terça-feira, 18 de maio de 2010

Anotação do Tempo: Ficaram muitas coisas por dizer...



Ficaram muitas coisas por dizer…

Ficaram muitas coisas por dizer
no recorte frio das ausências,
e as feridas abriram-se novamente,
lembrando dores antigas, mais
profundas…

Ficaram muitas coisas por dizer
na afirmação dos dias não cumpridos,
daquele dia de Outono, já distante,
em que iniciámos o percurso
sem regresso…

Diluiu-se o tempo
no sorvedouro da vida já vivida,
e a imagem do teu corpo,
do teu rosto,
ficou imóvel na memória…

Mesmo agora,
depois de voltar a ver-te
nessa densidade de mãe madura
à espera que a vida se esvazie,
se desvaneça,
envelheça,
continuo a imaginar-te como eras
na envolvência vigorosa dos nossos corpos
naquele tempo de urgências
sem esperas…

Alexandre de Castro

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