segunda-feira, 31 de agosto de 2009

SARDEGNA CANTA - "In Trese" di Elena Ledda

***
Elena Ledda, a voz da Sardenha no mundo, aqui numa interpretação do folclore local.

Jerónimo de Sousa saúda o mais jovem militante do PCP


E ensina-lhe a letra do "Avante, camarada... Avante!"

Vieira da Silva sofre de amnésia!...


Quando Vieira da Silva, recorrendo ao estafado argumento da "campanha negra", vem condenar as declarações de Aguiar Branco, do PSD, quando este afirma que o governo do PS é um governo sob suspeita, não se sabe se ele já se esqueceu do teor da carta rogarória do Serious Fraud Office, enviada para o Ministério Público português, onde explicitamente se considera José Sócrates como suspeito do crime de corrupção, no caso Freeport.
Para avivar a memória do actual ministro do Trabalho, aqui se reproduz a parte do texto, onde essa referência é feita, não sem antes anotar que o Serious Fraud Office é uma polícia do Reino Unido, altamente especializada na investigação dos crimes financeiros mais complexos e, que se saiba, não se lhe conhece nenhuma actividade ao nível da montagem de campanhas negras contra dirigentes políticos:

"Além disso, os cidadãos abaixo indicados, que não são do Reino Unido, são considerados como estando sob investigação no sentido de terem solicitado, recebido ou facilitado pagamentos que sejam relevantes aos crimes indicados no Anexo”1”.
7. José Sócrates
8. José Marques
9. João Cabral
10. 10 Manuel Pedro"

Ainda não percebi que raio de urinol é este!...


Mamas à conquista de votos!...

***
A Alemanha tem sido um dos países da Europa, além dos civilizados países nórdicos, a resistir à americanização das campanhas eleitorais, enquadrando-as sobriamente, tanto quanto possível, no estricto patamar da acesa discussão política e evitando o recurso ao gratuito e fútil espectáculo mediático, através do qual se procura promover a estupidificação do eleitorado. Os alemães aprenderam a lição com Hitler e Goebbels, que os punham constantemente a marchar pela ruas, para que não tivessem tempo para pensar.
Mas, no melhor pano cai a nódoa, e, agora, em meados do mês passado, a candidata da União Democrata-Cristã, Vera Lengesfeld, resolveu fazer-se aparecer num cartaz de campanha, ao lado da sua camarada, Angela Merke, em que ambas exibiam, sob um largo decote, umas nutridas mamas, ilustradas com a legenda «Nós temos mais para oferecer», o que provocou uma grande polémica na opinião pública e no próprio partido a que pertencem.
Se a moda chegar a Portugal, não sei como é que José Sócrates, Paulo Portas, Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã e, também, Manuela Ferreira Leite irão encontrar um par de mamas daquela envergadura.
http://diario.iol.pt/internacional/alemanha-cdu-seios-merkel-vera-lengesfeld-tvi24/1081502-4073.html

Não se lembraram de espetar a baioneta no cavalo!...

video

Cortesia do João Fráguas

O Exército do Reich foi sempre considerado estúpido. Foi uma das facturas da derrota, que os alemães tiveram de pagar.

A jogar aos berlindes, ninguém nos ganha!...

Cansados com a humilhação de vermos Portugal a ocupar sempre os último lugar em todos os indicadores europeus, eis que surge uma notícia a salvar a nossa honra e a espevitar o nosso decadente patriotismo. Temos o maior casino da Europa, o Casino Estoril-Sol. Espero que o engenheiro Sócrates não se esqueça de reivindicar para si, para o seu governo e para o seu PS este emblemático troféu, que faz a inveja de toda a Europa.
Só falta saber se Portugal também irá destacar-se, positivamente, no número de bordéis por quilómetro quadrado.
http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1398399&idCanal=57

domingo, 30 de agosto de 2009

Fotografias de João Fráguas


***
Duas perspectivas da Ponte Europa, na Croácia, captadas pela objectiva de João Fráguas, um seguidor do Alpendre da Lua.

O Pink Floyd Roger Waters narra filme sobre o muro israelense

O Muro da Vergonha, o muro que Israel está a construir na Cisjordânea, isolando completamente populações palestinianas, que vivem em territórios sem contiguidade, e manietando a sua liberdade de movimentos, continua a suscitar protestos contra o estado judaico e a aumentar a solidariedade pelo povo da Palestina.
Desta vez, foi Roger Waters, o lendário líder do Pink Floyd, a associar-se corajosamente a este movimento, integrando-se numa iniciativa das Nações Unidas, o Walled Horizons, levada a cabo em Jesuralém, tendo participado numa curta-metragem, onde se referiu aos sofrimentos dos palestinianos.
O relato desta iniciativa pode ser lido no Pink Floyd my life, editado pela Súh, uma seguidora do Alpendre da Lua.

Sócrates seria condenado a prisão perpétua!...


Um homem foi condenado a seis meses de prisão por bocejar em tribunal. Este insólito caso ocorreu em Chicago.

http://diario.iol.pt/internacional/tvi24-internacional-bocejar-prisao-julgamento-eua/1081741-4073.html

Caso Freeport: Incompetência ou conivência?



Ehud Olmert também começou por negar tudo, clamando, ofendido, a sua cândida inocência. Só que, pelos vistos, a polícia israelita não está hipotecada aos governos.
Ainda alguém terá de explicar por que razão as investigações sobre o caso Freeport estiveram paradas de 2005 a 2008, e não se respondeu em tempo útil às primeiras solicitações do Serious Fraud Office.


http://arquivogeralpress.blogspot.com/2009/08/jose-socrates-mantido-fora-da-acusacao.html

http://jornal.publico.clix.pt/noticia/29-08-2009/situacao-de-socrates-ainda-esta-dependente-dos-peritos-ingleses-17675544.htm

Ehud Olmert, ex-chefe de Governo israelita acusado de fraude



Se Ehud Olmert tivesse sido primeiro ministro de Portugal, não passaria por este enxovalho. As "forças ocultas", que tentassem atacar o seu "carácter", teriam sido irreversivelmente vencidas.

Desta vez, os Estados Unidos não perderam a guerra!...

***
Vídeo no YouTube gera acusações de brutalidade policial nos EUA
***
A polícia da localidade de Columbus, no Ohio, já recebeu centenas de chamadas devido a um vídeo colocado no YouTube, onde se vê uma idosa de 84 anos, que empunhava uma faca de cozinha, a ser desarmada à força.
PÚBLICO 15AGO09

O Homem supera-se sempre a si próprio...

***
Sempre que é estabelecida uma nova marca na corrida dos 100 metros, pensa-se que será impossível ultrapassá-la. O jaimaicano Usain Bolt, em Berlim, desmontou o mito, como já outros atletas, anteriormente, o tinham feito, demonstrando que o Homem supera-se sempre a si próprio.
Em Berlim, em 2009, sem Hitler na tribuna, fez-se História.

Thousand-Hand Guan Yin


***


Reproduzo o texto explicativo de Rubem Alves, publicado no abnoxio:


Esta é uma impressionante dança chamada de "Guan Yin das Mil Mãos", que está fazendo um enorme sucesso em vários países.Considerando a exigência de coordenação absoluta, a apresentação já seria de "deixar cair o queixo", mesmo que todos os 21 dançarinos não fossem surdos-mudos.Considerando a sua deficiência, os dançarinos se valem de sinais feitos pelos treinadores nos quatro cantos do palco.. Sua primeira apresentação maior foi em Atenas, na cerimónia de encerramento das paraolimpíadas de 2004. A dançarina-líder é Tai Lihua, de 29 anos.O vídeo foi gravado em Beijing, durante o Festival da Primavera, este ano de 2009.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Poema: Carta a Picasso (no flickr)

Les Demoiselles d’ Avignon


Foi com surpresa, durante uma pesquisa que estava a fazer na internet, que deparei com o meu poema, "Carta a Picasso", num blogue brasileiro. O poema já tinha sido publicado no blogue Ponte Europa, onde colaboro regularmente, e, posteriormente, no blogue dos Antigos Alunos do Liceu de Lamego, encontrando-se programado para também ser incluído na colectânea "Anotação do Tempo", deste blogue.
Não resisto a antecipar a sua publicação, tal como o blogue flickr o editou.
Julgo conveniente esclarecer que "Les Demoiselles d' Avignon", a célebre pintura que inaugura a corrente cubista da pintura, nada tem a ver com a cidade francesa de Avignon. Picasso ter-se-ia inspirado nas bailarinas que, todas as noites, actuavam num cabaret, situado numa rua das Ramblas da Catalunha, em Barcelona, e que se designava pelo mesmo nome daquela cidade francesa, tal como se pode ler num comentário ao poema, inserto no Ponte Europa.
Com esta tela, Picasso imprimiu à pintura o seu génio criador, revolucionando os conceitos de espaço pictórico e da representação dos elementos figurativos. E foi precisamente na genialidade deste acto criador que me inspirei para escrever este humilde poema, que agora ofereço aos leitores do Alpendre da Lua. (Ver os links)
*
*
*

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Encerrado para Férias...


Regressarei ao vosso convívio no início de Setembro. Desejo boas férias a todos os leitores do Alpendre da Lua, e, bom trabalho, àqueles que já as gozaram.

Juro-vos que este casamento foi por amor!...


Anotação do Tempo: Dissertação sobre a ode à liberdade...




Dissertação sobre a ode à liberdade…


A todos os tarrafalistas
e aos que tombaram pela liberdade


Já só tenho muros à minha volta
grades nas janelas sem vidraças
para que as palavras arrefeçam lentamente
escrevo nas paredes
os nomes e os símbolos
daquilo em que acredito
e já não tenho medo do carcereiro
nem do degredo
levo as mãos para as algemas
e olhos e alma para chorar
mas serei amanhã um homem livre…

Alexandre de Castro

When the Tigers Broke Free-Pink Floyd (Band of Brothers)

Justiça em passo de caracol!...



Os crimes de fraude fiscal qualificada e de falsificação de documento, alegadamente cometidos por António Preto, um conhecido militante do PSD e um protegido de Manuela Ferreira Leite, teriam ocorrido em 2002. Em 2005, a acusação foi concluída. Estranhamente, o julgamento só irá realizar-se em 27 de Novembro deste ano.

A morosidade dos julgamentos dos crimes de colarinho branco, que envolvem políticos e autarcas, ao constituir uma excrescência do sistema judicial, levanta legítimas suspeitas ao cidadão comum, que cada vez mais acredita na parcialidade da justiça, e no conúbio existente entre os diversos poderes do Estado, para que os seus principais agentes gozem de uma indigna e anacrónica impunidade. As investigações arrastam-se a passo de caracol, e o recurso a todas as subtilezas consentidas pela lei consegue ultrapassar prazos e esvaziar o sentido de oportunidade da aplicação da justiça. Com uma tal dilatação temporal, acontece que as testemunhas acabam por se esquecer de factos importantes para fazer prova em juízo, e, algumas delas, até acabam por morrer. As sucessivas reformas, introduzidas no Código Penal e no Código do Processo Penal, têm permitido, com uma intencionalidade evidente, proteger os políticos, colocando os crimes em que normalmente incorrem debaixo da alçada da pena suspensa.

E eu acredito que, nos tempos mais próximos, não iremos ver nenhum político na cadeia.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Súh, uma indefectível admiradora dos Pink Floyd, pela sua decisão de se inscrever como seguidora deste blogue.

Homenagem a Sophia...


Poema para Sophia*

À Sophia de Mello Breyner Andresen


O mar, sempre o mar
no feitiço do teu olhar
as palavras soltas
na rebentação da boca
como se respirasses pelas ondas
a tua poesia é sempre azul
com cheiros a maresia
e colheste da areia
todos os búzios que havia na praia
para o teu encantamento
agora sei e compreendo
da razão do teu espanto
quando te banhaste
com os deuses gregos
nas águas do mar Egeu
e os adoraste numa noite de luar
abraçada às colunas do Parthénon
para assim ascenderes
à tua condição divina.

Alexandre de Castro

Lisboa, Junho de 2009


* O mar preenche grande parte da poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, assim como os temas da cultura da Antiguidade Clássica, que estudou na Universidade. Uma viagem, que fez à Grécia, proporcionou-lhe a inspiração para escrever alguns dos seus mais belos poemas.

Notas do meu rodapé: Premonição?!...

***
Não sei se se trata de uma montagem fotográfica ou de uma pichagem. Não sei quem foi o autor. Não sei se foi alguém a quem a EDP cortou a luz. O meu receio, é que tenha sido alguém, possuído por aquele pressentimento premonitório, a anunciar um trágico destino, lido nas estrelas, de um país perdido, à deriva, ainda a remoer os seus encontros e desencontros com a História, e muito desassossegado sobre o futuro, que nunca mais chega.

Michael Jackson

Fotografia do Portugal Diário
***

A múmia esfíngica seria a melhor forma de eternizar a genialidade e silenciar as controvérsias de uma vida errática e irregular, de quem nunca soube o que era e o que queria, e que até na morte deixou o rasto do mistério.

Elena Ledda - Tre madri (Sas tres mamas)

***
Novamente Elena Ledda, e o fascínio pela sua voz quente, vinda da Sardenha, e que muito nos diz sobre a cultura mediterrânica, a que também pertencemos.

Notas do meu rodapé: A mistificação da crise




Os vários organismos internacionais, perante o mitigado optimismo de alguns indicadores económicos, relativos ao mês de Junho, apressaram-se a diagnosticar o fim da desaceleração da economia, mas foram avisando, prudentemente, que a recuperação iria ser lenta.

Atribuo este optimismo à boa intenção dos responsáveis destes organismos de não querer estragar as férias das pessoas com as más notícias. Essas ficarão para mais tarde, quando os governos começarem a cobrar aos contribuintes a pesada factura do auxílio prestado aos bancos, o que provocou um o aumento da dívida pública e o agravamento dos défices orçamentais. Em Portugal já se fala na grande probabilidade do 14º mês ser pago com Títulos do Tesouro, uma medida drástica de poupança forçada, que inevitavelmente se traduzirá num menor crescimento da economia, através da diminuição do consumo interno.

Mas estas notícias optimistas ainda não passam de umas meras conclusões, retiradas da análise provisória e pouco fundamentada de indicadores dispersos, cuja variação pode estar ligada a factores transitórios de conjuntura, que nada dizem sobre os contextos estruturais, esses sim, a influenciarem decididamente a evolução económica. Recorde-se que só agora, no mês de Julho, o Departamento de Estado do Comércio do governo dos EUA veio com uma análise definitiva sobre o comportamento anormal da economia entre o quarto trimestre de 2007 e o de 2008, período durante o qual se desenvolveu, silenciosamente, a grave crise económica, sem que políticos encartados, economistas de gabarito e instituições internacionais infalíveis dessem por ela.

Esses resultados, divulgados pelo governo americano, desmentem todas as projecções e previsões feitas anteriormente, o que vem demonstrar a tese de que a crise económica não derivou linearmente da crise financeira, como já foi referido neste espaço. A crise económica, além de outros factores, foi também influenciada negativamente pela preponderância assumida pelo capital financeiro, que para aumentar a sua rentabilidade foi retirando capital à economia produtiva para construir a economia virtual especulativa, cuja enorme bolha acabou por rebentar.

A prudência aconselha a aguardar por indicadores mais expressivos e rigorosos, e que traduzam o comportamento dos valores globais, respeitantes ao investimento, ao consumo interno e às exportações, os únicos que, conjugados, servem para calcular o valor do PIB.

domingo, 9 de agosto de 2009

Se não está contente, mude-se...

Imagem retirada do abnoxio

Guernica de Picasso projectada em três dimensões


Ver aqui: http://alpendredalua.blogspot.pt/2014/12/guernica-de-picasso-projectada-em-tres.html

***
Para quem ainda não teve a oportunidade de ver a tela original, esta composição em três dimensões permite captar todo o dramatismo que Picasso pretendeu imprimir à sua pintura.




Raul Solnado e Zeloni no Show do Dia 7 (jul-1967)

***
Raul Solnado foi um actor de comédia notável, cuja carreira, com inúmeros êxitos, se desenvolveu na transição do teatro e do cinema para a televisão, mas antes deste último meio de comunicação social se ter massificado, sem ter resistido, na generalidade, à perda de qualidade. Raul Solnado, sem nunca ter assumido rupturas, soube resistir ao facilitismo mediático, à banalização do humor e à sua progressiva degradação. Sempre fiel a si mesmo, construiu as suas peças com um humor sadio e consistente. Ridicularizava sem ofender e fazia rir sem recorrer aos exageros histriónicos e aos lugares comuns, e evitou sempre o mau gosto e a obscenidade. Nunca se abastardou. Havia nele uma sobriedade estilizada de gestos, que lhe permitia fazer sobressair a sua grande capacidade mímica e a sua peculiar vocalização do discurso.
O programa Zip, Zip, foi, sem dúvida, uma das suas maiores realizações televisivas, fazendo rir inteligentemente um país cinzento e triste, e causticando, tanto quanto era possível, num regime de censura, as taras de uma sociedade adormecida.
Vai ser difícil, nos próximos tempos, ver surgir um humorista com o recorte de Raul Solnado, já que, nestes tempos, a estratégia do fenómeno televisivo baseia-se numa elevada rotatividade dos actores, não dando tempo para que os melhores consolidem o seu talento, e rejeitando ou excluindo aqueles que pretendem ultrapassar humor rasca.

Uma descoberta importante para melhor conhecer e combater os vírus

Uma nova técnica permitiu pela primeira vez a descodificação de todo o mapa genético do vírus HIV, que dá origem à sida, permitindo que os cientistas tenham uma "visão geral" desse genoma e abrindo caminho a novos tratamentos.
Diário de Notícias
***

Cientistas mostram genoma do vírus da sida. Esta é a estrutura do genoma do vírus da sida, tal como foi identificada na Universidade da Carolina do Norte... Foto: Joseph Watts e Kevin Weeks/ Universidade da Carolina do Norte/Reuters
PÚBLICO

***
A descodificação do mapa genético do Vírus HIV e a consequente reconstituição do respectivo genoma representam um avanço de invulgar importância para a Ciência. Por dois motivos. Em primeiro lugar, fica aberta uma maior possibilidade de se descobrirem as substâncias que possam inactivar os vários tipos vírus, e de virem a produzir-se medicamentos para o tratamento eficaz da sida e de todas as doenças virais. Em segundo lugar, a Ciência ficou mais perto de perceber o comportamento bioquímico destes organismos que fazem a transição entre a matéria inanimada e os seres vivos. Os vírus não são considerados seres vivos, porque, devido à ausência do ácido desoxiribonucleico (ADN), não podem fazer autonomamente a sua replicação celular, o que só conseguem, servindo-se do ADN dos organismos onde se alojam. No entanto possuem o ácido ribonucleico, o que lhes permite desencadear as reacções bioquímicas, típicas dos seres vivos mais elementares, as bactérias.
Esta descoberta, que vai abrir novos horizontes para um melhor conhecimento da origem da vida e para a compreensão, inclusivamente a nível atómico, do funcionamento íntimo das mais variadas reacções químicas, que ocorrem nas organelas celulares, vem culminar o grande esforço de investigação, que se desenvolveu vertiginosamente nos Estados Unidos, principalmente a partir do Instituto Rockfeller, de onde saíram as mais importantes descobertas da biologia molecular da bioquímica.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Empreiteiro honesto!...


Doentes mentais: Dignidade precisa-se!...


O Ministério da Saúde, quando se põe a fazer reformas, pretende, normalmente, começar a construir prédio pelo telhado e a pôr o carro à frente dos bois. Foi assim com a reforma das urgências e a das maternidades. Agora, chegou a vez da reforma da saúde mental, centralizada na ideia na desinstitucionalização dos doentes mentais, devolvendo-os à comunidade, ou, nos casos mais pesados, internando-os em lares, até que avancem, na lei e no terreno, as já mil vezes anunciadas unidades de cuidados continuados para doentes mentais. Com a inépcia do Ministério da Saúde, ainda irá chegar-se ao extremo de pretender tratar a saúde dos mortos, quando não tenha sido possível tratá-los em vida.
Não está em causa o novo paradigma da saúde mental, que retira às instituições psiquiátricas a anacrónica função asilar, que vem da metodologia adoptada no princípio do século passado. As instituições hospitalares têm de se fixar, para obterem ganhos de eficiência, no diagnóstico e no tratamento das doenças, e na necessária rotatividade dos internamentos. Os internamentos prolongados dos doentes crónicos devem ser assegurados por outras instituições, para tal vocacionadas e dimensionadas, e onde deve ser garantida, sem subterfúgios, a assistência médica necessária.
Uma visão economicista, exageradamente disfarçada pelo apelo ao reforço da componente da racionalidade da gestão dos meios disponíveis, racionalidade esta que se compreende e que ninguém de bom senso põe em causa, levou este governo a desenhar projectos e a implementar programas que visam obter ganhos à custa das “perdas” dos doentes. As listas de espera, até mesmo nos casos dos doentes oncológicos, que exigem urgência de tratamento, estão aí para confirmar as poucas preocupações do governo em garantir a total equidade no sistema dos cuidados de saúde.
Mas, neste caso, dos doentes mentais despejados como animais em lares sem o mínimo de condições de um acolhimento digno, não se pode ficar calado, sem um inequívoco grito de revolta, perante a desumanidade revelada pelos responsáveis do ministério que promoveram este atentado à dignidade e aos direitos daqueles doentes, que, por o infortúnio os ter privado da razão, nem se aperceberam da afronta de que foram vítimas, não podendo por isso manifestar o seu justo protesto.
Também não podem votar, nem pagar impostos! E como não sabem protestar, nem podem votar, nem pagar impostos, o ministério desprezou-os desta maneira aviltante.
Tem toda a razão o psiquiatra José Manuel Jara, ao afirmar, segundo o registo da reportagem em hiperligação anexa, que "esta reforma é um bluff ".

Um Poema ao Acaso: Irene no céu - Manuel Bandeira



Irene no céu


Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:
- Licença, meu branco!
E S. Pedro bonachão:
- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

Manuel Bandeira
Poeta brasileiro (1886-1968)

Paul Anka - Diana (1957)

***
Paul Anka pertence à minha geração. A sua música nunca me entusiasmou muito, e, se o cito, é porque lhe reconheço o mérito de ter anunciado a mudança que vinha aí, a mudar os gostos, os hábitos e as mentalidades, e que caracterizou a época do apogeu da América, a influenciar culturalmente o mundo inteiro.

Desemprego e Pobreza: O Porto e o Norte foram esquecidos...



O Norte do País, na generalidade, e a cidade do Porto e o seu distrito, em particular, têm todas as razões a seu favor para condenar as políticas desenvolvidas nos últimos trinta anos, e da exclusiva responsabilidade do PSD e do PS, os partidos do poder, já que, a avaliar pelo número avassalador de desempregados e pela existência de um desproporcionado número de trabalhadores, em relação ao resto do país, a auferirem rendimentos pouco acima do Salário Mínimo Nacional , têm sido as principais vítimas da macrocefalia da Grande Lisboa.
Desde os governos de Cavaco Silva até hoje, o Porto e todo oo Norte do país têm sido preteridos na política do grandes investimentos, o que conduziu ao definhamento da sua ecconomia e ao consequente aumento da pobreza. Ao proporcionar a concentração dos investimentos, públicos e privados, através da canalização preferencial dos fundos da União Europeia para Grande Lisboa, os sucessivos governos, numa óptica de obter rápidos aumentos de rentabilidade desses investimentos, beneficiando dos sinergismos proporcionados pela intensiva concentração populacional e pela redução dos custos operacionais ligados aos transportes, esqueceram-se de equacionar os efeitos preversos de longo prazo, a repercutirem-se obrigatoriamente nas outras regiões do país, onde esses investimentos foram reduzidos.
Esta assimetria do desenvolvimento económico e da repartição desigual do rendimento disponível, a nível geográfico, acabaram, paulatinamente, por desequilibrar o consumo interno dessas regiões, provocando uma razia ao nível das micro e das pequenas empresas, que produziam para o mercado local. Era como se o coração, numa atitude egoísta, começasse a bombear mais sangue para o cérebro, para que ele pensasse melhor, esquecendo-se de o enviar para as pernas, na proporcionalidade respectiva das suas próprias necessidades. Com o tempo, desenvolver-se-ia um organismo que pensava muito bem, mas que não conseguia caminhar. É o que está a acontecer em Portugal.
Nenhum país poderá atingir um desenvolvimento sustentado se os seus governos não souberem nivelar o desenvolvimento de todo o território, tanto quanto seja possível. E o caso de Trás-os-Montes é dramático, já que é a região mais pobre da União Europeia e onde subsistem bolsas de pobreza extrema, que deveriam envergonhar os governantes.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Anotação do Tempo: O sino da minha aldeia


O sino da minha aldeia


O sino da minha aldeia já não toca ...
Ficou mudo e parado no tempo
quando saudou o último varão que partiu
e já não tocou quando o viu chegar
montado na roda da sorte ...

O sino da minha aldeia já não toca
está apenas pendurado na torre da igreja,
comido de ferrugem e de caruncho ...

O sino da minha aldeia voltou a tocar
apenas por um breve instante
quando o último velho estremeceu
de medo e solidão
enforcado na corda a que se prendeu ...

E o sino da minha aldeia nunca mais tocou ...
Ficou mudo e parado no tempo ...
E já não há varão, nem velho, nem roda da sorte !...
Só fantasmas da vida que se viveu ...

Alexandre de Castro

Até na justiça, a China trabalha com custos mínimos!...

***
O Diário de Notícias online informa:

As autoridades chinesas executaram quarta-feira dois empresários acusados de terem defraudado centenas de investidores no equivalente a mais de 87 milhões de euros, informa hoje a imprensa oficial.

E se despachássemos para a China, Jardim Gonçalves, Oliveira e Costa, João Rendeiro e, já agora, Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras e Avelino Ferreira Torres?...
http://dn.sapo.pt/bolsa/interior.aspx?content_id=1327524

Um gesto vale mais do que mil palavras!...

video

***

Apetece-me dizer que não é preciso ser surdo, para perceber a bem explícita linguagem gestual da tradutora.

Isaltino de Morais: Ainda vai correr muita água, debaixo das pontes...

Isaltino na prisão
***
Conhecida a condenação de Isaltino de Morais, a mais pesada entre as aplicadas a todos os autarcas condenados, a dicussão pública passou a abordar o tema se ele irá conseguir ganhar novamente as eleições aurárquicas e manter-se na presidência da câmara de Oeiras por mais quatro anos, contrariando, assim, a decisão judicial, que lhe determinou na sentença a perda do mandato.
Como recorreu superiormente, Isaltino de Morais aguardará em liberdade a decisão da(s) instância(s) judicial(ais) superior(es) e nada o poderá impedir de se candidatar. Se ele ganhar as eleições, irá certamente estabelecer-se um duelo com o poder judicial, e a discussão irá centrar-se na definição das procedências entre o "voto" judicial e o voto popular.
Mas, agora, o que realmente estimula a curiosidade dos portugueses, é tentar adivinhar o comportamento do eleitorado, e se ele irá dar a mesma resposta de há quatro anos, colocando novamente Isaltino de Morais na presidência da câmara. Os politólogos estão muito reservados e divididos nesta matéria, e não se atrevem a fazer um prognóstico. Uns afirmam que existe uma diferença entre ser arguido ou estar já condenado, o que os leva a admitir a derrota de Isaltino, enquanto outros se inclinam para a sua vitória, alicerçando-se naquela presunção de que o eleitor acaba sempre por se solidarizar com a parte mais fraca.
Se me permitem, e no caso de se repetir a farsa de há quatro anos, eu proponho à República a concessão da independência a Oeiras, que se transformará num principado, tal como o do Mónaco, sendo governado vitaliciamente pelo príncipe Isaltino de Morais.
* Imagem publicada no Politicopata

A arte de mentir...


A propósito da notícia, que o governo se prepararia para desligar a progressão de carreira, e a respectiva actualização salarial, dos funcionários públicos, com funções de direcção, dos resultados da avaliação de desempenho, o Ministério das Finanças veio fazer um desmentido, que, afinal não é um desmentido, tratando-se antes de uma confirmação. Os subterfúgios da argumentação já são demasiado conhecidos, para neles se acreditar. Daqui por uns meses, já ninguém se vai lembrar do caso, e o privilégio, injusto e imoral, agora concedido àquele grupo de funcionários, vai perpetuar-se no tempo, a bem da Nação, com a agravante dele vir a prejudicar e a inquinar, como afirmámos em comentário anterior, a credibilidade do processo de avaliação dos restantes funcionários.

Maria Pages - Acapella

***
O virtuosismo de Maria Palés, nesta interpretação em que se estabelece um diálogo entre o instrumento musical e entre os dois exímios bailarinos, que executam um sapateado notável.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Roger Waters - Mother (live)

***
Raramente a música instrumental electrónica atinge a plenitude dos seus efeitos melódicos, como nesta composição de Roger Waters, a que se acrescenta a riqueza tonal de um coro de elevada qualidade. Nunca me canso de, repetidamente, a ouvir.

Afinal, Adão e Eva eram muçulmanos?!...

***
Seja qual for a verdade - quer o Adão e a Eva tenham sido judeus ou, paradoxalmente, tenham sido muçulmanos ou cristãos - o que historicamente se constata é que as três religiões do Livro trataram muito mal as mulheres.

Afinal, Alqueva é de Espanha!...

***
***
Em Portugal, o Turismo será, provavelmente, o sector económico com maiores potencialidades de crescimento.

O governo quer “matar” os processos de avaliação

***
O governo quer “matar” os processos de avaliação

Ao desvincular os funcionários públicos, que ocupam cargos de direcção, das repercussões dos resultados da avaliação na progressão da sua carreira, permitindo que, automaticamente, “a subida na escala salarial não dependa da avaliação do desempenho correspondente”, o governo desferiu um golpe mortal na credibilidade deste importante instrumento da gestão dos recursos humanos.
Além de injusta e imoral, para os restantes trabalhadores da função pública, cuja progressão depende, muito justamente, da avaliação de desempenho, esta discricionária medida agride um dos princípios fundamentais em que se apoia um qualquer processo de avaliação, que se pretenda justo, rigoroso, independente, motivador e não repressivo, transparente e pró-activo.
Para evitar o nepotismo, o favorecimento pessoal e a irresponsabilidade das chefias, aquele irrecusável princípio estipula que, qualquer avaliador, que terá de ser o imediato coordenador (chefe hierárquico), também será obrigatoriamente avaliado pela forma como avalia os seus subordinados, ao mesmo tempo que subordina parte do seu próprio desempenho ao desempenho global da equipa, tornando-o co-responsável pelos seus sucessos e insucessos. Se esta vinculação de co-responsabilidades não for respeitada em toda a cadeia da hierarquia, apenas terminando nos titulares de cargos, onde começa a responsabilidade política, que compete aos eleitores avaliar, o processo começa a ficar inquinado por falta de transparência, de equidade e de credibilidade, e os efeitos serão tanto mais devastadores, quanto mais elevado for o patamar, onde essa co-responsabilização na avaliação e no próprio desempenho não seja respeitada.
E este governo, que não está minimamente interessado em implementar um processo de avaliação dos funcionários públicos, sério e honesto, que dá muito trabalho e exige muita competência, procura apenas fazer reverter politicamente, para seu benefício, os efeitos de um arremedo de um processo, que funciona apenas como “fachada”.

Floresta de pernas!...

Fotografia retirada do Portugal Diário
***
Não confundir a árvore com a floresta!...

Pink Floyd - Another Brick in the Wall - part 2

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A crise não entrou nos bancos... Eles até ganharam com a crise



***

Não se compreende, lá muito bem, como é que os bancos portugueses continuam a ter lucros astronómicos. Apesar da crise financeira internacional e da contracção do crédito às empresas e às famílias, que eles próprios estimularam, os cinco maiores bancos a operar no país aumentaram significativamente os seus lucros, neste primeiro semestre, em relação ao período homólogo do ano anterior.

A não ser que estejamos na situação de ter entre nós os melhores banqueiros do mundo, somos obrigados a interrogarmo-nos de onde é que vem tanto dinheiro. Por mim, julgo que são os clientes, sobre os quais recaiem custos escandalosos, e o Estado, que teima em manter a banca numa situação de privilégio, em sede de IRC, que sustentam este enriquecimento obsceno.

O Partido Comunista Português já se pronunciou sobre a sua intenção de propor as necessárias alterações legislativas que promovam o nivelamento dos impostos da banca pelos os das outras empresas não financeiras, e lançou o desafio ao Partido Socialista, sem qualquer êxito, aliás, para que se pronunciasse sobre esta importante matéria. Dos outros partidos, chega-nos um silêncio ensurdecedor e preocupante.

Manuela Ferreira Leite: Uma decisão que não respeita a democracia nem a moral!...


A pulsão ditatorial de Manuela Ferreira Leite ficou bem patente no seu diferendo com a direcção da distrital de Lisboa do seu partido, ao pretender impor, na elaboração das listas às próximas eleições legislativas, a inclusão, em lugar elegível, de duas personalidades que se encontram actualmente, na qualidade de arguidos, a contas com a justiça.

Este episódio revela bem o carácter autoritário da senhora, que, se alcançar o cadeirão onde se sentaram Cavaco e Salazar, é muito bem capaz, tal como já afirmou, de impor uma ditadura provisória, durante seis meses, para endireitar o país, não ficando, no entanto, esclarecido qual a sua ideia sobre o regime que a seguir instituiria.

Mas se esta pulsão ditatorial levanta suspeitas e inquietações, não menos preocupante se revela a ausência de um qualquer escrúpulo moral em aceitar duas personalidades, que foram constituídas arguidas em processos judiciais, e que envolvem crimes de fraude fiscal, falsificação de documentos e abuso de poder. É certo que, devido ao princípio da presunção de inocência, António Preto e Helena Lopes da Costa encontram-se no pleno uso de todos os seus direitos civis, não havendo nenhuma incompatibilidade legal com a sua condição de candidatos a deputados à Assembleia da República. Mas, o mínimo de prudência e pudor, por parte de Manuela Ferreira Leite, e o mínimo de decência e de dignidade, por parte daquelas duas personalidades, aconselharia que a ideia da sua candidatura nem sequer tivesse sido colocada. Por uma questão de higiene!

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1394595

Eva deveria ter sido assim!...

***
Eva deveria ter sido mais ou menos assim, não sendo, pois, de admirar que Adão resvalasse para a tentação da carne, tentação esta representada pudicamente no texto bíblico por uma maçã. Só não sei por que razão Deus se terá arrependido de criar a criatura e de não ter tido o divino atrevimento de a eliminar da face da Terra, construindo assim um mundo muito mais desinteressante, mais a seu gosto.

Os invejosos dirão que, o que interessa, é a qualidade e não a quantidade...

video

***

A partir desse dia, o farmacêutico começou a tomar o Viagra...

Agradecimento...


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao Rui e ao Pedro Frias, pela sua decisão de se inscreverem como seguidores deste blogue.

Pink Floyd - Another Brick in the Wall

***
Uma notável realização cinematográfica, a ilustrar uma canção de antologia, onde o poema e o ritmo sincopado da música se fundem na denúncia do modelo de educação vitoriano, de vocação totalitária e militarista, e que perdurou na Grã-Bretanha durante muito tempo. As imagens escancaram a dureza dos métodos e a implacável disciplina que recaía sobre os jovens. Uma autêntica razia da individualidade e da criatividade, bem expressa na tentativa de ridicularizar um jovem poeta. Curiosamente, nos meus tempos de estudante, no Liceu de Lamego, testemunhei um episódio idêntico. Numa prova escrita de Português, um colega meu resolveu responder ao pedido de uma composição escrita, que aparecia no final do questionário, com um poema da sua autoria. No dia da entrega da prova, corrigida e classificada, o professor, intencionalmente, deixou para o fim a entrega da prova daquele jovem poeta. Com sarcasmo, ridicularizou-o perante toda a turma, acabando por o esbofetear. Só que, em Lamego, naquele tempo de medo e de ignorância, não foi possível incendiar o liceu, nem fazer a revolta nas ruas. Acabámos por sair modelados em forma de salsicha enlatada, tal como neste filme. Alguns conseguiram libertar-se do aguilhão e apagar da mente os sulcos deixados pela marca do ferro em brasa, como se faz ao gado . Outros, não!
Não sei se, naquele dia, alguém tentou matar a poesia, como também não sei se alguém matou um jovem poeta. Eu, por mim, durante toda a minha vida, tentei resistir!

Apenas mudou o imperador. O império é o mesmo!...

Cortesia do Pedro Frias, que enviou este esclarecedor cartoon
***
A eloquência das imagens traduz bem a realiadade. Ninguém poderá ocupar o cadeirão da Sala Oval da Casa Branca, sem ser submetido longamente ao escrutínio do complexo sistema do poder dos Estados Unidos, dominado pelo grande lobie financeiro e pelas poderosas multinacionais. O escrutínio popular é meramente secundário para os detentores desse tentacular poder oculto, que pretende transformar-se num poder planetário. Obama, ou qualquer outro presidente, só pode mudar o que lhe é permitido mudar, não podendo mexer na estrutura nem na essência do sistema. Qualquer aventura ser-lhe-ia fatal!... Só uma confragedora ingenuidade levou muitas pessoas a acreditar numa mudança profunda da política americana. O essencial continua e continuará intacto, a bem do império.

Jacques Brel: Ne me quitte pas

***
É sempre reconfortante regressar a Jacques Brel, e ouvir aquele timbre de voz, que transmitia às suas interpretações uma grande emoção. Foi um dos ícones da música da década de sessenta, e ele soube incorporar no seu trabalho todos os valores da juvntude daquele tempo.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ucrânia e Geórgia: os peões de brega entre a luta surda dos gigantes

***
Ucrânia e Geórgia: os peões de brega entre a luta surda dos gigantes

Vivemos num tempo em que a política concreta, a que se deseja e a que se concretiza, não corresponde às declarações públicas dos seus responsáveis.
Normalmente, o discurso público mascara a realidade, o que obriga a descodificar as respectivas mensagens, para conseguir perceber-se o significado dos objectivos ocultos. E isto, se é verdade ao nível da política interna de cada país, onde o grau de sofisticação da codificação do discurso político acompanha, em proporção directa, o nível de desenvolvimento sócio-cultural das sociedades a que se destina, também se verifica ao nível da política externa.
A ocorrência de dois acontecimentos, em dois países diferentes, e, aparentemente, não relacionados entre si, evidenciam de forma clara a existência de um fosso entre as palavras e os actos e entre a mistificação da realidade e as intenções concretas. As trocas de acusações mútuas entre a Geórgia e a Rússia e o acordo financeiro da União Europeia e a Ucrânia, para regularizar os pagamentos do gás fornecido pela Rússia, são emanações visíveis de uma mesma realidade geoestratégica, em que se defrontam os Estados Unidos e a Rússia.
O fim da Guerra-fria, que se prolongou por setenta anos, não dissipou, entre os dois países, as dúvidas e os medos. A Rússia – que não quer ficar arredada da nova partilha do poder mundial, onde entram também alguns dos países emergentes, com destaque para a China, que, com uma proverbial paciência e engenho, vai urdindo a teia complexa dos seus interesses – desconfia das intenções hegemónicas dos Estados Unidos. Por sua vez, os Estados Unidos não querem ter, como parceiro estratégico, um país, que, tendo sido o seu principal inimigo, ainda detém uma grande capacidade militar, alegadamente suficiente para sustentar um grau de exigências, que obstaculizariam os seus intentos de liderar o mundo.
Toda a estratégia dos Estados Unidos, depois do colapso da União Soviética, assentou na asfixia lenta do gigante euro-asiático, que quase ia sucumbindo, na década passada, a uma crise económica profunda, entretanto ultrapassada com a posterior subida dos preços internacionais dos combustíveis fósseis, o que lhe facultou um grande encaixe de divisas estrangeiras.
O próprio alargamento da União Europeia aos países de Leste, feito de maneira precipitada, tinha principalmente o secreto objectivo político de cercar e de isolar a Rússia, integrando os países que com ela fazem fronteira e subtraindo-os à influência remanescente da antiga União Soviética. A decisão de implantar um escudo nuclear nesses países é vista pelos russos como uma tentativa de lhe retirar, no campo militar, a margem estratégica e a potencial capacidade de iniciativa, o que fragilizaria a sua capacidade negocial, além de ficar mais exposta a um qualquer ataque nuclear dos países ocidentais. Para contrariar os desígnios dos americanos e dos europeus, a Rússia jogou no tabuleiro do Irão e da Ucrânia e foi muito firme e muito dura na resposta à provocação da Geórgia, estimulada pelos países ocidentais, que não desistem em desestabilizar-lhe as actuais fronteiras. Aos russos convém um Irão a desafiar os EUA, tal como a Geórgia está a desafiar a Rússia. O apoio dado ao Irão, através da cedência de tecnologia e equipamento nuclear, possibilita à Rússia obter receitas financeiras e importantes dividendos políticos.
Por sua vez, os países ocidentais apoiam em força a Ucrânia, onde a população da parte ocidental defende uma integração na União Europeia, em oposição à população da parte oriental, que pretende uma ligação preferencial à Rússia. Neste quadro, será sempre muito difícil ao actual governo de Kiev avançar decididamente, tal como desejaria, para a plena integração europeia, cenário este que agravaria, caso fosse concretizada, os equilíbrios internos do país e provocaria uma eventual retaliação da Rússia, a desencadear uma embaraçosa instabilidade no abastecimento de gás à Europa. A Rússia, no passado inverno, deixou a Ucrânia a tremer de frio, cortando-lhe o gás, em virtude das dívidas existentes, já vencidas, de fornecimentos anteriores, o que provocou também o corte dos abastecimentos à Europa. A Rússia fornece um quarto do gás natural consumido na Europa e 80 por cento desse abastecimento circula pela Ucrânia.
Para evitar a repetição deste cenário, no próximo inverno, a Europa e o Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, segundo noticiou a imprensa na semana passada, vão emprestar à Ucrânia, a juro baixo, 570 milhões de euros, enquanto o FMI vai avançar já com uma tranche de 2,4 biliões de euros, o que constitui um dos maiores financiamentos dos países ocidentais a países amigos, em dificuldades. Custe o que custar, europeus e americanos querem uma Ucrânia a morder as canelas dos russos.
Também a Geórgia, que, em Agosto do ano passado, se precipitou, nas suas duas províncias, que reivindicavam a sua independência, numa desastrada incursão militar, desbaratada imediatamente pelo exército russo, voltou agora, segundo a imprensa da semana passada, a fazer provocações, lançando morteiros sobre a Ossétia do Sul, entretanto já independente, mas com uma ligação muito forte à Rússia, que já reagiu com muita firmeza a este incidente.
Quem leu distraidamente estas duas notícias, talvez não as relacionasse entre si, já que aparecem desenquadradas do contexto complexo que se vive naquelas regiões, nem tão pouco se apercebeu do jogo de influências das grandes potências, a determinar ocultamente os acontecimentos. A Europa aparece referida na notícia referente à Ucrânia, como uma pomba, que apenas pretende ajudar um país em dificuldades e garantir o seu próprio abastecimento de gás, proveniente da Rússia. Os EUA nem sequer são referidos, sendo este país, no entanto, o principal actor nesta guerra surda e suja. A opinião pública até irá pensar que se trata de um mero conflito local, uma birra entre vizinhos desavindos, o que prova a eficácia da mistificação do discurso político e o seu desfasamento com a realidade.
AC

A crise encobre muita coisa!...


Mari Trini – Déjame

domingo, 2 de agosto de 2009

Já não se pode ir ao médico!...


Mari Trini - No me quitte pás

***
Hoje, ao ouvir novamente No me quitte pás, recupero um intenso mundo de emoções, que me recuso a esquecer e a não valorizar.

A velha senhora não fala, para que a boca não lhe fuja para a verdade...

Cortesia do Pedro Frias, que enviou a imagem
***
Esta senhora é um perigo, e todos nós já sabemos o que ela fez como ministra das Finanças, vendendo créditos de impostos em relaxe ao grupo financeiro Citigroup, numa manobra de contabilidade criativa, a fim de ocultar o défice orçamental.
Também a sua presença, na última reunião do Grupo de Bildberg, um dos tentaculares instrumentos, inicialmente secreto, da alta finança mundial, e que através destas reuniões tenta influenciar a seu favor as políticas nacionais dos governos mais dóceis aos interesses do capitalismo internacional, causa preocupantes dúvidas sobre as suas intenções de putativa primeiro ministro, além de se correr o risco de Portugal vir a viver seis meses em ditadura, para entrar na ordem, tal como ela chegou a afirmar.

Parlamento Europeu: onde tudo pode acontecer!...





Preguiça, má educação e muita ternura, é o que as traiçoeiras imagens mostram. Só faltam os outros bocejos, porque os da boca estão lá.