sexta-feira, 25 de junho de 2010

Anotação do Tempo: Descoberta (I)

Descoberta (I)

Naquela noite eu não sabia que havia infinito
apenas o brilho das estrelas no céu escuro
a iluminar um caminho incerto
nada se perdeu e tudo se ganhou
no nosso inventário dos afectos
e a vida libertou-se da idade da inocência
ao esculpirmos na mesma pedra
todas as palavras inventadas em segredo
e guardadas em códigos secretos
já tínhamos desvendado
todos os mistérios escondidos
e tu ainda trazias o véu do teu pudor
quando eu lancei âncora no teu rio
para bebermos a água e o vinho pela mesma taça
e cristalizarmos no corpo
o tempo desperto dos sentidos.

Alexandre de Castro