GuernicaO dedo negro e adunco da facínora mão
traçou num sujo mapa as coordenadas da morte...
Condenou um povo à sua sorte !...
E a Besta, na espessura grotesca do seu porte,
escoucinhando o ar,
espumando baba, sangue e raiva,
decretando a celerada lei
pela Humanidade proscrita,
deu um berro descomunal
e disse:
- Matai a Liberdade!... Aqui!... Em Guernica !...
A Besta hedionda,
fúria encastelada de ventos mortais,
vomitando fogo, ferro e aço,
espectro gigante de asas negras esvoaçando,
riscou, sinistra, o espaço...
No céu azul daquela tarde adormecida
a aventesma apareceu...
Um povo do mundo ignorado,
desassossegado e aflito,
de medo e espanto trespassado,
morreu!...
Debaixo dos escombros sucumbiu...
Sepultado nas crateras que o fogo abriu...
Alexandre de Castro
Publicado na Seara Nova (Nº 10 FEV/MAR 1987)
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