baleia jubarte percorre dez mil quilómetros para acasalar

A baleia jubarte é conhecida fazer longos deslocamentos
para acasalar e agora uma delas estabeleceu um recorde
mundial ao nadar quase dez mil quilómetros, desde o
arquipélago de Abrolhos, na costa brasileira, à ilha de
Madagáscar, na costa leste da África.Esta foi a mais longa
migração deste mamífero – registada e fotografada na
costa brasileira e encontrada dois anos depois no Leste de
África. O recorde vem agora publicado no «Biology Letters».
Nesta espécie migratória são, geralmente os machos que
percorrem grandes distâncias para se reproduzirem, já que
as fêmeas são menos aventureiras.
CiênciaHoje
***
São sempre os machos a esfalfarem-se. Quando chegam ao objectivo, já estão cansados. Depois, admiramo-nos que elas digam que têm dor de cabeça.
Mas, na espécie humana, as coisas já não são bem assim. Vejam a Rosa Mota, como ela correu a maratona. Apenas ficaram a doer-lhe as pernas.

O grande casino europeu...

Amabilidade do Diamantino Silva, que enviou o vídeo
***
Como o malabarismo já começa a ser muito conhecido, os donos do circo preparam-se para mudar de ilusionista e criar uma nova versão para o mesmo truque. Há sempre uns papalvos que batem sempre palmas às criativas novidades.

"Elena Ledda" - Sa Lughe

Imagens inéditas do III Reich (3)

Imagens inéditas do III Reich (3)








Amabilidade do João Fráguas, que enviou estas imagens

Um Poema ao Acaso: Se eu pudesse iluminar por dentro as palavras de todos os dias - José Gomes Ferreira


Se eu pudesse iluminar por dentro as palavras de todos os dias

Se eu pudesse iluminar por dentro as palavras de todos os dias
para te dizer, com a simplicidade do bater do coração,
que afinal ao pé de ti apenas sinto as mãos mais frias
e esta ternura dos olhos que se dão.
Nem asas, nem estrelas, nem flores sem chão
- mas o desejo de ser a noite que me guias
e baixinho ao bafo da tua respiração
contar-te todas as minhas covardias.
Ao pé de ti não me apetece ser herói
mas abrir-te mais o abismo que me dói
nos cardos deste sol de morte viva.
Ser como sou e ver-te como és:
dois bichos de suor com sombra aos pés.
Complicações de luas e saliva.
.
José Gomes Ferreira

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Um Orçamento assassino...

Subida do IRS é mais forte nos rendimentos mais baixos

Quanto mais baixo o rendimento, maior a subida do
IRS a pagar. A proposta de Orçamento do Estado que
o Governo irá hoje apresentar no Parlamento faz com
que a generalidade dos agregados familiares em Portugal
passe a pagar mais impostos. Mas, ao nível do IRS, um
impacto é consideravelmente mais alto à medida que o
salário vai decrescendo.
As estimativas de impacto no IRS das medidas previstas
no OE, feitas pela firma de consultora Pricewaterhouse
Coopers para o PÚBLICO, mostram que são as camadas
populacionais de mais baixos rendimentos que mais sofrem
com o pacote de medidas do Programa de Estabilidade e
Crescimento.
PÚBLICO
***
Fiz um breve rascunho, que me esqueci de finalizar e publicar. Mas a notícia, dada pelo PÚBLICO, há dias, não perdeu actualidade, mantendo-se a oportunidade da publicação deste comentário, tal a gravidade daquilo que anuncia e que neste espaço tem vindo a ser permanentemente denunciado.
Trata-se do maior ataque desferido contra a classe média e contra os trabalhadores. São aqueles que menos ganham, os que mais vão pagar para debelar crise financeira do país e, curiosamente, são aqueles que não tiveram culpa alguma na sua eclosão, a não ser aquela que, por ingenuidade, resultou de um voto eleitoral, erradamente calculado. Para quem tiver dúvidas ainda, fica demonstrada a natureza de classe do governo do Partido Socialista, que, sem qualquer prurido de ordem ideológica ou programática, atraiçoou os ideais que, no discurso mediático, afirma defender.
Com esta perversa estratégia, existe uma intenção oculta, aqui também já referida, de reduzir por via indirecta o valor médio dos salários, consequência imediata da redução do poder de compra das populações, do aumento das falências das pequenas e médias empresas, suportadas pelo consumo interno, e pelo aumento do desemprego, já admitido pelas organizações internacionais. Este Orçamento de Estado é a confissão desesperada do governo à sua resignação de não ter sido capaz de dinamizar a economia pela via da inovação e do desenvolvimento, optando agora tentar ganhos de competitividade com a diminuição do preço/hora dos salários.
O grande capital, mais uma vez , sai incólume, nos seus privilégios em termos de política fiscal, do grande braseiro que ameaça incendiar o país.
http://economia.publico.pt/Noticia/subida-do-irs-e-mais-forte-nos-rendimentos-mais-baixos_1461051

Sócrates: cooperação entre Portugal e Venezuela “honra amizade histórica”

O primeiro-ministro, José Sócrates, sublinhou
hoje o “grande desenvolvimento” da cooperação
económica entre Portugal e Venezuela nos últimos
dois anos, afirmando que “honra a amizade histórica”
entre os dois países e os dois governos.
PÚBLICO
***
Trata-se de uma vitória do primeiro-ministro José Sócrates, importante não só pelo que significa em si mesma, mas também pelo sinal que anuncia para o desenvolvimento futuro das relações de Portugal com o exterior. Para Portugal começa a ser de vital importância abrir novas oportunidades económicas com os países em desenvolvimento. Esgotado que está o afunilamento com a Europa, no que toca às relações comerciais, importa diversificar a oferta para outros mercados.
O alcance estratégico de aprofundar as relações económicas com a Venezuela não necessita de demonstração. Rico em petróleo, este pais pode ser um bom cliente para o sector exportador do país. José Sócrates empenhou-se convictamente neste trabalho, explorando habilmente a necessidade de Hugo Chavez de querer adicionar vitórias políticas com o aprofundamento das relações com os vários países ocidentais, para assim não ficar refém da animosidade dos Estados Unidos, que vê naquele grande estadista um perigo para os seus interesses estratégicos na América Latina.

domingo, 24 de outubro de 2010

Um Poema ao Acaso: frio - Miguel Pires Cabral

frio

Oh não te vou mentir! O ar frio
trespassava-me os dedos rasgados,
orifícios na carne que não sentia.
A janela aberta e eu descalço,
a olhar o vazio, o precipício na janela
dos outros. Este lugar não me pertence
tampouco o buraco que me separa
da fronte do resto.

Oh! Como sinto falta dos nossos
recados escritos. Tínhamos dificuldade
em comunicar, lembras-te?
Uma herança que recebeste, dizem-me,
não sei bem. Sinto a falta desse frio
longínquo tempo, o teu olhar terno
mas distante, como o limite onde
esbarrávamos sem querer.

A nossa casa tinha um quintal
com flores e uma rara combinação
para amar. Em que nos transformamos?
Quem é este nós afinal? Consigo odiar-te
enquanto te amo, consigo embalar
o desengano de um sono que tarda,
segurar as mãos contra o rosto,
verter-me dentro do vazio em que fomos.

Não te vou mentir,
quero sair do poema agora,
não sou mais eu quem te fala,
sou a voz crua da distância
que nos desprendeu.
Sou um beijo de morte
que me afaga manhã cedo,
o rosto mais triste e frio
da tua insónia.

Miguel Pires Cabral

Um Poema ao Acaso: Miragem - José Luís Peixoto


Miragem
.
"Um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços, a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
Um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da
nossa janela, sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade."
.
José Luis Peixoto

sábado, 23 de outubro de 2010

Às vezes, as correntes que nos impedem de ser livres são mais mentais do que físicas.

Não é só o insólito, o que nos impressiona, nesta imagem, enviada pelo meu amigo João Fráguas. Grosseiramente, poder-se-ia dizer que a imagem "fala" mais do que aquilo que mostra. Ela comporta o irrecusável desafio à nossa mente, para alargamos o seu significado às mais díspares situações da vida, onde a ilusão espontânea ou provocada confunde o equilíbrio da razão ou do bom senso. Não é, pois, uma imagem decorativa ou descritiva. Não é uma imagem redutora. Não é uma imagem de significado linear, que se detém, distraída, pela superfície das coisas.
Sem qualquer sucesso, procurei encontrar um texto para a respectiva legenda ou para um breve e elucidativo comentário, que concentrasse em si tudo o que se pudesse dizer em relação a ela. Não me saiu nada de jeito. Apelo à imaginação e à audácia do leitor para a realização dessa tarefa, cuja expressão escrita poderá ser colocada no espaço dos comentários, mesmo que anonimamente ou através de um pseudónimo, e que, depois, será transladada para a primeira página.
Julgo tratar-se de um estimulante exercício para esta tarde de um sábado outonal.

Notas do meu rodapé: Dar com uma mão, tirar com a outra...


Alta tensão no Governo
Teixeira dos Santos deu murro na mesa.
Ministro das Finanças impôs corte de salários
no Estado ao primeiro-ministro, José Sócrates.
Correio da Manhã
***
O tal murro, de uma violência extrema, fez-se sentir, tal como se fosse um terramoto, em todo o território continental. Só que errou o alvo, já que a mesa não tem culpa nenhuma. A culpa, que é enorme, deve ser repartida, em partes iguais, entre este super-ministro e o primeiro-ministro, já que, no ano passado, já com os agudos sinais da iminente crise a ensombrarem o horizonte, resolveram aumentar os salários da função pública, o que veio agravar o défice orçamental. Percebeu-se a jogada, pois era o ano de eleições legislativas, embora os portugueses, na altura, não tivessem dado o necessário murro, o que os obriga agora a dar berros de desespero.
A má governação deste governo pode sintetizar-se na ideia que já aqui exprimi. O primeiro-ministro, José Sócrates, passou metade do mandato anterior a defender o seu carácter, que estava a ser atacado por forças demoníacas, que ele nunca identificou, e a outra metade a governar para as eleições, que apenas lhe retiraram a maioria absoluta.
Por outro lado, também nesse ano eleitoral, esses dois governantes, resolveram reduzir em um ponto percentual a taxa do IVA, numa mais que evidente piscadela de olho ao incauto eleitor, que agradeceu de chapéu na mão. Como argumento para fazerem passar a imagem de beneméritos e, também, para tentarem ocultar a intenção eleitoralista subjacente a tal medida, disseram que a economia já estava a dar sinais de franca melhoria e que a crise internacional já estava controlada, o que era mentira, como depois se viu. Agora, a taxa desse imposto, o imposto mais estúpido do sistema fiscal, que penaliza mais quem menos tem e penaliza menos quem mais tem, sofre um um brutal agravamento, cujos efeitos irão ser devastadores. Milhares de portugueses irão, em desespero de causa, começar a dar murros nas paredes, e oxalá que esses murros não venham a provocar um terramoto.
Como se fosse um estado rico e para que os portugueses sentissem fugazmente a sensação de uma abastança relativa, estes dois governantes deram uma machadada mortal nos certificados de aforro, o instrumento de poupança mais popular e mais seguro (onde eu tenho lá uns eurozitos para uma qualquer emergência), o que levou a um aumento dos resgastes, cujos valores, na sua maior parte, foram para o consumo.
Por isso, o professor jubilado de economia, Jacinto Nunes, está cheio de razão, ao afirmar, numa entrevista televisiva, que o governo, em 2009, cometeu três erros cruciais, a saber: aumento dos vencimentos dos funcionários públicos, diminuição da taxa do IVA e desvalorização dos certificados de aforro.

A natureza parasitária do actual sistema monetário - Armanda Morales



Mesmo as pessoas mais educadas, por vezes enganadas pelos media dominantes e os chamados "peritos", deixam de identificar a causa básica da actual retracção económica e tendem a confundir o sintoma (inflação, desemprego, etc) com a causa. Outros factores incorrectos do seu desencadeamento muitas vezes são atribuídos à inerente cobiça humana, à super-população, aos baby boomers [NT 1] , ao abandono do padrão ouro, à reserva bancária fraccionária [NT 2] , às divisas fiduciárias, ao super-consumo e até mesmo à tecnologia.
O sistema monetário tornou-se a jaula global da escravização alimentada pela dívida que hoje conhecemos através de uma série de eventos: invenção da usura (conceder empréstimo em dinheiro a juros compostos), estabelecimento da reserva fraccionária na concessão de crédito, privatização da oferta monetária, criação de bancos centrais, abolição do padrão ouro e imposição legal de divisas fiduciárias.
Actualmente cerca de 96% do dinheiro nos países ocidentais vêm à existência como dívida (dinheiro-crédito) criada por bancos comerciais na forma de promessas de pagamento (IOUs) [NT 3] . Os montantes depositados no banco e emprestados são simples registos na contabilidade, não apoiados por quaisquer activos reais (como o ouro, por exemplo). O que dá valor a estes montes de papéis normalmente sem valor é o trabalho humano. Só quando paramos para pensar acerca disto podemos começar a apreender a natureza profundamente fraudulenta da concessão de empréstimos bancários: o tomador do empréstimo compromete como colateral pelo empréstimo algo que ele ainda não possui (isto é, o carro que ele compra a crédito) em troca do dinheiro que o prestamista realmente não tem nas suas reservas.
Vamos resumidamente examinar como são criadas bolhas especulativas e o efeito que elas têm sobre a economia real. As baixas taxas de juros estabelecidas pelos Bancos Centrais desencadeiam uma farra de crédito que atrai pessoas à dívida. Os bancos criam dinheiro ex-nihilo (a partir do nada) e emprestam-no a juro, inchando bolhas alimentadas pelo crédito (dot-com, habitação, imobiliário comercial, etc) que torna banqueiros e outros especuladores ultrajantemente ricos. Por definição, temos uma bolha quando o preço de um activo eleva-se para além do que o rendimento médio por permitir. Vamos tomar a actual bolha habitacional como um exemplo. Quando a bolha finalmente explode, o valor do activo afunda com desastrosas repercussões nos balanços dos bancos e igualmente dos proprietários das casas: bancos retomam casas cujo valor está em queda rápida e proprietários descobrem-se em situação líquida negativa (o valor de mercado da sua casa é mais baixo do que o que eles estão a pagar ao banco a cada mês). Uma vez que foi permitido aos bancos tornarem-se "demasiado grandes para falirem", através de fusões e aquisições, as elites financeiras instruem seus políticos fantoches a salvarem-nos, a expensas dos contribuintes. Utilizando doses maciças de propaganda nos media e de instilação do medo, as elites lavam o cérebro das massas levando-as a acreditar que a prosperidade dos bancos é vital para a estabilidade social e a prosperidade económica. Por outras palavras, seguir-se-á o caos generalizado se permitirmos os grandes bancos irem à falência. Inicialmente, a maior parte dos cidadãos parece acreditar na mentira e aceitam pagar os custos através de aumentos de impostos e um conjunto de cortes e privatizações de serviços públicos (educação, previdência, infraestrutura, cuidados de saúde, etc).
Depois de garantirem o salvamento, os banqueiros premiavam-se a si próprios com bónus maciços e tentavam reverter aos negócios de sempre. Mas há um problema: o mundo esgotou-se de pessoas com crédito respeitável (o idiota seguinte no esquema de Ponzi). A maior parte dos indivíduos e negócios estão a naufragar em dívidas e a perspectiva é demasiado negra para prever qualquer lucro. Portanto os bancos não concedem empréstimos (credit crunch) e os devedores, quando podem, pagam à vista seu saldo em dívida, drenando dinheiro da economia real. Inicia-se assim uma perigosa espiral de deflação do dinheiro, provocando bancarrotas, desemprego, arrestos, definhamento de receitas fiscais e inquietação social. Enquanto isso o défice do governo dispara, inchando uma dívida pública já enorme e levando à espécie de crise de dívida soberana verificada em países como a Grécia, Islândia e Irlanda, para mencionar uns poucos.
Como chegámos a isto? Vamos dar um passo atrás e ponderar. Um sistema monetário baseado na usura exige crescimento sem fim, pois o juro composto cresce exponencialmente ao longo do tempo. Sob esta nova luz é mais fácil ver porque o establishment está tão obcecado com o aumento do PIB, um crescimento exponencial que simplesmente não é viável num planeta finito. Não há escapatória: se a economia não cresceu, não pode ser emitido novo dinheiro-dívida para estender no futuro os passivos de dívidas existentes. Uma vez que virtualmente toda a oferta monetária é criada pelos próprios bancos como dívida, novo dinheiro deve continuamente ser concedido como empréstimo só para pagar os juros devidos aos banqueiros. Analogamente, um crescimento zero ou negativo assinala o funeral do sistema monetário que estamos a testemunhar exactamente agora.
Considerações éticas acerca do parasitismo inerente à usura certamente seriam apropriadas nesta altura: possuidores de dinheiro emprestam-no àqueles a quem ele falta, os quais por sua vez tornam-se seus escravos. Mas a usura também apresenta um problema matemático prático: os bancos criam só o principal mas não o juro necessário para reembolsar os seus empréstimos. Isto resulta numa escassez de dinheiro crónica que afecta todos os actores do sistema, pois o dinheiro para pagar de volta o juro sobre todos os empréstimos não existe. Em consequência, todos nós devemos competir num jogo de soma zero para ganhar alguma coisa que simplesmente não existe. O dinheiro é ganho por alguns em detrimento de outros que ficam sem, o que se parece cada vez mais como uma competição implacável que amplifica grandemente o conflito social e os desequilíbrios de riqueza.
A constante expansão da oferta monetária necessária para aliviar uma escassez crónica de dinheiro é a causa principal da inflação, um confisco furtivo de riqueza dos possuidores de dinheiro. O sistema monetário poderia ser comparado a um jogo de cadeiras musical: enquanto a música toca (tanto a oferta monetária como a economia expandem-se) aparentemente não há perdedores [1] .
O montante do dinheiro-dívida no sistema deve crescer continuamente para minimizar o risco de uma deflação perigosa. Podemos agora entender como todas as conversas que ouvimos nos media dominantes acerca da necessidade de reduzir dívida são de facto apenas um disfarce enganoso. A dívida está destinada a ser mantida porque todo o sistema está baseado sobre ela. Qualquer redução de dívida (tanto pelo reembolso como pelo cancelamento) aumentaria a escassez de dinheiro, com consequências catastróficas numa economia disfuncional como a nossa.
Apesar de todos os esforços dos banqueiros centrais para manter o jogo em andamento, a oferta de dinheiro em muitas economias ocidentais actualmente está a contrair-se e milhões de pessoas são relegadas ao frio permanente.
Quando dívida é reembolsada, o falso principal é progressivamente destruído e o juro permanece como um lucro para o banco. Se considerarmos que sobre grandes empréstimos reembolsados ao longo de períodos de tempo muito longos (tais como hipotecas) o montante do juro cobrado pode facilmente exceder o principal, podemos começar a apreender a proporção colossal desta fraude bem como a sua natureza intrinsecamente parasitária.
Armados com este conhecimento, torna-se claro que o sistema monetário imposto sobre nós está em bancarrota estrutural. Um sistema de concessão de empréstimos baseado em juro só poderia funcionar se todo o dinheiro ganho através do juro fosse gasto em bens e serviços (de modo a que o tomador do empréstimo pudesse ganhá-lo outra vez), não entesourado ou emprestado outra vez. Entesourar dinheiro ou emprestá-lo a diferentes tomadores ao mesmo tempo (como os bancos fazem hoje) provoca a escassez do mesmo e finalmente leva a incumprimentos em massa.
Penso que a privatização do dinheiro é a principal causa subjacente da pobreza, escravatura económica, sub-financiamento do governo e de uma classe dirigente oligárquica que frustra toda tentativa de arrancá-la das rédeas do poder.
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18/Outubro/2010
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[1] Há realmente um perdedor: é o ambiente destruído pelo desenvolvimento insustentável exigido por uma economia conduzida pelo lucro.
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NT [1] Baby-boomers: pessoas nascidas num período de aumento da naturalidade (em especial os anos 1946-1965)
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[2] Reserva fraccionária: a prática bancária de emitir mais crédito do que o banco possui como reserva, aumentando assim a massa monetária em circulação. [3] IOUs (I owe you): acordo escrito para devolução de uma dívida.
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Texto recebido por email.

Imagens inéditas do III Reich (2)

IMPRESSIONANTE A QUALIDADE DAS FOTOS TIRADAS HÁ CERCA DE 7O ANOS. III.REICH, PELA REVISTA LIFE (1939-1940)
As fotos foram feitas por um fotógrafo da Revista Life entre 1939 e 1940 em Berlin e ficaram desaparecidas por mais de 50 anos, pois esse fotógrafo americano desapareceu logo no início do conflito, juntamente com a sua máquina fotográfica marca Rolleiflex e esses diapositivos originais (utilizados na época para reprodução em revistas) a maioria em 6 x 9 polegadas (vejam os detalhes das molduras originais dos cromos).Esses cromos foram achados por uma enfermeira alemã de um hospital em Berlin, que os guardou todos esses anos. Após a sua morte, sua filha os achou e devolveu ao atual editor americano que tem os direitos da marca Life Magazine, que não é mais publicada desde o início dos anos 70.Interessante o fusca VW em 1939, um fantástico avanço tecnológico na época.E a Eva Anna Paula Braun. Exatamente como descrito no livro: "O menino do pijama listrado" - (mais bonita que as atrizes escolhidas para o papel nos filmes)
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Amabilidade do João Fráguas, que enviou as imagens.